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A ARTE DA ALEGRIA
"� um milagre! � um milagre!"
Ficaram todos espantados.
"Ela � uma santa."
Mas n�o havia nada a temer.
Ele era s� um menino maltratado.
Fica quieto.
Um menino triste.
Podes magoar-te. Isto � uma tesoura. � afiada.
A minha irm� Tina tamb�m era diferente.
Mas trat�vamo-la bem.
Tenho frio!
- Para! Fica quieta! - J� chega! Estou cansada!
- Idiota! - N�o, tu � que �s idiota!
Continua suja, ent�o!
Bem, eu n�o.
Mas ela viva como n�s.
Modesta, anda c�, o que fizeste? Deixa-a em paz.
Os senhores, em vez disso...
...t�m vergonha.
- "Mo..." - Maudit!
Ele porta-se bem consigo, Menina Modesta.
- Ele � t�o gentil. - Gentil, quando � �til para ele.
N�o. �s um menino gentil, n�o �s?
Fez-me esquecer o que lhe vinha dizer.
A princesa quer v�-la.
Porque ainda est�s aqui, Maudit?
N�o sei.
Talvez...
Porque ainda n�o voltaste para as tuas freiras?
Senta-te.
Disseram-me que, nos �ltimos dias, vais sempre visitar...
Ele tem estado calmo contigo.
O Pietro disse-me...
...que j� n�o precisa de o amarrar.
Damo-nos bem.
Ele trata-me bem. � curioso e atencioso.
- Aprende depressa. - O que � que ele aprende?
Porque n�o vem ver?
Deus me livre. Quanto menos o vir, melhor me sinto.
A casa tem estado calma, nos �ltimos dias.
Sem gritos, sem tens�o.
Menos embara�osa.
� por isso que ainda est�s aqui.
Escrevi � irm� Costanza e perguntei-lhe
se podias ficar aqui na casa mais algum tempo.
Ela ainda n�o respondeu, mas � �bvio que far� o que lhe digo.
Posso continuar a cuidar dele enquanto quiser. N�o me importo.
H� muitas formas de cumprir a vontade de Deus, mesmo fora do convento.
Em crian�a, sempre tomei conta da minha irm�.
Da tua irm�?
- Nunca me falaste dela. - Ela morreu.
Tamb�m morreu no inc�ndio?
Esta hist�ria, tu nunca...
N�o me lembro de muito.
Modesta!
Quem me dera que o meu filho tamb�m tivesse morrido em crian�a, como ela.
Pod�amos ter evitado todo este sofrimento.
O Ippolito � seu filho?
� o que dizem.
Quando o vi, quando nasceu, nunca mais o quis ver.
Nem sei se posso consider�-lo meu filho.
Portanto, vais ficar aqui mais umas semanas, est� bem?
D�-nos um pouco mais de paz e sossego, Maudit.
Gire.
Gire, gire.
Ent�o?
Ela disse que posso ficar mais um pouco.
- Maudit, isso � maravilhoso! - Sim.
Anda, dan�a comigo.
- N�o sei dan�ar. - Sim, dan�a comigo.
Estou t�o feliz. Quanto tempo ficas?
N�o sei. Uma semana, um m�s... Ela n�o disse.
Assim n�o, meninas. Essa n�o � a posi��o certa!
V� l�.
Em posi��o.
Edoardo, para.
Aten��o.
Assim, pulso mole.
O cavalheiro p�e a m�o por baixo da sua omoplata.
Edoardo.
Altiva, v� l�.
Contaste a algu�m sobre n�s?
Porque n�o contamos a toda a gente?
- Agora n�o. - O senhor, monsieur.
Em vez de incomodar, d�-nos uma ajuda.
� imposs�vel encontrar um cavalheiro bonito em todo o reino.
Est�o todos na guerra, pobres rapazes.
V�, n�o tenha vergonha. Venha.
Para mostrar � Cavallina a posi��o.
Eu fa�o de dama e o senhor de cavalheiro.
- Consegue fazer de cavalheiro? - Vou tentar.
Ponha a m�o aqui. Edoardo.
Um, dois, tr�s. Um, dois, tr�s. Um, dois, tr�s.
Chega.
- Porqu�? Continue. Tem talento. - N�o gosto de dan�ar.
Ofendeu-se, pobre rapaz.
Ela quer que eu cuide do pr�ncipe.
- Do pr�ncipe? - Foi o que ela disse.
- O que te disse ela? - Que ele � filho dela.
O que foi?
Esta fam�lia adora segredos.
Como este.
Espera.
Bom dia, meninas.
Achas que ele nos viu?
Que importa? � s� o Carmine.
N�o percebo quem ele �.
� o meeiro. N�o v�s que tem uma espingarda?
N�o o suporto.
Queres saber outro segredo?
Parece que � meu pai.
De que est�s a falar?
- Com quem a Leonora n�o podia casar? - Claro.
� um campon�s.
P�s sujos.
Desculpa, mas...
O teu av� n�o o mandou embora
quando descobriu que engravidara a Leonora?
N�o, o av� adorava-o. Dizia sempre:
"Perder uma filha tola � uma coisa.
Mas perder um meeiro como o Carmine � outra."
Ent�o? N�o. Usa o garfo.
Isto � arenque.
Cheira um pouco mal,
mas a princesa gosta dele desfiado com laranjas e chalotas.
Delicioso.
Quem �?
Os teus olhos.
Fecha-os.
Eu tinha um burrico
Era muito gentil
Mas mataram-no
Os resultados s�o excelentes, princesa.
Conseguimos poupar em sal, farinha e �leo.
Deixei o Antonio ficar com algum dinheiro, como pediu.
Bem, bem.
Bom dia, princesa. Queria falar comigo?
Carmine, entra.
- Bom dia. - Bom dia.
Quero apresentar-te a Modesta. Est� connosco h� algum tempo.
Sim, j� tive a honra de a conhecer
quando o not�rio veio c�, lembra-se?
Sim. Senta-te.
Gostava que ela te ajudasse por uns tempos.
O que achas?
Ent�o?
Com todo o respeito, ela � muito nova.
Bem, nova... Eu j� estava � espera do meu primeiro filho, aos 17 anos.
Seja como for, eu � que decido se ela � nova ou n�o.
N�o est�s convencido?
Permito-me n�o responder.
Desculpa, mas quem te ensinou quando eras crian�a?
O querido e falecido pr�ncipe.
E a senhora, Lady Gaia.
Ent�o, porque n�o respondes acerca desta rapariga agora?
Com a sua permiss�o, permito-me n�o responder.
�s t�o teimoso!
Meu Deus!
Dizes que precisas de ajuda e agora s� te queixas?
A Maudit sabe fazer contas.
� prest�vel, inteligente e cuida da despensa.
Cuidar da despensa � uma coisa.
Outra � gerir as contas de toda a propriedade.
- Eu sei bem... - Al�m disso, ela tem
toda a minha confian�a.
Isso devia chegar para ti.
Seja como for, esta situa��o est� a incomodar-me. J� fal�mos demasiado.
Maudit, vens c� �s segundas-feiras...
Est�s a ouvir?
Sim.
E vou ensinar-te a lidar com advogados e not�rios.
E tu, Carmine, vais ensin�-la sobre a terra e as colheitas.
A partir de agora, quando eu estiver presente,
trata-a por "patroa".
- Quer que a trate por "patroa"? - Exato.
Diz j�, para te habituares.
Desculpa, n�o te ouvi.
N�o ouviu porque ainda n�o falei.
Ent�o, fala.
- Se quer tanto... - Sim.
Como ela ainda � uma crian�a, posso usar "patroinha"?
- Est� bem. Obrigado. J� acab�mos. - Ao seu dispor.
Adeus, patroa e patroinha.
Est� tudo claro?
Acho que sim.
�s uma rapariga esperta.
A pens�o que te damos garante-te uma posi��o respeit�vel.
Al�m disso, se aprenderes a gerir e negociar,
poder�s vir a ser Madre Superiora, como a minha Leonora.
Dar-te-ei o meu apoio, quando chegar a altura. Prometo.
N�o dizes nada?
O que devo dizer?
Entraste no carro e n�o disseste nada.
S� me tratas como motorista.
Tens raz�o. Desculpa.
Passaram semanas.
J� dev�amos ter dito a toda a gente.
Estive ocupada, sabes disso.
- A cuidar daquele monstro. - O Ippolito n�o � um monstro.
Para aqui. Cheg�mos.
- Agora, ouve... - Falamos disso depois.
Est� bem? Prometo.
Tem paci�ncia. N�o, eu vou sozinha.
Menina, temos de nos despachar. H� muito para fazer.
Devia aprender a andar a cavalo.
- Para n�o estragar o carro. - Vou pensar nisso.
Se o senhor aprendeu, n�o pode ser assim t�o dif�cil.
Estamos a podar as �rvores.
- Don Peppe, falamos depois. - Obrigado, Don Carmine.
- Bom dia, Don Carmine. - Bom dia, trabalhadores.
Bom dia, Don Carmine.
- Bom dia. - Bom dia.
Como se chama?
- Carmela, menina. - Modesta.
- Como vai isso? - C� estamos.
Estamos a trabalhar.
- S�o quase todas mulheres. - Os homens est�o na guerra.
E os outros... N�s, mulheres, ajudamo-nos umas �s outras.
A menina sabe isso muito bem.
Saro, o que se passa?
- Podes falar. - Don Carmine...
Nos campos de Trecastagni, encontraram outro cordeiro sem perna.
Temos de fazer um acordo com os camponeses.
- Eu falo com eles. - E tamb�m desapareceram vacas.
H� bandidos a entrar em minha casa.
Raios, Saro, acorda, para que tens a espingarda?
- V� l�. - Adeus.
Adeus.
Raios.
- Pode dizer-me o que se passa? - O que quer saber?
A lava do Etna destruiu olivais e vinhas.
E n�o recebemos mais mantimentos devido �s greves a norte.
O mundo est� a arder.
Claro que o cheiro a fumo ainda n�o chegou aos pal�cios.
Mas vai chegar. O que sabe a menina?
� verdade, n�o sei muito sobre este mundo.
Mas aprendo depressa.
Aprendo depressa.
Desde que encontre algu�m com tempo e vontade de ensin�-la.
N�o fa�a nada.
Como vai voltar ao convento, � uma perda de tempo.
O que est�s a fazer? Porque paraste aqui?
Estou farto.
- Quero saber as tuas inten��es. - Sabes as minhas inten��es, Rocco.
N�o vais cuidar de filhos teus, em vez dos deformados dos outros?
N�o queres um filho?
Sim. Sim, claro que quero.
N�o tenhas medo, Modesta.
Sei porque est�s hesitante.
Sei o que te aconteceu antes de ires para o convento.
Que n�o �s... Como se diz?
Pura.
Mas n�o te preocupes.
N�o te julgo como os outros.
Seja como for, vamos embora.
Deixamos tudo isto para tr�s.
- Para onde? - San Vito Lo Capo, para os meus pais.
Ningu�m saber� do teu passado l�.
E n�o ter�s de trabalhar.
Eu cuido de ti.
Tratamos disto depois.
Leva-me para casa.
- O que foi? - Minha Modesta...
�s linda.
V� l�...
Leva-me para casa.
Maudit.
Maudit.
Sei que queres a minha aten��o. Mas agora estou ocupada.
Estou a estudar o C�digo Penal
e depois tenho de continuar com os mapas dos limites do feudo.
Percebes?
V� l�, deixa-me estudar. S� paciente.
N�o, isto n�o. N�o, Ippolito.
N�o, Ippolito... Para.
Para.
Pietro. Para, Ippolito, para!
Pietro.
Obrigada.
Ia acontecer, mais cedo ou mais tarde.
Ele � um animal, n�o se controla.
Como assim, um animal?
- Ele nunca v� ningu�m. � normal. - N�o � normal.
N�o � normal.
Nunzia, a terrina deste servi�o? Partiram-na?
N�o, n�o a partimos. Est� onde est� sempre.
Procurem a terrina chinesa. A que fica na sala grande.
- Quero-a na mesa quando voltar. - Est� bem. Vamos procur�-la agora.
Tenho sempre de discutir convosco, por amor de Deus!
Como assim, � normal? Ele � perigoso.
A menina � muito gentil.
Querida, procura a terrina, est� bem? V� ali.
Eu estou bem, Nunzia. N�o aconteceu nada de grave.
O que aconteceu?
Nada. N�o vamos fazer alarido, Nunzia, por favor.
- � esta a terrina? - N�o, a chinesa.
V� se est� naquele arm�rio.
Claro, n�o aconteceu nada. Aquele desgra�ado p�s-lhe as m�os.
Tocou-lhe em todo o lado.
Isso � verdade?
- Sim. - Pobre rapariga.
Devias t�-la visto quando chegou.
Estava p�lida. Parecia morta.
Estas coisas...
Tens um minuto?
A terrina n�o est� aqui.
Procura melhor, tem de estar a�. Tem flores cor-de-rosa.
- Mas n�o a encontro. - Por favor. Tu tamb�m.
Aposto que, se procurar a�, vou encontr�-la.
Aqui, onde estava? Eu disse-te que estava aqui.
N�o quero que voltes a v�-lo.
Isso n�o � poss�vel. A princesa pediu-me.
Acho que n�o percebes.
N�o vais mais.
Porque se ele te volta a tocar, eu mato-o.
- Estamos entendidos? - Sim.
Diz-me que percebes.
Percebo.
J� posso ir?
Despacha-te.
Anda l�.
- O que aconteceu? - Bem... Anda, vamos.
A esta hora?
Bom dia.
- Hoje n�o a posso deixar entrar. - Porqu�?
Foi convocada uma rapariga...
...para satisfazer as necessidades do pr�ncipe, digamos.
Parece que se est�o a divertir.
O pr�ncipe conhece-a h� muito tempo.
Maudit!
Est� a chamar-me. Deixe-me entrar.
N�o posso.
Pe�o desculpa.
H� anos que a pobre camponesa tem sido...
Que nojo, como consegue fazer aquilo?
N�o lhe perguntei.
Podes amar um homem, uma mulher, uma �rvore, at� um sapo desconhecido.
Passas o tempo todo com um monstro e um campon�s que cheira a cavalo.
Nunca passas tempo comigo.
N�o v�s que estou sempre ocupada? Trato dos sal�rios dos camponeses.
Que me importa o sal�rio dos camponeses?
Sinto-me sozinha.
- Sentes-te sozinha agora? - Sim.
Embora amasse a Beatrice, sabia que ela nunca entendeu nada.
Ningu�m me ama como tu.
Se ela fosse mais inteligente, seria minha c�mplice.
� dif�cil lutar sozinha, mas n�o havia nada a fazer.
Ela odiava tudo o que me afastava dela.
E, acima de tudo, mesmo sem o ver, odiava o Ippolito,
o meu sapo que entretanto se tornara um pr�ncipe.
N�o podia arriscar perd�-lo, tinha de combinar neg�cios e lazer
para o prender a mim cada vez mais.
Mas como?
Quem � ela?
Quem �s tu?
Meninos, procuro a Carmela.
Ela est� ali.
Anda.
Isso mesmo.
Posso entrar?
Menina Modesta.
O que faz aqui?
Isto n�o � adequado para si.
Se souberem que est� aqui, teremos problemas. As duas.
Ningu�m sabe que vim.
O que posso fazer por si?
Preciso de saber uma coisa.
O Ippolito. N�o foi a primeira vez que o viu, pois n�o?
- Devia ter vergonha... - N�o diga isso.
Venho em paz.
Sente-se.
A primeira vez que me levaram at� ele...
Tive tanto medo.
Tendo isso em conta, de mulher para mulher,
eu sabia algumas coisas, infelizmente.
Pensei que o pr�ncipe sabia dos seus deveres masculinos.
Ent�o, fechei os olhos.
E levantei a saia.
Passou um s�culo.
Mas n�o aconteceu nada.
Ent�o...
...abri os olhos...
...e o pr�ncipe estava l�.
Com a coisa dele nas m�os.
Estava dura.
Ele sofria muito, coitado.
Ent�o, eu... Que a Virgem Maria me perdoe.
Eu ajudei-o com a minha m�o. E aliviei-lhe o sofrimento.
- Foi isso. - Com a m�o?
S� isso?
Sim. E foi sempre assim.
Cabra?
Cabra!
N�o, era s� o que me faltava...
- Bom dia, menina. - Don Carmine.
Foi dar um longo passeio.
Orlando, apresento-te a minha patroinha.
Hoje est� frio, o tempo enlouqueceu.
Faz sol, depois chove, depois neva...
Veio para muito longe.
Venha. Eu levo-a.
- N�o � preciso, obrigada. - Oi�a-me.
Descer � f�cil, mas subir � dif�cil.
Al�m disso, se algu�m a vir, ter� de explicar
porque est� vestida de camponesa e longe da vila.
O que pensariam se me vissem a cavalo consigo?
Vamos pelo bosque. Ningu�m nos ver�. Venha.
O Orlando � um bom cavalo. N�o se preocupe.
A princesa mandou-o?
N�o.
Pode confiar no Carmine.
Ningu�m me mandou.
- O que est� a fazer? - Estava prestes a cair.
Apoie-se em mim.
Aperte bem as pernas.
Segure-se bem.
O que se passa?
O Orlando � pregui�oso. Quer parar aqui em casa.
Anda l�, sacana, ainda temos um dia inteiro pela frente.
- Desculpe, estou toda suada. - N�o tem de pedir desculpa.
Se a minha m�e me tivesse dito, eu n�o teria acreditado.
O suor cheira a flor de laranjeira.
- Adeus, menina. - Adeus.
E parab�ns.
Porqu�?
Pelo seu casamento.
O Rocco disse-me enquanto beb�amos um copo de vinho, entre homens.
- Ele n�o lhe devia ter contado. - Porque n�o? � uma coisa linda.
Vai dormir com um homem. � diferente de dormir com uma mulher.
� mal-educado, sabia?
O que fazia em casa da Carmela?
Conheci-a nos campos, consigo, no outro dia.
Ent�o, s�o amigas?
Adeus.
Filho da m�e...
Eu desprezava o Carmine.
Ou talvez me tenha incomodado ele saber que eu ia casar com o Rocco.
N�o sei, mas a ideia, de repente, pareceu-me ofensiva.
Bom dia.
Disse-te para esperares, n�o disse?
O qu�? De que est�s a falar?
Andas por a� a dizer a toda a gente que vamos casar.
Quem te deu autoriza��o?
Autoriza��o?
Primeiro, s� disse ao Carmine e ele � um homem de honra.
E qual � o problema? A princesa vai ficar ofendida?
A princesa est�-se a cagar para ti.
Como sabes?
Ouve, estou farto.
Diz-me se queres casar comigo ou n�o a olhar-me nos olhos.
Nunca casarei contigo.
Bom dia.
Onde estiveste? Acordei e j� n�o estavas.
O que esperavas, se acordas a esta hora?
Estava a trabalhar.
Eu ajudei-o com a minha m�o. E aliviei-lhe o sofrimento.
Lembras-te?
"Nunca esque�as os teus pensamentos, a natureza n�o � Deus.
Os homens n�o s�o m�quinas.
E uma hip�tese n�o � um facto.
E podes ter a certeza de que n�o compreender�s totalmente
aquilo que acreditas ser contr�rio a estes princ�pios.
Diz-se que o desejo � o resultado da vontade.
Mas o contr�rio � verdadeiro.
A vontade � o resultado do desejo."
N�o est�s interessado no Diderot?
Pietro, ajuda-me!
Socorro! Porque est�s a fazer isto? Chega, Ippolito!
Pietro.
Saia, menina! Saia!
Princesa, desta vez � muito pior, a situa��o � grave!
J� n�o sei o que fazer. Banhos, brometo...
Vamos acabar por mat�-lo.
N�o posso assumir qualquer responsabilidade, sou s� um m�dico.
Precisamos de um especialista.
- Ele at� se recusa a comer, princesa. - Precisamente.
Nem que lhe abra a boca com um par de pin�as!
Voc�s � que me disseram que era bom para ele.
Eu sempre disse que era uma loucura ele estar sozinho com a rapariga.
Anda c�. Convenceram-me a baixar a guarda.
E vejam o que aconteceu!
Est�o a dizer-me que a rapariga tem sido o centro da aten��o dele.
Enlouqueceram? Isto � muito embara�oso!
Espero que tudo isto fique entre estas paredes!
- Precisamente. - Princesa, se me permite.
- Os encontros s�o uma coisa. - D�o asas aos instintos dele.
A Menina Modesta � outra coisa.
Ele sempre foi simp�tico com ela. Pelo menos, at� h� uns dias.
- Mas... - Ent�o, o que devemos desejar?
Que ele n�o fique de mau humor e esperar pelo melhor?
- N�o vou p�-lo numa camisa de for�as! - A camisa de for�as era s�...
Est� demasiada confus�o.
- Concordo com o doutor. - Don Antonio, com todo o respeito...
Se a pobre rapariga do convento
voltasse a ser mandada para l�, eu seria obrigado a informar a C�ria.
Don Antonio, n�o exagere.
- A C�ria. - O Papa.
� uma ovelha consagrada a Deus e n�o pode ser mais comprometida.
- Sobretudo para satisfazer um... - Um qu�?
Um...
Um homem.
Antonio, por favor!
- Princesa? - Princesa?
Eu disse Antonio. N�o Don Antonio.
- Claro. - Claro.
Porque te ris?
Disseram a mesma coisa ao mesmo tempo.
- Ent�o, vamos todos rir. - Desculpe, n�o o devia ter feito.
V� l�, vamos todos rir.
Princesa, posso dizer uma coisa?
O Ippolito n�o � mau.
Talvez eu tenha feito algo errado. Ele sempre se portou bem comigo.
N�o sei... Pietro, diz-lhe tu.
E se chamarmos um luminar?
Que luminar, doutor?
O problema...
...� que ele se apaixonou pela Menina Modesta.
Disparate!
Basta!
N�o quero ouvir mais uma palavra sobre este assunto infeliz!
- Princesa... - Basta!
Apaixonar-se...
A coisa apaixonou-se!
Vou alug�-lo e salvar estas pobres �rvores.
Maudit.
Maudit.
O que se passa contigo?
Para!
Ele n�o deixa dormir ningu�m. � uma tortura.
Est� a sofrer, pobre rapaz.
Est� a sofrer porque te ama.
- � a �nica coisa que temos em comum. - Porqu�? Tamb�m est�s a sofrer?
Estou com ci�mes.
- Est�s com ci�mes? - Sim.
Est�s com ci�mes do Ippolito?
Desculpa ter dito que dormes muito.
Estou feliz por teres voltado para mim.
Quem �?
- Maudit? - Sim?
Princesa.
Desculpa aparecer assim, mas preciso de falar contigo.
Diga-me.
J� soubeste, n�o foi? � prov�vel que acabemos na boca de toda a gente.
Eu, em primeiro lugar.
Tens de casar com ele.
- N�o podemos estar com rodeios. - Casar com quem?
Por favor, n�o me fa�as dizer o nome dele.
At� o Carmine...
...concorda e diz que � uma boa solu��o.
- A s�rio? - Sim, porque � um homem racional.
Escusado ser� dizer que ter�s de abdicar dos teus votos.
� uma decis�o dif�cil para ti.
Sei que tens ambi��es, at� te prometi coisas.
Mas a situa��o � como �.
Dorme sobre o assunto e d�-me uma resposta amanh� de manh�.
Princesa.
Noto arrependimento na sua voz.
Devo tanto a si e � sua fam�lia.
Se achar que � o mais correto, n�o o evitarei.
N�o o evitar�s?
Daqui a uns dias, o Don Antonio celebrar� o casamento.
Na nossa capela privada.
� noite.
N�o vou l� estar, obviamente. Quanto menos o vir, melhor me sinto.
Daqui a uns dias?
O que tens para fazer? Preparar o enxoval do casamento?
Maudit.
Legalmente, far�s parte da nossa fam�lia.
Isto � um privil�gio. Tens no��o disso?
Mas n�o te atrevas a engravidar.
N�o quero netos.
N�o quero outro ogre
a arruinar o nome da fam�lia Brandiforti. Entendes?
Anda c�.
Boa noite, Maudit.
Boa noite.
A maman enlouqueceu.
Como pode querer que cases com aquele monstro?
Ele vai beijar-te e tocar-te com as suas m�os horr�veis.
Ajuda-me, d�i-me a perna.
Magoei-te h� pouco? Desculpa.
- Porque n�o recusaste? - Para ela me mandar embora?
N�o acredito.
Aquele meeiro insolente, quem pensa ele que �?
N�o � justo que pagues pela tua bondade.
� um sacrif�cio, � verdade.
Mas estaremos sempre juntas.
Pensa nisso.
Se casar com ele, j� n�o vou embora.
Agora vai. Antes que a tua maman volte.
At� amanh�.
Princesa.
Alcancei o que precisava.
E vi que tamb�m tinha de alcan�ar o que queria.
"At� o Carmine concorda e diz que � uma boa solu��o."
"O Carmine � um homem racional."
O que aconteceu?
Como se atreve a interferir nos meus assuntos pessoais?
De que est� a falar?
N�o aconselhou a princesa a obrigar-me a abdicar dos votos?
O pal�cio n�o vai arder, ent�o?
Veio repreender-me?
Pensei que me ia agradecer.
O meu pai ensinou-me que duas bofetadas ensinam uma li��o.
Tr�s � bater em algu�m.
Porque veio � casa de um homem � noite?
� nojento. Deixe-me.
- Deixe-me! - Porqu�?
- O que faz na casa de um homem? - Deixe-me, percebeu?
Pronto.
J� a deixei.
Cuidado, Carmine.
Ouvi falar muito de si. Sei o que fez.
Todos sabem o que ouviu dizer.
Mas ningu�m fala disso por dec�ncia.
Algo que n�o combina consigo.
V� para casa, patroinha.
Tem o vestido molhado.
Fa�o o que quiser!
For�a.
Desculpe. Desejava-a tanto...
As vossas m�es n�o vos ensinam nada?
"As vossas m�es..."
Pode ensinar-me.
Corpo e alma, que mist�rio.
Apesar dos esfor�os para conduzir, perseguir e desviar o meu destino,
acho que, ainda assim, o meu futuro ser� como o meu passado
e que o que fiz outrora com horror
voltarei a fazer mil vezes com alegria.
Aonde vais?
- Estava � tua espera. - Porqu�?
Tenho de fazer uns recados na vila. Querem que venhas comigo.
- A esta hora? - Sim.
- Quem pediu isto? - Adivinha.
- Vais entrar? - Que tipo de recados?
Coisas de mulheres. Linho, toalhas de mesa. Anda.
Aonde vais? A vila � ali.
Rocco, responde-me.
O que est�s a fazer?
O que outra pessoa j� fez.
Como assim?
- Leva-me j� para casa. - Qual casa?
O que est�s a fazer?
Eu vi-te.
Quando? O que viste?
Vi-te a ser fodida por aquele tipo, aquele meeiro idiota!
- Gostas de velhos? - N�o sei do que falas.
Com quem pensas que est�s a falar?
J� te percebi.
Passas-te por freira boazinha.
Mas �s uma vadia!
E tu �s um traste.
Meio homem, nem tens tomates para agir como um homem!
Cala-te, vadia! Vou arrancar-te a cona.
Deixa-me! Deixa-me!
N�o te vou tocar, metes-me nojo!
Mas juro que te vou fazer pagar por isto.
- Vou contar � princesa. - N�o!
Vou contar-lhe o que fazes � noite com o meeiro.
Veremos se ela deixa o filho casar com uma vadia como tu.
Rocco...
Porque me fazes isto? Eu gosto de ti.
Eu gosto de ti.
J� � tarde, j� devias ter pensado nisso.
Tradu��o: Cl�udia Pereira
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