All language subtitles for Anthony.Jeselnik.Fire.in.the.Maternity.Ward.2019.1080p.NF.WEB-DL.DDP5.1.x264-NTG

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Original subtitles

UM ESPECIAL DE COMÉDIA NETFLIX

Ora bem,

a mulher do meu melhor amigo é uma cristã renascida

e não nos damos nada bem.

No outro dia, ligou-me só para gritar comigo.

A dizer que sou uma má influência para o seu marido,

porque ele lhe chamou um nome.

Perguntei: "Qual?

Chamou-te cabra?"

Ela disse: "Não, Anthony.

Ele não usou essa palavra."

Fiquei aflito.

"Chamou-te puta?"

Ela disse que não e eu respondi:

"Então, não foi influenciado por mim."

Foi, basicamente, a melhor piada de abertura de sempre.

Porque, mesmo que nunca tenham ouvido falar de mim,

o que eu duvido...

Ouvem esta primeira piada e pensam: "Ah, já percebi.

Este gajo é brilhante."

A minha irmã teve um bebé.

Teve um bebé para "tentar salvar a relação".

Mas continuo sem falar com ela.

Malta, isto assim vai demorar.

A vida pode ser engraçada. Não posso entrar em detalhes, agora.

Mas, no início da semana,

recebi o melhor telefonema da minha vida.

E, cinco minutos depois,

recebi outro

a avisar que o meu pai estava no hospital.

E respondi: "Sim, acabei de saber."

Não quero que fiquem com uma ideia errada,

não odiava o meu pai.

Ele não era mau tipo.

Por exemplo, nunca, nem uma única vez, nunquinha,

o vi a bater na minha mãe.

Ele era rápido e não dá...

... para ensinar a ser-se rápido, isso vem daqui de dentro.

Lembro-me que, quando tinha 13 anos,

a minha mãe foi diagnosticada com Doença de Parkinson.

E o meu pai desistiu logo.

Disse que não sabia lidar com aquilo, que não poderia viver assim

e fez as malas.

Portanto, aos 13 anos,

tive de ser eu a arregaçar as mangas e a dizer: "Está bem.

Parece que vou com o pai.

Acho que a mãe precisa de um tempo para si."

Acho que, como muitos homens,

nunca esquecerei

aquela vez que vi o pénis do meu pai.

Disse-lhe: "Pai,

não me envies mensagens destas."

Quando era miúdo, mudávamo-nos muito.

Mas, agora, estão todos gordos como o caraças.

Só para terem uma ideia...

Só para terem ideia de quão louca é a minha família,

eu não sou o mais cabrão deles todos.

Tenho um primo...

Toda a gente odeia este meu primo. A sua própria família odeia-o.

E, há uns anos,

ele caiu de um cavalo

e partiu a coluna.

Todos nos referimos à situação como "o incidente do Super-Homem".

Porque aquele cavalo foi um herói.

Quando estava no secundário, a escola contratou um auxiliar cego.

Cego a 100 %.

E toda a gente dizia

que ele tinha ficado cego porque se masturbava demasiado.

Na altura, acreditei.

Era um puto e não percebia do assunto.

Foi só quando fiquei mais velho e sábio que percebi

que era apenas uma tanga que davam para...

... explicar porque é que ele se estava sempre a masturbar.

Uma grande amiga minha é narcoléptica.

A narcolepsia é uma cena maradíssima.

Num instante estamos a conversar como se nada fosse,

no outro estou a ter relações sexuais.

Toda a gente percebeu esta?

Se não perceberam esta última piada, não se preocupem.

Esta agora vai ser igual.

Só que parva.

Um dos meus antigos colegas é agora médico,

no serviço de urgência.

Uma vez, disse-me que 25 % do seu trabalho

é tirar objetos estranhos dos cus das pessoas.

Já não nos damos muito.

Mas estou sempre a vê-lo.

Se não perceberam nenhuma das piadas, como é que perceberam isto da Netflix?

Eu vivo em Los Angeles.

Como vocês também queriam poder.

Gosto da minha casa.

Não tanto dos vizinhos.

Vivo na mesma rua

que três famílias de Testemunhas de Jeová.

E independentemente das vezes que lhes digo: "Não, nem pensar."

Continuam a aparecer duas vezes por semana

para dizer: "Anthony,

por favor, pare de atirar pedras às nossas casas."

"Não me impinjam a vossa religião."

E nem sequer são os piores.

Um deles é um homem de 90 anos

que tem Alzheimer.

E, todas as manhãs,

às nove em ponto,

bate-me à porta para me perguntar se vi a mulher dele.

O que significa

que, todas as manhãs,

às nove em ponto,

tenho de explicar a este velhote de 90 anos com Alzheimer

que a sua mulher morreu há bastante tempo.

Já pensei em mudar-me.

Já pensei em não lhe abrir a porta de manhã.

Mas, para ser sincero,

vale a pena

só para ver o sorriso na sua cara.

Não sei porque toda a gente gosta desta piada.

A minha avó sofre de demência.

Esquece-se de quem é,

anda horas perdida pela casa.

É um problema.

Portanto, o que eu fiz

foi atar-lhe um sino ao pescoço.

Parece desumano, certo,

mas resolveu o problema.

Aquilo é...

... mesmo pesado.

Se não se estiverem a rir agora,

o problema é a vossa imaginação.

Não se zanguem comigo por não saberem o tamanho que os sinos podem ter.

Lembro-me que, umas semanas depois do meu avô ter morrido,

o meu pai descobriu um conjunto enorme

de pornografia vintage.

Para ser franco, era uma quantidade embaraçosa

de pornografia vintage.

Portanto, disse que era do meu avô.

O meu avô morreu há dois anos,

mas morreu como um rei!

Ninguém sequer se zangou.

O meu avô morreu da melhor maneira possível.

Morreu numa rede, numa praia do Havai,

durante o pôr do sol.

É assim que quero morrer.

Estrangulado.

Parece divertido.

Às vezes...

... pergunto-me se conseguiria matar alguém.

Será que seria capaz de acabar com uma vida humana.

E, depois, lembro-me:

"Ah pois, a Debbie.

Como me poderia esquecer da Debbie?"

Ela era especial.

E por falar em especial,

fui ao médico há umas semanas,

e descobri que sou especial.

Fui ao médico e fiz umas análises.

Chegaram os resultados

e o médico disse-me que o meu tipo de sangue

é O negativo.

Sabem o que isso significa?

Que sou o melhor, porra!

Significa que sou dador universal.

Que posso dar sangue a qualquer pessoa do mundo

que também tenha SIDA.

Não tenho medo de admitir isto,

odeio, praticamente,

todas as religiões do mundo.

Deixem-me repetir.

Odeio, praticamente,

todas as religiões do mundo.

Sabiam que há uma religião

chamada Ciência Cristã?

Em que acreditam

que, mesmo que os seus filhos estejam doentes e a morrer,

e tudo o que precisem para os salvar seja um pouco de remédio,

nunca poderão dar esse remédio aos seus próprios filhos.

Essa é a única religião boa.

Tinha pedido um copo que desse para meter escovas de dentes...

Escutem,

as piadas são muito giras e boas.

Mas gostaria de tirar uns minutos para falar de uma coisa

que é importante para mim.

E começarei por dizer que há muito boa gente

que diz que os comediantes deviam limitar-se à comédia

e não falar de mais nada.

Eu discordo.

Acho que um stand-up não tem de ter sempre piada.

Nem sequer tem sempre de divertir.

Às vezes, serve para defender as nossas convicções.

Às vezes, serve para mostrar o que vai mal no mundo,

apesar de isso poder não ser popular.

Portanto, por favor,

permitam-me desabafar.

Com todas as coisas terríveis que se passam nos EUA hoje,

e vocês sabem exatamente do que estou a falar...

Com todas as coisas terríveis que se passam neste país,

o que mais me irrita

são as pessoas que veem estas coisas horríveis a acontecer

mas só se passam com coisas sem importância.

O meu maior ódio de estimação dos EUA de hoje,

são as pessoas que veem estas coisas terríveis todas

mas só se passam com merdas que não interessam nada.

Por exemplo...

Já alguma vez deixaram cair um bebé?

Porra, a malta passa-se com isso!

Deixam cair um bebé nos EUA hoje

e as pessoas batem no teto, antes do bebé sequer tocar no chão.

E não tem importância nenhuma.

Como é que eu sei?

Porque me está sempre a acontecer.

Aliás,

acho que nunca peguei num bebé

como deve ser.

E devem estar a perguntar-se: "Anthony, como podes deixar cair um bebé?"

Já pegaram num bebé?

Como não deixar cair?

É tão fácil.

É um processo com duas etapas.

Talvez menos.

E se perguntarem: "Anthony,

porque te deixaram sequer pegar num bebé?"

A resposta é simples...

Negligência.

Adoro-a.

É um passatempo.

O lado negativo,

a única desvantagem, na minha opinião,

é a vergonha.

As pessoas tentam envergonhar-nos, quando deixamos cair o seu bebé.

Apesar de eu tentar sempre que pareça um acidente.

É por isso que isto é bestial. Alguma vez fizeram isto?

Alguma vez deixaram cair um bebé...

... e, depois, apanharam-no a correr, antes que alguém visse?

A sério,

é a melhor sensação do mundo.

Devolvemos o bebé e ninguém tem de saber.

Principalmente,

o bebé.

Aconteceu-me no fim de semana passado.

Estava numa festa,

uma amiga disse-me: "Anthony, tenho de ir à casa de banho,

podes pegar no meu bebé?"

E eu digo a verdade.

Sou sempre 100 % honesto.

Respondo: "Sim,

durante um bocadinho."

Segurei-o durante 30 ou 45 segundos, foi um recorde pessoal.

E deixei-o cair.

Apanhei-o antes que alguém me visse.

E foi por um triz.

Tive de descer três lanços de escadas.

Honestamente, nem percebo

como funciona o sistema judicial deste país.

Acho que é injusto,

e confuso, sem necessidade nenhuma.

Para dar um exemplo,

um dos filhos do meu vizinho estava a trepar uma árvore do seu jardim.

Caiu da árvore

e aterrou na minha cerca.

Agora, dizem-me que tenho de arranjar um advogado,

se quiser ficar com a minha metade do miúdo.

Como é que isso é justo?

E quem é que me vai reembolsar o trabalho taxidérmico?

Tenho um sobrinho com dois anos.

Com dois anos

e já foi parar ao hospital 27 vezes

por comer moedas do chão.

Mas que raio?

A sério,

até parece que não deixo cair as suficientes.

Agora, vou deixar-vos boquiabertos.

Vou deixar-vos completamente boquiabertos, estão prontos?

Não gosto de crianças.

Há uma miúda de nove anos,

uma miudinha minúscula de nove anos...

Uma miudinha minúscula de nove anos que vive no meu bairro

e tem um olho de vidro.

Assusta-me como o caraças.

Deixa-me aterrorizado.

Sempre que me vê,

começa a seguir-me.

Até que lhe devolva o olho. É do piorio.

Foi uma piada divertida e vou explicar-vos porquê.

Tem um valor incrível.

São duas gargalhadas pelo pelo preço de uma.

Riem-se do que eu disse,

que foi hilariante.

E, depois, riem-se outra vez, quando me visualizam

a roubar um olho de vidro de uma criança.

A maioria das pessoas, quando o visualiza,

imagina-me a correr até ela, a arrancá-lo e a fugir.

Errado.

Não vão querer arrancar um olho de vidro.

Sabem porquê?

Porque se podem enganar.

Se se enganarem deixa de ser uma brincadeira divertida.

Ficam metidos em sarilhos.

Aliás,

foi assim que ela perdeu o olho para começar.

O que querem fazer,

se alguma vez se virem nesta situação,

é dar-lhe um calduço. Não com muita força.

É uma criança, não a querem magoar.

Só com força suficiente...

... para fazer saltar o olho de vidro.

Acho que, quanto mais velho fico,

mais irrito as mulheres, quando falo de crianças.

Nem me refiro a piadas sobre crianças.

Elas irritam-se assim que surge o tópico crianças.

Tenho uma amiga que acabou de descobrir que não pode ter filhos,

segundo o Serviço de Proteção de Menores.

Vocês sabiam?

Sabiam que uma pessoa come, em média, nove aranhas

sempre que cozinho para ela?

Não sei se sabem o que é uma premissa falsa, mas...

... tenho um gato...

Acho que foi vadio, porque, sempre que sai à rua,

começa logo a correr, mata qualquer coisa,

arrasta-a e pousa-a nos meus pés.

Tenho-o há um mês e asseguro-vos que estamos

numa competição feroz.

Nem sequer gosto de gatos, para ser franco.

Gosto mais de cães.

Tive um Grand Danois.

Sabem o que é um Grand Danois?

É uma raça grande, alta e magrinha.

O Marmaduke era um Grand Danois e o Scooby-Doo também.

Chamam-lhe a raça "Quebra-Corações".

Porque, normalmente, só vivem oito anos.

Mas, com a dieta certa, exercício e cuidado,

consegui reduzir para quatro.

Era espetacular.

Era o cão perfeito para se ter na faculdade.

Era mesmo.

Acham que não consigo contar mais uma piada de animais?

Vão para o caralho.

Oiçam isto...

Quando era pequeno,

tive uma tartaruga.

Uma tartaruga pequenina que mantinha num aquário.

Num verão, fui para uma colónia de férias.

Enquanto estive fora, ela morreu.

Quando voltei, o meu pai mentiu-me.

Disse-me: "Anthony, a tua tartaruga está viva e de boa saúde,

só que foi viver com a tua mãe."

E eu acreditei.

Até que, uns dias depois, estava a cavar no quintal...

... e encontrei o corpo da minha mãe.

Foi o pior dia da minha vida. Amava aquela tartaruga.

Vá, eu sei, malta. Eu tenho consciência

que devo parecer um cabrão insensível.

Aliás,

a única vez que chorei em público, em toda a minha vida,

foi no funeral da minha mãe.

Posso ser um cabrão insensível,

mas isso não quer dizer que não seja também

um ator do caraças!

A minha mãe era uma mulher deprimida.

Era uma mulher muito deprimida.

A minha mãe era tão deprimida

que tinha escrito "em caso de acidente,

por favor, não reanimar", numa tatuagem

em todos os seus filhos!

O funeral da minha mãe foi há uns 10 ou 11 anos.

No ano passado,

tive de exumar o seu corpo

para resolver uma dúvida legal com os meus irmãos.

Parece que eu estava errado.

Era mesmo ilegal.

Não se pode...

Não se pode fazer isso. Não.

Tenho de admitir

que os meus pais até eram pessoas bastante razoáveis,

quando me criaram.

Menos quando encontravam drogas no meu quarto.

Aí ficavam pedrados durante dias.

O que é mais estranho na minha família é que eram esquisitos com o sexo.

Eu era o mais velho de cinco irmãos, numa casa minúscula.

Quando eles queriam ter privacidade,

chamavam-nos e diziam: "Meninos, vão jogar às escondidas."

E trancavam a porta do quarto durante uma hora.

Eu sabia sempre o que estavam a fazer, afinal...

... escondia-me no quarto deles.

Os meus pais preocupavam-se com sexo.

Acho que nunca tive tanta vergonha na vida

como quando os meus pais me apanharam a ver

pornografia bondage hardcore...

... atrás deles.

E nunca esquecerei...

Nunca esquecerei a minha primeira vez.

Sabem aquelas histórias que ouvimos

sobre malta que perde a virgindade com babysitters sensuais?

Eu era o babysitter.

Sim, podia ter aberto com esta, se quisesse.

Não gosto de racismo.

Obrigado.

Não o percebo.

Porquê odiar?

Porquê escolher odiar?

Porquê escolher odiar um grupo inteiro de pessoas,

só por causa da forma como todos se comportam.

Não sei o que acham,

mas parece-me muito tacanho.

Mas o racismo está, obviamente,

a começar a tornar-se um problema neste país.

Estive a investigar

e descobri um dos membros da minha família teve escravos.

Não pude acreditar.

O meu próprio irmão.

Investiguei um pouco mais.

Fui ainda mais fundo e descobri o seguinte...

E isto é um facto.

Vocês sabiam que há mais escravos hoje

do que em qualquer outra época?

Há mais escravos no mundo hoje

do que em qualquer outra altura da história.

Acham que o vosso emprego é mau?

Imaginem...

... contar escravos.

Se não se riem desta, não sei que raio vos contar mais!

Não estava a experimentar aquela piada. Estava a gabar-me.

Não me considero uma pessoa racista, claro.

Mas fico furioso

quando me dizem que não consigo perceber o racismo.

Percebo muito bem o racismo.

Uma vez apanhei uma tareia de um grupo de skinheads.

Foi uma tareia e peras.

Estive uma semana hospitalizado.

Foi uma...

... iniciação brutal.

É assim,

gostamos de nos divertir.

Mas é preciso ter muito cuidado

ao contar piadas racistas irónicas,

quando se chega ao meu nível.

Quando se é mau comediante pode dizer-se o que se quiser.

Isso é que é liberdade.

Já viram esses gajos, eles voam!

Quando se chega ao meu nível,

tem-se responsabilidade, percebem?

Uma vez contei uma piada racista irónica na televisão.

No dia seguinte, recebi uma carta

de um supremacista branco de Jacksonville, na Florida.

Foi arrepiante.

Começou a elogiar-me.

"Muito obrigado, Anthony.

Obrigado por não denegrires a grande raça branca.

Obrigado por gozares com todas as outras raças

como deve ser.

E posso pagar-te 100 mil dólares

para vires até cá fazeres um espetáculo privado só para mim

e para os meus amigos supremacistas brancos?"

Respondi-lhe logo a seguir.

Escrevi: "Claro que não.

O senhor é contra tudo aquilo que defendo,

seu forreta de merda."

Considero-me um homem moderno.

Tento ser tolerante com todas as raças,

culturas e religiões.

Religiões nem tanto, mas as outras duas sim.

Mas nem sempre me saio bem.

Às vezes, cometo erros.

Por exemplo,

todos os dias...

Todos os dias, em Los Angeles, o meu vizinho latino tenta falar comigo.

Não percebo patavina.

Nove em 10 vezes sou educado.

Sorrio e anuo.

Mas, no outro dia,

estava cansado,

de ressaca,

tinha fumado uma ganza,

tomado uma mão cheia de comprimidos

e não estava no meu melhor.

Passei-me.

Disse-lhe: "Ei, meu idiota,

estamos nos EUA,

eu não falo língua gestual."

Esta...

Esta...

... é uma boa piada, na minha opinião.

Pensavam que eu ia gozar com os latinos e eu virei completamente.

Rebentei completamente com os surdos.

Quase sem razão nenhuma.

São estas coisas que me deixam feliz.

Não há muita coisa da vida

que me deixe sempre feliz.

Uma coisa...

Uma coisa que me deixa sempre feliz...

É quando vejo isto.

Quando casais de velhotes...

Quando casais de velhotes morrem...

... mesmo juntinhos.

Adoro isso.

Guardo essas notícias, sempre que as vejo.

Acho que não há nada mais romântico

do que os velhos casos de homicídio-suicídio.

Verdade.

Aliás,

agora que digo isto em voz alta,

se calhar é mais correto

dizer que adoro homicídios-suicídio.

Porque gosto mesmo.

Não me entendam mal, eu gosto de todos os tipos de suicídio.

Mas os homicídios-suicídio são os meus preferidos.

Tenho amigos que se preocupam comigo.

Perguntam: "Anthony, porque gostas tanto de suicídios?

Tens tudo."

Sim.

Tudo, menos uma tentativa de suicídio bem sucedida.

Acho que passei a interessar-me por suicídios, depois da faculdade.

Quando trabalhei na Linha SOS Suicídio.

Foram só dois dias.

Dia e meio, na verdade. Livram-se de mim muito rapidamente.

Disseram: "Anthony, não podes continuar aqui.

Metade das pessoas com quem falaste

acabaram por se suicidar."

Eu disse: "Isso não pode ser.

A grande maioria tinha-se enganado no número."

O que quero dizer...

O que quero dizer é o seguinte.

Que devem todos confiar em mim.

Devem acreditar quando vos digo que percebo de suicídios

e os homicídios-suicídio são os melhores.

Porque que mais é que há?

Eutanásia? Tirem-me essa conice da frente.

Estão a gozar comigo?

Suicídio adolescente?

Suicídio adolescente? Não.

A universidade é importante.

Sou fã...

Sou fã de homicídios-suicídio. São os melhores.

Parece que não estão a acreditar em mim.

Não faz mal.

Sou profissional.

Vejam como vos convenço.

Ficam a saber que o vosso amigo Jeff acabou de se suicidar.

Ficam devastados.

"Meu Deus, que poderia ter feito para salvar o meu amigo Jeff?"

Ficam a saber que o vosso amigo Jeff matou a mulher e, depois, suicidou-se.

Pensam...

"Porra, o Jeff não brinca em serviço, pois não?

Foda-se, Jeff!

Não imaginava que ele seria capaz.

Devia ter respeitado mais o Jeff.

O Jeff é que sabia. Ele não ia limpar aquela merda."

Esta...

... é apenas uma razão...

... porque os homicídios-suicídio são bestiais.

Oiçam-me com atenção,

o homicídio-suicídio

é, praticamente, um crime sem vítimas.

Podem...

Podem matar a vossa mulher.

Podem matar o vosso marido.

Têm de ser casados, senão parecem tolinhos, mas...

... podem matar o vosso cônjuge.

Desde que se matem logo a seguir.

Aí, ninguém pode fazer nada,

ficam quites, acima da lei.

Que raio se passa com este público hoje?

Estão a tentar dizer-me que ainda há quem tenha dúvidas?

Estão a dizer que ainda há aqui pessoas que ainda não acreditam em mim

que homicídio-suicídio é a última coca-cola do deserto?

Está bem.

Então, pensem assim...

Estão a passear na rua,

alguém se aproxima e dá-vos um murro na cara.

Vão apresentar queixa, sem dúvida nenhuma.

Mas, se estiverem a passear na rua,

alguém se aproxima e dá-vos um murro na cara,

afasta-se

e, depois, dá um murro na sua própria cara.

"Tenha um bom dia, meu senhor." Não é?

Nem sequer contariam aos vossos amigos.

Homicídio-suicídio...

Calem-se!

Homicídio-suicídio é um crime sem vítimas

desde que não deixem crianças.

Também têm de as matar.

É verdade. Era aí que queria chegar.

Agora,

vou deixar-vos com isto.

E se estavam indecisos em relação a mim, de uma maneira ou de outra,

então, por favor,

permitam-me que vos foda o juízo todo.

Há uns meses...

Há uns meses, levei uma amiga a fazer um aborto.

Alinhem já, se é que vão.

Esta é uma história muito longa e muito verdadeira.

Levei a minha amiga a fazer um aborto. Nada temam,

o bebé não era meu.

Não era importante.

Não sei se alguma vez fizeram isto.

Ajudar alguém a fazer um aborto é um grande favor.

É um grande favor para se fazer por alguém.

Não é um favor fácil.

Nada fácil mesmo.

Não me interpretem mal,

sou a pró-escolha como tudo, ainda assim...

... durante o caminho para lá só pensava: "Caramba.

Tem de haver uma maneira melhor de...

... arranjar material melhor."

E, sim,

acabei de dizer que sou pró-escolha, não quer dizer que seja pró-aborto.

Há outras opões.

Se não quiser ter um bebé, pode dar à luz na mesma

e deixá-lo à porta de um quartel de bombeiros qualquer.

Eles atropelá-lo-ão por si.

Verdade.

É verdade!

É a lei.

Na minha opinião, eles já eram heróis muito antes do 11 de setembro.

Uma piadinha sobre Nova Iorque para vocês.

Bem...

As pessoas ouvem-me a contar isto

e dizem sempre a mesma coisa:

"Caramba, Anthony, és um bom amigo.

Ajudarias uma pessoa assim, Anthony. És um bom amigo."

Vão-se lixar. Não, não sou.

Não sou um bom amigo.

Sou um excelente amigo.

Sabem a diferença?

Os excelentes amigos acordam às seis da manhã.

Excelentes amigos vão até vossa casa.

Excelentes amigos vão-vos buscar e levam-vos para fazerem o vosso aborto.

Os bons amigos...

Os bons amigos só fazem babysitting.

Eu pensei muito nisto.

Muito mesmo.

E ainda não sei se, se o bebé fosse meu,

teria pedido para não abortar.

Penso sempre naquilo que costumam dizer: "Então e se o teu bebé

se tornar num grande artista, um dia?"

Não preciso dessa competição.

Perguntam-me como foi.

Como foi levar a minha amiga para fazer um aborto.

Foi aborrecido.

Não sei porque pensei que seria divertido e empolgante...

Mas, acreditem,

a única pessoa mais desiludida que eu naquele dia,

foi o bebé, está bem?

Foi tão aborrecido.

Estive sozinho durante duas horas e meia,

numa sala de espera de uma clínica aborrecido de morte.

Não sei se já estiveram na sala de espera de uma clínica destas, mas...

... as revistas não são as melhores.

A sala está cheia de miúdos, por alguma razão.

Quer dizer, eu pensei que era miúdos,

afinal, eram fantasmas.

Há uma diferença...

Mais ou menos...

Sim, este foi o ponto alto da história.

Mas ainda só vou a meio.

Portanto, estava naquela sala de espera há tanto tempo

e estava tão aborrecido.

Que, passado um bocado, comecei a divagar.

E comecei a pensar na minha amiga.

E no que ela estava a passar por trás daquelas portas.

E, praticamente, logo a seguir,

volto a pensar em mim.

Penso: "Anthony,

que lhe vais dizer, quando ela sair dali?

Devias pensar em algo simpático, devias ter um plano."

Porque, não vou mentir, já tinha feito merda, quando ela entrou.

Não tinha nada preparado. Não tinha um plano.

O médico chamou o nome dela,

ela levantou-se,

virou-se para olhar para mim pela última vez e eu entrei em pânico.

Disse...

"Acaba com eles!"

Não estou orgulhoso disso.

Acho que foi um falhanço completo.

A pior parte foi o "choca aí". Agora apercebo-me disso.

E sim, ela olhou para mim como se eu fosse um idiota, mas...

... quem é ela para julgar?

Mas, agora, a pressão está do meu lado.

Tenho de pensar em algo simpático para dizer, quando ela sair.

Mas não sou bom nisso.

Não é a minha especialidade.

Pensar em coisas simpáticas para dizer, quando as pessoas mais precisam.

A melhor coisa que me lembrei foi:

"Então, perdeste peso?"

Eu sei.

Eu sei.

Também não me orgulho disso, está bem?

É inútil.

Não podia dizer isso à minha amiga, é inútil.

Exceto pelo facto que me fez rir.

E foi quando me apercebi

de que me estava a rir sozinho...

... na sala de espera...

... de uma clínica de abortos.

Reparo nisso, paro, olho para cima

e vejo um casal, mesmo à minha frente.

O homem desvia o olhar enojado, como se me quisesse bater.

Mas a mulher inclina-se para a frente e diz:

"Olá, Anthony, sou sua fã."

Gosto sempre disso. Nunca é má altura, literalmente.

Qualquer trimestre serve.

Uns minutos depois, sai uma enfermeira

e vem diretamente a mim.

Passa-me uns papéis e diz: "Desculpe,

veio para o aborto da Jessica?"

E naquela altura, eu já estava tão aborrecido...

Levantei-me o mais rápido que pude e disse:

"Espere lá, não era uma ecografia?"

E, depois, ri-me, durante bastante tempo.

Tipo,

atirei a cabeça para trás e tudo.

Se estão preocupados com a enfermeira, não fiquem, foi superprofissional.

Não se riu nem um bocadinho.

Portanto, fiquei mais um bocadinho na sala de espera

e, finalmente, tenho uma epifania: "Anthony,

és uma pessoa horrível.

E nunca te irás lembrar de algo simpático para dizer à tua amiga.

Por isso, porque não lhe comprar um presente?

Dar-lhe uma prenda para ela se sentir melhor

para que não tenhas de dizer nada."

Mas que comprar

a alguém que acabou de fazer um aborto?

Não fazia ideia.

Portanto, procurei no Google.

Dá para googlar isso.

E resultou.

Apareceu uma página

e ainda bem que cliquei lá, porque me ajudou muito.

Porque a minha primeira ideia,

moeda comemorativa, não existia.

A sério.

Pelos vistos, nem nunca sequer existiu.

Fui eu que sonhei.

A minha segunda ideia,

flores.

As flores caem sempre bem, não é?

Não. Não segundo esta página.

Esta página dizia: "Não lhe dê flores.

As flores são um gesto romântico

e ela vai ter de as levar para casa, arranjar uma jarra...

Não a faça passar por isso neste dia."

Segundo esta página,

as flores são o pior presente que se pode dar a alguém

que acabou de fazer um aborto.

Naquele dia, aceitei o conselho.

Mas acho que ainda não acredito muito nele.

Acho que todos concordamos que o pior presente para alguém

que acabou de fazer um aborto

seria uma caixinha para restos.

Pensem em algo pior e eu mudo a porra da piada.

A resposta é uma "caixinha para restos".

Isso é que seria inapropriado.

Isso seria um verdadeiro balde de água fria

em dia de aborto. Não.

Segundo aquela página só há um presente possível.

Só há um presente apropriado

para alguém que acabou de fazer um aborto.

E o presente é uma suculenta.

Sabem o que são suculentas?

Porque também tive de googlar essa merda.

Se não sabem, as suculentas são plantas do deserto.

Tipo catos. Plantas que não precisam de água.

Plantas que absorvem os nutrientes pelo ar. Ofereça-lhe isso.

Disse: "Nem pensar."

Nunca faria isso à minha amiga Jessica.

Nunca lhe diria: "Ah, aqui tens, Jessica.

Mais uma coisa que nunca mais terás de cuidar."

Nunca faria isso. Sou algum monstro?

Portanto, não lhe comprei nada.

Ela acabou por sair por aquelas portas.

Não lhe dei nada, não lhe disse nada.

Só me levantei,

dei-lhe um abraço,

ajudei-a a ir para o carro, levei-a a casa

e sentei-me ao lado dela no sofá.

A confortá-la, enquanto ela chorava.

Fui um grande amigo, naquele dia.

Tão bom amigo que, horas depois, depois de ela ter parado de chorar,

de se ter acalmado e de se ter esquecido da coisa toda...

... eu continuei lá, ao seu lado,

a escrever estas piadas todas.

Agora,

a minha parte preferida

sobre ter uma história verídica de 15 minutos

sobre ter levado a minha amiga a fazer um aborto,

para acabar os meus espetáculos

é ver as reações diferentes do público.

Algumas pessoas riem-se, outras retraem-se,

outras ficam visivelmente transtornadas.

E a verdade é que...

... para mim é tudo igual.

A melhor reação que tive, a minha reação preferida que tive

a esta história foi aqui há duas semanas.

Uma mulher levanta-se, na fila de trás, muito confiante

e grita: "Desculpe lá!

Desculpe lá, Anthony,

qual é a piada de um aborto, foda-se?

E eu disse: "Minha senhora,

Acabei de lhe contar."

Muito obrigado a todos. Foram um público maravilhoso.

PARA A JESSICA, COM AMOR.

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