All language subtitles for Bilardo.The.Soccer.Doctor.S01E02

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Original subtitles

Meninos, estou pensando no México.

Era um movimento político tão grande e tão terrível

e o pior é que não gostavam dele.

Aguentou até hoje.

Pode me prejudicar e acabar com a minha carreira.

Nos mandaram dizer

que o Bilardo estava fora do corpo técnico,

os jogadores que voltassem como pudessem.

Estavam jogando muito mal.

Realmente jogávamos mal.

Como treinador, teve umas atitudes cruéis.

O Maradona fez isso pela Argentina, claro,

mas também pelo Bilardo.

As eliminatórias eram guerra.

O Diego jogou as eliminatórias

com o joelho parecendo uma laranja.

O Peru tinha um timaço.

Esse jogo foi difícil.

Empatam o jogo, começam a ganhar...

...do lado direito Barbadillo. Gol!

Iam nos eliminar.

Imagina 50 000 caras te xingando?

É muito ruim. É muito ruim!

Já estão entrando em desespero!

Tinha uma energia negativa

e você percebe que quando tem uma energia negativa

é difícil, é difícil e foi muito difícil.

Saída da equipe argentina.

Começa o segundo tempo.

Foi complicado porque estávamos perdendo de 2 a 1.

O estádio estava caindo em cima de nós.

Por isso, foi dando 15 minutos,

meu pai foi para o vestiário, eu o acompanhei...

Não lembro quem mais estava, estávamos em três,

Eu estava sentado do lado do Grondona vendo o jogo,

e no minuto 25,

o nariz dele começou a sangrar.

O Julio tinha tido um aumento de pressão.

Só xingos até aquela hora...

Acho que os xingos eram:

"Bilardo, vai para o inferno!"

Algo assim.

A pressão da equipe argentina se tornou total.

Não ficar nessa história tensa

de não ter ido a uma Copa.

Me restou participar do gol

porque eu peguei um rebote dos últimos centros

que nos restavam de canto.

Chutei a bola como de costume,

cai para Passarella que a mata no peito.

Passarella!

Gol!

Gol

da Argentina!

O gol foi um tremendo alívio!

Disseram que o jogo está 2 a 2

e o México vai receber a equipe argentina de novo.

Comemorar? Ele não era de comemorar.

Não comemorou nem na final da Copa, ia comemorar isso?

Tudo sempre foi difícil para mim.

Tudo sempre foi difícil para mim então...

tudo o que ganhei e o que ganhamos no futebol,

sempre foi por muito pouco.

Eu sempre dizia para o Osvaldo:

"Tanto trabalho e sempre ganhamos por tão pouco."

Sim, por isso ganha.

Por tão pouco.

Um cara normal

que anda pelas ruas e ninguém fala nada

Esqueci de viver

Ou seja, dediquei a vida ao futebol, à medicina

para estar no topo, para estar no topo.

Não passem aos de amarelo porque vamos perder.

Não é bebida alcóolica, senhorita.

É Gatorade.

O que eu quero é ganhar.

Só tem um campeão.

BILARDO, EL DOCTOR DEL FÙTBOL

Vamos ver.

Vai um pouquinho para trás.

Aí, aí.

Aí está bom. Para.

Pai, sério, não leve a mesma fita.

- Como que a mesma fita? - Que calor!

Está com calor?

Você não disse que ia às 20h?

Oito e meia.

Que horas você vai se trocar?

Vai, eu te filmo.

Vai, mais, mais longe.

Aqui?

E esta bola... Ficamos com esta bola.

É uma das bolas com a que jogaram

na Copa de 86.

Estas foram as lembranças que eu gostei.

E disse: "Estas eu quero ter em casa."

Então, eu as trouxe para cá.

Aqui temos...

Esta é a roupa que ele usou no Estudiantes.

Esta foi de quando ele foi diretor técnico

no Deportivo Cali.

Eu morei lá por três anos.

Esta roupa é de 86.

Em 86, eu era criança.

Esta já é de 90.

Porque já tem as duas estrelas.

Aqui eu já tinha 18 anos.

Estava indo ao primeiro ano da universidade.

Aqui está o paletó do Sevilha.

Aí eu já tinha 20 anos.

Foi uma época muito linda também.

Esta já é maior, então deve ser de...

da época que era manager, de quando estava com o Diego

na Seleção.

Não, na verdade, meu pai não se vestia.

Minha mãe o vestia.

Minha mãe dizia a ele:

"Não, Carlos, põe esse terno com essa gravata."

Não, ele nunca se vestiu.

Dependia da minha mãe para tudo.

Em todas as fotos que eram importantes,

ele colocava uma moldura.

Este é o sorteio da Copa,

onde ele teria que jogar, contra quem teria que jogar.

Aqui está o grupo da Argentina.

Aqui! Aqui está a Argentina

e em que sedes teriam que jogar, contra quem teriam que jogar.

No grupo A,

Argentina.

Com o número três,

Argentina.

Com o número três, grupo um.

E boa sorte para as equipes participantes.

Obrigado!

CAPÍTULO 2 PERDÃO, BILARDO

Neste capítulo falaremos de um jogador

muito importante.

Ele se chama Diego Armando Maradona.

Diego se preparou para que no México

fosse a Copa dele, para explorar

e ser reconhecido como o melhor jogador do mundo.

A preparação do Diego para 86

começou quase três meses antes,

porque eu tinha recebido um relatório

de um grupo que tinha ajudado o Franceso Mosser

a bater o recorde mundial na Cidade do México.

Como o Diego ia jogar, falei com ele, ele concordou.

Ele treinava com o Fernando Signorini

a parte em Roma.

Iam a um centro do dr. Dalmont,

e faziam todos os exames e tudo.

E os treinamentos eram de acordo com o que saía nos exames

que o Fernando pedia.

Ele se esforçava muito

e ninguém via.

Enquanto o Capitão se preparava sozinho na Itália,

o resto dos soldados encarava uma aventura inesquecível.

Sou o David Gordillo, membro da equipe Pueblo Nuevo.

E neste campo, em janeiro de 1986,

joguei com Bochini

e Borghi.

TILCARA, JUJUY 6 DE JANEIRO DE 1986 - 2465 MTS. ALTURA

A 145 DIAS DA COPA

A viagem a Tilcara

é um resumo dessa genialidade

e dessa loucura que o Bilardo tinha.

Tilcara era para sofrer um pouco,

porque não tinha nada lá.

Não tinha nada nem ninguém.

Tinha 40 graus de calor, 3000 e pouco de altura,

Na verdade, no começo foi ruim para nós,

porque é difícil nesta altura.

Quem nunca esteve nas alturas,

e não teve uma prova de esforço...

É muito difícil.

Carlos nos levou para lá por um mês,

para a oxigenação,

para a altura, para o calor,

Fazíamos três revezamentos.

Mas era insuportável porque não tinha... Um mês!

Uma hora o Cucciufo disse: "Vou desmaiar, vou desmaiar."

"Corre até desmaiar."

E caiu e desmaiou.

E em uma noite, estavam comemorando o Carnaval,

e à noite tinha uma festa.

E Bilardo disse: "Podem ir,

até a uma vocês tem tempo."

Então, a maioria foi,

estávamos dançando, tomando uma cerveja.

Na verdade, estávamos bem. Estávamos muito bem.

Eu sou a Sara Vera,

no ano de 86, eu ajudei

o Bilardo, o Narigão,

a se infiltrar em uma festa

dos meninos heróis de 86.

Com isso ele se cobria,

estava com um xale.

Estas são algumas coisas que coloquei nele.

Com isso, se cobriu.

E também, para cobrir o nariz dele,

eu disse a ele: "Coloque o chapéu."

E ele foi assim.

Assim, desse jeito.

Para se cobrir...

Se cobriu para que as pessoas não o vissem,

e que também não o visse...

E o Bilardo veio com um poncho,

bem disfarçado de indígena coya.

Vai para o meio da pista

e fala para o Cabezón:

"Podem ficar até às 3h."

E foi embora.

Ninguém o reconheceu.

Então, ficamos até às 3h.

Tinha que varrer o campo

e pôr uma calha do lado por conta da linha,

tirar as pedras...

Bom, eles tinham que tomar cuidado para não cair

em alguma jogada,

porque se você cair em um campo assim,

você arranca meio joelho.

Era mais que futebolístico, era físico.

Na verdade, eles vieram fazer uma prática de futebol,

Eles vieram ver com uma equipe...

com uma equipe médica,

dr. Madero era o responsável.

Com os poucos equipamentos que eles tinham,

tínhamos, nessa época,

eram muito poucos,

eles controlavam como o nosso organismo respondia

à altura e ao calor.

Carlos estudou medicina, tudo bem,

eu fazia o controle dele.

Sem medicina legal,

eu fiz.

Ele estudava com um menino, o Tomino,

dr. Tomino,

e toda noite eles me examinavam.

Toda noite me examinavam.

E o Carlos sempre dizia que ele

tinha um título a mais que o Beckenbauer,

era médico.

Então aí, ele já ganhava dele.

Eu sou o José Tomino, médico pediatra,

e fui colega de futebol

e de estudo do Carlos Bilardo.

Nos conhecemos no vestiário

do San Lorenzo, quando eu vim de Junín,

e os dois estavam na Faculdade de Medicina da UBA.

Ele se formou jogando para o Estudiantes,

em 1965.

O Bilardo era namorado da Gloria

e eu era namorado da minha atual esposa.

Eu lembro que eu dormia na casa da minha namorada

e o Carlos também.

Por isso eu digo que não nos víamos quase nunca.

Era muito pouco, porque se tinha tempo de manhã,

ia treinar, à tarde ele ia ao hospital.

E bom, a vida dele foi assim até ele se formar.

Às vezes, tínhamos que ficar estudando

até as 6h, 5h quando ia ter uma prova.

Íamos jogar sem dormir.

Sem dormir.

Você continua lendo, praticando a medicina de alguma forma?

De noite, toda noite eu geralmente

chego em casa às 22h, 23h,

vejo um jogo na televisão, os jogos que gravei,

vejo um encontro,

e depois para poder conciliar o sono,

porque eu estudei muito de noite,

me acostumei a viver de noite,

leio até às 3h, 4h.

Me levanto depois às 7h, 7h30

para ir ao treinamento

quando a Seleção treina...

Os jornalistas que acreditam no Bilardo são amigos dele

e os que não, são inimigos dele?

Não.

Eu não tenho inimigos.

Sempre alguém nessa situação, como você disse,

o Ministro da Economia ou o presidente,

às vezes pode ter algumas discrepâncias.

Eu tenho.

Ou seja, aceito todas as críticas,

as bem intencionadas e as mal intencionadas.

Fala o dr. Raúl Alfonsín.

Boa tarde.

Alfonsín com mais dois ou três.

Porque o Alfonsín não se interessava por futebol,

não sabia nada de futebol.

Encheram um pouco a cabeça dele,

então um dia ele ligou para o O'Reilly,

que era Secretário de Esporte,

e disse: "Cara, quando você vai demitir o Bilardo?"

O'Reilly, que era um homem do rugby,

ficava se fazendo de tonto, mas o Alfonsín insistia.

Fez uma confusão enorme.

Na verdade, dizem que um garçom descobriu.

O garçom o salvou.

Um moço me avisou.

Ele disse: "Olha, eles estão se reunindo em Recoleta.

O Santilli, O'Reilly, o Storani também estava.

Por isso, ele sempre era amigo dos garçons,

dos jornaleiros e dos porteiros.

Estas três pessoas sabem de tudo.

E quando o O'Reilly chama o Grondona,

o Grondona, que estava na Suíça,

fala para ele: "Você trabalha com rugby.

Deixa que eu cuido do futebol."

Eu acho que todos têm o direito de opinar,

seja quem for,

acontece que isso,

ao contrário do que muitos podem pensar,

têm que ajudar...

O Grondona vai à Rádio Mitre em um domingo,

e fala: "Se o Bilardo sair, nós todos vamos sair."

Carlos, parece que a poeira já abaixou, estão tranquilos

sobre essas declarações do Secretário de Esporte?

A equipe sempre esteve tranquila,

porque já sabiam o que eles pensavam.

Então, não temos nenhum problema com isso.

Mas foi difícil o que aconteceu.

Foi um golpe muito duro, apesar de tentarem disfarçar,

acho que não dá para disfarçar,

porque as pessoas não são tontas,

o jornalismo não é tonto.

Os últimos amistosos da Argentina antes da Copa de 86

eram um excremento de futebol.

O próprio Maradona disse,

depois de um amistoso contra o Napoli,

jogava para Argentina e disse: "Parecíamos um time de bairro.

Se não melhorarmos..." e faltava um mês para a Copa,

"estamos caminhando para ser

uma das piores Seleções argentinas."

Porque tinha sido

muito traumatizante a viagem anterior à Copa.

O time era um caos.

Era um caos.

Acho que a Seleção tem que melhorar muito

para pretender ter um bom desempenho no México.

Bilardo, o que você diz à torcida argentina?

Eu repito que fique tranquila,

eu estou muito tranquilo,

eu disse isso para os jogadores,

eu estou tranquilo porque sei o que podem fazer

se trabalharem juntos.

Estando dois em um país, um em outro país, em outro,

reunir e jogar em equipe é muito difícil.

Muitos jogadores estão longe do nível

que você e eu queremos para a Seleção Argentina.

Uma Seleção que está em dívida.

Além de só ter conseguido

quatro dos seis pontos que disputou,

ficou em dívida com todos nós que gostamos de futebol.

Aqueles que temos uma verdadeira paixão,

queríamos e esperávamos um pouco mais desse time.

Ou muito mais.

Agora terão que trabalhar, esperar

porque falta muito pouco para a Copa

e dia 20 de abril, Bilardo dará a lista definitiva...

O Bilardo me ligou

e diz: "Enzo, quero falar com você."

E depois de meia hora de conversa

e tudo mais, me disse:

"Você não vai à Copa como jogador."

E me tirou.

Me tirou.

Eu estava tomando um café,

joguei fora, levantei e fui embora.

O Bilardo tomou decisões

decisões muito sérias,

e se não dessem certo,

ainda estariam xingando-o.

Olha, de tudo que eu te disse,

eu destaco uma pessoa, que é o Trossero.

Trossero é um homem importante, como homem,

como cara, como senhor.

É triste também

pelo Gareca que fez o último gol,

e o Pato Fillol que defendeu o jogo inteiro.

Outro que ficou fora é o Russo,

que era um dos primeiros

da lista de quem podia estar com o Bilardo,

porém fica fora.

Tive que ficar fora da Copa.

Ele disse: "Você não vai entender, vai me odiar.

No dia que você for treinador, você vai entender."

Não consegui superar rápido.

Depois eu fui superando,

e quando fui treinador e precisei tomar decisões,

entendi tudo.

Vamos que vamos!

Estamos prontos. Estamos saindo.

Foi o primeiro time a chegar no México,

a Argentina.

E disse: "Assim ninguém me enche."

Quando saímos de Ezeiza, tinha sete, oito pessoas

se despedindo de nós. Não tinha mais ninguém.

Quase não tinha nem familiares.

Saímos de noite para não ser xingados

Sim, saímos de noite.

Ficamos 65 dias fora.

Era a Copa...

Fomos sozinhos, na verdade, fomos sozinhos,

sozinhos, criticados.

Muitos titulares eram "vai e volta".

A primeira rodada

era vai quem for, não importava quem ia.

Fomos para lá um mês antes.

"Bilardo, mas por que estamos indo?"

Por ordens dele, obviamente.

Sim, nos disse isso:

"Lembrem-se que vamos ser os primeiros a chegar,

e vamos ser os últimos a sair."

Eu estive com o Menotti em 82,

Fomos a um lugar de concentração, Villa Gioiosa,

perto de Alicante.

Era um lugar para viajar nas férias,

ou de Lua de Mel,

mas não é para estar concentrado para uma Copa.

Olhava de cima, o hotel ficava em cima,

embaixo estava a praia e todos de topless,

posso dizer "pelados", as meninas tomando sol peladas.

Escuta,

e você concentrado ali em cima,

quatro meses.

Queria derrubar as paredes.

Esse detalhe

o Bilardo não teria deixado escapar.

A Seleção Argentina de Futebol treinou hoje

nas instalações do Clube América.

Tinha que investir na concentração.

A AFA investiu para reformá-la.

Eu falei com o Grondona e disse a ele: "É o melhor".

E era o melhor.

Chamávamos o América de Alcatraz.

Fechavam os portões, a polícia ficava para fora,

e se saímos

em dois meses, duas vezes...

Alcatraz, Alcatraz

Recebeu a visita do Campeão da Copa

E lembro que Brown...

Brown e Passarella ficaram com o quarto com churrasqueira.

Eu estava deitado na minha cama,

e Trobbiani estava no banheiro, na privada,

e como tinham umas fendas assim,

falávamos direto, nos víamos direto do banheiro.

Ficamos concentrados assim, o Bilardo e nós.

Em um quartinho com um colchão no chão.

Eu nunca me levantei

e vi o Bilardo no quarto.

Para mim, nunca esteve lá.

Para mim, ficou acordado a Copa inteira.

Tomava remédio para dormir.

Mas de repente, aparecia no quarto,

com os olhos vermelhos, os cabelos em pé, você dizia:

"O que aconteceu?"

Dormia pouco e tomava...

Acho que tomava alguns Rohypnol...

- Só Rohypnol e... - Tomava whisky.

Whisky e licor de tangerina, acho que tomava,

mas dormia pouco.

Bilardo, você sabe que se a coisa não funcionar,

o menor tomate que vão jogar

terá o tamanho de uma melancia?

Não tem problema nenhum,

porque eu sei que nos preparamos para isso.

Faz três anos que o clima está preparado para isso.

Mas eu assumi

e não tenho problema em receber crítica e tudo mais.

As conversas surgem porque antes da Copa

jogamos um amistoso,

acho que na Colômbia,

e jogamos tão mal,

mas tão mal,

que aí sim dissemos: "Não podemos fazer isso.

Temos que jogar juntos."

Eu disse quando voltamos ao México:

"Vou embora, vou embora, não quero mais saber."

Meus colegas disseram: "Está louco."

E aí tivemos outra reunião

calorosa, calorosa, calorosa, muito séria.

O Carlos também nos ensinou isso,

que quando tivéssemos um problema,

tínhamos que resolver o problema rápido.

E a melhor forma de resolver é conversando.

Mas nos concentrando antes,

antes de começar a Copa,

teve um aniversário de uma figura lá,

um conhecido do Grondona,

e nos convidaram.

E fomos ao aniversário, o Bilardo aceitou que fôssemos.

Uma festa enorme e, de repente,

do nada,

o Bilardo começou a dançar...

Dançava e era uma coisa... Ele adora!

Ele adorava dançar,

mas nunca tinha se soltado como naquela noite.

Começou a dançar com o corpo e se jogar no chão,

e dançava e o Negro Enrique dançava com ele também.

O grupo tirou...

tirou esse peso das costas

dessa pressão que tínhamos.

Foi aí que começou o grupo da Copa.

Quando voltamos no ônibus era:

"Borom bom bom É o time do Narigão"

- Até o Passarella cantava. - Aí começou.

Estávamos no ônibus e começamos a cantar:

"Borom bom bom É o time do Narigão"

Todos!

É o time do Narigão

Borom bom bom Borom bom bom

E, de repente, uma equipe

que tinha chegado com um monte de dívidas internas,

de conflitos internos,

de repente, começou a se encontrar.

O corte de cabelo

é um costume

que adotamos antes das eliminatórias

para a Copa de 1986.

Eu não era de ter superstições, mas se você está em um grupo,

você tem que se adaptar às circunstâncias.

Pela lógica, cada um com sua crença,

mas no ônibus colocávamos "We are the Champions",

que tinha que pôr, um jogador me pedia

e eu tinha que pôr.

E tinha que chegar até um posto de gasolina,

e aí mudávamos para outra música.

Sempre duas motos na frente

e o motorista queria ir rápido, "não, não, devagar",

toda vez que íamos ao estádio, a certos lugares,

com a música.

Para entrar em campo, para fazer massagem...

São detalhes que não dá mais para mudar.

Quando você subia no ônibus no primeiro dia,

você se sentava lá

e não podia mais mudar de lugar se ganhasse.

Eu lembro que me sentei na segunda poltrona,

e o Diego veio se sentar do meu lado,

aí eu disse se sentou comigo porque queria ficar famoso.

Chiquitibum a la bim bom ba Chiquitibum a la bim bom ba

A la bio, a la bao A la bim, bom, ba

Argentina, Argentina Rá, rá, rá

No primeiro dia, tocou um telefone no vestiário,

e o Tata entrou e atendeu.

Aí sempre tinha que acontecer a mesma coisa.

Então, vínhamos no corredor

todo jogo,

e na porta: "Esperem!"

E olhávamos o telefone, o telefone, o telefone,

"toca, toca, toca",

entrava o Tata e atendia, não era ninguém,

que, para mim, já era coisa do Bilardo

com o corpo técnico, porque era incrível que tocasse,

e todos nós entrávamos para nos trocar.

Aí ele colocava uma lousa,

colocava as folhas

na lousa,

então ia marcando, ia fazendo o time adversário

e o nosso time, e ia marcando as coisas que...

que tínhamos que saber.

Conheço bem a Coreia, vi mais ou menos cinco vídeos deles,

vi que em uma Copa e em um jogo ninguém pode falar nada.

Temos certeza

que vai dar tudo certo para a Argentina,

porque o grupo está compenetrado,

o grupo sabe o que quer, tem ótimos jogadores,

temos muita esperança

porque temos muita vontade de ser campeões.

ARGENTINA VS. COREIA

2 DE JUNHO 1986 ESTÁDIO OLÍMPICO

Coreia do Sul era um time muito enigmático,

e aos 15 minutos a Argentina ganhava de 2 a 0.

Depois acaba ganhando de 3 a 1

com muita facilidade.

E você, não só tranquilo,

mas também satisfeito com o jogo com a Coreia?

Estou feliz porque me deram...

Não é isso de ter razão porque sim,

porque se você perde da Itália ou de outro,

acabou sua teoria.

É outra coisa.

Mas fico feliz de ler as declarações dos técnicos,

e estou feliz de ver os jogos,

e quando vejo as formações e como estão em campo.

Sabe que, para nós, quer dizer, para mim,

que a gente consiga isso...

se o Brasil joga sem winers,

se o Brasil joga com quatro volantes,

se o Brasil espera quando falta cinco minutos...

Ou seja, que você agora fale a mesma coisa,

que os técnicos falem a mesma coisa,

isso para mim é lindo,

porque estou realizando um sonho de 15 anos atrás.

E, bom, depois veio a Itália, que era Campeã do Mundo.

ARGENTINA VS. ITÁLIA

5 DE JUNHO 1986 ESTÁDIO CUAUHTÉMOC - PUEBLA

Contra Itália, 1 a 1, pênaltis incríveis,

coisa de louco o pênalti que cobraram.

Foi um jogo ótimo, o Diego já começou

a ser uma peça importante para nós.

Maradona faz um golaço,

começa a se mostrar

um jogador que estaria acima do resto.

Já começaram a falar

que a Argentina já estava classificada.

Depois quando ligava de volta,

e me falava: "Faltam cinco."

"Faltam só cinco, então faltam menos, pai."

E ele falava: "Não, Daniela, são cinco jogos."

"Bom, mas são menos, são poucos jogos, pai."

Eu meio que não tinha muita noção

do que realmente faltava.

Para mim, eram só cinco.

ARGENTINA VS. BULGÁRIA

10 DE JUNHO 1986 ESTÁDIO OLÍMPICO - CDMX

Bulgária que era um time esperto, complicado,

difícil de ganhar, a Argentina ganhou sem suar, de 2 a 0.

Era um time

que estava começando a ter qualidade defensiva,

que estava começando a ter novidade ofensiva,

e que tinha o Maradona...

Então depois, quando faltavam quatro ou três,

Não, mas era...

Ele dizia: "Falta o pior."

ARGENTINA VS. URUGUAI

16 DE JUNHO 1986 ESTÁDIO CUAUHTÉMOC - PUEBLA

A Argentina ganha de 1 a 0 do Uruguai

jogando bem, muito bem,

mostrando já uma qualidade

que não estava nos planos antes da Copa.

E eu acho que foi nesse jogo por dois motivos:

Porque tivemos 70 minutos brilhantes,

e depois, porque aguentamos 15 minutos

que foram para cima de nós

e o time teve essa coragem

e essa força de aguentar isso.

E bom...

Foi um grande choque.

O grande duelo estava por vir.

Os jornais mexicanos

publicaram, alguns dias antes do jogo:

"Não percam a revanche das Malvinas."

Com isso, os organizadores...

divulgaram esse jogo

como uma forma de revanche esportiva

da guerra que tinha acontecido quatro anos antes.

Para nós, não era uma guerra,

não era questão de vida ou morte.

Mas lembro da nossa ansiedade para jogar.

Eu tive que ir para o exército e com isso do futebol,

eu me salvei no ano de 82.

Mas eu era dessa época,

e eu vi colegas que foram e não voltaram.

Bom, acho que nas quartas de final de uma Copa do Mundo,

temos momentos motivadores e suficientemente importantes

para não ter que recorrer

a acontecimentos políticos

para enriquecer ou sujar o duelo.

Cheguei à concentração e disse:

"Bom, Bilardo,

camisa azul, calça preta e meia branca..."

Então, ele falou: "Me traz a camisa azul."

Ele sabia que era pesada.

E eu disse: "Aqui está."

Ele pegou duas camisas,

com uma tesoura, as dobra, faz vários buracos,

e disse: "Viu?" E cada buraco assim.

E eu...

Ele disse "Eu...", disse para mim,

"quero camisetas argentinas perfuradas."

Perfuradas com um pequeno orifício,

para suar menos.

Chamo o Le Coq Sportif, dizem: "Moschella, nós fizemos

camisetas azuis celeste e brancas,

as azuis são estas, não tem mais.

Nem nós temos."

Eu disse: "Com o que vamos jogar?"

Faltava um dia.

No outro dia, íamos jogar.

Consegui dois jogos de camisetas,

um brilhante,

e o outro mais ou menos igual ao que tínhamos.

Paguei,

lembro que as paguei,

disse a elas: "Quantas tem?" "Dois jogos e dois jogos."

"Não vendam!"

"Me deem duas camisetas que eu tenho que levar."

Bom, vamos fora do campo, mostramos a ele,

e ele: "Olha a camiseta que você me traz!"

E eu não sei se... Olhei para cima e disse:

"Deus, me ajuda porque não sei o que fazer!"

O Maradona veio e disse: "O que estão fazendo?"

Então Bilardo disse a ele:

"Olha o que o ele trouxe." Meio que dizendo...

E viu a camiseta brilhante e disse:

"Que linda!"

E disse: "É essa!"

Tínhamos que pôr os escudos, os números.

Não tínhamos os escudos.

Vocês vão ver que nessa Copa, os escudos não tinham

nem as folhas de louro.

Um dia antes do jogo, às 18h,

as mulheres estão costurando. Que linda camisa!

Se formos Campeões do Mundo,

não sei, vão ter que fazer um monumento para todos nós.

Um dia antes e não temos número na camisa!

Bilardo, astutamente,

reuniu os jogadores e disse:

"Não vamos falar da guerra."

O Bilardo pensou no futebol,

pensou em como jogar essa partida.

O Bilardo tinha um plano A, um plano B e um plano C.

Não ia jogar sempre igual, e nos preparou para isso.

Então, o que o Bilardo fez foi implementar

o sistema tático de três defensores

que já tinha usado dois anos antes

naquela viagem

à Europa, contra a Bélgica e contra a Alemanha.

ARGENTINA VS. INGLATERRA

22 DE JUNHO 1986 ESTÁDIO AZTECA - CDMX

Não sei se foi no segundo jogo,

meu sogro ficou doente.

Eu dizia: "Como vamos falar para o Carlos?"

Está vendo a Copa, certo?

Sim, até a morte! Até a morte!

E sofre um pouco pelo Carlos, às vezes?

Sofria pelos argentinos,

quando os argentinos jogavam,

e meu filho não era ninguém, era uma criancinha.

Bom, e até o final, um dia eu disse:

"Olha, Carlinhos, agora está um pouco melhor,

fique tranquilo,

que consegui o número do médico que está atendendo-o."

Lembro que estava na UTI

e ia ser o jogo contra a Inglaterra.

Uma coisa que sempre disse a Carlos,

que vou repetir até a morte e ele não vai gostar:

"Não quero que machuque ninguém,

mas se você puder fazer com a mão,

E o árbitro te perguntar..."

Você vai dizer que sou um antiesporte.

"diga 'não fiz com a mão, fiz com a cabeça',

como o Madero fazia, como o..."

Ele pedia, por favor,

que não colocassem o jogo para ele,

que não o deixassem ver nada,

porque ele ia morrer do coração!

Mas o pai dele não queria saber de nada.

Então...

O que os médicos fizeram?

Viram o jogo

com ele.

Eu pensava: "Bom, estão avisando que o nono vai morrer..."

Não. Ele ficou super feliz.

Um ponto de virada foi uma falta de Maradona.

Maradona está com a bola, ameaça.

Passa a Valdano, vira.

Maradona avança.

Este gol é válido?

Um grito...

Maradona desafia.

Peter Shilton reclama...

Eu estava ali atrás.

Se você me perguntar: "Ele fez com a mão?" Não!

Para mim, cabeceou.

Mas não sei, fui com tudo,

talvez tenha sido com a mão, talvez com a cabeça.

Não sei.

O importante é que ganhamos o jogo.

Bola com Enrique, toca para Diego.

Bola com Maradona, marcação.

Maradona chuta.

Arranca pela direita o gênio do futebol mundial.

Vai tocar para Burruchaga.

Sempre Maradona! Gênio! Gênio!

Gênio!

Gol!

E a partir disso, a carreira dele decolou.

E quando o vi

e fui abraçá-lo,

disse algo que depois disse muitas vezes:

"Que golaço você fez, caramba!"

Um gol desses...

Me pegou depois do meio campo

peguei um pique e corri.

Não sabia o que dizer, "que gol lindo!"

"que golaço!", uma coisa normal.

E comecei a xingá-lo de tudo, ele me olhava.

Como nós não podíamos comemorar,

Bilardo não nos deixava comemorar,

os defensores tínhamos que nos abraçar lá trás.

E ver o gol de noite

quando passava na televisão, não nos deixava comemorar.

O fato é, me perguntam:

"É verdade que vocês comemoravam?"

É verdade!

E o objetivo dessas coisas eram o México

por causa da altura.

Correr 80 metros, voltar 80 metros,

você vai fazer uma jogada e ainda não recuperou a altura.

Termina o jogo contra a Inglaterra,

que foi em um domingo,

Bilardo vai a Puebla

para ver Bélgica contra Espanha.

Quando voltou ao D.F.,

Bilardo entrou e viu todos os jogadores argentinos,

e disse: "Se preparem, estamos na final."

Com as mães e os pais dos colegas da Dani

comemorávamos só um pouco.

Eu não comemorava

porque depois vinham mais jogos.

ARGENTINA VS. BÉLGICA

25 DE JUNHO 1986 ESTÁDIO AZTECA - CDMX

Bilardo já sabia que a Argentina ia ganhar da Bélgica.

Era óbvio para ele.

E ganhou fácil.

Ganhou com... fácil.

Depois estava a outra questão:

Se a Argentina conseguiria sem o Maradona,

mas o Maradona tinha um timaço por trás.

A saída da Bélgica ficou curta.

Bola com José Luis Cucciufo.

Argentina vai para o ataque. Maradona.

Maradona. Maradona. Maradona!

Maradona. Maradona!

Gol!

Gol!

Você é um gênio! Você é um gênio, Diego!

Gol da Argentina!

Diego!

Vamos ver de novo!

Um, dois, aparece o terceiro

e o Diego faz!

Ele é um gênio, é o gênio do futebol mundial.

Diego Maradona!

Faz o segundo para a Argentina!

Zero para a Bélgica!

Perdão, perdão!

Perdão à audiência. Foque em mim.

Esqueci de apresentar os nossos ajudantes.

Os nossos ajudantes: Cameraman um,

- O senhor que se chama... - Jorge Luis Burruchaga.

- O número dois... - Nery Alberto Pumpido.

Com um vídeo.

Um vídeo que o Vasco Olarticoechea dá um recado.

Eu, às vezes, estou filmando,

Burruchaga está iluminando.

Ou o Clausen às vezes filmava um vídeo

que passávamos em todos os quartos fazendo perguntas.

E filmamos isso antes da final.

Você diz: "Como pode ser?" Sim!

Estávamos assim.

Continuamos na concentração.

Vem! Mostra.

Queremos mostrar...

a sala de jantar.

Foi aqui que comemos por dois meses.

Comendo churrasco e massa.

Vamos decepcionar o senhor...

Como você se chama, senhor?

Mariani, ao seu dispor.

Mariani. Idade?

Você sabe o que comi hoje?

- O que você comeu? - Canelones.

A tranquilidade

que tínhamos. Estávamos tranquilos.

Estávamos tranquilos com nós mesmos.

Era brincadeira, mas acabou sendo um documento incrível.

Todos entraram na reportagem.

Foi muito divertido.

Com perguntas muito tontas, mas a última era...

A última era fundamental.

Para amanhã, estão com medo ou estão bem?

Com muito medo.

Não, nervoso, não com medo.

Com medo, não.

Mas sim...

Um pouco tenso, lógico.

Sim, exato, exato.

Estamos diante da possibilidade de sermos Campeões do Mundo.

O objetivo dele era esse.

Isso que vivemos.

Por isso, desde o primeiro dia que chegamos,

começou a dizer:

"Não podemos chegar ao último dia

e não estar lá.

Não podemos assistir a final pela televisão."

E chegou o tão esperado momento,

íamos disputar a final

da Copa do Mundo.

E a conversa final foi a menor de todas.

Sim, foi curta.

Ele meio que estava...

Como posso dizer? Convencido de que já tinha dito tudo.

Saímos pelo corredor, os dois times entraram juntos.

E os alemães tinham uns tampões fininhos,

e começaram a sapatear.

Fizeram um barulho terrível no corredor.

Então, o Bilardo falou para a gente:

"Comecem a gritar, eles querem nos assustar.

Comecem a gritar." Começamos a gritar igual loucos.

Gritamos qualquer coisa.

Aí entramos no campo.

Tinha jogadas que já estavam preparadas

muito tempo antes,

e que você tinha que treinar.

Chute de trivela um pouco

da entrada da pequena área

à grande área,

que aí vai aparecer alguém.

Quando um jogador sofria uma lesão,

os únicos que podiam dizer

se tinha que substituir ou não,

era o Checho e eu.

O médico,

se o Nery dizia que tinha que substituir, ele nem ligava.

Não prestava atenção nele.

Só em mim e no Checho.

Quando nós dizíamos, ele substituía.

Substituição.

E quando pedíamos para esperar, ele esperava.

E você parava entre a maca e o jogador

- para não o levarem. - Para não levarem.

Se você não ficava entre o jogador e a maca,

colocavam-no na maca e o levavam.

Ele dizia: "Sim, mas se o jogador está caído,

o seu colega, você vai jogar com um a menos."

Bilardo chama o Valdano de canto

e diz: "A final depende do seu duelo contra o Briegel."

O Briegel era um tanque alemão,

tinha umas pernas que pareciam

duas colunas gregas.

Nós tínhamos que tomar um cuidado especial

com o jogo aéreo.

Sabíamos que a Alemanha ia vir ao ataque.

E se tem uma coisa que o Bilardo enfatizou

nesta final com os alemães,

com vantagem no resultado no intervalo, foi:

Que os alemães ressurgem de todos os lados.

E ele disse: "Estão afundando na terra,

e vão ressurgir. Tem que afundá-los um pouco mais."

Escanteio da Alemanha.

O quinto neste jogo.

Do outro lado, do lado esquerdo.

Chuta na área de 5 metros.

Chance de Völler...

Gol de Rummenigge!

Um a dois.

Primeira cabeceada de Völler.

Se afasta e fica a três, quatro metros da bandeira

do canto para interceptar essa bola.

Normalmente, tem que estar a 9,15 metros da bola.

Amarelo também para Enrique...

E acontece o imprevisível.

Escanteio de Brehme. Cabeceada de Berthold. Gol!

Rudi Völler...

Empatam com um 2 a 2 impensável, com dois gols de bola parada.

Porém, eu disse: "Sim, tudo bem.

Agora a gente ganha deles.

E o Diego disse: "Sim, vamos ganhar!"

Eu gritei para o Maradona, mas não escutou.

Obviamente não escutou, com a gritaria que estava.

Me viu porque o Diego tinha os olhos

em todos os lugares,

e quando chutou a bola para frente,

a única coisa que vi quando levantei a cabeça

é o goleiro que estava facilmente visível,

com a roupa amarela.

Eu sempre tive certeza

de que seria gol.

Eu jogava com o placar.

Eu jogava com o relógio que fica no placar lá em cima.

Corri somente para dizer ao Diego e ao Burru:

"Fiquem aqui cinco minutos, o tempo tem que passar."

Faltavam sete para terminar o jogo.

Nos olhamos e eu também tinha lágrimas

desse tipo de felicidade que é difícil de explicar.

Ganhar uma Copa não é comparável com nada.

Você pode ganhar cinco Champions,

você pode ganhar dez Copas Libertadores,

mas uma Copa do Mundo é impagável.

Argentina Campeã do Mundo!

Essa Seleção merece!

O técnico Carlos Salvador Bilardo merece!

O abraço de Maradona e Bilardo.

Muito orgulho, sim!

Foi aí que eu entendi

que se eu não via tanto o meu pai

era justamente porque ele estava em busca de algo.

Ele conseguiu, então eu tinha muito orgulho dele.

O que todos nós mais esperávamos:

O título do mundo.

Foi um trabalho duro.

Foi uma preparação de quatro anos

com eliminatórias para o Campeonato Mundial.

Com muito sacrifício...

Quem queria expulsar o Carlos antes da Copa?

O Alfonsín.

E a primeira pessoa que o Carlos falou depois de ser campeão

foi com o Alfonsín.

Teve até jornalistas

que não concordavam

com o que você recomendava

para a melhor performance da nossa Seleção.

E a primeira coisa que alguns deles fizeram

hoje à tarde,

foi pedir aplausos para você.

Pudemos ver também

bandeiras que diziam: "Perdão, Bilardo."

UM VERDADEIRO MESTRE

Depois fizeram a bandeira "Perdão, Bilardo", não é?

O que o Carlos sentiu foi alívio

por demonstrar que todos que estavam falando

antes desta Copa, estavam errados.

BILARDO, UM EXEMPLO A SE SEGUIR

E depois mudou a forma de pensar de todos.

A Copa quem ganhou foi o Doutor.

E os outros que continuem reclamando.

Entravam na concentração e os jogadores gritavam:

"Chegaram as panquecas!"

As críticas

e as desculpas que ele aceitou...

Ele dizia: "Tudo bem, são coisas da vida."

Eu não sou um homem...

E eu sempre esqueço, sempre olho em frente,

não sou um homem que quer revanche.

Por isso, fique muito tranquilo,

que toda a nossa juventude

acredita, e tentamos colocar isso na cabeça dos mais jovens,

que na vida não existe revanche.

Alfonsín...

Te conto que eu chorava tanto que não entendi nada.

Depois do jogo:

"Gloria, você está bem?"

"Sim." "Está feliz?"

"Sim, sim... Sim."

Você o escutava e dizia: "Ele ganhou ou não?"

Disse a ele: "Não esqueça de trazer a medalha para mim."

"Não! Já a dei de presente."

Você disse que pensou em alguém quando foi Campeão do Mundo.

No Zubeldía.

Em quem pensou? Na família? Não!

Não, nessa hora não pensei na família, pensei no Zubeldía.

Você não só pensou no Zubeldía, como ele esteve em campo.

Eu acho que sim, acho que sempre esteve ao meu lado.

Desde que morreu.

Tudo bem, mudemos de assunto porque ele se emociona.

Carlos, só um segundo.

Espere...

Carlos Salvador Bilardo está vivendo

as maiores emoções da vida dele,

então ele não pode se conter...

É muito para um homem só.

Ele teve que vir aqui.

Eu me emociono.

Perdão,

mas é mais forte que eu.

Olha o momento que nos lembramos de Zubeldía.

Esta é a réplica da Taça da Copa do Mundo.

E meu pai a deu de presente ao meu filho mais novo,

fazendo um campeonato de pênaltis.

Eu sou muito detalhista, sou como meu pai nisso.

Meu pai não tirou fotos com a Taça.

Na verdade, também não tem a medalha de 86.

Mas porque só passava e a deixava lá.

Acabou para ele, pronto.

Tinha que continuar

com outra coisa e continuava.

E seguia em frente.

E quando acaba o jogo,

vamos ao vestiário com a Taça,

Bilardo está sentado em um canto.

Não que tínhamos perdido a final,

parecia que tínhamos perdido na primeira rodada.

E quando o vi,

eu estava indo embora,

estava com uma cara.

"Você não está com a medalha." "Não quero.

Eles fizeram dois gols de cabeça.

Duas cabeceadas dentro da área."

"Não consigo entender como fizeram

dois gols de bola parada no meu time."

Mas éramos Campeões do Mundo.

Não tocou na Taça.

Não há sucesso absoluto

porque você foi Campeão do Mundo,

mas foi...

Repare que a Seleção não comemora.

Esta Seleção nunca comemora as vitórias.

Comemos juntos, como depois das eliminatórias.

Vamos nos reunir na sexta-feira

em uma fazenda e só isso,

sem grandes comemorações, sem grandes alegrias,

porque queremos que o jogador sinta que sempre tem mais.

Tem que ganhar, tem que ganhar continuamente.

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