All language subtitles for Bilardo.The.Soccer.Doctor.S01E01

af Afrikaans
ak Akan
sq Albanian
am Amharic
ar Arabic
hy Armenian
az Azerbaijani
eu Basque
be Belarusian
bem Bemba
bn Bengali
bh Bihari
bs Bosnian
br Breton
bg Bulgarian
km Cambodian
ca Catalan
ceb Cebuano
chr Cherokee
ny Chichewa
zh-CN Chinese (Simplified)
zh-TW Chinese (Traditional)
co Corsican
hr Croatian
cs Czech
da Danish
nl Dutch
en English Download
eo Esperanto
et Estonian
ee Ewe
fo Faroese
tl Filipino
fi Finnish
fr French
fy Frisian
gaa Ga
gl Galician
ka Georgian
de German
el Greek
gn Guarani
gu Gujarati
ht Haitian Creole
ha Hausa
haw Hawaiian
iw Hebrew
hi Hindi
hmn Hmong
hu Hungarian
is Icelandic
ig Igbo
id Indonesian
ia Interlingua
ga Irish
it Italian
ja Japanese
jw Javanese
kn Kannada
kk Kazakh
rw Kinyarwanda
rn Kirundi
kg Kongo
ko Korean
kri Krio (Sierra Leone)
ku Kurdish
ckb Kurdish (Soranî)
ky Kyrgyz
lo Laothian
la Latin
lv Latvian
ln Lingala
lt Lithuanian
loz Lozi
lg Luganda
ach Luo
lb Luxembourgish
mk Macedonian
mg Malagasy
ms Malay
ml Malayalam
mt Maltese
mi Maori
mr Marathi
mfe Mauritian Creole
mo Moldavian
mn Mongolian
my Myanmar (Burmese)
sr-ME Montenegrin
ne Nepali
pcm Nigerian Pidgin
nso Northern Sotho
no Norwegian
nn Norwegian (Nynorsk)
oc Occitan
or Oriya
om Oromo
ps Pashto
fa Persian
pl Polish
pt-BR Portuguese (Brazil)
pt Portuguese (Portugal)
pa Punjabi
qu Quechua
ro Romanian
rm Romansh
nyn Runyakitara
ru Russian
sm Samoan
gd Scots Gaelic
sr Serbian
sh Serbo-Croatian
st Sesotho
tn Setswana
crs Seychellois Creole
sn Shona
sd Sindhi
si Sinhalese
sk Slovak
sl Slovenian
so Somali
es Spanish
es-419 Spanish (Latin American)
su Sundanese
sw Swahili
sv Swedish
tg Tajik
ta Tamil
tt Tatar
te Telugu
th Thai
ti Tigrinya
to Tonga
lua Tshiluba
tum Tumbuka
tr Turkish
tk Turkmen
tw Twi
ug Uighur
uk Ukrainian
ur Urdu
uz Uzbek
vi Vietnamese
cy Welsh
wo Wolof
xh Xhosa
yi Yiddish
yo Yoruba
zu Zulu

Original subtitles

Ent�o, eu, de jeans, jaquetinha Adidas, t�nis,

ele vem e me fala: "E a�? N�o se trocou ainda?"

E eu respondo: "Carlos, mas n�o tem ningu�m."

"Bom...", ele falou, "vamos assim."

"Como assim?"

"Sim, vamos assim, vamos assim."

Ele me falou: "Vamos fazer uma coisa,

vamos imaginar que temos dez colegas.

Nove colegas, voc� � o d�cimo.

Ent�o, a bola, vamos imaginar que est� em um lugar,

e vamos imaginar que os seus colegas..."

Olha isso, j� estou arrepiado.

"e imagina

que a linha baixa est� atr�s do Checho Batista,

atr�s do Negro Enrique.

E quando eu te falo: 'Sai atr�s do Batista.'

Voc� imagina que o Batista est� saindo,

imagina uma bola,

e faz."

Sem bola.

E de jeans.

Isso � querer ensinar.

Isso � querer... N�o importa se tem bola, se tem jogadores.

O que � importa � a esperan�a de quem te ensina.

O que � a importa � a esperan�a de quem aprende.

O que temos que sacrificar

das quest�es �ticas,

morais,

para ganhar a qualquer custo?

A vit�ria � passageira,

mas a derrota � para a vida inteira.

� fundamental que a pessoa seja obcecada, trabalhadora,

e, acima de tudo, ganhadora.

Neur�tico, obcecado,

que n�o dorme,

que perdeu a inf�ncia da sua filha.

Tinha essa quest�o, de me tornar forte por precau��o.

Professor. N�o parou de ensinar nunca.

Come�ou com outra coisa,

modificou e mudou todas as t�ticas.

Terminava com a cabe�a destru�da,

destru�do fisicamente.

Ele fez de tudo com a gente, fez de tudo.

Sete anos do Bilardo s�o 30 anos para qualquer outra pessoa.

No campo, ele percebia o que estava acontecendo.

Dava para perceber que ia ser t�cnico.

Ele nunca admitia perder.

Nunca!

N�s que o conhec�amos,

sab�amos que estava destru�do por dentro.

O Bilardo � um covarde.

� um cara que tem um medo terr�vel

da derrota.

� um grande mist�rio por si s�.

E n�o sei se ele mesmo reconhece

como ele � quando se olha no espelho.

O futebol � ingrato.

Ent�o, minhas palavras para os jogadores,

especialmente para os mais jovens,

sempre digo que o que divide o riso do choro

� uma linha fina no futebol.

E acho que na vida tamb�m.

Um cara normal

que anda pelas ruas e ningu�m fala nada.

Esqueci de viver.

Ou seja, dediquei a vida ao futebol, � medicina

para estar no topo, para estar no topo.

N�o passem aos de amarelo porque vamos perder.

N�o tem bebida alc�olica, senhorita.

Tem gatorade

Meu interesse � ganhar.

S� tem um campe�o.

BILARDO O M�DICO DO FUTEBOL

Acendemos as luzes

e o dia come�a.

E ela est� dormindo aqui,

com a cadela,

toda perdida.

Uma descobridinha

para v�-la.

- Pai, para de besteira! - Est� mexendo a c�mera.

Eu a descobri.

Pai, para de falar besteira e sai daqui!

M�e!

Agora est� descoberta.

Ela se cobre com tudo.

Vai dormir?

- Sim. - E at� que horas vai dormir?

- N�o sei, estou com sono, sai! - At� que horas vai dormir?

At� mais tarde.

Me fala mais ou menos, assim eu venho depois.

Duas ou tr�s da tarde.

- At� que horas? - M�e!

Fa�a-o sair daqui!

- Pai, estou com sono, s�rio! - Est� com muito sono?

Pai, sai daqui!

- Mas me diz se est� com sono. - Vai embora logo!

Que cara feia!

- Capaz. - Sai daqui!

Vai acertar a c�mera...

Quando pega a Sele��o,

a primeira coisa que lembro � do carro que ele comprou,

comprou um Renault Fuego.

E foi a� que eu comecei a parar de v�-lo.

Mesmo sendo crian�a, eu entendia que se n�o o via,

se n�o via tanto o meu pai,

era justamente porque ele estava � procura de algo.

N�o te encontro.

Vamos, vamos, est� em primeiro plano.

Eu quero que todos saibam quem � meu pai de verdade.

Acima de todas as hist�rias que contaram.

Contaram um monte de coisas que n�o sabem.

L� vai!

Na Copa de 82,

era uma �tima Sele��o.

Eram os campe�es de 78 com o melhor dos juvenis.

Com um Maradona ainda visivelmente imaturo.

Ao mesmo tempo, o Menotti n�o se sai bem em 82 na Copa.

J� era um processo muito longo, de oito anos.

Em dezembro de 82, termina o ciclo.

Na verdade, Grondona n�o queria renovar.

Tinham que fazer uma grande mudan�a,

n�o tinha sido bom o que aconteceu em 82.

A melhor escolha que o meu pai fez

foi o Carlos Salvador Bilardo.

Grondona o odiava.

Mas de verdade, falou isso na minha cara.

N�o odiava s� o Bilardo,

v�rios do Estudiantes,

mas o Bilardo era o que mais odiava.

Se sai muito bem em 82.

� campe�o do Metro 82,

que terminou em fevereiro de 83.

Ent�o, meio que o Bilardo era naturalmente um candidato.

O Estudiantes do Bilardo jogava bem.

Era um time que jogava futebol muito bem.

Jogavam muito bem.

Naquela �poca,

o Estudiantes era o time que jogava melhor.

Campe�o 1982.

Torcedores que entraram ao campo do jogo...

Os volantes eram todos jogadores de futebol,

ou seja, t�nhamos muita t�cnica.

Tinha o Sabella, o Ponce e o Trobbiani.

E s� um cara que marcava que era Miguel Russo.

Eu era o �nico inexperiente,

todos os demais eram jogadores

de um n�vel e uma qualidade impressionante.

Todas as coisas que fazem agora,

com linha de tr�s, com linha de dois,

com l�bero e stopper, fizemos em 82.

Fizemos em 82, meninos, n�o inventem nada.

Est� tudo inventado, o professor inventou tudo em 82.

O est�dio do Estudiantes de La Plata explode!

O t�cnico dos campe�es,

Carlos Salvador Bilardo!

Est�o dando a volta ol�mpica

para o p�blico de La Plata

os integrantes da equipe campe�.

Aqui, vivemos lembrando.

Para mim, no futebol, falamos isso

de t�tica.

Acho que existiu um antes e um depois do Bilardo.

A arquibancada grita permanentemente:

"Bilardo n�o vai embora, n�o vai embora!"

O que voc� diz a eles?

Bom, acho que se o pessoal do Estudiantes

consegue sentir o que eu sinto,

que conduzir uma sele��o a uma final � um orgulho.

Acabei de falar com o Sr. Grondona

e j� combinamos de assinar o contrato no dia 24.

Aguentou at� os dias de hoje.

E os "Pinchas" estamos nesta resist�ncia tamb�m.

Al�m de tudo, n�o gostavam dele.

Porque o pior era que n�o gostavam dele.

Ent�o era...

era dif�cil.

Est�o reunidos o presidente da Associa��o do Futebol Argentino,

o Sr. Julio Grondona,

e Carlos Salvador Bilardo.

A partir desta assinatura,

ele ser� parte

dos times da Sele��o Nacional

da Associa��o do Futebol Argentino.

N�o!

N�o, voc� nem imagina.

Voc� nem imagina!

CAP�TULO 1: O HOMEM MAIS ODIADO

Conhec�amos uma parte, que era o futebol de Menotti,

depois veio o Bilardo com...

Come�ou com outra coisa,

modificou e mudou todas as t�ticas.

Infelizmente, tenho que dizer que tem gente

que considero como um caso � parte,

que vem insultar as pessoas

que n�o pensam como o sr. Bilardo.

Infelizmente, sim, olhe, senhor...

s�o v�rios casos a parte.

Deixe-me falar.

Espera, isso me faz ficar mal.

Espera, espera.

Espera um pouco.

N�o te conhe�o, n�o te conhe�o, n�o te conhe�o, n�o te conhe�o,

e n�o te conhe�o.

Quando come�ou o processo,

ele sempre disse que a Sele��o seria o Diego e mais dez.

Todos n�s sab�amos que o Diego ia jogar sempre.

Foi a� que ele decidiu

fazer uma viagem que ele chamou de viagem de estudos

por vontade pr�pria, pagando todos os gastos.

No ano de 83, quando eu peguei a Sele��o,

fui v�-lo em Barcelona,

e falei a ele que seria o capit�o.

E quando cheguei aqui, anunciei:

"O �nico titular e capit�o vai ser o Maradona."

E tive que ficar dez dias fora do pa�s

porque queriam me matar.

Queriam me enforcar.

E que fique claro:

N�o era o Diego que depois todos viram.

O Diego terminou sendo muito contrariado,

muito criticado depois de 82.

Acho que foi uma jogada de mestre, como diriam,

o que o Bilardo fez.

E me parecia, naquela �poca, que o Maradona ia ser um craque,

que ia ser um craque,

apesar de todos estarem contra ele.

Qualquer revista ou jornal que voc� lesse era contra,

mas t�o contra que voc� falava:

"Como eles n�o entendem?"

E n�o entendiam!

N�o entendiam, n�o entendiam, sabe?

Acho que o Carlos teve uma percep��o

muito r�pida do Diego.

E o Diego...

eu, que o conhecia,

o Diego, �s vezes,

como posso dizer?

Era feliz com coisas simples.

E essa situa��o de escolher o Diego como capit�o,

acho que o deixava muito feliz.

E foi a� que ele criou uma conex�o muito forte com ele.

Fomos na casa do Diego,

o Carlos estava falando com o Diego,

eu fiquei com a Dona Tota e o Seu Diego,

e bom, falou das jogadas, de como jogaria a Argentina,

essas coisas...

Bilardo percebeu que o Maradona

n�o entendeu nada do que ele disse.

Porque tinha o enchido de flechas, dados, c�rculos.

Carlos o bombardeou

com todas as informa��es, como iam trabalhar e tudo mais,

e o Diego ficou at� tonto.

E o Bilardo percebeu e falou:

"Sei que n�o entendeu nada, espera.

Espera dois ou tr�s anos e vai entender."

O M�xico � minha obsess�o.

Convocou a n�o sei quantos... vinte e poucos.

"Gente, isso � a Sele��o, aqui..."

No primeiro dia, eu lembro da conversa, ele disse:

"Eu estou pensando

no M�xico.

No primeiro dia!

Sobramos cinco da fase do Menotti,

com a equipe nova.

E no primeiro treinamento,

nunca vi nada igual, em duas horas

fez um resumo

de tudo que �amos ver de bola parada.

Diferentes varia��es de laterais, defensivo,

e �amos correndo todos assim pelo campo,

ele ia explicando, duas horas dando voltas,

duas horas que...

quando terminou, n�o lembr�vamos de nada.

Carlos era uma figura.

Era uma figura muito especial.

Querido.

�s vezes, nem tanto.

De qualquer forma, ele tinha alguns assistentes,

como o Professor Echeverr�a, Ra�l Madero,

Pacha,

que eram

um pouco mais

pr�ximos de n�s.

Querem saber como eu escolho os meus colaboradores

e jogadores?

Aos primeiros, por dois princ�pios:

Aptid�o

e amizade.

Aptid�es por motivos �bvios.

Por amizade entendo lealdade,

solidariedade, sigilo,

principalmente.

E com isso, vou concluir minha ideia,

eu quero dormir tranquilo.

�ramos uma equipe pequena,

onde tinha um preparador f�sico,

um ajudante, um m�dico, um assistente,

um empregado,

mas era um s�.

Ele queria um s�, era assim.

E quando conhecemos o Bilardo

e nos levou ao primeiro treinamento,

no Sindicato do Com�rcio,

ali em Ezeiza, atr�s do Centro At�mico,

era igual chegar a um Servi�o Militar.

Vai!

N�o eram treinamentos normais,

eram tr�s, quatro horas dentro de campo.

N�o era que voc� falava:

"Uma hora, vamos treinar uma hora, uma horinha e meia,

com tudo.

Bem, bem, e vamos embora.

N�o! Quatro horas!

N�o entend�amos,

e tinha essa coisa de dizer:

"Esse cara faz uma conversa de duas horas!"

Te mantinha ali.

Lousa para c�, para l�, flecha.

Se algu�m entender

alguma coisa nessa lousa,

eu vou aplaudir.

Se algu�m conseguir descobrir como come�ou essa conversa,

como terminamos...

N�o tinha lugar na lousa,

n�o sobrava um lugar.

And�vamos por tudo

e n�o sab�amos onde t�nhamos que ir.

Era dif�cil, sim, entend�-lo.

N�o a n�vel futebol�stico,

mas sim entender tudo que ele queria.

Fora de campo,

dentro de campo,

muitos jogadores ficaram para tr�s

por n�o aguent�-lo,

por n�o aguentar tudo que pretendia.

N�o podia ficar sentado,

n�o podia ficar com a m�o na cintura,

n�o podia conversar com os outros.

Isso tudo do lado de fora,

do lado de dentro, nem pensar.

Dentro, nem pensar.

Est�vamos em Ezeiza, no Sindicato do Com�rcio,

quando ainda n�o tinha o pr�dio da AFA,

e passavam os avi�es,

passavam de rasp�o na sua cabe�a,

e passava cada monstro, passavam esses "Jumbo",

ent�o acabava chamando a sua aten��o.

E, bom, voc� inconscientemente olha para cima.

E um de n�s,

do nosso grupo,

olhou o avi�o.

Dizem que o Bilardo n�o o convocou mais.

Dizem...

Colocou na nossa cabe�a

que para estar l�, tinha que sofrer.

Se n�o sofr�ssemos,

ent�o tinha alguma coisa errada.

Ele nos colocou isso na cabe�a,

mas ele...

era o primeiro.

Eu acredito que temos que dar o exemplo,

Por exemplo, o que acontece?

Eu n�o gosto que atrasem nem um minuto. Odeio.

Eu odeio! Se for �s 8h, � �s 8h.

N�o gosto que cheguem �s 8h01.

�s 8h02 eu j� n�o gosto.

E esses pequenos detalhes

vieram depois de falarmos de compromisso,

e foram gerados

a partir n�o s� de jogar bola.

E v�o te fazendo entender

que voc� est� na Sele��o Argentina.

E voc� est� representando o seu pa�s.

E o seu pa�s, � seu pa�s.

A camisa da Sele��o estava em primeiro lugar.

Depois vinha todo o resto, a fam�lia,

a esposa, os filhos.

Mas em primeiro vinha a camisa.

Nem todo mundo aguentou esse louco.

Eu o chamo assim.

V�rios jogadores

desistiram no meio de um treinamento,

de chutar a bola,

xing�-lo e ir embora.

E eu n�o me adaptei, por isso desisti em uma �poca.

Foi dif�cil e...

desisti.

Foi em 84, na metade de 84.

N�o podia se distrair,

n�o podia abaixar a guarda,

n�o podia ficar com a m�o na cintura.

Se ele te via assim, com as m�os na cintura,

te expulsava do treinamento.

Terminava com a cabe�a destru�da,

fisicamente destru�do.

Ele fez de tudo com a gente, fez de tudo.

De tudo, de tudo.

Em primeiro lugar, a Sele��o. Em segundo, a Sele��o.

Em terceiro, a Sele��o. Depois vem a fam�lia.

E isso ele nos imp�s desde o primeiro dia.

At� que horas voc� vai trabalhar?

- Falta muito? - N�o, vou trabalhar...

mais meia hora, vou ver uns dados aqui e acabou.

Todos o chamavam de louco.

Porque ele era louco.

Eu n�o o achava louco, mas os outros, sim.

- Coisa de louco. - O qu�?

M�e?

Voc� pode me buscar �s quatro na escola?

Pai, voc� pode me buscar �s quatro na escola?

Eu vou ao est�dio do V�lez ver Racing e Deportivo Espanhol.

Mas fica aqui, voc� tem que ficar aqui.

Se prepara para o baile.

N�o, eu vou embora daqui...

Colocava umas jogadas na televis�o

para minha m�e e para mim,

uma que era fora do jogo ou no offside,

n�o lembro qual das duas,

e explicava a jogada para n�s duas.

N�s duas na cozinha, assistindo

para ver se entend�amos

e diz�amos: "Sim, sim, � assim, assim, assim..."

E ele dizia: "Bom, se voc�s conseguem entender,

os jogadores v�o me entender, pronto."

Olha que camera man de luxo!

Carlos e os v�deos...

Com os jogadores, em 83,

chamava os jogadores em casa

e mostrava v�deos, v�deos, v�deos para eles.

Mas, bom, era do que ele gostava.

E, se n�o, os jogadores iam embora

e ele continuava vendo v�deos, v�deos.

Nos reunia primeiro em um hotel,

pegava um quarto, voc�s devem ter visto uma foto

que estamos sentados no ch�o,

ele est� nos mostrando coisas de futebol, de t�tica.

E isso era depois do treinamento que t�nhamos no clube.

Nos fazia ir �s cinco, seis da tarde em um hotel no centro

e fic�vamos duas horas e pouco.

Ele tinha trazido uma Betamax da Col�mbia,

uma coisa daquela �poca, era como uma caixa,

um balc�o, como n�s cham�vamos,

e era umas duas horas

para conectar o v�deo,

"Olha esse negrinho assim."

E todos eram negrinhos, era Willington Ortiz.

"Faz isso, faz aquilo, vai para c�, vai para l�."

Apesar de tudo, � engra�ado,

porque n�o te oferecia nem um caf�,

nem um caf�, nem um ch� mate, nada.

Te deixava l� e quando terminava o jogo: "Bom, voc� viu?"

E fazia isso com muitos jogadores.

"Sim, eu vi, Carlos." "O que viu?"

E tinha que contar um pouco.

E os v�deos eram extremamente entediantes.

Mas extremamente entediantes.

Era uma coisa horr�vel.

E sabe que... Sei l�...

Alguns resumem o jogo.

N�o, era um jogo de 90 minutos...

Hoje n�o existe um corpo t�cnico em nenhum lugar

que n�o tenha um editor de v�deo sentado ao lado do t�cnico.

Mas todos o criticavam naquela �poca, n�s tamb�m.

Mas isso demonstra que estava � frente do seu tempo.

Ele estava atr�s de mim e gritava:

"Lembre-se de olhar para mim."

Queria que olh�ssemos para ele, nos ensinou alguns sinais.

Quando eu ia ver os treinamentos da Sele��o,

te via dentro do campo,

e quando eles t�m que jogar, jogam sozinhos. Como eles fazem?

Por isso, para mim foi dif�cil com o Burruchaga

no primeiro jogo que conduzi contra o Chile.

Sele��o Nacional, 45 minutos gritando com ele.

E Burruchaga n�o entendia.

E agora com um gesto, eu sei que ele entende.

Vem daqui um ano, fa�o um gesto e ele sabe o que �.

Quando fazia um sinal assim,

� que estavam perdendo a metade do campo.

Claro que o sinal de falar...

O sinal de estar juntos.

Voc� tem que ser como as moscas.

Diante da bola, o n�mero 9...

O ciclo do Bilardo come�a no Chile,

empata, 2 a 2 em Santiago.

A cobran�a tinha sido do Valenzuela,

sobra para Trossero,

a bola � do Fillol.

Perguntaram para Bilardo

sobre o nosso estilo, o estilo da Sele��o Argentina,

se ia ser um seguimento dos oito anos anteriores.

E o Bilardo perguntou:

"Qual � nosso estilo?"

O nosso estilo...

A Argentina ganhou a Copa em 78

sem o Alonso, sem o Bochini, sem o Maradona.

A Argentina ganhou a Copa em 78

com o Luque, com o Kempes,

com o Gallego, com o Passarella,

com os mais fortes, mais robustos.

Colocar em d�vida o que Menotti tinha promovido durante 8 anos

deixou um pouco no ar.

O futebol

com o Bilardo da Sele��o, n�o.

N�o vejo nenhuma semelhan�a.

Bilardo jogava com stopper.

Temos muitas diferen�as.

Se tiver que falar quem atirou a primeira pedra,

foi o Menotti.

A Sele��o Argentina jogou um amistoso na Espanha,

contra um time de clube.

Valladolid.

E ainda por cima, perde de 2 a 0.

A Sele��o estava jogando realmente...

tinham jogado bem,

depois estavam jogando muito mal.

E n�o sei se foi isso...

E o Menotti disse: "N�o podemos doar prest�gio."

O Bilardo leu isso e disse depois

que teve que tomar dois Lexotanil

porque teve em um ataque de f�ria

por se sentir tra�do,

porque n�o tinham criticado o Menotti

durante os oito anos na Sele��o como t�cnico,

e como, no primeiro jogo que a Argentina perde,

j� est�o criticando e dizendo que estamos perdendo prest�gio?

A seu ver, quando o futebol argentino perdeu o prest�gio?

Antes de Espanha 82? Depois?

N�o, acho que � um processo de decad�ncia

desde o ano de 78.

Est� decaindo por muitas coisas, eles sabem o porqu�.

Ou seja, depois perdeu um pouco o prest�gio.

Por isso que agora, dizer agora

que jogar com Valladolid � perder prest�gio...

Por que seria perder prest�gio?

Come�aram as declara��es

que me incomodavam muito.

Eu sou rigoroso com a Sele��o Argentina,

nunca com a mudan�a de treinador.

Eu n�o posso sair e ver uma Sele��o Argentina

que n�o joga bem e dizer que jogam muito bem. N�o posso.

Bilardo convocou uma coletiva em que foi muito duro,

dur�ssimo.

O Bilardo disse:

"Quando cheguei aqui, n�o tinha nada,

tinha uma cadeira, uma mesa, n�o me deixaram uma pasta,

n�o me deixaram um projeto, n�o me deixaram nada.

Como pode ser? E ainda me criticam!"

No futebol, para mim, n�o existe nenhuma amizade

quando tenho que opinar sobre o time.

E, de repente, Bilardo e Menotti

que dois meses antes n�o tinham conflitos,

come�aram uma s�rie de viol�ncias com m�sseis.

Foi selvagem, dos dois lados.

Houve golpes baixos dos dois lados.

S�o olhares diferentes.

Quando se tornou uma guerra,

porque chegou a ser uma guerra,

foram usadas todas as armas.

Dizem que na guerra vale tudo.

Ent�o, um jeito de atacar o Bilardo

era mostrar que ele tinha mal gosto,

que ele gostava de Los Wawanc�,

enquanto o Menotti gostava de Paco de Luc�a.

Ponto final?

O que podemos dizer? Bilardo est� bravo com Menotti?

N�o, n�o estou. O que n�o quero � dizer

ou o que sempre disse

� que toda profiss�o tem uma �tica.

Ent�o, n�o � que n�o gosto dele,

por mim, que me critiquem, sempre fizeram isso.

N�o vou dizer... n�o � de agora,

faz 17 anos que aceito todas as cr�ticas.

Mas uma coisa que eu respeitei, um processo que eu respeitei...

ele n�o pode vir de fora agora...

Ele est� trabalhando fora, n�o pode me colocar travas

ou dizer que est� certo ou errado o que fa�o,

se eu estou me matando para fazer progredir uma coisa

que estou come�ando do zero.

Nesta viagem de 84,

n�s come�amos mal contra a Col�mbia,

que perdemos, expulsam 3 jogadores.

N�o jogamos bem

e ent�o, est�vamos

com alguns jornalistas, alguns jornais esportivos,

ou nem tanto,

que nos criticavam demais.

Tamb�m pensavam na possibilidade

de Carlos sair.

Imaginem como foi que nem as esposas e nem as m�es

te contavam o que estava acontecendo aqui na Argentina,

porque era um movimento pol�tico t�o grande, t�o terr�vel,

para derrubar o Carlos que...

Nos mandaram dizer

que o Bilardo estava fora do corpo t�cnico.

"Os jogadores que voltem como puderem,

que fa�am o que quiserem. Est�o todos fora."

E nesta viagem,

Bilardo implementou pela primeira vez,

um sistema de tr�s defensores.

Sou o Dr. Carlos Salvador Bilardo,

e a partir de agora,

te explicarei

minha vis�o sobre o futebol do futuro.

Como dissemos, existem diferentes sistemas de jogo.

O sistema do Bilardo � 3-5-2.

Come�amos a usar esse sistema

no dia que Beckenbauer estreou na Sele��o Alem�

e ganhamos deles de 3 a 0.

Eu joguei nesse dia.

N�s j� est�vamos treinando essa possibilidade,

o que realmente chamou nossa aten��o

� que foi contra a Alemanha,

mas o Narig�o decidiu tentar,

e tentou com tr�s,

e deu muito certo.

Posso ir para cima tranquilamente?

Essa � a outra parte.

A parte ofensiva desses laterais volantes.

Voc� transforma e se transforma em atacante.

Voc� pode atacar pela lateral,

voc� pode atacar pelo centro

e at� mesmo pelo lado oposto.

Eu recupero uma bola a� do volante pela esquerda

algo assim, fa�o um cruzamento,

Burru joga para mim como um lateral direito,

passo para o outro lado,

jogo para o centro, o Ponce entra e faz o gol.

Isso era...

O que o Bilardo pensava era o ideal, digamos.

Para ele,

isso � uma coisa inalcan��vel.

Passe exato ao ataque com Giusti,

que percorreu todo o terreno e Ponce...

Terminamos o jogo, ele me abra�ou lacrimejando

e me disse: "Isso � o que quero do futebol."

Os jogadores me disseram:

"Por que n�o jogamos com quatro atr�s?"

Fazemos o que sabemos?

Falei: "Porque isso acabou! Temos que jogar diferente."

Algumas revistas faziam enquetes,

"queremos wines, queremos isso, queremos aquilo."

Aceito a cr�tica.

Sei como vem e tenho que responder de cabe�a baixa.

Porque eu luto

com um roj�o

e eles lutam com jatos supers�nicos,

mas n�o me interessa.

A vida inteira me arrisquei assim.

Eu sei que falo assim hoje,

e falo uma vez por ano,

eles falam 360 dias por ano.

Ent�o, isso pode me prejudicar, pode acabar com minha carreira.

Tinha uma revista importante na Argentina, El Gr�fico,

na qual o atacavam de uma maneira terr�vel.

Naquele tempo, teve muitas cr�ticas

porque ele mudou a forma de jogar,

a forma de pensar.

Sabiam que tinha feito uma ruptura muito grande.

Davam golpes muito fortes nele.

Ficamos mal.

Estava tudo preparado

para a Argentina sentir a severidade.

Al�m de tudo, eu sempre comprava o Clar�n,

ent�o era pior ainda.

Continuou chovendo cr�ticas.

Eram cru�is. Cru�is.

No Estudiantes, est�vamos acostumados com isso.

Sozinhos contra todos.

Era uma campanha... me mataram, me mataram, me mataram.

Foi uma briga que durou o resto da vida dele.

Fomos viajar e, por exemplo, Beckenbauer,

Edmar, Jo�o Saldanha,

Pel�...

acham que somos um bom time.

Vamos jogar na Col�mbia e fazem o mesmo.

Ent�o, tem momentos ruins e...

Eu reconhe�o que, por exemplo, com o M�xico

jogamos mal.

Estou testando alguns jogadores, n�o � desculpa,

porque se for dar desculpas,

n�o escolho os jogos.

Vou jogar com o Brasil, com o M�xico, com a Alemanha,

alguns momentos s�o ruins,

mas em outros, jogamos bem.

- Eu me pergunto... - Voc� sempre expressa...

depois dos jogos, voc� chama nossa aten��o.

Voc� est� sempre certo!

N�o, � mentira! � mentira!

� mentira!

O que aconteceu foi uma grande divis�o

de ataque e defesa,

mas principalmente,

o que se dizia era o desconforto do p�blico.

Eu...

Eu acho que tinha uma raz�o �bvia:

o time n�o jogava bem,

em geral n�o jogavam bem.

Mas outra raz�o � que o Carlos n�o tinha apoio

por ter sido...

nem digo um �dolo,

mesmo que fosse um integrante

ou participante, nem do River, nem do Boca,

nem do Racing, nem do Independiente.

Tinha sido jogador chave

em um time como Estudiantes de La Plata,

que tinha enfrentado

a todos esses poderosos

e tinha ganhado de todos.

Bom, para entender um pouco o Bilardo, temos que saber algo

ou relembrar uma coisa daquele Estudiantes de Zubeld�a.

Vamos pensar que vai acontecer o que est�o dizendo, comentando.

Como voc� encara isso?

Bom, acho que nunca mataram ningu�m no campo.

S�o 11 contra 11.

S� tem que pensar que o �rbitro tem que ser honesto.

E nada mais.

Agora, se o p�blico invade o campo,

temos que ir embora, n�o se pode fazer nada.

Ent�o sua maior preocupa��o � o �rbitro?

Minha maior preocupa��o agora � o avi�o.

Bom, a quest�o do antifutebol

com a escola do Zubeld�a, do Bilardo,

do Estudiantes em si, naquela �poca...

Primeiro acontece

porque um time dos denominados "pequenos"

conquista algo que naquele tempo

foi muito dif�cil de fazer de novo,

de ganhar tr�s Copas Libertadores

em um per�odo de cinco anos mais ou menos,

quatro ou cinco anos.

Sua forma de pensar no futebol

� que ganhar � a �nica possibilidade.

E para isso, � capaz de apelar

a qualquer recurso.

Inclusive �queles que ignoram

o regulamento.

Mas isso � errado?

Eu acho que n�o!

Se voc� n�o agride, n�o d� chute, cotoveladas,

n�o lesiona, e voc� tem a artimanha,

ou a mal�cia

de falar algo para o cara

para tir�-lo do jogo, voc� fala.

Depois de tr�s dias da morte da m�e do Agust�n Mario Cejas,

falou para ele: "Sua m�e morreu e voc� est� jogando futebol?"

Era um provocador em campo.

Passava e fala algo para voc�, se voc� se importava,

j� era.

Voc� j� era.

Porque passava dez vezes do seu lado,

e para isso, Carlos era frio.

O que aconteceu naquela noite no campo do Boca,

Estudiantes e Platense?

O Platense estava ganhando de 3 a 1.

Estudiantes estavam com um jogador a menos.

Fazem 3 a 2,

3 a 3,

e, do nada, o goleiro do Platense

pega a bola no centro

e o Bilardo estava parado do lado dele.

O goleiro do Platense d� a volta e come�a a bater nele.

Ficou louco?

O que ele falou

para ele largar a bola na semifinal do campeonato

e come�ar a bater nele?

P�nalti.

Estudiantes ganhou de 4 a 3.

Depois ganhou a final com Racing e foi campe�o.

E sendo campe�o, jogou a Libertadores,

e como ganhou a Libertadores, jogou o Mundial.

E a� foi tudo.

O que ele disse? N�o, n�o.

� algo que... S�o coisas dele, do Carlos.

S� sei que o goleiro reagiu mal.

Mas na nossa �poca,

dizer um absurdo da sua m�e,

da sua namorada, da sua mulher,

era a coisa mais normal que existia.

Na nossa �poca, era ganhar para progredir.

Se voc� quisesse progredir

e ganhar um peso a mais

profissionalmente, tinha que ganhar.

Mas Poletti, voc� chutou a cabe�a de um jogador

que estava no ch�o, sim ou n�o?

Sim. Para falar a verdade, n�o a cabe�a

chutei as costas dele.

- Agora... - N�o � pior que uma infra��o?

Bom, acho que n�o sou o �nico jogador

que chutou as costas de um advers�rio.

Teve, como treinador e como jogador,

algumas atitudes selvagens.

Tanto Rattin quanto Marzolini,

enfiaram alfinetes na bunda deles.

OS ALFINETES DO BILARDO

Nessa �poca, jogava em Primeira e fazia medicina.

N�o conseguia fazer as duas coisas,

por isso as misturei.

Entrava no campo para fazer exames de diabetes

e quando algu�m se distraia...

Pronto! Agulhada!

Pronto! Olha a�!

Dei uma agulhada! Depois dizia o resultado.

Como n�o v�o te chamar de amargo?

Se voc� tem a��car no ch�o.

Fa�a o exame!

� s� uma agulhadinha!

E logo depois te d�o o resultado.

Entre neste site

ou ligue para este n�mero.

Pronto!

Os alfinetes e tudo isso fazem parte da lenda.

Por outro lado, estava a necessidade

que o Estudiantes tinha daquele momento.

O que voc� pensa nesse instante

que come�a a sua viagem para Londres?

Espero chegar � Inglaterra para ver se � verdade

tudo o que disseram dos torcedores do Manchester,

e dos torcedores ingleses.

- Confiante? - Sim, muito, mais do que nunca.

O maior trof�u do clube, de 68, o gol que...

Aqui est� o meu pai.

Meu pai e Togneri.

O gol que fazem no Manchester

em 68.

Bom, venham!

N�o sejam t�midos.

H� uma agita��o aqui em Old Trafford.

Estamos na final da Copa Intercontinental

contra Estudiantes.

Nossa atitude frente ao futebol

� totalmente diferente da atitude deles.

Enquanto Manchester se prepara para o chute

cruzamos nossos dedos

para que n�o seja o mesmo fiasco que em Buenos Aires.

Aos seis minutos de jogo,

Estudiantes abre o placar com um gol de Ver�n.

Desta vez, Bilardo, do Estudiantes,

cai por causa de um chute.

De fato, parece que uma guerra est� prestes a come�ar.

Gra�as a Deus, ningu�m disparou ainda.

Mais tarde, um soco de Best em Medina come�a uma nova briga

que termina com a expuls�o de Best.

Ent�o, com tr�s argentinos punidos tamb�m,

a primeira Copa Intercontinental jogada na Inglaterra

termina de forma vergonhosa.

O Estudiantes dos anos 60

provavelmente era um Estudiantes que jogava ao m�ximo.

E me parece que isso

potencializou

o que o Carlos, depois como t�cnico,

alimentou, como queira dizer.

Maradona n�o jogou at� 85.

O ciclo do Bilardo se sustentou por 3 anos

sem a presen�a de Maradona.

O jogador argentino partiu ontem em dire��o a Buenos Aires.

"Pode dar a impress�o de que estava fugindo",

disse o empres�rio de Maradona.

Por�m n�o era essa a sua inten��o.

Maradona deixou claro que mesmo na Argentina,

ele continua � disposi��o.

O v�nculo do Diego com a Sele��o

era quase uma coisa doentia.

Eu dizia para ele: "Voc� est� completamente louco!"

Como vai estar hoje em Udine, de noite em Roma,

de dia em Buenos Aires, jogar, voltar para N�poles,

jogar de novo?

Acho que jogou seis jogos em duas semanas.

Espere um pouco.

Espere um pouco, com licen�a.

Todo o jornalismo comovido com a chegada de Maradona.

A porta!

� a primeira vez que trabalha com Bilardo?

Sim, � a primeira vez

que estou na Sele��o com o Bilardo.

Para mim, � um mundo novo.

Eu nunca trabalhei com um t�cnico

que ensina tantas coisas quanto o Carlos hoje

com os defensores, com os atacantes,

ensina a chutar no gol,

a jogar nos centros, a um ir � primeira trave, � segunda...

Acho que � uma �tima t�cnica

para um time.

Agora temos que p�r em a��o

e tamb�m temos que jogar

para ter seguran�a.

Mor�vamos na It�lia e ele jogava aos domingos no Napoli,

ia a Roma, pegava o avi�o, chegava na segunda,

jogava na quarta, quinta voltava � It�lia e jogava no domingo.

E o Maradona fez isso pela Argentina, � claro,

e tamb�m pelo Bilardo.

Ricardo Gareca toca para o imperador Maradona.

E j� est�o jogando. Argentina contra Paraguai.

Acabavam com ele com os chutes,

porque eram terr�veis os chutes que davam nele.

Por�m ele ia embora

e voltava quando o Carlos o chamava.

Sempre o azul celeste e branco,

levou a bandeira ao topo,

era a �nica coisa que importava para ele.

Era vesti-la e estar em todos os jogos.

E n�o sair e que n�o o tirem,

jogar os 90 minutos.

Acho que isso era o mais importante.

L� vai o Diego! Diegol!

Gol

argentino!

Pax. Mendoza.

85 foi...

acho que foi o pior momento.

Primeiramente, vamos ser bem claros,

n�s n�o jog�vamos bem.

Jog�vamos mal, honestamente, jog�vamos mal.

Jog�vamos mal e estava certo o que todos viam,

porque n�s v�amos a mesma coisa,

n�o � que est�vamos cegos,

n�s perceb�amos.

E fal�vamos isso entre n�s.

"Cara, n�o podemos jogar t�o mal.

N�o damos dois passes, n�o fazemos nada."

A imagem final � uma imagem confusa

da equipe argentina.

Um time que busca o ataque

sem sucesso, sem empenho,

apelando ao centro,

e se expondo a esse tipo de contra-ataque.

Al�m disso, n�o jog�vamos nada bem,

mas nos xingavam tanto, era demais, demais.

Bilardo!

Bilardo, filho da m�e!

Ningu�m se salvava.

Era geral.

Acho que �amos para casa

e nossas fam�lias falavam: "Cara, como voc�s jogam mal!"

Neste momento, encerra o jogo.

Argentina e Paraguai empatam por 1 a 1.

Era um est�dio inteiro xingando o Carlos.

O est�dio foi un�nime.

Foi horr�vel o que o Carlos passou.

Sabe o que � 50 mil pessoas te xingando?

� muito horr�vel, muito horr�vel.

Uma vez s�, uma vez s� eu vi que ele se abateu,

foi terr�vel, mas foi uma vez s�.

Lembro que o pai dele ligou e disse:

"Por favor, sai logo da�."

O pai dele falava para ele sair disso,

para ele largar.

E ele dizia: "N�o, n�o, n�o, vai passar.

Vai passar, vamos fazer, vamos fazer."

"N�o, pai, n�o vou desistir.

Vou para a Copa."

E eu falava: "Ai, meu Deus!

O que nos espera?"

As eliminat�rias eram guerra.

Porque desde quando voc� descia do avi�o

que voc� chegava no hotel,

at� o dia do jogo,

e antes do jogo, durante o jogo e depois do jogo,

era guerra.

Essa eliminat�ria foi horr�vel.

T�nhamos ido a Bogot� uma semana antes para nos acostumarmos.

Jogar�amos primeiro em San Crist�bal,

depois em Bogot�,

de fato, quando chegamos em San Crist�bal,

pode perceber que Bilardo nos pediu para descer um por um

e com escolta.

O Diego desceu sozinho e um estranho...

por isso Bilardo fez isso, deu um chute no joelho dele

e o Diego jogou toda a Eliminat�ria com o joelho

que parecia uma laranja.

N�o, mas eu estava no banco e nos isolavam.

Eu lembro que o da Col�mbia era como um galinheiro,

com o mesmo tipo de alambrado.

E no Peru era a coisa... o acr�lico.

Na Col�mbia,

quando sa�mos tamb�m nos xingavam.

Estavam muito exaltados naquele campo.

Nos xingavam, jogavam laranjas em n�s, tudo.

E o Diego

pega uma laranja

e a levanta

e fica p�, p�, p�,

"vou jogar, vou jogar", a leva at� a metade do campo

e come�am a aplaudi-lo.

Come�am a aplaudi-lo

e a� meio que mudou o clima.

A Argentina ganhou os primeiros quatro jogos

com autoridade.

Era uma zona de quatro, o primeiro se classificava,

ganhou de 3 a 2 da Venezuela,

em San Crist�bal.

Depois ganha de 3 a 1 da Col�mbia como visitante.

Depois ganha f�cil de 3 a 0 da Venezuela.

1 a 0 da Col�mbia.

Quatro jogos, quatro vit�rias.

A Argentina estava se classificando f�cil.

Cabeceou Trossero, Valdano... Gol!

Gol da Argentina!

Apesar de termos ganhado os primeiros jogos,

est�vamos bem e tudo,

lembro do jogo em Lima,

o dia do Maradona com Reyna.

Foi dif�cil, dific�lima a caneta,

dific�limo tudo.

Uma guerra, mas bom...

Reyna, Navarro, chuta para o gol.

Sai para bater para o gol.

O Fillol salva, Vel�squez, o Fillol salva.

Oblitas!

Gol!

Gol!

No quinto jogo, a Argentina perdeu do Peru,

em Lima, de 1 a 0, que � o jogo onde Reyna se destaca

como um marcador individual do Maradona.

Da Argentina cai no ch�o.

Que gostoso! Agacha assim!

Maradona palha�o!

� jogo de homem, covarde!

Burruchaga vai tomar um tiro livre.

Passa para Maradona.

Lucho n�o est�, Vel�squez na marca��o.

Passa para tr�s.

Evidentemente para a Argentina � um tremendo preju�zo

apostar toda sua capacidade em um jogador s�.

Esse futebol j� ficou para a hist�ria,

tem que ser um super craque,

mas, pelo visto, o Maradona ainda n�o �.

Fim de jogo!

Franco Navarro.

Rejeita Leo Rojas. Termina o jogo.

Acabamos perdendo l�

e ca�mos de posi��o porque fomos muito mal.

Est�vamos preocupados, bastante preocupados e nervosos.

O Bilardo est� visivelmente desesperado e abatido.

Est�vamos mal.

Tive que dormir

com protetor bucal. Me mordia inteiro.

Estava todo machucado por dentro. Todo machucado.

O que eu acredito, sempre disse isso,

n�o podemos levar o clima do trabalho para casa.

Mas eu n�o consigo separar, acho que muitos n�o conseguem.

N�o d� para dividir.

Sou um deles.

Das cr�ticas, de toda essa parte, eu me lembro sim.

Colocavam eu e minha m�e em uma bolha onde n�o...

S� viv�amos, nos faziam viver

como se n�o perceb�ssemos tudo isso.

Minha filha estava no Ensino M�dio

e n�o a chamavam de Bilardo,

a chamavam de Daniela.

Bilardo era um palavr�o.

E se algu�m vinha consertar

alguma coisa em casa

era Gloria Di Bello,

mas nunca, jamais, podiam saber quem morava l�.

N�o saia na rua, comprei uma ch�cara em Moreno.

E eu ia sozinho, sozinho, n�o saia de l�.

N�o saia na rua nem ferrando.

N�o podia sair na rua.

Era uma campanha, me mataram, me mataram.

N�o admitia perder nunca.

Nunca!

O Bilardo � um covarde.

� um cara que tem um medo terr�vel

da derrota.

Nos dois anos e meio que t�nhamos passado

eram s� m�s not�cias, todos contra n�s,

e quando jog�vamos em casa

voc� sentia esse burburinho,

era ruim escutar isso nos est�dios.

Ainda mais em um jogo decisivo como esse.

Esse jogo foi dif�cil.

Tinha um murm�rio no est�dio.

Tinha uma energia negativa.

Reyna sempre grudado no Diego Maradona...

Peru tinha um tima�o,

mas era o resqu�cio de um Peru incr�vel,

Campe�o da Am�rica,

que tinha se classificado em duas Copas.

Come�a ganhando da Argentina, com um empate se classificavam.

Diego Maradona com uma escolta ciumenta de Reyna.

Empatam o jogo, come�am a ganhar...

Vel�squez. Gol!

Gol peruano!

Ent�o, est�vamos perdendo de 2 a 1.

Na verdade, era...

Vou te dizer, eu estava t�o nervoso.

S�o momentos dif�ceis de explicar

porque voc� est�...

em...

perto de cair, derrotado, n�o �?

Perto de acabar todas as esperan�as, todos os sonhos.

Olha se n�s n�o participamos...

E eu sou um dos respons�veis

pela Argentina n�o participar.

Diego Maradona n�o aparece.

Estavam ganhando com um gol de Pasculli.

Depois o Peru, com paci�ncia...

Era o �ltimo.

Ali tudo terminava.

E est�vamos p�ssimos.

Ali ser�amos eliminados.

Tem um jogo � parte nos bancos da Argentina e do Peru tamb�m.

Bilardo est� querendo ser o dono

do apito, amea�ando entrar no campo...

�ltimos minutos de jogo.

A equipe Argentina j� est� entrando em desespero.

Can't find what you're looking for?
Get subtitles in any language from opensubtitles.com, and translate them here.