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♪ animada crescente ♪

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[música intensifica]

♪

♪

[música intensifica e suaviza]

♪ suave ♪

[música intensifica]

[música cessa]

♪ instigante ♪

♪

[música suaviza]

[som de projeção de filme]

[sino]

[canto de pássaros]

[mugido de vaca]

[ronco de porco]

[cacarejo de galinha]

[sino]

[mugido de vaca]

♪ animada ♪

[Chico] Me ajuda, eu tô atrasado!

É tão fácil, é só escoiê uma!

[mugido] [Chico] Vamo!

Quieta, rapá!

[cacarejo de galo]

[Chico] Óia pra cá, sô!

[mugido de vaca] [Chico] Por favorzinho!

[relincho] [Chico] Giserda!

Óia aqui, escoie. É só escoiê uma!

Por favor, eu nunca te pedi nada!

Ocê é tão boa de estilo!

Qual roupa ocê acha que eu devo ir?

Qual é a mar bonita?

- [cacarejo] - Essa?

Essa é mió, né, não?

- [cacarejo alto] - Que que isso, minha fia?

Escói aqui!

- Óia pra cá, sô! [galinha pia]

Ocê não vira a cara pra mim não, viu?

Giserda! Larga de ser mal-educada.

Eu te tratei com tanto carinho.

Óia pra cá! Escói!

[suspiro frustrado]

Quer saber, vou com essa daqui mermo!

Galinha não sabe nada de estilo!

O que custava escolher uma? Uma só! Galinha mar-educada!

♪ animada ♪

Ô, Maiada!

[mugido]

Vem, garota. Vem, Maiada!

[mugido]

[lambida]

[cacarejo e mugido]

♪

[fungada]

Fido!

Brigado!

♪

[radialista] Um galo cantou, o sol reluziu

e ocê acordou na mior vila do Brasil!

Vila Abobrinha-nha-nha-nha! Quem já acordou de…

Tunico, ocê viu a rapadura que tava aqui onti?

Que rapadura?

- A que tava aqui onti! - E tinha rapadura aí onti?

[Cotinha] Ah, minha Nossa!

Chico Bento, meu fio, venha cá! Cê tá um chiqueiro só, meu fio!

Chiqueiro, não, chicoso! Venha aqui com a mãe. [beijo]

- Que coisa mái linda! - Brigado.

Puxei a buniteza da mãe e a simpatia do pai.

Módi ser, Chico Bento!

- Viu a rapadura que tava aqui? - Onti eu vi.

- E onde tava? - Onti quando vi, tava aí.

- E onde tá agora? - Aí não tá mais.

[grunhidos]

[Tunico] Onde foi parar essa rapadura?

[Chico] Te dou uma rapadura, Teobaldo.

♪ divertida ♪

[bufada]

Duas rapadura. Negócio fechado?

[relincho]

Ocê é muito ruim de negócio.

♪

Quatro e não se fala mais nisso!

[relincho]

E anda que eu tô com pressa.

[relincho]

O quê? Dez rapadura?

Isso deve sê o preço de uma caminhonete, sô!

[relincho]

Quer saber? Vou de a pé memo!

Não sei porque eu fui mimar esse burro tanto assim.

Tem quatro pata pra não usar nenhuma.

Vou cortar as rapadura dele. Vou dar tudo pro Torresmo.

Ele vai pedir pro Torresmo, ele não vai dar.

É, cê vai ver!

Opa! Joia?

Tudo bão com ocês?

Me discurpa o mar jeito. Num tinha visto ocês aí.

Cê deve tá se perguntando:

"Ah, pra onde o Chico tá indo assim,

todo ligeiro e aprumadin?"

Pra expricá procês, vou ter que contar um causo.

E pros que num quer saber, eu vou contar do mermo jeito,

porque eu comecei e num vou parar.

E o nome do causo é…

♪ suspense ♪

Chico Bento e a Goiabeira Maraviosa.

♪ divertida ♪

E como todo causo começa, começa no começo!

♪ suspense ♪

♪

[Chico] Eita. Pera aí.

Cabei começando a história muito do comecin.

[grunhido irritado]

[burburinho]

[Chico] Na verdade, essa história começa

quando eu tava brotando na barriga da minha mãe

e o buchinho dela roncou de fome.

E essa fome passou pra mim através do cordão umbiligal.

Quer uma banana?

- Não. [Tunico] Nem uma banana?

[Tunico animado]

Maçã do amor pro meu amor?

Você gosta.

Nóis num quer.

- [Tunico] Num quer maçã do amor? - Num quer maçã.

[grunhido de esforço] Melancia, Cotinha?

Nóis quer goiaba mermo.

Ai, e eu também num quero

que nosso filho nasça com cara de goiaba, Cotinha,

- mas eu percurei… [surpresa]

…acontece que não é época, Cotinha, de goiaba…

Amor, vai nascer!

- Nascer, Cotinha? [Cotinha] Vai nascer!

- [gemidos] - Vai nascer!

Carma! Tá tudo sob controle.

[Chico] Depois de fracassar como entregador de goiaba…

Tem que medir as contração!

[Chico] …meu pai resorveu se dedicar à medicina.

[gritando] Tá boa! Tá boa, a contração tá bem.

- [ofegos] - Agora nóis vamo

- pegar as técna de respiração. [ofegos]

Me dá a sua mão. Você respira pelo nariz…

[inspiram]

Solta pela boca.

[expiram]

[susto] Ai, senti a contração, Cotinha.

Respira pelo nariz. [inspira]

Solta pela boca.

[expiração acelerada]

[ofegando] Ah, Cotinha!

- Amor. - Carma, Cotinha, tá nascendo.

[expiração acelerada]

- Amor. - Que foi?

- Vai chamar sua mãe. - Minha mãe!

[Chico] Como todo personagem, meu pai manteve a carma

e tomou as rédeas da situação.

[relincho]

[Chico] E com as rédea na mão,

meu pai cavargou, cavargou, cavargou…

pra fazer o que todo homi que não sabe o que fazê faz:

que é chamar a mãe.

♪ animada ♪

[Chico] E foi assim que nasceu

umas das crianças mais bonitas da Vila Abobrinha.

[choro de bebê]

[Chico] Eu.

[Tunico] Ô, ele é muito lindo.

[Cotinha] Francisco Bento! Qui bão que ocê chegou.

[emocionado] Mas tem cara de goiaba, né, Cotinha?

Mas é a primeira vez que faço o parto de um neto meu!

Brigada por tudo, Dona Dita.

Ou mió, Vó Dita!

- [Tunico ri] - Ai, eu num dou conta!

[choro]

[Vó Dita] Eu tô tão emocionada!

[Cotinha] Amor.

[suspiro]

[zumbido do vento]

[expira]

- Ó, fio. [emocionado]-Oi, mãe.

Agora ocê é pai.

Ai, nem me fala mãe, nem me fala que eu já tô aqui…

[ri] E na nossa famia, quando nasce uma criança,

nóis planta uma árvore.

Aqui, ó.

Procê plantar, regar e cuidar.

[Chico] Essa tradição era parte da nossa famia,

mas os prano da natureza…

[ventania]

…era outros.

♪ suave ♪

[Tunico] Eita!

♪ aventura ♪

♪

[ventania]

♪

[ofego]

♪

[risada]

[ofego]

[zunido do vento]

♪

[grito de esforço]

[grunhidos de esforço]

[zunido do vento]

[Chico] E se ocê tá escutando esse causo e pensou:

"Ah, o Chico tá exagerando."

Fique sabendo que eu não sou de inventá

e nem de fazer fofoca.

Eu escutei essa história a minha vida inteira.

E da mió contadora de causos da região.

A semente foi voando, voando, voando…

no vento.

Naqueles vento assim que… Sabe aqueles redimoinho de saci?

[ventania]

E a semente dançava que era uma coisa linda!

E assim como ocê,

a semente precisava germinar antes de nascer.

E ela foi crescendo na barriga da terra,

a mãe de todas as coisa.

♪ suave ♪

No que que ela caiu, começou a brotar uma goiabeira.

♪

A goiabeirinha foi crescendo, crescendo e crescendo…

♪

E deu sabe o quê?

Essas goiaba saborosa.

Não tinha nada inguar a elas.

Ocê e a goiabeira nasceram foi é um pro outro!

[risada]

[cricrilar de grilos]

[música suaviza]

[ventania]

[canto de galo]

[Chico] E um dia, eu acordei pronto

pra fazer argo que eu sempre quis fazê,

mas nunca tive coragem.

♪ divertida ♪

Mas pra isso, eu precisava da ajuda

de um homi forte e esperto.

Mas como eu não achei, chamei o Zé Lelé mermo.

♪

[relincho]

♪

[efeito sonoro de deslumbre]

[Chico] E meu destino tava lá.

E lotado de goiaba!

- Óia, Zé! - Óia pro quê?

- Espia! [zumbido de voo]

♪

Dá pra ver nada.

[zumbido de voo]

♪

Que nada? Ela tá ali!

Espia de novo.

[zumbido de voo]

♪

Não funciona.

[relincho]

[Chico] Finarmente, eu ia catar uma goiaba dieretin do pé.

♪ suspense ♪

♪

♪

♪

♪

♪

[passos na grama]

[pede silêncio]

- Num faz baruio. [sussurrando] Mas eu não fiz.

Quem tá fazendo baruio é ocê.

Como posso tá fazendo baruio se eu tô pedindo silêncio?

Mas eu num falei nada.

Mas ocê que começou gritando!

- Que eu, Zé? - Ocê!

- Mas quem gritou primeiro? - Ocê!

- Foi ocê! - Foi ocê!

Ocê…

[Chico] Inté que apareceu o guardião do pomar,

o bicho mais medonho que eu já vi na minha vida.

O vira-lata de duas cabeça.

[rosnados]

Ô, Zé.

O importante nessa hora

é manter a carma

e não correr.

[rosnados]

[arfa de medo]

[Chico] Nóis fomo lá pegar umas goiaba,

mas quem foi pego foi nóis.

[rosnados e latidos]

♪ suspense ♪

[música suaviza]

[choro de cachorro]

[Chico] Ele até podia ter duas cabeça,

mas o Zé Lelé com duas perna foi mais ligeiro.

[latidos]

Ô, Chico, pode ir, a barra tá limpa.

Já dominei os cachorro.

[Chico] Naquela hora, eu pensei em desistir,

mas veio uma quentura de dentro e me disse:

Coragem, homi, vamo!

Força, cata essa fruta!

[Chico] E quem sou eu pra discordar de um órgão vitar?

♪ suave ♪

[efeito sonoro de deslumbre]

♪

[Chico] Ela num me conhecia,

mas pra mim, era como se nóis fosse irmão.

Mas separado pelo vento.

♪

[canto de pássaros]

♪

[Chico] E finarmente, eu tava onde eu devia estar.

[sopro]

A fonte de toda doçura.

[se delicia]

Mas depois dessa mordida,

minha vida nunca mais seria a mesma.

E como diz o ditado:

"O que o dono da goiabeira num vê, ele num sente."

[passos pesados]

♪ suspense ♪

[Chico] Mas ele viu.

[passos pesados]

[grita] Sai das minhas terras, seu muleque!

[Chico] Agora só sobrou o úrtimo gesto de coragem…

Sai da minha goiabeira!

[Chico] Correr.

[homem] Desce daí! [latidos]

- Sai daqui! [latidos]

Eu te pego, seu muleque!

Sai das minhas terras!

Bora, muleque! Sai daqui.

[grito]

[latidos]

E ocês num ousa mais pisar nas minhas terras!

Eu tava na árvore!

Seus muleque!

[Chico] Esse foi o começo de uma bela amizade.

[mugido distante]

E nos úrtimos ano,

nóis vortô um tantão di veiz pra ver o Nhô Lau.

♪ animada ♪

Primeiro, ele tentou homenagear nóis

através das belas artes.

O Nhô Lau é um dos maior artista aqui da Vila Abobrinha.

Que homi de bom gosto!

Que talento!

♪

Ocê desenha bem demais, hein, Nhô Lau?

Brigado.

♪ aventura ♪

[Nhô Lau arfa]

[Nhô Lau] Volta aqui!

[grunhido]

[Chico] Mas o Nhô Lau era muito exigente com ele mesmo

e nunca ficava satisfeito com as pintura dele.

♪ suspense ♪

O Nhô Lau também é muito brincaião.

Vira e mexe inventava um pique-esconde.

- Ocê é ruim no esconde-esconde! - Sai daqui!

[Chico] Às veiz, ele se confundia

e a brincadeira virava pique-pega.

…Nhô Lau tá pego!

Que "1, 2, 3, Nhô Lau tá pego". Eu que vou te pegar, muleque.

- Ocê foi pego. [Nhô Lau] Sai daí!

1, 2, 3, Zé Lelé e Nhô Lau pego!

[Nhô Lau] Que que ocês estão falando aí?

- Eu peguei ele. - Mas eu peguei ocês dois!

- Eu peguei ele primeiro! - Mas eu peguei ocê!

- Eu peguei primeiro. - Mas eu--

[Nhô Lau grita] Sai de perto da minha goiabeira, suas praga!

Nhô Lau!

Carma!

- Aprende a perder, homi. - Sai da minha goiabeira.

- Péssimo perdedor. - Rapa!

Tem espírito de esporte nenhum.

Se eu souber docês na minha goiabeira de novo,

eu vou ficar nervoso, viu?

[Chico] Ô homi que sabia se divertir.

[ruídos metálicos]

♪ divertida ♪

[Chico] E finarmente,

preocupado com a nossa entreguidade física…

[suspiro]

…ele construiu um pomar de segurança máxima.

Acho que é bão.

♪ suspense ♪

[mordida]

[mastigação]

[ruídos metálicos]

Ocê sai da minha goiabeira, Chico Bento!

Encosta aqui, seu muleque! Encosta aqui!

Volta aqui, muleque! Sai…

[Chico] E deu muito certo

porque a goiabeira ficou mais segura.

[Nhô Lau grita]

- [Zé Lelé] Por que demorou? - Demorei nada!

[Chico] E dispois desses anos todos de amizade,

eu finarmente posso afirmar:

O Nhô Lau tem um coração bão demais.

É o mió anfitrião de toda Vila Abobrinha!

[sino de escola]

[professora] Na atividade de hoje,

vamo fazer um mapa bem caprichado,

vamo terminar o contorno

e quem terminar o contorno, já pode começar a pintar.

[Chico] Mas o Nhô Lau é só um dos meus amigos aqui na vila.

- Tenho mais um monte! [mordida]

[crianças pedem silêncio]

[Chico] O Hiro e o Zé da Roça, por exemplo.

Tão sempre junto, inguar casca e ferradura.

Zé, eu acho que meu cachorro comeu toda minhas canetinha.

Ih… Seu cachorro também comeu meu giz de cera.

[Chico] E tem a Tábata também, que é aluna nova.

Cês querem meus lápis emprestado?

- Sim. [Hiro] Eu quero.

[Chico] Mas já tá bem enturmada.

[cacarejo de galinha]

- Tó! [Hiro] Brigado.

[Zé da Roça] Brigado.

- Ô, Tábata. [Tábata] Hum?

Me empresta o lápis com cheirin de murango?

- Claro. Tó, Zé. - Brigado.

♪ suave ♪

Zé, isso não é de comer.

Fessora, a culpa não é minha,

é de quem fez o lápis com cheirin de murango.

Tira isso da boca, Zé. Não é bom.

É bão, sim, experimenta.

[professora ri]

Toma.

Pode ficar pra você, Zé.

♪

[Chico] E tem a Rosinha que…

[música suaviza]

Que…

[música romântica]

Que…

[professora] Tá acabando o tempo.

Vamo terminando que eu já vou recolher o mapa de vocês.

Quero ver, hein? Quero ver cada mapa lindo.

Rápido, homi, faz alguma coisa! Nóis vai ser descoberto!

[ofego nervoso]

[professora] Muito bom, Hiro. [Hiro] Brigado.

[professora] O seu também, Zé da Roça.

Tá bonito. Depois vou mostrar pra todo mundo.

[gritando] Não!

Ó o da Rosinha que bonito!

♪ divertida ♪

[ofego nervoso]

[professora] Tábata também, ó. Os dois ficaram ótimos.

[Tábata] brigada. [ofego nervoso]

[professora] Olha o do Zé Lelé, que curioso!

[ri] Olha, cheio de detalhes!

- [Tábata] Xô ver. - Brigado, fessora.

Sou muito detaiado mermo.

♪ tensão ♪

[ofegos] [professora] Terminando, né?

♪

Que mapa é esse que você desenhou, Chico?

Uai, fessora! Num era pra desenhar o Zé Lelé?

Ô, Chico, cê tá distraído?

Tava comendo goiaba na hora da aula de novo?

Agora num tô não.

Mas num foi isso que eu pedi, né?

♪ tensão ♪

[estalo de boca]

Abre essa orelha.

[ronco]

[suspiro aliviado]

Ô, Chico.

Xô ver o desenho.

Tá iguarzin o Zé Lelé.

♪ romântica ♪

[Chico] E tem a Rosinha que…

♪

que…

♪

é muito legar.

[imita rugido de monstro]

Eu sou a Monstra do Ribeirão.

[rugido]

[Tábata] Sai daqui, Rosinha! [rugido]

[Tábata] Isso é extremamente nojento.

[Rosinha distante] Eu sou a Monstra do Ribeirão!

[rugido]

[Tábata] Você tá toda suja, para com isso.

[Chico] Enfim, a vida é muito…

♪

muito, muito encantadora.

[burburinho distante]

É encantadora dimais mermo.

E digo mais, é esperta. [sopro]

É esperta.

É brincaiona, não?

- Brinca dimais mermo. [rugido]

Perfeita pra pescar tilápia.

[burburinho distante]

- Deve ser. - E se por um acaso

ela parte no meio, cresce de novo.

- [confuso] Quê? - Hum?

[ruído de motor]

♪ divertida ♪

[Chico] Aqui na vila tem gente que eu gosto muito,

tem gente que eu gosto mais ou menos,

tem gente que eu nem gosto…

Oi, Rosinha.

…e tem o Genesinho.

Porque perto de toda rosa sempre tem um espinho.

[Rosinha] Que bonito, hein? Lancha no meio do Ribeirão.

Ocê virou dono do rio agora?

Olha, ainda não.

Por que não vai pela estrada inguar a todo mundo?

Cê queria que eu andasse de lancha na estrada?

[juntas] Você entendeu.

Mil perdões, Little Rose,

mas é que as estrada daqui trepidam muito

e empoeira meu terno alemão.

Conhece a Alemanha, Chico?

Germany.

Nunca ouvi falá dessa sinhora, não.

E, Rosinha, já que tamo falando da Europa,

aceita uma limonada suíça?

Não, eu vou ficar aqui pelo Brasil mermo.

Certeza que não prefere a Suíça?

Tô muito ocupada agora, sabe?

É, a gente tá bem ocupada mesmo.

Olha que é a Suíça, hein?

♪ tensão ♪

- Passar bem, então. [juntas] Pode passar, uai.

- Toca. [motor liga]

Ele foi grosso com ocê, né?

Foi. Um pouquin só.

[Chico] Mas as coisas às veiz são compricada.

E eu não tinha ideia

do espinheiro que eu tava me metendo.

♪ divertida ♪

[inspira e expira]

Eu truxe uma goiaba procê.

[música para]

Óia, ficou bom, mas tenta acreditar mais.

Acreditar no quê, homi?

No que ocê quiser.

[Chico] Tá bão.

[expira]

Eu truxe uma goiaba procê.

Isso, maravioso!

Mas eu fiz inguarzinho.

Óia aqui, até meu dedo tá idêntico.

Sério? Pra mim mudou tudo. Faz de novo.

[inspira e expira]

Eu truxe uma goiaba procê.

[suspiro] Tava tão bom e agora perdeu alguma coisa.

- Mas eu fiz inguarzinho! - Não fez, não.

Fiz, sim. Ocê que não sabe de goiaba.

Fez, sim, começou catar e comer.

♪ romântica ♪

[Chico] Quando o ensaio dá errado,

é mió desistir da ideia pra não passar vexame.

[burburinho]

♪

[Chico] Mas a vida é compricada,

é ela que decide com quem nóis vai esbarrar.

[notas tensas]

[Rosinha arfa]

Ai, discurpa.

Discurpa, Rosinha.

Tô meio desastrado hoje.

Eu também tô meio desastrada.

[Rosinha hesita]

Ocê me ajuda com uma coisa?

Craro.

É que eu tô querendo falar uma coisa pra uma pessoa, mas…

eu não tô sabendo como. Ocê me ajuda?

Que coincidência, Rosinha.

Eu também queria falar uma coisa pra uma pessoa.

E quando eu quero falar uma coisa pra uma pessoa…

[expira]

Eu entrego uma goiaba pra ela.

[inspira]

[expira]

Eu truxe uma goiaba procê.

[cavalo relincha]

[crianças brincam distante]

Nossa, Chico! Brigada.

Uma ótima ideia!

Ocê é um gênio viu? Um gênio!

- Sou? [Rosinha assente]

♪

[Rosinha] Oi, Genésio.

Eu queria entregar essa goiaba procê.

Ah, brigado.

[Rosinha] Ocê gosta de goiaba?

[Genesinho] É a primeira vez que eu vou provar.

[Rosinha] Que legal!

Óia, primo, o que encontrei.

[Chico] Cê viu?

A Rosinha intregô a minha goiaba pro Genesin.

[Genesinho] Brigado, vou comer depois.

É, intregô.

Sabe que isso quer dizer?

Que ela não gosta de goiaba?

Ah, e cê tá pensando em alguma coisa, assim?

Um projeto?

É, pode ser um projeto--

Ô, Genesinho,

ocê pode devolver a goiaba da Rosinha pra Rosinha?

Óia, eu até poderia

mas ela tá tão pertinho da minha mochila.

Melhor guardar aqui mermo.

Surrupiador de goiaba!

Bota furada!

Mió ser um bota furada que andar inguar jegue de quermesse.

Me desculpa, má petit rosê,

mas é que esse ambiente tá tão mal frequentado.

Eu vou me retirar.

- Que que foi? [Rosinha] Ocê endoidou?

Nóis tava tentando descobrir o que Genesin tá aprontando.

Logo a goiaba mais bonita do pomar do Nhô Lau.

Para com isso, Chico.

Agora é do Genesinho!

Mas ocê disse pra eu entregar pra ele.

- Catei com tanto carinho. - Vamo embora, Rosinha.

♪ triste ♪

Que desperdício de goiaba.

Chico, como você errou? Era um coisa tão simples!

- Ocê fez tudo errado. [Zé da Roça] É.

Mas eu fiz tudo certo!

Ah, acertou bastante.

- Não, ele fez tudo errado, Zé. - É, errou muito.

Agora num pode intregar uma goiaba pruma pessoa?

Uma não, mas duas,

porque aí ela comia uma e dava a outra pro Genesinho.

E se ela entregasse as duas pro Genesinho?

Dava três.

Aí tava claro de vez que ela não gosta de goiaba.

Como? Como num gosta de uma goiaba?

- Num sei! - Ô, Chico, se acarma.

Nessas hora, ocê põe a cabeça no lugar,

se apruma, e sabe o que ocê faz agora?

- Sei! [Zé da Roça] Ai!

Cato minha goiaba de vorta!

Num vou nem perder meu tempo com ocê falando mais.

Quem tá comigo?

- [suspira] Eu não. - Nem eu.

- Eu! [Hiro e Zé da Roça] Zé!

Ah, eu num sou de recusar goiaba.

[buzina]

Ô, Genésio! Vamo, fi.

♪ tensão ♪

[Chico] É como diz o ditado:

"Por trás de toda coisa ruim sempre tem uma pior."

- Tamo atrasado, fio. Ô! [buzina]

[Chico] E por trás de todo Genesinho,

sempre tem um Dotô Agripino.

Vamo, fi!

Bora que tá na hora de fechar negócio.

♪

[pede silêncio]

♪

- Que isso? [Genesinho] Uma goiaba, pai.

Ganhei da Rosinha da escola. Ela é bem legar.

[Dotô Agripino] Que bão que ocê tá se enturmando

com o povo daqui.

Isso é muito bão pros negócio.

♪ tensão ♪

- Sobe! - Agora não esquece, hein?

Aqui nóis não temo amigo,

nóis temo cliente.

O senhor pode ficar tranquilo

que eu tô me enturmando profissionarmente.

[Chico] Agacha, homi.

Agora ocê me ajuda.

♪

[música para]

- Que que é isso? - Ocê num disse pra eu te ajudar?

Vai, homi, num fica parado aí olhando, não.

♪ tensão ♪

[riso] [Genesinho] …a Vila Abobrinha.

♪

[Dotô Agripino] É isso, aqui nóis não temos amigo,

- nóis temo… - Cliente.

[Dotô Agripino ri]

[motor liga]

[buzina] [risada]

♪ tensão ♪

Pai, a buraquinho aumentou!

Onde o povo vê buraco,

eu vejo oportunidade. [ri]

♪

[líquido despejando] [buzina]

[música suaviza]

[Dotô Agripino grita]

[latidos]

[Dotô Agripino] Ora, ora, ora.

É hoje que nóis fecha negócio, Nhô Lau.

- É… [Dotô Agripino] É.

Eu não sei, Dotô Agripino.

Nóis já se acostumou com esse caminho de chão

que passa aqui por detrás da popriedade mermo.

Essa estradinha ultrapassada?

Nóis vamo organizar a vila, homi!

Qual que é a vantagem disso?

Qual que é a vantagem. Qual que é a vantagem.

Tô te dando a oportunidade

de juntar todas as terra da Vila Abobrinha

numa única malha viária totalmente asfartada.

- A Agripino Road! [risada]

Isso aí nóis já entendeu,

mas é que essas asfartada que ocês querem daqui

vai sair caro pra nóis.

♪ tensão ♪

E quanto é que custa uma passagem pro futuro?

Hein?

[suspiro]

- É o quê, dois cabrito? - Deixa de pão duragem, homi.

Quantos "não" ocê vai dizer pra ter uma vida mió?

[Nhô Lau] Tem três, que é…

[Zé Lelé grita] Que que isso? [pede silêncio]

[nojo]

Ocê vai me desculpar, dotô,

mas eu num tô vendo sentido de passar a estrada aqui, não,

inda mais dirrubar a goiabeira.

[susto] [notas tensas]

Bem que o Leocádio falou que ele era meio devagar, né?

Rearmente.

Ele demora pra entender as coisas.

- O Leocádio falou isso, é? - Mas falou pro seu bem,

ele não quer ver o amigo ficando pra trás.

E que mais que o Leocádio falou?

[Dotô Agripino] Bobaiada.

Tô aqui pra falar de coisa boa,

de agriculturificação, de programa aéreo espacial,

de impressora 3D.

Agora, cê ficar falando goiaba, goiaba, goia…

Ocê é contra o progresso?

Ô, contra o progresso eu num sou, não.

Porque eu tô vendo progresso, eu vim bater na sua porta.

Toc, toc, toc.

Depois de viajar por uma estrada lisinha,

pegar os fruto do seu pomar

e levar até as principais mercearia do mundo!

Mas num tô intendendo porque tem que dirrubar a goiabeira.

Por que que não passa estrada aqui, adetrás aqui, ó?

E eu vou perder a oportunidade de fazer uma estrada moderna?

Com umas curva elegante,

pista dupla,

para poder ultrapassar até nas curva.

É só derrubar essa goiabeira,

porque a curvatura é a alma da estrada.

[grunhido]

Ô, dotô.

O senhor vai me discurpar, mas eu não tenho intenção

de dirrubar minha goiabeira mermo não, viu?

O senhor…

faz o favor.

♪ tensão ♪

Então, ultrapassado vai ficar ocê.

Prefere ficar agarrado nessa goiabeira…

[notas tensas] [gemido]

[Chico geme]

…do que se conectar com o resto do mundo.

Mas se preferir a goiabeira,

eu faço questão pessoalmente de garantir

que o senhor nunca vai pisar na Agripino Road

ou em qualquer lugar aqui da Vila Abobrinha.

E pode se preparar para almoçar e jantar goiaba todo santo dia.

Pra nóis ninguém oferece isso.

♪ tensão ♪

[canto de ave]

Nesse caso, eu prefiro o resto do mundo.

Ah, que foi uma bela decisão!

Genésio, pode preparar tudo

que nóis vamo derrubar essa goiabeira

e começar a construir aqui

o primeiro caminho da Vila Abobrinha

rumo ao amanhã.

Vamo derrubar a goiabeira!

[gritando] Não!

♪ divertida ♪

[grito]

- É fio teu? [Chico grita]

Não, isso é uma praga aí do pomar.

[Chico] Não!

[latidos]

Para esse absurdo!

[latidos]

[grunhidos de esforço]

Gente, ocês endoidou?

Tanto lugar pra passar essa estrada.

Óia ali. Ali. Tem mais espaço pra lá.

Mais lá na frente.

Ali também tem.

Lá na frentona.

Mas não, né?

Precisa passar justo em cima da goiabeira?

Culpa da goiabeira que tá no meio da nossa estrada.

Mas aqui não vai passar nenhuma estrada.

Chico, acho que você não tá se escutando.

Você não pode ser contra esse sonho.

A Vila Abobrinha unida em torno de um caminho de asfarto,

que sai das terras do Nhô Lau,

faz a vorta na sua casa,

corta pelos da roça, passando na casa da Rosinha,

faz a curva no Ribeirão,

vorta pelo Hiro,

atravessa a casa da Tábata,

dobra ali no Lelé,

vem pela escola,

cruza a mercearia e a rádio,

pra finarmente chegar nas fazendas do meu pai.

Mas na minha goiabeira não vai passar!

[Nhô Lau] Chico, só lembrando que a sua goiabeira

na verdade é minha.

Mais ou menos.

Muito obrigado pelos conselho, praga,

mas ocê tá atrapalhando aqui a negociação.

Isso aqui é papo de adulto.

Ó, adurto.

[Nhô Lau] Ô, Chico.

Eu tô achando mió ocê ir.

É, xispa!

Por mim, Nhô Lau, nossa amizade acaba por aqui.

♪ triste ♪

[Zé Lelé grunhe]

[grunhidos] [Nhô Lau resmunga]

Eita!

♪

[gritando] Tá tudo errado!

[Chico] Meu mundo se partiu inguar goiaba caindo no chão.

[Chico grita] Para o mundo que eu quero descer!

[Chico] Que mundo é esse que troca goiaba por asfarto?

Mas eu não ia deixar nenhum dotô derrubar a minha goiabeira.

Ou eu não me chamo Francisco Bento.

[relincho]

[Chico grita]

E se a gente seguisse ele?

Como nóis vai seguir arguém que anda de lancha por aí?

Nadando!

E se a gente simplesmente chegasse pro Genésio e falasse:

"Genesinho, por que suas botas estavam sujas?"

Tábata.

Nóis já tentou isso,

só que o Chico atrapaiô tudo.

[estalo de boca] Verdade, né?

[gritando] Tá tudo errado!

Para o mundo que eu quero descer!

Inclusive a voz dele tá na minha cabeça até agora.

- Que desaforado! [Chico] Rosinha!

Você tava…

[gritos] [baque no chão]

[voz abafada] …certa.

Ô, Chico, que que ocê tá fazendo aqui?

[Zé Lelé ofegante] A gente…

[ofegante] …tava ali, aí a goiaba…

- Carma! - O Dotô e o Nhô Lau…

- Aí a goiaba… [cuspe]

[risada]

Ô, primo, eu sei que cê tava com fome,

mas não precisava comer terra.

O Dotô Agripino e o Genesinho tão fazendo uma estrada

e vai derrubar a goiabeira do Nhô Lau!

- [juntas] Sabia! - Sabia!

[canto de pássaros]

Num sabia não.

Por onde mais vai passar essas estrada?

Não importa, no Nhô Lau que não vai.

Importa! Primeiro eles derrubam as árvre pra fazer estrada,

mas ninguém se importa porque nóis não somo árvre,

depois eles levam os bicho,

mas ninguém se importa, porque nóis não somo bicho.

Somos, sim. Mamíferos.

É, tá vendo? Mamíferos.

[Zé Lelé] É, mas quem tem lancha não precisa de estrada.

[Tábata] Mas por onde ela vai passar

e por que tão construindo ela?

E se a gente descobrir e fazer um mapa?

- Boa! [Zé Lelé] É, mapa é bão.

Pó parar, Rosinha. Ocê acha que um mapa vai parar um trator?

Ô, Chico, eu só tava levantando ideia.

Ocês quer ideia? Vou dar ideia.

É só nóis sair daqui e contar pro povo da vila

que vai cortar a goiabeira pra construir uma estrada,

aí todo mundo vai dar razão pra nóis.

[muxoxos]

♪ aventura ♪

Mas quantas pista vai ter essa estrada aí?

Umas cinco, quatro, por aí.

Óia que coisa boa! Mais o acostamento ainda?

Num vai ser bão pra goiabeira, num é bão!

[homem] Vai ser bom que vai sair carregamento de goiaba todo dia,

é o progresso que vai trazer essa estrada.

- Mas é a goiabeira do Nhô Lau! [mulher] Mas é só uma árvore!

[Chico] Só uma árvore, pai? Que só uma árvore!

Ocê tá se importando com a estrada,

nóis tem que se importar com os bicho,

com os porco, com os calango, com os passarim,

porque nóis não somos mamíferos, nóis somos o porco.

- Carma, Chico Bento. Ô, Cotinha! - Oi, amor.

Óia, iscuta o que as crianças tão dizendo,

de que o Dotô Agripino vai construir uma estrada

que vai ser bom até pro transporte dos porco, Cotinha!

[Cotinha] Maravia, Bento! Imagina só

a Agripino Road passando aqui na frente!

Mas num foi isso que nóis disse.

- Que coração enorme! - Homi bão.

Que homi bão!

[Tábata] A gente tava até calmo e tivemos uma ideia,

só que ninguém deu razão pra gente

e agora a gente tá preocupado porque vão derrubar a goiabeira…

[expira] Ai, pera. Cansei.

Mas tem que passar

justo por cima da goiabeira do Nhô Lau?

- Por quê? É melhor? - Pra goiabeira né mió, não.

[Rosinha] Estranho.

O Nhô Lau tem tanto espaço, né?

Era só desviá um pouquinho.

A goiabeira num tá num lugar tão importante assim.

[Chico] O quê? A goiabeira num é importante?

- [Rosinha] Não, Chico-- - Como num é importante?

É de lá que vem as mió goiaba do Brasil!

Do Brasil, não do mundo!

- Chico, não é-- - Da América Latina!

- Não é isso. - Mas ninguém faz nada!

- Me escuta! [Chico] Nada!

[Chico grita]

Acha que ele tá bravo?

[grito distante]

♪ tensão ♪

♪ comovente ♪

[ventania]

Como pode?

Vão destruir ocê pra construir uma estrada.

E vai comer o quê, asfarto?

Mas nóis vai virar esse jogo.

- Ou não me chamo… [Rosinha] Chico.

Uai!

[Rosinha] Não, Chico. Aqui, ó.

[ventania]

Oi, Rosinha.

[ventania continua]

♪ suave ♪

♪

Óia,

discurpa atrapaiá sua conversa com a fruta,

mas é que eu tava meio preocupada cum ocê.

Mas não precisa preocupar.

- Eu tô ótimo. - Como ocê tá ótimo?

Tá todo estrubufado aí.

Parece que até viu assombração.

Mas eu num tenho medo de assombração.

Tem, sim, porque todo mundo tem medo de assombração.

- Mas eu num tenho. - Mas todo mundo tem.

Todo mundo tem?

Ih, que que foi?

♪ sombria ♪

[Zé da Roça] Se tivesse cabeça era mió.

[Hiro] Sou uma mula sem cabeça, é óbvio, não pode ter cabeça.

Tá ao contrário, né!

- Onde encaixo os braço? [Rosinha] Num tem braço.

O braço da mula é a perna.

Essa fantasia é só de perna.

[todos] Ah!

[rugido]

Ai, que susto.

Tá vendo esse buraco da cabeça?

É no pé!

[Hiro] Ô, Chico, ocê não reclama

porque ocê que criou as fantasia.

[Tábata] Vamo ajudar.

Não, essa parte aqui não precisa ajudar, nóis consegue.

Ô, Chico, ocê tem certeza que num posso ser o lobisomem?

Tenho.

[Zé Lelé] Ô, Chico.

Eu tava pensando e eu vi que eu uivo mió que ocê.

Eu num tenho problema ortopédico.

O pé do Curupira é pra trás, o meu é só meio abertinho assim.

- Eu uivo mió. - Eu uivo mió.

- Eu uivo mió. - Eu uivo mió.

- Eu que uivo mió! - Eu que uivo mió!

- Eu que uivo mió! - Eu uivo mió!

- Então uiva! - Ocê num manda em mim.

[todos] Chega!

Discurpa.

Carma, gente!

Vamo também. Eu tô com pressa.

Um tempão esperando ocês.

Ah, é!

Liga a luz, Hiro.

Vamo, vai.

[Rosinha] Eu ajudo ocê. Vem, gente.

Eu ajudo ocê. Passa a cabeça.

[Tábata] Vem!

[Hiro] Num tô vendo nada! [Tábata] Vem logo!

Ai, meu Deus!

Hiro, sai daí!

[porta abrindo]

[cricrilar de grilos]

[ronco]

[pede silêncio]

[ronco continua]

[pede silêncio]

♪ tensão ♪

[ronco continua]

O Nhô Lau dormindo é um anjo.

[Zé Lelé] É mermo.

[todos] É mesmo.

- [Tábata] Bora. - Bora.

Zé! Curupira!

Agora, sim! Bora.

♪

[ronco]

♪ sombria ♪

[pedem silêncio]

[ronco]

[Nhô Lau] Larga, larga.

Larga das minhas goiaba, Chico Bento.

[ronco]

[todos] Nós somos os encantados

- que vieram te assombrar! - Sai da minha casa!

[todos] Se você derrubar a goiabeira

- nós vamos te pegar! [Nhô Lau arfa de medo]

[risadas e som de assombração]

[Nhô Lau grita] Me deixa em paz! Eu tenho muito medo.

[uivo]

Curupira uivando?

♪ tensão ♪

- Eu pego ocês! [crianças gritam]

[gritos] [Nhô Lau] Xispa, muleque!

Se manda daqui, seu muleque!

[crianças continuam a gritar]

[gritando] Ocês nunca mais vorta aqui!

Seus arruaceiro!

[ofego]

Ô, Zé, por que ocê foi uivá? Ocê estragou tudo!

O lobo é meu animal interior.

- Ocê não é um lobo. - Eu sou.

- [Chico] Num é. - Eu sou.

- Ocê só pensa, mas ocê não é. - Eu sou um lobo!

[Chico] Ocê não é um lobo! [rugido]

[uivado]

[Vó Dita] Quem tá aí?

[gemido]

É nóis, vó.

Óia! Tava bom a festa à fantasia?

[juntos] Mái ou meno!

Que susto, vó! Eu pensei que fosse uma assombração.

Ai, um Curupira com medo de assombração? [ri]

Uai, eu sou um lobisomem, vó.

Ocê fugindo tava mais é prum cachorrinho assustado.

[risadas]

[Vó Dita] É, vamo aproveitar e comer doce de goiaba

enquanto nóis pode, né?

Ô dó! Arrancar aquela goiabeira!

[Chico] Se depender de mim,

ninguém encosta um dedo na goiabeira!

[Vó Dita ri]

Ocê é inguarzinho que eu quando eu tinha sua idade.

- Um falso lobisomem? [Vó Dita] Não!

Eu fazia de um tudo pra defender as mata, os rio, os bicho.

E deu certo, vó?

[Vó Dita] Deu nada.

Desde que eu me entendo por gente

que eu só vejo o homi falando em arrancar árvre.

A natureza fala,

mas o homi precisa aprender a escutar.

Mas eu vou dar um jeito, vó.

Ocê vai dar um jeito?

Seus prano só deu errado.

[Vó Dita] Ói, Chico,

num dá pra resolver um problema que atrapaia todo mundo

se ninguém escuta ninguém.

Eu quando tinha a idade docês,

o povo ficava falando que a natureza era atraso,

que o progresso era arrancar árvre.

[exclama] Eu tinha que é pra mim que isso tinha mudado.

Agora ocê vê,

as pessoa continua prometendo o futuro

com as mesma ladainha do passado.

[Zé Lelé] É mió nós desistir

pra ir pra casa dormir no quentinho.

[Vó Dita] Não! Nóis tem que persistir!

Água mole em pedra dura tanto bate inté que fura.

[Chico] Sabe quando ocê acha que entendeu as coisa,

mas depois ocê entende

que não entendeu o que ocê tinha entendido?

Mái nessa hora, eu tava tão desesperado

que eu resorvi adentrar o território do inimigo.

[Chico] Onti eu escutei minha vó e entendi tudo.

E o que ela disse pra nós é inguar água.

[Hiro] Ô, Chico, mas o corpo humano já é 70% água.

Então falta pouco, né, gente?

[Chico] Não, pessoar! O que a água faz?

- Ela moia? [todos] É.

Não, ela tanto moia até que fura.

Não era tanto bate até que fura?

Isso! E o que nóis faz?

Nóis moia as máquina do Dotô Agripino?

[Chico] Não!

Bate nas máquina do Dotô Agripino?

Não.

Nóis fura os pneu da máquina do Dotô Agripino?

Não! É pra nóis persistir, homi!

- Ah, tá! [todos] Ah!

Isvaziá os pneu do Dotô Agripino.

[muxoxos]

Vamo, gente! Mapa não para trator, não.

Pneu murcho, sim.

Sua vó que me perdoe, mas não vou esvaziar pneu nenhum.

É só encher de novo.

Sua vó que me perdoe,

depois eu não vou encher pneu nenhum, não.

[Rosinha] Ô, gente,

e se nóis só entrasse e investigasse?

Tem certeza? Né mió só moiar?

- Não. [Tábata] Chico.

Chega! Ninguém vai. Né, gente?

[todos] É.

[Tábata] Bora. [Chico] Gente!

Não, vamo lá! Por que ocês vai perder essa oportunidade?

Vamo!

Vamo parar o trator do Dotô Agripino!

♪ aventura ♪

[latido]

[rosnado]

Vem, gente! Eu tenho um lugar esconderijo, vem!

Depressa, vamo! Vamo!

♪

[música suaviza]

[pede silêncio]

Chico.

Chico.

♪ tensão ♪

Chico. Ô, Chico. Vem aqui.

[Chico] Mas o que nóis não sabia

é que enquanto nóis tava tentando sarvar a goiabeira,

nossos pai tava caindo no conto do Dotô Agripino.

Bão, sem me alongar muito, sem muito rodeio,

queria agradecer a presença de todos na nossa casa

e também aproveitar pra falar procês

que o nosso sonho vai virar realidade.

Agripino Road!

[grita] Road! [susto]

Um sonho que vocês todos sonha,

que é um sonho feito de asfarto.

♪ tensão ♪

♪

[batidas e grunhidos de esforço]

[ruídos metálicos]

Ah!

♪

♪

[Dotô Agripino] Nóis vamo inaugurar em Vila Abobrinha

uma estrada de três pista

com aquelas curva linda que vai direto até os Bento.

[ri] [Tunico] Num falei, Cotinha?

- Não! [Cotinha] Ai, meu Deus!

[mulher] Não tá na hora!

Dos Bento vai cortar aqui pros Da Roça.

- Faz favor. [mulher] Ô, Dotô Agripino,

nóis somo Oliveira.

[homem] Mas tá tudo bem,

hoje pode chamar de Da Roça mermo, sem problema.

Depois a estrada segue até os Rodrigues.

- [mulher] Vai cuidar da diabete. - Gradicido.

A diabete, amor.

[Dotô Agripino] E agora a estrada vai dar um estirão

que passa lá no Ribeirão

e dá uma vorta até a terra do Suzuki. [ri]

♪ tensão ♪

[homem] Dotô Agripino, desculpe, mas eu tenho um protesto.

- Amor, por favor! - Ou eu tô invisível

ou o moço da bandeja tá me ignorando.

Bem que o Nhô Lau me falou que o sinhor é meio afobado.

- Ele falou isso? - Mas falou pro seu bem.

[ri] [Dotô Agripino] Não queria

que o amigo ficasse por fora do negócio da estrada.

[mulher] É, o Leocádio num é homi de perder oportunidade.

É, num sou mesmo.

Inclusive, todo mundo aqui sabe

que a pessoa mais esperta da Vila Abobrinha sou eu.

Dá pra ver.

[Leocádio] Mas eu não consigo pensar sem comer.

E tem dez minuto que num penso porque ele não me dá docin.

Então pede pra ele dar docinho pra eu poder voltar a pensar.

Moro do lado do Bento e não comi nada.

Carma!

Tem doce pra todo mundo.

[suspiro aliviado]

♪ tensão ♪

♪

♪

Eita!

Eita!

[todos] Eita!

♪

Vai dar tudo errado.

- Ô, Zé, você é muito pessimista. [animado] Vai dar tudo errado!

Isso, pensamento positivo! Gostei de ver.

♪ tensão ♪

♪

[Chico] Ô, gente.

O que nós vai fazer pra isvaziá esse trem?

[ar escapando]

É inguar bicicreta, né, gente?

Shiu! Com esse barulho todo o Dotô Agripino vai aparecer.

- [Chico] Coragi, homi! - Cês faz o favor de me ajudar,

é muito pneu, não vou conseguir desincher sozinho.

[Tábata] Nossa, calma.

♪

[ar escapando]

[música suaviza]

[gotejo]

♪ tensão ♪

♪

♪

[gotejo]

♪

[ar escapando]

Eu não sabia que cabia tanto ar dentro de um pneu.

[pede silêncio] O Dotô vai ouvir!

Não é melhor só colar logo esse pneu no chão?

Não é mió a gente fugir?

- Por que a gente só não moia? - Esquece essa história!

Discurpa.

Gente, achei um negócio muito importante.

Ocês precisa vir comigo, é sério.

Ô, Rosinha, ocê tá atrapaiando aqui!

Ô, Chico, ocê não tá escutando, não?

O Dotô acertou seu ouvido, foi?

Eu falei que achei um negócio!

[Chico] Ele não acertou nada!

- Acertou, sim! - Não acertou!

[gritaria]

[gritaria continua]

[bocejo]

A estrada então segue até os Almeida, não é?

E finarmente, chega na terra dos Eleutérios.

[risada]

Chegou! Chegou.

[Tunico] Tá bão, cara, muito bão.

Amor, eu quero!

[Tunico] Quer saber o que é bão mermo?

É que essa estrada vai poder fazer que nós fique

bem pertinho um do outro, né, Cotinha?

- Isso vai ser bom! [Genesinho] Ei, parou, parou.

A distância entre as casas vai se manter a mesma.

- Orgulho. [risada] [burburinho]

[mulher] Então pra que asfarto, gente?

- Não! Não faz sentido isso, não! [burburinho]

- [burburinho continua] - Menos lama, menos poeira!

[gritaria]

Chico, se ocê quiser me ouvir, eu vou tá ali.

[gritaria continua]

[botão liga]

[motor liga]

[gritaria continua]

[Zé Lelé] Parem de brigar!

Problema resorvido!

[bipes eletrônicos]

[Rosinha] O que que você fez, homi?

O que que cê arrumou?

Eu sarvei o dia mais uma vez.

- Que salvou! - Zé! Desliga isso agora.

Ninguém valoriza meu trabaio.

[sirene]

[sirene distante]

[todos] Que isso?

[burburinho]

- Corre! [crianças gritam]

[sirene continua]

♪ aventura ♪

[Chico] Corre! [latido]

♪

[música suaviza]

- Ai, Zé! - Carma!

Nossa, meu topete!

Ô, Chico Bento!

Pai? Mãe?

- O que ocê tá fazendo aqui? [burburinho]

[estalo de beijo] [burburinho continua]

- [burburinho continua] - Dá licença.

[mulher] Eita!

[homem] Ô fio, que cês tão fazendo aqui?

- Viemo isvaziá os pneu do-- [Rosinha] Shiu!

Que que ocês tão fazendo aqui?

Tá tudo muito craro. Nós, adurto, tamo fazendo negócio.

E as criança vieram causar prejuízo.

É isso, filho. É isso.

A gente tenta trazer o progresso e a cultura pra Vila Abobrinha,

mas é isso que a gente recebe de vorta!

Ô, seu dotô, primeiro, cê se meteu com a minha goiabeira!

Agora tem que se meter com minha família?

O quê? Carma. Carma, Chico. Carma, Chico Bento,

que nós viemos por livre e espontânea convocação

- do Dotô Agripino. Né, Dotô? - É.

- E ocês deve discurpa pro Dotô! - Discurpa, Dotô Agripino.

E pra mim também.

Discurpa, fio do Dotô também.

Discurpa?

Não é possíver que ocês vão cair nessa, pessoar.

Rosinha, ocê tem que entender que por onde a estrada passar,

o progresso vai junto!

[todos os pais] É!

O Nhô Lau tá pondo nas terra dele, o Nhô Bento também,

até o Leocádio, minha fia!

[todos os pais] É!

Porque se num passar nas nossas terra, nóis vai ficar pra trás.

[todos os pais] É!

E pra trás nóis num vamo ficar!

[todos os pais] É!

E tem mais!

Um homem que serve uns quitute desse

é impossível te fazer mal a alguém.

É…

Chico, você não pode ser contra esse sonho,

um caminho asfartado que junta toda a vila,

que sai das terras do Nhô Lau,

faz a vorta na sua casa

corta pelos Da Roça, passando na casa da Rosinha,

faz a curva no Ribeirão, vorta pelo Hiro,

atravessa a casa da Tábata, dobra no Lelé, vem pela escola,

usa a mercearia e a rádio,

pra finarmente chegar nas fazendas do meu pai.

Ô, Genesinho, ocê pode passar essa estrada por onde quiser,

mas deixa minha goiabeira em paz.

A Vila Abobrinha não é nada sem a goiabeira.

[risadas]

[risadas] [Genesinho] Ai, ai, ai!

[Dotô Agripino] Toda essa baderna

por causa duma goiabeira.

- Eu adoro criança, adoro. [risadas]

Ocês tão rindo do quê?

- Da cara docês, ué. - Brigado, pai.

Não vi graça nisso.

Filha, agora não é hora. Vai para casa. Depois a gente…

- Ah, mas-- - Vai, filha, escuta sua mãe.

- [burburinho] - Por favor!

[burburinho] [Rosinha] Nóis num fez nada!

[burburinho]

A gente não fez nada! Mãe, eu não fiz nada!

[burburinho continua]

Que decepção, Chico Bento! Que decepção.

Ocês também depcionaram a gente.

Nóis vamo começar é amanhã!

[burburinho]

[Chico] Sabe aquela sensação de meter o pé no brejo

e num ter o que fazer?

♪ triste ♪

E quanto mais ocê tenta puxar o pé, mais ocê afunda.

♪

A gente tentou fazer o certo,

mas deu tudo muito errado.

- [Chico] E se nós ir-- - Chico.

Chega!

♪

Ocê não entendeu que já deu tudo errado? Para de dar ideia.

- Mas, Rosinha… [Rosinha] "Mas" nada!

É mió nem conversá com gente que não sabe escutar.

[Hiro] Isso aí.

♪

[Chico] Isso eu precisava iscutá.

♪

♪

♪

[batimento cardíaco]

♪

♪

♪

[Chico] Talvez eu tivesse mermo com a cabeça dura,

com os ouvido entupido

e isso só me trouxe um coração esfarelado.

♪

Nesse momento, tudo que eu precisava

era falar com alguém que me entendia de verdade.

[ventania]

♪

♪

♪

[música suaviza]

[choro] Ocê sabe, né,

que você é minha mió amiga.

E quando eu mais precisei docê, ocê me estendeu uma goiaba.

[voz embargada] E agora,

que ocê precisa de mim, eu num posso te ajudar.

[choro]

♪ comovente ♪

[ventania]

♪

[ventania continua]

♪

[ventania continua]

[música intensifica]

♪

♪

[grunhidos de esforço]

[grunhidos de esforço]

[Chico grita]

[baque no chão]

[música suaviza]

[grunhidos confusos]

[gotejo]

[homem] Psiu! [grunhido confuso]

[gotejo]

[gotejo intensifica]

[gotejo continua]

[gotejo continua]

[mulher] Chico?

Tem alguém aí?

[voz ecoa] [risada]

Eu não tô achando nenhuma graça.

[gotejo continua]

[água corrente]

[mulher] Oi, Chico. [Chico] Oi!

[mulher] Aqui, ó. [Chico] Para com isso!

[mulher] Psiu!

- Tem alguém aqui? [mulher] Eu.

[Chico] Eu quem? [mulher] Eu.

[mulher] Aqui, Chico. [Chico] Na onde?

Bem de trás docê.

♪ tensão ♪

♪

[risada]

[música suaviza]

Oi, Chico!

Ocê conhece eu?

Óia, óia.

Hum!

Ocê é aquela senhora

que uma vez eu sujei as roupas do varal?

Se for, me discurpe,

mas também a curpa não é minha, não,

a curpa é do lençol

que é branquin dimái e é facin de sujar.

Não, Chico.

Eu produzo as goiaba que ocê come.

♪ divertida ♪

Cê tá bonito dimái, Nhô Lau!

Não, Chico!

Chico,

óia pra mim.

Óia direito. Ó.

[ventania] [riso leve]

♪ emocionante ♪

Aqui.

Ói eu.

[ventania]

[risada]

[risada emocionada]

♪

[riso leve]

♪

Me discurpa.

Eu falhei com ocê, Dona Goiabeira.

Ocê não falhou, Chico.

Ocê tentou

e é disso que nóis precisa.

Ocê deu o seu mió.

Mas o meu mió foi pior pra todo mundo.

Primeiro:

Ocê vai ser cortada. Discurpa.

Segundo: Meus amigo tá tudo de castigo.

Terceiro: O Genesinho vai virar o Barão do Asfarto.

Mas enfim…

Ser gente é complicado dimái.

Eu queria ser natureza inguar ocê.

Mas ocê é natureza, Chico.

Ocê é natureza ingual eu.

[Chico] Não, ocê não entendeu.

Eu tô querendo dizer tipo uma frumiga,

uma árvre

ou um passarinho.

♪

Ah!

Tá bão.

[zumbido de voo]

[estrondo] [Chico grita]

[Chico] Pelos bicho da goiaba!

[Goiabeira] Ocê não queria isso?

- Isso o quê? - Ser frumiga.

Porque é mais fácil que ser humano,

- porque não tem… [mastigação]

Ô, Chico!

Discurpa, é porque tá docinho demais.

Óia, Chico, isso aqui é o dia a dia de uma frumiga.

Óia que facinho.

Bora catá esse goiabão, bora, frumigaiada!

♪ divertida ♪

[grunhido de esforço] [assovio]

[grunhido de esforço] Nonde ocê tá indo?

- [Goiabeira] Ô, Chico. - Nonde cê tá indo?

- Num dou conta disso não. - Chico.

- Vorta, tá difícil! - Ô, Chico.

- Vem cá! - É que uma frumiga sozinha

- consegue fazer nada, não. - Eu sei!

Mas elas não me escuta! Óia lá: Vem!

[Goiabeira] Eu acho que é ocê que não tá iscutando elas.

- Que ocê falou? - Ocê não tá iscutando elas.

- Iscuto, sim. - Iscuta nada.

- Iscuto! - Num tá iscutando, Chico!

E o que ocê sabe de iscutá?

Árvore nem tem oreia.

Já viu uma árvore com orelha?

Não! Num tem.

E quer saber? Ocês tão certas. Árvore não precisa de iscutá,

num precisa falar com ninguém

e só fica plantada no meio do nada, de boa.

Ah…

Tá bão.

[grunhido]

[ventania]

[canto de passarinhos]

[canto de passarinhos]

[Chico] Já tô ligado nocê, viu?

Já percebi! É só falar uma coisa que ocê me transforma na coisa.

[Goiabeira] Não era isso que ocê queria?

Ficar aqui, parado, de boa.

[Chico] É. [Goiabeira] Então…

é isso.

[canto de passarinhos]

[latidos]

[Chico] Sai! Sai! [fungadas]

[fungadas]

[Chico] Xispa, Foguete! Em mim não, vai nela!

Em mim não!

[latidos]

[Goiabeira] Acontece.

[Chico] Ô, Dona Goiabeira.

Sabe como é que é, né, bateu uma fominha aqui.

A senhora, por gentileza, podia me dar uma goiabinha?

[Goiabeira assente] Pois não.

[baque] [Chico] Brigado.

E agora?

[Goiabeira] Agora ocê só precisa esperar.

Esperar uns dois meses até ela se decompor,

até absorver,

aí cas suas raízes, ocê vai lá--

[Chico] Eita! Até lá eu já estribuchei de fome.

[Goiabeira] Viu só, Chico?

E ocê achando que nóis tava parado sem fazê nada.

Na verdade, nóis aqui tá tudo trocando,

o tempo todo.

Uma vai lá, coloca a raiz na água,

aí faz um fruto,

que cai na terra e a outra come.

Nóis coopera uma cas outra,

que aí todo mundo ganha.

Craro que tem sempre umas que chega pra atrapaiar,

que pra crescer precisa tomar das outra,

mas aí é o que ocês chama de praga.

[Chico] Não sei ocês árvore aí,

mas eu chamo de Genesinho.

[Goiabeira] É assim que a natureza funciona,

uns depende dos outros.

[Chico] Tendi.

Por exemplo, eu em dia de prova dependo do Zé da Roça.

[Goiabeira] Não, Chico.

Não é disso que eu tava falando.

O que eu tô tentando te dizê

é que tá todo mundo trocando

o tempo todo uns com os outros,

seja uma formiga que tá dentro da terra,

ou uma árvre, que junta a terra no céu,

ou um pássaro, que vive voando--

Cê tá cheia das artimanha, hein?

Viu só, Chico?

A gente precisa ver as coisas

tudo de lugar diferente o tempo todo,

que assim a gente consegue intendê elas mió!

Por isso que é bom iscutá todo mundo.

É bom ver por baixo, pelos lado, ver de cima!

Ô, Dona Goiabeira, espera eu!

[gemido]

Espera eu!

Tá com medo de quê?

[Chico] De voar, uai!

Eu não sei voar!

Se sorta, Chico.

Canta! Voa!

Voa que agora ocê é pássaro!

Eu sei voar!

Quem é o passarinho mais bonitinho?

- [cantando] -Sou, sou, sou eu! - Chico.

[Chico] Quem é o passarinho mais bonitinho?

[Goiabeira] Ô, Chico! [cantando] -Sou, sou, sou eu!

- Quem é-- [grita] Chico!

[gagueja] É que é mió, assim, ocê…

só… só voar mermo.

Discurpa.

♪ animada ♪

Dona Goiabeira! Óia lá, é minha casa!

♪

Chico, ocê só fica de olho que ocê tá voando rápido demais!

Ó lá, a casa da Rosinha!

♪

A mercearia!

A escola!

A casa do Hiro!

A casa do Zé da Ro…

…ça.

Eita!

♪ tensão ♪

Chico!

[baque] [Chico geme de dor]

[música suaviza]

[ventania]

♪

Muito obrigado, obrigado, obrigado!

Muito obrigado, Dona Goiabeira!

Muito obrigado!

[estalo de beijo]

[canto de galo]

[Chico] Depois disso tudo, eu acordei com uma certeza:

Se eu contasse isso pra alguém, o povo ia achar que eu endoidei.

Tava tudo ali, na minha frente, mas eu não conseguia ver.

Porque pra ver, eu precisava ter escutado.

E eu não escutei.

[batida]

[Chico] Rosinha!

Psiu! Rosinha!

[janela abrindo]

[latidos distante]

[Rosinha] O que ocê tá fazendo aqui?

É por tua causa que eu tô de castigo.

- Bora salvar a Goiabeira! - Por mim, esse papo já deu.

Não quero mais saber de ocê, tchau!

Rosinha, ocê me discurpa?

Eu achava que ocê tava errada,

mas ocê tá certa.

E eu que não tava te escutando.

Vamo parar esse trator com um mapa?

♪ animada ♪

♪

[Zé Lelé geme]

[Rosinha] Aí depois…

♪

♪

[burburinho]

♪

[burburinho continua]

[Rosinha] Vamo, Zé!

♪

[burburinho suaviza]

[burburinho]

Eu não tô entendendo, gente! Fala um de cada vez.

- Pera aí. Silêncio! [burburinho suaviza]

Silêncio.

Explica um de cada vez.

[burburinho]

[hesita]

Pera aí!

[burburinho cessa]

Foi isso.

♪ suave ♪

Entendi.

♪ animada ♪

Tó pra você.

- Tó pra você. - Brigado.

E tó pra você. Não!

♪

♪

[música suaviza]

[ruído de motor]

[ruído de motor distante]

♪ tensão ♪

[ruído de motor]

♪

[ruído de motor continua]

♪

Ixi, num vai dar tempo.

Calma, homi!

Para esse trator e deixa o resto comigo.

Tá bão? Confia em mim.

♪ animada ♪

Vem, Zé, vem, vem, vem!

[ruído de motor]

♪

♪

♪

[risada]

♪

[grunhido]

Corre, corre, corre, corre!

♪

[ofegam]

- [Chico] Vamo, Zé! - Carma!

[radialista] Opa! O galo cantou, o sol reluziu

e ocê acordou na mior vila do Brasil!

Vila Abobrinha, nha, nha, nha, nha!

Estação da…

Que que eu falo? Com que voz?

[Hiro] Uma mais grave.

Como? [imita voz grave] Assim?

Não, muito forçada.

[voz aguda] Alô?

[radialista] Abóbora seca, 145.

E aqui você encontra notícias,

a previsão do tempo,

denúncias, recramações,

e o mior da moda de viola.

♪ animada ♪

[voz grave] Alô!

[radialista] Quem tá dormindo…

tá quase sentando pra levantar porque tá começando o…

- [batida] - "Fala Abobrinha".

[telefone chama] [radialista] Opa!

Chegou a hora do nosso momento…

telecomunicação, ção, ção, ção!

Não diga "alô", diga "fala abobrinha".

Fala abobrinha!

- [radialista] Quem fala? - A Ro--

- Rosimeire. - Rosimeire.

Seja bem-vinda, Rosimeire.

- Cê fala donde? - Falo do oreião mermo.

Maravilha. Um grande abraço pra toda comunidade de Oreião.

O que cê manda, Rosimeire?

Primeiramente, quero falar que sou muito sua fã.

Obrigado. Eu fico até lisonjenado.

E segundamente, te avisar

que o Nhô Lau está dando goiaba de graça.

[radialista] O Nhô Lau dando coisa de graça?

É, e é só ir lá pegar.

Repito: Nhô Lau tá dando goiaba de graça

e é só ir lá pegar!

Goiaba de graça?

Goiaba de graça?

[Hiro] Oxe!

[radialista] Goiaba de graça! Repito: Goiaba de graça!

O Nhô Lau tá…

Goiaba de graça!

[radialista] Goiaba de graça! É a Rosimeire! Rosimeire!

Gente, o mapa!

- Quê? - O mapa!

[radialista fala distante]

[estalo de beijo]

- Tchau. [estalo de beijo]

Brigado.

Toma, Tábata.

- Brigada. [Zé da Roça] Bora. Vem, vem!

[radialista] Nhô Lau enlouqueceu e tá distribuindo goiaba!

Óia, primo! Tão dando goiaba de graça!

Que que houve aí, meninos?

♪ animada ♪

O Nhô Lau tá dando goiaba de graça!

Vamo lá, vamo lá! Depressa!

Goiaba de graça? O Nhô Lau?

Ele endoidou!

[Chico] Vamo comer goiaba!

[homem] Coisa louca.

[radialista] É goiaba de graça no sítio do Nhô Lau!

Alô? Alô?

[radialista] Atenção, Vila Abobrinha,

o Nhô Lau tá distribuindo goiaba de graça!

Todos pro sítio do Nhô Lau!

É agora, goiaba de graça!

Não é maçã, não é melão, não é abacaxi,

é goiaba de graça!

♪ tensão ♪

♪

♪

♪

♪

[música suaviza]

[ruído de motor]

[roncos]

[ruído de motor]

[motor desliga]

[roncos]

[homem grita]

Ô! [palmas]

Ô, criançada! Psiu!

Ô, seus bicho da goiaba.

Cês pode sair da frente que nós vai derrubar tudo aqui!

- [bocejo] - Agora vai dar não.

Tá na hora do soninho, né, Zé?

É, o soninho da beleza.

Ô, criançada! Psiu!

Ocês tão pensando

que vão parar o trabalho de uma frota de trator?

Tamo?

Acho que tamo.

Que só duas criança, feinha que nem ocês…

Sozinhas, não.

Sozinha, não.

- [Tábata] Vamo lá! - Opa!

♪ animada ♪

[Tábata] Pega, Zé!

♪

[meninas] Oi, Chico, oi, Zé!

[Zé da Roça] Oi Zé! [Hiro] Oi, Chico!

[latidos]

Que quermesse é essa aqui no meu quintar?

Eles tão querendo parar o progresso, sinhor.

[burburinho]

♪

♪

[burburinho continua]

♪

Ô, ô!

Discurpa interromper o bate-boca docês, mas…

cadê as goiaba de graça?

[todos] É!

[burburinho]

Goiaba de graça?

E eu lá tenho fio grande pra ficar dando goiaba de graça?

Eu num sou tão devagar quanto cê anda falando por aí, não, viu?

Ocê que tá fazendo fofoca de mim falando que sou afobado.

- Eu? [Leocádio] É!

Leocádio, nóis não viemo aqui pra brigar,

nós viemos é pra comer!

[Leocádio] Comer goiaba! [todos] É!

[mulher] Comer goiaba!

Ah, de goiaba cês gosta, né?

Mas derrubar a goiabeira tudo bem procês?

Hiro San, nóis já falou disso, meu fio.

Pois é, as coisas são assim memo,

morre um árvore aqui, nasce um estrada acolá.

É, são as maravia da natureza.

- É, são os cicros. - Os cicros.

Fato é que a buraqueira tá ruim demais, gente!

Ói, nóis vai transportar um ovo, quando chega na mercearia,

já virou um caminhão de omelete!

Tem que asfartar!

Não tem como não asfartar isso, não, gente!

É. Bora comer essas goiaba e vamo voltar pra casa.

- Vamo, homi! [Tábata] Mas, gente,

precisa passar justo em cima da goiabeira?

[Chico] É, gente!

Escuta! Parece que cês tão cum o ouvido asfartado!

Num tem porque passar uma estrada aqui!

[palmas lentas]

♪ tensão ♪

[palmas lentas continuam]

[palmas lentas]

Chico Bento!

Quer dizer que o sinhô agora é engenheiro?

E eu não sou engenheiro, não, Dotô.

Então acredita no que nóis tamo fazendo!

É!

Nóis estudamos muito pra fazer esse projeto!

Uai, mas nóis também istuda!

[todos falam desanimados] É…

Pouco, mas nóis istuda, sim.

[todos] É.

Crionças,

ocês têm que aceitar o progresso.

Ocês têm que aceitar o asfarto dentro do coraçãozin docês, né?

- [burburinho] - É!

Não. Contra o progresso aqui ninguém é.

[Chico] Como alguém ia ser contra uma estrada que…

Como é mermo, Genésio?

Ô, Chico, já falei mil vezes!

Ocê não pode ser contra esse sonho:

A Vila Abobrinha unida com um caminho de asfarto,

que sai das terras do Nhô Lau,

faz a vorta na sua casa,

corta pelos Da Roça,

passando na casa da Rosinha,

faz a curva no Ribeirão,

vorta pelo Hiro,

atravessa a casa da Tábata,

dobra ali no Lelé,

vem pela escola,

cruza a mercearia e a rádio,

pra finarmente chegar nas fazendas do meu pai.

Nossa, mas que caminho bem feito,

Dotô Engenheiro Agripino.

Óia só, vai passar pela vila toda.

♪ tensão ♪

[burburinho]

[Tunico] Xô ver uma coisa. Dá licença aqui.

[burburinho continua]

Eita!

Pera aí, a estrada vai passar por cima do Ribeirão também?

Não, não, jamais!

Isso aí eu vou fazer uma rotatória

que vai circundar a nascente,

tem uma hora que vai subindo assim num aspirar de três andar,

de modo que se a água quiser subir,

nóis vamo ter finarmente

uma cachoeira totalmente canalizada.

É!

[Tunico] Tá esquisito isso, Cotinha, num tá?

Ó, vai passar até pela reserva ambiental?

[burburinho]

Não! Não! Ô! [ri]

Esse aí eu já planejei um viaduto assim,

de modo que se as arara quiser pra pegar ali pela floresta,

vai fazer em total segurança.

- Mas tá torto demais esse mapa. - Tá torto.

[Rosinha] Ô, Genesinho.

Mas precisa mesmo de tenta ida e vorta assim?

Claro que precisa.

Quanto mais ida, mais vorta!

E a gente ganha por metro de asfarto, né, pai?

[burburinhos indignados]

Genésio, Genésio!

Ocê ia dirrubar minha goiabeira

pra vender mais asfarto?

[Tunico] Ocê ia derrubar meu chiqueiro também?

A minha horta!

A nossa horta!

A nossa horta!

Ocê matou meu orquidário.

Não, ainda não passou, amor.

Tadinha das minhas plantinha orquídea.

Isso foi um orquidiocídio!

Carma, carma!

Quanto mais curva, mas bonito é o caminho.

Foi isso que o Genésio quis dizer. Não foi, fi?

Mais bonito e mais caro, ocê quis dizer, né?

E eu não vou pagar esse tanto de curva, não!

[todos] É!

[Nhô Lau] Ocê ia dirrubar minha goiabeira

pra vender mais asfarto!

Carma, carma, carma, carma.

É, sim, eu tinha muitas partes lá no estoque,

inclusive, eu posso fazer um desconto e…

Corre pra máquina!

♪ divertida ♪

[sirene de máquina]

[Dotô Agripino] Corre, fi!

Corre pra cá que nóis se encontra lá!

[ofega]

[Nhô Lau] Asfarto nas goiabeira dos otro é refresco!

[todos] É!

♪

[zumbido de voo]

♪ tensão ♪

[baque]

♪ divertida ♪

[todos] Ui!

[Dotô Agripino grita]

♪

[crianças fingem tossir]

É, parece que as crianças tavam certas.

[Seu Oliveira] Totarmente errada elas não tavam, não, né?

É, eles tinham um certa razão.

É compricado.

Eu acho que eu desconfiava. Num desconfiava não, Cotinha?

- Desconfiava não. - Ah, desconfiava não.

Ocês tudo não sabia de nada não.

Quem sarvou a goiabeira foi aqui, ó,

Chico Bento!

[todos comemoram]

Discurpa nóis num ter iscutado ocês, fio.

[Chico] Mas, na verdade,

isso tudo que se arresorveu

porque eu ouvi quem concordava comigo

e quem não concordava comigo.

E, principalmente,

a Rosinha!

[todos comemoram]

[Tunico] Então, viva Chico Bento!

Viva a Rosinha!

E viva todas as crianças da Vila Abobrinha!

[todos comemoram]

Mamãe te ama, fio! Mamãe te ama!

[aplausos]

♪ animada ♪

[música suaviza]

Eu num queria dar o braço a torcer pras criança, mas…

[burburinho]

- É, num enganou muito, não. - Sei…

[Chico] E como sempre,

as pessoa que podia ter feito arguma coisa e não fizeram,

ficaram falando que não tinha nada que elas podia ter feito.

E enfim,

agora chegou minha parte favorita desse causo.

Adurtos, né?

É.

Ô, Chico.

Ocê finarmente me escutou,

mas eu percebi que eu não escutei ocê.

O que ocê queria me dizer quando deu aquela goiaba?

♪ romântica ♪

Ah, Rosinha, agora eu fico encabruiado, uai.

Uai, ocê quer intão me falar aminhã?

Amanhã é bão.

Aqui?

Aqui é bão.

No pôr-do-sor?

No pôr-do-sor é bão.

- Intão tá bão. - Bão.

♪

E o causo termina assim.

E ocês finarmente entenderam porque eu tô tão…

aprumadin.

[canto de pássaros]

[suspiro]

[canto de pássaros]

Espera um cadinho.

♪ romântica ♪

♪

- Oi, Chico. - Oi, Rosinha.

Ocê tá…

tão…

tão…

tão…

tão estrambeiado.

Brigado.

Intão, o que ocê queria me falar?

O… que eu queria te falar…

é…

que… o que eu ia falar procê é…

é…

- Que? [Chico] Que…

[Rosinha] Chico!

Eu truxe um goiaba procê.

♪ romântica ♪

♪

[empolgado] Ocês viram isso?

Eu ganhei um goiaba!

Um goiaba da Rosinha!

Uma goiaba!

♪

[canto de ave]

♪

♪ É de sonho e de pó ♪

♪ O destino de um só ♪

♪ Feito eu perdido em pensamentos ♪

♪ Sobre o meu cavalo ♪

♪ É de laço e de nó ♪

♪ De gibeira o jiló ♪

♪ Dessa vida cumprida a sol ♪

♪ Sou caipira pirapora ♪

♪ Nossa Senhora de Aparecida ♪

♪ Ilumina a mina escura ♪

♪ E funda o trem da minha vida ♪

♪ Sou caipira pirapora ♪

♪ Nossa Senhora de Aparecida ♪

♪ Ilumina a mina escura ♪

♪ E funda o trem da minha vida ♪

[Nhô Lau grita] Sai das minha terra, Chico Bento!

♪ animada ♪

♪

♪

♪

♪

♪

♪

♪

♪

♪

♪

♪

♪

♪

♪

♪

♪

♪

♪

♪

♪

[música suaviza]

♪ animada ♪

♪

♪

♪

♪

♪

♪

♪

♪

♪

♪

♪

♪

♪

♪

♪

♪

♪

♪

♪

♪

[música suaviza]

♪ suave ♪

♪

♪

♪

♪

♪

♪

♪

♪

♪

LSE/Legendas Descritivas IGUALE

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