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WHEN NO ONE SEES US
Bom dia.
Olá. Porque estas acordada?
Podes deixar-me na busca pelo Samuel? Voluntariei-me.
- Voluntariaste-te? - Sim.
Achas mal?
De modo algum. Como conheces o rapaz?
Não conheço, os meus colegas sim.
O que interessa? O que importa é ajudar, não?
Está muito calor, não?
- Nome e esquadra. - O quê?
Tenente Castillo. Nome e esquadra.
Aviador Willis. 496., minha tenente.
Sargento Norris. 496. , minha tenente.
Repita o que disse antes. Não ouvi bem.
- Aviador Willis. 496., minha tenente. - Antes disso.
Os voluntários estão no setor um, o mais acessível.
O Seprona e a Unidade Canina estão nas margens do Guadaíra.
Fico contente se chegarmos aqui hoje.
- O rapaz sabe nadar? - A mãe diz que sim, o irmão diz que não.
- Está tudo pronto. - Vou já.
O município está a chatear. Tenho de acalmar as coisas.
Fica no comando até ao meio-dia. Obrigado, sargento.
Sim, meu tenente.
CAPÍTULO 3 TERÇA-FEIRA SANTA
- Bom dia, sargento. - Olá, María.
- Os primeiros já saíram? - Sim, o 1A e o 1B já foram.
A Segurança Pública está a fazer o briefing aos voluntários.
- A sério? - A informá-los...
Pois.
- Que simpática. - Muito. Uma desculpa para não estudar.
Não esperava tanta gente.
Aonde vai aquela pobre mulher?
Emilia, porque está cá? Não precisava de vir.
Não pude ficar em casa com todos vocês aqui.
Compreendo, mas devia estar em casa, no caso de ligarem.
Quem? Acha que ele foi raptado?
Alguém o pode ter visto ou o Samuel pode ligar.
Trouxe o telemóvel. E o rapaz queria procurá-lo.
Temos de ajudar.
Tome o pequeno-almoço.
Estou aqui se precisar de alguma coisa.
Já sabe do que eu preciso. Encontre o meu filho.
- Bom dia. - Bom dia.
Sargento Gutiérrez?
Sargento, há uma senhora que diz ser professora do Samuel.
- Talvez queira falar com ela. - Obrigada, María.
- Bom dia. - Olá. Somos da Escola Fuente Nueva.
Sou professora. São os pais de colegas do Samuel.
- Viemos ajudar. - Obrigada.
- O Samuel Navas é seu aluno? - Foi.
- Dei-lhe aulas há uns anos. - É verdade que o Antonio se suicidou?
- Onde ouviu isso? - Tem que ver com o Samuel?
Os seus filhos estudaram com o Antonio, certo?
- Como reagiram a isto? - O nosso não para de chorar.
Aprendia inglês e defesa pessoal. Adorava as suas histórias.
Não há motivo de preocupação, mas vigiem os vossos filhos.
Falem com eles, oiçam-nos.
Se notarem algo estranho ou invulgar, não hesitem em contactar-nos.
Viemos procurar o Samuel. Vamos concentrar-nos nisso. Certo?
Muito obrigada.
Tem de compreender, estão só assustados.
- Conhecia o Antonio Jiménez? - Vi-o algumas vezes.
- E então? - Os miúdos adoravam-no.
- Era muito culto. - Pois.
Refinado e especial.
Um pouco estranho, mas isso não importa.
Ligue-me se se lembrar de algo.
- Sim. - Que amabilidade.
- Vou ter com os outros. - Obrigada.
O coração. Aliás, os corações.
- É normal baterem tão rápido? - Completamente normal.
Vamos ver o que temos aqui.
Aqui são as cabeças.
Aqui estão os bracinhos.
E as perninhas.
Não vê mais nada?
- Não, e vocês? - Não.
Também não.
É normal, não há mais nada para ver.
Mas...
O que foi, Seamus? Estás a assustar-me.
Meu Deus!
Duas Macarenas.
Não! A sério?
Lamento, meu amor. Sei que querias um rapaz.
Não, querida. Eu não podia estar mais feliz.
Só preciso de mais uns dias. Dois dias, só peço isso.
Não consegue fazer isso, Jack?
Filho da mãe.
Podias ter esperado por mim, não?
- O que foi? - Desculpa, tive de fazer uma chamada.
Há novidades?
Vamos ter duas meninas. Não chega?
Vais dizer-me o que se passa? Não sou burra.
Não se passa nada.
Relaxa, eu cuido de tudo.
Bem, vou ter de perguntar ao meu cunhado...
É isso que queres? Preferes que ele me diga?
O Johnson ainda não apareceu.
O que significa isso?
Que não podemos continuar sem ele.
Eles suspenderam tudo
e estão à procura de outra base.
Mãe do Céu.
Vou sozinha.
- Espero aqui por si, minha tenente? - Como queira.
Ligo-lhe quando acabar.
- Elisa? - Tenente Magaly Castillo?
- Sim. - Caramba.
- Não esperava que fosse assim. - O que esperava?
Não sei, mais... militar.
- Espero que não seja um problema. - Não.
Estou habituada aos soldados americanos. Tenho um belo apartamento...
Não vim para alugar casa.
Preciso da sua ajuda para uma coisa específica. Será rápido.
Estamos preocupados com um oficial.
Achamos que é um dos seus inquilinos.
Não gosto de ser enganada.
Não foi a minha intenção. Peço desculpa.
Não o conheço.
- De certeza? - Já disse que não.
Antonio, põe na minha conta. Tenha um bom dia.
Foda-se.
- Deseja alguma coisa? - Um chá, por favor.
- Acha que ele vai aparecer? - Não me parece.
Não vou perder a esperança.
Não devias usar essa palavra. Neste trabalho lidamos com certezas.
São os forenses.
Parece que o Antonio formatou o computador antes de se suicidar.
Está vazio.
Que verifiquem outra vez ao pormenor.
Os dados nunca se apagam. Há sempre algum vestígios.
A tenente acha que o Antonio matou o Samuel?
Acho que já me podes tratar por tu.
O que achas disto tudo?
Sem pensar, a primeira reação.
Acho que tudo no Antonio é estranho.
Não tem antecedentes, mas há sempre uma primeira vez.
Mesmo assim, não o vejo. Não parece o tipo de homem que...
Desculpe, minha sargento. Opiniões pessoais outra vez.
Disse para me tratares por tu.
Quantas vezes já tentaste?
Esta é a terceira.
E tu?...
- Eu o quê? - Nada.
Não, eu o quê?
Gostas de homens ou de mulheres?
És idiota ou fazes-te?
A sério, estou a perguntar. Nunca te vi com uma rapariga.
- Cá está esta prenda. - Ele fala espanhol?
Nem uma palavra.
Boa sorte.
Obrigado.
O que é isto? A dar uma festa?
A minha bisavó faz cem anos.
Pareces um hambúrguer.
Bati com a cabeça no outro dia.
No meio da procissão.
Estava muito calor. Não tinha comido e tive uma quebra de tensão.
Fomos ver-te à confraria ontem. Eles expulsaram-te.
Foda-se. Disseram isso?
Deixa-te de tretas. Quem te deu a nazarena?
Se não me disseres, lixas-te sozinho.
Não tive nada que ver com isso, foi uma quebra de tensão.
Enquanto te lembras, vou cumprimentar os teus pais.
- Podemos convidá-los para a conversa. - Espere.
- Foi o Salva. - O Salvador Luque?
Curioso, ele disse que tu lha deste.
- É mentira. - Tens alguma ou tomaste-a toda?
- Tomei-a. - De certeza?
Juro. Que eu morra já aqui!
Não morras, vão os dois ao quartel amanhã.
Veremos em quem acreditamos.
Já vou ter contigo.
Não tenhas pressa, já te vi muito.
- Cabo, bom dia. - Bom dia.
Eis a lista com os nomes dos andoreiros todos.
Obrigado. Mas porque veio cá?
Prefiro o toque pessoal. É assim que se conhecem as pessoas.
Imagino.
Há novidades do Paco?
- Confessou onde obteve a droga?... - Não, ainda estamos a investigar.
O que foi?
Talvez eu tenha feito mal em expulsá-lo da confraria.
Não sou nenhum santo, mas dois drogados a lutar numa procissão?
- Acho uma boa razão. - Claro.
- Mas todos saberão o que aconteceu. - Não.
É muita coisa a acontecer em pouco tempo. As pessoas esquecem-se.
Assim espero. Os pais dele são boa gente.
- Obrigado pela lista. - De nada.
Se precisar de alguma coisa, sabe onde estou.
Tenha um bom dia.
Víctor?
Sim, sargento.
Preciso que vás a Las Caleras.
- E a Segurança Pública? - O Canales pediu ajuda.
Como está a nazarena?
O Chacón diz que o Luque lha deu, o Luque diz o contrário.
É preciso um confronto.
- Las Caleras é mais importante. - Sim, minha sargento.
- Minha sargento? - O que foi?
Encontrámos o carro do Johnson em Algeciras.
Bom. Se ele foi para África, estará no registo da fronteira.
- Pede-o. - É já.
Se o Johnson atravessou para África, temos um problema.
Será mais difícil segui-lo.
Tenho uma menina-prodígio a tratar disso. Já vamos saber.
Espero receber os resultados das impressões digitais em 24 horas.
Obrigada.
Não gostou, tenente?
Sim. Desculpe, estou um pouco mal do estômago.
Claro. Está tudo bem, sargento?
Eu nem tenho estômago.
Espero não o ter ofendido, é a minha maneira de ser.
Não se preocupe. O Ramón não se ofende.
Gosto deste sítio.
Lembra-me a minha gente.
Não há touros em Cuba.
Nasci lá, mas cresci em Riverdale, Chicago.
Não é o lugar mais bonito do mundo... mas tenho saudades.
- Não como Quantico. - Fica na Virgínia, não é?
"O berço da nação."
Vou ser franca consigo.
Diga-me se estiver a abusar da sua confiança. Está bem?
Foi por isso que vim. Diga lá.
O sarg. Johnson é importante para nós.
Não posso dizer mais, mas ele lida com informações confidenciais.
Tê-lo tanto tempo fora do nosso controlo pode ser delicado.
Muito delicado.
Começamos a entender-nos.
Em que te posso ajudar?
- Se quiser esperar no carro... - Estou bem aqui.
Guarda Civil. Está cá alguém?
Sargento Johnson, está aqui?
Que desordem.
Deixou uma partida interrompida.
Jogas?
O suficiente para ver que as pretas estavam a perder.
Presumo que não haja uma Sra. Johnson.
- Solteiro e sem filhos. - Tens família?
O meu pai morreu há anos.
A minha mãe ainda lá está no bairro, a aguentar-se.
Visito-a todos os anos.
Tenente.
- Electronic Frontier Foundation. - O que é?
Uma organização que luta pela liberdade de expressão.
Não me parece muito militar.
María, diz.
Está bem, obrigada.
Notícias de Algeciras.
Parece que o vosso soldado não atravessou o estreito.
Baixa o volume.
Queres que te apresente a minha prima?
- Que prima? - Uma prima de quem vais gostar.
Agradeço, mas cá me arranjo.
Está bem. Só quis ajudar.
Se me queres ajudar, cala-te um pouco.
Não me lembro da última vez que uma busca destas foi útil.
Ou não encontram nada ou encontram o corpo do miúdo.
Para quê perder tempo? Somos da Polícia.
Devíamos ir atrás da nazarena.
Até o Salvador sair do hospital, não saberemos quem a forneceu.
Temos de saber quem é o fornecedor.
Qualquer dos traficantes do nosso registo. Não é para tanto.
É uma nova droga que só apareceu em Morón.
Acho que a cortam lá.
Em Morón?
Como estás?
O que achas?
Vamos encontrá-lo. Está toda a cidade à procura.
Desta vez não, Clau.
Já passou demasiado tempo. Devíamos ter começado mais cedo.
Mas ele volta sempre.
Até ao dia em que não voltar.
- Grupo 2 aqui, estão a ouvir? - Sim, câmbio.
Seguimos a margem leste do rio até ao limite de Zafra.
- Nada a relatar. - Entendido.
Revistem as quintas antes de voltarem.
Entendido. Câmbio e desligo.
MUSEU
Obrigada.
- Senhora presidente da câmara. - Olá, cabo.
Está a coordenar a busca?
Sim, estou a ajudar o tenente Canales. Devo chamá-lo?
Não é preciso. Falámos de manhã.
Só queremos ver como está a correr.
Algum progresso?
Concluímos a zona norte, 5 km das margens do Guadaíra.
Agora estamos a patrulhar o noroeste, o setor até Zafra.
Encontraram alguma pista?
Ainda não, mas estamos a fazer tudo por isso.
- Eu sei, cabo. - Senhora presidente, quando quiser.
- Bom trabalho, cabo. - Obrigado.
Com licença.
Ela está stressada.
As eleições estão à porta e, em vez de falarem na grande semana de Morón,
a imprensa só fala do rapaz desaparecido, do suicida maluco
e dos drogados na procissão.
A propósito,
a lista que lhe dei foi útil?
Somos rápidos, mas não tanto.
Não demorem muito. Já há vários casos.
Duvido que sejam coincidência.
Porque ninguém trabalha hoje?
Não sei. É Semana Santa, talvez tenham folga.
Mudou muito desde a última vez, não?
Sim.
- Está lindo. - Quero tanto que nos mudemos.
Segue-me.
Quero mostrar-te uma coisa.
Este será o quarto das meninas.
Virado a sul e com vista para o jardim.
Temos de lutar por isto, Seamus. Tu mereces.
Não te deixes enganar.
Olá!
- Olá! - Cá está ele.
Eu trato disto, está bem?
Está bem? Certo.
Aqui!
Começa a parecer um bairro a sério.
Os romenos trabalham bem, mas não de graça.
Tínhamos de pagar à empresa das obras há dois dias.
- Já tens o dinheiro? - Ainda não.
- Quando o vais ter? - Estão a desistir.
- Estão à procura de outra base. - Porquê?
Não podem enviar outro informático?
Estão só um pouco assustados. Estou a tratar do assunto.
Podes adiantar o dinheiro por enquanto?
Não me lixes. A sério?
Podemos pedir um empréstimo, como é normal.
Nós?
Não leves a mal, mas como o vais garantir?
Arranjo maneira.
Está tudo bem?
Cunhada.
Quanto mais grávida, mais bonita.
De que estavam a falar?
O teu marido diz que os muros são muito altos.
Acha que estamos no país dele. Alguém entra e dão-lhe dois tiros.
Não. Aqui construímos muros altos
e ninguém se atreve a trepá-los.
- Porque paraste aqui? - A tua mãe desconfia de nós.
- Acho que não está em casa. - Por via das dúvidas.
Ouve, não te preocupes, está bem?
Ele vai aparecer, vais ver.
Espero que tenhas razão.
Importas-te de ficar com ele?
- Vou direto para o trabalho. - Claro.
Diz-me quando puderes sair e venho buscar-te.
Ajuda-me, vá lá.
- Avó, fica quieta. - Credo, filha.
És tão mal-humorada. Não sei a quem sais.
Não ao teu pai, ele era um santo.
Como correu com o rapaz ontem?
Como assim?
Não te faças de parva. Vi-te sair pela janela.
Como se chama? Talvez eu conheça a família dele.
- Ele não é de cá. - Não? De onde é?
Por aí.
Pronto. Não me digas se não quiseres.
Todos temos os nossos segredos.
Gostas? Foi uma prenda para o teu pai.
Vou andando.
Volto logo, temos de ir para casa juntas.
Não te preocupes, fico aqui com Ele.
Alguém teve muito trabalho a apagar os vestígios do Johnson.
Não acha, sargento?
Talvez tenha sido ele.
Talvez.
Conhece-o bem?
Já o vi por aí.
Está ocupado agora?
- Não. - Posso pagar-lhe uma cerveja?
- Não bebo, minha tenente. - Claro que não.
Um refrigerante, então.
Caraças!
Miguel, vem cá acima!
Mas o que é isto?
Olá, fala a Lucía.
Encontrámos um corpo.
Acho que é o Johnson.
Vou a caminho.
Legendas: Rodrigo Vaz
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