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Original subtitles

HORA QUATRO 10H00 - 11H00

O que raio se passa lá fora?

- Roubaram uma ambulância. - Outra vez?

Aonde pensam que vão?

Voltamos já.

O Antoine vai mostrar-nos a nova mota.

Boa. Precisamos de dadores de órgãos.

Roubaram-te a ambulância.

Não estavas na videovigilância? Como não viste?

Eu vi-o sair. Mas pensei que ias lá.

Deixaste as chaves?

- É o protocolo. - Não.

Eu disse-lhe.

É, sim.

E eu... Quem rouba uma ambulância às dez da manhã?

Drogados a pensar que estão na loja de doces.

Ou um doente psiquiátrico.

Não sabem. Vai ser desmantelada e enviada.

- Foram profissionais. - Calou!

Talvez outro condutor.

- Ligaste à Central? - Claro.

Chamaste a polícia?

Posso fazê-lo, mas estão dois na cafetaria.

- Fala com eles. - Ouve.

- Estou bem. - É o protocolo.

Vamos.

- Aposto num doente psiquiátrico. - Aceito.

- Há canadianas? - O cacifo da ortopedia está cheio.

Podes trazer a Sherry Davis?

A mãe com a mão queimada?

Ela foi-se embora.

Merda. Quando?

Dei o pequeno-almoço aos miúdos e foram-se embora.

Talvez para a escola.

Ela falou em voltar por causa da ferida?

Não comigo.

Foda-se...

Preciso de quartos, estou a organizar.

Mas porque o mudas para a Pediatra?

Estou prestes a extubá-lo.

Agora não há crianças lá. A família pode ter privacidade.

As paredes são bonitas. Qual é o problema?

Não há problema nenhum.

A Sra. Smith não precisa do monitor.

Recebe vanco no corredor. Há uma telecama.

Dá-a ao Otis antes que a roubem.

Sim.

Deixa a família da 7 central até a Medicina Nuclear levar o miúdo.

Não o mudamos duas vezes.

Sim, capitão.

Olá, Robby.

- Vais extubar? - Vou.

Não devias ter entubado.

Sim, já me disseste, tal como esta manhã.

- Queres que o faça? - Não. Porquê?

O Adamson.

- Credo! - Está bem.

- Há algo a mexer-se! - Senhora, não se mexa.

Tirem-no daqui!

Não a posso ajudar se mexer a cabeça.

Tirem-no, eu sinto-o!

Artrópode no CAE.

Meu Deus!

É melhor ir.

Sim.

Ele aguentará sem o oxigénio?

É difícil dizer.

Quando o tubo sair,

pode demorar entre 30 minutos e várias horas.

Quando eu extubar, succionamos a garganta.

Damos-lhe umas gotas de glicopirrolato

e isso reduzirá as secreções.

Morfina para as dores.

E pomos-lhe oxigénio no nariz como medida de conforto.

Meu Deus!

Acho que não consigo fazer isto.

Isto está a acontecer? Agora? Hoje?

Decidimos que o pai vai morrer neste quarto,

com desenhos de animais da floresta?

Se pensares bem, é perfeito.

O nosso pai trabalhou no Mister Rogers' Neighborhood

enquanto crescíamos.

Isso é muito porreiro.

- O programa de televisão? - Sim.

Aqui em Pittsburgh?

Na WQED, na 5.a Avenida, durante 33 anos.

O pai trabalhou com o Jack Guest, o diretor artístico.

Ajudou a pintar e a construir os cenários.

Acho que não consigo fazer isto.

Está bem. Só para esclarecer, o seu pai está a morrer,

e permite-lhe que isso ocorra naturalmente,

em vez de o sujeitar a muitos procedimentos

que só atrasariam o inevitável.

Só pensei que seria diferente.

E que teríamos mais tempo.

Vocês são religiosos?

Meu Deus, não. Não há Deus.

Tive um professor, um mentor,

que me falou de um ritual havaiano chamado ho'oponopono,

ou "as quatro coisas que mais importam".

Basicamente, são coisas essenciais

que podemos dizer quando nos despedimos e que podem ajudar

nas fases iniciais da perda.

Quais são?

Vai parecer muito simples, mas confirmo que funciona.

Está bem.

"Eu amo-te."

"Obrigado."

"Eu perdoo-te."

"Perdoa-me."

É só isso?

Sim. Eu disse que era simples.

Está bem.

Sr. Spencer, vou tirar-lhe este tubo da garganta.

Quero que respire muito fundo.

Inspire. E agora sopre.

Isso mesmo.

Pronto.

Pronto.

Vou dar-lhe oxigénio pelo nariz.

Umas gotas sob a língua.

- Está bem? - Estou cansado.

Pode descansar.

Feche os olhos, se quiser.

Tem aqui os filhos.

Pai, descansa, está bem?

Estamos aqui.

Estou aqui.

Vem ter comigo.

Pode respirar fundo?

Todos vão a este concerto esta noite.

Será que ainda há bilhetes decentes?

Outra vez.

Meu Deus. Não vais acreditar quem me mandou uma mensagem.

Eu avisei-te.

A Jenna deve estar feliz por a ter aqui,

mas é melhor aguardar lá fora.

Perdão?

Desculpe. Estou a meio de um exame.

Eu fico com ela enquanto ela precisar.

- Fui eu quem a trouxe. - Uma medalha para si.

- Ouve. Estou bem. - Tens a certeza?

Tenho.

Obrigada. Queria-a fora daqui.

Como está?

Chamei idiota ao pai do Nick

e disse-lhe para perguntar ao filho.

Porque diria isso?

Fale-me da escola. O que estuda?

- O quê? - Faz desporto?

Tem atividades extracurriculares?

Não sei porque me pergunta isso.

É importante concentrar-se nas coisas boas que tem.

Como?

Um rapaz muito querido, que eu mal conhecia, está morto.

E só piorei a situação.

Só tem de...

O pai acha que o matei e quer saber se faço desporto?

Jenna, percebo como está chateada.

Percebo a dor.

Nem sequer nos drogamos.

Estávamos a estudar. E isto acontece?

Nem imagino como deve ser difícil.

Só quero ir para casa.

Os seus sinais vitais estão ótimos.

Quando os seus pais chegarem, pode ir.

Obrigado.

Se precisar de algo, diga.

Bem, aquilo correu mal.

- Algumas observações? - Por favor.

- Toleras críticas? - Muito bem.

Ótimo. A distração é péssima.

Se um doente diz que sofre, não nos desviamos.

Não tentei diminuir...

"Eu" funciona melhor do que "tu".

"Eu percebo que dói"

admite a situação e pede um exame mais profundo.

"Deve seguir em frente" tem o efeito oposto.

Certo, mas a minha experiência...

Isso não é relevante aqui.

- "Relevante"? - Adequado, pertinente, apropriado.

Discordo respeitosamente.

A minha vida dá-me outra perspetiva...

Sabes que tens uma energia agressiva?

Até esta conversa parece um confronto.

Trazemos educação para o trabalho.

Certo. Obrigada.

- Boas ou más notícias? - Quais são as boas?

O canal está dormente. Uma lavagem salina resolverá o problema.

E más notícias?

Tem um inseto morto no ouvido.

Uma barata.

POLÍCIA

Estivemos aqui 40 minutos, no máximo.

Fui lá fora e desapareceu. Não há notícias pelo rádio?

Ainda não. As chaves estavam lá?

Sim. Deixo-as lá caso precisem de mudar a ambulância.

Não o deves fazer.

- Eu disse-lhe. - Leva-las para ninguém as roubar.

Para que é a segurança?

- Vou mostrar-te. - Sim?

- Vá. - Calma.

Falem noutro sítio. Temos um novo hóspede.

Ahmad, libertem esta área.

- Pessoal! - Aposto cinco na oficina de desmontagem.

Wendell Stone, 52 anos, chefe de montagem do Pittfest.

Trauma isolado à esquerda quando uma torre de colunas lhe caiu em cima.

Múltiplas fraturas nas costelas. Pulsação 110, TA 130 por 85...

Saturação a 96. 50 de fent no terreno.

Certo.

- Como está, Sr. Stone? - É só Stone.

Caramba. Acordaram o Kraken.

Quando é a próxima dose?

Há 40 minutos.

Perfeito.

Sr. Driscoll? Sr. Doug Driscoll?

Finalmente.

Até logo, otários.

- Com licença. - Com licença.

Jia Yi Chen? Tenho Tylenol para Jia Yi Chen.

Sim, por favor. Aqui.

- É Jia Yi. - Jia Yi Chen. Aqui tem.

Falta muito para vermos o médico?

Temos de esperar por uma cama livre. Pode demorar.

Hoje estamos cheios.

O remédio ajuda.

Quatro de morfina.

Sem sensibilidade abdominal.

O que temos?

Azar. Pagas tu.

- Trauma torácico isolado com... - Não. Quero a Dra. Santos.

Trauma torácico isolado com tórax instável óbvio.

Sem hemopneumotórax na POCUS. Saturação e vitais bons.

Ótima apresentação.

Senhor, sou a Dra. Garcia, da Cirurgia.

- Preciso de cirurgia? - Não.

- Não há sangue abdominal na FAST. - Trata-lo?

Abdómen benigno. TAC com contraste ao tórax, abdómen, pélvis.

Confio mais nisso do que nas ecografias.

Deem-lhe mais morfina!

Não me ponha inconsciente.

Tenho de tomar conta da equipa.

- O quê? - O festival.

Bloquearemos os nervos que vão para as costelas partidas.

Vire para a direita. Vai estar acordado e sem dores.

Sim, é isso mesmo.

- São muitos bloqueios intercostais. - Uma injeção.

O serrátil anterior bloqueia até à T-9.

Vocês e os blocos regionais...

Dra. Santos, diga-me os resultados da TAC. Extensão 1121.

O Gabe é da mesma idade que eu quando fizemos o primeiro layout.

Lembras-te disso, pai?

A pista de dois pisos na cave em casa dos Clovis.

O...

Exato. Sim, era de escala O.

Limitava as carruagens que podíamos usar, mas o layout era lindo.

Doutor, o som que ele está a fazer significa que pode ser a qualquer minuto?

Não. Só significa que tem problemas com as secreções.

Sr. Spencer, isto deve ajudar.

E vou-lhe pôr um adesivo de escopolamina atrás da orelha.

Isso vai reduzir as secreções nas próximas 24 horas.

Acha que ele tem 24 horas?

Não sei. Vamos dar-lhe mais dois de morfina.

Vamos dar-lhe algo para o manter confortável.

Doutor, como eram aquelas quatro coisas?

"Amo-te. Obrigado. Eu perdoo-te. Por favor, perdoa-me."

É fácil.

Amo-te, pai.

Adorei cada minuto que passámos juntos. Obrigado.

És o melhor pai que eu podia ter.

Nunca perdeste um jogo.

Tinhas sempre tempo para mim, para jogar à bola, construir modelos ou...

Ajudavas-me nos trabalhos de casa.

Ou se acordávamos antes de toda a gente...

... e fazíamos sandes.

Volto já.

Merda...

Viram-na. Para este na 376.

- Vamos lá. - Agora é que vai ser.

15 em acidente, mais cinco em drogados.

- Dá-me oito dólares com... - Só múltiplos de cinco.

- Não toco nessas notas de stripper. - Que merda é essa?

Fazem pouco barulho?

Isto é um hospital, não um casino.

Falem, vou procurar o Robby.

Estou vivo!

A Psiquiatra queria-o com medicação oral.

Há um pedido de olanzapina para as 9h30.

A culpa é nossa. Passei a manhã com doentes críticos.

Ele tem de ir para a Saúde Comportamental.

Não temos tempo para distribuir psicofármacos a horas.

Certo. Que opções nos restam?

Ou ele se cansa ou entramos e damos-lho.

- Temo que ele se magoe. - Tem amarras parciais.

Precisamos é de um dardo de pancurónio.

Espera.

Apanhaste-me. Quase escapei. Calma comigo, Sra. Agente.

Quero uma ordem para um psiquiátrico.

Veio há dias. Psicose induzida por metanfetaminas.

- O Kraken? - Não lhe chames isso.

Que tal um B-52?

Não. Isso leva tempo e pessoal.

- QTc? - Normal.

Cinco de midazolam, cinco de Haldol e o Sr...

- Krakozhia. Não. - Está a brincar.

O Sr. Krakozhia apaga-se em menos de um minuto.

Não é tão ofensivo chamar-lhe Kraken se o nome dele...

- Irritável, tem cinco meses. - Nota-se. Vou já.

Quero mais café.

- Estás bem, capitão? - Sim. Porquê?

Não te posso perder de vista.

Sr. Tomas Cordera, venha à janela.

Tenho o seu cartão de seguro. Tomas Cordera.

- Sim? - Cordera.

Na verdade, é Tasha Cordera e "Mna."

Está bem. Quer entrar? Passe por aquelas portas.

Cortou-se no braço?

- Sim. - Tudo bem. Sem problema.

Olá. Sou a Dra. Mckay.

Esta é a Victoria Javadi, estudante.

Olá. Tasha.

Olá. Desculpe pela espera, Tasha. Posso dar uma espreitadela?

- Sim. - Está bem.

Está bem. Não está muito mal.

Mas vai precisar de alguns pontos.

Venha connosco para a tratarmos, sim?

Está bem.

O pneumotórax é grande?

Certo. Obrigada.

O que é um pneumotórax?

Só um pouco de ar a sair da lesão no pulmão.

- Estou a ficar sem fôlego. - Tem dores?

- Não, desapareceram. - Ótimo. O bloqueio resultou.

Saturação a 85 com 5 litros.

A contusão pulmonar precisa de ajuda.

Iniciar BiPAP, 10 por 5.

Vai abrir as partes lesionadas do pulmão.

Obrigado.

Não precisa de cirurgia, mas vou avisar a Dra. Garcia sobre a TAC.

Ela gosta de si.

Conheci-a há duas horas.

Deve ter causado uma forte primeira impressão.

Houve febre, vómitos ou tosse?

- Não, nada. - Alimenta-se bem?

- Ela nasceu de termo completo? - Parto normal.

- Vacinas infantis? - Sim, aos dois e quatro meses.

- A temperatura certa... - O que achas?

- Excluir o pior. - ... é com termómetro retal.

Isso é mesmo necessário?

É muito importante.

Eu sei.

Temos de descartar infeção bacteriana grave,

sépsis, pneumonia, pielonefrite, apendicite, meningite.

Pode ser meningite?

Não. São só possibilidades hipotéticas.

- Temperatura 37,3 oC. - O que torna a meningite improvável.

Frequência cardíaca 164, saturação 99.

Este é o Dr. Robby, o nosso médico sénior.

Olá. Prazer em conhecê-la.

Afebril, alerta, vitais bons.

As Dras. Mohan e King iam começar o exame físico.

Porque não vais ver os alunos e eu trato disto?

Deixa ver. Aqui estás.

Porque me espeta outra vez?

Chegou uma hora após a dor no peito.

Se for ataque cardíaco, pode demorar

até os danos aparecerem no sangue. Ponha o dedo.

Mesmo com um ECG normal. Por isso, repetimos o teste.

Levante o braço. Obrigado.

Vamos voltar para a sala de espera.

- O quê? Não. - Sim.

Até agora, só esperei. Preciso de um médico.

Em breve. Eu chamo-o.

- Isto é uma piada. - É bom rir.

Entretanto, somos um país do terceiro mundo.

Fá-lo lembrar de casa?

Não devemos escolher favoritos,

mas vou ficar de olho em si.

Pois.

- Faça isso. - Pois faço.

Então, Tasha, era um decantador?

Uma bela garrafa de bacará.

Estava a mostrar a um colega como o polir

e o gargalo partiu-se com o meu braço ainda lá dentro.

Não foi o meu melhor momento.

- Estilhaçou-se? - Não, partiu-se ao meio.

Mas, como reflexo, puxei o braço para trás e foi isso.

Reflexos. Arrependi-me de alguns.

Isso. Agora injeta no outro lado.

Camada única, bordas retas, é o mais simples possível.

Boa. É um alívio.

- O que se passa? - Hipoxia em 78.

- TA a cair, sistólica 82. - Pulso fraco.

Devia entubar. Protocolo de transfusão maciça?

Não. Sem sons à esquerda, desvio traqueal à direita.

Angiocateter calibre 14, já. Colocar ambu.

O que faz?

Pneumotórax de tensão por pressão positiva do BiPAP.

Ouviste aquilo? Quem pediu o BiPAP? A Garcia?

Não. A saturação estava baixa, fui eu.

Foste tu? Sem me consultares?

- Posso pôr o tubo torácico? - Não precisa.

Precisa de um cateter pigtail. Eu faço-o.

Saturação e TA a subir.

Deem 75 de cetamina.

- Porque ainda chora? - Fontanela macia e achatada.

Pupilas iguais e reativas, a ir pela linha média.

- Dra. Mohan, mantenha o foco. - Mucosas húmidas.

É difícil ouvir por cima do choro. Pulmões limpos.

Taquicárdica, mas normal.

Abdómen mole, sem sinais de sensibilidade.

- O exame está normal. - O que se passa?

- Dê-nos tempo para terminarmos o exame. - Eu sei.

O que procuro, Dra. King?

Celulite? Edema da síndrome nefrótica?

- Diagnóstico feito. - Então?

Um torniquete capilar.

O cabelo molhado da mãe envolveu o dedo do pé.

Quando seca, aperta e corta a circulação.

O meu cabelo? Tomei banho antes de a amamentar.

É fácil não ver, mãe.

Mas apanhámo-lo cedo, não haverá danos permanentes.

- Tratamento, Dra. Mohan? - É apertado para a tesoura.

- Há creme depilatório? - Há.

Como o da farmácia?

Em dez minutos, dissolve-o e para de chorar.

Estás bem.

- Então? - Vamos acalmar o selvagem.

A medicação vem aí, mas precisamos de voluntários.

A cabeça é minha, fui pontapeada da última vez.

- Braço. - Braço.

- Perna direita. - Mais um.

Dois. Só vim observar

e falar com o doente quando o controlarem.

Robby, podes ajudar-nos com o Sr. Krakozhia?

- Não. - Cobarde.

Whitaker, o homem de que precisávamos.

Vem cá, por favor.

O que perdi?

Um pequeno drama com um pneumotórax.

- Chamavas-me. - Estava sob controlo.

Ainda bem.

E a Dra. Santos já sabe o que acontece

quando se põe um doente com um pequeno pneumotórax em BiPAP.

Bisturi.

Estava hipóxico, achei que ajudaria.

Mas não o discutiste comigo e ele quase morreu. Dilatador.

Deves confirmar todos os pedidos com um interno sénior ou assistente.

Daí os quatro anos nisto.

Ao fazermos este procedimento,

temos de garantir que nunca perdemos esta guia.

Se for sugado para o peito, estás lixada.

Está pronto para o pigtail.

O que estás a fazer?

Era pequeno. Resolvia-se espontaneamente.

Sim, era minúsculo até o doente ficar em BiPAP.

- Estás a gozar comigo? - Guia fora.

Tinha a saturação baixa.

- Eu dei a ordem. - Sem me consultar.

Erro normal da novata. É assim que aprendemos.

Se ela soubesse tudo, não seria estagiária.

Isso é verdade.

E podia ter acontecido sem o BiPAP.

Que momento lindo. Tanto amor na sala!

Com licença. Bom trabalho.

É Wheeler.

O Dr. Abbot disse para voltar às 6h30, que ainda estaria aqui, mas adormecemos.

Fiquei sem bateria. Peço desculpa.

Está bem. Vejamos.

- Wheeler, Kristin? - É Kristi, eu sou a mãe dela.

O Dr. Abbot saiu às 7h00, mas isso não é problema.

Vamos readmiti-la. Sente-se até a chamarmos.

- Obrigada. - Obrigada.

De nada. Próximo.

- Como estão? - Bem, obrigada.

Faltámos à consulta, mas estamos bem.

Não.

- Está aqui há muito tempo? - Há quatro horas.

Viemos há duas noites. Esperámos sete horas.

É tudo treta.

Já devem ter morrido aqui uns quantos.

- Como estamos? - Não há alterações.

Só eu é que falo.

Queres... dizer algumas coisas?

O que há para dizer?

Estou triste. Estou zangada.

Não quero que ele parta.

Gostava que as coisas fossem diferentes.

Não é justo.

Diz-lhe.

Estou a dizer-lhe. Estou a dizer-vos aos dois.

Não é justo.

Eu queria o que tu tinhas.

Amo-te, pai.

E estou grata por tudo o que fizeste para nos sustentar.

Mas não eras o pai que eu queria,

porque eu não jogava basebol, não construía modelos nem pescava.

Os pais das minhas amigas tinham empregos de adulto.

Não contavam piadas parvas,

não falavam com vozes de personagens e não inventavam histórias.

Eu tinha vergonha

e não queria que elas te conhecessem.

- Helen. - É verdade.

Tenho vergonha de admitir, mas é verdade.

Fui para a universidade e afastei-me.

Podia ter ido pescar.

Devia ter ido pescar.

E agora quero saber como é.

E perdoo-te

por não seres o homem que queria que fosses.

Mas estou muito grata por não o teres sido.

O mundo precisava que fosses exatamente como és.

Ficou sério e feio.

E tu e os teus amigos construíram o Bairro do Faz de Conta.

Que oferta incrível.

Papá, sinto muito.

Por favor, perdoa-me.

Chama-me quando terminar.

Não há cobertura de helicópteros.

Nem sequer um drone.

Não há mistério. A polícia disse leste na 376.

- Vão para Swissvale. - Tenho lá um primo.

Diz que é uma loucura.

Eles não vão para Swissvale. Vão passar a fronteira. Canadá.

Isso é para o outro lado. Vou ganhar a aposta.

- Não, não vais. - Ficas com o dele.

Vou acabar com esta brincadeira. Antoine, triagem.

Dá um imobilizador de joelho ao Dennison.

Paolo, verifica sinais posturais no Thorpe

e repete o potássio do Fontaine na 18 sul.

Larry, tu vens comigo. Temos quórum.

- A medicação já chegou? - Já. Ele é enérgico.

Vamos a isto. Donahue e Larry, pernas.

Kim, braço direito. Eu o esquerdo.

A Perlah fica com a cabeça e o jovem vai injetar. Certo?

- Está bem. - Oxímero?

- Aqui. - Boa sorte.

Injeção IV na coxa esquerda anterior média.

Estão prontos?

Ouve, Whitaker.

- Jogaste à bola? - Futebol?

Não, ao mata. Futebol, claro.

Sim, em pequeno. Eu era um bom kicker.

Não ajuda. Eu e o Larry vamos bloquear para ti.

Entra atrás de nós.

Separamo-nos, agarramos-lhe as pernas e vais pelo meio.

Zona final!

- Está bem. Certo. - Está bem.

Estão prontos?

Um, dois, três.

Sr. Krakozhia, viemos ajudá-lo.

Viemos ajudá-lo. Céus!

- O que faço? - Merda.

Boa, miúdo. Mas podias ter sido mais rápido.

O midazolam vai já fazer efeito.

Vigiem-no durante 20 minutos, até o Haldol fazer efeito.

Sim, está a acalmar.

- Preciso de estar aqui? - Porquê, tens um encontro?

- Estou cheio de... - Estou a brincar.

Obrigada pela ajuda. Vai lavar-te.

Obrigada a todos.

Bom trabalho. Não tenho de o dizer,

mas atenção aos medicamentos do Sr. Krakozhia.

- Lamento. - Obrigado.

- Posso ajudar-te com uma bata nova? - Não, tudo bem.

Mas obrigado pela oferta.

Tasha, trabalha num restaurante?

Não, fá-lo em duas vezes.

- Está bem. - Roda o pulso.

Segue a curva da agulha.

Saída a 90 graus, mesma distância da ferida.

- Muito bem. - Sou a sommelier do Altius.

- O Altius deve ser incrível. - Desculpe. O que faz?

Sou sommelier, responsável pelos vinhos.

Temos a melhor adega da cidade. Desculpe a gabarolice.

Parece um ótimo trabalho.

- Tem de ir à escola para isso? - Sim, sou licenciada.

- Porreiro. - Que tal?

Muito bem. O primeiro aperto é um nó de cirurgião.

Enrola a sutura duas vezes.

Agarra a ponta mais curta. Dá-lhe tensão suficiente.

Junta as bordas.

Não muito, ou ela fica com carris.

Tasha, qual é o seu vinho preferido?

Ou o mais caro?

A resposta é a mesma.

Um Domaine de la Romanée-Conti de 2011.

- Mais três laços. - Ótimo.

Nós quadrados, envoltório único à volta do condutor.

É francês?

- Mais francês não há. Borgonha. - E quanto custa?

Vendi a garrafa por 18 000 dólares.

- Não foi aqui, foi em Nova Iorque. - A sério?

Dezoito mil por uma garrafa?

Era assim tão bom?

Muda uma vida. E sei umas coisas sobre isso.

Talvez um dia. Ainda não tenho idade para beber.

Legalmente.

Isso é um pouco assustador.

A mim faltam-me 18 mil e estou em recuperação,

por isso, tenho de acreditar em si.

A minha única extravagância é hidratante.

Entendo-a.

Jenna, estão aqui pessoas para a ver.

- Jenna. - Meu Deus.

- Graças a Deus! - Ainda bem que estás bem.

Desculpem. Não sei como isto aconteceu, juro.

Ela...

Sim, já tem alta. Podem levá-la.

Têm aqui algumas instruções de alta,

mas nada de comprimidos, a não ser que sejam receitados.

Está bem.

Tem aqui tiras de teste de fentanil.

Funcionam com comprimidos e líquidos. E isto é um spray de naloxona.

Por favor, guarde-o na mala,

caso vá a uma festa e seja preciso.

- Obrigada. - Tem noção da sorte que tem?

- Tem? - Sim.

Falei com a medicina nuclear

e estão prontos para o Nick

fazer o teste de perfusão cerebral daqui a uns minutos.

- Podemos ficar com ele? - Claro.

O teste envolve radiação,

por isso, esperarão à porta.

- O Dave leva-vos. - Mostro-vos onde podem ficar.

Ele também vos trará.

O resultado demora cerca de uma hora e virei ter convosco quando o tiver.

Veremos a partir daí.

- Obrigado, doutor. - Está bem.

Desculpem ter-vos feito esperar.

Sou a Dra. Heather Collins. São a Kristi e a Lynette Wheeler?

- Sim. - Sim. Era suposto vermos o Dr. Abbot.

O Dr. Abbot é um médico fantástico, mas até ele precisa de dormir.

Acho que fiquei cansada, fiquei sem bateria e adormecemos.

Uso um despertador antigo desde a faculdade. Nunca falha.

Tenho um em casa. Esqueci-me de o trazer.

Vejo que hoje vamos fazer um aborto medicamentoso, certo?

Sim.

Como não a avaliei inicialmente, posso fazer umas perguntas

e atualizar-me?

- Claro. - Obrigada.

- É a sua primeira gravidez? - Sim.

E tem 17 anos? Quando começou o seu último ciclo menstrual?

Não tenho bem a certeza.

No final de junho, talvez a 23.

- Alguma alergia a medicamentos? - Não.

- Alguma cirurgia anterior? - Não.

Vou fazer outra ecografia

para garantir que está tudo bem para a medicação.

Quer vestir uma bata para não sujar a roupa com gel?

Está bem.

- Volto já. - Obrigada.

A transfusão da Joyce está a correr bem.

Aguarda cama de telemetria.

O Quinn, o fumador noturno, continua sinusal após cardioversão.

Quatro horas de monitorização cardíaca e deem-lhe alta.

O bom samaritano tem vitais e neurologia estáveis.

Quero outra TAC à cabeça daqui a uma hora,

para descartar aumentos.

E o Sr. Gold testou positivo para campylobacter

e teve alta com azitromicina.

Espero que se encha de água e eletrólitos.

Fartou-se de encher arrastadeiras. Deve ser um recorde.

Sem parecer um disco riscado, está tudo bem contigo?

- É o terceiro café da manhã. - Tenho dormido mal.

Mas vou sair quatro dias na próxima semana.

Vou para as colinas.

Espero que sim.

Shakespeare disse: "Médico, cura-te a ti próprio."

Falaste com a Collins? Não é Shakespeare.

É de Lucas, o discípulo, que o deve ter ouvido de Paulo, o Apóstolo.

Mas sei lá, sou judeu.

Só sei que Shakespeare não esteve metido nisso.

Talvez um tempo fora te faça bem.

- Tens tudo? - Acho que sim.

- Aquele é... - É.

Vamos, querida.

Esperem.

Sr. Bradley, só queria pedir desculpa pela forma como falei consigo.

- Por favor, esperem. - Não há desculpa.

Ia pedir para lhe darem isto, mas...

É o meu número e e-mail.

Se puder ajudar de alguma forma, por favor.

Não sei quem és.

Desculpe. Sou a Jenna.

Conheci o Nick na orientação, ele foi muito querido.

Estávamos da mesma turma de Economia e íamos ter um grande teste.

Alguns de nós criaram uma espécie de grupo de estudo.

Ficávamos acordados até tarde

a beber café e depois tínhamos dificuldade em adormecer.

E uma rapariga disse que sabia como obter Xanax,

mas tinha medo de o ir buscar.

O Nick só foi simpático quando disse que o faria.

Lamento imenso.

Espero que ele sobreviva a isto. Rezo para isso.

Ele sobreviverá.

Sim. Obrigado.

É melhor ires.

Os teus pais devem querer levar-te.

Muito bem. Vamos.

Desculpe por há bocado. Acho que ainda tenho muito a aprender.

Tens mesmo.

- Tem bom aspeto. - Muito bem, doutora.

Obrigada pela confiança.

Mantenha-a limpa e seca e verificamo-la daqui a dois dias.

Esteve bem, não senti nada.

É só uma semana,

mas venha antes se tiver rubor, febre ou pus.

- Sim? - Sim. Obrigada.

Reparei que há um erro de género na ficha.

Lamento por isso.

Já o corrigi aqui e no seu ficheiro do seguro,

não voltará a acontecer.

Estou...

Obrigada.

- A sério. Obrigada às duas. - Sim, claro.

Boa, não me lembrei de verificar.

Mais alguma medicação?

Só Tylenol, e ela não tem alergias.

- Olá, sou o Dra. Mohan. - Olá, muito gosto.

Deixem-me atualizá-la.

A Jia Yi tem 12 anos e seis semanas de dores constantes na zona suprapúbica.

Não tem febre, disúria, náuseas, vómitos, diarreia, descarga vaginal

e o teste de gravidez é negativo.

Teste de gravidez?

Claro que deu negativo. É uma dor de barriga.

Fala-me mais sobre a tua dor. Podes dar-me um número de um a dez?

- Dez é o pior. - Foi um dois nas primeiras semanas.

Depois subiu para um cinco. Agora é pior, um sete.

Quando foi o teu último período?

- Não o tive. - Este mês?

Não, nunca. Algumas amigas minhas já tiveram.

- Ainda aguardo. - Ela tem 12 anos.

Está bem. Viremos fazer um exame.

Coloca uma bata aberta atrás.

É estranho.

Não tem o período,

mas tem características sexuais secundárias iniciais.

Desenvolvimento mamário, alargamento das ancas.

É amenorreia primária. Em que estás a pensar?

Pode ser uma disfunção pituitária ou...

Como estamos? Vai sair alguém?

Estamos a tentar.

A asma passou, foi para casa com esteroides e albuterol.

Boa. Quem mais?

Os gajos não distinguem abraçadeiras de cabos?

Descubram.

Na segunda-feira, o promotor vai ouvir do meu advogado

e não se mete noutra.

Como estamos aqui?

Os vitais estão ótimos. Saturação a 98 com 4 litros.

Boa. Já posso voltar ao trabalho?

Com fraturas nas costelas, um pulmão ferido e um cateter?

Não é grande ideia. Mas respeito a ética de trabalho.

Ritchie, põe o Cecil no FaceTime. Preciso de ver isso.

Liga ao Dr. Gregorian da torácica

e vê se ele aceita o Stone como favor.

Diz-lhe que ele não precisa de ama-seca.

Está estável, só queremos a cama.

Certo. O vómito projetado melhorou com ondansetrona.

- Análises normais, aguarda a alimentação. - E a senhora da queda?

A antibióticos, sem dores, vai ao bloco às 15h00.

- Está no corredor. - Certo. Ótimo.

Gel na barriga.

Desculpe. Está frio.

E só para ter a certeza, não está a ser tratada

para coágulos, a tomar anticoagulantes?

Não, não tomo medicamentos.

Está tudo bem?

Sim, está.

Cá está. Helicóptero 7, sabia que não me desiludirias.

Aqui vamos nós.

- Espera. Onde está? - Não é Swissvale.

Estão em Monroeville, com a polícia atrás.

- O que fazem? - Conduzem até aguentar.

Está quase fora da nossa zona.

Apostei que não chegavam a outro condado.

- Estão a voltar. - Não sei.

Sim, eu aceito isso.

Já são problema de Westmoreland.

Está nas notícias?

- Sim. - Onde estão eles?

- Vão para este, para Monroeville. - Deixa-me ver.

Aposto 20 em drogados apanhados fora da nossa área.

Caramba!

Está bem.

Suave, insensível.

Jia Yi, vamos ver abaixo da cintura.

Vais estar tapada. Queres o teu pai aqui?

- Sim, por favor. Não vás. - Estou aqui.

Joelhos para cima. Mantém os pés na cama.

E deixa os joelhos cair.

Vamos só dar uma olhadela.

Vou tocar-te na perna, para vermos onde fazes chichi.

- Alguma dor? - Não, está tudo bem.

Pronto. Podes baixar as pernas.

Estiveste muito bem e sabemos como te ajudar.

Obrigada.

Pai, podemos falar lá fora?

Bom trabalho.

O que se passa com ela?

A mãe morreu de cancro do cólon.

Não. Isso não está relacionado com isto.

Sabe o que é um hímen?

Nem por isso.

Quando o bebé se desenvolve no útero,

há uma membrana chamada hímen que bloqueia a passagem vaginal.

Antes do nascimento, a maior parte desaparece, mas, às vezes, não.

- Isso é perigoso? - Não, nada disso.

A boa notícia é

que o hímen não está perfurado e bloqueia totalmente a vagina.

Vimos o que parecem ser cerca de três meses

de sangue menstrual violáceo protuberante por trás.

- Meu Deus! - É curável e fácil de resolver.

Ela precisa de uma pequena cirurgia, sob anestesia,

realizada por um ginecologista.

E fica bem?

Sim, tudo de volta ao normal.

Obrigado. Nós...

Nós perdemos a mãe da Jia Yi quando ela tinha seis anos.

Faço o que posso para ocupar o lugar dela.

Mas ela vai crescendo...

A mãe saberia o que fazer.

Decerto que se está a sair bem. Ela vai ficar bem.

Obrigado.

Devíamos informá-la. Desta vez, falo eu.

A limpeza está na 20 sul.

Estamos bem. Como é quando não estou?

Odeio dizer-te isto, mas sou rígida contigo ou sem ti.

Comigo é mais divertido.

- Só pelas piadas. - Sempre.

Mas quanto mais complicado fica,

mais engraçado ficas, e hoje estás em brasa.

Dr. Robby, está na hora.

Dá cá.

Ele ainda está connosco?

Aquilo é respiração agonal.

Perto do fim.

Ele disse o nome da nossa mãe há uns minutos. Marge.

Disse?

Como se ela estivesse aqui connosco.

E depois sorriu e fechou os olhos.

Como estão?

Estou exausta.

Sim, acho que estou bem.

Jereme, estou muito contente por estares aqui.

Eu também.

Não saberia fazer isto sozinha.

Não tens de o fazer. Eu e a Sara estamos aqui.

Eu sei, obrigada.

Preciso de ti.

É bom que as famílias vivam próximas.

Isto torna-se agora uma relação primária.

São as últimas testemunhas da vida um do outro.

Guardam as memórias.

Com a minha memória assim, é assustador.

Tive uma ideia louca.

Sabes o que devíamos fazer?

Porque não vamos andar de barco no fim de semana?

Não.

Papá.

Bactrim duas vezes por dia, banhos quentes,

e venha daqui a dois dias para vermos a ferida. Perguntas?

Atenção!

Preciso de uma maca já!

Legendas: Luís Costa Passadouro

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