Afrikaans
Akan
Albanian
Amharic
Arabic
Armenian
Azerbaijani
Basque
Belarusian
Bemba
Bengali
Bihari
Bosnian
Breton
Bulgarian
Cambodian
Catalan
Cebuano
Cherokee
Chichewa
Chinese (Simplified)
Chinese (Traditional)
Corsican
Czech
Danish
Dutch
Esperanto
Estonian
Ewe
Faroese
Filipino
Finnish
French
Frisian
Ga
Galician
Georgian
German
Greek
Guarani
Gujarati
Haitian Creole
Hausa
Hawaiian
Hebrew
Hindi
Hmong
Hungarian
Icelandic
Igbo
Indonesian
Interlingua
Irish
Italian
Japanese
Javanese
Kannada
Kazakh
Kinyarwanda
Kirundi
Kongo
Korean
Krio (Sierra Leone)
Kurdish
Kurdish (Soranî)
Kyrgyz
Laothian
Latin
Latvian
Lingala
Lithuanian
Lozi
Luganda
Luo
Luxembourgish
Macedonian
Malagasy
Malay
Malayalam
Maltese
Maori
Marathi
Mauritian Creole
Moldavian
Mongolian
Myanmar (Burmese)
Montenegrin
Nepali
Nigerian Pidgin
Northern Sotho
Norwegian
Norwegian (Nynorsk)
Occitan
Oriya
Oromo
Pashto
Persian
Polish
Portuguese (Portugal)
Punjabi
Quechua
Romanian
Romansh
Runyakitara
Russian
Samoan
Scots Gaelic
Serbian
Serbo-Croatian
Sesotho
Setswana
Seychellois Creole
Shona
Sindhi
Sinhalese
Slovak
Slovenian
Somali
Spanish
Spanish (Latin American)
Sundanese
Swedish
Tajik
Tamil
Tatar
Telugu
Thai
Tigrinya
Tonga
Tshiluba
Tumbuka
Turkish
Turkmen
Twi
Uighur
Ukrainian
Urdu
Uzbek
Vietnamese
Welsh
Wolof
Xhosa
Yiddish
Yoruba
Zulu
NETFLIX APRESENTA
Há três classes de pessoas.
As que estão acima,
as que estão abaixo
e as que caem.
Nível 48.
- O Buraco. - Sim.
O Buraco.
E o mês acabou de começar.
Logo, a pergunta é...
... o que vamos comer?
O que vamos comer?
Obviamente, os restos daqueles acima.
- Quem são? - Os do Nível 47. Obviamente.
Chamo-me Goreng.
Por favor, fique do seu lado do Buraco.
Goreng.
Que nome lhe deram?
Sim.
Devíamos saber o nome um do outro.
Vamos passar muito tempo juntos.
Ou não.
Quem sabe?
O meu nome é Trimagasi.
Sr. Trimagasi, sabe como o Buraco funciona?
Obviamente. Trata-se de comer.
Umas vezes, é muito fácil.
Outras, muito difícil.
Depende do seu nível.
Felizmente, o Nível 48 é bom.
Há muito mais gente abaixo? Espere, não me diga.
Obviamente.
Em breve, haverá menos.
- Ouvem-me aí em baixo? - Não chame por eles.
- Porquê? - Porque estão abaixo.
Os de cima não responderão.
- Porquê? - Porque estão acima, obviamente.
É tudo óbvio para si, não é? Já deve estar aqui há muito tempo.
Meses. Muitos meses.
E, mais uma vez, o Nível 48 é bom.
Considere-se com sorte.
Quanto tempo ficaremos neste nível bom?
Ficaremos aqui exatamente um mês.
Depois, veremos.
E não responderei a mais perguntas.
Falar esgota-me.
Sobretudo quando tenho de dar mais informações do que recebo.
Não é justo, obviamente.
Assim, doravante,
dar-lhe-ei tantas informações quantas as que me der.
A luz vermelha apagou. A verde acendeu.
Acabei de lhe dar informações. Seria justo responder igualmente.
Porque se apagou a luz vermelha?
Estes alimentos já foram comidos.
É tão óbvio que nem me incomodarei em dizer "obviamente".
É nojento.
Está bem.
Se que há 47 níveis acima de nós e duas pessoas por nível,
comemos os restos de 94 pessoas.
Não se preocupe.
Em breve, haverá menos gente acima.
- Não vai comer? - Não tenho fome.
Vai ter.
Porque haverá menos gente?
Não direi que isso é óbvio porque não é.
Eu mesmo só percebi quando fui para o Nível 8.
Vinho!
Os níveis superiores devem ter muçulmanos e abstémios.
O álcool não costuma chegar tão abaixo.
Não vai mesmo comer?
Para mais tarde.
Porque fez isso?
Para os de baixo o comerem.
E se os de cima fizessem o mesmo?
Já o devem fazer.
Os filhos da puta.
- Está calor? - Vai fazer mais.
Mais?
Não tarda, estaremos a arder.
Sim? Porquê?
Por sua causa.
A temperatura subirá sem limite, a menos que...
- A menos que quê? - A menos que deite fora essa maçã.
A comida só é nossa enquanto a plataforma está no nosso nível.
Se guardar alguma coisa, a temperatura sobe até ardermos.
Ou baixa até morrermos congelados.
Isso varia.
Merda.
Entende?
Perguntei se entende?
O quê?
Entende que, uma vez dentro, não pode sair pelo tempo que acordámos?
Então, fui aceite.
Ainda não.
O objeto pode ser um livro?
Pode ser tudo o que quiser.
O ENGENHOSO FIDALGO D. QUIXOTE
Eu gostaria de lhe dizer porque estou aqui.
Para quê?
Para que me diga porque está aqui.
Obviamente.
Eu queria deixar de fumar e ler D. Quixote.
Disseram-me que podia trazer um objeto e pensei...
Veio para cá por vontade própria?
Seis meses em troca de um diploma, sim.
Um diploma?
Como assim?
Então, eles devem-me dois.
Vou estar aqui um ano.
Porque está aqui?
Então, este tipo recebe um e eu não?
Se fosse a si, afastava-me daí.
- Também não come hoje? - Obviamente que não.
Que desperdício.
Não merece este nível.
Não disse porque está aqui.
Vá, diga-me.
Está bem, mas só se me prometer não voltar roubar a palavra "obviamente".
Eu estava em casa e vi um barbudo a publicitar um afiador de facas.
"O Samurai-Max afia todas as facas, lisas e de serra", dizia ele.
"Vejam esta faca.
Está tão romba que nem sequer corta uma esponja.
Após o Samurai-Max, corta as superfícies mais duras, como este tijolo."
E cortava mesmo.
Depois, apareceram várias donas de casa
a alegar que o Samurai-Max tinha mudado as vidas delas.
"Nem sequer conseguíamos pelar tomates
e o nosso pão esfarelava-se.
O Samurai-Max mudou as nossas vidas", diziam todas.
Nunca pelei um tomate, para ser sincero.
E compro pão fatiado.
E não entendo porque precisariam de cortar um tijolo com uma faca de cozinha.
Mas isso fez-me pensar.
Porque não afio as minhas facas?
E se a minha vida é lixada porque não as afio?
Porque não me importam os pormenores?
- Pormenores, Goreng. - Comprou-o?
- Obviamente que sim. - O que fez depois?
Afiou as suas facas e cortou o pescoço de alguém?
Depois de o comprar, fiquei a ver o anúncio a seguir.
Era o mesmo barbudo e as mesmas donas de casa.
Adivinhe o que estavam a vender.
Uma faca que não fica romba mesmo depois de cortar tijolo.
Afia-se sozinha enquanto corta.
Sabe como se chamava?
- Samurai-Plus. - Também a comprou?
- Não. - Eles riram-se na minha cara, obviamente.
Trata-se dos pormenores.
Os pormenores fizeram-me perder a cabeça.
Peguei na minha televisão,
atirei-a pela janela
e caiu sobre um maldito imigrante ilegal numa bicicleta.
Tenho culpa da morte daquele tipo?
Ele nem sequer lá devia estar.
Matou uma pessoa e trouxeram-no para aqui?
Deram-me a escolher, o hospital psiquiátrico ou o Buraco.
Logo, vim para aqui.
Mas não me ofereceram qualquer diploma.
Quantos níveis há?
Não sei. Pelo menos 132, porque estive lá.
Centro e trinta e dois.
E havia mais abaixo.
- Quanta comida chega tão abaixo? - Nada.
Não se passa um mês inteiro sem comer.
Eu não disse que não comia.
Só que a comida não chegava lá.
E pode-se passar mais de um mês sem comer.
Mas está lixado se obtiver dois níveis baixos seguidos.
Temos de contactar os de cima.
Para quê?
Têm de racionar a comida deles.
Eles dirão ao Nível 46.
E esses dirão ao Nível 45 e por aí fora.
É comunista?
Sou sensato. Racionar seria justo.
Os de cima não ouvirão um comunista.
Então, começarei pelos de baixo.
Ouçam! Vocês aí, no Nível 49!
Para a próxima, deixem-nos mais vinho, cabrões!
Tomem o vosso vinho, filhos da puta.
Os de baixo estão abaixo, Goreng.
- Para o mês que vem, podem estar acima. - E mijarão para cima de nós.
Filhos da puta.
Escolhi um livro.
O que escolheu?
É óbvio.
A Samurai-Plus.
Não se farta disso?
É espantoso.
Quanto mais a uso, mais afiada fica.
- Era uma pessoa? - Claro que era.
Oxalá não fosse um abstémio.
Temos pouco vinho.
Nos níveis acima, pode comer quanto quiser.
Mas não tem nada por que esperar...
... e muito em que pensar.
Ninguém faz nada?
Se fosse a si, rezaria para ficarmos nos níveis do meio.
Parece ser do tipo que saltaria se estivesse acima.
E não teria coragem se estivesse em baixo.
Coragem para quê?
Pode ler-me um capítulo esta noite?
Ultimamente, não consigo dormir.
Sinto falta da minha televisão.
Em que níveis já esteve?
Acordei no Nível 72.
Depois, estive no Nível 26.
Depois, no 78, 43.
No 11, no 79.
Trinta e dois, no oito.
No mês passado, estive no 132.
Agora, estou aqui.
Com quem esteve? Presumo que acorda com a mesma pessoa.
- Com quem esteve? - O que o leva a presumir isso?
Disse que estaríamos juntos no próximo mês. Com quem esteve?
Não importa. O que importa é que tem uma faca que se afia sozinha.
E o seu colega de cela desapareceu num nível com quase nenhuma comida.
Não parece ter estado um mês sem comer.
A conclusão é óbvia.
Prometeu que não usaria essa palavra.
Obviamente, ignorou o quinto mandamento.
E obviamente comeu o seu colega de cela.
Ignore-a. Coma.
- Está magoada? - Nada de grave.
Certo, Miharu?
Conhece-a?
Ela desce todos os meses.
- Porquê? - Anda à procura do filho.
Há crianças no Buraco?
Está tudo bem.
Bem.
Quer ficar com ela uns dias?
Pensava que era um homem de princípios.
Quero ajudá-la.
Eu estou a ajudá-la.
No Buraco, todos são livres de escolher.
Ela escolheu descer.
Sabe o que esta beleza faz todos os meses?
Antes de descer, mata o colega de cela dela.
Para ter mais hipóteses de estar com o filho no mês seguinte.
O corpo que viu a cair era provavelmente o colega de cela dela.
Não matei ninguém no Nível 132.
O tempo do meu colega de cela no Buraco tinha terminado.
Deve estar a prosperar lá fora, com o diploma dele.
Passados oito dias, caiu um corpo quando a plataforma estava no nosso nível.
Comemos carne humana.
Mas não matámos ninguém.
Deixem-na em paz, seus filhos da puta!
Só a manterão por uns dias. Não interfira.
Lê-me um capítulo esta noite...
Vá, salte!
São só seis ou sete metros até lá.
Que capítulo quer que lhe leia?
O primeiro, obviamente.
Foda-se!
"Algures em La Mancha, num lugar que não me interessa lembrar,
um cavalheiro vivia, não há muito tempo, com a lança numa prateleira,
o escudo antigo, um cavalo magro e um galgo."
Acredita em Deus?
Porque pergunta?
Se acredita, reze por nós.
Sente o cheiro?
É o gás.
Daqui a uns segundos, põem-nos a dormir.
Amanhã, acordaremos num nível diferente.
Gosto de si, Goreng.
Acho que não vai durar muito tempo.
Mas gosto de si.
Tem bom coração.
Só me restam dois meses aqui.
Quando eu sair, presumo que receberei um diploma.
E isso não é um pormenor insignificante.
Acredita em Deus?
Este mês, acredito.
Dorme como uma pedra, Goreng.
Não!
Calma.
Acalme-se.
Não é um bom lugar. Percebe agora?
É mais novo e mais forte do que eu.
Talvez não me ataque hoje ou amanhã.
Mas, com o tempo, olharia para mim de outro modo.
A fome traz loucura.
Nesses casos, é melhor comer do que ser comido.
Obviamente, não desejo matá-lo.
A sua carne apodreceria depressa.
E não teríamos comida.
Também não o vou mutilar já.
O jejum é suportável na primeira semana.
Já comeu caracóis?
Não o faça. Por favor.
As pessoas chiques chamam-lhes escargots.
São altamente cobiçados em vários países.
Mas, primeiro, têm de ser purgados durante sete a dez dias.
Portanto, não tenha medo... ainda.
Consegue ouvi-los?
Os gritos dos que acordam
e descobrem em que nível estão.
Não o faça.
Não tem de fazer isto, Trimagasi.
A nossa amizade acabar-se-ia lentamente.
Terminaria numa desconfiança mútua
que desencadearia conflito e crime.
Eu sei. Já vivi isso.
É um maldito assassino.
Não. Só tenho medo.
Não tenho prazer nisto, meu caracol.
Não sou um maldito caracol.
Desculpe, será mais fácil eu pensar em si como um caracol,
a purgar os seus defeitos.
Como vê, tenho sentimentos.
Já viu?
Nem sequer ossos!
Ouça, meu caracol.
Está amarrado. Eu não estou.
Tem um livro e eu tenho a minha Samurai-Plus.
Não está em posição de fazer exigências, obviamente.
Mas, se colaborar,
oferecer-lhe-ei uma hipótese de viver.
Não pode mutilar alguém aqui e esperar que sobreviva, seu canalha.
Farei o que puder, prometo.
Daqui a oito dias, cortarei bocados de carne.
Tentarei sempre sarar as suas feridas.
E dar-lhe a sua parte.
Um bocado de mim mesmo?
Pense na sua sobrevivência e ajude-me.
Oxalá ganhe juízo em breve,
para podermos continuar a ler o D. Quixote juntos.
Está bem. A morte daquela pessoa pode ter sido um acidente.
Mas esta não é.
Será o único responsável pela minha morte, seu canalha.
Não, os de cima obrigam-me a fazê-lo.
Todos os 340 são responsáveis antes de mim.
Podemos sobreviver a água, Trimagasi.
Você, talvez.
Mas eu sou um homem velho.
Tenho de pensar que o próximo mês será o meu último aqui.
O que aconteceria se eu sobrevivesse e fôssemos novamente para um nível baixo?
- Percebe agora, não é? - Obviamente que não.
- Lê-me esta noite? - Obviamente que também não.
Nesse caso, está resolvido.
Falar esgota-me.
Calar-se é que o esgota, seu cabrão!
Calar-se é que o esgota, seu cabrão!
Chegou a hora, meu caracol.
Eu estava a tentar ler...
... mas não consigo.
As palavras ficam confusas.
A minha mente está turva.
É melhor para si se começarmos hoje.
Senão, não posso garantir um trabalho limpo.
Quero que saiba que o responsabilizo a si.
Não as pessoas acima.
Não as circunstâncias.
Nem sequer a Administração.
Só a si.
Pode dizer-se que já está limpo, caracol.
Por dentro e por fora.
Já nem rancor você sente.
Não se preocupe. Só cortarei alguns bocadinhos.
Não tocarei nos seus órgãos sexuais.
Está preparado?
Obrigado.
Obrigado.
Como se chama o seu filho?
Comer...
... ou ser comido.
Obrigou-me a fazê-lo.
Não.
Eu estava indefeso e não me poupou.
Não me tratou com o mesmo respeito que lhe mostrei.
Obviamente.
Ainda usa essa palavra na morte.
Cheira a gás.
E você não é real.
Talvez.
De que importa? Agora, somos iguais.
Somos ambos assassinos.
Só que sou mais civilizado do que você.
- Vá-se embora. - Não. Nunca me irei embora.
Agora, pertenço-lhe. Estou dentro de si.
Mas você também me pertence.
Caracol.
Falar esgota-me.
Vê? Tenho razão.
Ramsés II, vem. Vem, amor.
Ele estava só a saudá-lo, seu bruto.
Chamo-me Imoguiri. Ele é o Ramsés II.
Permitem animais de estimação no Buraco?
Eu não viria para cá sem ele, Goreng.
Trazer um cão salsicha para cá não é boa ideia, senhora.
Ele é mais salsicha do que cão.
Julgava-o mais sensível com os animais. Escolheu um livro.
Nunca ninguém pedira um livro.
Já pediram de tudo. Pistolas, bestas...
... facas, archotes...
... tacos de golfe, tacos de basebol...
... até uma bicicleta estática. - Sabe o meu nome?
Pode fumar.
- Vamos continuar? - Sim.
Intolerância ao glúten ou à lactose?
Não.
É alérgico a marisco, a amendoim, a qualquer fruto?
Que eu saiba, não.
Sabe que não é permitido fumar lá dentro?
Sim, eu sei.
O silêncio faz parte da entrevista?
Incomoda-o?
Não.
A sua comida preferida.
Não sei.
Pense, por favor.
Porque quer saber?
Adicioná-la-emos à ementa.
Então, aceitaram-me?
Ainda não.
Escargots à la Bourguignonne.
Caracóis?
- Sim. - Ótimo.
- Pode tirar-me daqui? - Sabe que não posso.
Quantos enviou para este chiqueiro antes de você mesma ser enviada?
Se bem me lembro, veio para cá voluntariamente.
E ninguém me enviou.
Escolhi vir.
Então, não sabe que se morre no Buraco?
Preferimos chamar-lhe Centro Vertical de Autogestão.
Quantos níveis há?
Duzentos.
Duzentos?
Não nos dão comida suficiente para 200 níveis.
Se todos comessem só o que precisam,
chegaria ao nível mais baixo.
- Cá dentro, não é assim tão fácil. - Não, não é.
Nem aqui nem lá fora.
Mas algo terá de acabar por acontecer no CVA.
Algo que desencadeie uma solidariedade espontânea.
O CVA? Solidariedade espontânea?
Foi para isso que fizeram este Buraco de merda?
As mudanças nunca são espontâneas, senhora.
Talvez seja por isso que está aqui.
Sair daqui vivo já me chega.
Pronto. Saboroso, não é? Tu adoras.
Alguém podia morrer por isso, sabe?
Pronto.
Cada um de nós come em dias alternados. É a minha ração.
Uma criança pode morrer.
No Buraco, não entram menores de 16 anos.
Há um, pelo menos.
No Buraco, não entram menores de 16 anos.
A Administração é muito meticulosa.
Bom dia, senhores.
Escutem-me, por favor.
Pus comida de lado para vocês.
Por favor, comam as vossas rações
e preparem mais duas para os abaixo.
O quê, sua bruxa velha? Estávamos no Nível 88. Mal conseguimos sair vivos.
Entendo, mas somos responsáveis pelos que não tiveram tanta sorte este mês.
Podem obter calorias suficientes para sobreviver.
Senhores, por favor.
Solidariedade espontânea.
O objetivo deste sítio pode ser o oposto do que pensa.
A solidariedade alertá-los-ia
para o evitarem no exterior, não acha?
- Alertaria quem? - Quem pensa?
A Administração.
Claro. É um dos que pensam que a Administração faz tudo mal.
Trabalhei para eles durante 25 anos.
E obtém certos privilégios.
- Como assim? - Pôde escolher o seu colega de cela.
Eu não pude.
Senhores, sei que estavam com fome e não ligaram às minhas palavras.
É imperativo que comam só as rações que vos preparei
e preparem duas semelhantes para o Nível 35.
Deixe-nos em paz!
Comeremos o quanto quisermos.
Eventualmente, irão entender.
Você é real?
Senhores! Por favor, comam as vossas rações e preparem mais duas...
Senhores, por favor.
Comam as vossas rações e preparem mais duas...
Senhores, por favor.
Comam as vossas rações e preparem mais duas...
Senhores, por favor. Comam as vossas rações e preparem...
Senhores, preparei as vossas rações
e mais duas para o Nível 35 para vos facilitar...
Preparem duas...
Por favor, passaram 15 dias.
Imploro que sigam as minhas instruções.
As pessoas estão sem dúvida a morrer abaixo dos vossos pés.
Entendem? Há pessoas a morrer!
Ouçam, seus merdosos.
Façam o que a senhora diz ou cagarei na vossa comida todos os dias.
E espalharei por todos os bagos de arroz, ouviram?
Comerão merda todos os dias.
Transmitam isso aos canalhas abaixo de vocês. Estamos entendidos?
Ótimo.
Parece funcionar.
Obviamente.
Não é o que eu esperava.
Eu queria convencê-los.
Eles estão convencidos.
- Com merda? - É mais eficaz do que a solidariedade.
Se ao menos pudéssemos convencer os de cima...
Não, eles não me darão ouvidos.
Porquê?
Porque não posso cagar para cima.
Ajude-me!
Está tudo bem.
Ela é a mãe do miúdo.
A almofada.
A almofada!
Está tudo bem.
Pronto, isso mesmo.
Frio.
- O quê? - Muito frio.
Ela tem frio. Tape-a.
Isso mesmo.
Também tenho frio.
O que se passa?
A merda do cão. Vem cá, seu merdinhas.
Ele roubou algo. Larga!
Odeio-a.
Sua puta!
Odeio-a.
O que foi?
É por causa do filho dela.
A sério? Não sei como é.
Nunca fui mãe.
Esta é a ração de hoje?
Fantástico, pá.
Selecionei aquela mulher há dez anos. Ela estava sozinha.
Não tem pais. Não tem filhos.
O prato preferido dela é o bibimbap.
É atriz de cinema. Escolheu um ukulele.
Queria parecer a Marilyn Monroe naquele filme.
Entrou no Buraco sozinha.
Ouviu bem, Goreng.
Completamente sozinha.
Queria ser a Marilyn Monroe asiática.
A filha da puta...
... a tocar ukulele com aqueles olhos em bico.
Agora, é uma assassina louca à procura de um filho falso.
Solidariedade espontânea.
Solidariedade espontânea coberta de merda.
Este não é um bom lugar para um amante de livros.
Trabalhei para a Administração durante 25 anos.
Sem saber, enviei pessoas para este inferno nos últimos oito.
Porque eu não sabia.
Garanto-lhe que eu não sabia.
Acredita em mim, Goreng?
Não, pois não?
Neste momento, preciso que acredite em mim.
Olhe para mim, Goreng. Lutei contra o cancro durante três anos.
No dia em que eu soube que tinha perdido a batalha...
... vim para aqui para ajudar.
Mas sabe que mais?
Já não me importa.
Estou-me nas tintas.
Estou-me nas tintas para tudo.
Quem raio traz um livro para aqui?
Quem raio traz um maldito livro para aqui?
É um milagre ninguém ter comido os caracóis.
Não vai comer?
Deixarei dois em cada ração.
Imoguiri, porque não come algo?
Hoje, era a vez do Ramsés II.
É o último dia, devia comer.
Não sabemos onde estaremos amanhã.
Não a vai tirar daí?
Ela era sua amiga.
Vai comê-la?
Claro. Foi por isso que me enforquei.
Teria sido muito mais fácil saltar, como a maioria.
Mas queria deixar-lhe um presente.
O meu corpo.
Quero que se alimente do meu corpo.
Digira-o e depois excrete-o como merda redentora.
Lembre-se, solidariedade ou merda.
Acha que adiantará tapar os ouvidos?
Estamos dentro da sua cabeça, idiota!
Chamou-lhe idiota, seu idiota?
Está a falar com o Messias.
O Messias da Merda, mas ainda assim.
- Coma-me, Goreng. - A bruxa louca tem razão.
É a sua única hipótese de sobreviver.
Sem dúvida, Goreng. Corte a minha carne e alimente-se do meu corpo.
Salvador.
"Muito sinceramente vos digo,
se não comeis a carne do filho do homem e bebeis o seu sangue,
não tendes nenhuma vida em vós.
O que comer a minha carne e beber o meu sangue,
tem vida eterna
e irei ressuscitá-lo no dia do juízo final.
Pois a minha carne é a verdadeira comida
e o meu sangue é verdadeira bebida.
Quem come a minha carne e bebe o meu sangue,
permanece em mim
e eu nele."
Ámen.
Tome, Goreng.
Com a Samurai-Plus, parecerá manteiga.
Faça isso.
Orelhas, rosto, queixo.
Peito, costelas, toucinho.
Flanco, mãos, jarretes.
Ombros, pernil.
Lombo, costeletas.
Ouçam, vocês aí em cima! Canalhas.
Vá, sei que estão aí! Respondam-me!
Chamo-me Baharat. E estou extático. Está acordado?
Viu o nosso nível?
Nível 6, meu amigo!
Estou extático!
Desta vez, vou sair!
Nível 5, respondam-me!
- O quê? Quer subir? - Sim, quero.
- Para quê? - Para quê?
Para sair deste maldito inferno.
- Acredita em Deus? - Acredito.
Sim, acredito em Deus.
Mas em que Deus?
No único.
No único e verdadeiro Deus!
Ele diz que acredita no mesmo Deus que nós.
Vá lá, só estou de passagem, prometo.
Deus falou comigo e quer que eu saia do Buraco.
Diz que Deus falou com ele.
O que disse Ele, exatamente?
Que duas almas misericordiosas me ajudariam a sair daqui.
Ouviste, querida? Acho que se referia a nós.
E que seriam recompensadas por isso.
Como é que Deus nos irá recompensar?
Com a vida eterna.
A vida eterna, nada menos.
Não é um mau negócio para ajudar um negro.
Vá lá, deixem-me subir.
Está bem, atire a corda.
Obrigado, irmãos! Louvado seja o Senhor!
Vemo-nos lá fora! Estou extático! Percebeu?
Ajudem-me!
Ajudem-me!
Seus filhos da puta!
Porcos!
Ela cagou-me em cima.
Peça uma corda a Deus!
A minha corda!
Não!
Estás bem. Pensa positivo.
Estás totalmente fodido.
Estás totalmente fodido!
Cinco...
Nunca estará assim tão perto.
Cinco malditos níveis!
Está mesmo a adaptar-se, meu caracol.
Ataquei-o.
A bruxa louca matou-se.
Agora, poderá recuperar-se neste nível,
a comer o que quiser.
Depois, só lhe faltará um mês para sair daqui
com o seu... diploma.
Vê? Não foi assim tão difícil.
Agora, tudo depende de si.
Só de si.
As mudanças nunca são espontâneas, senhora.
Talvez seja por isso que está aqui.
Ajude-me a descer.
Vamos improvisar armas.
Vamos para a plataforma e distribuímos só o suficiente para sobreviver.
O quê?
Não o consigo fazer sozinho.
Mas juntos, conseguimos.
Juntos, temos uma hipótese, Baharat.
Tentarei subir no próximo mês.
Haverá sempre um canalha que não o deixará passar.
Descer é suicídio.
Se levarmos comida até ao último nível, teremos quebrado a mecânica do Buraco.
Não há mecânica no Buraco.
O Buraco é o Buraco.
O Buraco é uma maldita prisão.
Nem sequer sabemos quantos níveis tem.
Quando estive no Nível 202, contei segundo a segundo
o tempo que a plataforma levava a voltar a subir.
Pode não ser muito preciso, mas tendo em conta o tempo que para...
... deve haver cerca de 250.
- Duzentos e cinquenta? - Duzentos e cinquenta.
E se estiver errado?
Se esgotarmos a comida e não tivermos chegado ao fundo?
Ficamos na plataforma e voltamos a subir.
Como você queria.
- Descer? - Para voltarmos a subir.
Só um louco sairia do Nível 6.
Ou dois loucos extáticos.
Parecem ridículos.
Espero que ambos sejam mortos, imbecis.
Tu! Afasta-te!
Afastem-se da plataforma!
Mas que porra, Baharat?
Calma. Estamos só a passar.
- Vamos dar-vos as vossas rações e partir. - Não.
- Não? - Não.
Os primeiros 50 níveis comem todos os dias.
Começaremos no Nível 51.
Estes são meus amigos. Há dois meses, ajudaram-me a subir.
Comeram ontem e comerão amanhã.
Podem jejuar um dia.
Isso é merda. Estou no Nível 7. Tenho o direito de me empanturrar.
Quase morri no 114, no mês passado.
Onde estavam na altura, canalhas?
Então, devia compreender.
Quem é você? Um Messias?
Está aqui para nos redimir?
Os Messias multiplicam o pão e o peixe, não no-los tiram da boca.
Porra, Baharat.
Não esperava isto de ti.
Quem és? O criado negro do homem branco?
Você! Para o canto!
Foda-se! Eu mato-o!
Fique no canto e não se mexa!
Para o canto! Não se metam comigo!
Largue isso. Largue-o!
Para baixo! Não se mexa!
Afaste-se ou esmago-o!
Você! Aproxima-se e morre!
Baharat!
Desculpe, senhor.
Desçam imediatamente, os dois.
Estão a pisar a comida, seus idiotas.
Quem raio é este?
Um homem sábio.
Não aprendeu nada do que lhe ensinei?
Senhor, tentamos levar comida a todos os níveis.
Isso é tudo muito bom.
Muito bom, mas a boa educação vem primeiro.
Convencer antes de derrotar.
Certo... e se eles não se convencerem?
Então, atacam. Mas primeiro, dialogam.
Contudo...
... quem acima de nós ouvirá se o fizerem?
A Administração.
A Administração não tem consciência.
Embora haja uma ligeira hipótese
de os trabalhadores do Nível 0 terem consciência.
A vossa mensagem devia ser dirigida a eles.
E como conseguirão isso?
Com um símbolo.
Precisamos de um prato.
Um prato delicioso e magnificamente empratado.
Deverá regressar intacto ao Nível 0.
Imaginem as caras deles
quando o Buraco lhes devolver tal prato.
Só então eles perceberão a mensagem.
A panna cotta.
Cuidem da panna cotta, como se as vossas vidas dependessem disso.
A panna cotta é a mensagem.
Amigos.
Peço-vos encarecidamente para se afastarem da plataforma.
Gostaríamos de vos convidar
para um protesto pacífico
que mudará inexoravelmente o rumo dos acontecimentos
e estabelecerá um precedente importante...
Que merda está a dizer? Fale claramente.
- Pedimos-vos que jejuem um dia. - Um dia?
Sim.
Que se lixe essa merda.
O que importa é a mensagem.
- Esperem! - Saiam!
- Mais dois níveis e começamos a repartir. - Certo.
Para trás!
Amigos, não queremos problemas. Vamo-nos embora em breve.
Vamos dar-vos a vossa ração e partir.
- Ele vai morrer. - Se cuidar dele, não.
Morrerá na mesma.
Vou asfixiá-lo com uma almofada.
Coma e pare com esse disparate.
Cortarei a barriga dele e comerei o que lhe deram.
Merda.
A Miharu deve ter acordado aqui.
- A mãe do miúdo? - O miúdo não existe.
Foda-se.
Merda.
Merda!
A plataforma não parou.
Isso significa que há mais níveis do que você pensava.
Merda...
A plataforma não para se ninguém estiver vivo.
Merda.
Miharu!
Ela está morta.
Não!
Ela está morta.
A plataforma! Vamos!
Vamos!
A plataforma!
Para trás!
Aguente aí.
Aguente aí.
Aguente aí.
Já não resta nada.
Ainda temos a panna cotta.
Ainda temos a panna cotta.
A panna cotta é a mensagem.
A panna cotta é a mensagem.
A panna cotta é a mensagem.
A panna cotta é a mensagem.
Não há ninguém.
A plataforma parou.
Este deve ser o nível mais baixo.
Prepare-se. Vamos subir.
O miúdo.
Não.
Não faça isso.
Não! Foda-se!
Atire a panna cotta.
- Atire a panna cotta. - Não.
Atire a maldita panna cotta.
Não.
Espere.
Espere.
Não está quente...
... nem frio.
É uma menina.
Ela tem fome.
Dê-lhe um pouco.
Não.
A panna cotta é a mensagem.
A panna cotta é a mensagem.
A panna cotta é a mensagem.
A panna cotta é a mensagem.
A panna cotta é a mensagem.
"Um grande homem que é cruel, será um grande exemplo de vício,
e um homem rico pouco generoso será meramente um mendigo.
Pois o possuidor da riqueza não se torna feliz por a possuir,
mas por a gastar,
e não gastando como quer,
mas sabendo como a gastar bem."
"Como quer."
Gosto de o ouvir a ler.
"Sabendo como a gastar bem."
Foi muito ousado da sua parte desperdiçar a abundância do Nível 6, meu caracol.
- Não desperdicei. - O que fará a seguir?
Vai comer o negro?
Porque não a menina?
A menina tem um dom. Não reparou?
Ramsés.
Ramsés.
O Ramsés é a mensagem.
O Ramsés II é a mensagem.
Ramsés.
Ramsés.
Ramsés.
Acorda!
A menina é a mensagem.
Ela é a mensagem.
Ela é a mensagem.
Baharat.
"Partimos juntos e juntos peregrinámos.
Partilharemos um mesmo destino e uma mesma sorte."
A sua viagem terminou, meu caracol.
Ainda não.
Tenho de subir com a menina.
Mas você não é a mensagem.
Mas sou o portador.
A mensagem não precisa de um portador.
Não volte a chamar-me caracol.
Não volte a usar a minha palavra.
Ela vai conseguir?
Ela é a mensagem.
Ela é a mensagem.
Legendas: Ana Paula Moreira
Can't find what you're looking for?
Get subtitles in any language from opensubtitles.com, and translate them here.