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Original subtitles

Bem-vindos ao Last Week Tonight.

Eu sou John Oliver. Muito obrigado pela companhia.

Foi uma semana cheia.

Os EUA pararam de compartilhar inteligência com a Ucrânia,

o Departamento de Defesa continua a limpeza de Trump

em tudo que tenha a ver com inclusão,

marcando milhares de imagens para serem apagadas, como essa,

do Enola Gay, o avião que lançou a primeira bomba atômica no Japão,

porque o arquivo incluía a palavra "gay".

E no mundo da ciência, temos um possível avanço:

Um rato de laboratório que pode ter um impacto de mamute.

Cientistas criaram um rato com lã, um rato geneticamente modificado

que tem características de mamutes.

Colossal Biosciences, uma empresa privada de Dallas,

disse que é um avanço na tentativa de recuperar características

de animais extintos.

Isso!

Acabou de lançar um rato novo!

E eu amo.

As sequências de Parque dos Dinossauros tinham que ser com esses carinhas.

Eu prefiro ver Parque dos Dinossauros sem dinossauros,

só duas horas de ratos com lã curtindo.

Se eu quisesse ser chato, eu diria que alguns cientistas

questionam o impacto ético e ambiental de tentar trazer de volta

uma espécie extinta,

e se esse é realmente um avanço nessa direção.

Mas até uma dessas pessoas disse:

"Eu fico muito cético com isso, mas o rato é bem adorável."

Sim, exatamente, é um rato legal para cacete!

E do jeito que o mundo anda, nos deixem ter essa felicidade!

Infelizmente, a semana não teve só inovações com ratos.

Na terça-feira, Trump discursou em uma sessão conjunta do Congresso.

Antes de começar, o presidente da Câmara, Mike Johnson,

o gerente da fábrica de biscoitos dos duendes,

que com certeza reza antes do sexo, disse que:

"Queria emoldurar em ouro folheado."

E não importa, mas folhear é cobrir coisas que não são ouro

em uma camada fina de ouro para parecerem ser de ouro.

Então não se folhearia o ouro, porque ele já é ouro.

Seria como JD Vance usar uma camiseta dizendo

"Vadia insuportável".

É simplesmente redundante.

Alguns Democratas não foram ao discurso,

AOC postou ao vivo na internet, e Maxine Waters explicou sua ausência

dizendo: "Sabem que eu não queria suportar essa baboseira."

E vendo agora, não ir parece a escolha certa.

Os Democratas presentes não pareciam ter uma resposta coordenada.

Alguns foram de roupas combinando, outros levaram placas.

Um se levantou para protestar durante o discurso.

E depois dez Democratas

se juntaram aos Republicanos para censurá-lo,

apesar de protestos semelhantes contra Biden não terem repercutido.

Essa decisão coincide com os Democratas de centro

que insistem em se desdobrar para agradar os conservadores.

Também vemos isso na resposta oficial

de Elissa Slotkin, que criticou o tratamento de Trump a Zelenski assim:

Reagan deve estar se revirando no túmulo.

Todos queremos que a guerra na Ucrânia acabe.

Mas Reagan entendia que a força de verdade

precisava da combinação da força militar e econômica dos EUA

com clareza moral.

Como filha da Guerra Fria, fico feliz que foi Reagan e não Trump

o presidente nos anos 80.

Trump nos faria perder a Guerra Fria.

É, ela criticou Trump elogiando Reagan.

Eu admito que existem coisas positivas sobre o Reagan.

Ele foi o único presidente a fazer um filme com um macaco

e ele está morto.

Mas a clareza moral pode ser surpresa

para qualquer pessoa gay que viveu nos anos 80.

E se trouxéssemos Reagan de volta e contássemos de todo o racismo

que Trump fez em menos de dois meses,

ele ia gozar com tanta força que ia morrer de novo.

A coisa mais frustrante com a atitude dos Democratas

é que Trump não é invulnerável.

A taxa de aprovação dele é a menor da história

de qualquer presidente a essa altura do mandato,

a única exceção sendo ele mesmo há oito anos.

Por isso foi reconfortante ver algum enfrentamento essa semana.

Por exemplo, Justin Trudeau reagiu às novas taxas de Trump

com uma resposta contundente

que, para o Canadá, é uma demonstração de fúria:

Nós canadenses estamos magoados, estamos bravos.

Vamos escolher não tirar férias na Flórida, na praia Old Orchard

ou seja onde for.

Vamos escolher comprar produtos canadenses,

e largar o Bourbon e outros produtos estadunidenses.

E sim, provavelmente vamos continuar vaiando o hino dos EUA.

Certo, temos muita coisa para analisar.

Primeiro, parece que Trudeau

esqueceu de todos os produtos dos EUA além do Bourbon.

"O Canadá vai abrir mão do Bourbon e... qual é a cerveja

com gosto de diarreia de limão?

Bud Light.

Isso, também não vamos beber."

E eu entendo vaiar o hino, mas não boicotem Old Orchard.

É lá que fica o único patrocinador deste programa,

o campo de minigolfe com luz negra Jungle Adventure.

Sei que não fazemos propagandas,

mas só nos obrigam a fazer uma a cada 12 anos.

O que me lembra, prontos para uma aventura selvagem?

Venham para o Jungle Adventure.

Se acha que tem um campo de minigolfe coberto com tema de safari e luz negra

com máquinas de pinball mais divertido no Maine, é mentira.

A questão é que a inconsistência de Trump com as taxas

gerou um caos total esta semana.

Nem Jim Cramer acreditava como foi tudo tão mal planejado:

Tem uma grande confusão.

Ninguém sabe.

As fábricas de carros não sabem o que vai significar.

Os produtos empacotados não sabem o que esperar,

se vêm de outro país.

Não há nenhuma clareza.

Se alguém acha que tem, está errado.

Eles não falaram nada. Não sabemos o que devemos.

A falta de qualquer pensamento sobre o tema, David,

é espantosa.

Ele tem razão.

Cacete! Jim Cramer tem razão!

Essa política foi tão estúpida que até Jim Cramer,

um homem que é para as finanças o que Carrot Top

é para as finanças, não conseguiu estar errado.

E a população também tem demonstrado descontentamento.

Muitos têm ligado para seus representantes para gritar.

A senadora Lisa Murkowski pediu paciência no mês passado,

porque uma avalanche de ligações congestionou as linhas.

Ela disse que o Senado recebia 1.600 ligações por minuto,

quando a média antes era de 40.

Pensem, 1.600 pessoas por minuto passaram pelo trabalho

de ligar fisicamente para seus senadores.

Ou seja, pegaram o telefone, pesquisaram o contato do Senado,

abriram o aplicativo de ligação, viram que a lanterna acendeu,

tentaram desligar a lanterna, apertaram o botão,

acharam que não desligou, então apertaram de novo,

ficaram bravas, se distraíram com uma mensagem dizendo

"nossa, viu que fizeram ratos novos?", perderam dez minutos

lendo notícias de ratos, encontraram a manchete

"rato faz RCP em amigo inconsciente", manda o artigo para a amiga

com o comentário "respiração rato a rato",

depois se perguntaram: "O que eu ia fazer?",

lembraram que iam ligar para o senador, procuraram o contato de novo

e finalmente ligaram.

É muito trabalho.

Mas acontece que 1.600 pessoas por minuto

estavam bravas o suficiente para fazer isso.

E essa energia foi vista em reuniões públicas nas últimas semanas.

Porque os Republicanos andam com dificuldade:

O povo dos EUA deu um mandato ao presidente,

não é verdade?

Não!

O programa DOGE...

Façam seu trabalho!

Acho que ele fez coisas boas em todas as áreas.

Eu acho...

É um dos públicos mais mal-educados que já vi.

Espera, um dos públicos mais mal-educados que já viu?

Cresça!

Seu trabalho é ouvir reclamações e resolver os problemas.

Se não fizer isso, as pessoas não te devem gentileza.

Sabe quem pode reclamar de um público mal-educado?

Patti LuPone quando alguém manda mensagens,

fim da lista!

Então cala a porra da boca!

E ele não é o único que não lida bem com eleitores bravos.

O legislador do Missouri, Mark Alford, tentou isso:

Estamos vivendo na melhor época da história dos EUA.

O público fez barulho, falou por cima dele.

Elon Musk foi mencionado várias vezes.

Gostem ou não, Elon Musk tem autorização de segurança.

Alford disse aos funcionários públicos que foram demitidos para terem fé.

Temos empregos disponíveis.

Deus tem um plano...

Certo, acho que depender do "plano de Deus" com Elon Musk

é meio difícil.

Ainda mais que, se Elon estivesse seguindo o plano de Deus,

ele claramente já seria careca.

Quanto à afirmação de que é o melhor momento

da história dos EUA, definitivamente não é.

Deixando claro, o melhor momento da história dos EUA

foi quando Ted Cruz curtiu um tuite pornográfico em 11 de setembro.

Diga um momento melhor, é impossível.

Caso encerrado.

Esses eventos geraram tanto tumulto

que aconselharam os Republicanos a evitar eventos presenciais.

Alguns foram além, dizendo que o público presente

é parte de uma conspiração liberal:

Os vídeos que vimos das assembleias são de manifestantes pagos

em vários lugares.

São Democratas que chegaram cedo e encheram os lugares.

Os Democratas chegaram cedo e encheram os lugares,

é uma tática antiga que eles usaram,

para parecer que o governo federal é impopular.

Que bom, voltamos para essa merda.

"O único motivo para não gostarem de mim é serem pagos para me odiar"

seria um começo icônico para algum Housewives,

mas é uma estratégia política muito transparente.

Você entra mesmo nesse trabalho esperando ter zero haters?

O ideal seria os Democratas aproveitarem a indignação

pelas preocupações dos eleitores sendo desmerecidas assim,

mas infelizmente essa foi a resposta incrivelmente constrangedora

do líder da minoria, Hakeem Jeffries:

Me disseram que Donald Trump, Mike Johnson

e os Republicanos de extrema-direita afirmam

que os Democratas pagam pessoas para protestar

nas assembleias locais deles.

Qual é o seu problema?

Não precisamos pagar ninguém, mano.

O povo dos EUA

está conosco.

Qual é o seu problema?

O que são esses gestos com os braços?

Quer secar as mãos sem usar papel?

E não diga "o povo está conosco" sem ter ninguém ao seu redor,

só o seu câmera, que eu imagino que esteja bêbado.

Esse tipo de performance não cabe com o momento que estamos vivendo.

E é desanimador de ver, mas vale lembrar

que nas últimas semanas nós vimos que existem formas eficientes

de enfrentar o que tem acontecido.

E claramente não é garantido de que vai ser eficiente

contra os piores impulsos deste governo,

mas ainda acredito que fazer quem está no poder responder

e ficar desconfortável vale a pena.

Gritem com eles, ocupem os telefones e façam suas vozes serem ouvidas.

E quando acabarem, como prêmio,

por que não visitar o Jungle Adventure,

o minigolfe com luz negra na praia de Old Orchard, Maine?

Falem do John Oliver na porta, recebam um olhar estranho

e pague uma entrada inteira.

E agora, isso:

E agora, sabiam que Jim Cramer trabalhou na Goldman Sachs?

Eu comecei na Goldman Sachs.

Goldman me procurou por três anos até eu começar a trabalhar

no que era o setor de segurança em vendas.

Eu trabalhei na Goldman Sachs, onde todos queriam trabalhar.

E ganhei bem logo de cara.

Eu amo ouro, é uma boa garantia à inflação.

Aprendi isso na Goldman Sachs.

Eddie Lampert fez isso quando trabalhamos juntos na Goldman.

Conheço o pai dela. Foi meu chefe na Goldman Sachs.

Eu trabalhei na Goldman Sachs. Sempre menciono isso, porque...

Por que não?

Eu sempre gostei dessas comissões na Morgan Stanley.

Mas eu rejeitei eles para trabalhar na Goldman.

Um cara que gritou comigo e me humilhou na frente de todos na Goldman,

e eu, como sou masoquista, gostei.

Eu trabalhei na Goldman Sachs. Quando eu estava lá... Jim estava lá.

Sim.

Sim, estava em outro andar.

Eu estava em um andar melhor.

Eu fiz tudo assim.

Estou falando da Goldman Sachs.

E AGORA

Continuando.

O tema de hoje é imigração, o assunto surpreendente

do tuite de dia dos namorados da Casa Branca:

"Rosas vermelhas, violetas azuis, entre ilegalmente e deportaremos você."

Mas é o tipo de romance esperado de uma casa onde mora

esse casal apaixonado.

Desde que Trump virou presidente,

ele fez um circo com as ações de imigração.

Sempre leva a imprensa, e até o Dr. Phil

para tentar gerar uma cobertura positiva.

Mas nem sempre deu certo.

Por exemplo, uma ação em um condomínio no Colorado

onde supostamente havia atividade de gangues,

mas acabaram com poucas prisões e um vídeo humilhante:

A equipe foi de porta em porta e encontrou sangue nas paredes,

mas nenhum criminoso.

Todo o condomínio estava quase vazio.

Em um segundo condomínio, a ICE encontrou com ativistas

que os provocaram.

Seus imbecis!

Qual é o problema de vocês?

Saiam da nossa comunidade!

Excelente.

Todos precisamos de mais da energia dessa mulher.

Eu não sei o que tem naquele copo, mas sei o que não tem:

Mais paciência com essa merda.

As ações cumprem a promessa de campanha de Trump

de fazer a maior operação de deportação

na história dos EUA,

e para isso, toda semana ele encontra um novo lugar

para mandar os migrantes: Costa Rica, Panamá e até isso:

A nova peça do quebra-cabeças das deportações em massa:

Levar até 30.000 imigrantes criminosos para a base naval em Guantánamo.

Vamos mandá-los para Guantánamo.

Isso vai dobrar nossa capacidade imediatamente...

É duro...

É duro de sair de lá.

Sim, é mesmo.

Mas chamar de um "lugar duro de sair"

é um pequeno eufemismo.

É duro de sair de um labirinto em um milharal,

de uma rede mal colocada,

Guantánamo é um buraco negro legal onde a Constituição vai para morrer.

Mês passado Trump enviou 178 venezuelanos para lá,

mas logo os tirou de lá depois do governo ser processado.

E a maioria dos especialistas concordam que por motivos legais e logísticos,

Guantánamo não pode receber 30.000 migrantes em um futuro próximo.

Isso significa que a maioria dos presos

vai para o sistema já existente de detenção de migrantes.

E sei que falamos muito no programa sobre os problemas com a imigração,

desde os tribunais para migração que são arbitrários e lentos,

as lacunas nos pedidos de asilo

e a verdade de que para muitos não dá para "entrar do jeito certo".

Falamos das falhas na política de imigração de Biden

e na crueldade da política de Trump.

Mas hoje vamos focar especificamente nos centros de detenção.

Não se fala muito deles, apesar de muita gente passar por lá.

O ICE tem orçamento para manter pouco mais de 41.000 pessoas,

e ano passado passaram mais de 260.000 pessoas nos centros.

Mas Trump já está falando em mandar mais gente para esse sistema.

E, em alguns lugares, isso gerou festa.

Depois das eleições, as ações de prisões privadas

como GEO Group e CoreCivic dispararam,

com seus CEOs se gabando por quanto iriam ganhar:

O GEO Group nasceu para este momento especial

na história da nossa empresa... do nosso país,

e das oportunidades que virão.

Eu trabalho na CoreCivic há 32 anos.

Esse é com certeza um dos momentos mais empolgantes da minha carreira.

Em geral, se acontece algo que deixa uma empresa de prisões empolgada,

essa coisa é ruim.

Se você chega em casa e escuta:

"Amor, eu fiz uma coisa hoje e o GEO Group está muito animado",

você vai ter uma conversa que vai mudar a sua relação.

E acontece é que os centros de detenção de migrantes,

por lei, não podem ser um castigo.

O próprio site da ICE diz que a detenção não é punitiva.

Mas como vão ver, é como falar que o mar não é molhado

ou que Wicked não durou 30 minutos a mais do que devia.

É uma afirmação ousada, muito contestada por evidências.

Por isso, hoje vamos falar dos centros de detenção da ICE.

Vamos responder perguntas básicas: Quem está neles,

quem os administra, e como são por dentro.

Primeiro, quem é mandado para lá?

Trump e o entorno dele vendem as prisões de imigrantes

como uma forma de combater o crime.

Vemos a porta-voz dele respondendo sobre quem foi preso

na primeira rodada de ações da ICE:

Das 3.500 prisões que a ICE fez desde a volta de Trump,

pode passar os números exatos, quantos possuem ficha criminal

e quantos estavam aqui ilegalmente?

Todos, porque violaram as leis dos EUA,

portanto são criminosos para esse governo.

Sei que o governo anterior não achava isso,

é uma grande mudança na cultura do país

pensar que alguém que viola as leis de imigração como criminosos,

mas é isso que são.

Espere, isso não é verdade.

Entrar nos EUA sem autorização pode ser um delito,

mas muitos sem documento entraram de forma legal

e ficaram por mais tempo.

E não ter documentos é uma violação civil,

e não uma criminal.

É uma diferença importante que o chefe dela deveria entender,

já que ele já cometeu ambos.

E para ficar claro, mais da metade dos detidos

não possuem ficha criminal, e vários outros

só cometeram delitos menores, como violações de trânsito.

E mais, muitos já estão no processo de asilo.

Ano passado, quase metade daqueles em custódia da ICE

estavam em busca de asilo.

E isso é verdade para alguns presos no Colorado em fevereiro.

Prenderam um homem que tinha feito tudo da maneira correta.

Ele não cometeu nenhum crime

e tinha uma audiência marcada para pedir asilo.

Mas, apesar disso, escutem o irmão dele contando o que aconteceu:

Na quarta-feira, o irmão de Luís, Yonatan, o levava para o trabalho.

Documento?

Documento.

Mas eles não saíram do estacionamento do condomínio Cedar Parks,

onde a ICE deteve ao menos cinco na operação de quinta-feira.

Nos pediram documentos daqui.

Mostramos o processo de asilo, o formulário carimbado pelo tribunal.

Luís diz que os agentes não aceitaram os documentos do irmão dele,

mesmo ele mostrando o pedido de asilo enquanto aguarda o visto de trabalho.

Ele tem muitas perguntas sobre o irmão ter sido detido

sem ter ficha criminal.

Se ele não tem um mandado de deportação, por que o levaram?

É, boa pergunta.

É uma das muitas coisas difíceis de entender com a cena,

assim como por que os agentes estavam usando camuflagem?

Estão em um estacionamento, não no meio da mata.

Se quer ficar camuflado,

deveria se vestir como quiosque de acessórios no shopping.

Mas deter as pessoas deve ser feito em circunstâncias limitadas:

Se há risco de fuga ou para garantir que apareçam

em uma audiência de imigração.

Mas a maioria vai à audiência porque querem ser ouvidos.

E os que pedem asilo, como o irmão daquele homem,

um estudo mostrou que se não estão detidos,

noventa e cinco por cento vão a todas as audiências de imigração.

Alguns imigrantes estão sujeitos à detenção obrigatória,

como os acusados de violar a lei.

Antes isso se limitava a casos graves, como homicídio ou tráfico de armas.

Mas isso mudou quando Bill Clinton expandiu para delitos menores,

como condenações pequenas por drogas ou passar um cheque sem fundo.

E as condenações nem precisam ser recentes.

Como este homem,

que foi trazido da Jamaica para os EUA na adolescência.

Ele serviu nas Forças Armadas, e depois se declarou culpado

por posse de maconha em 1997.

Ele seguiu em frente, abriu um negócio, começou uma família, mas em 2010

isso aconteceu de repente:

Às 5h30 da manhã eu ouvi batidas na porta.

Pum, pum, pum, pum!

E abri a porta.

Perguntaram: "Você pediu a cidadania há seis meses?"

Eu disse que sim.

"Vire-se! Nós viemos por isso."

Eu não pensei que em 2010,

a condenação por maconha de 14 anos antes

voltaria para me prejudicar.

Isso é ridículo!

Claramente ninguém deve ser punido

por um erro menos que cometeram há 14 anos.

Senão eu seria culpado por fazer o Smurf Vaidoso

no filme Smurfs de 2011.

Eu já fui castigado quando assisti e quando tive que tirar essa foto.

Eu acho que já sofri o bastante.

A questão é que a expansão da era Clinton

multiplicou a população carcerária, que passou dos 20.000 em 2001.

E aumentou ainda mais com Bush, Obama, Trump e Biden.

Hoje temos o maior sistema de detenção de imigrantes no mundo,

o que deveria ser uma vergonha.

Porque os EUA têm muitas coisas que são as maiores do mundo.

Em geral são incríveis, ou ao menos maravilhosamente esquisitas.

Temos a maior lata de tinta do mundo,

a maior cadeira de escritório do mundo, e minha favorita, a maior cesta.

Tem sete andares, sem contar as alças.

E curiosidade, ela era a sede da Longaberger,

uma empresa fabricante de cestas em Ohio.

Parece que foi ideia do fundador, que escreveu em suas memórias:

"Eu pensei que se Walt Disney criou um império a partir de um rato,

a sede da Longaberger pode parecer com uma cesta."

E também: "Sempre que eu falava, me olhavam como se eu fosse louco".

Infelizmente a empresa abandonou a cesta em 2016,

e ela está vazia desde então.

Mas a internet tem vídeos de admiradores que peregrinaram

para vê-la de perto desde então, como este:

Acho que as fotos não fazem justiça.

Parece bem maior em pessoa do que nas fotos que eu vi

por muito tempo.

E aqui estou eu, à sombra

de uma cesta de sete andares.

Mais empresas deveriam fazer isso.

Construir escritórios e sedes em um tamanho gigante

na forma dos seus produtos.

Eu concordo plenamente com isso.

Eu falo há anos,

o que eu mais quero é a General Mills dentro de um cereal gigante,

a L’Oréal, em um batom gigante e o McDonald's em uma máquina de sorvete

que nunca funciona.

Dito isso, eu acredito que a carcaça vazia e decadente

do maior escritório em forma de cesta do mundo

dá bem menos vergonha que ter o maior sistema de detenção

de imigrantes do mundo.

Viram? Eu voltei ao tema.

Aposto que esqueceram qual era o assunto,

mas eu sempre sabia aonde ia.

Eu sempre sei às vezes.

E a média de estadia

para alguém sob custódia da ICE é pouco mais de 44 dias,

mas é só uma média.

Mais de 2800 pessoas ficaram entre seis meses e um ano.

Quase 700 ficaram por ainda mais tempo.

E essa é a questão.

Se você for detido, você não sabe quanto tempo vai ficar lá.

Não há data para liberação.

E mesmo quem é responsável por isso enxerga os problemas:

Não é como um presidiário na cadeia, que tem uma sentença

e sabe a data em que vai sair.

Aqui eles não sabem quando vão sair.

E sei que se eu estivesse no lugar deles, seria difícil

não saber quando eu vou embora.

As pessoas às vezes veem isso como um castigo.

Mas nós não castigamos. É...

Sei que é visto assim, mas não vamos deter alguém como punição.

Mas acontece que ficar preso sem saber quando vai embora

é a definição de castigo.

Podem perguntar ao nosso público agora.

Não só estão presos, mas não sabem quando vai acabar.

Estão presos, ficando mais tristes, desejando estar na gravação de Drew.

Sinto muito, pessoal, é no estúdio ao lado.

Hoje tem uma demonstração culinária e vão dar liquidificadores.

Essas são as pessoas presas, mas onde ficam esses centros?

Às vezes a ICE prende pessoas nas cadeias locais,

o que já é estranho, já que, novamente, a detenção não deve ser punitiva.

Mas a grande maioria, mais de 90%,

fica em centros pertencentes ou operados por prisões privadas.

Por isso os CEOs estavam tão empolgados

falando do faturamento.

Essas empresas ganham muito dinheiro detendo imigrantes.

Na verdade, a primeira prisão privada dos EUA foi para imigrantes:

Os empresários dos EUA estão otimistas com as prisões.

A Corrections Corporation of America em Nashville, Tennessee, acredita

que, nos anos 80, o negócio da prisão é o que há.

Essa construção em Houston, Texas, em breve será a primeira prisão

de iniciativa totalmente livre nos Estados Unidos.

É projetada, construída e operada por uma empresa privada.

É construída para o Departamento de Justiça dos EUA deter

até 300 estrangeiros acusados de entrar ilegalmente no país

enquanto aguardam suas audiências de deportação.

O mercado é enorme.

Temos mais de meio milhão de pessoas presas no país

neste momento.

Temos muita coisa a dizer,

e a falta perturbadora de piscadas desse homem distrai um pouco.

E também o tom otimista estranho do resto da matéria.

"O negócio da prisão é o que há" não é algo que se diz no noticiário,

parece um musical onde Bernadette Peters

esfaqueia alguém que está dormindo.

Mas a questão é que os negócios andam bem para as prisões privadas.

CoreCivic e GeoGroup recebem respectivamente 27% e 30% de sua renda

só de contratos de centros de detenção da ICE.

E dá para ver por que o modelo tem tanto apelo.

A ICE se livra das dores de cabeça e responsabilidades pelos centros,

e às vezes se afastam ainda mais, fazendo contratos com os governos locais

que então contratam as empresas privadas.

É atrativo porque esses acordos trazem menos investigações

do que os contratos federais normais.

O sistema funciona bem para as empresas e a ICE,

mas funciona bem pior para quem passa por ele.

Vamos falar sobre como são esses centros.

Primeiro, eles costumam ficar em áreas incrivelmente remotas.

Isso é importante, porque os detidos podem ficar sem representação legal.

Alguns casos só têm um advogado de imigração em um raio de 160 km

para cada 200 detidos.

E como as ligações são negadas ou difíceis de se marcar,

advogados como este podem levar um tempo absurdo

só para falar com os clientes:

Eu saio de casa de manhã,

pego a estrada e tento não parar

até o centro de detenção.

Geralmente vamos até Pine Prairie. São cerca de três horas dirigindo.

Hoje vamos até Jackson para uns casos especiais,

então são quatro horas e meia, cinco horas, dependendo do trânsito.

É, é um grande problema, ainda mais que, entre os detidos,

os que têm advogados possuem o dobro de chance

de conseguir auxílio migratório do que os que não têm,

então advogados são fundamentais.

Eu sei que às vezes eu os sacaneio, porque a advocacia

era a profissão desse cara.

Mas sem eles nós estaríamos fodidos.

Não teríamos The Good Wife, Conduta de Risco,

este programa definitivamente não existiria.

Teríamos sido fechados há anos depois de uma montanha de processos

por assédio sexual da parte de Adam Driver.

Isso sem falar das condições de dentro dos centros,

que são difíceis de se ver, já que o acesso é controlado.

O pouco que se vê

é em visitas muito restritas para noticiários locais

ou vídeos produzidos pelos próprios centros,

como este, de um centro no Novo México,

pertencente à empresa MTC.

O centro Otero organiza torneios esportivos

e outras atividades para os homens ficarem ativos.

Assim como no centro Imperial, os detidos têm acesso

a cuidados médicos e dentais.

Nossos funcionários são treinados para treinar os detidos com dignidade.

É nossa abordagem biônica, "Acredite ou não, eu me importo".

Certo...

Se parar falar que se importa, começa com "acredite ou não",

você começou mal.

Se eu falo: "Acredite ou não, eu não faço desenhos eróticos

da abelha do cereal", o fato de ter dito "acredite ou não"

sugere que já presumem que eu faço.

Essa suposição já é um problema. Porque eu não faço.

Não é meu tipo de abelha de desenho.

Isso, por exemplo, não causa efeito.

Nem isso.

Nem mesmo esse.

E que fique claro, eu definitivamente não desenhei eles,

acreditem ou não.

E eles vendem uma imagem linda, mas a questão é que as condições

nestes centros podem ser brutais.

Por exemplo, se espera que os detentos cozinhem e limpem.

E a ICE exige que sejam pagos, mas o pagamento é risível.

Em muitos lugares é só de um dólar por dia.

E os detidos que negarem podem ficar sem comida

ou sofrer "segregação disciplinar", também conhecido como "solitária".

O GEOGroup foi processado por isso em um dos seus centros,

e usaram um argumento no tribunal que o juiz não quis nem saber:

A GEO disse que se precisarem escolher entre um castigo ou trabalhar,

ainda é uma escolha.

Escutem essa interação entre o advogado da GEO

e o juiz que questiona o processo da empresa:

A segregação disciplinar pode ser usada como uma sanção

para a recusa ao trabalho.

Eles decidem toda vez se vão consentir ou não ao trabalho.

Ou a comer.

Ou serem isolados. Certo?

Digo... os escravizados tinham escolha.

Não é?

Não foi ótimo.

Se um juiz compara suas práticas com a escravidão,

em geral, seu caso não vai bem.

A essa altura nem deveria ter um veredito,

deveria abrir um alçapão para chamarem logo o próximo caso.

E não foi o único caso de solitária para as pessoas detidas.

Um estudo mostrou que, em cinco anos, centros da ICE

isolaram pessoas 14.000 vezes, com duração média de 27 dias,

superando por muito o limite de 15 dias

que especialistas em direitos humanos consideram tortura.

E não é tudo.

A ICE informou que entre 2017 e ano passado,

morreram ao menos 70 migrantes detidos em seus centros.

E os detalhes em alguns casos são aterrorizantes.

Por exemplo, Kamyar Samimi.

Ele imigrou do Irã nos anos 70 e conquistou cidadania permanente.

Em 2005, se declarou culpado de possuir menos de 1g de cocaína

e foi condenado a serviços comunitários,

mas 12 anos depois a ICE de repente decidiu

que a condenação por drogas dele o faria ser deportado.

Como se não fosse o bastante, enquanto ele estava detido,

deixaram ele sem a metadona que usava para se livrar do vício

de uma hora para a outra.

Ele começou a vomitar coágulos, mas a equipe demorou horas

para chamar a emergência,

e Samimi morreu duas semanas depois de entrar no centro.

E a filha dele descobriu assim:

Um colega me mandou uma mensagem me avisando que um agente

da imigração foi ao meu trabalho e deixou um cartão

porque queria falar comigo.

Ele atendeu o telefone e me disse

que meu pai sofreu uma parada cardíaca,

que foi para um hospital e foi declarado morto.

Meu pai morreu no sábado. E só me avisaram na segunda.

Eu acho muito estranho que a ICE trabalhe em horário comercial

para avisar às pessoas quando um ente querido morreu.

É, "estranho" é uma forma de dizer.

"Uma desgraça do caralho" seria outra.

E é incrível que essa história não é uma exceção.

Um estudo mostrou que 95% das mortes sob custódia da ICE

poderiam ser prevenidas com cuidados médicos apropriados.

É citado um caso de um homem de Angola,

que começou a demonstrar sintomas de doença mental,

se recusou a comer, perdendo 13kg em 30 dias.

Eventualmente ele concordou em beber um suplemento,

mas não deram a ele, porque o responsável

queria comprar a um preço justo ou com desconto.

Aliás, o centro era o mesmo daquele vídeo feliz

onde, acredite ou não, eles se importam.

Então acho que a frase tem o mesmo sentido

do "acredite ou não" do Ripley.

"Somos completamente mentirosos, o que você acha é com você."

E se com tudo isso, vocês ainda pensam

"parece que estamos causando muitos danos desnecessários",

vocês estão certos.

E não acreditem só em mim.

Temos um ex-diretor da ICE dizendo basicamente o mesmo:

Prendemos muita gente que não é perigosa ou não tem risco de fuga.

Para mim, não faz sentido.

Deveríamos nos fazer perguntas mais amplas,

por que estamos nesse negócio?

O que ganhamos com isso?

É só a política, não é?

O público gosta de ouvir "detenção",

parece forte.

É verdade, o público gosta de ouvir coisas que parecem fortes.

Por isso Mark Sinclair usa o nome artístico Vin Diesel,

e não Reginald Chuchimichi III.

Mas quando ele pergunta por que estamos nesse negócio,

o fato de ser um negócio já é parte da resposta.

E é algo que não é esquecido por quem está nos centros:

Eles nos deixam aqui por sete ou oito meses e lucram conosco.

Para eles, somos um negócio.

A imigração é um negócio neste país.

Ele tem razão. A imigração é um negócio,

como qualquer atividade com fins lucrativos nos EUA,

como a empresa da masturbação tóxica agressiva,

a megacorporação destruidora de pequenos negócios

ou a Pottery Barn.

Não tenho nada de ruim para falar deles,

eles fazem produtos de qualidade a bons preços.

Continuem assim, Pottery Barn.

Mas a questão é que tudo isso que eu mostrei

vem de antes do segundo mandato de Trump.

O que vem a seguir será certamente pior.

O Congresso ampliou ainda mais as detenções obrigatórias

para incluir pessoas sem documentos acusadas por qualquer tipo de roubo.

Trump também começou a colocar os migrantes em prisões federais,

e reabriram centros que foram forçados a fechar

por denúncias de falta de segurança ou superlotação.

Então, o que fazemos?

A nível federal, de verdade, nos próximos anos, estamos fodidos.

Mas alguns estados acharam formas de diminuir os danos.

Illinois, por exemplo, proibiu que empresas privadas

fizessem contratos com comunidades locais

para detenção de imigrantes.

Também proibiu cidades e condados de fechar contratos com a ICE

para alojar ou deter imigrantes em prisões locais,

o que é ótimo, eu diria que todos os estados deveriam fazer isso.

E temos que reconhecer que o Novo México está avaliando uma proposta similar.

Olhem, o governo Trump claramente vai fazer todo o possível

para ser o mais irresponsável possível nos próximos quatro anos.

E eu sei que ninguém quer ouvir outro discurso comovente

sobre como as políticas de imigração desse governo

vão contra os ideais da fundação dos EUA.

Já passamos desse momento.

Mas seguindo, vamos ter que achar formas de lutar com mais força

contra quem está determinado a ganhar força política às custas

de uma população muito vulnerável.

E para quem continue apoiando isso, só temos uma coisa a dizer:

Seus imbecis!

Qual é o seu problema?

Pois é. Exatamente.

E agora, isso:

E agora, Stone Cold Steve Austin ama seus gatos durões para cacete.

Oi, e aí? Sou o Steve. Vim ao rancho Broken Skull.

O estábulo está aberto.

Já soltei as galinhas,

agora vou soltar Pancho e Macho.

Olha ele aí!

O bom e velho Panchi. Bom dia, amigo.

É um gato durão do cacete.

Pancho, cadê você, filho da mãe?

Olha ele!

Esse gato é um filho da puta.

Imaginem um gato tão durão

que você só pode fazer carinho com luvas de couro de verdade.

São uns gatos durões.

Macho virou um gato durão, não é?

Faz tempo que os gatos durões não aparecem no Instagram, não é?

Aqui estão, ao vivo e a cores.

Panchi!

Pancho sempre sobe na traseira da minha caminhonete.

Que gato durão.

Perguntaram, e aqui está ele. Pancho, um gato durão.

Que gato durão, esse aqui.

Quer saber? Ele é um gato durão.

Está em forma.

Olhem esse gato.

Que gato durão.

Pancho!

Pancho!

Droga!

Pancho! Não me abandone!

Esse filho da puta é demais.

E AGORA

Este foi nosso programa. Muito obrigado pela audiência.

Nos vemos na semana que vem. Boa noite.

OI, JOHN! QUER POLINIZAR MINHA FLOR?

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