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MARCAS DO PASSADO - LITTLE BOY BLUE -
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"Ele comeu o papai e a mamãe também.
Ninguém tem o apetite do Grande Tom.
Ninguém pescou esta maravilha que salta da água como um raio.
As barbatanas são como asas, quando voa pelos ares...
lançando olhares aos pescadores".
"Diz a lenda que só Deus sabe onde ele vive".
Pode contar só mais uma vez?
- É melhor não. - Por favor...
Não quero mais ouvir essa história boba. Apague a luz.
Ouviu o que ele disse. Vamos deitar.
Certo. Vou fechar bem e vai dormir.
- Jimmy... - O quê?
- Você gosta de mim? - Claro que gosto.
E a mamãe?
Veja se dorme.
- E o papai? - Quem poderia não gostar de você?
Eu. Eu não gosto nem um pouco.
Pronto, já chega.
Já para a cama.
- Boa noite, Jimmy. - Durmam.
Traci...
- Espera, espera. - Tem certeza?
- E se os meus pais aparecerem? - Não vão aparecer, eu garanto.
- Quero você... - Não devíamos fazer isso.
Não devíamos fazer isso.
Acho que ainda não estou preparado.
Estaremos vivendo juntos daqui a uma semana.
Também não sei se estou preparado para isso.
O que quer dizer?
Não sei se posso ir.
Não posso deixá-los.
O quê? Os meninos? Não pode deixá-los?
Mas e nós? Está tão envolvido...
está tão obcecado com os meninos que não pensa em mais nada.
Eu não estou obcecado.
- Nunca quis sair daqui, não é? - Quis, sim.
Quis? Então, quando ia me contar?
- Quando ia me contar? - Não sei. Desculpa.
Sou eu. Não sou suficientemente boa para você.
Você é boa demais para mim. Não é nada disso.
Nunca vai saber se é realmente bom, se não sair desse buraco.
Traci...
Traci, não quero que vá embora brava comigo.
Preciso que seja minha amiga.
Como se diz, "se vai procurar petróleo, tem que ir ao Texas".
O idiota vendeu a máquina, meses depois de voltar para casa.
O rapaz da recuperadora ainda tem a fatura.
Os números de série combinam.
Não sei, numa espelunca qualquer. Um bar nojento.
Acho que é 555-0199.
Isso. Pegue o endereço dele perto dos bares...
e já vou avisando, aquilo lá é sinistro.
É o nosso homem, querida. Encontramos o homem.
Então sejamos discretos, para eu voltar com mais notícias.
Isso.
Beba sua cerveja preferida e descanse.
- Posso pedir uma aqui? - É parajá.
Pode ficar com o troco, boneca.
Posso? O que fiz para merecer isso?
Obrigada.
Aquele ali é o seu marido, Ray?
O que ele fez desta vez?
Eu não sou policial.
Não? Ótimo.
Ele acha que todos são.
Ele é desconfiado, não é?
Quem era aquele?
Perguntei quem era aquele.
Não comece, Ray, por favor.
Acabou de nos dar 20 pratas.
Vou perguntar mais uma vez.
- Quem diabo é ele? - Como quer que eu saiba?
Não fomos apresentados, mas ele sabe quem você é.
- Você contou para ele? - Contei...
Foi por isso que deu o dinheiro?
Talvez tenha me dado porque sou bonita.
- Ele falou isso? - Não.
- Ray West. - Andy.
Andy? A senhora do balcão quer retribuir sua generosidade.
- Posso? - Claro!
Ela é muito atraente.
Com certeza queria um pedaço para mim, você não?
- Você a conhece? - Só daqui.
Nunca o vi por aqui.
- É de fora? - Sim, só estou de passagem.
- Negócios... - Isso.
Que tipo de negócios, Andy?
Automóveis clássicos.
- Procuro pechinchas para restauração. - É mesmo?
Em quais modelos está interessado?
Pontiacs dos anos 60, Corvaires dos anos 70...
especialmente carros alemães.
Alemães.
Jimmy West, deve render-se, está preso por danos pessoais.
Espero que tenha alguém para cuidar dos seus irmãos. Ouviu, Jimmy?
Nate...
Entre no carro.
Faz tempo que não o vejo.
- Tenho pensado em fazer uma visita. - Sim, estou vendo...
- Como estão os pequenos? - Crescendo.
E você?
Eu?
Traci está muito chateada.
Meu Deus, ela não perde tempo.
Lamento, Nate.
- Vão fazer as pazes? - Não sei.
Não sei mais. Ela tem a vida dela pela frente.
Sim, mas ela queria que fizesse parte desse futuro.
Quantas meninas estariam dispostas a pagar sua faculdade?
Vocês estão juntos há muito tempo.
Eu sei.
- Não vai acreditar no que ela disse. - O quê?
Ela acha que é gay.
O que está acontecendo, cara?
Conversa comigo.
Estou envolvido com outra pessoa.
- Quem? - Outra pessoa.
- Quem? Que outra pessoa? - Outra pessoa!
- O jovem garanhão! - Não sou nenhum garanhão.
Jimmy West, o arrasa corações!
Até parece...
Tenho mesmo de ir, Ray.
Escute, tenho um mina de ouro com aquilo...
O que estou realmente procurando...
são Volkswagens, Ray.
- Eu tenho um. - Procuro os ônibus. Ônibus.
- Certo. - Estes hippies de agora...
transformam-nos em vans.
- Tem uma dessas? - Tenho.
Ainda tem o motor original?
Vem aqui. Me dá seu cartão ou um número.
- Policial, eu... - Polícia! Parado!
- Mãos para cima! - Sim, senhor.
Quieto! Afaste as pernas! Largue as chaves.
Levante a camisa!
Levante a camisa!
Sem movimentos bruscos. Levante a camisa!
Agora, quero que se vire lentamente.
Isso mesmo. Lentamente.
- De joelhos! - Tenho licença.
- No chão! - Sim, senhor.
De joelhos! Cabeça para baixo! Deitado!
Braços esticados pra fora! Braços pra fora!
Palmas das mãos pra cima!
- Acho que não acreditaram em você. - Seu telefonema também não ajudou.
O que eu deveria ter feito?
Não vou me preocupar. Contei-lhes o que aconteceu.
Quem faz a cama, nela se deita.
Não somos os responsáveis, nem os donos da espelunca.
Nate me olhou de um jeito esquisito, não sei...
- Quem é Nate? - O Agente Carr.
Quem é Agente Carr?
Andava na escola com o Jimmy, acho que é mais velho.
Jogaram no mesmo time.
Jimmy...
Está bem?
Está bem, Jimmy?
- Oi. - Oi.
- É um maricas bêbado. - Deixa pra lá, Ray.
Deixa pra lá.
É um maricas bêbado.
- Deixe-me em paz. - Está bebendo a minha cerveja.
- Não se meta comigo. - Bebe a minha cerveja e me ameaça?
Certo, vamos lá. Venha.
- Sabe o que mais? - Não, diga.
Acho que posso com você.
- Pode comigo? - Posso.
Pode comigo? Então, anda. Anda!
Seu idiota medroso. Está bêbado.
É um idiota medroso de merda!
Que bom, agora vão se matar! Ótimo.
É só cerveja. Que droga! Amanhã trago mais!
- Não é só cerveja, é? - Jimmy!
Vem, Jimmy.
Por Deus, Ray! Por favor, não!
- A culpa é minha, está bem? Não... - Não o quê?
- Ray, por favor, olha para ela. - Pare, pare.
Olha para ela, Ray. Ela está exausta.
Por favor, olha para ela!
Olha para ela!
Não, no abrigo não. Façam no carro.
- Por que no carro? - Porque eu disse! Atrás!
Certo. Muito bem...
Vamos!
- Puxa. - É isso mesmo. Vamos com isso!
Vamos! Quero ver beijos!
Pronto, já terminei. Já chega. Já chega!
Eu disse que já chega!
Fora! Eu disse que terminei e que já chega!
E não volte mais pra minha casa, seu merda! Nem pra cagar!
- Por que tem que ser tão duro? - Cale-se e vá pra casa.
Você gostou, não foi? Você gostou!
E você também, menino triste! Conseguiu o que queria!
- Jimmy, hoje não. - Mas precisamos conversar.
Ele vai vê-lo.
Não vou para a escola com Traci.
Temos que sair daqui.
Por que não vai para a escola?
Temos que levar os meninos pra longe dele.
- E para onde vamos? - O mais longe possível.
Eles viram o que aconteceu ontem à noite.
Devia ir para a escola com Traci.
- Por que sempre lava os lençóis? - Quer alguma coisa?
- Ele urina na cama? - Deixe-me em paz!
Ou são só alguns pingos?
Obrigada.
Está com fome?
- Estamos sem cerveja. - Vou buscar.
O que o menino triste estava murmurando?
Pediu pra eu pedir desculpa por ele.
Disse que quer ficar por aqui mais um pouco...
para cuidar dos meninos.
Pode ficar e ver a grama crescer. Nossos dias aqui estão contados.
Onde está o velhote que costuma trazer o correio?
O velho Sheppard faleceu na noite passada. Ataque cardíaco.
Lamento. Parecia ser um bom homem.
- Não chegou a conhecê-lo? - Não, senhor.
Nossa! Aquele foi um belo lançamento, rapaz.
- Como se chama? - Jimmy. Jimmy West.
- O West do Liceu Lincoln? - Sim, senhor.
Claro, lembro de ter lido a seu respeito no jornal.
O que faria se pescasse o Grande Tom?
Metia no rabo dele.
É muito grande pra fazer isso.
Me lembro desse time. Nate Carr fazia parte dele.
Achei que seria o próximo Ricky Henderson ou coisa assim.
Nate é um grande amigo meu.
Aquele tipo violento, ali...
- Trabalha? - Não.
Bem que eu achei. Esteve no Vietnã?
Prestou serviço militar, certo?
- Acho que sim. - Com certeza esteve no exército.
Como sabe disso?
Filho, entrego cartas há mais de 20 anos.
- Não preciso abri-las para saber. - Sério?
Brincadeira. Cheque da Associação dos Veteranos de Guerra.
- Pode colocá-las na caixa, senhor? - Claro.
- Olá. - Olá.
- Deve ser o Investigador Flea. - Fleaharty, minha senhora.
Dissemos tudo o que sabíamos à polícia.
Sou do departamento forense, não vou fazer perguntas.
São só uns minutos.
Depois corto a fita e podem voltar ao trabalho.
- Vai cortar a fita? - Daqui a uns minutos.
- Posso oferecer um drinque? - Fica para depois.
- Jimmy, o que é um canhoto? - Quem lança com a mão esquerda.
- É canhoto? - Quem me dera.
Mark, está treinando isso, a mão esquerda?
Sinto que meu alcance será mais apurado neste outono.
Acha mesmo?
Tenho uma coisa para você.
- Feche os olhos. - Não sei se quero.
É a sua bola especial, a que lançou contra Derby.
- É sua. - Para eu guardar?
Para guardar.
- Posso jogar "T-Ball" ano que vem? - Pode.
"T-Ball"! Jogo fácil demais.
- É pra maricas. - Não bate no seu irmão.
- Tem alguma coisa me picando. - O quê?
- Me dá isso! - Não.
Mark, me dá isso. Dá pra mim!
Não, não.
Pirralho!
Vamos assistir ao jogo.
- De quem é? - Da Traci.
Parem com isso!
- Ela vem aqui hoje? - Vejam a televisão.
Queriam ver um canhoto, vejam.
Vejam o movimento do braço esquerdo.
Meninos, isso é um canhoto.
- Está maluco, rapaz? - Desculpe, senhor.
O que está querendo, rapaz?
No outro dia, disse que era um veterano...
Exército dos EUA. Dez anos e duas idas ao Vietnã.
Mas não ficou ferido, ficou? Quero dizer, voltou bem?
Deus olhou por mim.
Então, não recebe cheques da Associação dos Veteranos?
Fala logo, filho. O que quer saber?
Meu pai, o Ray...
Ele tem algo errado...
aqui embaixo.
O quê?
Não sei. Tem uma espécie de...
saco de borracha com um tubo.
- Nossa! - Eu sei.
- E o que isso tem a ver comigo? - Nada.
Mas como disse que foi ao Vietnã...
estava pensando se não podia checar os arquivos da A.V. E...
Quer dizer, ver os registros médicos dele?
São informações confidenciais, rapaz.
Eles controlam tudo aquilo muito bem.
- Para que quer saber? - Desculpe, senhor. Tenho de ir.
Certo, por que não vai até o lago, agora?
- Não quero mais pescar. - Está me respondendo?
Não, senhor.
Quer ficar com essas luvas? Então vá para o lago.
- Que droga! - O quê?
Sim, senhor.
- Quando retiraram essas tropas? - Em 1973.
Me diz uma coisa.
Aqueles lançamentos que faz...
por que não vai para a faculdade ou tenta entrar num programa?
Não sei.
E digo mais...
se acertar sempre aquele latão, não precisa de estudos.
- Não acha que ele é seu pai, certo? - Não sei.
- Tem certidão de nascimento? - Nunca vi nenhuma. Acho que não.
Digo uma coisa...
aquela sua mãe deve ser uma esposa devotada...
uma vez que ele não pode... você sabe.
Ela é muito devotada.
É aqui.
Tem certeza de que não quer uma carona até em casa?
São mais de 2 Km.
- Já fiz isso mais de uma vez. - As pernas são suas.
Jimmy, pode contar a história do peixe de novo?
Hoje, não. Estou muito cansado.
Fala logo que é mentira e fica quieto.
E acho que não me lembro bem dela agora.
Além disso, está cansado. Está com os olhos pesados, fechando...
Tome, leia isso.
- Onde encontrou isso? - No armário dele.
Espera, você entrou lá? Não estava trancado?
Mark, nunca mais volte lá!
Ele sabe até quando alguém olha pela maçaneta.
Vamos mudar de casa? Tinha um monte de caixas lá.
Caixas? O que tinham dentro?
Fotografias e coisas assim.
Deixei a luva e a bola lá. Que você me deu.
Droga.
Mark, você sabe como ele é!
- Estava aberto. - Não, você sabe como ele é.
Vamos torcer para que ele esqueça, está bem?
Esqueceu dos faróis.
Lembra disso?
Pode vestir para mim?
O que foi?
O que está fazendo?
Só queria ouvir seu grande coração...
batendo.
O que tem dentro das caixas no seu quarto?
Pensou no que eu disse?
Pensou?
Kate?
No quê?
Na nossa partida, em irmos embora daqui.
Só me abrace por um momento.
Só me abrace.
Que estão fazendo, vocês dois?
Está posando para uma foto, Katie?
Então, Katie, vai partir com ele?
Certo, então tire o robe. Por que não o tira aqui? Tire-o!
- Jimmy! Jimmy! - Deixe-a em paz!
Deixe-a em paz, droga!
O que está havendo? Está chateado? Olha só, Katie, você o magoou!
Ela não fez nada. Está cansada, e eu também.
- Cansado de quê? Você não trabalha! - E você?
- Está mostrando o jogo, é? - Tire a mão de mim, Ray!
Nem precisava da minha cerveja!
- Não precisamos disso! - Não quero brigar, mas conversar.
- O que está pensando? - Olha pra ele.
O menino triste está virando um homem.
Não é verdade, Jimmy? Acho que devemos contar-lhe.
- Não faça isto, por favor! - Mas temos que contar, Katie.
- Eu tenho de contar. - Eu já sei, Ray.
Não sabe coisa nenhuma, Jimmy!
- Meu Deus, acalme-se! - Conta você ou conto eu.
- Não faça isso, Ray! - Jimmy, é um péssimo pai, sabia?
- Não acredito! Não acredito nisso! - O que ia fazer, contar pra ele?
Porque está me olhando? Como se não soubesse! Não sabia?
Está me dizendo que não sabia?
Traci.
Traci, eu sei que está aí.
O que você quer?
Quero dizer uma coisa.
É? E quem é ela?
Nate falou com você?
Não acredito.
Deixe-me pelo menos entrar.
- Você me usou. - Eu o quê?
Você me usou, você me usou!
Eu jamais a usaria, Traci. Você sabe disso.
Não sei o que dizer. Eu...
Não sei... só sei que estou ferrado, muito ferrado.
Estou mais que ferrado.
Você está ferrado? Estamos todos ferrados!
Olha...
Se ouvir o que tenho a dizer, nunca mais precisará me ver.
Os meus irmãos...
são meus filhos.
A outra mulher era a Kate.
Mas ela é sua mãe.
Eu sei.
- Por que não me contou antes? - Lamento.
Lamento muito, Traci.
Lamento que tenha desperdiçado seus 2 últimos anos de escola comigo.
Devia ter saído com outros caras, caras normais.
Sinto muito.
Há pessoas com quem pode falar sobre isso.
Agora, tenho que tirar os meninos de lá.
Escute.
Não acho que está tudo bem, só porque vim aqui e contei.
Não vá.
Traci.
Só mais uma coisa.
Pode ir até o IGA?
Sabe aquele tanque que arranjaram, com o peixe grande?
Sei.
Se conseguisse tirar...
o maior peixe de lá e colocá-Io no lago, para os meninos...
Está bem, eu farei.
Jimmy, vem cá.
Anda, quero falar com você.
Eu contei a verdade, e agora quero ajudá-lo.
Veja, não estou escondendo nada.
Onde estão os meninos, Ray?
A Katie os levou numa matinê.
Queria que você ficasse com eles...
mas fui ao abrigo e não estava lá, por isso...
- O que foram ver? - Sei lá, uma droga de bonecos.
E Katie estava me irritando. Ela está preocupada com você.
Isso era seu.
Vem cá.
- Só quero conversar com você. - O que tem pra me dizer?
Sente-se um pouco. É só água.
Jimmy...
você cresceu...
Estranhei ver isso debaixo da sua cama.
Podia arranjar uma revista para homens!
- É só um livro. - Eu sei, mas faltam algumas páginas.
- O que falta? - Tenho que contar umas coisas.
- Que coisas? - Sabe que nunca...
- Sabe como é estar lá... - Não me interessa.
E ver o Willy Pete Rock queimando o corpo de um bebê?
- A coisa mais importante, um bebê. - Está me ouvindo?
E não poder ajudá-los. Ardem e choram e gritam...
e não pode ajudá-los, Jimmy! Não pode fazer nada!
Não quero saber, Ray, não quero saber!
Por favor, tente me ouvir, só um pouco.
- Não me interessa. - Por favor...
Não entende...
Não quero saber, Ray!
Jimmy... há...
- Oi, Flea. - E aí?
O que conseguiu?
Bem, é o sangue da vítima.
Estou esperando o resultado da urina...
mas, até agora, a história deles parece fazer sentido.
O que está acontecendo, Carr?
Não devia estar tirando uma soneca?
Preciso falar com você, Sargento.
Sei quando estou sobrando.
Flea, se faça de agente de viagens esta tarde.
Precisamos interrogar aquela pessoa.
- Que pessoa? - Não é assunto seu, Carr.
Como posso ajudar?
Gostaria de ajudar na investigação...
do Bar Rattlesnake.
Preciso de você na ronda, sabe disso. E parece ter sido um acidente.
Nada demais.
Conheço as pessoas que dirigem o estabelecimento.
Estão limpos, sem antecedentes. Não têm nem multa de trânsito.
Não são tão santos assim. Acabei de falar com a garota Connor.
Sente-se, Carr.
Pegue. Leve para dentro.
Jimmy?
O que é isso?
Contei toda a verdade.
Está na hora de deixá-lo partir.
Também vou sentir falta dele, Kate.
Vou sentir falta dele, Kate.
Ray.
- É ele? - Não, é só uma alma perdida.
O que está fazendo?
Não quero mais brincar.
Há quanto tempo ele foi embora?
Há dois dias.
Você acha que volta?
Não sei. Não quero falar sobre isso.
Está bem.
- Esse carro já andou? - Não desde que eu nasci.
Jimmy se escondia aqui, quando o pai ficava bêbado.
O Ossos ainda está lá atrás.
- O Ossos? - Sim, o cão do Jimmy.
Papai deu um tiro nele, você ainda usava fraldas.
Por quê?
Ele estava bêbado e chamou o Jimmy.
Jimmy não apareceu e ele matou seu cachorro.
Queria que tivéssemos um cachorro.
Vai sonhando.
- Ele está lá atrás? - Foi onde o enterramos.
Não é tão assustador.
- Veio aqui procurar minhocas? - Não.
Alguém andou cavando.
Mark! Mark!
Não conseguem ficar longe de confusão, não é?
- O que estava vendo, aí embaixo? - É só a minha bola.
Só a sua bola? Essa bola está por toda parte, não é?
Deixa eu ver.
Era a bola especial do Jimmy!
Jimmy não queria que andassem debaixo dos carros, certo?
Então não o façam.
Traci.
Como vai?
- O que quer? - Onde está o Jimmy?
Jimmy não mora mais aqui.
Como assim não mora mais aqui? Onde ele está, pra onde foi?
Foi procurar a si mesmo.
Sei que ele não abandonaria os meninos.
Querida, você não sabe de nada.
Eu sei muito mais do que pensa. Ouviu, Kate? Eu sei!
Eu...
Tenho certeza de que será a primeira a vê-lo, quando vier à superfície.
Agora, dê meia volta daqui com seu belo carro...
e saia da minha propriedade.
Um peixe!
Tem um peixe gigante ali! Tem um peixe gigante!
Tem um peixe gigantesco ali! É enorme!
- Por que não o pega? - Cala a boca!
Por que ele usou a palavra "superfície"? Será uma pista?
Sei que parece ridículo, mas só saberia se o conhecesse.
Para ele, tudo tem duplo sentido.
Gosta de mexer com a cabeça das pessoas.
Mas não sei o que mais poderia significar.
Certo, vou passar por lá quando tudo estiver calmo.
- E vai checar o lago? - E vou checar o lago.
Obrigada.
É o melhor.
- Não tem medo que eu o encontre? - Tenho.
Mas de uma coisa eu sei...
quando Jimmy se foi...
tudo o que queria era afastar os meninos daqueles dois.
Faria tudo pelos meninos.
Eu tinha mais dois desses, querida. Estavam todos ali em cima.
- Aqui estão. - Desculpe.
- Vou fazer algo para comer. - Certo.
Mark! Eu peguei!
Mark! Peguei o Grande Tom!
Vai, enrola e eu puxo.
Me dá um pau.
Vamos, me dá um pau.
Segura aqui.
Mamãe, pegamos ele! Pegamos!
É o Grande Tom, eu sei. É o Grande Tom.
Ray, venha ver isto.
Mãe! Venha ver, pegamos o Grande Tom!
Olha só!
- Olha só! - Não acredito que é verdade!
- Pescaram ele? - Pescamos.
- O que vamos fazer com ele? - Não sei.
- Querem escamá-lo? - Não.
Vamos para dentro. Podemos escamá-lo.
Não acredito.
Eu disse que tinha algo ali.
Espero que o Jimmy volte depressa para poder vê-lo.
Nunca mais vai vê-lo depois da mudança.
A gente devia colocar ele de volta no lago.
Acha que vai ficar muito quente neste plástico?
Não sei. Já está morto mesmo.
Olá.
Venha aqui.
Venha, vou mostrar uma coisa pra vocês.
Estamos aqui, certo?
E Oklahoma fica aqui bem em cima de nós, estão vendo?
Marquei a rota e vou colocá-la num lugar onde Jimmy possa vê-la.
- Está bem? - Está.
Vamos garantir que ele venha ver o Grande Tom.
- Certo? - Certo.
Obrigado.
Com licença, mas não há uma lei sobre beber em serviço?
Como é?
Carr. Nate Carr.
- Nos conhecemos? - Eu sei que o conheço.
- Uma bolsa urinária? - Segundo o relatório de urologia.
- Como um aparelho na bexiga. - Eu sei o que é.
- Quer café? - Sim, como se eu precisasse...
Por que não arranja alguém para limpar isso? Olha essa sujeira...
- Limpe você. - Por que não uma das meninas?
- As meninas estão ocupadas. - Sei. De qualquer forma...
o urologista disse que estas coisas são propensas a infecções.
Encontraram sangue na urina, que não era da vítima.
- E? - E?
Quem quer que tenha decidido mijar sobre a vítima, não o fez bem.
- Como assim? - Usava um saco.
Verei isso amanhã.
Verá o quê?
- Espero que estejam frias. - Estão geladas.
Sim.
Sargento, se importa se eu assistir dessa vez?
Está bem, Carr, você merece.
- Investigador Carr! - Com licença.
Não costumamos fazer isto, minha senhora, mas...
Pode me chamar de Doris.
Doris, muito bem. Doris.
Mas, se isto a ajudar, talvez devêssemos começar do início.
- Que droga é essa? - Cerveja do Texas.
Achei que devíamos demonstrar nossa hospitalidade.
Já ouviram falar da Samuel Adams?
Certo.
Este Andrew Berg trabalhou para você, certo?
Sempre pensei que sim. Era detetive particular.
Só não esperava que morresse por minha causa.
Só sabia que estava no Texas, por uns papéis que recebi.
- Quanto tempo trabalhou para você? - Dez anos.
- Dez anos. No mesmo caso? - Sim.
Bem, isto pode ser bastante interessante.
Não quero fazer uma avaliação antecipada de vocês...
mas todas as forças da lei com que lidei são uma porcaria.
A Polícia é uma porcaria! O FBI é uma porcaria!
E, especialmente, as investigações militares internas são uma porcaria!
Passei 8 ou 9 anos tentando pegar um único filho da mãe...
e todos falharam.
Foi por isso que decidi contratar meu detetive particular.
Esta última é uma porcaria, a investigação militar interna.
Ouviram o que eu disse!
Talvez não sejam como todos os outros.
Fale-me dessa coisa dos militares.
O homem que arruinou a minha vida era soldado...
ou pelo menos parecia ser um.
Só não tinha chapa de identificação.
Onde está a sua mãe?
Na cozinha.
- Está zangada com você. - Está?
O que está acontecendo?
Diz que não sai daqui enquanto Jimmy não voltar.
Me dá outra cerveja.
Era comum encontrar jovens soldados do Forte Dix ou...
MacGuire pegando carona.
A maioria pegava ônibus, mas alguns andavam de carona.
Lam para Nova York de licença.
O meu marido nunca serviu um único dia...
mas adorava os soldados...
especialmente os mais jovens, do Vietnã.
Sentia que lhes devia algo.
Querida, olha esse cara.
- Olá. - Olá.
Para onde vai, cara?
Bem, para casa, espero.
Tem que puxar com força, costuma emperrar.
Certo.
Para casa?
- Saiu do Forte Dix? - Sim.
- É um lindo bebê. É um menino? - Sim, obrigada.
- Que idade tem? - Seis meses.
Sim, é o meu menino.
- Quanto pesa? - Não sei, uns seis quilos.
6,5 kg. Está grande. Vai ser maior que o papai.
Menino grandão.
Posso pedir uma coisa? Posso pegá-lo no colo?
Por favor.
Está bem. Vai, meu querido.
- Isso, vamos lá. - Segure firme.
Que belo rapaz. Gosta da minha medalha.
Gosta?
É uma beleza.
Tenho algo para você, um brinquedo.
Já tinha visto uma dessas antes?
Meu Deus. Por favor, não machuque ele.
Danny, ele tem uma arma.
Danny! Não!
Por favor, não.
Não me machuque, por favor.
Não me machuque...
Foi a última vez que vi meu bebê.
Foi então que recorreu ao Exército?
Fui ao Forte Dix. Me enrolaram por 8 anos.
E, então, contatou outras agências?
Sim, recorri a tudo para obter ajuda.
E foi quando Andrew veio para o Texas?
Depois de vasculhar todo o sul, durante 10 anos.
- Acho que esta é a última parada. - Talvez ele estivesse perto.
Mencionou algum nome, possíveis suspeitos?
Muitos, mas havia sempre uma razão para eliminá-los.
Mas não tinha nomes no Texas.
A única coisa que sei do Texas, é que Andy estava aqui.
Foi uma grande ajuda, Doris.
Estará no motel, caso precisemos de mais informações?
Sim, ou no restaurante.
Quero provar esse "Tex-Mex" de que tenho ouvido falar.
Fique de olho nela no seu turno.
- Ela está no Rainbow. - Com certeza, Sargento.
Flea, pode levar o carro dela. Nate o seguirá para saber onde é.
- Depois, pode trazê-lo de volta. - Entendido.
Sargento?
Há uma coisa que não me sai da cabeça.
Falei com um cara chamado Tom, lá na loja.
Ele me contou mais coisas estranhas sobre o West.
Deixe isso para amanhã. Fique de olho nela esta noite.
Mas o garoto West não tem sido visto.
Isso é fácil, Carr.
Preencha um relatório de desaparecidos.
Doris, o investigador Fleaharty irá levá-la ao seu quarto.
Aqui é o Agente Carr, unidade 14.
Parece que a nossa Doris já se recolheu. Peço uma pausa.
Entendido, unidade 14.
CERVEJA
VENHA CONHECER A MAIOR PELE DE COBRA
Não é da minha conta, entendeu?
Certo, entendi.
- Aqui está. - Obrigado.
Deixa pra lá.
Ela cuidará de você. Só um momento.
Não, eu levo ele.
O que vai pedir esta noite?
- Que tal uma Samuel Adams? - Desculpe, mas não temos essa.
- É uma cerveja ianque, não é? - É, sim.
Quem pensa que é? Garth Brooks?
Você tem um sorriso e tanto.
Desculpe.
Podemos servir-lhe outra coisa?
Fica para depois.
Isto deve segurá-lo por mais ou menos uma hora.
Essa missão de vigilância deve ser coisa séria.
- Aqui está. - Obrigado, minha senhora.
- Que quarto estão vigiando? - O 102, minha senhora.
Disse o 102? Esse quarto está vazio.
Como assim vazio? A televisão está ligada.
O hóspede deve ter deixado ligada.
Mas esse quarto não está alugado para a Sra. Doris Knight?
Knight fechou as contas à tarde...
e esperou aqui por um carro de aluguel.
Disse que as camas eram pequenas e que o outro carro era apertado.
Disse para onde ia?
Eu indiquei o Holiday Inn, por que tem camas maiores.
Não sei, ela não parecia fácil de se contentar.
Obrigado, minha senhora.
Não vai perguntar que carro lhe trouxeram?
Claro, essa era a minha próxima pergunta.
Um preto lindíssimo. Parecia um Cadillac.
- O que está fazendo? - Disse que devíamos jogá-lo de volta.
Ele está morto, Mikey, "M-O-R-T-O". Morto!
Vamos.
Mas que droga!
Sou eu, soldado.
- Está cometendo um grande erro. - Não, foi você quem errou.
Devia ter me matado também.
Assim, eu não teria que viver com isto.
- Quero que diga uma coisa, soldado. - Por favor.
Diga, "Só termina quando a senhora gorda cantar".
- Diga! - Você é doida.
Júnior!
Júnior!
Júnior!
Quero que diga uma coisa.
Diga, "Na verdade, o silêncio não é de ouro".
Por favor, senhora, tenho dois meninos ali.
Vamos, diga.
Polícia! Parada!
Jogue a arma agora!
Sra. Knight, jogue a arma agora!
Sra. Knight, não me obrigue a fazer isto!
Nate!
Não, Mikey, vem cá.
Foi aquela senhora?
Mark? Mark?
Você está bem?
Mark, se o Jimmy...
Se Jimmy estivesse escondido...
para onde iria ele?
Não sei.
Talvez ele... você disse que ele se escondia na van.
Você disse que ele se escondia na van.
É... acho que alguém andou cavando por lá.
Cavando?
Certo, não saiam daí, está bem?
Eu já volto.
Vamos! Estamos segurando, vamos!
Precisamos de uma pá.
Uma pá, depressa!
O que vocês estão procurando? Alguma espécie de tesouro?
- Poupe-nos disso. - Aí só tem terra e mais terra.
O que é isso?
Alicate! Tragam a porcaria do alicate!
- Chega aqui. - Depressa!
Anda, anda... Vamos, vou tentar abrir.
Depressa! Droga!
Abra!
Merda!
Está tudo bem. Vai ficar bem.
Jimmy!
Jimmy?
Jimmy, está bem?
Eu amo muito vocês para ficar lá embaixo!
Vamos, meninos, vamos embora.
Done by (c) dCd / June 2007
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