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Original subtitles

LONDRES, SETEMBRO DE 1940

UM ANO APÓS O INÍCIO DA II GUERRA MUNDIAL, A GRÃ-BRETANHA E OS SEUS ALIADOS

OPÕEM-SE AO PODERIO DA ALEMANHA NAZI.

A FORÇA AÉREA DE HITLER LANÇA INTENSOS BOMBARDEAMENTOS

CONTRA CIDADES BRITÂNICAS.

ESTE PERÍODO É CHAMADO BLITZ,

TERMO DERIVADO DA PALAVRA "BLITZKRIEG", QUE SIGNIFICA GUERRA-RELÂMPAGO.

SÃO RETIRADAS 1,25 MILHÕES DE PESSOAS NA GRÃ-BRETANHA,

DAS CIDADES BOMBARDEADAS, PARA ÁREAS MAIS SEGURAS.

MAIS DE METADE SÃO CRIANÇAS.

Ali!

A passar! Deixem passar!

Tira o cigarro da boca!

- A mangueira? - Mais pressão!

- A mangueira? - Liga-a!

- Água! Vá lá! - Liga-a!

Segurem nela!

Agarrem-na!

Tenham cuidado! Avancem!

Vá lá! Segurem na mangueira!

Toca bateria.

Sente-o pelo corpo todo.

Pede um desejo.

Pensa.

- Um desejo? - Sim.

Que lindo menino. Que lindo...

Pai!

Vamos.

Vamos.

Pai!

Estamos quase.

Esta estação está fechada!

Precisamos de abrigo!

Deviam saber que isto não é um abrigo!

- Abram o portão! - Para trás!

Esta estação não é um abrigo contra ataques aéreos.

Os abrigos estão cheios. Para onde vamos?

Não te afastes.

Se têm abrigos em casa, protejam-se lá.

Com uma chapa ondulada para o jardim?

- Estão a gozar! - Para trás ou alguém se magoa!

A única pessoa que se vai magoar és tu, se não nos deixares entrar!

- Forcem a entrada! - Larga-me!

Afastem-nos!

Temos aqui crianças! Por favor, abram os portões!

- Afastem-se do portão! - Há aqui crianças!

- Abram os portões! - Inspetor, é contra a lei!

Estas pessoas estão vulneráveis!

Pela última vez, abram os portões!

Abram-nos!

- Entrem! - Vamos, George.

- Pai, estás bem? - Estou, querida.

- Vamos, George. - Abriga-te, George.

Por ali! Aqui.

Vamos lá para o fundo.

Grandessíssimos cobardes! É o que são! Como os puderam deixar para trás?

Vamos, George.

Cuidado.

Ali.

Vamos para ali.

Vai ficar tudo bem, Olly.

Não te vou deixar. Estás seguro comigo.

Não é justo para ele, Rita. Tens de o deixar ir.

Sim.

Está tudo bem, Olly.

Eu, tu, a mãe e o avô já estaremos em casa de manhã.

Toma, George.

Este?

Porque não podes vir comigo?

Querido, já te disse que é uma aventura só para crianças.

Os adultos não podem ir.

Mas vai ser maravilhosa.

- Vais fazer novos amigos. - Os meus amigos estão aqui.

Vais brincar no campo.

Vai ser bom.

Vai haver vacas, cavalos, ovelhas...

Cheiram mal.

Quero ficar contigo.

Eu sei.

É só até isto acabar.

Depois, as escolas vão reabrir, e a vida voltará ao normal.

Prometo.

Por favor, mãe. Não me mandes embora.

Toma.

O teu pai quereria que o tivesses.

Como sabes?

Porque ele era assim.

Porque és filho dele, e isto agora é teu.

E vai manter-te em segurança.

Sim?

Veste a camisola e o casaco

e desce, está bem?

Aos pais que ainda têm filhos em casa,

têm outra oportunidade

É possível que eles fiquem pouco à vontade

mas a alternativa poderia ser impensável.

George! Despacha-te, o pequeno-almoço está pronto.

A noite com vários ataques...

- Estás bem, querida? - Sim.

... pouco após as 20 horas,

Os invasores encontraram uma barreira

mas alguns conseguiram ultrapassá-las...

Vai correr tudo bem.

Um médico ficou ferido e pessoal médico...

Os ataques são de natureza terrorista.

Os londrinos não se devem deixar intimidar

A vida em Londres prossegue

Jack? Sobrou pequeno-almoço.

Não, obrigado, Gerald.

Vou ver a minha mãe. Volto ao serviço daqui a umas horas.

Manda-lhe cumprimentos.

Adeus, Olly.

- Boa sorte para hoje. - Obrigada.

Porta-te bem.

Cuida bem de ti, rapaz.

E não te esqueças, sê corajoso e enfrenta os rufias.

Que dizemos deles?

Só têm garganta?

Desculpa? Não ouvi. Fala mais alto.

Só têm garganta.

Isso mesmo. Vem cá.

Toma. É só para emergências.

- Vamos. - Obrigado, avô.

Ferro-velho! Qualquer ferro-velho!

Ferro-velho! Qualquer ferro-velho!

Ferro-velho! Qualquer ferro-velho!

Ferro-velho! Qualquer ferro-velho!

Ferro-velho! Qualquer ferro-velho!

Ferro-velho! Qualquer ferro-velho!

- Sim? - George Hanway, nove anos.

Aqui tem.

Avancem pela plataforma!

Tudo bem?

Adoro-te!

Porta-te bem.

Não limpes o nariz às mangas. Usa o lenço.

Odeio-te!

George!

Por aqui! Entrem no comboio!

George, volta!

- George! - Rita!

- Todos a bordo! - Calma. Ele vai ficar bem.

Tenho de me despedir dele.

- George! - Rita!

Para trás, por favor!

Todos a bordo!

George!

George, por favor! Olha para mim, querido! Querido, porque não olhas para mim?

Querido, por favor! Adoro-te!

Pode abrir...

Por favor! Não! George, por favor!

- Por favor! Olha para mim, querido! - Ele vai ficar bem.

Vai ficar com uma boa família. Não se preocupe.

Largue-me!

George!

Estás bem?

Eu sei. É duro mandá-los embora.

Mas ergue a cabeça.

Vá lá, Rita! Anima-te.

Vê o lado positivo. Agora, estás sozinha.

Podes divertir-te.

Ele vai ficar bem. Senão, não os teriam levado.

Vai ser como ir a Blackpool. Melhor ainda!

Estás a poupar a voz.

Imagino que estejas nervosa. Eu estaria.

De certeza que estás à altura?

Claro que está. Queremos muito ouvi-la.

Ela é que sabe.

Toda a gente vai ouvir.

Eu sei, mas ela vai sentir-se melhor, não é?

Ela não é só mãe. Tem uma voz linda.

A minha mão.

- Dá-lhe. Atrevida! - Dá-lhe tu!

Minhas senhoras, menos converseta e mais trabalho, sim?

Sei que hoje é um dia especial,

mas isso não vos dá o direito de perder a concentração.

Há rapazes por aí, os nossos rapazes, que dependem de nós.

Que dependem de vocês!

Que Deus os ajude.

Eu dou-lhe o trabalho.

Toma lá disto!

Boa!

Mostra-lhes como é.

Que bela peça!

Uma miséria, não é?

Vamos tocar aqui.

Tirem os pés dos assentos, meninos e meninas.

Desce já daí. Não é seguro.

Desculpe.

Tudo bem?

Rezingão!

Pareces o meu cão. Onde está a tua cauda?

Deixem-no!

- Está a chorar! - Tens saudades da mamã?

Deixem-no em paz!

Que te deu? É o teu namoradinho?

Cala-te!

Chega!

Se ouço mais um pio que seja,

vão passar o resto da viagem na carruagem do guarda.

Muito bem.

Quem é um lindo menino?

Quem quer lutar? Tu? Tu?

Qual de vocês?

Bem me parecia. Só têm garganta.

Estiveste bem. Chamo-me Cathy, e tu?

George.

- George, vamos jantar. - Está bem.

Então, vais lançar?

Calminha. Mais para trás. Para trás!

Vá lá!

Tu é que pediste.

Apanhem-na!

- É minha! - É minha!

Seis!

Qual é o vosso problema? Mãos de manteiga!

George, vamos jantar, já disse.

Vai ter com a tua mãe, bastardo.

Estou a guardar o meu amor para ti

Tudo bem, George?

Estás bem? Que se passa?

- Nada. - Não parece.

Vais cantar?

Que aconteceu? Estás bem?

Vamos cantar?

Estou a guardar o meu amor para ti

Vamos lá.

- Pronto? - Prontos?

Como o Jack Horner numa esquina

Não vou a lado nenhum

Que me importa?

Vale a pena esperar pelos teus beijos

Acredita

- Mãe! - Vá lá.

Não saio até tarde

Estou em casa às 20 horas

Não me porto mal

Estou a guardar o meu amor para ti

Sim.

A seguir na BBC, passamos a Victor Smythe, que vai apresentar o concerto.

Muito bem, senhoras e senhores.

Vamos entrar em direto para o país

em cinco, quatro, três, dois, um.

Esta foi a banda filarmónica com o maestro William Laughton,

a tocar a "Trumpeter Bob".

- Estou bem? - Abriram o concerto...

- Linda. - ... do programa Maravilhas Operárias

nesta fábrica no Sudeste do país.

Como sabem, viajamos por toda a Grã-Bretanha

à procura de trabalhadores fabris com talento

para ajudar a animar a nação.

Hoje vamos ouvir a operária de munições,

Vai, Rita! Força, amiga! Mostra-lhes!

Mais baixo.

Esta é para todos os pais cujos filhos foram deslocados

e para o meu filho George.

Vai começar.

Dobro

Desculpem.

Podemos recomeçar?

Vamos lá.

Dobro o colarinho

Esteja o tempo como estiver

Tu estarás comigo

Vá aonde for, estaremos juntos

Só eu e tu

Envolvo-me em ti, tão quente

Para não ficar triste

O meu agasalho de inverno és tu

Lá fora, pode estar escuro e cinzento

Mas no meu coração faz sol

Raios de primavera chegarão em breve

Nada me deita abaixo

Faça chuva ou faça sol

És o abrigo que considero o meu lar

Dobro o colarinho

Tu estarás comigo

Vá aonde for, estaremos juntos

Envolvo-me em ti, tão quente

O meu agasalho de inverno és tu

O meu agasalho de inverno és tu

O meu agasalho de inverno és tu

Obrigada.

Precisamos de abrigos! Abram o metro!

Desculpa.

Precisamos de abrigos! Abram o metro!

E agora, senhoras e senhores, voltamos a passar à sede da BBC.

Obrigado.

Precisamos de abrigos!

Abram o metro!

Vá lá. Fala com ele.

Olá. Eu sou o Tommy. Como te chamas?

George.

Georgie, Georgie, coitadinho! Beijou uma rapariga e ficou coradinho!

O pequeno Tommy cantou em troca de jantar.

Pão escuro e manteiga é tudo o que lhe vamos dar.

Está bem.

Estes são os meus irmãos, o Archie e o Ian.

Queres ver o meu besouro?

Queres pegar nele?

Chama-se Gerry.

Quando chegámos a Somerset, iam separar-nos.

Não o íamos permitir.

Na nossa família, é um por todos e todos por um.

Fugimos, escondemo-nos na floresta e saltámos para este comboio.

Tommy, tenho fome.

Chega de choradeira.

Eu tenho uma sanduíche.

Podemos partilhá-la.

Doce de morango! É o meu favorito.

Como fugiste?

Saltei do comboio.

Caramba!

A minha mãe mandou-me embora.

Fui mau para ela na estação.

Ela é tua mãe, vai perdoar-te. Perdoam sempre.

Só quero ir para casa.

Sabes o que acontece se formos apanhados, George?

Levam-te à estação mais próxima e põem-te no comboio seguinte.

Depois amordaçam-te, prendem-te ao banco

e penduram-te um letreiro ao pescoço a dizer "fugitivo perigoso"

para não voltares a fugir.

E se quiseres ir à casa de banho?

Talvez te deem uma fralda.

Vamos fazer desafios.

Certo.

Desafio-te a subires à parte de cima do comboio.

Fácil.

Então, vai.

Vá lá! Ajuda-me!

Está tudo bem.

Aqui.

Sobe às caixas!

Sim!

Londres, aqui vamos nós!

Londres! Acordem!

Parámos, mas não estamos numa estação.

- Livre! - Livre!

Não. Por aqui. Depressa!

Livre!

Agora!

- Vem cá! - Larga-me!

- Sai daí, peste! - Larga o meu irmão!

- Vão! - Vai, George!

- Tommy! - Larga-me!

Bill! Aqui!

Mais depressa!

- Vamos, Tommy! - Bill!

Chefe!

Vamos, George!

Voltem aqui!

- Tentem apanhar-nos! - Corram!

- Parem! Voltem aqui! - Apanhem-nos!

Parem!

Anda, George!

Saiam dos carris!

Que te impede? Tu consegues.

Tommy!

- Tommy! - Voltem aqui!

- Tommy! - Tommy!

Como aconteceu aquilo?

- É desordeiro e inaceitável. - É uma vergonha.

Não controla as funcionárias? Estamos em guerra!

Lamento. Não deveria ter acontecido.

- As responsáveis serão disciplinadas. - Espero que sim.

E terá sorte se cá voltarmos.

Tu.

Tu aí! Traz as tuas coisas e vem comigo

E vocês também.

Vamos.

Sejam fortes, meninas.

A Agnes e as outras só disseram a verdade.

Viste no que deu? Vão ser despedias.

Ficavam caladas e ainda tinham emprego.

- Céus, Doris! - Alguém tem de se fazer ouvir.

- Foste ótima, Rita. - A sério?

Estava nervosa, no início.

Eu achei que foste incrível.

- Boa noite. - Boa noite.

Vamos?

Vamos!

Vá lá! Sim!

Isso mesmo!

Vamos lá! Isso mesmo!

A minha mãe deu-mo.

E agora...

... vou dar-to a ti.

Vai manter-te segura.

Totalmente sozinha

Sem ninguém com quem passear

Mas estou feliz

Não me vou portar mal

Estou a guardar o meu amor para ti

Cuidado.

- Vamos. - Que disseste?

- Disse "cuidado". Isso foi de propósito. - Vamos. Esquece.

Que tipo de homem és, se precisas que uma mulher te defenda?

Que fazes com esse macaco?

Vê lá o que dizes.

Marcus!

Não te metas!

- Não! - Vem cá!

Larguem-me!

Deem cabo dele!

Marcus!

- Que se passa? - Larguem-no!

- É a bófia! - Vamos!

Sr. Agente! Ele é um selvagem!

- Ele tentou atacar-me, agente! - Não, é mentira! Eles é que começaram.

Atacou-nos como um animal, sem razão!

- Tens de vir connosco. - Isso mesmo!

Devia ser enjaulado. Essa gente é um perigo!

Eles é que começaram. Eu só me defendi!

Vais ter de te defender mais quando te levarmos para a esquadra.

- Ele não fez nada! Marcus! - Céus! Rita!

- Para trás! - Rita!

Já disse para estar quieta. Quieta!

Fique aí.

Marcus.

Bilhetes, por favor.

Tens bilhete, rapaz?

Próxima paragem, Piccadilly Circus!

Este autocarro vai para Stepney?

Mais ou menos.

Tens de sair na próxima paragem, atravessar a estrada,

apanhar o 14 e voltar três paragens para trás.

Depois sais desse autocarro, viras à direita, viras à esquerda,

atravessas a estrada

e verás a paragem do 64, que vai para Liverpool Street.

Mas queres apanhar o que vai para Whitechapel.

E são cinco paragens.

Toca a andar, rapaz. Não podes ficar aqui a olhar.

Vai lá. Pira-te!

IMPÉRIO BRITÂNICO

COMPRE AÇÚCAR PRODUZIDO PELO IMPÉRIO

TRÊS QUINTOS DO MUNDO SÃO ABASTECIDOS POR FONTES DO IMPÉRIO

CACAU

EXPORTADOS 12 MILHÕES DE CACHOS POR ANO

Como te chamas?

Vem comigo.

Por amor de Deus! Está quieta.

Faz cócegas.

Já está.

Quero mais para cima.

Porquê? Ninguém vai ver.

Devo ter mais esperança para hoje do que tu.

E o Dave?

Que tem o Dave? Ele está fora.

O que ele não sabe não o magoa.

Vês onde tenho o dedo?

Quero que faças até aí.

Tens aí uma bela vista, Doris.

Sim, é linda.

Caramba! Está quieta!

Tens as mãos muito suaves, Doris.

Já mo disseram. Obrigada.

Ela é tão gentil.

Satisfeita?

Está melhor.

Vês como ficas bonita quando nos deixas maquilhar-te?

Não estou para aí virada.

Bebe uns copos, que isso passa.

E deixei-te acabar o meu batom. Não me faças arrepender.

Vamos lá, antes que os melhores desapareçam.

Os que sobraram.

Olá, marinheiro.

Ele serviria.

Só pensas numa coisa.

Ele tem um amigo. Vens?

Não, não vou.

Olá.

Então, Jackie?

- Mais uma? - Não, acho que vou andando.

Talvez vá ajudar o Mickey Davies no abrigo.

Quem? O Pequeno Mickey?

Sabem o que se costuma dizer. A altura pode ter vantagens.

Não pensas mesmo noutra coisa. Não consegues estar um minuto calada?

Desculpem.

Ela não se controla.

Que vai ser?

O mesmo, querida.

Como te chamas, linda?

Tilda com T.

Que estás a beber, Tilda com T?

Nós trabalhamos.

Podemos pagar as nossas bebidas, obrigadinha.

Vá lá, linda!

Somos senhores à moda antiga, autênticos cavalheiros.

Queremos oferecer-te uma bebida e às tuas amigas.

Está bem, se insistem.

Aqui vamos nós.

Vejam quem encontrei.

- Boa noite. - Olá.

- Saúde! Obrigada. - Tudo bem.

- Saúde! - Saúde!

Voltaste a perder a oportunidade, Jackie.

Sim, mas ela também não é grande coisa.

Tem de cuidar daquele macaquinho.

De pé, Campbell.

- Até logo. - O quê?

Vamos resolver isto lá fora.

Senta-te, Jack.

Ele bebeu demasiado. Esta bêbedo.

Estava só na brincadeira. Não te chateies.

Então, não me provoques.

Está bem.

Senta-te e comporta-te. A dizer esses disparates...

Como se chama?

Eu perguntei primeiro. No centro comercial.

Como te chamas?

- George. - George.

Muito prazer, George. Eu chamo-me Ife.

Ife?

Sim. Ife em nigeriano significa "amor".

George.

Onde vives?

Em Stepney, na Rua Clifford.

Como vieste aqui parar?

Saltei do comboio porque quero ir para casa.

Perdi-me.

Por favor, não me mande de volta.

Acaba de comer.

Podes vir comigo fazer as rondas.

E depois eu levo-te a casa, à Rua Clifford.

Que te parece?

- Ife? - Sim, George?

De onde vens?

O meu povo chama-se ioruba.

Mas cresci na Costa do Ouro.

Sabes onde é?

É em África.

É de onde são os leões.

Há leões em alguns lugares.

Mas não na minha terra.

E crocodilos?

Há crocodilos, sim.

Mas, na cidade, tens de ter cuidado

com os autocarros, as motas e os carros.

Conduzem como loucos.

És negro?

Claro.

Eu não sou negro.

Não és?

Não.

O meu pai era. Ele nasceu num sítio chamado Granada.

Chama-se Marcus, mas nunca o conheci.

A minha mãe disse que ele foi levado antes de eu nascer.

Porquê?

Não sei.

O meu avô diz que ele foi deportado.

Disse à minha mãe que a odiava.

Porque disseste isso?

Porque ela me mandou embora.

Fê-lo para te manter em segurança.

Eu sei.

Ficou abalada, mas voltou ao trabalho no dia seguinte.

Adiante, só quero dizer a quem ficou desalojado

e sem casa devido aos bombardeamentos que tem de haver regras

devido à situação imunda e pouco higiénica que encontrei quando cheguei.

Por favor, usem os baldes que foram fornecidos.

Vão circular outros baldes

para uma coleta que ajude a financiar estas instalações.

- Desculpe. - Queremos o vosso bem-estar

e prestar cuidados iguais a todos,

não importa quem são ou de onde vêm.

Tal como muitos de vocês, eu cresci na zona oriental de Londres como judeu,

e, na minha comunidade, todos se entreajudavam.

Unimo-nos a bons homens e mulheres da classe operária contra os fascistas.

Vou ser muito claro.

Há quem me tenha chamado socialista,

comunista,

um perigo para a nossa sociedade.

Mas os meus ideais estão mais próximos do cristianismo do que do comunismo.

"Tudo quanto quiserdes que os homens vos façam, fazei-o também a eles."

Quem sabe se Jesus não era comunista?

Que Deus nos abençoe a todos

e aos nossos corajosos militares que lutam pela nossa liberdade.

Obrigado pelo vosso apoio.

E não confundam os baldes.

Mickey! Mickey! Mickey! Mickey!

Força, Mickey!

Só um momento.

Ela que o tome agora. Está muito doente.

Sim, Mickey.

Como posso ajudar?

Sou a Rita Hanway. Gostaria de me voluntariar.

- Não se enganou no sítio? - Posso fazer camas, limpar o chão.

Posso fazer qualquer coisa.

- Que sabe de primeiros socorros? - Fiz a formação há três meses.

Sente-se bem?

Mandei o meu filho embora hoje. Estou com saudades dele.

Olá, Betty.

Quero apresentar-te uma nova amiga minha.

Ela chama-se Rita. Vai mudar o teu penso.

Que te aconteceu ao braço, Betty?

Não sei.

Quero a minha mãe.

Queres um abracinho?

Sim? Vem cá.

Está tudo bem.

Olá?

Olá? Olá...

Boa noite.

Estamos num apagão. Por favor, desligue as luzes.

Quem era, Stan?

Ninguém, querida.

Aleluia

Aleluia

Aleluia

Aleluia

Canta comigo.

Aleluia

Aleluia

Aleluia

Aleluia

Vamos, George.

Vou para a próxima paragem!

Guarda a passar! Abram caminho para eles!

Vamos, George! Não te afastes!

- Não empurrem! - Deixem passar!

- Ife! - Deixem passar o rapaz.

Abram caminho para ele.

Boa noite.

Tenho de fazer chichi.

Por aqui.

Atrás daquelas cortinas.

Desculpe? Que está a fazer?

Se não saírem daí, vai haver problemas.

Isto é para ingleses. Saiam daqui.

- Minha senhora... - Não grites com a minha mulher.

Quem achas que és? Saiam daqui.

Ele não gritou com ninguém.

E eu não estava a falar contigo, amigo.

É bom que te sentes e te cales ou vais ver como é.

Que se passa?

O senhor pendurou um lençol para nos confinar.

Para nos pôr numa prisão dentro de uma prisão.

Não tenho interesse em olhar para ele, mas não quero ser ocultado.

Que está...

Meu senhor,

aqui não há segregação.

Somos todos cidadãos iguais deste país, quer queira, quer não.

É precisamente isto que Hitler está a fazer.

A dividir homens contra homens e raças contra raças.

Estamos num momento de guerra,

todos unidos, e temos de dar o nosso melhor.

E eu gostaria de pensar...

Gostaria de pensar que estamos à altura

e que vemos os outros seres humanos como iguais

e que nos tratamos uns aos outros com compaixão...

... e respeito.

Recomendo a quem não concordar que procure abrigo noutro lugar.

George, vamos.

George, tenta dormir.

Ainda estou de serviço. Tenho de acabar as rondas.

Volto amanhã de manhã.

Ife?

Sim, George?

Eu sou negro.

Volto daqui a umas horas.

E vou ensinar-te outra canção quando te levar para casa.

Apagar luzes!

Apagar luzes!

Lembram-se de como era?

Isso é um sol. É um sol.

Depois desces.

É um fá.

Isso mesmo. Toca.

Qual estavam a tocar no outro dia?

É divertido. É divertido, não é? A mãe é divertida.

É, sim. É muito divertida.

Mãe, mãe

O quê?

Pareço uma ameixa?

- É verdade. - Estás a ser mau.

Eu gosto de ameixas.

O George é muito bonito

Acabou!

Acabou!

Podem subir, senhoras e senhores.

Desculpe? Viu o Ife?

O Ife?

Sim. Espera aqui, rapaz.

Vem cá.

- Depressa, esconde-te aqui. - Depressa. Vem.

Bill? Este rapaz perguntou pelo Ife.

Não soubeste? Ele morreu ontem.

O quê?

Tentou tirar uma idosa de casa. Ela recusou-se a sair.

Ele nem pensou duas vezes.

Bolas!

Temos de procurar o rapaz.

Vamos. Eu começo por aqui.

Aonde vai ele?

- Cuidado! - Vê por onde andas!

Atira-lhe um.

Parem com isso! Senão, levam!

Vou contar à vossa mãe! Sei onde vocês vivem!

Saiam daí!

Rita!

Rita, estás bem?

Foi por pouco.

Vamos limpar isto.

A chamar a Rita Hanway.

A chamar a Rita Hanway.

Podes vir ao escritório, por favor?

Senta-te, Rita.

Que se passa?

Sra. Hanway, sou o Timothy Ashdown, e esta é a minha colega Brenda Watson.

Somos do Departamento de Educação.

Lamento dizer-lhe isto, mas fomos informados de que o seu filho,

o George Hanway, não chegou ao destino.

Descobrimos que ele fugiu após cerca de uma hora de viagem.

Uma criança que fez amizade com ele disse-nos que ele saltou do comboio.

Saltou?

Levantou-se e acenou à amiga.

- Não pareceu magoar-se. - Ele estava ao vosso cuidado.

- São responsáveis pela segurança dele. - Deve ser um choque,

- mas controla-te... - Não! Onde está o meu filho?

Porque não mo dizem?

As autoridades relevantes foram informadas, incluindo a polícia.

Deviam estar a cuidar dele.

Todos os protocolos foram seguidos

- segundo a lei. - Todos os protocolos?

Onde está o meu filho? Deixei-o ao vosso cuidado ontem de manhã.

Tem aqui os nossos contactos, Sra. Hanway.

Se ele voltar para casa avise-nos, por favor.

Rita!

Sei que estás perturbada, e é compreensível...

- Sinceramente. - ... mas estás a trabalhar!

Volto quando encontrar o meu filho.

Poderás já não ter emprego!

Pode enfiar o emprego no traseiro!

Certo. Meu Deus! Rita!

Rita!

- Volta aqui! - Rita, que aconteceu?

- Rita, que aconteceu? - Rita!

- Rita! - Saiam da frente.

Voltem ao trabalho!

Cá nos vamos aguentando. Ainda há algum açúcar,

mas não sei como vai ser com os racionamentos.

Devíamos livrar-nos deles todos. Que pestes!

Diz o roto ao nu.

Como se atreve?

- Vá-se catar! - Terrível.

Tens fome?

Não! Calminha, menino.

Quando foi a última vez que comeste?

Vem comigo.

Um copo de leite e uma sanduíche e segues caminho.

Eu sou a Jess.

E tu?

Como te chamas?

Sem nome, não há sanduíche. Tu é que sabes.

George.

Muito prazer, George.

Posso comer uma sanduíche com salsicha?

Não vejo porque não.

"Fruta brevemente madura Aproveitaremos as oportunidades

A força brevemente virá Resistiremos à opressão

Brevemente virá"

"Brevemente virá"

Muito bem. Tem o tamanho ideal.

Saíste-te bem, Jess. Como se chama ele?

George.

Vem cá, rapaz. Deixa-me olhar bem para ti.

De onde és?

O Albert fez-te uma pergunta, George.

De Stepney, da Rua Clifford.

Um pardieiro.

Muito bem.

Vamos pôr-te a trabalhar, rapaz.

Ouviste, Harve?

Evening Standard. Standard.

- Desaparece. - Obrigado, Albert.

Há ali um buraco.

Quero que te encolhas o mais possível e entres lá dentro.

Sim? Traz o máximo que conseguires.

Percebeste?

Voltas a fazer isso e levas uma valente tareia.

E depois disso, se ainda respirares, atiramos-te ao rio,

e ninguém te encontrará, morto ou vivo.

Leva isto. Lá para dentro.

Evening Standard! Comprem o Evening Standard!

O dinheiro escasseia.

Miúdos estúpidos.

Claro que não. Só de olhar?

Vou abri-la de qualquer forma.

Não pode ser depois?

Está aqui alguém?

Ainda mandas tudo abaixo.

Vai precisar de ser afinado.

Jim.

Já viste aquilo?

Qualquer patife poderia vir aqui roubar coisas.

Ajuda-me.

Por agora, serve.

A polícia que trate disto. Vamos embora.

Bolas.

Jim.

Está aqui alguém.

- Não gosto disto. Vamos! - Espera!

Sim, tens razão. Vamos!

- Porque saltou? - Não sei, pai. Ninguém sabe.

- Aonde vais, filha? - Vou procurar o George.

Não consigo ficar aqui parada.

- Eu vou contigo. - Não.

E se ele volta para casa e não está cá ninguém?

Fica aqui.

- O Jack está aqui? - Lá atrás.

Caramba!

Sim. Bom trabalho, George.

Já me podem levar para casa?

Sim, tudo a seu tempo.

Não, agora!

Doeu? A sério? Assim?

Doeu?

- Albert - Doeu?

- Doeu? - Albert

Albert

Albert

Desculpem.

- Estás aí? - Sim.

Mereces uma recompensa.

Que tal uma fatia de bolo?

Queres uma fatia de bolo? Sim?

Dá-lhe bolo. Sim?

Não o percas de vista. Ele é manhoso.

Sim?

Vamos.

- Faço-te um chá, sim? - Sim.

Tiveste outro episódio.

Desculpe?

O filho dela de nove anos, George Hanway,

apanhou o comboio nesta estação ontem de manhã.

Foi no das 10h45, mas saltou cerca de uma hora depois da partida.

Não voltou para casa. Viu-o?

Ele está desaparecido.

Aqui guardam-se pertences perdidos, não crianças.

Só queríamos saber se tinha ouvido ou visto algo.

Não, amigo.

Tenha uma boa noite.

Desculpe? O meu filho desapareceu. Chama-se George Hanway.

Veja na lista.

Isso é só mais tarde!

Vem cá.

- Obrigado. - Claro.

Não!

- Estás bem? - Sim.

Certo. Já espalhámos a palavra.

As pessoas sabem do George, mas ninguém o viu, portanto...

- Não estou com ele para o proteger. - Ele é rijo, Rita.

Sabe como cuidar de si.

Ele disse que me odiava.

Acho que teria dito o mesmo, se fosse comigo.

Quero dizer, também quereria ter ficado contigo.

És mãe dele.

- Por aqui. - Não, vamos para o abrigo do Mickey.

Olá, fofinha.

Trompas! De pé, por favor.

Desculpem a linguagem.

Está tudo atrasado!

- Continuem! - Vamos!

Sim, chefe!

Vamos lá!

É um anel lindo, querida.

Deve ter uns oito ou nove.

- Mostra! - Eu disse que tinha sete quilates,

não oito ou nove.

- Desculpe, pode levar isto? - Parabéns.

Muito obrigada.

- Obrigado. - Obrigada.

- Que estás a fazer? - Não está a sair.

Eu tiro-o.

Fecha a boca.

Se queres ir para casa, toca a trabalhar.

A menos que queiras que a polícia te volte a pôr no comboio,

porque é isso que vai acontecer.

Vá lá! Ao trabalho.

Socorro!

Não te preocupes, estão todos mortos.

Os pulmões rebentaram com a explosão.

Agora, mãos à obra.

Tira os brincos à do vestido cor-de-rosa.

Beryl!

- Queres juntar-te a nós? - Obrigada.

- Empregado! Champanhe, por favor! - Sim, é para já.

É a tua nova namorada, Albert?

É a minha boa amiga Edwina.

Que bom! É divertida, mas um pouco rígida.

- Quer mais? - Claro.

- Saúde! - Saúde!

A vocês e aos vossos.

- É bom. - Mais um pouco.

Sim, nós merecemos.

Estás divinal, querida.

Muito obrigada.

Que maravilha.

Ajudem-nos! Vá lá!

Vá lá!

Saiam daqui!

- Depressa! Vá! - Saiam todos daqui!

Vá lá!

Mostrem-me o caminho para casa

Estou cansado e quero ir deitar-me

Bebi um copo há uma hora

Esteja onde estiver

Em terra, no mar ou na espuma

Podem ouvir-me a cantar uma canção

Mostrem-me o caminho para casa

Está tudo bem. Aqui estamos seguros.

Mostrem-me o caminho para casa

Estou cansado e quero ir deitar-me

Bebi um copo há uma hora

Esteja onde estiver

Podem ouvir-me a cantar uma canção

Vai lá para dentro! Vai!

Não, isso não é justo para o Hitler!

É o que tenho feito.

E o Peras, Hitler?

Peras no Hitler?

Que maravilha!

É assim mesmo.

Não, Sr. Peras. Como se atreve a dar-me umas peras?

Devia dizer: "Ave, Hitler."

Ave, Hitler?

Ave? A haver era granizo. Está muito quente e húmido.

Até chuva serviria.

Estes ingleses...

Estão sempre a falar do clima.

Eu disse: "Ave, Hitler."

Levante assim o braço e diga: "Ave, Hitler."

Assim! Levanto assim o braço e...

Toma! Toma! Toma!

É assim mesmo.

Obrigado!

Vocês foram incríveis. Obrigado.

Senhoras e senhores, peço a vossa atenção, por favor.

Vão ter todos de sair. Não haverá mais comboios hoje.

Tenho o direito de estar aqui. Paguei um bilhete.

Isso é um bilhete para viajar, não para pernoitar.

Vou esperar que o comboio chegue.

Eu também!

Só haverá comboios amanhã de manhã.

Viemos cedo.

Podemos esperar. Somos ingleses.

Regras são regras. Eu não as fiz.

Sabe o que se passa na rua?

Vão-se embora!

Desapareçam! Pirem-se daqui!

A saída é por aí! Continue!

Quem atirou...

Vão-se embora, sacanas!

Não há mais espaço. Temos de trancar os portões.

Fica bem por agora

Dias melhores virão

Talvez seja este o sinal

Para pendurares sobre o teu coração

Ergue o teu olhar até ao meu

Vou para casa ter contigo

Mantém a luz acesa toda a noite

Encontra o teu caminho até terra

Bons amigos e vinho ainda melhor

Esperam-te à porta

Talvez seja este o sinal

Para pendurares sobre o teu coração

O destino adoçará a videira

E a tristeza desaparecerá

Que é isto?

Que se passa?

Não sei.

Vamos! Por aqui!

Agarra-te a mim. Vamos!

Vamos!

Vá lá! Vamos!

Vamos!

Vamos!

Vamos!

Rapaz! Vem cá!

Tenta passar por baixo e vai pedir ajuda.

Percebeste?

Dá o teu melhor.

Esperem!

Está preso!

Já acabou.

Tenho de ir ajudar no quartel, mas tem cuidado, sim?

Falamos amanhã.

O nosso pequeno herói finalmente acordou.

Salvaste muitas vidas, sabes?

Se não tivesses pedido ajuda, mais gente teria morri...

Como te sentes, querido?

Onde está o meu São Cristóvão?

Está aqui na cómoda, querido. E a tua roupa está ali a secar.

Eu chamo-me Ruby.

Agora...

Bebe isto. Fiz-te uma chávena de chá.

Dá-me o meu colar, por favor?

Claro que sim.

És o George Hanway, não és?

Anda muita gente à tua procura.

Sabias?

És um menino muito corajoso e sortudo.

Certo. Vou buscar o teu pequeno-almoço

e uma bacia com água quente para te poderes lavar

e depois levo-te a casa a pé.

Não fica longe.

- Obrigado. - De nada.

Volto já.

- Bom dia. - Bom dia.

Ele já acordou?

Acordou agora. Vai preparar-se, e podemos levá-lo à estação.

- Querem um chá? - Seria ótimo.

Olly.

É assim que te chamas? Chamas-te Olly?

Mãe?

Avô!

Avô!

George?

- George. - Mãe!

Mãe.

- Mãe. - George. Está tudo bem.

Está tudo bem.

Está tudo bem.

Nunca mais te largo.

Está tudo bem.

Pede um desejo.

- Um desejo? - Sim.

PARA JENNE

Legendas: Diogo Grácio

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