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Original subtitles

Vá lá.

Vá lá, Çiço.

Por favor. Imploro-te.

Pelo amor de Deus, agora não.

Agora não. Por favor, aguenta-te.

Por favor. Pelo amor de Deus.

Aqui não, Çiço. Por favor. Mais um pouco.

Porque me estás a fazer isto? O que fiz de errado?

É motor? Gasolina? GPL? Refrigerador?

Nasceste para me irritar, caramba?

Nasceste para me irritar?

Não acredito!

- A menina está bem? - "A menina está bem?"

Está? Veja se está ali.

Parece bem, para quem partiu o vidro do meu carro.

- Abro a porta? - Não.

Continue a conduzir. Não pare.

O carro avariou.

Abra a porta, senhor. Não posso ficar assim!

Inacreditável.

Entra pela janela e ainda grita.

Venha. Devagar.

Porque parou no meio da estrada?

Primeiro, não parei para apreciar a vista.

O carro avariou. Segundo, estava estacionado.

É um carro enorme. Como pôde ir contra ele?

Tentei parar!

A sério. Travei, mas não consegui parar!

Foi o travão.

E tê-lo-ia visto, se tivesse ligado os piscas.

Se funcionassem, ligá-los-ia.

Os piscas deste carro não…

Estou capaz de esmurrar o carro.

Não funcionam… Estou ferida? Pode ver?

Não sei. Não vejo nada.

Venha para a frente das luzes.

Aqui. Vire-se.

Mostre-me as mãos.

- Estou inteira, certo? - Faça isto.

Deixe-me ver a sua cara.

Parece bem. Em casa, tire o capacete e abane o cabelo.

Pode ter estilhaços.

- Vai conseguir voltar para casa? - Vou.

Duvido que o senhor consiga.

Vou até onde me levar.

Então, ficamos assim. Quero dizer…

Ele sabe mesmo o que quer.

- O carro é doido. - Literalmente.

Admiro a sua vivacidade, para quem entrou janela adentro.

Perdoe-me. Não resisto quando vejo uma janela.

Tenho de saltar lá para dentro. Vou procurar outra.

- A sério? - Sim.

Aquilo não me parece nada bem.

É melhor esperar no carro, ou vai ficar encharcado.

Como ambos tivemos um acidente, podia ao menos dizer-me o seu nome.

Ena.

Então, é assim que acontece.

Tudo acaba assim, num instante.

Que estranho.

Quem sabe? Se tivesse saído de casa mais tarde,

ou tivesse ido à revisão a tempo,

ou se tivesse avariado uns quilómetros depois,

nada disto teria acontecido.

Mas existe algo chamado destino. E tudo se resume a quando e onde estamos.

De novo NÓS

O mais interessante é que isto não é o fim da minha história.

É o início.

O acidente foi há três anos e, desde então,

tenho acordado todas as manhãs noutro sítio, como outra pessoa.

Como, perguntam vocês?

Deixem-me explicar.

Primeira regra: Aceitem.

Não se preocupem com o que não controlam ao acordar.

A morte acontece naturalmente.

A morte não pode ser evitada ou adiada.

Não é essa a magia da vida?

Saber que vamos morrer, mas não saber quando.

Embora sintamos serenidade quando sabemos que chegou a hora.

Segunda regra: Habituem-se.

No início, também tive dificuldade.

Não conseguimos decidir se é uma maldição ou uma bênção.

É demasiado cruel para uma maldição e demasiado prolongado para uma bênção.

Primeiro, tento ter um vislumbre do meu aspeto.

Muitas vezes, é a única coisa que sei.

Morro centenas de vezes como pessoas que desconheço.

Quem são, do que gostam. O seu passado, família, segredos.

O que os faz rir ou chorar. Acho que é um grande sacrifício.

CIRCO

Vejam-me como uma borboleta.

Tenho um dia para viver e sou sempre uma borboleta diferente.

Terceira regra: Desfrutem da experiência.

Não quero ser injusto.

Nem sempre acordo com desastres ou catástrofes.

Às vezes, tudo começa bem.

Mas, por algum motivo, acaba mais cedo.

Não empates, idiota. Eles estão à espera.

E traz a mala.

E, não sei como,

mas percebo a língua do sítio em que acordo.

Acordei em sítios belíssimos,

dos prados verdejantes de Dublin ao Carnaval do Rio de Janeiro,

de templos tibetanos a um navio de investigação na Antártida.

Mas como mencionei, acaba da mesma forma, por muito bem que comece.

NÃO CUSPAM PARA O AR

Vejam este tipo. Sabe-se lá o que terá feito.

Regra quatro: Mantenham-se fortes.

Sabem aquela fala lendária do filme Rocky?

"Nem tu, nem eu, nem ninguém baterá com a força da vida", diz Rocky.

Bateram-me mesmo muito.

Mas o que Rocky diz logo a seguir diz tudo.

"Mas o importante não é a força."

Trata-se da força com que te atingem e segues em frente.

É o que tenho feito nestes anos.

Levanto-me após cada golpe e avanço.

Mas algo muito estranho aconteceu, quando pensei que seria assim para sempre.

É aqui que a verdadeira história começa.

PRÉMIOS DE MEDICINA 2025

Ao meu belo e solitário país!

Dr. Mümtaz, o nome do vencedor está no cartão.

O senhor é que vai entregar o prémio.

Eu sei.

Eu sei.

Nunca viste os Óscares? Os apresentadores fazem piadas.

Como se eu…

Sim. Zihni Şener.

- Muito bem, Zihni. - Obrigado.

- Tome. - A vida tem uma forma estranha

de brincar connosco. - Os lavabos?

- Pensamos que ganhámos… - À esquerda.

… sem sabermos que já perdemos.

Às vezes, é o oposto.

Na noite daquele acidente, começou um novo jogo para mim.

Nos últimos três anos,

tenho acordado todos os dias noutro sítio como outra pessoa.

Agradeço a todos os que acham que mereço este prémio.

- Desejo uma boa noite a todos. - Vamos ver quem é esta senhora.

Boa.

Uma senhora bonita.

Vai resultar.

- Há alguma identificação aqui? Sim. - Parabéns ao Sr. Zihni.

- Agora, gostaria de… - Derya Tümen.

Uma salva de palmas para o Dr. İsmail Kayış.

Olá a todos.

Gostaria de agradecer a todos os que me atribuíram deste prémio.

Um agradecimento especial à minha equipa.

Obrigado e boa noite.

Agradecemos ao Sr. İsmail.

- E agora… - É médica?

Desculpe?

Sou médico.

Que tipo de médico serei?

Espero que desfrutem da noite.

Mas tem um cabelo fantástico.

Cabelo?

Acha que estou a ficar com entradas?

Desculpe, é possível que já nos tenhamos conhecido?

Sinto que o conheço.

Sabe que mais? Tive a mesma sensação.

Sinto que a conheço de algum lado desde que a vi.

Vem cá muitas vezes?

Bem, uma vez por ano.

Talvez outra vez em 2026.

Boa.

Ótimo.

- Sou a Derya. - Mümtaz.

- Muito gosto. - Igualmente.

Qual a sua especialidade?

Não é preciso falar de especialidades, doutor.

Sim, é um assunto inútil. Não falemos disso.

Saúde?

Não foi isso que quis dizer…

Estou só a brincar, Sr. Mümtaz.

Deixamos cair o Mümtaz?

Trato-o por "senhor"?

- Deixamos o senhor. Mümtaz chega. - Deixei cair o senhor. Muito melhor.

O Meu Último Desejo.

Qual é?

O Meu Último Desejo é o nome da canção.

"Se ao menos perguntassem qual o meu último desejo."

Estou a perguntar-lhe. Qual o seu último desejo?

O Meu Último Desejo é a canção.

Deseja uma canção?

- O Meu Último Desejo é uma canção. - Qual será?

"Se me perguntassem pelo meu último desejo."

Nunca ouvi falar da O Meu Último Desejo.

- A canção não é o meu último desejo. - Então, de quem é o desejo?

Se ao menos me perguntassem qual era o meu último desejo.

- Acho que começámos bem. - O quê?

Veremos.

À sua beleza.

Obrigada.

Era mesmo no Tosun Pasha?

- Claro que era. - A sério?

Tenho a certeza. E ainda diz ser uma guru do cinema turco?

- Deixe-me avivar-lhe a memória. - E sou. Eu lembro-me.

Lembre-se desta cena.

Lütfü, querido.

Consigo fazer tudo, mas não consigo fazer os olhos flamejantes.

É a pior imitação do Kemal Sunal que já vi.

Isso magoa. Magoou-me à brava.

Aposto que essa cena é do Foster Brothers.

- A sério? Quer apostar? - Aposto o que quiser. É só dizer.

- Vai perder à grande. - Tenho a certeza.

- Tem a certeza? - Continue.

Meu, não viste. Perdeste o que acabou de acontecer.

Conheces a Sra. Sevim, certo?

Estava agora lá fora. A cardiologista. Lembras-te?

Ela entusiasmou-se a fazer dança folclórica.

Mas não reparou na altura e caiu.

Pumba! Está deitada no chão.

O que está ele a dizer?

Acontece a qualquer um. O que tem?

Pronto, meu. Não é tudo.

Estou a dizer-te, entusiasmou-se na halay.

Tinha especialistas, membros e assistentes a segui-la.

Quando ela caiu, seguiram-na. Pumba, pumba, pumba, pumba! Todos.

Não há sobreviventes da cardiologia.

Chega de cardiologia.

Se alguém tivesse um AVC esta noite, não haveria ninguém para ajudar o coitado.

- O que diz ele? - De que estás a falar?

Estava a falar com a senhora. Estávamos a ter uma boa conversa

até teres aparecido para tagarelar sobre cardiologistas.

Não tens maneiras?

Também estava a fazer conversa.

Diga-lhe, Derya. Isto não é conversar?

Certo… Conversa. Isto é uma conversa e aquilo também.

- Sim. - Somos velhos amigos. Não é verdade?

Somos todos bons amigos.

Há quanto tempo somos amigos?

- Malta, estão pedrados ou quê? - Estás bêbado.

- Não… - Não bebi nada.

Nem eu, porque vou conduzir.

Sabes onde vivo?

Mümtaz, meu, viemos juntos. Vá, vou-me embora.

Também te deixo em casa.

Vá.

Não te estou a tentar coagir.

- Se não tens nada… - Não.

- Vá lá. - Sim.

Quem recusaria o meu amigo Mümtaz?

- Quem lhe diria que não? - Acho que ele…

- Vai buscar o carro. Vai lá. - É para já.

Vá lá.

O nosso amigo é maluco.

- É estranho. - Sim.

Tem o ombro deslocado?

Não, não tenho.

- Não se esqueça da aposta. - Está bem. Vamos.

Não, não, não. Por aqui, para o carro. Sigam-me.

Eu disse-lhe: "Se és o médico-chefe, age como tal."

"Antes de seres condescendente,

vê se as meias combinam com os sapatos."

Estou errado? Não tenho razão?

Peço-te. Olha para a estrada.

Estás a pedi-las. Olha em frente. O que importa o que os outros vestem?

Devias ter vergonha, mano.

Vamos ser formais. Tratas-me por Sr. Oktay e eu por Sr. Mümtaz.

Por Sr. Oktay… Derya, o que diz ele?

Sr. Oktay! Oktay, seu maluco!

Olha para a estrada.

Senão, chamo um táxi.

Estou a viajar a 60 km/h numa reta.

- Que vidas preciosas. - Posso só ter um dia.

Como assim?

Estamos aqui hoje, mas não para sempre.

É o destino. Estima cada dia.

Este dia é para apreciar…

Mümtaz, há algo que não me estejas a contar?

- Fala, homem. O que é? - Cuidado!

O que aconteceu?

Como é possível? Quase fomos contra ele.

Na verdade, fomos. E nem um arranhão.

Estava a sonhar?

Não era a altura certa.

Como pode ser?

Obrigado, mano. Agradeço.

Estás bem? Chegas bem a casa?

- Estou bem. Vou chegar. - Certo. Boa noite.

Mümtaz!

E se tivermos morrido no acidente?

E se tudo isto for uma ilusão?

E se agora estivermos na Matrix? Estamos na Matrix agora?

Estamos no cruzamento de Maltepe.

Avança mais um pouco, inverte a marcha.

Vai ao aeroporto Sabiha Gökçen.

Fazer o quê?

Apanha um voo e desaparece.

- Deixa-nos. Boa noite. - Está bem.

- Boa noite, Derya. - Boa noite.

Boa noite, Sr. Oktay.

Do que está ele a falar?

- Só disse boa noite. Conhece o Oktay. - Eu sei. Conheço. Ele é estranho, não é?

Bela casa.

Ena. É mesmo.

Quer uma bebida?

Não, é melhor não.

Mostra-me a casa?

O quê? É aqui. Esta é a sala de estar.

Estou a ver.

A cozinha é aqui. Diretamente para o jardim.

Temos o piano. Há outra divisão aqui.

Desce-se a partir daqui.

Tem piso subterrâneo ou uma caldeira combi?

Está mobilada? Precisa de um depósito? E a renda?

- O quê? - É agente imobiliário?

Aqui é a cozinha.

- Que apresentação é esta? - Pareceu, certo?

- Como se quisesse vender a casa. - O que está a fazer?

- Há mais espaço lá em cima. Mais quartos. - Estou muito intrigada.

É caro. O dinheiro não cresce nas árvores.

Esta casa tem cinco quartos.

Veja a tinta acrílica nas paredes. As janelas…

- Bom dia. - Bom dia.

Mas que raio? Está bem.

Deus, não me deixes enlouquecer. O que se passa?

Lembra-te. Jantámos e bebemos vinho.

Falámos sobre Tosun Pasha.

Apareceu aquele tipo.

Entrámos no carro. Não houve acidente.

O acidente… Não houve acidente. Não nos aconteceu nada.

Agora estamos aqui. Porque estou preso?

Não entres em pânico. Acabarás por morrer durante o dia.

De quem é esta roupa?

Espero que ele não seja casado.

- Olá. - Olá.

É melhor ir andando.

Devo trabalhar algures e estou atrasada.

Claro. Sim. Devia ir consigo.

Sou médico, devo ter pacientes à espera.

- Não quero que morram. - Deus os livre.

- Por favor. - Está bem.

- Deixe-me… Passe. - Está bem.

Muito obrigada pela roupa.

Devolvo-as assim que puder.

Não é preciso. Fique com elas.

A propósito, ontem à noite foi bom.

Pode crer. Espero que volte.

O quê? Estou num restaurante ou quê?

Pareço um empregado, certo?

Podia ter uma pizza na mão.

- Muito prazer. - Igualmente.

O que se passa?

Escapou-nos alguma coisa?

Os capitães vão desejar boa sorte uns aos outros.

Força, seleção nacional!

Cala-te.

Mãe? Pai? Estão bem?

Pai! Acorda, pai!

Não morras, pai!

Meu amor! Estás bem, meu amor?

Meu amor? Estou bem, meu amor. E tu?

Eu estou bem. Porque perguntas, meu amor?

Se já deixaram de ser cringe e de se tratar por "meu amor",

volto a perguntar-vos:

Vocês estão mesmo bem?

Olha. A nossa filha.

Tão crescida, a fazer-nos perguntas sobre seringas.

Seringas? Eu disse "cringe".

Sentires vergonha por outra pessoa.

Olha para ele. Também está crescido.

O que lhes aconteceu? Quem são?

O tempo voa.

Eu vou lá.

Isto está mesmo a acontecer? Não pode ser.

Obrigado, vizinha.

O que estás a fazer, pai?

Abre a porta.

Ela está a chamar-me "pai". Estou a passar-me.

Porque me fechaste a porta na cara?

Pelo tom, deve ser família.

Mümtaz, estás bem?

Porque é que hoje todos perguntam o mesmo?

Minha querida filha.

Como estás?

Mãe. Estou bem, mãe.

Avó, não estão nada bem.

Avó… Mãe. Mãe, eu estou bem.

- Estou bem. - Eu devo ser o genro.

Bem-vinda, sogra.

O que fizeste à tua cara? Pareces um palhaço.

- Foi a Ece. - A Ece? Onde está a Ece?

- Pu-la a dormir. - Derya, quem és tu?

Que vergonha. Obrigar uma criança a adormecer um bebé.

Qual é o teu problema?

Mãe, estavam a brincar quando ela adormeceu.

Desculpas! Dá-me isso.

Dá-me paciência. Estou tão irritada que quero gritar.

Vá, despacha-te. Vais chegar atrasada à escola.

Vamos. Não nos podemos atrasar.

Vamos para a escola.

Escola.

- Vamos para a escola. - Vamos.

Vamos correr riscos?

O pai aprendeu a conduzir? Porque não nos disseram?

Não.

Eu devia aprender a conduzir.

A minha perna.

Pai, limpa a cara. Planeias ir trabalhar assim?

Sim, querida. Dá-me isso. Este é, de longe, o meu maior problema.

ESCOLA DE ÇAĞDA BILIŞIM

Escola de Çağdaş Bilişim. Vamos para a escola de Çağdaş Bilişim.

Muito bem, mãe. Ainda bem que sabes o nome da nossa escola.

Já podemos ir?

Querida, tenho uma dor de cabeça terrível.

Por favor, para de me chatear. Estou a dar o meu melhor.

Então, apressa-te um pouco. As aulas começam a uma certa hora.

- Dá-me paciência. - Vamos lá, pais.

Não tenho paciência.

- Vá lá, mãe! - Então? Já chega!

O que se passa, meninos? Acalmem-se. Vá lá!

Porque tratas a tua mãe assim?

Qual é o teu problema?

Esta mulher alimentou-te e criou-te Cuidou de ti quando estavas doente.

Carregou-te dentro dela durante nove meses.

Tratemos bem a tua mãe. Estejamos calados.

E mais uma coisa.

Hoje, vais dizer-me como chegar à tua escola.

Bebemos demasiado ontem à noite.

Estou com uma ressaca enorme.

As mães e os pais também podem ter dias maus.

Claro, melhor mãe do mundo. Vai em direção à avenida.

Obrigada, querido filho. Obrigada.

Sim. O que dizer?

Nada de asneiras.

Certo? Concentrem-se nas aulas.

- E que mais? - Oiçam os professores.

Não se esqueçam de comer.

Nada de drogas.

Nada de álcool. Por favor.

Talvez uma cerveja depois das aulas, para relaxar um pouco. Mas só isso.

- Não deve ser necessário… - Sim.

Quero dizer…

- Têm dinheiro? - Algum.

- Ótimo. - Podem emprestar-me algum?

Esqueci-me dele em casa.

Não se preocupe, capitão.

Um jovem precisa de dinheiro. Ofereça algo bom à sua mulher.

Não sei quem são os pais, aqui.

Obrigado.

Nem acredito no quanto crescem.

- Sim. - O rapaz é particularmente estranho.

- É mesmo. - Sim.

Enfim…

Que tipo de médico é ele? Pediu dinheiro ao filho.

Quem raio és tu? Quem és tu?

O meu braço direito!

- Vá lá. - Ouve, meu.

Tens mesmo problemas graves. Que raio fazes aqui?

Andas a seguir-nos desde ontem à noite?

A minha filha também anda na escola.

A mãe não está, trago-a eu.

- Vá lá. Vamos à clínica. - À clí…

- Vais trabalhar? - Sim.

Trabalho… Vou…

Vou para a clínica.

Meu amor, vou agora à clínica. Vou lá com o meu amigo.

Não dizes nada?

- Não tenho nada para dizer, meu amor. - Está bem, meu amor.

- Até logo. - Até logo.

Vá, beijem-se.

Não estou a ver. Afinal, estou. Anda.

Anda, vamos.

Eu detive-o, Derya. Adeus.

Vamos.

Conduz com cuidado.

- Anda. O carro está ali. - Meu Deus!

O meu telefone está a tocar? Onde está?

É a Leyla. Quem é a Leyla?

Sim, Mna. Leyla.

Menina? Sra. Derya, está bem?

Estou bem, Leyla. Estou bem. O que foi?

Despache-se, Sra. Derya. Estamos à sua espera.

Estão à minha espera.

Está bem. Não me esperem hoje.

Tenho coisas para fazer. Devíamos remarcar.

Não me sinto bem. Trata disso.

Continua a fazer o que tens feito, sim?

Não é possível. Ele está aqui à espera. Mudar de planos não é opção.

Há meses que nos preparamos para isto.

Eu percebo.

Hoje é o grande dia pelo qual esperavas há meses?

Está bem. Onde me esperam?

No restaurante, Sra. Derya. Onde haveria de ser?

Está bem. Diz-me o nome do restaurante.

Está a perguntar o nome do restaurante.

Passou-se completamente.

Leyla, consigo ouvir. Não me passei completamente.

Sim. Desculpe, Sra. Derya.

Este é o Pi Style Emirgan. Sabe onde é?

Vou procurá-lo. Adeus.

Estavas a dar-te bem com a Derya, ontem.

Estava.

É por estarmos casados.

Mas devo dizer que foste um grande incómodo.

Que bom para ti, meu. Muito bem. Este é o teu verdadeiro eu. Eu disse-te.

Desejo-vos o melhor.

Aguenta os cavalos.

Mümtaz, estamos a viver as nossas segundas vidas.

Já vivi mais do que isso, mas…

- Podíamos ter morrido no acidente. - Talvez devêssemos ter morrido.

O quê?

É o que está no teu destino, meu. Desculpa, não tenho estado em mim.

Sou um pouco distraído. Esqueço-me de coisas.

Para onde vamos? O que vamos fazer?

Agradecia que me informasses.

Não estás mesmo bem.

Mas é normal. O que experienciámos ontem à noite foi impressionante.

Sem dúvida.

Esta noite, vamos beber um copo a Nişantaşı. É óbvio que precisas

de desabafar e não encontrarás melhor ouvinte do que eu.

Não ias perceber, mano. Não ias mesmo.

E se percebesses, não acreditarias.

Se acreditasses, não entenderias.

É melhor calarmo-nos e seguirmos caminho. Vamos para onde estamos a ir.

Vamos a isso.

Vais ter um grupo hoje?

O que estás a dizer, meu?

- Grupo. Tens um grupo hoje? - Que grupo?

Se estiveres distraído e não estiveres capaz, diz-me.

Eu substituo-te.

Chega. Imploro-te. Concentra-te na condução.

Está bem.

O arrependimento.

- Sra. Derya! - Sim.

Sra. Derya. Não temos tempo para isto.

- Despache-se. Por favor. - Leyla?

Está bem. Agora, se me dás licença…

O que se passa?

Podias dizer-me o que se passa.

Menina Derya, está a brincar comigo?

Não, não estou.

Porque, se é uma piada, não tem piada nenhuma.

Se não tem piada, vou andando.

- Porque… - Fora de questão.

Até pensei que fosse uma técnica de meditação.

Não é.

Mas tendo em conta como estou stressada, não é esse o caso.

Podias parar de me pressionar.

- Eu levo isso. - Porque abre a minha mala?

- Estou a ser assaltada. Socorro! - Eu…

- Mas a minha mala… O que é isto? - Não…

Eu também?

O que sou eu?

Sim, chef!

Chef.

Sou chef.

Oktay.

CLÍNICA PSIQUIÁTRICA MM

Diz-me a verdade. Eu sou psiquiatra?

O que dizes, meu? Vamos, mexe-te.

Bom dia.

Bom dia, doutores.

Aonde pensas que vais?

Posso tirar o dia? É melhor ir para casa.

Vá lá, meu. Por aqui. Sim, Özge.

Dr. Oktay, o Sr. Cenap, paciente das 10 horas, chegou.

Está na sala de espera.

Yasemin, a paciente das 11 horas, foi cancelada.

Sofreu um ataque ontem à noite,

mas não se preocupe, tenho falado com o hospital.

Mantenho-o informado dos desenvolvimentos.

Muito obrigado, Özge.

Mümtaz, vemo-nos ao almoço, sim?

- Muito bem. - Está bem.

- Doutor, os seus clientes estão aqui. - O quê?

Clientes? Que clientes?

Clientes.

Quanto mais o dizes, menos compreendo.

Dá-me isso.

- Aqui? - Sim.

Não!

- Meu Deus. - O que se passa?

O Dr. Mümtaz levou o ficheiro errado.

De certeza que depois vai gritar comigo.

Que grupo está ali?

Pais de crianças hiperativas.

GRUPO DE VICIADOS EM SEXO

Querida, não te preocupes. Ele saberá qual é o grupo dele.

Santo Deus, a que me estás a testar?

Olá a todos. Sejam bem-vindos.

- Saudações. - Obrigado.

Agora, peço-vos um favor.

Contem-me os vossos problemas e questões de forma clara e concisa.

Isto é muito importante. Não me afoguem em pormenores.

Sabemos qual é o problema, mas lembrem-se de que estão em público.

Peço-vos. Por favor. Sim.

Doutor, a minha levanta-se às seis da manhã.

- O que posso fazer quanto a isso? - Não percebo.

Eu sei que não percebe. O que acabei de dizer? Sem pormenores.

Pedi um resumo geral, certo? Por favor.

Como podemos omitir os pormenores, doutor?

Pode ser com pouco detalhe. Têm de revelar tudo?

Oiçam. Vamos evitar marcas para o resto da vida.

São assuntos delicados e não nos conhecemos muito bem.

Por favor. Qual é o seu problema?

São os meus seios.

Juro, estão em farrapos.

Ele chupa-mos sem parar. É tudo o que ele quer.

Perdi a autoconfiança. Já não gosto de mim.

Vamos pensar no que podemos fazer. Pode impedi-lo de os chupar, certo?

- Como assim? Sem isso, ele morre. - Não vai acontecer nada.

Ninguém morre por não chupar seios. Aqui entre nós,

estive quatro anos sem chupar seios.

Não acontece nada.

Isso é impossível. Impedirá o desenvolvimento dele.

Sugere leite em pó?

Leite em pó? Não, não está certo. Sou contra isso.

Doutor, o meu quer estar sempre no meu colo.

Não há forma de o tirar de cima de mim.

Tentei de tudo, mas foi em vão.

Fala, querido. Vá lá.

Exatamente. Obcecado com o colo.

Obcecado com o colo?

Que tipo de pessoas são vocês? Pessoal, acordem.

Minha senhora, comece por recusar.

O que significa isso? Não sou eu que me sento no colo. É ele.

- Perdeu o juízo? - O quê?

Faço o que me mandam.

Se me pedem para ser cavalo, faço-o. Montam-me o dia todo.

Pegam num pedaço de cordel e usam-no como rédeas.

Já chega! Vá lá, meu!

Como está tão relaxado com a sua mulher ao lado?

Cale-se!

Porque me calaria? É doente?

O senhor é que é doente. O senhor.

O senhor é que falou em fazer de cavalo.

Não fui eu! Como se atreve a acusar-me?

Há dois dias, a minha cagou-me em cima.

Pronto, já chega! Está bem, raios. Estou farto disto!

Controlem-se. Há muitos de vocês aqui.

Desculpem, as fantasias que se lixem.

Entrar em todos estes pormenores é errado.

Façam o que quiserem em privado. Não quero saber.

Mas estão em público, agora! Isto é inacreditável.

Porque são tão viciados em sexo?

O quê? Sexo?

O que está ele a dizer?

Que raio de sítio é este?

Não faço ideia.

Chef. Está bem?

Não, querida. Não estou. Não estou bem.

Estou exatamente o oposto de bem.

Ajuda-me, por favor. Então, este tipo é…

É o gastrónomo mais famoso da Turquia, certo? O que todos conhecemos.

Sim. Veio ao nosso restaurante para uma prova.

Ele vai provar a comida no meu restaurante.

Sou chef neste restaurante.

Ele vai provar o meu prato de autor.

Eu é que sou especial.

Mais alguém sabe a receita?

Porquê?

Porque não?

Não são assistentes?

Porque é que ninguém leu a receita? A sério…

Adiante.

Deus é grande. Vamos fazê-lo.

Sim. Cogumelos.

As minhas sinceras desculpas. A culpa é minha.

Lamento imenso. Foi uma abordagem freudiana…

Vês? Estás contente?

Peço imensa desculpa, Dr. Mümtaz.

Foi mesmo um erro.

Não pude fazer nada quando levou o ficheiro.

Isto não está certo.

Tens de te empenhar mais no trabalho. Concentra-te. Mostra tenacidade.

Se Deus quiser, posso morrer hoje.

No entanto, se disseres disparates, serás despedida.

Eram pessoas decentes e vê o que lhes disse.

O que está aqui escrito? Como te enganaste?

Lamento imenso, doutor.

Vamos a Nişantaşı.

O que faremos em Nişantaşı?

Podemos ir a um sítio novo.

Não, meu. Vá lá, Oktay.

Leva-me para casa para eu poder descansar. Por favor.

Vamos a Nişantaşı noutra altura?

De que estás a falar?

Chef, não parece o seu prato especial

com molho por cima das pétalas de flores.

É verdade. Estou a arriscar.

Estou a apostar.

Às vezes, quando as coisas correm mal, temos de mudar de abordagem.

Acho que isso é molho a mais, chef.

Se abrires o teu próprio restaurante,

podes usar o molho com moderação. Sim?

Está a fazer-se história. Observa e vê.

Sim.

- Bem-vindo ao Pi Life - Style.

- Então… Bem-vindo ao Ti Style. - "Pi".

"Ti", "Pi", o que for. Deixa-te de tretas, Berna.

- Bem-vindo ao nosso restaurante. - Olá.

- É uma honra recebê-lo. - Grato.

- E aqui está o prato do dia. - Ótimo.

Bom proveito. Vou deixar assim. Pronto.

- Sim. Assim está bem. Obrigado. - De nada. Bom apetite.

Obrigado.

- Ele drogou-se? - Quer dizer, tinha cogumelos.

Também usei soja e funcho.

- Funcho? Sou alérgico ao funcho. - Usei funcho.

Já sei! Porque não soubeste disto? Ele é alérgico, Leyla, idiota!

- Não fazia ideia. - Como não?

Mas soubeste despir-me e confiscar-me a mala.

Não. Não consigo respirar.

- Céus! - Oxigénio. Rápido.

Respire fundo. Imploro-lhe, Sr. Arda. Por favor.

Ainda é jovem. Está tudo bem.

Está morto. Não pode. Não assim.

- Mümtaz? - Sim.

Descansa. Limpa a tua mente.

Não penses em ir trabalhar. Eu passo-te um atestado médico.

Obrigado, Oktay.

Conduz com cuidado.

- Tudo bem? - Tudo bem. E contigo?

Estou na mesma. Pareces exausta.

Sabes como o negócio da restauração é cansativo.

Sim.

Como foi o teu dia?

Doentes. São loucos. As pessoas passam-se

e vêm bater-me à porta. - Imagino. Não é fácil.

É agora que preciso de paz e sossego.

Concordo.

Korhan faz outro ataque.

Ainda bem que chegaram.

- Parem com a barulheira! - Korhan aproxima-se.

Vá lá, rapaz.

Volto amanhã. É tão emocionante.

Para de falar ao telefone.

Está tanto barulho aqui.

Temos de ganhar este jogo.

Korhan marca outra vez. Isto torna-os campeões!

Dá-me os feijões, querida.

Sim, mais.

Passaram 24 horas.

Passaram 24 horas e ainda estou viva.

Disseste alguma coisa, querida?

Pai… Não é nada, pai.

Estava só a ver as horas.

Ouve. Raramente falas, mas podemos dar-te os parabéns?

Podem. Mas qual é a ocasião?

Não fizeste a degustação no restaurante hoje?

Disseste que vinha alguém e que era muito importante para ti.

Sim. Não aconteceu.

Tivemos de adiar porque aquele senhor ficou doente.

Coitadinho. O que aconteceu?

Envenenamento.

Oh, não.

Mãe, amanhã vamos à prova do meu vestido para o baile.

Não te atrases.

Está bem. Tínhamos isso, certo? Está bem. Lá estarei, querida. A sério.

Ela está obcecada com o vestido.

Está a tornar-se exibicionista.

Se me meter em sarilhos, chateiam-se todos comigo.

Cala-te!

Sei para quem vais comprar esse vestido.

Berkay, certo? Anda a meter-se com ele.

Cala-te, Korhan, ou parto-te a cara.

Não é mentira. Tu persegue-lo nas férias.

Ela convidou-o para o baile.

Diz-lhe alguma coisa, pai.

Isso é rude, filho.

É tudo, pai?

O que posso fazer, querida?

Queres que o tire da escola e o ponha a trabalhar como aprendiz de mecânico?

É isso? Isso far-te-ia feliz?

Estou a falar como pai.

Espero que sinta o peso das palavras.

Mas não sente. Ele não percebe.

Este miúdo só vê batatas fritas e bife.

A propósito, a tia Mübeccel faleceu.

A tia Mübeccel morreu? Pobre tia Mübeccel.

Quem é?

Foi nossa vizinha durante dois anos,

quando vivemos em İzmir, há 20 anos.

Não sabia que gostavas tanto da Mübeccel.

Não fiques tão emocionada.

Não sei o que me deu.

Os sentimentos vieram à tona ao saber que morreu.

Não surpreende, para quem acorda num sítio diferente todas as manhãs.

Desculpe. Como assim?

Quando começou?

- Então, já sabia? - Sim.

Claro. Toda a gente sabia.

- Como é que ela morreu? - Caiu de um penhasco.

Vi no Facebook. No grupo de notícias de Gördes.

Esqueça o grupo de Gördes. Como morreu na primeira vez?

Primeira vez?

O que estás a dizer, filho?

Há alguma forma de a contactarmos?

Eu digo-vos como.

Acabem de comer e eu vou à cozinha fazer chá.

Depois sentamo-nos e invocamos o espírito dela.

Eu disse que ela está morta. Como seria isso possível?

Ela acordava sempre no mesmo sítio?

Que tipo de perguntas são essas? Não está a fazer sentido.

A mulher era sonâmbula. Saía da cama e ia-se embora.

Mas ia sempre parar a outro sítio.

- Estava sempre a cair e morreu. - Pois.

Claro.

Já percebi. Estava apenas curioso.

Há uma explicação científica para tudo.

Bom trabalho, capitão! Nós ouvimos.

Ouve, miúdo! Não fales comigo como se fosse teu colega de equipa.

Já chega!

Vai abrir a porta.

Vai abrir a porta, querida.

Qual é a tua, rapaz? Vais gerir um casino na escola, ou quê?

Ouve. Estás mesmo a assustar-me.

Cá estou eu.

- Bem-vinda, querida. - Obrigada.

- Tia Lütfiye. Tio Mustafa. - Quem é ela?

- Como estás? - Bem-vinda.

Bom apetite. Tudo bem, resmungão?

- Diz-me que tens a estrela! - Recebi a minha estrela!

Ela recebeu-a!

Disseste que o gastrónomo não tinha vindo.

- Não veio. - E?

- Não recebi. - E?

Não sei, pai. Ela estava a gritar e eu juntei-me a ela.

Calma.

- Não conseguiste? - Não, não consegui.

- Mentirosa. - Estou esfomeada. Posso ficar com isto?

Falaste com os teus pais?

Falei, tia Lütfiye. Está tudo pronto.

Derya. Temos de estar na boutique amanhã às 14 horas.

Vou experimentar os vestidos porque estou indecisa.

Porque não vou convosco? Podíamos ver o meu vestido.

Podia usá-lo no noivado e no baile de finalistas.

Que noivado? Não tens idade para isso.

Bravo, pai. Boa piada.

Posso ver o vestido se o usar nas duas ocasiões.

Mas não publico no Insta. Vão pensar que só visto isso.

Publica lá a foto. Vamos ver se o Berkay gosta.

E se eu te der um murro para ver se eles gostam?

- İpek. - Avô, ele está a pedi-las.

Espera. Por favor, para. Por amor de Deus.

Conta-me tudo. Tenho o cérebro esgotado de trabalho.

Põe-me a par do que se passa. O que estamos a fazer?

Querida, daqui a três dias, serei pedida em casamento.

O meu irmão vai buscar os meus pais ao terminal de autocarros.

E, como adorada esposa do meu irmão,

disseste: "Elif, não te preocupes. Vamos juntas à caça de vestidos."

Tirei o dia de folga do trabalho.

Se me derem alguma ajuda e apoio, tenciono casar-me, um dia. É tudo.

- Está bem. - Está bem. Podemos tratar disso.

- Derya? Irmão? - Está bem.

O que se passa?

- Não parecem bem. O que se passa? - Nada.

- Estamos bem. - Não há problema?

Nenhum.

Ótimo.

Vai. Eu apanho-te.

Espera. Está bem.

- Boa noite, querida. - Boa noite, pai.

Ouve. Não te esqueças do que te disse, está bem?

Criei-te para seres resiliente.

Apoiarei todas as decisões que tomares.

Obrigada, mãe.

- Foram-se embora? - Sim.

- Que noite. - Cansativa.

- As crianças estão na cama? - Sim.

- Boa. - Que comida deliciosa.

Fantástica. A carne estava perfeita.

Tão boa. O que faria eu sem ela, Mümtaz?

- Claro. Não seria fácil. - Certo?

- Ela sempre cuidou de nós. - É verdade.

Cuida sempre dos miúdos.

Sim.

Qual era a matrícula do nosso carro? Não me lembro.

Começa por 34. Em que ano nasceste?

Quem és tu? Quem?

- Vou partir-te este comando na cabeça. - Tu primeiro.

É demasiado complicado para explicar. Estou muito confusa.

Não entenderias.

- Vou passar-me. - Do que falas?

Não fazes ideia do que tenho passado. Não sabes nada…

Últimas notícias de um acidente em Istambul.

Uma carrinha de caixa aberta carregada perdeu o controlo e despistou-se

em Kanlıca devido a uma falha nos travões.

Não há vítimas.

Porém, os residentes pedem às autoridades

que melhorem a segurança da rota,

que foi palco de outro acidente… - Isto é…

Tu… Hoje…

És tu. Maldito sejas.

Morri por tua causa. Mataste-me.

Perdeste a cabeça? Não te lembras?

Um carro atropelou-nos. Não me culpes.

Olha para mim. Vou perguntar-te uma coisa.

Tu também?

Desde o acidente, todos os dias…

Estou noutro sítio, como outra pessoa.

Mümtaz, devíamos ter morrido no acidente de ontem.

O acidente devia ter acontecido.

Porque não aconteceu?

Derya, estamos presos aqui.

Vou levar a Ece ao parque. Não chegamos tarde.

Está bem, avó.

Bom trabalho, querida.

Isto é incrível.

Vês, İpek? Olha o pequeno-almoço.

Sumptuoso. Ela pensou em tudo.

Foi só um pensamento fugaz. Não há nada a não ser um saleiro.

Sugeres que ponha sal nas azeitonas?

Ela é chef e este é o prato do dia.

Se queres tanto um pequeno-almoço em condições,

podes levantar-te cedo, ir para a cozinha e prepará-lo, está bem?

Bebo café de manhã, não chá.

Vai e, já agora, faz-nos uns ovos mexidos.

- Gostas de ovos mexidos? Gostas? - Gosto.

Faço-te ovos mexidos se jurares que isto é chá.

- É chá. Juro. Eu provei. - Juras? É chá?

Já bebeste chá na tua vida?

Há algum problema, capitão?

Tento na língua com a mãe.

Korhan, não te atrevas a agarrar-me assim à mesa, está bem?

Claro, capitão. Vemo-nos ao jantar, depois do pequeno-almoço.

Mãe, temos de ir. A tia mandou mensagem a dizer que vinha a caminho.

Também disse para reservar mesa no teu restaurante.

Vais jantar com o noivo dela.

Ela insiste que o pai vá.

OKTAY Estou cá fora, bebé

Uma mensagem do tio Oktay. "Estou cá fora, bebé."

Sou o bebé do tio Oktay. Acabei de saber.

Bem, o vosso pai vai trabalhar.

O vosso pai já comeu.

Olha uma última vez para a sua família e parte para o trabalho. Adoro-vos.

Vou passar o dia a lidar com doentes mentais.

Sabiam que isto está cheio deles? Adoro-vos.

Vou guardar o meu amor no meu coração, está bem?

Posso não sobreviver por causa do número de pacientes.

Não se preocupem. Adoro a minha família. Adoro o meu trabalho. Adoro a minha vida.

Darei a minha vida por vocês!

O capitão não está bem.

Come, filho.

Tu também. Come.

Vou lá mudar o meu farol.

O mecânico diz-me que tem de tirar o motor para o fazer.

Digo-lhe que quase tivemos um acidente.

Deve ter havido estragos. Foi por pouco, certo?

O mecânico olha para mim. Diz-me que verificou bem.

A frente, a traseira, os lados. Nem um arranhão. Nada.

Isso é possível? É? Mümtaz, diz-me, meu.

Naquela noite… Aconteceu algo. O carro devia ter danos.

- Mas não. O tipo não entendia. - Oktay.

- O que é? - Já chega.

Ouve. Isto é muito mais do que uma casa consegue consumir.

Vais mesmo levar isto tudo?

Ou és o bom samaritano que alimenta um bairro pobre?

Já me conheces. Sou viciado em descontos.

Se há algo bom por uma pechincha, eu compro.

E tu? Falaste com a Derya?

A Derya… Eu falei… com a Derya.

- Falaste com ela, ou não? - Falei.

Mano…

- Olá. Corta-me um robalo em filetes? - Claro.

O que disse ela?

Nada de especial. Disse que gostava de café. Tu sabes.

- Falaste com ela, ou não? - Talvez sim, talvez não.

O que tens com isso?

Não entendo porque te envolves em assuntos de família privados.

E trazes-me para aqui e não para a clínica.

Arrastas-me pelos corredores.

Não tinhas de ir trabalhar.

Passei-te um atestado médico. Porque vais?

Pois. Esqueci-me disso.

- O seu peixe. - Obrigado. Adeus.

Bom apetite.

Falaram de tudo?

Será que o Muzo se anda a meter com a Derya?

- Achas que é o Muzo? - Acho.

Esse Muzo é capaz de tal coisa?

Esquece. Não nos vamos meter. Isto fica entre nós, está bem?

Não quero que o Muzo fique em vantagem.

O que significa isso? Céus!

Quem é esse Muzo?

Mümtaz. Vá lá, a sério.

Bem-vindo.

- Olá. - Olá.

Tem o seu Dinheiro?

Pedi algum emprestado ao meu filho, mas gastei-o todo.

Desculpe aqui o meu amigo. Não conhece o conceito dos pontos.

Vais habituar-te.

Fica com o peixe.

É óbvio que estás a ficar sem B12.

Sorte a tua.

O que acham?

Tia, vais mesmo usar isso?

Porque, segundo a tradição, o noivo tem de te ver e querer como noiva.

- Derya - Perdoa-me.

Não gosto disto.

Está bem. É bastante ousado, mas era o que eu queria.

Quero toda a atenção. É o meu dia mais feliz.

Vão reparar em ti.

Elif, querida. Isto… Audácia é outra coisa.

Isso não é. É um crime humanitário.

- A sério? - Muito a sério.

Isso parece tecido estofado.

Então, o que fazemos?

Vejamos.

- É a minha barriga? - Não sejas tonta. Não é a barriga.

- Veste isto, está bem? - Mas isto é tão simples.

- Por favor, experimenta-o. Vá lá. - A sério?

Experimenta.

Tem contas deste tamanho e ela acha que é simples.

Não acredito.

Deixa-me esticar-te o cabelo.

Estes vestidos são usados por mulheres que se preparam para o quinto casamento.

Derya!

Não é bonito? Nunca teria imaginado.

- É perfeito. - Adoro.

- Vais dar-me o teu colar? - Tens o pescoço muito despido.

E o meu cabelo?

Ata-o para mostrar os ombros, porque as alças ficam muito bem.

Pronto. Vê.

- Espera. É o Erkin. - Assim. Está bem.

O que fizeste, mãe?

És alguma guru da moda disfarçada?

Lembra-te, eu estudei moda.

Na minha vida anterior imaginária.

İpek, se quiseres…

Podemos mudar o vestido, mas… Se tu…

A sério?

Mãe, vamos devolver este vestido imediatamente.

Quero a mesma magia que usaste com a tia.

Tenho de ir ao ténis.

- Mal posso esperar para o experimentar. - Está bem, querida.

A propósito, podes ir buscar-me ao ténis, esta noite?

Quero apresentar-te uma pessoa. É importante.

Olha para ti. Está bem.

Mãe, não me envergonhes. A sério. É importante. Não faltes.

Ela é tão bonita.

Está bem, querida. Só parei para pôr gasolina. Estou a caminho.

Anda.

Vamos chegar atrasadas. Tiras-me isto?

Estamos a caminho. Vemo-nos no restaurante.

Até breve, querida. Até já. Beijinhos.

- Obrigado. - O seu recibo. Tenha um bom dia.

- Onde está ele? - Já chega. Relaxa um pouco, Elif.

- Ele está a chegar. - Chegou.

- Por aqui, Sr. Mümtaz. - Obrigado.

Onde estiveste?

Qual é o problema? Estou aqui agora.

Olá.

Tenho de ir à casa de banho.

Estou tão entusiasmada.

Mano, por favor, esforça-te e fala.

- Está bem. - Ele já está stressado.

Não fiques especado.

A minha maquilhagem está bem?

A minha maquilhagem está bem?

Para onde estás a olhar?

Eu própria verifico.

Amigo.

- Olá. - Olá, amigo.

O que recomenda?

Recomendo o quê, senhor?

- Não entendo. - O que é bom?

Sou bom em relações humanas. Gosto de desporto. Sou trabalhador.

Sou um ótimo espetador de ténis.

Sim.

Então, traz-me uma raquete e duas bolas para eu jogar.

Senhor, não entendo mesmo.

Eu sei. Estou a perguntar pela comida.

Podemos pedir juntos, quando a Elif e a Derya chegarem.

- Quem é a Elif? - Quem é a Elif?

Querido. Conheceste o meu irmão.

Estás com um empregado?

Empregado?

Desculpa-o, Ergün. Peço desculpa.

- É Erkin. - Erkin. Desculpa.

Erto, meu amigo. Ela nem sabe o teu nome.

- Amigo… - É Erkin.

- Erkin. - O teu irmão pensou que eu era empregado.

Não precisas de sussurrar. A roupa dele…

Porque não trouxeste a İpek? Porquê eu? Vocês podiam fazer isto sozinhas.

A İpek? Que horas são?

- Vinte e uma horas. - Meu Deus! Como me pude esquecer?

- O que foi? - Ergün, muito gosto.

Desculpa, tenho de ir.

Esqueceu-se da filha. Pois foi, Ergün.

- É a mãe que ela é. - O quê? Mano…

- Erkin! Mas… - Mas que raio?

Querido. Desculpa.

Ela está um pouco chateada.

Falei com ela. Devias fazer o mesmo.

Sei que estás muito ocupada, mas não podes esquecer estas coisas.

Estava a ficar preocupada. Porque demoraste tanto?

Ele nunca foi bom nestas coisas, mas podias ter-lhe ligado.

Vou ver como está a Ece.

Ece…

İpek.

Lamento imenso.

Liguei-te tantas vezes.

Caiu-me o telemóvel da mala, no carro. Não reparei.

Estava a pensar nisso, mas…

İpek, lamento imenso.

Não é importante, mãe. Claramente.

İpek.

- Boa noite. - Boa noite.

Bom dia, pior mãe do planeta.

Não digas isso. Fiquei tão triste que não dormi a noite toda.

Olha. Ainda estamos vivos, Derya.

Derya, doem-me as costas. Deixa-me dormir na cama esta noite.

Não. Estás bem onde estás. Fica aí.

- Já acordaste nos Alpes? - Muitas vezes.

Que paisagem, não é?

Fantástica. Já acordaste no Serengeti? Ao pôr do sol?

- Cinco vezes. - A sério? Eu também.

- A sério? - Sim.

Da última vez que acordei, fui mordido por uma cobra-real aqui. Só tremia.

Alguma vez acordaste como celebridade?

Nada de celebridades, mas uma vez acordei como mulher chinesa com 116 anos.

- Com 116 anos? - Sim, 116.

Abri os olhos e só vi câmaras. Era a pessoa mais velha do mundo.

Foram lá entrevistá-la.

Durou dez segundos.

Mataste-a.

Já fui chinês e morri num acidente de avião.

Caramba! Porque estamos presos aqui?

- O que foi? - Para.

- O sotaque? - Por favor, não.

É a única coisa que me faz rir. O turco cipriota em particular.

Estive no exército no Chipre. Vais ouvir um sotaque

que te deslumbrará. - Mümtaz!

- Cala-te, mulher. Eu faço-o. - Para! Estou a dizer-te. Chega!

Dia de jogo!

Este miúdo assusta-me mesmo.

Concordo plenamente. Ele deixa-me nervosa.

Preparem-se. Temos de ir.

Aonde?

Mas que raio?

Vês as atitudes?

É angústia adolescente.

A sério?

Olha para isto. Vês o ambiente, Derya? Este jogo é nosso.

O Çağdaş Bilişim vai vencer. Não há hipótese.

Um, dois, três!

Quatro, cinco, seis!

Filho, não sei como ficaste assim.

Calma, capitão. Estou concentrado.

- É? - Vê o jogo.

Meu Deus.

Sr. Mümtaz, Sra. Derya.

- Olá. - Bem-vindos.

- Olá. - Olá, professora.

- Como estás, İpek? - Bem, obrigada.

Que bom, ver-vos aqui.

Está tudo bem?

Desculpe?

Raramente os vemos nas atividades escolares.

Estou surpreendida, só isso.

Desculpe, minha senhora. Está a insinuar alguma coisa?

De todo, minha senhora.

Bom jogo.

- Até logo, İpek. - Até logo.

Obrigado.

Ela é maluca ou quê? Ouviste aquilo?

- Não há crise. Não te incomodes. - Excedeu-se.

Viemos ver o jogo do nosso filho e vamos ganhar.

O Çağdaş Bilişim vai ganhar.

Hoje é o dia em que os esmagamos!

Cuidado. Acalme-se.

- Está bem. Estou a ter cuidado. - Vê por onde andas.

Devia ir cumprimentá-lo.

Faz isso.

Deixa a tua irmã ir cumprimentá-lo.

De certeza que a seguirias, se andasses. Acho que também devíamos entrar.

Vamos, Burak!

CASA 20 - 02 FORA

Viste? O Berkay, ou lá como se chama.

Pisca-me o olho sempre que marca.

O quê? Porque faria isso?

Faz. Vês? Agora está a mandar-me beijos.

Olha! Não queres que eu vá aí, idiota!

Mümtaz, não sejas ridículo! Senta-te. Para!

Treinador! Faça alguma coisa!

Viemos ver o jogo. E eles? Pare de olhar e faça alguma coisa.

Pai, o que estás a fazer? Para.

O meu filho está a evoluir.

Só o estou a apoiar. Se jogares, eu apoio-te.

- Sou pai. Percebes? - Já chega, Mümtaz.

Não grites. A miúda está a dormir.

Muito bem, filho!

Então? Raios!

- Tirem daí esse palhaço! - Pai!

Senhor! Cuidado com o que diz.

E se não tiver?

O miúdo que insultou é meu. Sou o pai dele. Percebeu?

Está bem, pedimos desculpa. Desculpe.

Mümtaz, senta-te, por favor.

Não peço desculpa. Pode ter filhos, mas eu também. O que é isto?

Acha que é um boneco? Tenho três.

- Desapareça. - Senta-te! És uma vergonha!

Pedimos desculpa. Peço desculpa.

Apanha-a! Então?

Pronto, acabou esta parte. Meu Deus!

Conheço o jogo. O adversário é fraco.

Têm de jogar mano a mano.

Têm de jogar box a box e manter a posse de bola.

Não estão a fazer nada. Eu devia falar com eles. Dá-ma cá!

- O quê? - Porque a levas?

- Dá-ma cá. - Agora, acordaste-a. Muito bem.

Anda. Vem ao papá.

- Mas tu calas-te? - Com licença. Desculpe.

Não saiam daí. Eu já volto.

Como podem ganhar, a jogar assim? Não têm determinação.

Que equipa é esta? Não percebo. Os colegas de equipa devem unir-se.

- Só sabem olhar. - Já disse montes de vezes.

- Onde está o compromisso? - Deem luta. Passem ao ataque.

Saudações.

O quê?

FBI. Agora, o caso é nosso. Toma.

Sr. Mümtaz, o que está a fazer?

A miúda acordou e está rabugenta. Lave-lhe a cara.

- Ela chora… - É um mau treinador e uma péssima ama.

Juntem-se aqui.

- Korhan, aquece. És a seguir. - Não tenho frio.

O treinador tem estratégia e tática.

Não sei nada sobre isso. Sei, mas não vou falar nisso.

Mas se há algo que sei, é que têm de acreditar em vocês mesmos.

Tenham fé. Nós acreditamos em vocês. As vossas famílias estão lá fora.

Temos mais fé em vocês do que vocês próprios. Porque desistem?

- Qual é o resultado? - 63-10.

Bem, tens razão,

mas o que digo não tem que ver com a pontuação.

É provável que percam o jogo. Vão perder de uma forma épica.

É inevitável, numa equipa como esta. No entanto, perderão como equipa.

É o que os amigos fazem. Não importa o que acontece.

Estão lado a lado. Lutam juntos.

Isto fará de vocês uma família.

Oiçam. Podem matar uma família,

mas nunca a podem derrotar. - Boa!

Sr. Mümtaz, ela vomitou.

Os miúdos são como refrigerantes. Espumam, se os abanarmos muito.

Crianças, não percam tempo!

Aconteça o que acontecer, joguem como homens a sério, raios!

- Que Deus esteja do vosso lado! - Vão!

Onde estás?

Isto é meu?

Muzo? Quem é o Muzo?

Não vou atender.

MUZO: Querida, liga-me quando o teu marido não estiver

Querida? O quê?

Não podes fazer isto. Não lhe podes fazer isto.

Onde está o pai?

Deve estar a chegar.

Vamos para os nossos lugares.

Então, İpek? Não vais dizer nada?

Não há nada a dizer. Damo-nos bem.

Somos como amigos.

Ele é um tipo decente, companheiro.

Sim, claro. Não acredito nisso.

A seguir, vais dizer que ele é como um irmão.

Mãe. Não sei.

Veio à nossa escola no mês passado para um teatro. Conhecemo-nos aí.

Depois, começou a ir ver-me ao ténis.

Também nos encontrávamos algumas vezes ao fim de semana. Só isso.

Parece-me bem.

As raparigas da escola dizem-me sempre que estou apaixonada.

Não sei se uma pessoa pode saber que está apaixonada.

Como descobriste que estavas apaixonada pelo pai?

Entornou para cima de mim.

- Desculpe. - Como…

Como? Estava a olhar para ele.

Então, por favor, não te divorcies.

Vi os papéis no escritório, ao procurar uma caneta.

Não te preocupes, o Korhan não sabe.

Hoje, também reparei que o pai dorme no chão.

Por favor, não nos faças isto, mãe. Por favor.

Comprei-vos pipocas, mas deixei-as cair.

Onde está a Ece?

Não te preocupes. Este jogo é nosso!

Lutaremos até ao fim.

Com licença. Desculpe.

- Cuidado! - Então? Não consigo ver.

O meu pé…

Muito bem, filho!

Aproxima-te. Avança! Vá lá.

Sim!

Apanha isso!

Sim!

- Toma lá! - Não há crise.

É o meu miúdo!

Vá lá. Vai, vai, vai.

Vai. Isso mesmo, puto!

O Korhan vai entrar.

O Korhan entrou no jogo.

- Korhan! - Vai jogar.

Vá lá, filho. Vá lá.

MUZO Liga-me, querida. Temos de falar.

Tu consegues!

Pai, viste o marcador?

Um minuto é muito, no basquetebol.

Nunca se sabe o que pode acontecer. Vamos lá!

Defesa sólida.

Pôs este miúdo com o Berkay?

Diga-me, ele ainda usa fralda?

Cale-se e vire-se. Pare de me chatear. Vá.

Vá lá.

Detém-no. Boa defesa, filho. Korhan, bloqueia-o.

Muito bem, Korhan!

É assim mesmo!

Berkay, esmaga-o como a um inseto. Mostra-me! Vá lá.

Inseto? Então? Oiça. Não me faça ir aí.

Venha. Ponha-me à prova. É fácil falar aí de cima.

Pai, o que estás a fazer?

A sério? Oiça. Dou cabo de si. Estou a avisá-lo.

Esquece, Mümtaz. Ignora-o. Senta-te.

Berkay. Está na hora do espetáculo. Acaba com o hobbit!

O minorca foi derrubado!

Ele estava a pedi-las!

E agora, palerma?

O que fizemos?

O quê? O que fizemos?

Demos uma lição a um espertalhão.

Andámos à tareia, Mümtaz.

Fizemos uma cena.

Meu Deus. Lembro-me de bater na mulher do tipo com a minha mala

e de lhe chamar cabra.

Bem, isso foi um pouco demais.

E o que fez a minha querida filha? Viste-a esbofetear o idiota do Berkay?

Muito bem.

SIm, İpek. O que fizeste? Pensei que gostavas do miúdo.

O quê? Só por cima do meu cadáver.

Mãe!

Agora sei porque estava assim desde o início do jogo.

Ele mereceu. Deu uma cotovelada intencional ao Korhan.

Pode ser um idiota, mas é o meu irmão mais novo.

Seja como for, acho que não estou apaixonada por ele.

Depois de te ouvir, quero apaixonar-me como tu te apaixonaste pelo pai.

Enquanto olhavas para ele, naturalmente.

Está bem. Vamos embora.

Não, não vamos.

Porque havíamos de sair?

Vamos mesmo perder, se sairmos do carro agora.

Já perdemos.

Só quem aceita a derrota é que fala assim.

- De certeza que perdemos. - O que fazemos, Mümtaz?

O que os vencedores fazem.

Celebramos.

Primeiro jantar, depois cinema e uma surpresa minha.

Vá lá, pessoal. A Türkiye está atrás de vocês.

Senta-te e olha para cima, filho. Vamos.

Arranca.

Voltámos. Entrem.

- Está um gelo. - Vou mudar de roupa e deitar a Ece.

- Despacha-te. - Está bem.

Vou tomar banho. Tenho treino às cinco da manhã.

Preciso de mais 1,5 metros.

Numa semana, vais ficar muito mais alto.

Viste o que a Ece me fez? Adorável.

A minha pequenina.

Derya.

Não somos uma família incrível?

Mümtaz, vem sentar-te.

Está bem, querida.

Estou aqui.

Vamo-nos divorciar.

- O quê? - Quando digo "nós",

refiro-me aos pais reais. A İpek disse-me.

O Korhan não sabe.

O quê? Estão loucos, Derya? Porque separariam uma família assim?

O que estás a dizer?

Não tem nada que ver contigo. Estás demasiado envolvido nisto.

É a tua mãe, não é? É ela.

Sabias que aquela mulher nunca sorriu para mim?

Nunca nos demos bem. Está a pôr-te ideias na cabeça?

Não é a minha mãe verdadeira.

Vamos ao tribunal amanhã e impedimos isso.

Estás doido? A decisão não é nossa.

Não sabemos pelo que estão a passar. Isto não é um jogo.

Eles não existem. Nós é que estamos aqui.

Os miúdos precisam de nós.

Precisam dos pais verdadeiros, não de nós.

Pais que assumem a responsabilidade de os sustentar.

Pais que não discutem na escola.

Ao contrário de pais que não vão a um único jogo.

Olha.

Talvez isto…

… te ajude.

O Muzo?

- A sério? Com ele? - Quem é esse Muzo? Conhece-lo?

É o idiota de que o Oktay falou. Deve ser nosso amigo.

Como me podes fazer isto?

A ti? O que estás a dizer?

- A ti? - O que fiz para merecer isto?

Cala-te. Estás a passar-te. Estás louco?

Para de me enervar.

- Mostra-mas. - Não posso.

É tudo o que vejo. E posso atender chamadas.

Não tens piedade de ninguém.

- Não tens coração. - O quê?

Podias pensar no Korhan. Ele tem problemas.

O Korhan não é nosso filho.

Isso é irrelevante. E depois?

- O que estás a dizer? - Eu sabia.

Não foi isso que quis dizer, filho. Interpretaste-me mal. Eu…

- Já tomaste banho? - Lavei a cara.

Tomo banho quando for viver com os meus pais.

- Não. - Levem-me lá amanhã.

Vou viver com eles, se forem ricos. Se não forem, fico aqui.

- Filho. - Korhan? Korhan!

Estou a passar-me. Estou mesmo.

Conseguiste.

Cala-te!

- A culpa é tua. - Podes calar-te?

- Arruinaste-nos. - Basta!

Olá, Çiço.

- Onde está o Muzo? Onde está? - Acalma-te, meu.

- Está a estacionar. - Trouxeste esse violador?

- Mümtaz! Para. - O que se passa?

Onde está esse tarado?

- Aqui? Onde, raios? - O que estás a fazer?

Mümtaz. Volta aqui.

- Mümtaz, espera. - Abre. Abre a porta.

O que fazes?

Quero falar contigo. Abre!

Abre.

- Por favor. - Desculpe.

Espera, meu.

É um assunto de família.

- Abre. Vá, abre. - Para.

- Vais abrir a porta, ou quê? - Muzo. Derya. Muzo!

Muzo? Muzo, ajuda-me!

- O que estás a fazer? - Muzo!

- O que é isto? - Muzo.

- Porque faz o meu padrinho isto? - O quê?

Está a dizer disparates, querida.

Cala a boca, para variar.

Não é nada.

Está chateado pelo para-brisas? São só uns riscos.

- Vai pagar por isto. - Falo com o meu mecânico.

- Vai arrepender-se. - Sim, vizinho. Cuide-se.

- Vou fazê-lo pagar. - Sabes que isto é crime.

- Vá lá. Não é nada. - Está bem, acalmem-se.

Estou a deixar impressões digitais.

- Como te pudeste envolver? - Não me envolvi.

Fico com aquele. Aquele. Está bem.

Estás bem?

Estou bem. Estou ótima.

Ouve, querida.

Se tiveres dúvidas, diz-me. Ainda não entreguei os documentos.

Estou a dizer-to como amiga, não como advogada.

Isto não é uma brincadeira.

Tens a certeza?

Não tomei a decisão sozinha. É uma resolução conjunta.

Parece que não nos damos bem, normalmente.

Como assim, normalmente?

Quero dizer, no geral. Tu sabes.

Derya!

Às vezes, fico na dúvida.

Talvez resolvam as coisas.

Soube que foram ao jogo juntos.

Depois, ao parque de diversões.

Ele parece estar a esforçar-se.

Pelo menos, arranja tempo para resolver as coisas.

Depois, ele passa-se

e parte o para-brisas a um estranho. É completamente inacreditável.

Tem problemas de raiva.

Como se ser negligente não bastasse.

Não. Ele não tem problemas de raiva. Foi porque…

Porquê?

Derya?

Porquê?

- Muazzez. - Sim.

Somos amigas chegadas, certo?

Somos. Não somos?

A sério? Claro. Desde a universidade.

Tenho uma pergunta para ti, mas sê sincera.

Diz-me como vês as coisas de fora.

Nós.

Eu e o Mümtaz…

Nós amávamo-nos?

Posso confessar?

Na escola, todos queríamos ser como vocês.

Três, então.

Rezávamos para encontrar o amor verdadeiro, como o Mümtaz e tu.

Eu amo o Oktay. Tu sabes disso.

Ele é tudo para mim, mas…

Nunca olhei para ele como olhas para o Mümtaz.

Nunca.

"Nunca amei ninguém como tu."

Nada fica igual. Infelizmente, não funciona assim.

Mas tenho uma certeza.

Nunca vi um casal que se amasse tanto como vocês os dois.

Lembra-te, entregarei os ficheiros amanhã.

Se disseres para não o fazer, não o farei. Entrego-os, ou não?

Devo entregá-los, ou não?

Muito obrigada por tudo.

Não tens de quê. Ainda bem que vieste.

Espera, Muazzez. Estive a pensar.

E se ele me processa?

Não posso pagar pelos danos. Tenho filhos para cuidar.

Passariam fome.

Trata do caso.

Não posso. Não trato desses casos.

- Arranjo-te um advogado. - A sério?

- Sim. - Sem custos?

- Sem custos. - Anda cá.

Não arranjas nada.

- Adeus. - Boa noite.

- Vão com cuidado. - Fecha. Não apanhem frio.

- Adeus. - Até logo.

Onde estacionaste o carro?

Ouve-me. Este tipo vai causar-te problemas.

Sugiro que tenhas cuidado. Deus nos livre.

Derya, não digas isso. Estou assustado.

Apaga as luzes. Estamos a desperdiçar.

Podes desligá-las? Para de me seguir.

Como… Qual delas… Por onde começo?

- Céus! - Há tantas luzes nesta casa.

Mas que… O tipo das finanças está aqui?

Quem bate assim?

Não tenho dormido bem. Deve ser o Anjo da Morte.

Quem me dera.

Isto não é a campainha nem uma batida. É um pontapé.

Que tipo de casa é esta? Nunca faltam visitas.

Está sempre alguém à porta.

Abre a porta, filho. Porque andas a vaguear?

- Desculpe, conheço-o? - Não és adotado. Santo Deus!

- Olá. Como… - Devias ter-nos ido buscar!

Desculpa?

Disse-to dezenas de vezes, mano.

- Avô a fingir. - Nem abre a porta!

- O quê? - Está a brincar.

- Não digas parvoíces. - Mümtaz, andas a alimentar este miúdo?

Carne crua é do que ele precisa. Carne crua.

Companheiro, vem ajudar o avô.

- Renovações? - É só a tralha da tua tia, miúdo.

Era difícil ires buscar o teu pai ao terminal?

Toma isto. Para onde estás a olhar? Toma.

Cuidado.

Então, como queres isto?

Pai, é aqui que vai ficar o cenário do noivado. Aqui.

Aqui ou ali? Devia estar aqui?

- Aqui. Olha. Aqui mesmo. - Vamos fazer assim. Está bem.

Estava a pensar em ter as cadeiras aqui.

Para onde estás a olhar, imbecil? Pousa isso.

- Depressa. - Calma.

As cadeiras serão alinhadas.

Chega. Já percebi. Desimpeçam a área.

Não me pisem. Deem-me espaço.

- Derya. Querida. - Derya. Derya.

- Afasta isso, filho. - Em lados opostos.

- Desvia isso. - Eu trato, pai.

O que estás a fazer com as flores…

- Mano, o que… - Isto é injusto.

- Anda, querida. Precisamos da tua ajuda. - Bem-vindos.

Ena! A princesa da avó.

- Mexam-se. Depressa. Move isso. - Pai, ouve…

Desimpeçam a área.

- Quem são? - São os meus pais.

- Bem-vindo. - Boa noite.

- Boa noite. Muito obrigado. - Bem-vindo.

- Bem-vindo. - Obrigado.

- Dê-me o seu casaco. - Olá.

- Está fria. Bem-vinda. - Obrigada.

- Olá, querida. - Obrigada.

- Eu levo isso. - Por aqui.

Por favor, por aqui. Por aqui.

Por aqui.

- Onde está o meu irmão? - Por aqui.

- Entra. Eu vou ver. - Sento-me aqui?

Por aqui, querida.

- Bem-vindo. - Mümtaz.

- Ainda bem que vieste. - O que fazes aqui?

Os convidados chegaram.

Que tipo de pais tenho?

Não admira que te tenhas tornado psiquiatra.

Olha para eles. Vês como me saí bem?

Olha para mim e diz: "Mümtaz, conseguiste."

Quanto já bebeste? O que é isto?

Nada de especial. Só um.

Ficas bêbado com um shot?

- Só um. - A sério?

Ouve-me.

Cala a boca e deixa comigo, está bem?

Ena! A Ezgi. Vai sair do ninho, é?

Elif é o nome da tua irmã. Quem é a Ezgi?

Fica calado e não me enerves.

O meu marido é ótimo. Deus o abençoe. Estraga-me com mimos.

- Por favor, não é preciso. - Olá. Olá.

Não é incómodo nenhum.

Viemos de tão longe, conhecemos-vos.

E estamos muito contentes por isso.

Gostamos de ti. Claro que viríamos.

- É o que fazemos. - Claro.

Este é o irmão mais velho da Elif, o Mümtaz.

Boas festas.

Obrigada por nos convidar, querido.

E esta é a Derya. A nossa linda nora.

Olá, Mümtaz.

Trouxeste o empregado contigo.

Mano.

Ele só está entusiasmado. É como um irmão para ele.

Não há problema, querido. Todos ficamos entusiasmados.

Eu estava tão entusiasmada a caminho daqui, de avião.

A viagem pareceu durar uma eternidade.

Meu Deus. Pareceu uma eternidade.

E, na verdade, não foi assim tão longa. Dá para acreditar?

A minha mulher tem medo de voar.

Morro de medo.

Chegámos aqui e começámos a aproximar-nos para aterrar.

Mas descobrimos que havia trânsito no aeroporto e o avião continuou a voar.

Estávamos a circular no ar.

Tínhamos chegado. Conseguia ver a pista.

Estávamos a descer para aterrar.

Depois, o barulho! Começamos a ascender.

Por um momento, receei que algo grave estivesse a acontecer.

Aproximamo-nos de novo, mas para ascender de novo.

Céus! Valha-me Deus!

Mas oiçam, assim que aterrámos,

juro que senti que tinha saído da corda bamba.

Estávamos assustados.

- Sou sincero. - Tivemos medo.

Tivemos mesmo. Meu Deus.

Lamento imenso. Com licença.

Querida Derya. O que se passa?

Peço desculpa.

O que se passa com ela?

Assim que abro a boca,

ela desata a rir, como uma daquelas bonecas risonhas.

Bonecas risonhas? O que é isso?

Ela parece gostar.

- Está um pouco atrapalhada. - Já volto.

O que fazemos?

O que estás a fazer?

Não acredito.

O sotaque, certo?

Claro.

E tinha de ser cipriota. Mümtaz, como é possível?

Acho que consigo fazer melhor.

Cala-te, por favor. Já estou a rir.

O que faço?

Como assim? É óbvio. Precisas de uma bebida forte.

Claro. Se beber isto, acabo por lhe dar uma gorjeta de cada vez que me fizer rir.

Tens razão. Não vai resultar.

Eu resolvo. Fica descansada.

- Estou feita. - Relaxa.

- O que estão a fazer? - O que se passa?

Estou na minha cozinha, a falar com a minha mulher, a beber um copo.

Não preciso da tua permissão.

Mano, o pai está estranho.

Contava contigo, mas estás bêbedo.

- Põe-te sóbrio e volta para lá. - Vai.

Meu, porque a segues como um cãozinho?

Sai. Ainda não estão noivos.

Mano!

- Meu, este miúdo… - Vai. Volta para lá.

Vou fazer café.

- Está bem, vamos. - Tu enervas-me mesmo.

- Erkin, anda cá. - A sério, estou a tremer.

- Erkin, anda cá. - Continua.

- Não gosto do miúdo, Derya. - Podes continuar? Por aqui.

Ouve-me.

Espera aqui até eu voltar.

Não te mexas.

- Percebeste? Não te mexas. - Está bem.

Santo Deus.

O meu irmão é outro caso.

Ele devia ajudar-me, mas faz isto.

Deus me ajude.

Enfim. E a tua irmã?

- Está melhor? - Sim. Está muito melhor agora.

Ótimo. Ainda bem que está bem.

Ela diz que lamenta. Manda as mais sinceras desculpas.

Não há necessidade disso.

Está grávida. A culpa não é dela.

Acho que consigo tirar a foto antes de ela sair.

O que vai acontecer este verão?

Uma dose dupla de felicidade, certo?

Primeiro casamo-nos, depois vem o bebé.

Espero que sim.

O que estás a fazer…

… aí à porta?

Ou melhor, vem cá.

Estou a ir. Espera aí.

Aqui estou eu.

A casa é minha, posso andar à vontade.

No entanto, houve uma sequência.

Casei-me primeiro, comprei a casa

e depois tivemos um bebé.

Percebeste? Queres anotar?

Mano, sai daqui. Vai.

Agora!

Tu enervas-me. Enervas mesmo.

- Faz isso desaparecer… - O que fiz eu?

Eu ia lá de vez em quando.

Talvez por terem um chef diferente

ou terem reduzido custos, não sei, mas a comida nunca mais foi boa.

Por isso, desisti. Já não vou lá.

A minha mulher não o faz em casa.

Não conseguiria, mesmo que tentasse.

Esqueçam. Não suporto o cheiro.

Servem crepes no restaurante da Derya. Crepes de couve.

Mas fazem-nos de forma diferente. Em forma de bola.

Certo, Derya?

Deixa-me dizer-te uma coisa. Sou louco por eles.

O preferido dele.

Querido, a tua mãe sugere que convidemos as visitas para o restaurante.

Veremos!

Se Deus quiser!

Se Deus quiser.

Aí vem o café.

Aqui tem.

- Um café feito por esta bela menina. - Bom proveito.

O que estás a tramar?

Tira isso. Tenho de dizer uma coisa.

Não posso. É difícil voltar a pô-lo.

Fala de frente para mim. Sou ótima a ler lábios.

Mexe os lábios.

Estamos numa alhada.

O Bill Hicks? Quem é?

A Elif.

- A Elif. - Um.

- A Elif. - A Elif.

Ela está grávida.

Disse algo selvagem?

Selvagem, não. Grávida.

Obrigado.

Ele diz que a tia está grávida.

- O quê? - O quê?

O que estás a dizer?

O quê? O que disse ele?

- Erkin, filho. O que está ele a dizer? - Elif…

- Não sei. - Meu Deus.

- Isto não pode estar a acontecer. - O que se passa?

Pai. Isso não é verdade.

Filho, achaste que eu era incapaz de levantar a voz?

A minha mãe meteu tampões nos ouvidos. Não ouve nada.

Mãe, porque fizeste isso?

É óbvio. Não percebes?

Ela acha piada ao nosso sotaque. Não consegue parar de rir.

Usa tampões nos ouvidos para não nos ouvir.

Não pode ser verdade.

Vê por ti mesma.

Eles perceberam.

O quê?

Sabias que a tia estava grávida?

Elif, estás grávida?

Não, não estou. Não estou grávida. Quem disse isso?

Não mintas, raios! Tu sabias desde o início.

Deu para ver, pela forma como te rias.

Ouve-me. Lá está ela outra vez. Mostra algum respeito, para variar.

Como se atreve a dizer isso? Nem pensar.

A Derya nunca faria isso. Já ouvimos o suficiente.

Não vê? Ela está a gozar com o nosso sotaque.

Nem pensar. Isso é impossível. Somos "duas bandeiras, uma nação".

Temos de impedir que nos dividam. Temos de ser unidos.

Que treta é essa? Estragaste a cerimónia.

Não é nada disso.

Está a rir-se do sotaque. Faço sotaques para a fazer rir.

Foi disso que se riu. Ri-se de todos os sotaques.

Ouve-me. Vai-te embora, está bem?

- É só isto. - Para.

Que ridículo! Basta!

Lamento imenso, senhor. Perdoe-me. Por favor.

Ela ri-se de tudo o que dizemos. Goza com a nossa língua.

Porque o faria? O meu sotaque é turco cipriota.

- É disso que se ri. - Sê sério.

Não sabes nada sobre o sotaque cipriota. Nunca saberás.

É melhor parar por aí.

Não aceito isso. Cumpri o serviço militar no Chipre.

Se desconheço o sotaque cipriota,

como falo tão naturalmente?

Como vai isso, brochista? Tudo bem?

Tento na língua, filho. Os miúdos estão aqui.

Não sou filho deles. Fui adotado.

O que disseste?

Por favor, parem.

É uma palavra carinhosa, como "querida" ou "amor".

Que disparate. Isso não é verdade.

Dois idiotas vão à televisão imitar o nosso sotaque

e acham que é assim que os cipriotas falam?

Não é verdade.

Sugiro que aprendas a falar melhor o teu turco.

Para de gozar com os nossos sotaques.

Se não é verdade, porque é que todos no Chipre mo disseram?

Será por seres um brochista?

Continua assim e ficarás batizado.

Para trás, mulher.

O que foi isto?

- Ece. Ece? - Ece?

- O que aconteceu? - Não sei.

- Tenho uma neta pequenina. - Ela caiu, ou quê?

O número que marcou não está disponível.

Por favor, tente mais tarde.

Será que esta "querida" não é a Derya? Estou sempre a ligar…

Querida

Caramba! Onde estás?

- Como está ela? Parece bem. - Está bem.

Porque não fico com ela, mano?

Não, não é preciso.

O médico disse que só a estão a manter por segurança.

Só caiu da cama, Elif. Está bem.

Está alguém à espera lá em baixo? Leva-os e vai para casa. Eu fico aqui.

Viste a Derya lá em baixo?

Não a vejo desde que chegámos ao hospital.

O que se passa? Há algum problema?

Não é nada.

Deve ter ido a casa. Deve estar a chegar.

- Vou andando. - Está bem.

Liga-me se precisares de algo.

- Não vou dormir esta noite. - Está bem.

Ouve, desculpa. Arruinámos a tua grande noite.

Não sejas tolo.

A sério. Isso é ridículo.

Pensei que seria muito pior.

Isto não é nada. Vai correr bem.

E o meu tesouro está bem.

Dá um abraço à tua irmã. Vá lá!

- Adeus. - Adeus.

Acho que está a acordar.

Descansa.

O quê? Acordaste? Anda cá.

Tens de carregar.

Sim. Carrega tu.

Carrega. Toca à campainha. Carrega. Pressiona.

- Pronto, querida. Pronto. - Vejam o meu bebé ferido.

- Chegámos - Deus vos abençoe.

Cá está ela. Pega-lhe. Pronto. Está tudo bem.

O que disse o médico? Ela está bem?

Ela está bem. Está ótima.

Responde como deve ser, filho. Ele está a fazer uma pergunta.

Não ouviste? O médico diz que ela está bem. Já chega.

Santo Deus.

Onde está a mãe?

A mãe deixou-me aqui e foi para o restaurante.

Vou à clínica antes de ir ter com ela.

- De certeza que estás bem, filho? - Estou bem.

Quando voltas?

À noite, acho eu.

Filho, o rapaz fez-te uma pergunta.

Às 20 horas. Está bem agora? Pronto.

- Às 20 horas. - Até logo.

Como está a Ece?

Está bem. Muito bem. Deixei-a em casa.

Ontem, não conseguiu pintar. Deve estar a pintar a casa toda.

Tive tanto medo.

Eu reparei.

- Também estiveste a chorar. - Claro que sim. O que esperavas?

Como me encontraste?

Pensei: para onde iria se quisesse que me encontrassem?

Pensei em sítios aonde irias e tentei a minha sorte aqui.

- Podia ter acontecido algo. - Não aconteceu.

O que faríamos? Diz-me, o que faríamos?

Somos péssimos nisto. Nunca seremos bons pais.

Não aguento mais isto. Porque continuamos aqui?

- O que é? - Nada.

Se tens algo a dizer, diz. O que é?

- Queres mesmo ir-te embora? - Lá vamos nós outra vez. Mümtaz…

Erdem.

- Chamo-me Erdem. - Não faz diferença.

Não faz.

Não importa quem és.

Para quê, se não és essa pessoa?

Nunca serás o Mümtaz. Nem o Erdem.

Não somos ninguém. Percebes? Ninguém.

Zés-ninguém que nunca podem estar em lado nenhum.

Continuas a falar de família. Está bem, eu percebo.

É bom ter família. Mas é como se nunca a tivesses tido.

E não tive.

O quê?

A história do costume. Acidente de viação.

Tinha dois anos quando aconteceu. Os meus pais morreram no carro.

Não tinha muitos familiares. Tinha uma tia.

Morreu quando eu tinha 15 anos.

Fui para um colégio interno e para a universidade.

Estou a dizer para irmos, Derya.

Se pudermos, vamos. Todos acabam por ir.

Vamos, mas…

Derya, tenho uma pergunta na cabeça desde que nos conhecemos.

E se nunca mais te encontrar?

Para de amuar. Não vou a lado nenhum.

Seja como for, não posso.

Sabes no que estou a pensar?

- Poderás estar apaixonada por mim? - Mümtaz…

Sim, estas coisas acontecem.

Há muitos casais que começam mal mas que se apaixonam.

Preferia que fosses sincera comigo.

Desculpa esta situação,

mas se estás apaixonada por mim, gostaria de o ouvir de ti.

Está bem, prometo.

Serás o primeiro a saber se me apaixonar por ti.

- Prometes? - Sim.

Assim está melhor.

Mas que…

O que se passa? O que é isto?

Fazes 17 anos?

Odeio isto. Balões, surpresas e assim.

Surpresa!

Feliz aniversário.

Disseste que chegavas às 20 horas. São 22 horas. Não mudas mesmo.

- Zafer! Não lhe faças isso. - Não comeces.

Fizemos isto com os miúdos.

- Inacreditável. - Tudo pronto.

Sem contas no fim. Bem melhor.

Quem sabe o que se come por aí?

Certo.

Só fiz a salada. Não te preocupes.

A tua mãe ajudou. Limitaste-te a cortar.

- Pai! - Querido marido…

- Podes parar de falar? - Está bem.

Vá lá, pessoal.

Vamos dar privacidade ao casal.

Sim. Vamos levar os miúdos. Divirtam-se.

Nem pensar. Vamos passar a noite juntos.

Não somos uma família? Queremos que se juntem a nós.

Certo, querido?

Sem dúvida, querida. Como queiras.

Todos juntos, então.

Vamos, vamos, vamos.

A música parou.

Podem juntar-se todos aqui?

Podemos. Vá lá, pessoal.

Gravei isto para um trabalho da escola. Lembram-se?

- Claro que nos lembramos. - Claro.

- Como poderíamos esquecer? - Olha para ela.

Não sei. Talvez tenham esquecido a beleza de certas coisas.

Queria avivar-vos a memória. Vou pôr a dar, por precaução.

Então, põe.

Pai, amas a mãe?

Que projeto é este?

Mas, pai!

Pronto, está bem. Espera.

Se amo a tua mãe? Porque amaria a tua mãe?

Mümtaz!

Se a minha vida fosse um jardim, a tua mãe seria a água que o regava.

Eu murcharia e morreria sem a tua mãe.

Sem ela, eu seria um deserto. Pronto.

E tu, mãe?

Um segundo.

Korhan?

Se tivesse uma frase para descrever o teu pai,

querida, era isto que eu diria.

"Quando acordo todos os dias e o vejo ao meu lado,

acho que vale a pena viver."

Mãe, és tão querida.

E eu? Não sou querido?

Dá-me isso. Vá lá, dá-me isso.

Muito bem, menina. É a tua vez.

Quanto me amas?

- Tanto! - Tanto?

Repete isso. Quanto?

Isto tudo.

Não é assim. Vem cá.

Para aqui. Aqui. Agora, olhem todos para aqui. Já está.

O Korhan?

O Korhan está a ignorar-nos.

- É tão novo. - Korhan.

Porque não repetimos todos isso? Quanto nos amamos?

- Tanto! - Tanto.

- Tanto. - Tanto.

Não dançava assim há séculos.

Boa noite.

Obrigada por tudo. Foi uma noite maravilhosa.

- Derya, foi fantástico. - Obrigada.

Espero mais aniversários.

Filho. Meu querido.

Espero que festejes mais 17 anos.

Ámen.

Estás bem assim. Já chega.

- Amas-me? - Não consegues ser sério?

Os pais amam sempre os filhos. Está bem?

Está bem.

É assim que ele é.

Adeus, querido.

Os miúdos ficam connosco esta noite. Não se preocupem.

Tens a certeza? Não vais ter dificuldades?

- A Aylin também vai. - Não sei.

Está bem. És uma mãe incrível.

Minha querida.

Vá lá, Lütfiye. Não paras de falar, estamos todos à porta.

- Muito bem, já vou. - Vamos, meninos.

Não chateiem a avó.

- Vamos, meninos. - Vão lá.

Tu, o teu irmão e a tua irmã são as melhores coisas da minha vida.

És uma ótima irmã mais velha.

Consegues fazer o que ninguém consegue. Manténs-nos juntos.

És a minha heroína. Não te esqueças disso.

Está bem. Estás bem, mãe?

Nunca me senti melhor.

Vai lá, querida. Vai.

- Adeus, pai. - Boa noite, querida.

Korhan, duvido que venhas a ser jogador de basquetebol.

Estou destroçado, capitão. Seja gentil.

Mas irás superar-te em tudo o que fizeres

porque acrescentas beleza a tudo aquilo em que tocas.

E o capitão é o meu pai preferido.

Filho, tu não foste adotado. Agora, pira-te.

- Adeus, mãe. - Adeus. Não chateies a avó.

- Depressa, miúdo. - Vá lá.

Entra.

- Viste a lua cheia? - Vi.

Pode ser coincidência. Afinal, a lua cheia é um fenómeno natural.

Está sempre a acontecer. Isto também é uma coincidência.

Está bem.

Sei que parece estranho, mas também pode ser coincidência.

Estas coisas acontecem.

- Isto também me assusta um pouco. - Não é?

E se não conseguirmos sair?

O que acontece se acordares ao meu lado de manhã?

A Sra. Lütfiye virá fazer-nos o pequeno-almoço.

Vai cuidar da Ece.

Deixamos os miúdos na escola.

Eu devia esforçar-me e aprender a cozinhar.

Negligenciei muito o restaurante.

Vais para a faculdade de medicina? Quero dizer…

- Gostavas? - Que fosses?

Não, tonta.

De acordar ao meu lado amanhã.

Gostava,

mas acho que não será possível.

Não faz mal.

Saber isso já é bom.

Derya, tenho de te perguntar uma coisa.

Visto que nos vamos, tenho de saber agora.

- Tenho de te perguntar uma coisa. - Sim.

Promete que dizes a verdade.

Prometo. O que foi?

Sabes o quanto te amei.

Alguma vez me amaste?

Sim, Mümtaz.

Amava-te da mesma forma.

Mas eu sabia.

Sabia que este conto de fadas seria interrompido de repente,

como todos os outros contos de fadas em que nos encontrámos.

Talvez tenhas razão.

Devíamos falar quando podemos.

Acima de tudo, enquanto temos tempo.

Amei-te tanto, Mümtaz.

Então?

Há clientes à espera.

- Despacha-te. - Está bem.

Não é sítio para olhares para o boneco.

Vai lá. Despacha-te.

Leva isto também.

Ótimo.

Acabou.

Tal como todas as coisas boas, acabou de repente.

Eu disse-vos que a minha história era diferente.

Tornou-se o meu conto de fadas.

Um que não pode ser contado a ninguém.

Um em que ninguém acredita.

Estava prestes a terminar o conto de fadas e a fechar o livro, quando…

Devem ter voltado aos corpos enquanto viam o projeto da İpek na sala.

Todos têm de se lembrar.

Especialmente os que amam muito.

Bem-vindos. Eu posso pegar na menina.

Ela não costuma querer colo de estranhos.

Deve gostar de si.

- Talvez me tenha confundido com alguém. - Talvez.

Bons olhos os vejam.

Obrigada.

Aqui têm.

Há uma coisa que eu sei.

Os contos de fadas só acabam quando os miúdos adormecem.

Estarei convosco, se precisarem de mim.

Desculpe?

Estarei por aqui para receber os vossos pedidos.

Desculpe. Aqui.

Não sei como acabam os melhores contos de fadas,

mas sei a última frase do nosso muito bem.

E viveram felizes para sempre porque,

na verdade, nunca foram separados.

Tradução: Tiffany Cândido

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