All language subtitles for No Other Land.2024.1080p.WEB-DL PT-PT

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Original subtitles

Pessoal, o exército está a cercar a aldeia.

Basel, onde estás?

Basel, vem para casa depressa.

Devagar.

Vai acontecer qualquer coisa.

Vem cá!

Vem, depressa!

O que está a acontecer, pessoal?

Os soldados estão a apontar para um mapa.

Tenho cinco anos de idade.

A minha primeira memória.

Uma luz acordou-me.

Foi a primeira detenção do meu pai.

Tenho sete anos.

A primeira manifestação de que me lembro.

Esta é a minha terra.

PERIGO Proibida a entrada no campo de tiro!

Sentei-me no campo com a minha mãe.

Este é o meu avô.

E este é o meu pai.

Pai!

Nessa altura, comecei a perceber que os meus pais eram ativistas.

Está preso, não se mexa.

Eu pensava:

"O meu pai é invencível."

Hoje, a sua bomba de gasolina é o centro da sua vida.

Construiu-a debaixo da nossa casa.

Vamos ver as ovelhas? Vamos lá.

- Méé! - Méé!

- Méé! - Méé!

O pequeno Elias. É o filho do meu irmão.

O quê?

Méé!

Ele diz muita coisa com um só som.

- Elias. - Méé!

Quando eu era pequeno como ele,

as pessoas à minha volta começaram a filmar.

O meu nome é Basel. Eu guardo ovelhas.

Todos os dias, às 14 horas, na minha aldeia.

Masafer Yatta é a comunidade onde cresci.

Somos uma comunidade de 20 pequenas aldeias

nas montanhas da Cisjordânia.

Comecei a filmar quando começámos a acabar.

Mil palestinianos de oito aldeias no sul da Cisjordânia ocupada

podem vir a ser despejados

devido a uma decisão do Supremo Tribunal de Israel.

Mais de mil palestinianos poderão, em breve, ser despejados das suas casas.

Masafer Yatta, no sul da Cisjordânia.

Enfrentam uma das maiores decisões de expulsão

desde o início da ocupação israelita dos territórios palestinianos começou em 1967.

É...

Despacha-te, vai buscar o carro, eles podem destruir a minha aldeia.

- Basel? - Onde estão as câmaras?

Talvez debaixo do espelho.

Onde é que vais?

Ali está ela.

- Come alguma coisa antes de ires. - Não. Tenho de ir.

VERÃO DE 2019

Venham, depressa.

Vieram destruir as nossas casas?

Não tenhas medo, meu querido, eles já se vão embora.

Não ficarão connosco por muito tempo.

Malditos sejam!

- As raparigas ainda estão no quarto. - Afastem-se.

- As minhas filhas estão lá. - Não importa, afastem-se.

Porque é que nos tratam assim?

Saiam!

Vão para ali!

Soldados, em formação!

Preciso de ar, meu Deus!

Não te preocupes, meu amor.

Eu não quero que eles...

Eles vão tirar-nos a nossa casa.

O que é que vamos fazer?

Põe isso no canto.

Organizem as nossas coisas.

Ponham as vossas roupas na gruta.

Tens onde pôr isto?

Ponham as nossas camas no fundo da gruta.

Meninos, não se afastem, venham ajudar-nos!

Tragam a máquina de lavar roupa cá para dentro.

Agora vamos viver numa gruta?

Meu Deus, não sobrou nada.

Destruíram até o curral das ovelhas.

- És o Basel? - Sim.

Sou o Yuval, tudo bem?

Yuval, por favor, sê delicado com as pessoas.

Perguntaram se sou um jornalista israelita?

Não sei.

Quantas casas restam nesta aldeia?

Restam poucas. As pessoas vão viver para as grutas, debaixo de onde estamos.

Vive lá uma família.

- Olá. - Como estás?

Eu falo árabe.

- Eu falo inglês, não me fales em árabe. - Está bem.

Ele é jornalista.

- De onde és? - Sou de Be'er Sheva.

Porreiro. Então és palestiniano?

Não, sou israelita.

És israelita?

A sério?

- Um israelita pelos "direitos humanos"? - Algo do género.

O que é que pensas sobre o que o teu país nos está a fazer?

Acho que é um crime.

Como é que o vosso tribunal de "justiça" pôde decidir

que a nossa terra vai passar a ser do exército?

Quando é que a tua família começou a viver aqui?

- Em 1900. - 1900?

Os nossos antepassados instalaram-se aqui na década de 1830.

Fizeram de nós estranhos na nossa própria terra.

O que vão fazer agora?

O exército quer ficar com todas as nossas terras.

Sim.

Falaste com os soldados hoje?

Perguntei a um soldado se não tem vergonha de demolir a minha casa.

Ele disse que era a lei, porque havia de ter vergonha?

Não nos vamos embora.

- Quem é o teu pai? - Chama-se Nasser.

Ah, o teu pai tem uma bomba de gasolina.

O teu pai é o homem do combustível.

Basel, obrigado pela tua ajuda hoje.

Bem-vindo à nossa casa.

Entra.

Senta-te, põe-te à vontade.

Como estás?

Estou ótimo.

Bela casa.

Apresento-vos a minha mãe, a minha irmã e o Basel.

Somos todos uma grande família, toda a gente é bem-vinda aqui.

Vamos beber café com gengibre?

Gostas de café com gengibre?

O que é isso?

- Café com gengibre. - Claro.

Quando vejo o que está a acontecer, Yuval,

fico tão zangado que me apetece atirar pedras.

Mas contenho-me.

- Claro que ficas zangado. - Parece que me transformo noutra pessoa.

Não consigo controlar este sentimento.

Destruição total.

São os teus familiares que nos estão a fazer isto.

Onde é que nasceste?

Em Be'er Sheva.

O lugar onde nasceste, nunca o poderás esquecer.

Estou certo ou errado?

Certo, é impossível esquecer.

É impossível esquecer.

Então como é que eles esperam que nós esqueçamos a nossa terra?

Acredito que podemos impedir a expulsão,

se formos ativos e documentarmos no terreno.

Isso forçará os Estados Unidos a pressionar Israel.

Isto pode impedir a nossa expulsão.

Vou enviar-te um link para o meu artigo.

Espero que entrem em contacto.

Adeus, Basel, obrigado, mais uma vez.

Partilhar agora.

Acaba o jogo e vai dormir.

- Não tive tempo para jogar, mãe. - Já jogaste muito!

Continuas amanhã.

Os tribunais israelitas decidiram destruir as aldeias,

e expulsar as pessoas, para que o exército possa treinar nas suas terras.

Pai, vamos para a escola.

Hoje não vão muitos miúdos à escola.

A professora disse para pedirmos aos nossos pais para nos levarem.

A sério? Mesmo com o que o exército está a fazer?

Anda lá, pai, todos os miúdos vão para a escola!

Pronto, vamos lá.

Temos relva - ela existe!

Temos uma montanha - ela existe!

Temos um galinheiro - ele existe!

Temos uma casa - ela existe!

Temos... uma pedra - ela existe!

Em Masafer Yatta, decidimos, há 20 anos,

acolher todos os que estão connosco.

Os soldados invadiram a nossa casa à noite.

Disseram-nos que,

se voltássemos a convidar ativistas israelitas ou internacionais,

ainda nos iam fazer algo pior.

Pode traduzir?

Eu cresci numa casa cheia de ativistas.

Vislumbres de outras vidas.

A minha aldeia quando eu era miúdo.

Masafer Yatta é conhecida pelas suas antigas casas em grutas.

Quando eu nasci, o exército ordenou a nossa retirada.

A nossa eletricidade é uma ameaça à segurança?

Vêm aqui para nos arruinar a vida.

Disseram que precisavam da nossa terra para treinar tanques.

Zona de treino do exército fechada!

As nossas aldeias aparecem em mapas do século XIX.

Mas o exército não reconhece que as aldeias existem.

Nas nossas terras, construíram colonatos israelitas.

Para lutar contra a expulsão, as nossas aldeias foram a tribunal.

Um tribunal que não é o nosso.

Foram precisos 22 anos para que o tribunal israelita decidisse:

Masafer Yatta será destruída para se tornar num campo de treino militar.

Fiquem aqui.

Nós vamos ter com eles.

Tens uma câmara?

Porra.

Eles estão a treinar, Basel.

Porquê?

O exército nomeou este homem

para executar as ordens de expulsão do tribunal.

Ilan, ouve-me.

Vivemos aqui há muito tempo,

estão a perder tempo, não nos vamos embora.

Eu nasci aqui há 70 anos.

Por aqui já estamos conversados, os soldados que venham comigo.

Ilan! Ilan!

ORDEM DE DEMOLIÇÃO 1455

Ele assina cada ordem de demolição com o nome "Ilan".

Ele deu-as a todas as famílias.

Leiam-na.

Vocês são uns ladrões.

Se tivesse filhos, eu podia fazer-lhes isto?

Podia?

Eu prendo-vos se não se forem embora.

Pai, deixa estar!

Trouxeram todas estas forças para um parque infantil!

Já não vamos ter um parque infantil?

Eles puseram-na no parque infantil.

Saiam daí!

O que é que não percebem?

Usem as pernas e vão para ali.

E tu?

Vives aqui?

Tu vives aqui?

Têm noção de que estão na nossa zona de treino?

Esta é uma zona de treino militar, não é permitido viver aqui.

Ilan, por favor, ouve!

Ou vos expulsamos, ou vão-se embora por vossa conta.

Todos daqui para fora.

Ilan, estás a tirar-nos tudo.

Estão cá muitos soldados.

Estão a planear uma grande demolição?

Não sabemos.

Eles estão a dirigir-se para um dos meus vizinhos.

Agora os soldados chegaram aqui.

Não têm vergonha de fazer isto?

Não têm temor a Deus?

Para trás!

Afastem-se, já!

Para trás!

Senão, quem o empurra sou eu!

Eu falo hebraico, não vale a pena gritar.

Espero que o bulldozer vos caia na cabeça.

Porque querem ficar com as nossas casas?

Porque estão a destruir a casa de banho?

Parem com isso, já chega.

Porque é que ainda estão aqui?

Para trás, para trás.

Destruíram a minha casa, já podem ir embora contentes.

Ilan, eu trato dela.

Por favor, afastem-se.

Já chega! Tirem-no daqui.

O que é que nos resta?

Para trás.

Não me deixaram levar as nossas coisas antes de me destruírem a casa.

A nossa cozinha está soterrada debaixo dos escombros da casa.

Têm mais algum sítio para onde ir?

Não temos outra terra.

É a nossa terra, é por isso que sofremos por ela.

Doha, vem cá.

Vamos comer um saco de pão ao jantar?

Meninos, venham comer.

Como podemos viver numa gruta? A nossa família é demasiado grande.

Vamos reconstruir secretamente durante a noite.

O que estás a fazer?

O que estás a fazer?

- Estou a girar isto. - A sério?

Para ninguém me apanhar.

És o meu amor, não és?

Amanhã será um novo dia.

Viva, Basel! Tudo bem?

- Olá. - Olá.

- Chamo-me Yuval. - Sou o Hamdan.

Ele é jornalista e quer escrever sobre as demolições.

Só se estiveres de acordo.

Mas será que que importa mesmo a alguém ler sobre isso?

Sinceramente, não a muita gente.

Espero que isso mude.

Oh, meu coração.

Meu Deus!

Meu Deus...

Despejem o cimento.

O Basel tem mais jeito.

Odeio trabalhar.

Sou como o filho do Benjamin Netanyahu.

Espera, assim não, Yuval, raios partam.

À velocidade a que o Yuval trabalha, nunca mais acabamos.

Para, para.

Disseste-me que não tinhas jeito para este trabalho, mas tens.

Eu trabalhei em Be'er Sheva, para pagar os meus estudos universitários.

- A fazer o quê? - Obras, como aqui.

- A sério? - Sim.

Sou sempre o tipo da mão-de-obra barata.

Vamos esconder isso?

Sim!

Escondemo-lo.

Escondemo-lo deles, mas eles estão sempre a ver.

Este tipo é um espião, estou a dizer-vos.

Fumas?

És israelita.

Como assim?

Os árabes constroem para ti e tu destróis para eles.

Destróis casas palestinianas.

Porquê, Yuval?

Mas como é que se constrói?

Está tudo bem, olha para as minhas mãos.

Vais para casa hoje?

Talvez.

Vou a casa tomar um duche.

Claro que voltas.

Estiveste no exército?

Saí, queriam pôr-me nos serviços secretos.

- Porque falas árabe? - Sim.

Como é que és tão fluente em árabe?

Fiz um curso com um amigo meu depois do liceu.

Aprender árabe mudou mesmo a minha visão política.

Por isso, quando o exército quis que eu servisse nos serviços secretos,

recusei, não servi.

É uma longa história.

Bem, é assim a minha vida.

Basel, envia-me as fotografias da demolição.

Eu sei que não tenho escrito muito ultimamente.

Estou sempre em Masafer Yatta.

Em breve, enviarei mais artigos sobre o assunto.

Preciso de combustível.

Toma o dinheiro.

De que aldeia de Masafer Yatta és tu?

Jinba.

Eles estão a destruir tudo.

Não querem que reconstruamos.

Soldados, venham comigo.

Confisquem as ferramentas de construção, agarrem nessa pá.

Estão aqui à procura de uma serra?

De um berbequim? Este equipamento é nosso!

Entram na aldeia deles para levar ferramentas de construção?

Vejam, vivem aqui famílias.

Yuval, deixa-o.

É o equipamento de construção deles!

Porque é que te importas?

Importo-me porque tudo isto é feito em meu nome.

Afasta-te, mas é!

Afasta-te.

Não te aproximes.

A minha câmara deixou de funcionar.

Deixem o nosso gerador!

Devolvam-no!

Estou a filmar-vos!

Não levem o nosso gerador!

Para que é que o querem?

Parem com isso.

Vai-te lixar! Seu filho da mãe!

Para trás!

Tirem-lhes o gerador.

Para trás!

- Ele matou-o! - Ele matou-o!

Harun!

Harun!

Estão a disparar sobre as pessoas.

Ambulância! Ambulância!

Harun!

Ambulância!

Harun!

Não disparem!

Ele matou-o.

Tragam o carro.

Deus, por favor, fazei com que ele recupere.

É tudo o que eu quero neste mundo.

- Aconteceu à sua frente? - Sim, à minha frente.

Mataram o meu filho à minha frente.

Levantei-lhe a cabeça e o sangue dele escorreu sobre mim.

À frente dos meus olhos.

À minha frente.

Harun, consegues ouvir-me?

Se me conseguires ouvir, pestaneja.

Pestaneja outra vez.

Harun Abu Aram está paralisado dos ombros para baixo

Depois de ter sido alvejado por soldados

enquanto estes levavam as suas ferramentas de construção,

enquanto ele tentava agarrar-se a elas.

JUSTIÇA PARA HARUN

- Basel? - Sim?

A mãe disse que posso ir convosco.

Deem-me balões.

De ambos os lados do muro!

De ambos os lados do muro!

Vamos parar as demolições de casas!

Vamos parar as demolições de casas!

Não nascemos para viver oprimidos!

Não nascemos para viver oprimidos!

De ambos os lados do muro!

De ambos os lados do muro!

Vamos acabar com as demolições de casas... Ele tem granadas.

Fiquem todos juntos.

Eles vão atirar granadas de atordoamento.

Façam-se ouvir! Façam-se ouvir!

Façam-se ouvir! Façam-se ouvir!

Se gritarem, não morrem!

Se gritarem, não morrem!

Façam-se ouvir! Façam-se ouvir!

Porra.

Por favor, voltem todos para trás com cuidado.

As crianças atrás dos adultos.

Merda.

Durante a manifestação, um soldado disse-me para ter cuidado.

Disse que viriam para me prender mais tarde.

Tens de estar preparado.

Pareces muito cansado.

Olha para ele a correr!

Olá, Elias, como estás?

Diz olá.

Diz olá ao Yuval.

Dá cá mais cinco.

Estás com medo?

Dá cá mais cinco.

Porque vens ter comigo? Eu e tu estamos a lutar.

O que é que queres?

Isto é tudo comida, o que queres para ti?

- Méé. - Pronto, Basel, vai para casa!

- Méé! - Pronto, Salem, vai para casa!

Dá esta tâmara ao Yuval.

Diz-lhe para a comer.

Diz-lhe para comer e desfrutar.

- Méé! - Não, não!

Dá-lha a ele.

Dá-lhe assim.

Preciso de escrever algo sobre a manifestação de hoje.

Tenho de escrever mais.

O artigo que escrevi sobre a mãe do Harun não teve muitas visualizações.

Está bem, é sempre assim, tu ficas...

O quê?

- Sinto que estás um pouco entusiasmado. - O quê?

Sinto que estás entusiasmado.

Como assim?

Queres que tudo aconteça rapidamente.

Como se viesses para resolver tudo...

... em dez dias, e depois voltar para casa.

Isto está a acontecer há décadas.

Temos de parar.

Achas mesmo que eu quero ir para casa daqui a 10 dias?

- O quê? - Achas que quero ir daqui a dez dias?

Ir para onde?

Não, tu estás...

... entusiasmado, como se quisesses acabar com a ocupação em dez dias.

"O artigo não teve visualizações suficientes..."

Queres que seja tudo rápido.

Certo, então como é que deve ser?

Não sei, mas certamente não como tu pensas.

Não acho que isto vá acabar em dez dias. Achas que sou estúpido?

Estás entusiasmado.

E então? Qual é o problema?

Não há problema, mas não vais conseguir.

É preciso ter paciência.

Habitua-te a falhar, és um falhado.

Vamos verificar o combustível.

- Não vou conseguir dormir esta noite. - Porquê?

Por causa daquele soldado dos serviços secretos.

Ele disse-me na manifestação: "Basel, vamos prender-te esta noite."

O que é que aconteceu?

O exército está aqui?

- Estão na entrada? - Sim.

Ena.

Onde estão as câmaras?

Estão à espera perto daquelas árvores ali.

E dois jipes do exército entraram por ali.

- Dois jipes? - Na mata, sim.

Também está ali uma luz estranha.

Achas que eles vêm a nossa casa?

- São eles que estão lá em baixo? - Sim, são eles.

Vão entrar com muitos soldados.

- Vai vestir um casaco mais quente. - Eu estou bem, mãe.

Está frio.

Não sabemos o que vai acontecer.

Não tenhas medo.

Como é que queres que não tenha medo?

Para onde é que eles foram?

Eles estão a chegar?

Basel, não vás para aí.

Isto é o que está a acontecer agora na minha aldeia.

Há soldados por todo o lado.

Afasta-te.

Quem pensas que estás a filmar, seu sacana?

Abram a porta.

Entrem na casa.

O que estão a fazer aqui?

Por favor, tirem as vossas coisas desta casa.

Dois, sete, seis, oito, sete.

- Isto é vingança pela manifestação? - Não é da vossa conta.

- Só estou a perguntar. - Está bem, e nós respondemos.

Fizeram uma busca, não está ninguém em casa?

Entraram em todas as divisões, e perguntaram: "Onde está o Basel?"

Eu disse: "Não sei quem é."

Fiquei escondido.

- Mas porque queriam prender-te? - Talvez por os ter filmado ontem.

Yuval, falaste com eles?

Tentei, mas eles não responderam muito.

Eles queriam "o Basel, ou o pai dele."

Queriam um de nós.

Agora tens escola.

Quando tento acordar-te, ouço: "Mãe, não consigo, estou muito cansado."

Mas para o exército? Acordas logo!

Vieram ver se estavas a dormir bem à noite?

São duas da manhã, e vocês estão a fazer operações nas nossas casas?

Estão a usar granadas de atordoamento.

Granadas de atordoamento!

Esperem um momento.

- A minha mulher não se está a sentir bem. - Entra no carro.

São oito da manhã, estão a começar uma nova política.

Esta é uma zona de treino, não se pode conduzir aqui.

Quem disse?

- Quero regressar a minha casa. - É ilegal conduzir aqui.

Mas eu preciso de um carro para ir ver o meu filho ao hospital!

O que é que ela está a dizer?

Os palestinianos não podem conduzir aqui!

Percebem? Explica-lhe.

Masafer Yatta não vai desistir!

Vai levar tempo, mas, no final, acreditamos que vamos ganhar.

Olá a todos, desde a manhã até agora,

estão a acontecer demolições de casas em Masafer Yatta.

- O que estão a fazer? - A destruir.

É a lei.

- A lei? - É tudo legal.

Mas é uma lei feita pelos colonos!

Se tiver algum problema, resolva isso com as autoridades.

Queremos um bilhete de identidade! Queremos um Estado!

Queremos um bilhete de identidade! Queremos um Estado!

Para resistir, é preciso tempo.

Uma gota de água não faz a mudança.

Mas, se continuarem a deixar cair a água, a mudança vai surgir.

Também está a acontecer esta manhã.

Estes veículos estão a chegar a Masafer Yatta.

Vem aí um bulldozer.

Dois bulldozers.

Há centenas de ordens de demolição.

As pessoas não sabem que casa e aldeia vão escolher hoje.

Destruam tudo aqui, ali, e ali.

E ali.

Um, dois, três, quatro!

Chega de ocupação!

Um, dois, três, quatro!

Chega de ocupação!

Chega de ocupação!

- Porque é que estão a sufocá-lo? - Estou a filmar-vos!

Eles estão a recusar-se a dar-nos licenças.

E os planos de base para as nossas aldeias.

Vêm demolir as nossas casas.

E continuam a dizer nos media que fazemos construções ilegais.

Basel, vou lavar-te a roupa. Assim, se fores para a prisão,

já tens uma mala pronta.

Não há nada na imprensa tradicional sobre as demolições.

É como se tivesse acontecido, mas também como se nunca tivesse acontecido.

Vamos continuar a filmar tudo.

E temos de pensar...

... em formas de chegar a mais pessoas de maneiras diferentes.

Acho que isso seria excelente.

- Porque é que passas o dia no telemóvel? - É por causa do stress.

- Stress, stress, stress. - Tens medo que aconteça alguma coisa?

Sim, mas também estou stressado porque não tenho nada para fazer.

Como assim?

Não sei.

O quê?

O que posso fazer para além de estar no telemóvel?

Não tenho mais nada, só o meu telemóvel.

O que gostarias de fazer?

Qualquer outra coisa.

Mas tu estudaste Direito, não podes exercer?

Isso é...

Perdi a esperança em relação a isso.

Estudantes como eu estudaram muito para terminar o curso de Direito mas...

... a nossa economia está arruinada, só se encontra trabalho em Israel.

- Que tipo de trabalho? - Construção civil. Não há outra opção.

Como se nunca tivesses andado na universidade.

O que é que achas?

Se estivesses no meu lugar, o que pensarias?

Vens de fora para aqui, podes andar livremente, tens um emprego.

Eu sentir-me-ia frustrado.

Basel, sinceramente, não sei como me sentiria se estivesse no teu lugar.

Como é que eu teria tanta...

... esperança e força como tu.

Não é?

Sim, mas às vezes eu penso demasiado sobre tudo isso...

E sinto uma enorme depressão dentro de mim.

O que foi?

Nada, vai buscar lenha para o teu irmão Harun.

Quero fazer uma fogueira.

Traz-me isso.

Estão partidos?

Estão ótimos.

Vem aí alguém?

Não vem aí ninguém.

Cuidado, meninos.

Por ali, por ali.

Saiam do caminho.

Harun, não nos vamos esquecer de ti!

Somos todas tuas irmãs!

Somos todas tuas irmãs!

Não à ocupação!

Destruíram a minha família.

Até o nosso carro vocês levaram.

Ninguém cobre o tratamento do meu filho paralisado.

O meu filho vive numa gruta

porque o exército não nos permite construir uma casa para ele.

É uma gruta suja e eu levo-o a um médico porque o peito dele fica infetado.

Venha visitar-me, minha querida, venha ver o meu filho.

Saiam da estrada.

Devagarinho.

Devagar, devagarinho.

Esta é uma história de Basel Adra.

Um post de Basel Adra.

Basel, muito obrigado por estar connosco hoje.

Sigo-o de perto no Instagram.

Ele passou anos a documentar os esforços israelitas

para expulsar os palestinianos que vivem em Masafer Yatta.

Há ódio da parte deles contra mim,

só porque pego no meu telemóvel ou na minha câmara,

e vou filmá-los quando estão a cometer estes crimes.

Quero falar consigo um bocadinho sobre Masafer Yatta.

Despejos forçados e demolições em Masafer Yatta.

- Masafer Yatta. - Masafer Yatta.

Mais de 2500 palestinianos enfrentam despejos forçados.

Como israelita, é muito importante para mim sublinhar

que não creio que possamos ter segurança

se os palestinianos não tiverem liberdade.

Eles vivem sem direito de voto sob ocupação militar.

Basel, um rapaz da minha idade que vive lá,

nem sequer pode sair da Cisjordânia.

E nós destruímos as suas casas todas as semanas.

Você é contra o povo judeu em tudo o que faz.

Nem sequer me conhece, porque diz que estou contra os judeus?

São famílias de agricultores, nas suas terras privadas.

O que está a dizer é uma mentira.

Eles são invasores num campo de treino militar.

Porque é que está a fazer isto?

Eles constroem casas ilegais dentro de uma zona de treino militar.

E as pessoas chamam à expulsão um crime de guerra?

Eu acho que eles não sabem o que é um crime de guerra.

Ele documenta a expulsão da sua comunidade em Masafer Yatta.

Os colonos podem ter tudo o que quiserem na nossa terra,

e estão a construir e a expandir-se,

enquanto nós não podemos ter uma vida humana normal.

- Nível dez, a sério? - Dez! Dez!

Preparem-se!

As nossas manifestações estão a afetar o exército.

Fazemos três manifestações por semana, isso tem um certo impacto.

Eles não invadiram as nossas aldeias durante muito tempo.

Não deram novas ordens de demolição.

É por isso que não podemos parar, mesmo que eles prendam pessoas.

O exército ficaria satisfeito se parássemos.

Mas devias ter mais cuidado, Basel.

Eu e tu devíamos sair deste sítio juntos.

- A sério? - Sim.

Para onde é que vamos?

Para as Maldivas.

Um burro.

Está a rir-se da tua ideia.

Porquê?

A ideia de partir.

É isso, vais dormir?

Queres ir para casa, o que posso fazer?

Tenho de me ir embora.

- Vais fugir? - Vou para casa.

- Porquê? - Porque sim.

Vou visitar a minha mãe.

Bem, não tenho maneira de sair deste sítio.

PASSAGEM APENAS PARA CARROS ISRAELITAS

Dá alguma comida à mãe.

- Maa! - Maa!

Ele adora dizer "maa".

Toca a canção do Elias, para ele dançar.

Basel, amanhã vai haver uma demolição, consigo senti-lo.

É um pressentimento.

Ouvi helicópteros do exército o dia todo.

Doha, isso são calças, não é uma camisola.

Queres virar-te?

Levanta a mão, vamos mexer um pouco.

Vá lá, despacha-te!

- A tua professora já chegou? - Não.

Hoje vamos aprender o alfabeto.

Vamos todos olhar para a primeira letra.

Qual é ela?

Alef!

Quem sabe a próxima?

Quem sabe a resposta?

Eu!

Quando eu era pequeno,

a minha aldeia queria construir a primeira escola.

O plano era trabalharmos juntos durante todo o verão.

É ilegal construir aqui, não têm licença!

É uma escola!

Não é um mero edifício, é para os nossos filhos!

Isto é uma escola.

Nós queremos viver!

Assim como vocês estão a viver, nós queremos viver!

O exército ameaçou prender os trabalhadores.

A minha mãe adora contar-nos como ela teve uma ideia:

as mulheres e as crianças trabalham durante o dia.

Não se aproximem das meninas!

Eu bato-vos com o pau.

Os homens trabalham à noite, em segredo.

Em frente!

Para os lados! Para cima!

Para baixo!

Foi assim que a escola que frequentei foi construída.

A luta não-violenta por uma escola

levou Tony Blair a visitar-nos.

Ele andou pela nossa aldeia durante sete minutos.

Aqui está ele ao lado da nossa casa.

Ao lado do meu pai.

Que não fala inglês, e nunca foi à escola.

Depois de regressar ao Reino Unido,

Israel cancelou as ordens de demolição

da escola e das casas na rua em que ele entrou.

Esta é uma história sobre poder.

Eu cresci a ouvi-la.

VERÃO DE 2021

Eles vão entrar.

Estão a entrar na aldeia.

Pode ser o nosso galinheiro.

Pode ser o galinheiro do vizinho.

Pode ser a casa deles.

- Nasser, mantém-te calmo. - Sim, claro.

Eles podem prender-te.

Se vires que estás a perder a paciência, tem cuidado.

Quem é o dono destas galinhas? Eu ponho-as na rua.

Ilan, seu merdas!

Desçam.

Ninguém se pode mexer.

Porque é que estão aqui? Porque invadem a nossa aldeia?

É a nossa aldeia.

Podemos construir na nossa aldeia.

Porque é que vocês estão aqui?

Porque é que estão aqui?

Vão para casa.

Os nossos pombos estavam ali.

Onde estão?

- Destruíram o vosso galinheiro? - Sim.

Onde?

O pombinho está vivo.

Não, morreu.

Está vivo, um pequenino.

Dentro do barril?

Filma, filho, porque me deixas sozinho?

Filma, Basel, eles ainda estão aqui.

Em frente! Mexam-se!

Estou a filmar-vos.

Estou a filmar-vos!

Vocês são autênticos criminosos.

- Estão a expulsar-nos. - Se ele se aproximar, prendam-no.

Prendam-me! Com que fundamento?

Agarrem-no.

Com que fundamento?

Eu tenho um passe de jornalista.

Eu tenho um passe de jornalista!

Está calado!

Não batam no meu filho!

Deixem a nossa aldeia!

Vão-se embora!

- Vão-se embora, seus merdas! - Dispara.

- Dá-me um tiro. - Afastem-se.

Dá-me um tiro, anda lá.

Chamem uma ambulância.

Deixem-no.

Corre, Basel, corre!

Levanta-te, filho, corre!

Corre, Basel!

Porra.

Eu espero, espero, espero...

Para onde é que eles estão a apontar?

Entrem em casa!

- Entra em tua casa! - Eu sou jornalista.

Não importa, entra em tua casa.

Estás a perceber?

Esconde-te, Basel.

E não os deixes ver a tua cara!

Mexe-te ou recorro à força.

Filma dali.

Prendam-no.

Levem-no para o jipe.

Eu sou uma ameaça?

Sou um perigo?

Deixem-no ir!

Seu animal, larga-o!

Solta-o!

Soltem-no!

Soltem-no!

Soltem-no!

- Para onde levaram o vosso pai? - Não temos a certeza.

Ena, Basel.

Ele agora está com o exército, e eles são vingativos.

Eles levam-nos e isso é... uma forma de tortura emocional.

O meu pai já foi preso muitas vezes.

Começou há muito tempo, mas...

Agora estou mais preocupado com ele.

Não sei, pá.

Talvez eu tenha de parar com o ativismo.

Só por uns tempos.

Estás a falar a sério?

Tenho de trabalhar na bomba de gasolina para sustentar a minha família.

Estou?

- Bulldozers? - Sim.

Onde?

- Queres ir? - Sim, talvez vá.

- Está bem. - Tu não vais?

Não, não posso ir.

Como vai isso?

- Há uma demolição na próxima aldeia? - Sim, é verdade.

Passa algum carro por aqui? Eu não tenho um jipe.

O meu carro não passa nesta estrada.

Para ser sincero, os israelitas levaram todos os nossos carros.

Estamos todos aqui sentados sem carros.

- Levaram todos os vossos carros? - Sim, levaram.

Podem ir a pé, é perto.

É ali, não é?

Obrigado.

Meninos, voltem para casa.

Rapaz, vai para ali.

Ilan, tu destróis a vida de uma família todas as semanas.

Recusas todos os seus pedidos para licenças de construção.

- Estás a arruinar as suas vidas. - Yuval, por favor.

Como te sentirias se alguém destruísse a tua casa?

Não me chateies de manhã.

Precisas de ouvir isto.

Sabes que isto é um campo de treino militar?

Ninguém me mostrou nenhum mandado.

Nós mostramos-te. Por favor, saiam.

Aqui está um judeu que os está a ajudar.

Estás no Facebook, as pessoas vão conhecer-te, e vão fazer-te uma visita.

Vêm por causa da nossa casa?

Não se mexam.

Para trás.

Vêm destruir a minha casa?

Senta-te aqui, senta-te aqui!

Não te levantes!

Qual é o teu problema?

BEM-VINDOS A HEBRON (AL-KHALIL)

- Come. - Estou cheio.

Come tu.

Estou cheio.

O teu gosto musical melhorou.

- É uma bela canção. - Sim?

- Porquê, eu tinha mau gosto? - No passado...

É consoante a minha disposição.

- Então o teu humor melhorou. - O meu humor está uma merda.

Estou a falar a sério, em dias como estes, eu...

É difícil, pá.

Desde o momento em que acordo...

Só problemas.

Não consigo parar de pensar na situação lá em casa.

Porque o meu pai está na prisão.

Não gosto de ter toda esta responsabilidade.

Sim, eu percebo.

Assusta-me um pouco acabar por me tornar no meu pai.

Acho que não tenho a energia dele.

Mas o que é que te assusta?

Não tenho a certeza.

Porque te estás a rir?

Já não estava aqui, meu.

Fiquei sem energia.

Então desliga-te.

Desliga-te.

Quando eu era miúdo,

o meu pai fazia viagens com todos nós.

Mais alto! Mais alto! Mais alto! Mais alto!

O melhor fotógrafo dos estúdios Masafer Yatta!

O melhor homem da aldeia.

O melhor homem que está a dormir.

O carro do exército passou por nós!

Não tenhas medo deles, nós temos um poder especial.

- Enquanto tivermos poder... - Lá está o exército outra vez!

O que é que isso interessa? Devem estar a fugir.

Neste vídeo, o meu pai tem exatamente a idade que tenho agora.

Nestas estradas perto de minha casa,

passam dois tipos de carros:

os de matrícula amarela,

e os de matrícula verde.

Os carros israelitas têm matrícula amarela.

Podem circular livremente no território.

Para mim, é ilegal conduzi-los.

Os carros palestinianos têm matrículas verdes.

Não podem sair da Cisjordânia.

Israel controla as duas cores.

Um mundo inteiro construído sobre uma divisão:

homem verde

e homem amarelo.

Eles estão a destruir todas as casas na aldeia!

Cem colonos!

Meu Deus.

Socorro!

Soldado!

Apanhem o operador de câmara.

Cuidado, Basel!

Soldado, estou a filmar isto tudo.

Estão em terra palestiniana.

Estou a filmar isto tudo.

Estou a filmar tudo, soldados e colonos juntos.

O soldado está com eles.

Seu sacana!

Estão a permitir que eles nos ataquem.

Porque é que destruíram as nossas casas?

Vai para casa.

Vai para casa, Basel.

Vai fazer um artigo.

Vai lá. Vai fazer um vídeo.

Vai-te embora, esta é a minha casa.

Esta é a minha casa, não me toques.

Eu daqui não saio.

Estamos na nossa própria casa.

Esta é a vossa casa?

Não é a vossa casa.

Colonos, com armas, e soldados...

Idiota, vai para casa escrever um artigo.

Vai escrever um artigo, seu palerma.

Quem mandou vir as ambulâncias?

Eles destruíram a aldeia.

Dói-me a cabeça.

Estão a chegar mais colonos!

Os colonos estão a voltar!

Eles voltaram, querem guerra?

Ele está ferido!

Saiam da frente!

Mexam-se! Mexam-se!

Não disparem contra ele!

Sou um operador de câmara, estou na minha casa.

Seu filho da mãe.

Basel, vem cá!

Estamos nas nossas casas!

Não vês o que os colonos nos fizeram?

Ages como um criminoso.

O quê? Mais?

Mais, seus criminosos? Mais?

Mais? Mais?

Deem-me uma cebola para o gás lacrimogéneo.

PRISÃO MILITAR DE OFER

O meu pai está em liberdade, graças a Deus.

- Isso é ótimo. - Obrigado pela ajuda legal.

Agora estou com os rapazes.

Trabalhaste muito para nós.

Vamos tirar outra fotografia.

- Aqui está bom. - Outra fotografia.

Para as nossas aldeias, para que tenham liberdade.

Liberdade para a nossa aldeia!

Dança, Tasnim, vamos lá ver.

Olá! Quem é?

O papá!

Não se preocupem.

- Pai, vem cá já. - Já vou.

- Vem cá. - O que queres?

- Só eu e tu, papá. - O que queres que eu faça?

- Vamos cortá-lo. - Juntos?

Filma-nos!

- Vamos a isto? - Sim! Sim!

VERÃO DE 2022

Vai para a escola.

Dá a volta por aqui.

Vamos lá, atrás deles!

Entrem no carro!

O exército está na aldeia!

Dá a volta aqui, mesmo que não seja seguro.

- Queres que vire? - Vai, não há carros.

- Vamos atrás deles? - Vai, vai.

Vira aqui!

Porra, assustaste-me.

- A partir dali. - O que é que se passa?

- O que aconteceu? - Eles que se lixem.

Porque estás a gritar?

Vais a caminho de uma povoação de colonos?

Anda cá para dentro, acalma-te.

Estás a ficar maluco.

Ali vai o exército.

Vai, vai, vai.

Porra, o exército está a bloquear a estrada.

Vai por aquela estrada de terra ali.

O que é que vai acontecer?

Ele vai fechar-nos a porta.

Vamos pela janela.

Fiquem juntos.

Desce, tu também!

Desce.

Não tenhas medo, pequenina.

Para onde é que eu hei de ir? Eu estudo aí.

Volta para trás, volta para trás.

Para trás, vamos.

Toda a gente para o chão, agora!

Para trás, já!

ESCOLA PRIMÁRIA

Para trás, pá.

Afastem-se mais.

Como é que podemos continuar amigos, quando vens aqui e...

Pode ser o teu irmão ou um amigo teu que destruiu a minha casa.

Isto pode continuar?

Vou continuar a ver como destroem a minha casa,

como eu a reconstruo, é destruída, e eu a reconstruo.

Não consigo viver! O objetivo da minha vida tornou-se ter uma casa.

Pai, diz-lhes para pararem de gritar.

- Mas eu quero que isto acabe! - Não me venhas com esse disparate.

Como é que isso me ajuda? Deixa-me fazer-te uma pergunta.

- Ainda estou sob ocupação, certo? - Sim.

Muito bem. Ninguém faz nada para a situação mudar!

- Hamdan, o que é isto? - É um debate.

- Chega de debates, vem ajudar-nos. - Com o quê?

Traz o tabuão da da casa do vizinho.

Anda, Yuval, vamos continuar a falar.

- Estou errado, Yuval? - Não me percebeste.

As pessoas podem não te aceitar aqui agora.

Estão a sentir muita raiva.

Basel, vou para casa.

Estamos bem, Basel?

O quê?

- Estás chateado? - Não.

- Não tenho energia, estou cansado. - A sério?

Precisamos de fazer com que os grandes meios de comunicação social

falem e escrevam sobre isto.

Caso contrário, vai ser muito mau.

Porque se ficarmos calados, eles vão continuar a fazê-lo.

Eu fiz uma história sobre a violência dos colonos, quando isso era...

Prestei atenção a isso durante dez minutos.

Para a direita, sim.

- Como é que ele se chama? - Harun.

- O nome próprio é Harun? - Sim.

- Harun... - Abu.

- Abu... - Aram.

Ele está emocionalmente devastado, recusa-se a ver quem quer que seja.

Ele mal fala connosco, só me tolera a mim e à irmã dele.

Eu percebo.

Então, podemos vê-lo?

Todos os jornalistas que vieram cá

viram o Harun, mas nada mudou para ele.

Ali está ele, ainda numa gruta suja.

O exército israelita não nos permite construir uma casa para ele.

Se pudéssemos ter apenas um quarto, um sítio limpo para ele,

isso dar-lhe-ia esperança de viver.

Vamos vê-lo.

Eles podem entrar?

Eles só o querem ver, mesmo que ele esteja a dormir.

O que é que ele está a dizer?

Deixem-me, saiam.

- O que é que se passa? - Saiam.

Saiam!

Fomos um fardo para vocês.

Desejo-vos saúde.

Obrigada.

A senhora é muito forte.

A força vem de Deus.

Claro.

Vejo o meu filho, paralisado, à minha frente, e não o posso ajudar.

Ele grita de dor.

Eu também tenho um filho. Se isto me acontecesse, eu enlouqueceria.

A minha mente perde-se muitas vezes, o meu cérebro para.

O meu corpo para, quando o vejo a sofrer e não o posso ajudar.

Digo-lhe que, se pudesse dar-lhe alguma coisa,

dar a minha vida para que ele vivesse,

eu dava, mas não posso.

Eu compreendo.

Não o posso ajudar.

Temos de ir, obrigado.

Obrigado, mãe do Harun.

Obrigado.

Espero ter conseguido ajudá-lo.

Espero que Deus o leve e lhe tire o sofrimento desta vida.

Espero que sim.

INVERNO DE 2023

Vem cá, Basel.

Eles destroem-nos lentamente.

Meu Deus, meu Deus...

Todas as semanas, uma casa.

Olha para a colónia.

Eles estão a ver a nossa demolição.

Não saiam dessa árvore pequena.

Deixem a nossa terra imediatamente!

Vêm buscar o poço de água?

- É um poço ilegal. - Qual é o vosso problema?

Não perturbem o nosso trabalho, afastem-se.

Para trás.

Nós precisamos desta água, é a nossa terra!

Para a água, é preciso uma autorização do exército.

Mas vocês recusam-se a dar-nos licenças!

Porque é que é sempre ilegal só para nós?

Parem com isso! Encheram o poço!

Não têm vergonha?

A água é um direito humano.

Todas as semanas, uma nova família tem de decidir:

aguentar, ou deixar a sua terra.

Se a família sair, perde a sua terra.

A maioria arrenda um apartamento na cidade apinhada de gente.

É lá que o exército pretende concentrar-nos.

Mas a maioria das aldeias resiste.

A luta mais difícil é ficar na terra.

Masafer Yatta existe por uma razão:

pelas pessoas que se agarram à vida.

Levantem-no.

Levem-no lá para fora.

Cada vez mais famílias são forçadas a viver em grutas,

enquanto as demolições de casas pelo exército continuam.

O mundo está a ficar louco, meu.

Porquê?

Sinto que o mundo vai acabar em breve.

Olha para este comentário.

"Paz, paz, paz para a Palestina."

O post que escrevi chegou a 2366 pessoas.

- Acho que é excelente. - Sim.

Quando é que nos vamos casar, Yuval?

Não sei.

Queres ter uma família?

Não sei.

É complicado.

É muito complicado.

Por causa do dinheiro?

- Não é só isso. - Que mais?

Não sei, pá.

O que é?

Não há estabilidade nesta terra.

Seria muito bom ter estabilidade um dia.

Então poderás vir visitar-me, e não terei de ser sempre eu a visitar-te.

Não é?

Talvez.

Eles não nos vão dar licenças.

Se houver estabilidade e um estado democrático,

terás todas as licenças que quiseres.

Não vão precisar de pedir autorizações do exército.

Certo?

"Se".

Eles privam-nos dos nossos direitos.

Têm um grande poder militar e tecnológico.

Mas...

Eles não deveriam esquecer como, certa vez, também foram fracos.

Eles sofreram desta mesma forma.

E não terão sucesso. Com toda a sua força, hão de falhar.

Nunca conseguirão que os palestinianos deixem esta terra.

O que é que tu achas?

Acho que precisamos...

Acho que as pessoas precisam de descobrir como fazer a mudança.

É essa a questão.

Alguém vê algo, fica comovido, e depois?

Exatamente.

O que é que podemos fazer?

Espero que consigamos mudar esta realidade cruel.

Espero que sim.

Terminámos este filme em outubro de 2023.

Netanyahu prometeu vingança que será mais dolorosa

pelo ataque que o Hamas levou a cabo

matando israelitas em números sem precedentes.

Israel matou milhares de palestinianos em Gaza,

enquanto centenas de israelitas são mantidos como reféns.

Esta é a última filmagem que Basel pôde filmar na sua aldeia.

Estou?

- Sim? - Alguém fala árabe?

Não, o que aconteceu?

Mandem a polícia para aqui agora,

estão colonos armados a invadir as nossas casas.

- Colonos? - Sim! Sim!

Pessoal, chamem uma ambulância, os colonos estão a disparar contra nós.

Despachem-se!

O primo de Basel foi baleado a 13 de outubro de 2023.

Após vários ataques semelhantes,

aldeias inteiras de Masafer Yatta começaram a partir.

A expulsão de Masafer Yatta está em curso, e o futuro das aldeias não é claro.

Harun Abu Aram faleceu devido aos ferimentos provocados pelas armas.

Um documento secreto do Estado israelita revela que a zona de treino foi criada

para "impedir a expansão dos aldeões árabes".

Em memória de Harun Abu Aram.

Em memória do ícone da resistência de Massafer Yatta, Hajj Suleiman Hadaleen.

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