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[objetos batendo]
[máquina zunindo]
[moedas tilintando]
[barista] Obrigado.
[sirene]
[música instrumental enérgica]
Aqui é o Vinny. Ele saiu.
Vamos só aguardar.
Ele saiu.
[música continua]
Ele atravessou, tá de olho.
[trovoada]
- Tá entrando na estação. - Vou seguir ele a pé.
[homem] Walid, não se contenha. A gente tá aqui pra localizar ele.
[Walid] Tá, entendi.
Ele saiu de novo, me enganou.
O que esse porra tá fazendo?
Volta, Walid, ele vai pro táxi. Agora, volta, volta.
Pessoal, ele tá pegando um táxi, um Mercedes preto.
A placa é B de Bravo, S de Sierra,
556, D de Delta, A de Alfa.
Eu repito, Mercedes preto, Bravo, Sierra, 556, Delta, Alfa.
[acelera]
Sami, é com você. Ele vai pra rua David d'Angers.
- [carro buzina] - Cuidado!
[carro buzina]
[Vinny] Aqui é o Vinny, vamos pela Rua de la Fraternité.
Sami, é o Antoine, onde você tá?
[Sami] Ele tá indo aí, vocês já vão ver.
É o Sami, tô perto do Boulevard Sérurier.
- Antoine e Richard, fiquem aí. - [Antoine] Tá bom.
Vinny pra Sami, tô preso no trânsito na rua Mouzaïa.
[mulher] Estamos parados no Sérurier, o sinal tá vermelho.
Aquele merda. Ele tá fazendo o retorno!
Hanna, você assume. O Antoine vai passar por você.
- Ele fez o retorno. - [Hanna] Deixa comigo.
Vamos lá…
[música continua]
[Sami] Antoine, tá vendo ele?
[Antoine] Ele passou agora, tô atrás dele.
- [carro buzina] - Vai logo.
[sirene]
Acelera.
- [Sami] Vinny, Walid, cadê vocês? - Boulevard Sérurier, indo aí.
[acelera]
[Hanna] Tô saindo, eles vão pra direita, Antoine, e você?
[Antoine] Já vi, tô indo aí.
[Hanna] Cuidado, é sem saída. Ele vai dar a volta.
Tá andando de novo. No táxi ainda.
[Sami] Antoine, Richard, onde estão? O que tá pegando?
Estamos presos, indo pro Boulevard d'Indochine.
[Sami] Antoine, deixa!
- Eu assumo agora. - [Antoine] Tá, vai nessa.
[Hanna] Tá indo pra rua de Périgueux. Sami, vai você.
[Sami] Tá bom.
Vinny, onde você tá?
[Vinny] Cruzamento da Belleville-Pixérécourt.
[Sami] Hanna, você assume.
[carros buzinando]
[Hanna] Tô voltando, já vi ele. Tá descendo a Plâtrières.
[Sami] Beleza, eu assumo no cruzamento.
Vinny, na sua posição.
[Vinny] Ainda tô preso. Bosta.
[música intensifica]
[música para]
O que ele tá fazendo?
Imbecil. Ele fugiu, cadê vocês?
[Hanna] Sami, faço o quê?
[Sami] Ele vai pegar uma moto. Aposto que vai subir na passarela.
Hanna, já pode ir.
[Hanna grunhe]
[música dramática]
[abafado]
[música tensa]
[abafado] Antoine!
[acelera]
[música de ação]
[carros buzinando]
[música intrigante]
[acelerando]
[música para]
[grunhe]
[geme]
Qual o seu nome?
Antoine.
[homem] Antoine de quê?
Só Antoine.
Por que tá me seguindo?
Você sabe muito bem.
[música tensa]
Não se atreva.
Muita gente.
Até a próxima!
[música tensa]
INDIVÍDUO PERIGOSO PODE ESTAR ARMADO
Ao BRI, à Hanna e ao Antoine,
que nos deram uma ótima perseguição de moto.
E ao Walid. Que ficou preso no metrô que nem um novato.
Aquela foi boa.
A contravigilância é a primeira lição da academia.
Tem que ter feito a academia.
- [homens riem] - Né, Walid? Esse é o problema da cota.
Quinze anos na Legião, rastejando na merda debaixo do sol…
deixa o parafuso solto.
A gente não te culpa, Walid.
Você não ia durar três dias no treinamento.
Ainda mais com esse bigodinho de Freddie Mercury.
E o Mahmoudi, o que acham?
Bom, vamos esperar ele reaparecer, só isso.
Ele deve ficar um tempo escondido.
Mas e o cara que dedurou, o que disse?
Não falou nada, ele sumiu do mapa.
Recomeçamos do zero.
A gente devia ter prendido ele no bar.
É, mas as ordens eram pra localizar ele e identificar os contatos.
Não tinha como prender ele.
O diretor-geral me deixou bastante preocupado.
Vou tomar uma com vocês.
Bom, como podem imaginar,
a operação não teve apoio unânime da chefia.
- [Vinny] Que papo é esse? - Obrigado.
Digamos que o chefe de polícia e uns certinhos do ministério
não gostaram do rodeio de motos pelas ruas de Paris.
[Vinny] É sério?
Vocês leram o memorando assim como eu, não é?
Chega de excessos em lugares públicos. Muitos erros.
Mas eu convenci o pessoal da Corregedoria
a não entrar com um processo de conduta imprudente,
depois que uns motoristas idiotas viram a perseguição
e deram queixa de vocês.
Da próxima vez, não vou poder ajudar.
[Vinny] Conduta imprudente? Sério?
Adeus ao adicional de periculosidade de oito euros.
[todos riem]
Entrou na polícia por dinheiro? Não.
[homem] Pela glória.
- [chefe] A glória? - Tá ligado, né? Um pouco.
"A glória é o sol dos mortos."
A um policial morto não tem serventia.
[música intrigante]
- Hanna, tudo bem? - Tudo bem. Valeu, chefe.
Isso é o principal. Bom que ninguém se machucou.
Amanhã será outro dia.
Tchau. Boa noite, pessoal.
- [todos] Boa noite, chefe. - [Vinny] Boa noite, chefe.
[burburinho]
[Hanna rindo]
Como você faz isso? Calcula os passos ou tem alguma marcação?
Que papo é esse?
Você sempre pega a minha mão no mesmo lugar,
como se tivesse uma distância de segurança.
É você, a minha segurança.
[riem]
Vai pra casa comigo hoje?
Eu te dou carona.
É sério, Antoine, não vai.
Vai ser a última vez.
Prometi pro Marcus, não tenho escolha.
Esse cara ainda vai te deixar na merda.
Você vai acabar perdendo tudo.
Eu já vou, tá?
[música dramática]
[carro buzina à distância]
- [homens gritando] - [cães latindo]
[árbitro] Cavalheiros, atenção!
Sem cuspir, sem morder. Não acertem os olhos.
Não acertem abaixo da cintura.
Nós não temos limite de tempo.
A única condição pra ganhar é ser o último homem de pé.
Que vença o melhor!
Lutem!
[público torcendo]
[grunhe]
Porra!
Levanta!
[grunhe]
[grunhe]
[geme]
[público torcendo]
[música sinistra]
[ofegante]
[grunhe]
[grunhe]
[ofegando]
[grunhe]
[ofegando]
- [música sombria] - [velcro abrindo]
[funga]
[passos se aproximando]
[homem] A sua grana.
[Antoine] Valeu.
[homem] Eu tenho outra luta, se te interessar.
Um cara de Aubervilliers.
Ele tem uma rixa com você.
Eu vou parar, Marcus.
É o quíntuplo dessa grana. Pensa nisso.
[música sombria continua]
Eu já pensei.
[fecha zíper]
[música intrigante]
[música eletrônica enérgica]
[pneus cantando]
[abafado]
[música continua]
[vidro quebra]
[cães latindo]
[música desvanece]
[respira ofegante]
Três costelas quebradas, esmagamento do tórax
e perfuração do pulmão esquerdo do Ibrahim Bouchouari.
Fratura do antebraço esquerdo, nariz e maxilar do Dylan Malouda.
E, por fim, traumatismo craniano,
fraturas no rosto e perda de consciência por 24 horas
do Sr. Saïd Nguyen.
Chama isso de autodefesa? É isso?
Pois eu chamo de perseguição.
Sei que você também participou
de uma luta ilegal, valendo dinheiro, organizada por seu amigo Marcus Reinhardt.
Não é muito compatível
com as regras indicadas no código de ética da polícia.
Há quanto tempo pratica artes marciais?
[Antoine] Desde os dez anos.
E ninguém te falou que a maior qualidade de um lutador é o autocontrole?
O que você quer?
Fazer eu me sentir culpado?
[mulher ri levemente]
[Antoine] Eles que me atacaram. Eu não fiz nada.
Eu tô fazendo você entender
que vai ser difícil te manter no BRI.
Com seu histórico e a avaliação dos seus superiores,
só vou conseguir impedir uma audiência do conselho disciplinar e uma suspensão.
Sugiro um departamento menos agitado.
Com menos trabalho de campo.
A delegacia de Bobigny tá sem pessoal. Vão te aceitar de braços abertos.
Bobigny?
É, Bobigny. Sinto muito.
O que deu em você pra concordar em participar dessas lutas?
O que você quer?
Arrebentar todos os canalhas do subúrbio que têm problemas com a polícia?
Hã? Sua mãe já perdeu um filho, Antoine.
Acha que ela quer perder outro?
O chefe da delegacia de Bobigny é meu amigo.
Vou pedir pra ele ignorar o pedido da Corregedoria
e te mandar pro Esquadrão Anticrime.
É pra você poder fazer o seu trabalho
sem ter que sentar numa mesa pra limpar papelada.
Só por dois ou três anos, depois você volta, te dou minha palavra.
Eu sei o que você pensa.
Policiais são pegos.
Bandidos continuam na rua.
O mundo não faz sentido.
[porta abre]
[porta fecha]
Já tô indo. Boa sorte.
Todo mundo já sabe.
Anda, vamos lá beber.
Não, passo. Deixa pra lá, Sami.
Ei, ei, ei, ei, olha. Que horas são? Faltam cinco?
- Faltam. - Então você ainda é meu subordinado.
Vamos lá. O pessoal tá te esperando.
Vamos.
[burburinho]
[música agradável ao fundo]
[homem] Saúde!
Peraí, peraí!
[mulher] Vai, vai, vai!
[todos comemoram]
Firmeza!
Quem falou que ele ia fugir? Traz ele pra cá.
[Sami] Pra mim e pra ele.
[Antoine] Tudo bem?
[Hanna] Vou querer mais uma.
[música intensifica]
[gritos eufóricos]
[todos] Antoine, Antoine, Antoine!
Antoine, Antoine, Antoine, Antoine!
[todos] ♪ É apenas um adeus, Antoine ♪
♪ É apenas um adeus ♪
♪ Nos veremos novamente em breve ♪
♪ É apenas um adeus ♪
[música emotiva]
[música emotiva continua]
A luta que você falou tá de pé?
[público torcendo]
[grunhe]
[público torcendo]
[ofegando]
[música tensa]
[grunhindo]
[música dramática]
E ele?
[suspira] Tá lá com o médico, levando pontos.
Tá muito mal mesmo?
Foi uma surra daquelas.
[suspira]
Ele trouxe ele pra cá e ligou pra gente.
Antoine ligou pedindo uma luta com um traficante de Aubervilliers.
Ele queria bater num policial.
Deu tudo errado no ringue.
Como assim?
O Antoine deixou o cara acabar com ele.
Alguém conseguiu pegar um depoimento?
Não, ainda não.
Ah, tá bom.
Levem todos que precisar.
E me tragam o merda que deu essa surra no Antoine.
E todos que testemunharam.
- Não pode vazar de jeito nenhum. - Tá bom.
Eu vou cuidar dele.
Hanna, fica aqui com o Antoine, ok?
- [porta abre] - Tá bom.
[porta fecha]
[música tensa]
[suspira]
[Hanna] Antoine! Antoine!
Fala comigo, porra!
O que você tá fazendo?
[música desvanece]
SEIS MESES DEPOIS…
[música eletrônica dançante]
Vinny, por que não atende quando ligo?
Não tenho usado o celular ultimamente.
Por quê? Algum problema?
Todo policial tem.
- Mais um uísque, por favor. - [bartender] É pra já.
- Duplo? - [Vinny] Isso.
- Mais alguma coisa, Walid? - Não, valeu. Já bebi demais.
O Richard não tá com vocês? Nunca mais vi ele.
Ele não tá com a gente.
- [mulher] Dois mojitos, por favor! - [bartender] Dois mojitos, tá!
Aqui, passa o cartão.
- Tá aqui. - Sasha?
Por favor.
Você bebe rápido, né?
Pega leve aí. Vinny, amanhã tem a operação.
Caguei pra essa operação.
Vinny, a gente sempre se sai bem.
Some daqui, vai.
Vai dar certo!
É só ter confiança.
Vamos lá. Eu te levo pra casa. Você tá bêbado.
Sai, me deixa!
Continua chupando o pau do Sami, mas eu já cansei.
Sai fora, tá? Me deixa.
[Sasha] Pode inserir ou aproximar.
- [mulher] Gelo, por favor. - [Sasha] Tá bom. Um minutinho.
[música dançante continua]
O que foi, Vinny?
Não vai me falar? Fala comigo.
- [Vinny] Não esquenta. Me dá outra. - Não, tua cota já deu.
[música continua]
Obrigado, boa noite, se cuida.
[música desvanece]
[porta fecha]
[suspira]
[respiração agitada]
[desbloqueia celular]
[Antoine] Antoine Cerda. Deixe uma mensagem.
Oi, Antoine, sou eu. Olha…
desculpa ligar tão tarde.
Mas é importante, eu preciso te ver.
A gente vacilou e eu não posso explicar no telefone…
[celular vibrando]
Oi?
Oi, Antoine, é o Sami.
O Vinny foi baleado ontem à noite.
Eu queria…
Eu queria te falar antes que você visse no jornal.
O que aconteceu?
O cara esperou ele num estacionamento, ele tava no carro.
Todo o nosso efetivo tá investigando.
Se você quiser ir no enterro…
já sabe onde é.
Tchau.
[música sombria]
[funga]
[Vinny] Oi, Antoine, sou eu. Olha…
desculpa ligar tão tarde.
Mas é importante, eu preciso te ver.
A gente vacilou e eu não posso explicar no telefone…
- [tiro] - [vidro quebra]
[música sombria continua]
[música desvanece]
DELEGACIA DE BOBIGNY
[burburinho]
[porta fecha]
[Antoine] E aí, Titus?
[Titus] Já sabe do seu colega?
Já, trabalhei com ele na BRI.
Ele era seu amigo?
Todo mundo era amigo lá.
[Titus] Eles são uns merdas.
Matar um policial dessa forma… De noite, a sangue frio.
O que você acha que foi? Coisa de gangue? Vingança?
[Antoine] Não faço ideia.
[homem] Antoine!
Tem uma mulher te procurando. Disse que é muito importante.
- Ela disse o nome? - É Esteves.
Você trabalhou com o marido dela.
[música sinistra]
- [Antoine] Te vejo no estacionamento. - [Titus] Tá.
[sirene]
[Antoine] Sofia?
O Richard desapareceu, Antoine.
[música sombria continua]
Como assim, desapareceu?
Ele tava internado na clínica de Barbanes há um mês.
O diretor da clínica me ligou oito dias atrás.
Ele escapou do quarto e aí sumiu.
Depois do que aconteceu ontem, tô com medo de ser algo grave.
Por que ele tava em Barbanes?
Depois que você saiu…
as coisas mudaram pra equipe.
[carro buzina]
A Hanna foi pra Narcóticos.
O Sami começou a ficar superfechado.
O Vinny ia pra boates toda noite depois do divórcio e…
o Richard ia com ele.
E já tem oito dias que não tenho notícia dele.
[pássaros chilreando]
- Você reportou o desaparecimento? - No mesmo dia.
Eu dei uma foto dele pros policiais.
Falaram que vão botar o nome dele num arquivo.
Isso é muito sério, Antoine. Eu tenho certeza.
Três policiais da Brigada Criminal foram pra minha casa hoje.
Fizeram várias perguntas sobre o Richard.
Eles revistaram a minha casa inteira.
Não acharam nada e ainda saíram sem me dar nenhuma explicação.
Você sabe quem eles eram?
[inspira]
Era uma mulher e…
[música tensa]
…ela disse pra ligar pra ela
se o Richard entrar em contato comigo.
Cécile Wagner. É a nova chefe lá.
E o Sami falou o quê? Você falou com ele?
Eu liguei, mas ele não atende.
Tá bom.
Vou ver o que eu posso fazer, tá?
Mas não prometo nada.
[veículo se aproximando]
Aqui.
Eu tenho que ir, desculpa.
[música tensa continua]
[música para]
[bipe do rádio]
[homem] Central pra TNZ.
Tem um corpo num terreno baldio perto do conjunto de Abreuvoir.
Parece que era um colega.
A equipe da BAC tá esperando vocês lá.
[Titus] Tá, já vamos.
- [policial] Olá. - E aí?
- Obrigado por virem rápido. - Falaram com a Criminal?
Falamos. Estão com problema no carro, eles já vão chegar.
- E o corpo? - [policial] Tiro na cabeça.
Um operário da fábrica achou quando chegou.
[música tensa]
[música intensifica]
[música tensa continua]
CLÍNICA DE BARBANES
[música desvanece]
[burburinho]
Capitão Cerda?
Dra. Claire Budzinski.
Chefe da psiquiatria e responsável pela clínica.
- A gente se falou pelo telefone. - Boa noite, doutora.
Richard Esteves era meu paciente.
Então você deve compreender que não posso dar informação sobre ele.
A famosa regra do sigilo profissional.
Mas o fato dele ter escapado da instituição pela qual é responsável
deve ser o bastante pra quebrar a regra, não?
Do que o Richard estava sofrendo?
[Claire] É um transtorno delirante. Se chama Síndrome de Capgras.
Paranoia, se você preferir.
[Antoine] A polícia militar já revistou o quarto?
[Claire] A polícia que veio aqui foram os seus colegas da BRI.
[Antoine] Acharam alguma coisa?
[Claire] O Richard não trouxe nada, além de umas roupas e itens de higiene.
É esse aqui.
[Antoine] Ele falava com mais alguém, além de você?
Com ninguém.
A única pessoa com quem via ele de tempos em tempos
era o ex-colega de quarto, Victor Garnier.
E onde ele tá, o Garnier?
A essa hora, deve tá no banco, perto do rio, como todo dia.
Por que ele tá aqui?
Ele perdeu a esposa e a filha num acidente de carro.
Ele que tava dirigindo.
[pássaros chilreando]
[música tensa]
[Antoine] Victor Garnier?
O que você quer dele?
Falar sobre o Richard Esteves. É possível?
Já falei tudo pros idiotas da polícia.
E você? É quem?
Antoine Cerda, 93° DP da BAC.
Mas eu era da BRI, com o Richard.
Claro, você foi transferido, eu sei.
Conheço sua história.
[música tensa continua]
O que você quer saber?
O que ele pode ter te falado.
Disseram que ele só falava com você.
É, verdade.
Falar…
Que palavra forte.
O seu amigo estava muito mal.
Só sabia falar besteiras.
Que tipo de besteira?
Só besteiras.
[suspira]
Ele falou que se meteu em algum problema com um bandido,
e que o cara fazia parte de uma organização internacional
que queria matar ele e a família dele também.
Que a administração tinha decepcionado todos eles
depois de uma missão que era confidencial
e que ele e a equipe tinham estragado pra valer.
Coisa de paranoico, sabe?
Por isso que ele estava se escondendo aqui.
Mas essa missão, ele não falou do que se tratava?
Não.
Ele só falou que eles erraram feio e que todos iam pagar por isso.
[Antoine] Eles quem?
Ah, meu amigo…
Eu não sou médium.
Pergunta quando achar ele.
[música tensa continua]
Na minha opinião, agora…
ele deve tá pendurado numa árvore
ou enfiando uma arma na boca pra explodir a própria cabeça.
É o que todos acabam fazendo.
E aquele bandido que causou isso tudo…
ele falou o nome?
Não, ele só falou que era uma equipe grande e,
que se o caso viesse a público,
ia respingar em todo mundo.
Sabe onde ele pode estar escondido?
Um endereço… Alguma coisa que possa me ajudar?
Te ajudar a quê?
[música tensa continua]
Ele estava maluco, eu te disse.
Bem diferente do Richard que eu conheci.
Como assim?
Eu era o líder da equipe quando ele entrou na polícia judiciária,
quinze anos atrás.
Nós trabalhamos juntos por cinco anos antes de ele entrar na BRI.
Você tem um cigarro aí?
Eu não fumo, foi mal.
A nova geração de policiais.
Não fumam, não bebem.
[música desvanece]
Transa, pelo menos?
Ele gostava de você.
Sempre falava de você…
De como eles te ferraram.
Você quer um conselho?
Onde ele estiver, deixa ele em paz.
Por que você diz isso?
Porque sim.
Se o que ele disse é verdade,
ou você vai acabar aqui ou no cemitério.
E ninguém vai te escutar.
Mas agora…
[grunhe]
…se você quiser se meter nisso,
pega esse papel e liga pro número que tá escrito aí.
O Richard falou pra ligar se acontecesse alguma coisa.
Eu não falei pra ninguém, só pra você, então pensa bem.
Você parece um cara direito.
Obrigado.
De nada.
[gaivotas grasnando]
[Hanna] O que você quer?
[Antoine] Conversar, Hanna.
[Hanna] Conversar sobre o quê?
Você é demais.
Não te vejo há seis meses.
E você nem foi ao enterro do seu amigo.
Eu sei, me desculpa. Não foi pessoal.
Bom saber que o problema não sou eu.
Fala. O que você quer?
- Preciso de um favor seu. - Hum…
- [Antoine] Ainda tem amigas nos arquivos? - Por quê?
Um cara na clínica de Barbanes me deu um número.
Não sei de quem é, ninguém atende.
- Eu só preciso identificar. - De Barbanes?
[Antoine] O Richard tava na clínica de Barbanes.
Ele deu o número pra um amigo e disse que se tivesse algum problema,
era pra ligar pra ele.
Hanna, não sei o que vocês fizeram, o que aconteceu, mas isso tá fedendo.
O que quer que eu faça? Tô na Narcóticos.
- Por que não fala com o Sami? - O Sami não atende, não sei por quê.
Que pena.
Eu falei com o Balestra, ele disse que isso já passou
e pra eu não me meter.
Eu não sei o que tá acontecendo.
Essa história tá aborrecendo várias pessoas.
[Hanna] Sério, quem?
A Wagner e o pessoal da Criminal.
Para. Que papo é esse?
Acha que eles são os responsáveis?
Deixa pra lá.
Pega o número, por favor.
Descobre de quem é e prometo que eu paro.
Você é chato, hein?
Valeu.
Lembra de algum bandido que ele pode ter falado?
Pra você ou pra outra pessoa, não sei.
- Você conhece ele, não é de falar muito. - Mas isso é importante, Sofia.
O Richard se escondeu porque tá com problemas.
Como você sabe?
Os policiais que vieram aqui…
disseram o que procuravam?
Não.
Tirando o comportamento dele,
notou outras mudanças no Richard?
Tipo o estilo de vida dele, por exemplo.
Passou a trazer muito dinheiro? E passou a gastar mais?
Não, passou a gastar muito em álcool.
Achei até cocaína no bolso dele.
Entendi.
Bom…
Se lembrar de alguma coisa,
um nome, um endereço, qualquer coisa.
Não importa o que seja…
me liga com esse telefone, tá bom?
Não usa o seu celular, tá grampeado.
E se eu puder fazer alguma coisa…
eu tô aqui, tá?
Obrigada.
Acha que aconteceu alguma coisa?
Não sei, Sofia.
Não faço ideia.
[música intrigante]
Calma, Cerda. É a Criminal.
A Wagner quer falar com você no carro.
Tá bom.
[suspira]
Capitão Cerda.
Quero que resolva essa situação de uma vez por todas.
Eu sei que você e o Capitão Esteves eram grandes amigos,
que vocês eram colegas na BRI.
Entendo sua preocupação.
E a respeito.
Ainda assim, exijo que você pare de procurar por ele.
E que você se concentre apenas no seu trabalho,
que é manter a ordem e segurança dos cidadãos nas vias públicas.
O Richard é meu amigo.
Só atendi o pedido da esposa dele.
Um amigo?
Com quem você nunca mais entrou em contato desde que saiu da BRI?
Não é mesmo?
[música inquietante]
Deixe que a gente vá cuidar das preocupações da Sra. Esteves.
Cuida do seu trabalho e vai ficar tudo bem.
Pensa no seu futuro.
Não consigo te imaginar trabalhando como segurança num shopping.
Isso é uma ameaça?
Não. É o que acontece com quem não escuta.
A reunião acabou. Obrigada, capitão.
[suspira]
[porta abre]
[porta fecha]
[celular tocando]
Alô?
[Hanna] Já tenho o que pediu.
- Fala, tô ouvindo. - Aqui não. Vai lá pra sede.
É o número de uma acompanhante. Kristina Dankeva.
Ela mora num prédio perto de Bir-Hakeim.
Ela já foi presa por uso de drogas e tráfico.
- Você sabia? - Sabia o quê?
Do Richard e ela, você sabia?
Não, eu não fazia ideia.
Saí quando começaram a fazer besteira, não queria me meter nisso.
Como assim?
Quando você saiu, o Sami não aguentou a sua transferência, achou injusto.
Começou a perder a paciência
e envolveu os outros nessa loucura.
Que seria?
O GIE, você já ouviu falar?
Já, é o Grupo de Investigações Especiais.
Mas acabou há uns dois anos. O que tem a ver?
É o seguinte, logo depois que você saiu,
eles voltaram à ativa e pediram pro Sami assumir.
Com a ajuda dos imbecis que te transferiram.
Os outros só concordaram e foram?
Sabe como o Sami é persuasivo.
E com o adicional de risco…
não foi difícil convencer eles.
E você?
Eu já disse. Eu saí da equipe, não quis me envolver.
[respira fundo]
Tem mais alguém sabendo disso?
Pouca gente, é bem confidencial.
E como você sabe?
Uma noite, eu esbarrei no Richard na Rex Club.
Totalmente bêbado, e ele me contou tudo.
Não deu detalhes, só que eles foram longe demais
e iam ter que pagar, só isso.
O que você vai fazer com ela?
Bom, vou até lá ver o que ela tem a dizer.
[Hanna] Eu esqueceria isso se fosse você.
Fala com a Wagner, a investigação é dela.
[Antoine] Ela me mandou desistir disso se não quiser me meter em encrenca.
Você já tá encrencado.
Tá no seu DNA.
[ri suavemente]
Só tenho isso.
[sirene à distância]
Mas obrigado.
Pelo quê?
Por isso.
Você tá brava?
Seis meses e meio sem notícia.
Nem respondeu minhas mensagens. O que acha?
Óbvio que tô brava.
[música suave]
É que eu odiei ter que voltar à estaca zero, sabe?
Ninguém te julgou, você que não entendeu.
Tá, mas… eu não quis te decepcionar.
Com o quê?
Eu não liguei de você ter voltado pra BAC.
Eu não ligaria nem se você ficasse na papelada.
Você nem ouviu as minhas mensagens.
É.
É, não ouvi, mas…
É, não ouvi, mas o quê?
Fala. Mas o quê?
[música intensifica]
[música desvanece]
[pássaros chilreando]
[Hanna] Tenho que ir.
"Quero que saibam que, em meio ao caos, eu achei meu caminho.
Encontrei no sofrimento um novo nascimento."
É de quem?
Dan Fante.
E é verdade?
Claro que é.
Em parte, por sua causa.
E você?
Continua nas lutas?
Por que faz isso?
Eu comecei a lutar por causa do meu pai.
Ele batia em mim e no meu irmão.
E batia na minha mãe também.
Uma noite, ele chegou em casa…
muito bêbado.
E bateu na minha mãe.
Eu achei que ele ia matar ela.
Eu perdi a cabeça e nocauteei ele.
E é isso, eu tinha 17 anos e fugi de casa.
Ele nunca mais quis me ver.
Sua mãe continuou com ele?
É que ela só tinha ele.
Meu irmão sofreu um acidente seis meses depois.
Por que você não me contou antes?
Eu não sei.
Precisava de tempo.
Eu te amo.
Eu tenho mesmo que ir.
Aguenta aí que eu já volto.
[toca campainha]
Kristina? É a polícia.
[continua tocando campainha]
O que você quer?
Sou amigo do Richard, vamos conversar.
Posso entrar?
- Só clientes entram. - É importante.
[porta fecha]
- Há quanto tempo você não vê o Richard? - Eu não sei.
Sei que vocês mantêm contato.
Se souber onde ele tá, me diz, ele tá em perigo.
E você também.
Aí, Kristina. Não sou seu inimigo.
Eu só quero saber onde ele tá.
Eu não sei onde ele tá.
Ele veio semana passada e eu não soube mais.
Falou por que se escondeu?
Não. Ele só falou que tava com problemas.
Que problemas?
Hum… Problemas.
Como se conheceram?
Ele viu o meu anúncio na internet.
- O que é isso aí? - Me dá a senha.
[zomba] Não quero virar tudo de cabeça pra baixo.
A senha, por favor.
Três, sete, quatro, nove.
Sete… Ai, merda. Sete, três, quatro, nove. Esqueci.
Merda.
Tem o número do Richard?
Esse número é antigo, a linha foi cortada.
- Como fala com ele? - Ele liga.
- Com que número? - Não sei, ele sempre muda.
[sirene à distância]
Onde foi isso?
[Kristina] Na Rex Club.
Quem são essas garotas?
Minhas amigas.
Os nomes.
Eu não sei.
Você não tá ajudando muito.
Eu não lembro, esqueci.
Só vejo elas à noite.
[música de suspense]
E eles, conhece?
Não. Foi a primeira vez que vi.
Me permite?
Aqui.
Se o Richard falar contigo, me liga nesse número.
Pode salvar a vida dele.
Ele ia ligar pra marcar um encontro.
Cinco mil e… eu digo onde e quando.
[carros buzinam à distância]
[Hanna] Oi, é Hanna. Deixe uma mensagem.
Oi, Hanna, é o Antoine.
Acabei de mandar uma foto.
Consegue identificar as mulheres e o cara que estão perto do Mahmoudi, por favor?
Valeu.
Antoine, deixa isso pra lá.
- Só vai acabar arrumando mais problema. - Já me falaram isso.
[liga motor]
Aí…
Relaxa.
Tá bom? Estamos sozinhos.
É, tem razão. É melhor relaxar.
É isso aí.
- Vamos pra onde? - Um apartamento em Saint-Mandé.
Não faz essa cara, foi o que deu pra achar.
Por que eu não posso ir pra casa?
- [grita] Por que não posso ir pra casa? - Para de gritar!
Pergunta pra sua puta!
Se ela ficasse quieta, isso não ia acontecer!
Vaca do caralho!
Quem é que foi atrás dela?
[funga]
Foi o Antoine. Tá te procurando.
Ué, por que ele tá bisbilhotando?
Ele não tá envolvido.
Não sei. Pergunta quando vir ele.
Escuta, Richard. Escuta.
Você vai ficar escondido lá, falou?
Isso é importante.
Até eu resolver esse problema.
Aqueles imbecis estão perto.
[música tensa]
Eu tô sentindo.
[música tensa continua]
[música desvanece]
O que você quer?
A gente precisa conversar.
Ah, é?
[Antoine] É.
Você quer voltar pra equipe?
- Tenho duas vagas. - Três, com a do Richard.
[Sami] A gente não sabe se ele tá morto.
O que deu errado, Sami?
Que papo é esse?
Dois caras da sua equipe morreram, um desapareceu.
Acha que eu sou bobo?
Tem uma investigação, fala com eles.
É a sua versão que me interessa.
Não tem como o Richard ficar paranoico do dia pra noite.
Alguma coisa aconteceu.
E você sabe muito bem disso.
Sabe quantos policiais se matam todo ano?
Hum?
Mais de um por semana.
Isso não necessariamente faz deles canalhas ou corruptos, como você diz.
Sabe por que eles se matam?
Porque estão cansados.
Cansados de serem ridicularizados pelas pessoas que deveriam proteger,
essa é a verdade.
E o Richard não escapou à regra.
Onde você tava quando ele enlouqueceu?
Hum?
Quando começou a revistar a sala dele todo dia pra ver se tinha escuta?
Mudava de celular toda semana.
Achou que estava sendo seguido e começou a virar um perigo pros outros.
Onde você tava?
Porque eu tava lá.
- Eu mandei ele pro tratamento. - Não vem com ceninha.
O Richard já passou por muito problema.
- Alguma coisa mudou, eu sei disso. - Alguma coisa?
O que posso dizer?
Tá todo mundo falando, então não me faz de trouxa!
Então deixa todo mundo falar.
Cuida da sua vida.
Conselho de um antigo amigo.
Sei que você tava numa boate com o Mahmoudi e um monte de puta.
Não pergunta.
E o GIE, conhece?
E deveria?
Tá, como quiser.
Manda um oi pra Hanna.
Vocês voltaram, né?
Um boato que eu ouvi.
Não fala da Hanna, Sami.
[burburinho]
[celular vibrando]
- Oi? - [Kristina] O Richard me ligou.
Tenho o endereço e a hora do encontro.
[música dramática]
E o meu dinheiro?
Tá legal, eu levo.
Onze da noite,
um estacionamento em Clignancourt, último andar.
[sirene]
[música dramática continua]
- Boa noite. - Boa noite.
SUBSOLO - ACADEMIA, DEPÓSITO, VESTIÁRIO, ESTACIONAMENTO
[bipe do teclado]
[clique da fechadura]
[música de suspense]
[pneus cantando]
[música intensifica]
[pneus cantando]
[música desvanece]
- Trouxe a grana? - Tá aqui.
[pneus cantando]
Cadê o Richard?
Ele tá vindo, me dá o dinheiro.
Não, eu dou quando eu vir o Richard.
Cadê ele?
Não seja imbecil. Dá o dinheiro…
[Kristina grita]
[Antoine geme]
[tiros]
[ofegando]
[respira fundo]
[Wagner] Por que não seguiu meu conselho, Capitão Cerda?
Assim não teria ficado sob custódia nem passaria pela ação disciplinatória
que vamos ser obrigados a aplicar.
Além do mais, infelizmente, uma jovem morreu por sua causa.
Eu sei, ninguém se importa, infelizmente.
Mas acontece que ela era o único jeito de contatar o Richard Esteves.
As cápsulas no estacionamento em Porte de Clignancourt
são as mesmas encontradas onde o Capitão Vinny Segura
e o Major Walid Jabrane foram assassinados.
De acordo com os testes comparativos
efetuados pela nossa perícia, parece a mesma arma.
Uma pistola automática da marca Sig Sauer, modelo SP 2022,
registrada no nosso sistema como sendo a arma de…
Richard Esteves.
O Richard não mataria outros policiais, não faz sentido.
Sentido?
Quinze anos de investigações me mostraram que isso não existe nos humanos.
Como você conseguiu chegar naquela mulher, a Kristina Dankeva?
O colega de quarto do Richard me deu o número dela.
- É sério? - É.
E você preferiu guardar isso pra você?
Que pena.
Com outra decisão, talvez a morte dela não estivesse na sua consciência.
[música sombria]
Mais alguma coisa que você sabe e nós não sabemos, Capitão Cerda?
O que eu poderia saber que você não sabe?
Isso é sério, Antoine.
Só não te colocamos atrás das grades…
pra evitar que isso provocasse um escândalo sem precedentes.
Policial matando policial?
Já imaginou o que aconteceria se a imprensa tivesse essa informação?
O promotor e o chefe vão ignorar o seu envolvimento no tiroteio de ontem.
Mas eles querem te suspender.
Por tempo indeterminado, enfim…
Até o Richard ser pego
e tudo isso ir pra debaixo do tapete.
Preciso que você me entregue o seu distintivo e a sua arma de serviço.
Bom, não preciso nem dizer que precisa ser discreto sobre esse caso.
Como nós seremos sobre os cinco mil
que você pegou emprestado da sala de provas.
E que nós queremos que devolva logo.
[música sombria continua]
Sinto muito, Antoine.
[porta abre]
[porta fecha]
[suspira]
- E aí? - [Antoine] Me suspenderam.
- [Titus] Quanto tempo? - [Antoine] Sei lá.
Até terem uma história bonitinha pra encobrir a bagunça.
[Titus] Que bando de cuzões. E o que você vai fazer?
Tentar achar o Richard antes que achem ele.
[Titus] Você foi muito humilhado.
Da próxima vez não passa.
No seu lugar, eu sairia da cidade por um tempo, seria bem discreto.
- Por que continuar tentando achar ele? - Porque é meu amigo.
[bipe do elevador]
[música sombria continua]
Então tá.
Diz oi pra Zoé por mim e toma cuidado, hein?
[música intensifica]
[música eletrônica dançante]
Uma vodca, por favor.
- Vodca? - [Antoine] Isso.
- [Sasha] Vai querer gelo? - [Antoine] Não, valeu.
- Tá bom. Tá aqui. - Obrigado.
[música continua]
Posso falar com o chefe?
- Quer falar com o patrão? - Quero.
Então é comigo.
O que você quer?
Eu fazia parte da BRI.
Eu era amigo do Vinny Segura.
Vários policiais já vieram me fazer perguntas.
Por que você não fala direto com eles?
Não tá vendo que tô ocupada?
O cara de bigode, do lado do Vinny, quem é ele?
Você tá me irritando.
Não me faz chamar a segurança, tá bom?
Toma a sua bebida, vai pra casa ou vai dançar, qualquer coisa.
Mas vaza daqui, tá? Some.
[Sasha] Anda, vaza.
[música continua]
Deixa ela em paz.
Isso já tá saindo do controle.
[segurança] Vai, vaza.
[celular vibrando]
Alô?
[Hanna] Identifiquei o cara na foto com o Mahmoudi.
Ele se chama Serge Oswald.
É do crime organizado, conhecido por seus serviços.
Fiz um dossiê com as informações que achei. Vai querer agora?
- Em uma hora, na minha casa, tá? - Tá.
E o Mahmoudi, alguma coisa?
Nada. Nenhum contato, nenhum endereço conhecido.
Falei com uns colegas da Interpol, ainda tá no Norte da África.
Tá ótimo. Até mais.
[homem] Vem cá, seu filho da puta. Vem cá, vem cá. Entra aí.
Entra.
Anda.
Fica de joelhos. De joelhos!
Já mandei!
Você me conhece?
Hum?
A perseguição de moto.
Era você.
Antoine.
Tá me procurando? Tô aqui.
O que você quer?
Richard Esteves.
Que Richard Esteves?
- Ele ainda tá vivo ou matou ele também? - Que papo é esse?
Vi uma foto sua com o Sami Belkaïm e o Richard Esteves na Rex Club.
E?
Por que estavam juntos? A BRI te perseguiu por dois anos.
Não é da sua conta.
Por que matou eles?
Primeiro, eu não matei ninguém.
Segundo, não sei onde o Richard está e não ligo.
Terceiro, para de encher o saco de todo mundo com suas histórias.
Eu só tô a fim de saber.
Revistou ele?
Antoine Cerda.
Agora sei o seu nome.
E o seu endereço.
Então presta atenção.
Me esquece…
se não quiser que vá na sua casa e te arrebente inteirinho.
Entendeu?
Hum?
[Antoine grunhe]
[música de suspense]
Oi, Antoine, sou eu. Onde é que você tá?
Eu tô esperando há uma hora.
Ligaram do trabalho, tenho que ir, deixei tudo na caixa de correio.
Mas tô preocupada.
Me liga pra eu saber que você tá bem.
[liga motor]
[música de suspense]
[bipe do monitor]
[porta abre]
[música desvanece]
[Balestra] Espero que tenha contatos de frete.
E que goste do Norte da França.
Se não resolvermos isso em 48 horas…
todos nós estaremos no mesmo barco.
Tá, mas pra isso vamos ter que colaborar.
A Inteligência não tá chegando a lugar nenhum.
A Criminal não repassa informações.
- É o que chamam de casos confidenciais. - Hum…
O que você sugere?
Cerda.
Ele é imprevisível, mas é eficiente.
Eficiente? E perigoso.
Foi o que você botou no relatório que o tirou da BRI.
Acharam ele ontem no estacionamento de uma área industrial
perto de Argenteuil.
Amarraram as mãos e deram uma surra nele.
Uma equipe da BAC achou ele lá.
É claro que ele se recusou a dar queixa.
Ou ir pro hospital. Ele não falou nada.
Sabemos que foi sequestrado
perto da boate onde o Vinny Segura estava um dia antes de morrer.
Testemunhas viram dois caras numa van preta. Agarraram ele.
A placa da van era da Alemanha.
É só isso.
Isso bate com o que eu disse.
Por enquanto, ele foi o único que fez essa investigação avançar.
Por que não reabilita ele?
Pede pra aquele idiota do Nabavian.
Ele toma as decisões.
E tá surtando desde que a investigação começou.
Como assim?
Quando o caso for resolvido, muita coisa vai ter que continuar confidencial.
Não sei se o Antoine é do tipo que fica de boca fechada.
Por isso ele foi afastado.
E você?
- Eu? - [assente]
Eu aprendi a me calar. [ri]
Com o tempo.
[pássaros chilreando]
Falei com o laboratório, os testes comparativos são claros.
É o mesmo assassino.
Não, a mesma arma, não sabemos se é a mesma pessoa.
Mandei duas das minhas equipes fazerem buscas
na sede do Esquadrão de Busca e Investigação
hoje de manhã.
Eles vão cuidar da investigação agora. Isso não é mais com vocês.
Como assim?
Decisão do chefe, aprovada pela promotoria.
Me desculpem, mas eu não pude fazer nada.
O que isso quer dizer?
Quer dizer que vamos ficar na nossa e deixar a Criminal cuidar disso.
[Wagner] Eu consegui autorização pra fazer uma batida
na Rex Club hoje à noite e interrogar todo mundo.
E tentar achar aquela mulher com quem o Cerda falou.
Acho que tudo começou na boate.
[Balestra] Hum.
O que ele estava fazendo lá? Vocês sabem?
Não é porque ele foi suspenso que ele não pode ir beber onde quiser.
Continua protegendo os seus colegas e vai cair junto com eles, Sr. Diretor.
Tá ciente disso?
[música tensa]
Eu vou indo.
[porta abre]
[porta fecha]
[suspira]
Sinto muito, Antoine.
O Richard nunca atiraria nela.
[música inquietante]
[música para]
[burburinho]
[porta fecha]
[mulher] Posso?
Não sei.
Você sempre avisa antes de falar com alguém.
Escuta, capitão, eu nem sempre concordei com os seus métodos.
Ou com suas opiniões, mas sei que é um bom policial.
Tá, chega. Não vem com essa.
O que você quer?
Eu tenho algumas informações que podem te ajudar a avançar na investigação.
Eu não sou mais policial.
Pode falar isso pra quem quiser ouvir.
O Richard Esteves tá servindo de bode expiatório e você sabe disso.
Uma pessoa não fugiria de uma clínica psiquiátrica
pra matar a sangue frio todos que trabalharam com ela por anos.
Então quem foi?
[música intrigante]
Não sabemos.
O meu departamento tá investigando toda a equipe do Sami Belkaïm
há alguns meses.
Dizem que se envolveram em atividades ilegais
com o apoio da administração interna e de autoridades.
[música continua]
O Belkaïm e a equipe trabalharam junto com os Narcóticos.
Uma gangue de Gennevilliers liderada por um certo Karim.
Ainda não conseguimos identificar, mas…
interceptamos uma conversa por telefone
sobre uma operação de tráfico que deu errado.
Esse tal de Karim…
ligou pro Belkaïm de um celular pré-pago.
Disse que a equipe foi assaltada.
O sobrinho dele, Ichem, estava liderando o comboio e desapareceu,
então ele precisava dos serviços do Belkaïm.
Pra achar o responsável.
[música inquietante]
Parece que foi aí que o Esteves começou a ficar paranoico.
E que tudo degringolou.
Por que tá me dizendo isso?
Porque acho que sabe quem é o Karim.
Preciso da sua ajuda pra capturar ele.
- Ah, é? - [assente]
E o que vou ganhar com isso?
Não quer saber quem tentou matar a sua namorada?
[sirene]
Se tinha tantas dúvidas sobre o Belkaïm e a equipe…
por que você não prendeu e interrogou eles? Hein?
Teria evitado todas as mortes e a bagunça que isso virou.
É, mas recebemos ordens pedindo pra não fazermos nada
que pudesse atrapalhar o grupo do Belkaïm.
Inclusive, fomos removidos da investigação.
Só a Criminal tá no comando agora.
E por que isso?
Interesse nacional.
Ninguém mata policiais só por isso. Eu não acredito.
Hoje em dia, policiais são mortos por tudo.
A administração prefere um policial morto que um corrupto, sabe disso.
[música para]
[porta zune]
[música de suspense]
[porta fecha]
DEPOIMENTO OFICIAL
Não sei no que você se meteu, Antoine, mas sua cara tá péssima.
Tá parecendo o meu pai quando ele descobriu
que minha mãe estava traindo ele com o irmão dele.
Ele matou os dois no mesmo jantar.
E depois se matou.
Ele só esqueceu uma coisa.
Eu e o meu irmão ainda estávamos na mesa.
Pronto.
Essa é a besta.
É só trazer de volta do mesmo jeito, eu só te peço isso. Tá bom?
Toma.
[música intrigante]
E a arma?
Beretta 92 com dois carregadores. Tá tudo no porta-luvas.
Valeu, Marcus. Eu te devo uma.
De nada.
Ei…
vê se toma cuidado.
[liga motor e acelera]
[música de suspense]
[repórter] No final desta manhã,
policiais pertencentes a uma unidade especializada
efetuaram buscas no antigo edifício do número 36 do Quai des Orfèvres,
sede do prestigiado Esquadrão de Busca e Investigação.
Desta vez, os policiais da brigada antigangues foram os alvos
e tiveram que passar por uma busca minuciosa em seu escritório
e responder às perguntas dos colegas que foram interrogá-los.
Segundo nossas fontes,
parece que estas medidas duras foram tomadas por causa da investigação
sobre o desaparecimento do Capitão Richard Esteves,
dos assassinatos do Capitão Vinny Segura e do Major Walid Jabrane,
e da tentativa de homicídio da jovem capitã da polícia,
Hanna Levasseur,
que atualmente está internada no Hôtel Dieu em estado crítico.
[Nabavian] Se essas buscas e interrogatórios realizados
pelos policiais designados a esta investigação
provarem que foram cometidas faltas graves por alguns policiais destacados da BRI
ou de outros departamentos,
eu vou ser absolutamente duro.
Jamais tolerarei que alguns manchem a imagem da república.
Cala a sua boca, seu desgraçado. Imbecil.
[mulher] Revistaram a sua sala?
Revistaram todas que tinha. Até dos mortos, babacas.
Desculpa a boca, meninos.
Não tô entendendo, o que eles querem?
Eu não faço ideia. Tá todo mundo paranoico.
A gente dá a nossa vida e eles ferram a gente.
- [música sombria] - [celular vibrando]
E o que isso tem a ver com os assassinatos?
O quê?
Estão suspeitando da sua equipe?
- [bebê chorando] - [mulher] Chiu…
Eu não sei.
- Não tá na hora de ir pra cama? - [criança] Tá bom, papai.
- Isso, beijos. - [criança] Boa noite, papai!
- Boa noite, papai! - [Sami] Boa noite.
[mulher] Já vou, meninos.
Falei pra não ligar pra esse número. Acha que sou idiota?
- [Richard] Viu o jornal? O Nabavian? - Ouviu o que eu disse?
Eu não tô nem aí! Eu vou me entregar. Não aguento mais isso, Sami.
A culpa não é nossa, foram os idiotas da GIE.
Cala a boca e escuta.
Onde você tá?
Em casa, me despedindo da Sofia.
Sami, vou falar tudo. Não quero morrer.
Me escuta bem. Ninguém vai morrer, tá bom?
Ninguém vai morrer.
Fica aí, eu tô indo.
[música sombria]
[mulher] Não vai me explicar?
[música sombria continua]
[música inquietante]
[música continua]
[toca campainha]
Abre logo.
[batidas fortes na porta]
[campainha tocando]
[Sami] Por que não ficou lá como mandei?
Fecha a porta.
- [porta fecha] - Aí! Eu tô falando!
Você tá aqui por quê?
Sabe como é arriscado!
Já chega, Sami.
Para de bancar o idiota!
Eu vou resolver tudo. O que que te deu, hein?
Me escuta. Aqui, me escuta.
Vou fazer uma coisa e depois a gente volta ao normal.
Eu te prometo. Confia em mim.
Ei.
[música inquietante continua]
Por que você não entende?
O Vinny e o Walid morreram por nossa causa.
E a Hanna tá no hospital, mesmo sem ter feito nada.
Eles sabem que foi a gente.
[grita] Você não tá entendendo?
[Richard chorando]
Se a gente não der o que querem, vão atrás das nossas famílias.
É verdade, Sami?
Deixa ele em paz.
Que história é essa?
[Sofia] O que fizeram?
Nada.
Calma.
Você tá com a minha arma?
Sami…
o que vai fazer?
- Falei que vou resolver tudo. - Sami…
Tá?
[geme]
[música de suspense]
[cão latindo à distância]
Alô. Comandante Belkaïm, BRI.
Quero reportar dois corpos na casa do Capitão Richard Esteves.
Parece que ele matou a esposa e se suicidou.
Chama o chefe e a Criminal. Eu espero aqui.
[música de suspense continua]
[funga]
[música de suspense continua]
[música desvanece]
[porta bate]
[cão latindo à distância]
[homem 1] Não fica olhando pra mim.
Olha pra lá.
[homem 2] Olha pra baixo.
É isso aí.
[homem 1] Não dá uma de louco, hein?
[carro se aproximando]
[porta do carro fecha]
[clique da fechadura]
[portão bate]
[porta bate]
Onde achou ele?
[homem 2] Na casa da puta. Devia tá desesperado.
Ele passou três meses sem dar umazinha.
- Quem dedurou ele? - Um garoto do prédio em frente.
Como foram as férias em Cabo Verde?
Tava gostoso?
Tyson, não é?
[suspira] Sabe quem eu sou?
Sabe quem eu sou?
Então é simples.
Você me conta o que aconteceu com o meu sobrinho há três meses.
E por que você desapareceu sem dizer nada.
Ou juro que vou te virar do avesso.
Vai, vomita.
[tosse]
Era pra eu e o Ichem irmos pra Espanha comprar coca.
Isso eu sei, eu que dei a grana.
Nós fomos de noite pra evitar a blitz.
[música de suspense]
Paramos numa área de descanso pra mijar e beber café.
Eu lá vou mijar numa garrafa? Eu vou mijar direito. Peraí.
[Tyson] Foi quando os imbecis vieram e pegaram a gente.
[música hip-hop enérgica]
[homem 1] Não se mexe, idiota! Não se mexe!
[homem 2] Abre a mala. Abre a mala!
Tinham até colete à prova de balas.
[cão late]
[gritando]
[música inquietante]
[homem 1] Mata eles, merda!
[cão gane]
- [homem 3] Vamos! - [geme]
[música desvanece]
E o lindinho, tava onde?
- Mijando atrás de uma árvore. - Você não ajudou?
Eu não podia fazer nada, cara.
Eu não tinha arma. Foi muito rápido, Karim.
E depois?
- [homem 2] Espera! - [homem 4] Ficou maluco?
[homem 2] Cadê o outro?
- [Richard] Sami! - [Sami] Cala a boca! Falou meu nome!
[Richard] Vamos, senão vão pegar a gente.
- [Sami] Merda… - [Richard] Vamos.
- [Sami] Espera, o corpo! - Ele tá morto.
O corpo, cara!
Vai contando.
Depois eles pegaram o dinheiro.
[música de ação]
[Sami] Deixa aberto!
[Richard] Anda, vai!
Vai, vai!
[música tensa]
O Ichem morreu?
Acho que sim.
[respira fundo]
E depois, o que você fez?
Eu esperei até o dia seguinte e depois peguei carona até Paris.
Peguei o primeiro trem pra Portugal e fui pra Cabo Verde.
Por que não veio falar comigo?
Eles tinham roubado dois milhões da gente.
O Ichem não tava lá pra te contar o que houve.
Fiquei com medo de achar que tinha te traído.
Esses caras, como eles eram?
Não sei.
Mas uma coisa é certa, não pareciam bandidos.
Eu não entendi.
Ah, você sabe como é.
Lá da periferia.
Mas esses caras eram bem organizados.
[Mahmoudi] Acha que eram policiais?
[Tyson] Eu não sei.
Eles conversaram?
Um se chamava Sami.
Não gostou quando chamaram ele pelo nome.
Eu sinto muito pelo Ichem, Karim.
Vamos te levar pra casa.
[música tensa continua]
[cães latindo]
Rachid, fica e toma conta de tudo.
[Rachid] O que faço com ele?
[Mahmoudi] A gente vê depois.
[música intensifica]
[respiração agitada]
[celular vibra]
O MAHMOUDI SABE QUE FORAM VOCÊS, ELE ESTÁ INDO TE PEGAR.
[música de suspense]
Você ainda precisa de mim?
Tô com um probleminha em casa. Eu preciso ir.
Merda. Nada grave, eu espero?
Não, é o meu bebê. Tá doente.
Não posso deixar minha esposa sozinha. Ela tá ligando.
Eu entendo.
Não esquece de passar no escritório amanhã pra dar o depoimento, tá?
Tá.
Bom…
Vai lá cuidar dela.
Obrigado.
[liga motor]
[música desvanece]
[percussão dramática]
[celular tocando]
[Titus] Alô?
Aí, Titus, é o Antoine. Tá complicado, preciso de ajuda.
Onde?
Vou mandar o endereço.
[fungando]
[respiração agitada]
[música de suspense]
Precisa de arma pra receber amigos?
O que estão fazendo aqui?
Ninguém pode ver a gente junto.
- Sabem o que tá acontecendo na sede? - [Mahmoudi] Não. Você explica.
- Mas antes abaixa a arma. - Abaixa a arma… Quem pensa que é?
[Mahmoudi] Abaixa!
Tô baixando.
Belê?
- Tá de boa. - Empurra com o pé.
Que nem fazem na academia.
- [Sami] Tá tranquilo? - [Mahmoudi] Agora sim.
Não se preocupa, amor. Vai ficar tudo bem.
[Mahmoudi] Será que vai?
[funga]
Cadê os meus filhos?
Por enquanto, dormindo.
O Saïd cantou pra eles.
[música tensa]
Karim.
Isso é um grande erro.
[música intensifica]
[Titus] Vai me contar o que houve?
É o Belkaïm que tá por trás disso tudo.
E o Mahmoudi tá atrás dele.
E onde ele mora?
Logo ali atrás.
[Titus] Por que não falou com a chefia?
Esqueceu da suspensão, Antoine? Por que você me chamou?
Você quer ser promovido?
Eu mereci o que você fez?
Você me fodeu com tudo.
Agora me diz, onde estão os meus dois milhões?
Karim…
Foi o Richard, ele enlouqueceu. Tá bom?
Não consegui controlar ele.
[Mahmoudi] Que Richard? Foi você.
- O Tyson bateu com a língua nos dentes. - [Sami] Fui pago pra isso.
[Mahmoudi] Chama de trabalho?
Matar os colegas? Foder os parceiros? Seu filho da puta.
[Sami] Foi uma ordem! Juro, foi uma ordem dos meus superiores!
Eu tinha que roubar vocês e provocar uma guerra com seus concorrentes.
Seu sobrinho foi um acidente!
Juro pela vida dos meus filhos. Foi um acidente!
Quer ver um acidente?
[mulher gritando]
[grunhe]
[grunhe]
[mulher continua gritando]
[música de suspense continua]
[mulher chora]
[explosão]
- [estrondos] - [vidro quebrando]
[mulher chorando]
[Mahmoudi] Não se mexe!
[mulher grita]
Não se mexe!
- Me solta! - Não se mexe!
- Me solta! - Cala a boca!
[música de suspense intensifica]
[música para]
[gritos abafados]
[tiros abafados]
[música tensa]
[Sami gemendo]
Abaixa a arma, Sami.
[continua gemendo]
Abaixa, porra.
Não conta pras crianças.
Abaixa, por favor.
[música tensa continua]
[pássaros grasnando]
Vamos esclarecer.
Você não estava suspenso, só seguiu as minhas ordens.
E o que vai acontecer?
Vai voltar à sua função,
receber uma bela promoção
e uma condecoração por bravura.
O Belkaïm vai ser inocentado e enterrado com honras,
o Mahmoudi leva a culpa e fim da história.
[zomba]
[música tensa continua]
Um policial da antigangues envolvido num caso de tráfico.
Começa a matar outros policiais pra ser o único a se dar bem.
Acha que a opinião pública tá pronta pra aceitar isso?
Temos o culpado perfeito,
Karim Mahmoudi.
A versão é simples.
O Belkaïm e a equipe estavam atrás dele há meses.
Desmancharam uma das maiores redes dele
durante uma operação que levou à morte de Ichem, sobrinho dele.
Mahmoudi queria vingança.
Ele começou a matar os responsáveis por essa morte, um por um.
Até a tragédia.
O último banho de sangue que você e o seu parceiro, Titus La Chapelle,
infelizmente, não puderam evitar.
Apesar da coragem que vocês mostraram.
Os bandidos são bandidos.
E a polícia chega e salva o dia.
E a moral nisso tudo?
A moral começa onde a polícia termina.
[música desvanece]
Saiba que nada disso foi pessoal.
Eu só precisava proteger um caso complicado,
dado como sensível.
Cerda…
eu sinto muito mesmo.
O que importa é que você foi reabilitado.
Conseguimos finalizar a investigação…
sem prejudicar a imagem da polícia.
[funga]
[Antoine suspira]
[música melancólica]
[celular vibra]
Oi.
[Victor] É o Garnier, lembra de mim?
Ex-colega de quarto do seu amigo, Richard.
Vem em Barbanes, tenho uma coisa pra você.
[bipe do telefone]
[Victor] O seu amigo, Richard, sabia de muita coisa grave.
Por isso estava com medo.
[funga] Mahmoudi era brincadeira de criança comparado ao que diz nisso.
- Quando você recebeu? - Hoje de manhã, pelo correio.
Deve ter enviado ontem,
antes de explodir a própria cabeça em casa.
Não foi isso que aconteceu, mas eu vou te explicar.
Quem sabe?
Só você e eu. Nos outros, eu não confio.
[Antoine] Que outros?
Aqueles que te ferraram.
O que acha?
Que eles deixaram você se sujar só por deixar?
Não, eles esperaram você mexer na merda,
espalhar tudo, pra só depois aparecerem pra limpar.
E pra botar toda a culpa no Richard.
Só que eles não sabiam que ele era todo certinho e anotava tudo.
Ele guardou uma cópia de todos os absurdos que pediram pra eles fazerem.
Isso não explica por que o Belkaïm começou a matar os amigos.
[música dramática]
Por dinheiro.
Ele ofereceu dividir o dinheiro com os outros, mas todos recusaram.
E o Belkaïm foi pressionando eles,
disse que o Mahmoudi estava na cola deles.
Foi aí que o Richard começou a surtar e querer contar tudo.
Por trás do Mahmoudi…
quem tá envolvida é a Máfia Marroquina.
Quando o Richard percebeu, ficou com medo,
começou a perder a cabeça.
Foi assim que ele acabou aqui.
Na verdade…
ele não tava falando besteira.
E os dois milhões? O que fizeram?
É…
Não falam em nenhuma parte.
Pergunta pros seus amigos do GIE.
[música dramática continua]
Eles te usaram, meu amigo.
[expira]
Agora todos estão mortos e não podem mais falar disso.
A não ser que você queira ser zeloso e levar o arquivo a público, mas…
eu te aconselho a limpar a bunda com ele ou queimar tudo.
Ninguém vai investigar nada disso.
Eu te disse.
[música tensa]
[chamando]
- [Balestra] Alô? - [Antoine] A GIE, você sabia.
- [suspira] - [Antoine] Por que não me falou?
Eu não tinha permissão.
Eu tenho provas, o Richard deixou um dossiê.
Como deixou isso acontecer?
Escuta, Antoine, passa no meu escritório, eu explico.
E não faça nenhuma besteira, esse caso é segredo de Estado.
Não vou desenhar.
Muitos amigos morreram por isso.
Não tô nem aí pras consequências.
[bipe do telefone]
[música tensa continua]
O Cerda já sabe.
E o que ele já sabe?
Das divagações de um policial deprimido e paranoico?
Que matou a esposa antes de se suicidar depois de ir pra uma clínica psiquiátrica?
Ninguém vai acreditar nessas histórias.
Ninguém dará ouvidos a ele.
Mesmo se ele tiver provas?
- Que tipo de provas? - Um dossiê.
No qual o Esteves registrou tudo.
Datas, horários, lugares.
Todas as operações que ele participou com os membros da equipe.
Ele morreu, Balestra, e a palavra de um morto não vale nada.
Quanto ao Cerda, ele tem que entender
que os heróis não morrem só no campo de batalha.
Ou ele concorda em entregar o dossiê pessoalmente
e esquecer tudo que ele contém,
ou vai se juntar aos amigos da equipe do Belkaïm.
No cemitério de policiais que ninguém liga.
Estou me fazendo claro?
Ótimo.
[porta abre]
[porta fecha]
Eles falaram quando você pode sair?
Por quê? Tá com saudade?
Uma semana, eu acho.
Só queria que você soubesse
que eu tô aqui.
E acabou, não precisa mais ter medo.
Você vai me contar, né?
Não acredita nas besteiras que falam na TV.
Não. Jamais.
Eu te amo.
Eu também te amo.
[respira fundo]
[bipe]
Oi, Marcus, é o Antoine. Te encontro na garagem.
Vou devolver o carro.
[burburinho]
Olha aquele babaca ali no carro.
Não é o cuzão que te arrebentou na luta?
O que ele tá fazendo aqui?
Vamos lá.
[liga motor]
Vai se foder, filho da puta!
[sirene à distância]
[música melancólica]
[música continua]
[Navabian] Ser policial é exercer um ofício nobre.
Um misto de coragem e abnegação.
[marcha fúnebre tocando]
Às vezes, arriscamos nossa vida.
Antoine Cerda caiu porque ele escolheu essa vida.
Esse heroísmo cotidiano.
Palavras não são suficientes pra expressar toda a dor que estamos sentindo.
Meus sentimentos vão para a mãe do Antoine.
Mas também a você, Hanna,
que teve coragem de ajudá-lo nessa investigação difícil,
arriscando sua própria vida.
Por fim, eu penso na dor dos colegas de Antoine,
que tiveram a chance de conhecê-lo e trabalhar com ele.
E não posso deixar de lembrar de todos os antigos amigos e colegas dele
que caíram nas trágicas circunstâncias que já conhecemos.
O governo agora se curva respeitosamente ao corpo de Antoine Cerda.
[música continua]
Em reconhecimento aos serviços prestados
e como homenagem à sua carreira tragicamente interrompida,
ele foi promovido a comissário de polícia,
condecorado com a Ordem da Nação e, dentro de instantes,
receberá a insígnia de Cavaleiro da Legião da Honra,
a medalha de honra por coragem e devoção
e a medalha de honra dourada da polícia nacional,
échelon or.
[música para]
Ao meu comando, atenção!
[música suave]
[música intensifica]
EM MEMÓRIA À SARA HELMLINGER…
PARA JÉRÉMY, TITI, FÉLIX, MEHDI E MEUS AMIGOS DA GIE…
[música continua]
[música continua]
[música melancólica]
[música continua]
[música continua]
[música para]
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