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Espero que entenda, Monsieur,
tenho ordens espec�ficas para n�o deixar ningu�m ver estes prisioneiros.
Mas, uma ordem do ministro, M. Fouquet...
O bastidor, menina,
ainda a melhor maneira para soltar a l�ngua dos vil�es.
Diga-me, Monsieur, porque ser� que uma bela donzela da corte
de Sua Majestade deseja ver um desgra�ado como este De La Valli�re?
� a filha dele.
Um facto que Monsieur Fouquet n�o querer� divulgado.
Enquanto governador da Bastilha aprende-se a ser discreto.
Por favor.
Monsieur. Monsieur, exijo saber porque estou aqui.
O que foi que eu fiz? Quem me acusa?
Quando irei a julgamento?
Quem os ouve queixar... s�o todos inocentes.
Sozinha.
Como prometido.
Cinco minutos, n�o mais.
Pai.
Quem est� a�?
O que quer de mim?
� a Louise.
Louise?
Vai-te embora. Estou a sonhar...
N�o, pap�. N�o est� a sonhar.
Querida filha.
Querida filha!
Perdoa-me.
Os meus olhos, com esta luz n�o consigo...
Deixa-me ver-te.
Est�s t�o bonita.
T�o... t�o elegante.
A vida na corte faz-te bem.
Se soubesse qu�o pouco...
Querido pap�!
por favor, perdoe-me.
Porqu�? Porque te culpas?
Se n�o tivesse rejeitado as aten��es de Monsieur Fouquet...
O Fouquet? Esse maldito.
Podem ouvir-nos.
Seria melhor que eu fosse a sua amante e o pai seria livre.
Nunca. Preferia apodrecer aqui.
- Disse que se me entregasse a ele... - Nunca... nunca...
Tenho de aceitar a sua proposta.
N�o. N�o.
Mademoiselle!
O meu pai e eu...
Obrigada...
pela sua gentileza.
Porque olha assim para mim?
�... � porque se parece com...
Quem?
Um conhecido.
N�o tenha medo.
Como poderia fazer mal a algu�m t�o belo?
Mas tem de dizer-me. Tenho de saber.
Est� na hora.
Traga-me luz.
Tu a�. Anda c�.
O que v�?
Deixa-o em paz!
FONTAINEBLEU, PAL�CIO DE LU�S XIV
Monsieur, monsieur, monsieur...
N�o � verdade que sois Sganarelle?
O qu�?
Que estais aqui para visitar o nosso Majestade?
Pois sim. � verdade.
Ent�o n�o h� d�vida. O vosso nome � Sganarelle.
Passa-se alguma coisa?
N�o. Nada. Estamos entre pessoas civilizadas.
Claro. � Monsieur Sganarelle!
Veja como o falc�o e o gavi�o conspiram juntos.
Pergunto-me, o que estar�o a maquinar?
Fouquet... O mestre malabarista em ac��o.
O tesouro nacional pilhado.
A riqueza de Fran�a suavemente canalizada para a sua gl�ria pessoal
no seu castelo em Vaux.
Talvez um dia o vejamos pagar tudo.
Mas veja o verdadeiro flagelo de Fran�a,
Esta florzinha que se auto intitula rei.
Paci�ncia, D'Artagnan,
o verdadeiro Lu�s ainda usa a coroa e carrega o ceptro.
Qualquer ac��o contra ele s� em �ltimo recurso.
N�o vejo a hora.
O Fouquet tem ouvidos por todo o lado.
N�o pode saber do nosso plano at� estarmos prontos para agir.
Vou contar os minutos at� chegar o dia.
Estou a dizer-lhe... ele est� vivo.
- Onde? - Na Bastilha.
Deus sabe que golpe do destino me fez l� encontr�-lo.
Destino? N�o...!
Isto � obra dos invejosos do meu poder sobre o Rei.
O Colbert?
Sim, suspeito h� muito tempo que o venerado ministro do interior
conspira para me prejudicar.
Mas, uma jogada audaz como esta,
n�o � apenas contra mim, �...
Pode ser trai��o!
Que del�cia. Ainda acabo por enforcar a velha raposa.
Tens a absoluta certeza
de que � o rapaz, o protegido do cardeal Mazarin,
e n�o apenas algu�m muito parecido?
A parecen�a � demasiado perfeita.
Tem de ser.
Temos de ter a certeza.
Temos.
Quem � o senhor?
O que quer?
Quem trouxe este prisioneiro para aqui?
N�o sei quem o prendeu.
A ordem foi assinada por alguma prefeitura desconhecida da Borgonha.
Ningu�m pode ver esse prisioneiro sem a minha autoriza��o.
Guarda-o bem ou pagas com o teu pesco�o.
Fique descansado, ministro.
Fique descansado.
Consiga melhor, Montfleury, se puder.
Se se atrever.
O qu�? E arriscar-me a outra birra?
Vou falhar por uma l�gua, meu caro.
Como a De La Valli�re � t�o descarada com o seu marido, senhora...
Como o seu filho a encoraja t�o abertamente, senhora...
Que pena!
Fouquet,
se veio juntar-se ao jogo chega tarde demais.
Estamos fartos dele, e encontr�mos uma nova distrac��o.
Pe�o para falar em privado com Vossa Majestade
sobre um assunto algo urgente.
� um homem t�o aborrecido, Fouquet. N�o perguntou pela pontua��o do jogo.
Aposto que Vossa Majestade
obteve o sucesso de sempre.
Ganh�mos todas as partidas.
Parab�ns, Majestade.
Venha aos nossos aposentos mais tarde...
Muito mais tarde.
Como � que aguenta tanta humilha��o com um sorriso?
Facilmente, senhora, se isso o afastar da minha cama.
Com uma plebeia do campo? Gald�ria.
N�o � a �nica a ficar incomodada.
Olhe para o Fouquet.
Admiro a sua for�a, monsieur.
N�o h� sacrif�cio demasiado grande, Duval,
se se agrada ao soberano.
E porqu�?
Porque, senhora,
Lu�s privou-o da sua presa.
A porta.
N�o ligue. V�o-se embora.
Entre!
Majestade!
Fouquet. Como � r�pido.
Majestade. Perdoai a intrus�o mas...
o assunto de que vos falei...
receio que n�o pode esperar.
Enfim, minha querida. Assim � o fardo da monarquia!
Por favor, deixe-nos.
N�o! Por aqui.
Leva-a aos seus novos aposentos.
Por esta passagem podemos ir e vir sem sermos vistos pela Rainha.
Ou pela minha m�e.
At� j�, meu �nico amor.
Fouquet... Que mulher encantadora!
Uma inoc�ncia t�o transparente...
Uma beleza t�o incandescente.
Parece recatada.
Sim.
Demasiado, tenho de admitir. J� estamos sem ideias.
Talvez...
possa ajudar a persuadi-la.
Tem a sua confian�a?
At� certo ponto.
Se conseguir persuadi-la a confiar em n�s...
ficar�amos muito gratos, Monsieur Fouquet.
- Majestade. Servir-vos... - Sim...
E agora o seu assunto urgente.
Como pode ser t�o fria?
Henrietta!
O rosto que vejo perante mim, podia amar facilmente...
Mas o homem que encontro por tr�s desse rosto...
Louise!
O meu leque! Deixei o meu leque...!
A Rainha n�o deve encontr�-lo ali.
Deve estar louco, Fouquet!
O nosso g�meo morreu ao nascer.
Ele vive, Majestade. Asseguro-vos.
Essa hist�ria foi uma inven��o do Primeiro Ministro de vosso pai.
Mazarin!
Uma mentira que contou ao Rei que a aceitou de boa f�...
que o infante tinha nascido morto.
De facto, sobreviveu.
Foi levado e criado num lugar secreto.
Sob o pretexto de poupar a vossa m�e a mais desgosto
preparou-se um funeral r�pido e secreto
e enterrou-se um caix�o.
Deus sabe quem realmente estava nesse caix�o.
Uma coisa agora � certa, Majestade...
n�o era o vosso irm�o Philippe.
Mas qual seria o motivo de Mazarino nisto tudo?
Majestade...
quem nasce em primeiro lugar � o herdeiro leg�timo do trono.
V�s sois o segundo filho. Agora,
tendo sob o seu controlo o leg�timo herdeiro...
ele teria o poder de manipular-vos.
A nossa pr�pria m�e, permitir que o seu amante nos usasse assim...
Lu�s, um rei fantoche!
Precisamente!
O ch�o que piso, torna-se em areias movedi�as.
Por sorte, Mazarino morreu
antes de poder substituir-vos no trono pelo vosso irm�o Philippe
e o segredo morreu com ele.
Ou pelo menos assim o pens�vamos, at� agora.
Est� absolutamente seguro de que se trata do nosso irm�o Philippe?
E pr�prio vi a marca de nascimento.
Perdoai-me!
Id�ntica...
� que vossa Majestade possui.
Que louco Lu�s tem sido ao pensar que a sua coroa est� segura.
Majestade...
n�o temeis.
Tenho o imitador... sob custodia.
O que fez com Philippe?
Est� seguro?
O que pode ser mais seguro do que a Bastilha?
A Bastilha?
Onde melhor para escond�-lo dos espi�es de Fouquet?
Ele suspeita de alguma coisa?
N�o, nada.
Vive apoquentado pelo mist�rio.
Seria um acto de piedade contar-lhe a verdade.
N�o dever�amos dizer nada, ainda.
Dever�amos dizer-lhe qual � a sua verdadeira identidade.
Andamos a brincar com alta trai��o, meu amigo.
Deixe o Philippe permanecer ignorante. Para seu bem e para o nosso.
O bastidor consegue soltar a l�ngua a qualquer homem.
At� a de um pr�ncipe.
Quem ressuscitou esta conspira��o contra n�s?
Nomes?
N�o posso apontar o dedo at� ter mais provas!
Consiga-as.
E quando as tiver, demonstraremos a nossa retribui��o.
O nosso irm�o possui alguma propriedade?
Apenas uma pequena quinta na Borgonha, creio.
Confisque-a.
Bem...
E...
qual o destino do imitador?
Nem uma gota de sangue deve ser derramada, Fouquet.
N�o queremos tentar a Provid�ncia, cometendo um regic�dio.
S�bio. Muito s�bio, senhor.
Tamb�m n�o podemos esquecer que
este imitador � mais que nosso irm�o,
� nosso g�meo!
A nossa imagem espelhada...
o nosso outro eu...
Se ferirmos Philippe, n�o poder� Lu�s sangrar?
Se matarmos Philippe, n�o poder� Lu�s morrer?
N�o, temos de...
encontrar outro modo.
Majestade...
Conhe�o uma fortaleza...
um lugar remoto, inacess�vel...
Deixamos o lugar ao seu crit�rio.
Certamente.
Mas saiba o seguinte:
N�o queremos voltar a ouvir o nome dele.
E ningu�m... ningu�m, poder� alguma vez ver-lhe o rosto.
� por isso que uma mera pris�o n�o ser� suficiente.
Temos de inventar...
algo...
especial?...
Queremos-te. Vem!
- Para onde me levam? - � ilha de St.� Margarida.
Ilha de St.� Margarida...
Ilha de St.� Margarida!
O que �?
Um lugar de repouso.
T�o repousante como aquele que deixei?!
Mais ainda.
Ter� isolamento total e vigil�ncia pessoal constante.
Vejo que j� come�ou. Obrigado, Monsieur.
As algemas s�o apenas uma medida tempor�ria para sua protec��o,
caso pense cometer alguma loucura. Prometo que ser�o retiradas
assim que chegarmos.
O senhor promete?!
Sinceramente.
O que...?
O que faz o senhor?
Sou um ministro.
N�o da igreja, aposto.
Talvez tenha errado a minha voca��o.
A igreja agradece a Deus...!
Muito bem! Talvez o senhor tenha errado a sua voca��o...
Admiro o seu ardor, jovem.
Prov�m de boa estirpe.
O que pretende de mim?
Seria injusto sobrecarregar a vossa mente
com pensamentos que o atormentariam nas suas noites de isolamento.
O que pretende de mim!
Muito bem.
Devia sentir-se elogiado.
� um jogador principal de um jogo.
O jogo da hist�ria.
Isto d�-lhe no que pensar?
Consigo cheirar a maresia.
Em breve disfrutaremos de uma curta viagem, juntos.
Mais depressa!
Apanha-o, idiota!
P�ra!
Na cara, n�o!
Na cara, n�o.
Entra!
N�o!
N�o!
Suplico-lhe, n�o!
N�o fiz nada!
Por favor, suplico-lhes! N�o!
Escuta-me!
Ningu�m pode ver o prisioneiro sem a minha autoriza��o expressa...
ou sob as ordens do Rei.
Quanto a ele... N�o pode sair nunca desta ilha.
- Entendido? - Sim, senhor.
Porqu�?
Porqu�?
Porqu�?
Em nome de Deus...
Ser� que ningu�m me diz quem sou?
Deixo-o aqui.
Tenho assuntos a tratar com o alfaiate do Rei
para as celebra��es do dia das vestes reais em Vaux.
Promete ser o acontecimento da temporada.
E vai assistir a essa extravag�ncia?
N�o a perdia por nada neste mundo.
E o senhor tamb�m n�o devia perd�-la.
O que est� a planear?
Agiremos em Vaux.
O Rei e a toda sua Corte estar�o reunidos sob o mesmo tecto.
Prepare o Philippe!
Com esta ordem poder� tir�-lo da Bastilha.
Depois, traga-o para a minha casa de Bercy, como plane�mos.
Siga em frente.
Deix�-lo ver o traje do Rei? Deve pensar que estou louco, Monsieur.
Ningu�m v� o traje do Rei antes que ele o vista.
Isso estragaria a surpresa!
Mas � disso que se trata.
Percebe? Monsieur Fouquet...
deseja fazer uma surpresa ao Rei quando ele entrar em Vaux.
Como assim?
Com um retrato de Sua Majestade usando o traje que o senhor desenhou
para o baile de m�scaras.
Veja, Monsieur Fouquet j� contratou
um dos melhores jovens pintores de Fran�a.
Talvez j� tenha ouvido falar dele. Le Brun.
Le Brun! Um mestre com os detalhes.
Especialmente quando pinta trajes.
A ideia � fazer posar um modelo com o traje
e depois acrescentar o rosto do Rei.
Admir�vel! Uma surpresa encantadora!
E um tesouro que Sua Majestade sem d�vida apreciar� para sempre.
Uma das minhas melhores cria��es, preservada para a posteridade.
� claro! Mas se ainda se op�e...
Opor-me? Eu, opor-me ao prazer do Rei?
Claude, vinho para o senhor.
Um momento.
Rogo-lhe, senhor...
Ele vai certamente suspeitar!
Ent�o... ser�o os nossos pesco�os...
E p�ra de tremer!
Monsieur.
A porta.
� claro, n�o � nada sem o pr�prio Rei.
Para onde o levaram?
Monsieur Fouquet n�o disse.
Deixa-me!
Capit�o D'Artagnan!
Capit�o!
Quem � o senhor?
O meu nome n�o � importante. Mas eu...
O que foi?
Sei para onde o levaram.
Para onde?
Posso confiar em si. Sei que posso confiar em si.
Diga-me onde ele est�...
e poder� salvar-lhe a vida.
Onde?
A ilha de St.� Margarida?
Meu Deus... Temos de tir�-lo de l�!
Seria preciso um ex�rcito para atravessar aquelas muralhas
e eu s� tenho um punhado de homens.
Mosqueteiros valentes, � certo,
mas n�o os suficientes para tomar a fortaleza.
Mas... podemos sempre tentar.
N�o pela for�a, meu amigo. Pela ast�cia!
Agora n�o, Colbert! N�o v� que estamos ocupados?
Lamento sinceramente esta intrus�o, senhor,
mas estes assuntos n�o podem esperar.
Para o correio de Madrid, senhor.
Para os embaixadores esta noite, senhor.
A s�rio, Colbert?
N�o podia ter escolhido um momento mais inoportuno.
O habitual, senhor.
O habitual novamente, senhor.
O que temos aqui?
Uma ordem de liberta��o para um delinquente de pouca monta.
Considera isto essencial?
Para celebrar o dia do vosso nome, senhor.
Esta demostra��o anual de clemencia real, ajuda
a reafirmar a devo��o dos vossos s�bditos.
Am�-lo-�o mais quanto maior for a vossa compaix�o.
� t�o astuto, Colbert...
Talvez demasiado?...
Ai est�.
Agora, podemos retomar a nossa prova?
Majestade!
Deixe-nos ver esse brocado de seda outra vez, Percerin.
Majestade?
Nada! N�o � nada, apenas...
Apenas o qu�, Majestade?
Ao olharmo-nos no espelho, agora mesmo...
sentimos um calafrio...
Como se algu�m tivesse...
pisado o nosso t�mulo.
Deus, ajuda-me!
Vou enlouquecer...!
Loucura! Loucura!
Pesadelos! Pesadelos!
Deus!
Traz-me sonhos agrad�veis!
Sonhos agrad�veis!
Sonhos agrad�veis!
Traz-me alguns sonhos agrad�veis!
A Louise! Podia sonhar com a Louise!
Sonharei com ela.
Louise!
Louise!
Tenha cuidado, Monsieur. N�o deixe o Rei perceber os seus avan�os.
Com licen�a.
E...
assim mant�m-nos aos dois � dist�ncia.
Tornou-se muito astuta, para algu�m t�o inocente...
A necessidade ensina-me. Para minha vergonha.
Espere!
Ou�a a raposa.
Por n�o ceder aos meus ardores,
viu o seu pai na pris�o e na ru�na.
Ao recusar o nosso Rei, corre um risco ainda maior.
Um conselho, minha amiga...
Da pr�xima vez que o Rei lhe oferecer um favor...
O D'Artagnan foi � Bastilha � procura do Philippe!
O D'Artagnan?
Ent�o j� deve saber que o seu pombo fugiu ao golpe.
� uma pena que n�o saiba para onde.
Cavalga neste momento para a costa.
O Philippe n�o pode chegar a Paris.
Cuidado! Cuidado!
N�o sei quem � nem porque veio ajudar-me.
Isso pode esperar, creio.
Sente-se suficientemente forte para cavalgar?
Estou apenas um pouco tonto.
Preparem-no.
N�o h� tempo a perder.
Quero falar contigo.
Perdoe-me, senhor.
Nunca tive de fazer algo t�o cruel.
N�o lhe deram escolha.
Leve isto, senhor.
Para que nunca se esque�a do que lhe fizeram.
Que Deus o acompanhe.
Este homem tamb�m ser� libertado.
Monsieur Fouquet ordenou...
- Questiona a minha autoridade? - N�o, Capit�o.
Ent�o? Vamos, o barco espera.
O Fouquet.
Mais depressa!
- Pode p�r-me isto sem fechar? - Sim, senhor.
- �ptimo. D�-me a sua capa. - A minha capa? Porqu�?
E vista isto.
Agora, vou fingir ser o homem da m�scara de ferro.
E Enganaremos o Fouquet.
Para os cavalos! Para os cavalos!
Consegue ir a p�?
Sim, Monsieur. A fam�lia espera-me. Os meus p�s levam-me a casa a voar.
- Deus o proteja! - Deus o proteja, senhor!
Meu senhor, venha! V�o!
V�o atr�s deles. Eu ocupo-me deste.
Est� ferido, senhor?
Continue, senhor. N�s aguentamo-los aqui!
A tua espada! D�-me a tua espada!
Agora vai!
O Rei ordenou que lhe poupassem a vida.
E quem vai contar ao Rei?
O D'Artagnan? E arriscar que lhe cortem o pesco�o?
Tu e eu somos as �nicas testemunhas.
H� ainda o Colbert.
O Colbert.
Capit�o D'Artagnan!
Capit�o!
Gra�as a Deus... estais vivo!
H� bocado... chamou-me �meu senhor�.
E depois arriscou a pr�pria vida para salvar-me.
Preciso de entender.
O que � que quer de mim?
Quem...?
Quem sou eu?
V�s, meu pr�ncipe...
sois o verdadeiro Rei de Fran�a.
A semelhan�a � assim t�o flagrante?
Pod�eis ser o seu g�meo.
Custa a acreditar.
Ouvi a hist�ria do seu g�meo mas disseram-me que morreu ao nascer.
Esses mitos s�o suficientes para que seja uma amea�a.
Especialmente para homens ambiciosos como o Fouquet.
Uma amea�a ou uma arma.
D'Artagnan...
A minha semelhan�a com o Rei
� o �nico motivo por tr�s destes estranhos acontecimentos?
Um simples �sim� da sua parte � tudo o que preciso.
Confiai em mim.
Por favor.
O que estamos a fazer aqui n�o � para nosso ganho pessoal
mas pela Fran�a.
Obrigado, Andr�.
Vinde.
Est� na hora de vos vestirdes.
Tendes muito para aprender.
At� que enfim. Estou cansado de ser o inv�lido.
�ptimo. Agora ensinar-vos-ei a imitar o Rei.
Outra vez. E mais devagar.
Quanto mais devagar se pratica, mais depressa se aprende.
Ritmo Staccato.
Outra vez.
S�o Luis.
Francisco I?
Do lado esquerdo.
Henrique III?
Henrique III � meu av�.
- Errado. - Desculpe.
- � vosso bisav�. - Sim, meu bisav�.
- Henrique IV? - Meu av�.
Exactamente.
- Como se chama a vossa m�e? - Ana de �ustria.
- A vossa av�? - Maria de M�dicis.
- O av� materno? - Filipe III de Espanha.
�ptimo.
- O av� paterno? - Henrique IV de Fran�a.
�ptimo. Mais!
Parai alto e a fundo! Vamos!
Estais a sair-vos muito bem. Muito bem.
Um, dois, cabe�a levantada...
Lu�s XIII � meu pai.
Um, dois, tr�s, quatro...
E um...
Qual � a vossa data de nascimento?
5 de Setembro de 1638.
�ptimo.
Um, dois, tr�s, quatro. Muito bem, muito bem.
Agora repetimos tudo. Por favor, Jacques.
- Os vossos passatempos favoritos? - A dan�a e o jogo.
- Com quem vos haveis comparado? - Com o jovem deus Apolo.
- Que nome mais vos elogia? - �Rei Sol�.
�ptimo! �ptimo!
Outra vez! Outra vez! �ptimo! �ptimo!
Quem � o Cardeal Mazarino?
O primeiro-ministro do meu pai e o primeiro amante da minha m�e.
E Monsieur Colbert?
Ministro do Interior, amigo e aliado.
Nicolas Fouquet?
Ministro das Finan�as.
O homem da M�scara!
Jacques, traz-me isso.
Se ides governar esta na��o, deveis aprender a conter-vos.
Mantende a calma.
Em batalha, como no desporto, irai-vos.
Mas com sangue frio.
Espere aqui, minha querida. Prometo-lhe que serei breve.
Monsieur Fouquet! Que surpresa t�o inesperada.
Por favor, perdoe a interrup��o mas o Rei pediu
que verificasse a sua escolta para a viagem at� ao meu castelo.
Mas, por favor, n�o me deixe interromper o seu exerc�cio.
Que disparate,
� uma interrup��o bem-vinda para um espadachim envelhecido.
Obrigado, Fran�ois, � tudo por hoje.
Venha, passemos ao sal�o para tomar um copo de vinho.
V�s...
A Bastilha.
Sim.
Porque � que estais aqui?
Por tais meios que nem a menina ou eu alguma vez compreenderemos.
- E o meu pai? - Bem, da �ltima vez que o vi.
Gra�as a Deus.
Estais em perigo, aqui.
Venha.
Louise...
Lembrai-vos do meu nome?
De tudo acerca de si.
Durou um momento, n�o mais.
No entanto, lembra-se de mim.
Como podia esquecer?
Obriguei o seu pai a contar-me tudo sobre si.
N�o fal�mos de mais nada.
Sei onde cortou o joelho quando caiu do cavalo, em menina.
� como se a conhecesse toda a minha vida.
N�o sou mais a crian�a de quem o meu pai falou.
O que poder�eis ver em mim, agora?
Como poderia explic�-lo?
Cortastes-vos.
Sonhei com um momento como este.
Eu tamb�m.
Mas n�o me atrevi a esperar.
Que necessidade teve de sonhar com o meu duplo t�o � m�o?
Est�o a mundos de dist�ncia.
O vosso irm�o repugna-me.
O que foi?
Irm�o?
O Rei.
Meu irm�o...!
Certamente sab�eis...
Dizem que a semelhan�a � mero acaso!
Enganaram-vos, ent�o.
Eu, o seu g�meo?
Tendes uma marca de nascimento, n�o tendes?
C�us, � verdade, ent�o.
N�o haver� ningu�m em quem possa confiar?
N�o. Sois um Rei.
Louise!
O Fouquet!
O meu cora��o... a minha vida, est�o nestas m�os.
Ent�o, ambos est�o a salvo.
Louise!
Ele n�o deve encontrar-vos.
O nosso ballet aborreceu-a, minha querida?
Vossa Majestade interpreta-me mal.
D�-nos a sua opini�o, ent�o.
Muito bonito.
Bonito?!
Fomos arrebatados pelo seu elogio.
No entanto, parece-nos que
prefere a sua rosa idiota ao nosso ballet sumptuoso.
De todo, senhor.
Apenas disfruto a sua frag�ncia.
Acha uma simples flor mais bela que a nossa cria��o?
Apenas que a sua beleza � natural...
nem pintada nem for�ada.
Pronto.
V� como � transit�ria a sua beleza natural?
Tal beleza, como a que Sua Majestade destruiu,
perdurar� no meu cora��o para sempre.
Como � poss�vel, Fouquet?
Ela despreza-nos, escarnece de n�s...
E no entanto, somos mais prisioneiros dos seus encantos que nunca.
N�o pode permitir que isto continue, senhora.
A cada dia que passa, a jovem humilha-a mais.
N�o � a jovem, senhora, mas o pretendente, seu filho,
que traz desgra�a � nossa casa.
A �nica desgra�a nesta fam�lia, velha senhora, � o nosso casamento!
Em nome de Deus, Lu�s, sou a vossa mulher!
Mulher? N�o, diga antes �carga�.
A bem da Fran�a e da nossa amada m�e,
concord�mos aplacar a Espanha
e fic�mos com esta tipa, no neg�cio.
Lu�s, estais a falar com a m�e dos vossos filhos!
Ocorreu um milagre, senhora.
� de longe mais f�cil ficar no porto de Rodes
do que ser marido deste monte de carne amarelada!
Vamos, minha querida, antes de sair...
deixe que o mundo contemple a especial vis�o de �xtase
que encontram estes olhos reais, cada noite, quando nos retiramos.
Que Deus me perdoe!
Se suportasse ver os meus filhos �rf�os de pai,
desejaria v�-lo morto!
Voc�s sabiam.
Todo este tempo sabiam e, no entanto, n�o me contaram.
A vossa f� foi t�o abalada que n�o conseguis confiar mais em n�s?
Se assim �, tudo est� perdido.
Salvaram-me a vida e resgataram-me do inferno.
Em quem mais poderei confiar?
Bem, deixem-me ouvir o plano.
Simplesmente isto:
derrubar o Rei durante a celebra��o de Fouquet, em Vaux.
H�, no entanto, para v�s, uma condi��o.
Qual � o pre�o de uma Coroa?
A transi��o de poder deve ser r�pida e tranquila.
O mundo nunca poder� perceber que houve uma troca.
Tendes, ent�o, de concordar em governar como Lu�s XIV.
- Como Lu�s? - Para o resto da vossa vida.
Ao nascer primeiro, n�o sou o leg�timo herdeiro?
A legitimidade n�o tem nada a ver com isto!
� uma quest�o de necessidade pol�tica.
A Fran�a est� demasiado inst�vel para resistir a um golpe.
Mas... o que ser� de mim?
N�o sou Lu�s, sou Philippe.
Nunca poderei ser eu mesmo? O que ser� de mim?
N�o.
Recuso-me a fazer parte de tal charada.
�O que ser� de mim?� Pobre Philippe!
Enoja-me ouvir estas coisas.
Estes velhos olhos j� viram demasiado sofrimento.
Enquanto dormia na sua cama na Borgonha,
s�o e salvo, longe do alcance de Lu�s,
meu mimado jovem pr�ncipe,
houve outros menos afortunados.
Repare, por exemplo, no meu fiel criado, o Andr�.
Alguma vez se perguntou pelo seu sil�ncio constante?
N�o tem l�ngua. Cortaram-na.
O seu crime?
Este homem, a �nica testemunha viva do vosso nascimento,
negou-se a divulgar o segredo do vosso paradeiro.
Mas antes de se cortar uma l�ngua, tenta-se sempre a persuas�o.
H� um lugar nos Alpes distantes,
uma propriedade onde o sol � suave e a terra rica,
e a ca�a abundante.
Sois livre de vos retirardes para l�,
e viver o resto da vossa vida em paz e tranquilidade.
A vossa identidade real, para sempre um segredo...
as vossas necessidades ser�o amplamente providas.
Ningu�m vos culpar� se escolherdes o caminho mais seguro.
Eu... ou a minha heran�a?
O vosso direito por nascimento � a Coroa de Fran�a.
Conheceu bem o meu pai, D'Artagnan?
O suficiente para am�-lo sempre.
Era um homem valente?
N�o houve mais valente nem mais gentil em toda a Cristandade.
� uma pena que n�o o tenhais conhecido.
Eu... sou o seu primog�nito.
Sou o leg�timo herdeiro do seu trono.
Ent�o reclamai-o!
Durante algum tempo devereis ser paciente, � certo,
Mas a seu tempo a vossa personalidade emergir�
e, eventualmente, apagareis qualquer vest�gio de Lu�s.
Mas n�o de in�cio.
A Fran�a podia ser a inveja do mundo.
Meus amigos...
Aceito.
Deus salve o Rei.
Deus salve o Rei.
CASTELO DE FOUQUET VAUX
Talvez entreis no castelo como criado...
mas deix�-lo-eis como Rei.
Se sobreviver para deix�-lo. Tenha cuidado com o que faz!
Mil perd�es. S� mais uma passagem, pe�o-vos.
Obrigado.
J� est�! Agora,
o que vos parece?
Continuo a ver o Philippe.
Um momento, por favor... Um momento.
O principal.
O que vedes agora?
Um asno.
Magn�fico.
Sua Majestade ficar-lhe-� eternamente agradecido, Monsieur Colbert.
Devo felicit�-lo e...
tamb�m ao artista.
Mas nunca foi minha intens�o eclipsar o anfitri�o.
O retrato � seu para oferecer ao Rei.
� muito generoso.
Um gesto de apre�o pela vossa am�vel hospitalidade.
Oferec�-lo-ei ao Rei,
esta noite, no baile.
Majestade Fouquet!
Escondam-no at� mais logo.
N�o v� o Rei descobri-lo e estragar a surpresa.
Coloquem-no nos aposentos da menina De La Valli�re.
Ela defende a sua intimidade
com o mesmo zelo que defende a sua virtude.
Entretanto, retiro-me.
Uma vez mais, senhor, mil agradecimentos pela sua generosidade.
Que poeta da antiguidade nos avisou
contra os gregos portadores de presentes?
Vigie-o.
Um pouco de pasta de amendoas para branquear a pele,
um ligeiro toque de rouge nas bochechas e nos l�bios,
um frasco ou dois de doces perfumes...
e a transforma��o ser� completa.
Philippe.
� este o famoso traje?
Uma c�pia exacta do que Sua Majestade usar�.
Como nos distinguir�?
Tomei a liberdade de incorporar uma subtil distin��o no modelo.
S� n�s os quatro estaremos ao corrente da diferencia.
- E Monsieur Fouquet, � claro. - O Fouquet?
N�o vos alarmais. Tudo tem a sua raz�o.
E agora vem, meu rapaz.
O senhor Fouquet est� � espera que o vistas.
Lembra-te! Tal como ensai�mos. Um passo em falso e...
Sim, senhor.
Agora...
Fa�amos uma c�pia de um Rei!
O quadro de Le Brun � excelente.
Porque est�s t�o evasivo?
Calculo que ningu�m se tenha apercebido do erro.
Erro?
Nada grave, � claro. Apenas um descuido.
Um descuido em que sentido?
Monsieur tem de prometer-me n�o dizer nada ao meu amo.
Monsieur Percerin nunca me perdoaria.
Pretendia oferecer o quadro a Sua Majestade esta noite.
H� alguma coisa que aches que eu deva saber?
Simplesmente que ao fazer a c�pia do traje
houve uma omiss�o.
C�pia do traje?
Que c�pia do traje?
A que Le Brun utilizou como modelo para o seu quadro.
Percebe? Leva uma faixa roxa.
E ent�o?
Bem, essa � a que o Rei usa no retrato.
- Uma faixa roxa. - Cuidado.
Cuidado, estou a dizer.
N�o vejo a import�ncia.
Mas o Rei usar� uma faixa branca, esta noite.
Compreende?
- Branca? - Exacto.
Monsieur Percerin mudou o seu modelo no �ltimo minuto.
Naturalmente, era demasiado tarde para mudar no retrato.
S� posso rezar para que Sua Majestade n�o repare no descuido.
O que aconteceu a esta c�pia do traje?
Creio que Monsieur Colbert ainda o tem.
Requintado.
Certamente a Rainha achar� Sua Majestade muito irresist�vel.
A Rainha? Que perspectiva apavorante!
� de Louise De La Valli�re a aprecia��o que ansiamos.
Depressa. Surpreend�-la-emos com uma exibi��o privada antes do baile.
Vamos.
D'Artagnan!
Ela est� aqui.
Mas n�o est� s�.
Se n�o conseguir enganar uma donzela, nunca enganarei a Corte.
Tendes raz�o.
- Tenho de falar-lhe! - Est� bem. Mas depressa!
O Fouquet vai chegar aos aposentos do Rei a qualquer momento.
Deve encontrar-vos l� e n�o a Lu�s.
� realmente um tributo � arte de Monsieur Le Brun...
ter sido capaz de melhorar a perfei��o.
Mas n�o fala.
� o melhoramento derradeiro.
Majestade!
Mil perd�es, minha querida.
Vim apenas devolver-lhe... isto.
Henrietta, por favor, deixa-nos!
Que milagre � este? Pensei que fosseis o Rei.
Em breve, se Deus o quiser.
Sois louco ao vir aqui.
Esta pode ser a minha �ltima oportunidade de a ver.
Ou�a-me...
Se a aventura desta noite fracassar, promete-me que repudia o nosso amor?
Preferia arrancar o cora��o do meu peito.
Pela sua pr�pria seguran�a, � vital que nunca me tenha conhecido!
N�o poderia faz�-lo.
Como a amo.
Se sou Rei, antes desta noite terminar...
devo governar com o nome de Lu�s
e n�o com o meu.
E com a Rainha como mulher... e n�o Louise.
Nunca poderia proclamar abertamente o nosso amor.
Philippe. Abra�ai-me, tenho medo.
Majestade!
Que tipo de brincadeira � esta?
Quem se atreve fazer-se passar pelo Rei?
Mas � claro, um embuste. Um gesto preparado pelo nosso anfitri�o.
As minhas desculpas, querida Louise. Por um momento fomos...
sinceramente enganados.
No entanto, � muito mais do que uma mera brincadeira.
Este imitador...
t�o...
perfeito...
t�o convincente...
T�... t�?
N�o me queres abra�ar, irm�o?
Guardas! Ajudem-me!
Ajudem-me!
Philippe!
Eu n�o, idiota! Est� ali o impostor!
O que se passa?
Trai��o e conspira��o. Ele ousou passar-se pelo Rei.
N�o d� ouvidos a esta perf�dia, Fouquet! Est� ali o usurpador. Prenda-o!
Eis o vosso homem.
Idiota. Est� cego?
O D'Artagnan diz a verdade.
Duval?
Prenda-o.
O que diz?
Isto � uma loucura!
Prendam-no.
Mas, certamente, devem estar enganados. Este � o vosso homem!
Eu sou Lu�s. Eu sou Lu�s!
Sou o vosso soberano!
Calem-no!
Calem-no.
Perdoai-me, senhor, por ter estado t�o cego.
Majestade...
Qual � o vosso desejo?
N�o decretou j� o Rei, o destino do seu irm�o?
Ent�o...
que assim se mantenha.
Assim. Estou consciente da conspira��o perpetrada contra v�s...
e prometo-vos que ter�o a...
retribui��o.
Deveras.
Majestade.
O baile!
Continuaremos como se nada tivesse acontecido.
E quanto a si, Capit�o...
Majestade?
Sentir-nos-�amos mais seguros consigo � m�o.
N�o se afaste do nosso lado esta noite.
Sou o vosso servo, senhor.
Minha querida...
At� logo.
Por amor de Deus!
Devolvam-no � Ilha de St.� Margarida, como ordenado pelo Rei.
Sua sublime Majestade, o grande monarca de Fran�a, Lu�s XIV.
Sua Majestade.
Monsieur Fouquet.
Pe�o-vos que aceitais esta oferta como prova da minha profunda devo��o.
Continuar ao vosso servi�o seria a minha �nica recompensa.
Majestade.
M�e.
Sua Majestade.
Meu filho?
Nunca a tinha visto...
Nunca a tinha visto mais bela.
Lu�s...!
Majestadea.
N�o sois o mesmo esta noite, meu marido.
Sou t�o constante como o sol.
A vossa forma de dan�ar est� desorientada.
A senhora dan�a como sempre, minha querida.
Se os meus olhos n�o me dissessem o contr�rio,
pensaria que o homem com que dan�o
n�o � o meu marido.
Mil perd�es, minha querida.
Se n�o o seu marido, quem poderia ser?
Um impostor.
Se assim fosse, certamente sentir-se-ia alarmada, senhora.
Fui apenas apanhada de surpresa.
E, ao contr�rio da vossa m�e,
posso pagar
os melhores informadores.
Pressup�e-se, ent�o, que estaria preparada para este usurpador.
Provavelmente.
Preparada para denunci�-lo?
Teria muito pouco a ganhar...
excepto, talvez, o vosso regresso
aos meus aposentos.
Um pequeno ganho.
� prefer�vel o seu pr�prio marido do que um perfeito estranho.
Muito pelo contr�rio.
Devo entender que n�o trairia este impostor fantasma?
Digamos que este usurpador poderia garantir que
n�o seria menos Rainha do que � agora.
Ent�o teria de estar certa
de que os meus filhos estariam protegidos.
E que pudessem manter o seu direito
de sucess�o ao trono.
Aceitaria a palavra de tal homem?
Se n�o mantivesse a sua palavra,
perderia a sua cabe�a.
Tal como teria de conter a sua l�ngua...
ou perderia a sua.
Justamente.
Mas isto... isto � absurdo.
Tenciono disfrutar de um longo e frut�fero reinado.
E assim ser�, senhor.
Com a minha b�n��o.
Se me permitis, desejaria retirar-me.
N�o desejo estragar o prazer de Sua Majestade.
Ent�o, boa noite, senhora.
Que Deus a acompanhe.
Que Deus vos acompanhe... Lu�s.
Parab�ns, senhor. O seu baile parece ser um grande �xito.
Mais do que imagina, aposto.
Menos do que imagina, aposto eu.
Colbert, um dos seus problemas sempre foi
a sua tend�ncia para fazer a v�nia antes do cair da cortina.
O seu problema, Fouquet, � que nunca se apercebe quando a pe�a acabou.
Amanh�, quando Sua Majestade tiver sa�do para Paris,
o senhor ser� preso, acusado de
apropria��o indevida de fundos do Estado.
O cavalheiro Duval ser� posto sob cust�dia como seu c�mplice.
Meu... meu caro Colbert.
Detesto ter de inform�-lo que o seu plano para depor o Rei
e substitu�-lo no trono pelo seu irm�o Philippe
foi frustrado.
Aquele... � Lu�s XIV.
Nesse assunto, pelo menos, podemos concordar.
E nesse caso...
� o senhor quem ser� detido amanh� de manh�,
sob as acusa��es de conspira��o e trai��o.
Pobre Fouquet. Olhe novamente para eles.
Que ter� acontecido � repulsa da De La Valli�re pelo Rei?
Ou ser� que ele mudou da noite para o dia?
Vamos, ela n�o ser� a primeira donzela relutante
que ele conquista...!
Precisamos de ser convencidos, n�o �?
Bom, talvez a lembran�a de um jovem aprendiz de alfaiate
ao meu servi�o.
As faixas!
Todo esse trabalho e nunca reparou.
O Duval?
Tarde demais. J� partiu para St.� Margarida.
Por ordem sua.
O Rei!
O Rei, Fouquet, morreu.
Viva o Rei!
Viva o Rei!
Ouve bem, carcereiro.
Estas s�o as ordens de Sua Majestade
e, portanto, devem ser obedecidas sem questionar.
O prisioneiro est� louco.
Sou o Lu�s!
Acredita ser o Rei.
Eu sou Rei!
� extremamente perigoso
e nunca dever� sair desta ceda.
Lu�s!
Ningu�m poder� visit�-lo, excepto tu.
Ningu�m poder� falar-lhe...
incluindo tu.
E quando um dia a sua comida ficar intocada,
arranjar�s tijolos e argamassa
e selar�s a entrada para esta cela.
Ent�o enviar�s not�cia para Paris que
o Homem da M�scara de Ferro
n�o vive mais.
Lu�s! Lu�s! Lu�s!...
Ajude-nos e torne-se membro VIP para remover todos os an�ncios do % url%
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