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Original subtitles

Merda!

Duas semanas e a marca ainda está em carne viva.

Tenho a mesma marca, irmão,

e não fico resmungando.

Está abaixando a guarda depois de cada ataque.

Então a levantarei.

Sua cabeça é minha. Como quer que a use?

Move-se bem hoje.

Você, não. O que o distrai?

Pedi que Ashur enviasse uma carta para Aurelia.

Já faz uma semana e nada de resposta.

Esperava o quê?

Uma mulher não volta correndo para o marido

que a chama de "prostituta".

Não foi o que eu disse.

Não exatamente. Desculpei-me na carta.

Admiti que reagi mal à notícia da sua gravidez.

E agora ela o faz esperar.

É como as mulheres nos punem por sermos tolos.

Esqueça disso

ou seus miolos acabarão na areia.

São lindas.

Sim, são da família há gerações.

Esse tipo de arranjo acontece com frequência?

Não.

Mas quando um pedido assim é feito,

tem que se oferecer o que se tem de melhor.

A Casa de Batiatus não deixa a desejar neste quesito.

Esta, acho.

Diana, a deusa da caça.

Ótima escolha.

Acha que ela iria aprovar?

Quando Actéon a viu se banhar,

ela transformou o pobre coitado em um cervo

e mandou seus próprios cães à sua caça.

Nada melhor, então,

que tenha seu próprio servo para brincar.

Já decidiu?

Só há um homem que convidaria para afrontar tal perigo.

Quero Spartacus.

O Campeão?

Claro.

Algum problema?

-Se precisa de mais dinheiro... -Não, não.

Não, a prima de Marcus Crassus

merece o próprio Matador de Theokoles

a um preço justo.

Não é o preço que me preocupa.

É que, se meu marido souber disso...

Só se os deuses sussurrassem no ouvido dele.

Tomamos o máximo de cuidado

com a privacidade destes arranjos.

A máscara garante anonimato, mas tem que fazer a sua parte.

Não diga isso a ninguém.

Chegue prontamente na hora certa, sozinha.

Sem escravos ou escolta?

Eles seriam os mais fiéis a seu marido.

Eu evitaria complicações, tanto para você quanto para este ludus.

Ilithyia.

Desculpe.

Cheguei cedo?

Para quê?

Convidou-me para o almoço.

Convidou?

Sim. Mas amanhã.

É mesmo?

Espero não ter interrompido nada importante.

Não, pelo contrário.

Falávamos justamente de você e seu gladiador.

-Qual o seu nome? O celta... -Segovax.

Isso, Segovax.

Uma pena.

Deveria comprar vários da próxima vez

até ter uma ideia de como funciona.

É um processo difícil.

Poucos chegam ao teste final, e ainda menos à arena.

Meu marido exige os melhores e nada mais.

Assim como todos nós.

Perdão pela pressa, mas meu marido me espera.

Será um prazer revê-la em breve.

Ela gosta de você.

E eu, dela.

Fico contente em saber que as minhas mãos são responsáveis.

Então deixe-me segurá-las em gratidão.

Deve tomar mais cuidado com a Licinia.

Ela é de classe mais alta

e não hesitará em lembrar-lhe disso

assim que mudar de humor.

E seu humor muda muito.

Já tenho experiência com pessoas do tipo.

Claro que tem.

Então, vai me convidar?

Convidar?

Para quê?

Para o baile de máscaras.

Acha que eu não notei a máscara que ela estava tentando esconder?

Engano seu.

Não haverá baile.

Ela só queria as feições de Diana emprestadas.

Para evitar complicações?

Uma mulher de classe num ludus,

escondendo máscaras e falando de complicações.

Se não soubesse das coisas,

diria que tem a intenção de dormir com um de seus gladiadores.

-Ilithyia... -É verdade, não é?

Aquela vadiazinha. Que depravada!

Prometi discrição.

Não deve contar nada disso a ninguém.

Nem sonharia.

Você tem sido uma grande amiga.

Vai ser nosso segredinho.

Posso controlá-la.

Ilithyia?

Assim como fez com ela e Segovax?

Ela mandou seu próprio homem atentar contra Spartacus

sob o nosso teto,

e você vem me falar de controle.

Spartacus a enfurece por algum motivo.

Licinia é outra coisa.

Até mesmo a Ilithyia sabe que deve

temer represálias da prima de Marcus Crassus.

Como deveria ser.

Aquele homem caga em ouro!

Ter o favor de um aliado destes em Roma

pode abrir caminho para uma cadeira na cúria.

Só há um empecilho.

Licinia quer o toque de nosso Campeão.

Spartacus? Não vai ser um problema.

Ele é sempre um problema.

Era, num passado já distante.

Darei a ordem e será feito.

O Campeão de Cápua está chegando!

Um homem que aterroriza até Júpiter,

que enche os céus e os faz chorar.

Minha glória é pouca se comparada a de meu Senhor.

Bajulação sua.

Só retorno o favor.

E os deuses tomam nota.

Justo quando achava que tínhamos todos os aliados,

mais um cai do céu em nosso colo.

A bela Licinia, prima de Marcus Crassus,

pediu por você.

Crassus?

O homem mais rico da República.

Uma grande honra.

Quem é o oponente?

Oponente?

Licinia não tem interesse em vê-lo lutando.

Seus desejos são de uma natureza mais íntima.

Devo dormir com ela?

E ser incomparável.

É isso que pede de um Campeão?

É.

Algum problema?

Não.

Sou o Campeão de Cápua.

Cumprirei os deveres que me forem dados.

Certifique-se que fique satisfeita

e que nossa sorte se eleve como o seu sexo.

Algum desconforto?

Não.

Quando poderei retornar ao meu treinamento?

O fato de ainda estar vivo já é um milagre.

Quanto tempo?

Em uma semana,

talvez duas.

-Amanhã. -Não. É cedo demais.

Amanhã.

Amanhã, então.

Um dia glorioso, que demora em vir.

Crixus, recém-erguido da morte,

e Ashur, finalmente livre,

lutarão novamente.

Vai voltar a treinar? Como gladiador?

Ainda tenho a marca.

E desejo estar entre meus irmãos mais uma vez,

sobre a areia da arena.

Desta vez, talvez seja melhor

que fique fora do meu caminho.

Tire essa merda de mim.

Agora!

-Ele não hesitou? -Nem um pouco.

Nosso cachorro finalmente perdeu o lar.

Foi sábio colocar a sua cadela para dormir.

Vá, e traga vinho.

Tudo está se encaixando.

Teremos a gratidão torrencial de Licinia,

e, junto com ela, o ouvido de Marcus Crassus.

Se Spartacus não deixar a desejar.

Este homem respira

para servir à glória desta casa.

Sei que é o que quer.

Mas há muitos meses não dorme com uma mulher.

Depois de tanto tempo, sua paixão pode vir a ser

muito súbita.

-Bom, seria uma pena. -E certamente evitável

se Spartacus puder aperfeiçoar as suas habilidades antes...

Veio até o alojamento errado.

Não é Spartacus? O Trazedor da Chuva?

Sou Mira.

Fui enviada para o seu prazer.

Para quê?

Seu prazer não é um fim em si mesmo?

Não gosto de jogos deste tipo.

Diga por que vem.

Vamos, abra essa boca.

A Senhora se preocupa pois há muito não dorme com uma mulher.

Teme que não consiga se segurar

para dar prazer a uma mulher romana.

Fico ofendido com a sugestão.

Assim como com sua presença.

Não me quer?

Só quero dormir.

E não ter pesadelos.

Que os deuses me deem força

para arrancar essas grades de suas bases.

Foi tolice nossa acreditar que eles nos favoreciam.

Ainda dividimos o mesmo teto.

Não seria assim se o Senhor tivesse me vendido.

Isso não é prova que os deuses nos favorecem?

Tê-lo, mas não tê-lo

é uma ferida que não fecha.

Todas as feridas se curam.

Até as mais profundas.

Queria que elas nunca tivessem sido sofridas.

Você preferiria nunca ter conhecido o meu coração?

O gaulês invicto retorna.

Acho que é hora que ele escolha um novo apelido.

Crixus.

Meu espírito se levanta ao vê-lo na areia novamente.

O Mundo dos Mortos não me quis.

Olhem todos!

Um verdadeiro campeão volta à irmandade!

Campeão com colhões.

Será que já existiu um homem como Crixus?

Não, Senhora. Não existiu.

Que os deuses abençoem o seu retorno.

Que eles o guiem a ainda mais vitórias.

E que nossas bolsas se encham com elas.

Sim, até a boca.

Lutará contra Duro.

O alemão? Ele nem entrou na arena ainda.

E você não esteve lá há um bom tempo.

Prove-se contra este homem e verá as coisas progredirem.

E quem vai enfrentar Ashur?

Escolha com cuidado, pois quero sangue.

-Está treinando? -Estou.

Quem permitiu?

O próprio Senhor me prometeu que voltaria à irmandade

depois de me livrar daquela merda de braçadeira.

Ashur.

Merda.

Uma palavrinha.

O mestre chama o seu cachorro.

E a minha vitória sobre Hasdrubal?

O público vibrou quando parti sua cabeça ao meio.

-Uma vitória de nada, já esquecida. -Kleitos, então! E Lysimachos.

Todas há muito tempo. Já se foram seus dias de gladiador.

Senhor.

Eu lhe imploro.

Deixe-me provar o meu valor de novo.

Já provou.

Fora da arena.

Sua inteligência é mais afiada que qualquer espada.

Não quero perdê-la em lutas por orgulho vão.

Estamos de acordo?

Como desejar, Senhor.

Aos negócios, então.

Tenho ideias quanto a Solonius que quero discutir a caminho do mercado.

Notou algum desconforto no Crixus quando entrou na areia?

Não, Senhora.

Ele está ansioso para retomar seu lugar.

Mas não quero que tente demais, ou que esconda a dor da recuperação.

Se notar que Crixus está escondendo qualquer coisa de mim,

diga-me imediatamente.

Sim, Senhora.

O sexo oposto não tem noção alguma

com relação a limites.

Devem ser constantemente vigiados

para que não se machuquem enquanto agem como homens.

Espere.

Senhora.

Como foi com Spartacus ontem à noite?

Seu pênis é impressionante quando rígido?

Fizeram quantas vezes?

Fale.

Ele não me quis.

Não?

Não, Senhora.

E você esperou até agora para me dizer?

Achei que não iria gostar.

Tire o vestido.

Peitos, bunda e vagina,

todos parecem sem doença e em forma.

O que indica que o problema não está na carne,

mas na cadela.

Desculpe, Senhora.

Retorne ao seu alojamento hoje à noite.

E quero seu pênis em você, ou, ao invés disso, será uma espada.

Não estamos numa arena.

O mundo é a minha arena, garoto.

Dê-me um homem.

Alto!

Agron!

Duro!

Chega.

Meia refeição pelo resto da semana.

Irritem-me novamente e os dois vão para as minas.

Crixus continua fazendo amigos.

Mas nada da sua mulher?

Nada de novo,

e não posso mais pagar o Ashur para entregar cartas.

Vai nos desonrar se a sua cabeça não estiver nos jogos.

Diga ao maldito que pago pelos custos.

Depois lhe pago.

Rápido. Antes que ele vá.

Ashur.

Seu homem fugiu correndo.

Talvez queira um verdadeiro oponente.

Já quer voltar para o médico?

Crixus, está sendo chamado.

Em breve.

Sai.

Espere um pouco.

Seu mestre ainda está no mercado

e a Ilithyia demora umas horas para chegar.

A minha pele não está macia?

Sim, Senhora.

Os escravos me deram um banho de leite.

Lembra-me de quando você gostava quando podíamos bancar coisas assim.

Ainda dói?

Não, Senhora.

Queria poder dizer o mesmo.

Foi uma tortura ver uma perfeição assim marcada por Theokoles.

Quando caiu de joelhos,

e o gigante estava nas suas costas,

meu coração saiu pela boca.

Aí, você olhou para o pulvínulo.

Para mim.

O que tinha em mente naquele exato momento,

entre a vida e a morte?

Estava pronto para a outra vida,

tendo conhecido o amor de uma deusa.

Sempre será meu, Crixus.

Só meu.

Cinco sacos pelo preço de dez.

Que eles estejam mais secos desta vez, maldito.

Os últimos fediam a mofo.

-Sim, Senhor. -Não se preocupe, Solonius.

O espertinho vai sofrer quando os preços despencarem.

Espero que seu pênis caia junto.

Deixaram você sem coleira?

Meu mestre está na vila.

Ainda tenho negócios a tratar.

E palavras para ouvidos que queiram ouvir.

A minha situação mudou.

E a sua lealdade também?

Batiatus está se mostrando sem valor, como já me alertava.

Caráter tão vil jamais vale tanto quanto um verdadeiro homem.

Creio que esteja vendo as coisas como realmente são.

Tenho notícias valorosas.

Valem mais que o pouco que me ofereceu da última vez.

-Estou cercado de abutres... -É sobre a sua vida.

Se isso não lhe tem valor...

Espere.

Fiquei sem nenhum tostão. Fale, antes que me arrependa.

Você dorme com a vadia da Despoina uma vez por semana, não é?

Está dizendo algo que já sei.

Mande um outro no seu lugar,

ou o seu pênis irá com a sua cabeça.

Batiatus vai atentar contra mim?

Vou pagar o seu agente e dar a ordem.

Foi alertado.

Não acredito na diferença.

Quando visitei a sua casa da primeira vez, tive pena

da mulher que vivia em tais condições.

E olhe você agora.

Cercada de opulência comparável a famílias de tradição.

Nada mais que tranqueiras,

que não valem tanto quanto a sua amizade.

Está fazendo novos amigos ultimamente.

Você e a Licinia parecem bem à vontade juntas.

Agradeço pela apresentação.

Gostaria de vinho ou...

Vinho não vai me tranquilizar.

Estou dando os elogios,

mas o que não me sai da cabeça é o que disse sobre a Licinia.

Não disse nada.

-Você tirou conclusões precipitadas. -E estava certa.

Não consigo pensar em nada mais desde então.

Entendo,

mas concordamos que as paixões da Licinia são só para ela.

Não é da Licinia que penso.

Ando pensando em coisas mais tórridas.

Tenho pensado em mãos brutas sobre mim,

algo com que meu marido não pode ajudar.

Não deveria estar falando disso.

Estou me desonrando.

Seus desejos não devem lhe envergonhar.

É uma mulher.

Temos muitas necessidades.

-Melhor deixar a ideia de lado. -E ficar distraída com ela?

Antes isso que ser descoberta.

Isso arruinaria o meu marido, e mancharia o nome do meu pai.

São preocupações que muitas que vêm até nós têm.

Pode divulgar nomes, além de Licinia?

-Não sei de nome nenhum. -Claro. Claro que não.

Quer que faça preparativos?

Sim.

Não ficará desapontada.

Posso sugerir o Varro?

Varro?

Comum demais.

O homem deve valer o risco.

Como os seus desejos devem bem saber.

Desejos que compartilho.

-Senhora... -Saia daqui, sua escrava suja!

Meus ouvidos sugerem uma tempestade,

mas meus olhos revelam uma mulher que ficou louca!

Bom, a causa é a Ilithyia!

O que causou erupção tão cara?

Fica toda molhada só de pensar em Licinia com um gladiador.

Ela quer a mesma coisa,

e está pensando no Crixus!

E a sua escolha a enche de raiva?

Não é a sua escolha, mas a sua atitude.

Fala com lábios de mel,

mas esconde uma mordida que fede a mijo na nossa cara.

O sabor amargo é familiar,

mas temos que aprender a engoli-lo, junto com o nosso orgulho,

até que tenhamos a patronagem de seu marido.

Por que precisamos do Glaber? A Licinia nos dá Marcus Crassus.

A fortuna de Crassus é incomparável, mas é apenas um senador.

Glaber tem mais poder como comandante.

O favor de fortuna e poder ajudaria a nossa causa.

Para que subamos, quer que me ajoelhe?

Daremos uma lição em Ilithyia muito em breve,

mas, por enquanto, a necessidade pede que lhe demos Crixus.

Faça os preparativos.

Maldito gaulês.

Nem pense nele.

Eu cuidarei dele em breve.

Quer o seu irmão morto?

Quem disse isso?

-As suas ações. -Só quero protegê-lo.

E quem fará isso na arena, onde é cada um por si?

Não está lhe ajudando em nada.

Mentira!

-Varro! Varro! Ei! -Diga que está mentindo!

Disse o que me pagou para fazer.

Fui atrás da sua mulher, mas ela não estava lá.

-E o garoto? -Não tinha ninguém.

Mas vi traços de sangue no chão e...

-Contenha-se! Acalma-se! -Vamos, Ashur!

-Mate-o. -Vamos.

Guardas!

Não vão quebrar. Já tentei.

Fale com o Batiatus.

Para quê?

Ele o escuta.

Preciso sair daqui por um ou dois dias.

-Ele não permitiria. -Não vai nem tentar?

Sorte sua que só está acorrentado.

Pedir uma loucura dessas para o Senhor

só causaria mais punições.

Como isso vai lhe ajudar?

Nada me ajudará.

O Ashur só achou sangue.

Nenhum corpo,

ou seja, a sua mulher e filho ainda podem estar vivos.

Os deuses me punem por ter falhado com eles.

Os deuses quase nunca prestam atenção em tolos.

Então, coloque a cabeça no lugar e use-a, para variar.

Para onde iriam a sua mulher e filho, se fossem atacados?

Pense.

Naevia?

É tarde.

Deveria estar no seu alojamento.

Não consigo dormir.

Não consigo parar de pensar na arena.

Deixe as areias do tempo o levarem.

Conforme elas passem, tenho certeza que será campeão novamente.

Cápua já tem seu Campeão.

O título é de Spartacus,

mas quero que um homem de honra o reconquiste.

Se tem amor à vida, nunca acorde um gladiador.

Por favor. A Senhora me mandou.

Volte de onde veio.

Por que me recusa?

Não lhe agrado?

Não quero estar com uma mulher que foi ordenada a estar comigo.

O que acha que acontecerá se não cumprir a ordem?

Fique, então.

No chão.

Não há nada que possa fazer pelo Campeão de Cápua?

Só tenho um desejo que pode ser satisfeito,

se você puder.

Spartacus está com fogo nas ventas hoje.

Por que será?

Mira,

como foi a sua noite com o Campeão?

Ele me pediu muitas coisas.

Muitas coisas, é?

Nosso trácio está pronto para a ação.

Vou marcar um horário para hoje à noite.

Quando o Sol se levantar, teremos o favor de Marcus Crassus.

E a Ilithyia e seu desejo por Crixus?

Já está planejado.

O filhote mostra os dentes.

Não conseguiu dormir?

Nem foi merecido.

Acolha os sonhos quando o Sol se pôr.

-Tenho notícias. -Aurelia?

Ainda não.

Mas enviei Mira, uma das escravas da casa,

para ir atrás dela e do seu filho.

Como conseguiu isso?

A Senhora a enviou para mim,

para me preparar para certos...

Deveres que cabem a um campeão.

Então os deuses jogam mulheres para você agora.

Merda!

Está voltando à forma.

Treine com Hamilcar.

Parece que Duro perdeu o irmão.

Antes isso que a sua cabeça.

-Está feito? -A vadia da Despoina não transa mais.

Nem o homem que estava com ela.

Não era o Solonius.

-Quem estou vendo? -Kastor.

Um dos homens de Solonius.

Mande para o Solonius.

Deixe que saboreie o alívio de escapar da morte

por enquanto.

Vai dormir com uma verdadeira mulher romana.

Uma de classe muito maior.

Preste atenção: Não a ofenda.

Sim, Senhora.

Não diga nada, não faça nada, a não ser que seja prazer.

Acompanhe o que ela fizer,

antecipe seus desejos e os satisfaça com vigor.

Sim, Senhora.

Na arena, é o Campeão de Cápua,

mas, hoje à noite, não é nada mais que um escravo comum

que faz o que lhe é mandado.

Ficou claro?

Claríssimo, Senhora.

Vão prepará-lo para o evento.

Espere que seja chamado.

Tragam o melhor vinho.

Quero a nossa convidada bem servida quando chegar.

Senhora.

Onde estava ontem à noite?

Esperei até quase ser descoberto.

Não pude escapar. Estava cuidando da Senhora.

Da Senhora?

Ou daquele guarda com quem a vi hoje?

-Engano seu... -Não sou cego.

Estava tocando no seu braço e rindo.

E, do jeito que olhou para você...

Se não fosse cego, certamente veria

que o Hector olha para todas do mesmo jeito.

Não me importo com as outras mulheres.

Você me envergonha.

Você se envergonha com ideias malucas.

-Eu sei o que vi. -Não, não sabe!

Nem o Hector.

E a chave dele?

Foi o motivo do meu sorriso e toque. Foi só o que recebeu.

Só tenho um instante antes de ter que voltar com o vinho da Senhora.

Use-o para se desculpar por pensar que...

Você é o meu coração.

Nunca vou duvidar de como bate.

Desculpe, Licinia.

Parece que chegamos antes de Ilithyia ter se saciado com Spartacus.

Não!

Guardas!

Isso não causaria furor em toda Roma?

A mulher do comandante Claudius Glaber

transando com Spartacus, o homem que quase o arruinou.

Seria um escândalo, não?

O maior de todos que já ouvi.

Pare de rir!

Pare de rir!

Pare de rir!

Ilithyia!

O que estava pensando?

Ela me menospreza sempre que pode. Só queria lhe dar uma lição.

Ao juntá-la com Spartacus?

Se meu marido não defende a minha honra,

-faço eu mesma. -Honra?

É por isso que a prima de Marcus Crassus

está morta na nossa casa?

Não era a minha intenção.

Sua intenção não importa.

Merda!

-Estamos feitos. -Não.

Licinia veio sozinha.

Não disse a ninguém por que viria.

-Ninguém? -Nem mesmo seus escravos.

Nada a ligaria à casa de Batiatus

se seu corpo fosse descartado.

E a Ilithyia?

Cuidarei dela.

Desculpe, foi um erro e tanto

juntá-lo com a mulher de Glaber.

Saiba que não foi a minha intenção, nem era de meu conhecimento.

Sou eu que devo desculpas.

Por um instante, minhas mãos não pertenceram a mim,

mas a um homem que não existe mais.

Não falaremos mais desta noite.

Spartacus,

a sua lealdade

honra este ludus.

Eu não queria...

Não, claro que não.

O jeito que ela riu de mim...

Disse que eu iria dormir com o Crixus.

Por que me deu Spartacus?

Por que faria isso?

Já sabe a resposta do que está perguntando.

Meu marido vai me matar por isso.

Você me matou.

Não.

Deixei-nos mais próximas.

Ninguém saberá do que aconteceu aqui hoje à noite.

O corpo de Licinia jamais será encontrado.

-Você está protegida. -Não.

Descobrirão.

Verão o que aconteceu nos meus olhos.

Então, ficará aqui comigo

até que seus olhos voltem ao normal.

Tivemos as nossas diferenças, mesmo que veladas,

mas eu sei que é uma amiga de verdade.

Este será o nosso segredinho.

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