All language subtitles for Hedda.1975_PC

af Afrikaans
ak Akan
sq Albanian
am Amharic
ar Arabic Download
hy Armenian
az Azerbaijani
eu Basque
be Belarusian
bem Bemba
bn Bengali
bh Bihari
bs Bosnian
br Breton
bg Bulgarian Download
km Cambodian
ca Catalan
ceb Cebuano
chr Cherokee
ny Chichewa
zh-CN Chinese (Simplified)
zh-TW Chinese (Traditional) Download
co Corsican
hr Croatian Download
cs Czech
da Danish
nl Dutch
en English Download
eo Esperanto
et Estonian
ee Ewe
fo Faroese
tl Filipino
fi Finnish
fr French Download
fy Frisian
gaa Ga
gl Galician
ka Georgian
de German Download
gn Guarani
gu Gujarati
ht Haitian Creole
ha Hausa
haw Hawaiian
iw Hebrew
hi Hindi
hmn Hmong
hu Hungarian Download
is Icelandic
ig Igbo
id Indonesian
ia Interlingua
ga Irish
it Italian Download
ja Japanese
jw Javanese
kn Kannada
kk Kazakh
rw Kinyarwanda
rn Kirundi
kg Kongo
ko Korean
kri Krio (Sierra Leone)
ku Kurdish
ckb Kurdish (Soranî)
ky Kyrgyz
lo Laothian
la Latin
lv Latvian
ln Lingala
lt Lithuanian
loz Lozi
lg Luganda
ach Luo
lb Luxembourgish
mk Macedonian
mg Malagasy
ms Malay
ml Malayalam
mt Maltese
mi Maori
mr Marathi
mfe Mauritian Creole
mo Moldavian
mn Mongolian
my Myanmar (Burmese)
sr-ME Montenegrin
ne Nepali
pcm Nigerian Pidgin
nso Northern Sotho
no Norwegian
nn Norwegian (Nynorsk)
oc Occitan
or Oriya
om Oromo
ps Pashto
fa Persian
pl Polish
pt-BR Portuguese (Brazil) Download
pt Portuguese (Portugal)
pa Punjabi
qu Quechua
ro Romanian
rm Romansh
nyn Runyakitara
ru Russian Download
sm Samoan
gd Scots Gaelic
sr Serbian
sh Serbo-Croatian
st Sesotho
tn Setswana
crs Seychellois Creole
sn Shona
sd Sindhi
si Sinhalese
sk Slovak
sl Slovenian
so Somali
es Spanish Download
es-419 Spanish (Latin American) Download
su Sundanese
sw Swahili
sv Swedish
tg Tajik
ta Tamil
tt Tatar
te Telugu
th Thai
ti Tigrinya
to Tonga
lua Tshiluba
tum Tumbuka
tr Turkish
tk Turkmen
tw Twi
ug Uighur
uk Ukrainian
ur Urdu
uz Uzbek
vi Vietnamese
cy Welsh
wo Wolof
xh Xhosa
yi Yiddish
yo Yoruba
zu Zulu

Original subtitles

LEGENDAS: LU�S FILIPE BERNARDES

A casa dos nossos sonhos.

Berthe, querida. Seja bem vindo, Sr. George.

Ainda n�o acordaram, senhora.

Deixe-os dormir.

Ser� poss�vel que v�o usar esta sala todo dia?

Precisamos arejar a sala para quando acordarem.

Nunca conseguirei satisfazer a nova patroa.

N�o diga bobagens, Berthe.

Ela � t�o exigente.

O que voc� esperava?

Filha do General Gabler.

Imagine s� como era acostumada quando seu pai era vivo.

Tia Julie! Minha tia querida!

Tinha que vir ver se estava tudo bem.

Que maravilha t�-lo de volta.

N�o tem nada para me contar?

Sim. Inscrevi-me para a vaga de professor.

Professor?

Deixe-me desfazer o la�o.

Oh, George! � como nos velhos tempos.

Isso � que � um chap�u! Um lindo chap�u novo.

Comprei para que Hedda n�o se envergonhe de mim se sairmos juntas.

Voc� � maravilhosa, tia Julie.

Est� tudo saindo t�o certo, n�o � verdade?

Apesar do que fizeram para impedi-lo.

Teve alguma not�cia do Ejlert?

Ejlert L�vborg era o pior de todos.

E agora est� pagando pelo que fez.

Tia Julie! � uma alma perdida, George.

O que ele anda fazendo? Dizem que escreveu um livro.

Depois que eu parti? � o que dizem.

Hedda?

� voc�, Hedda?

Bom dia, Hedda, querida.

Bom dia, Srta. Tesman. T�o cedo. Quanta gentileza.

Espero que a rec�m casada tenha dormido bem em sua nova casa.

Aceitavelmente, obrigada.

Estava dormindo profundamente quando acordei.

Felizmente. Mas sempre leva algum tempo para adaptar-se a novos ambientes.

Oh, n�o! A criada abriu a porta do jardim.

Oh... podemos fech�-la... N�o, por favor, puxe as cortinas.

Sente-se, Srta. Tesman. N�o, obrigada. N�o posso ficar.

O tempo custa muito a passar para a pobrezinha da Irina, deitada o dia inteiro na cama, esperando.

Mande lembran�as. Diga-lhe que passarei l� mais tarde.

George, quase ia me esquecendo!

Trouxe uma coisa para voc�. Tia Julie!

Abra.

N�o acredito, tia Julie. Voc� os guardou. Voc� � um doce!

N�o �, Hedda? Doce? O que �?

Meus chinelos.

Ah, sim, foi s� do que falou durante a lua de mel.

Sim, fizeram muita falta mesmo.

Veja. Uma coisa que n�o me interessa s�o seus chinelos.

Claro!

Mas imagine s�. Tia Irina os bordou para mim quando estava doente de cama.

N�o faz ideia das lembran�as que me trazem.

Mas n�o para mim.

Hedda tem raz�o, George. Mas agora ela faz parte da fam�lia.

Teremos que providenciar outra criada.

Mas... Como?

Veja, deixou seu chap�u velho em cima do sof�.

Hedda! Imagina se chega uma visita e v� isso jogado a�.

� da tia Julie.

Ah, �? Sim.

O chap�u � meu.

E tamb�m n�o � velho, Hedda, querida.

� um lindo chap�u, novinho e maravilhoso.

N�o � t�o maravilhoso assim, George.

Minha sombrinha.

Que tamb�m � meu. N�o da Berthe.

Chap�u e sombrinha novos, que tal, Hedda?

Lindo, encantador.

Antes de ir, olhe bem para Hedda e diga se ela tamb�m n�o � linda e encantadora.

Isso n�o � novidade, George.

Hedda sempre foi linda.

J� reparou como ela engordou na viagem?

Parem com isso.

Sem d�vida.

N�o d� para perceber com esse vestido, mas eu que tenho chance de...

Voc� n�o tem chance de nada.

Que Deus a aben�oe e proteja para o bem de George.

Solte-me.

Agora virei visit�-lo todos os dias.

Sim, fa�a isso, tia Julie.

Obrigada. Diga a Tia Irina que irei visit�-la hoje � tarde.

Adeus. Adeus, querido.

O que voc� est� olhando?

Nada.

Algum problema?

S� estava olhando meu piano. N�o combina com o resto.

Quando receber meu primeiro sal�rio providenciarei uma troca.

N�o quero troc�-lo.

N�o quero me separar dele.

Podemos mud�-lo de lugar e colocar um novo aqui.

Sim, podemos fazer isso.

N�o tem pressa. N�o, claro que n�o.

Quem � que est� vindo ali?

Onde?

� a Sra. Elvsted. Sra. Elvsted?

Esposa do juiz distrital.

O que ela quer aqui? Fomos colegas de escola, mas mal a conhe�o.

Como se chamava antes de se casar?

Srta. Reysing. Uma antiga paix�o?

Durou pouco e foi antes de conhecer voc�.

Uma senhora quer falar consigo. J� esteve aqui mais cedo e...

Mande-a entrar.

Pode entrar.

Minha querida Sra. Elvsted, como vai? Que prazer em v�-la de novo.

Sim, faz muito tempo. Muito tempo mesmo.

Teria vindo ontem, mas soube que estavam viajando.

Fiquei desesperada quando soube que estavam fora.

Desesperada, por qu�? Minha querida Srta. Reysing...

Algum problema?

Sim, e voc�s eram os �nicos a quem podia recorrer.

Ent�o sentemos aqui no sof�. N�o devo me sentar.

Deve, sim. Vamos, sente-se.

O que foi, Sra. Elvsted? Algum problema em casa?

N�o... n�o. Mas � importante que n�o me entendam mal.

Preciso contar-lhes, se � que j� n�o sabem,

que Ejlert L�vborg tamb�m est� aqui.

L�vborg est� na cidade? Ouviu s�, Hedda? Ejlert L�vborg voltou.

Sim, sim, ouvi bem. Chegou h� uma semana.

Sozinho. E, no caso dele, isso � perigoso.

Por que isso haveria de preocup�-la, Sra. Elvsted?

Ele era o tutor das crian�as. Dos seus filhos?

N�o, do meu marido. N�o tenho filhos. Seus enteados, ent�o.

Sim.

N�o sei como dizer, mas...

no desempenho de seu trabalho ele mantinha h�bitos regulares?

Nesses dois �ltimos anos Ejlert L�vborg mudou completamente.

Dois anos! Ouviu s�, Hedda? Ouvi.

Asseguro-lhes que sua conduta tem sido irrepreens�vel.

Por que ele n�o continuou onde estava, com voc� e seu marido?

Ficou entusiasmado demais para ficar conosco ap�s o lan�amento de seu livro na semana passada...

Tia Julie nos contou que ele havia escrito um livro.

Sim, um livro extenso sobre a hist�ria da civiliza��o.

Criou uma grande como��o. N�o diga, que �tima not�cia.

J� esteve com ele?

N�o. Mas com muita dificuldade consegui seu endere�o hoje de manh�.

Desculpe-me, mas o que acho mais estranho � a atitude do seu marido.

Meu marido?

Por que lhe delegou essa tarefa e n�o foi ele mesmo procurar seu amigo?

Meu marido n�o tem tempo e...

eu tinha mesmo que fazer umas compras.

Bem, se tinha compras a fazer...

Rogo-lhe que seja gentil com Ejlert L�vborg, Sr. Tesman.

Vai acabar envolvendo-se com m�s companhias. E deve vir procur�-los...

j� que foram t�o amigos h� alguns anos e est�o trabalhando na mesma �rea, n�o?

Eu lhe imploro, prometa-me que ficar� de olho nele.

Com todo prazer, Srta. Reysing. Elvsted.

Prometo fazer o que puder por Ejlert.

Obrigada!

Mil vezes obrigada!

Meu marido tem tanta dedica��o por ele.

Acho que deve escrever para L�vborg, querido. �?

Pode ser que n�o venha espontaneamente.

Talvez tenha raz�o, Hedda.

Quanto antes melhor. Escreva hoje, agora.

Tem seu endere�o, Sra. Rey... Elvsted.

Aqui est�. �timo.

Escreverei no escrit�rio.

E que seja longa, simp�tica e calorosa. Com certeza.

Mas n�o mencione que foi a meu pedido.

Claro, j� tinha entendido.

Muito bem. Assim matamos dois coelhos com uma cajadada.

Como assim? Queria me livrar dele mesmo.

Para que escrevesse a carta? Para falar a s�s com voc�.

A respeito disso? Sim, a respeito disso.

Mas n�o h� nada mais a dizer, Srta. Tesman. Nada.

H� muito mais, sim. Isso ficou claro agora.

Sentemo-nos aqui para ficarmos mais � vontade.

Sra. Tesman, tenho mesmo que ir.

Ora, ora, por que a pressa?

Pronto.

Conte-me sobre sua casa.

� a �ltima coisa de que quero falar.

Pode confiar em mim. Fomos colegas de escola.

Sim, mas um ano mais adiantada. Voc� me assustava.

Eu a assustava? Sim, muito.

Sempre que cruz�vamos nas escadas voc� costumava puxar meu cabelo.

N�o diga! Sim, e uma vez disse que poria fogo neles.

Sim, mas aquilo era s� brincadeira de colegiais, voc� sabe.

Mas eu era muito impressionada naqueles dias.

Enfim, nossas vidas tomaram rumos bem diferentes.

�ramos de classes sociais bastante diferentes.

Ent�o tratemos de juntar nossos rumos novamente.

Na escola costum�vamos nos tratar pelo primeiro nome.

Voc� se engana. N�o me engano, n�o.

Agora ent�o vamos nos contar tudo como antigamente.

Pronto...

Precisa aceitar-me como uma verdadeira amiga e chamar-me de Hedda.

Voc� � muito gentil.

N�o estou acostumada a tanta amabilidade.

Ora...

e voc� ser� minha amiga e eu a chamarei de Thora, como sempre.

Thea. Meu nome � Thea.

Sim, � o que eu quis dizer.

N�o est� acostumada a amabilidades, nem em casa?

Se pelo menos eu tivesse uma. Mas nem isso eu tenho.

Nunca tive. Imaginei que fosse algo assim.

Sim, sim... Sim.

Se n�o me falha a mem�ria, voc� n�o come�ou como dom�stica na casa do Sr. Elvsted?

N�o, como governanta. Sua esposa... falecida esposa era inv�lida.

Ficava a maior parte do tempo na cama e acabei tendo que cuidar da casa tamb�m.

E acabou cuidando... dele tamb�m.

Sim. Quanto tempo faz isso?

Que me casei? Sim.

Cinco anos. Cinco anos?!

Esses cinco anos, especialmente os �ltimos tr�s ou quatro, voc� nem imagina, Sra. Tesman...

Sra. Tesman? Thea!

Perd�o.... Hedda.

N�o faz ideia.

Ejlert L�vborg esteve l� uns tr�s anos, n�o?

L�vborg... sim. E ele costumava visitar voc� e seu marido?

Todo dia. Oh!

Dava aula para as crian�as. Eu n�o podia fazer tudo sozinha...

Claro, sobretudo com seu marido sempre fora...

Sim...

O juiz Distrital � respons�vel por...

toda a regi�o. Oh, Thea!

Pobre Thea, precisa me contar tudo, tudo.

Sim.

Ent�o me pergunte.

Muito bem.

Seu marido n�o � velho demais para voc�?

Sim. N�o temos nada em comum.

Mas certamente ele a ama � sua maneira.

N�o sei o que ele sente. Sinto-me uma in�til.

Mas n�o peso muito no bolso dele. Sou barata.

Que idiotice. Ele s� gosta dele mesmo.

E Ejlert L�vborg. Ejlert L�vborg?

Ele n�o a mandou procur�-lo? Foi o que disse a meu marido.

Disse?

Disse, sim.

Bem, � melhor que eu diga logo.

Meu marido n�o sabe que eu vim aqui.

O qu�? Seu marido n�o sabe?

Claro que n�o. Ele nem estava em casa. Estava fora a servi�o.

Eu n�o aguentava mais, Hedda. Estava imposs�vel.

Doravante eu estaria sozinha naquela casa. Ent�o...

Fiz minhas malas e peguei um trem para a cidade.

Thea, querida, como voc� se atreveu?

O que mais podia fazer? O que seu marido dir� quando voltar?

Voltar? Sim, voltar para ele.

N�o voltarei mais para ele.

Est� dizendo que o deixou de vez? Sim.

Era s� o que me restava fazer. E est� fazendo-o abertamente.

Esse tipo de coisa n�o pode ser mantida em segredo. Mas as pessoas v�o falar.

Falem o que quiserem.

S� fiz o que tinha que ser feito.

Mas o que far� agora, como vai viver?

Ainda n�o sei.

S� sei que onde Ejlert L�vborg for, eu tamb�m irei.

Isto �, se for para eu sobreviver.

Como come�ou essa amizade com Ejlert L�vborg?

Bem, foi uma coisa gradual.

N�o sei como, acabei exercendo um certo poder sobre ele.

N�o diga!

Parou de beber, n�o porque lhe pedisse,

mas porque percebeu que eu detestava.

Ent�o voc� o regenerou, minha Thea.

Isso mesmo.

Regenerou-o.

Sim, pelo menos � o que ele diz.

Mas, de certa maneira, ele fez o mesmo por mim.

Ensinou-me a pensar e a compreender tantas coisas.

Pela primeira vez ele fez-me acreditar que eu era um ser humano.

Tamb�m deu aulas?

N�o. N�o aulas, precisamente. Mas ele costumava falar de...

ora, tudo sobre a vida.

Mas a� aconteceu a coisa mais interessante.

Pediu-me que o ajudasse com seu trabalho.

O que voc� fez.

Sim. Sempre que se punha a escrever pedia que o fiz�ssemos juntos.

Como companheiros. Companheiros?

Hedda, era exatamente essa palavra que ele usava.

Como eu gostaria que isso fosse duradouro. Por qu�, n�o est� segura dele?

Em algum lugar entre mim e Ejlert L�vborg...

existe a lembran�a de outra mulher.

Quem?

N�o sei. Algu�m do seu passado.

O que ele disse a seu respeito?

S� a mencionou uma vez. O que ele disse?

Disse que quando se separaram ela tentou atirar nele com um rev�lver.

Que absurdo!

Ningu�m faria uma coisa dessas, pelo menos n�o aqui.

Por isso mesmo achei que poderia ser aquela cantora ruiva, como se chama?

Mademoiselle Diana! Sim, � prov�vel.

Lembro-me que diziam que ela andava armada.

Ent�o deve ser ela mesmo.

Acha mesmo? Pois soube que ela est� na cidade. Fico desesperada de pensar...

Isso fica entre n�s.

Meu Deus, claro!

Pronto, assinado e lacrado.

Acho que a Sra. Elvsted precisa ir.

Berthe!

Vou at� o port�o com a Sra. Elvsted.

Aceitam uma visita a essa hora da manh�?

Juiz Brack! Claro que sim!

� sempre bem vindo.

Sr. Brack, Srta. Reysing.

� um prazer.

� t�o bom v�-lo � luz do dia, Sr. Brack.

Sou muito diferente? Sim, um pouco mais jovem.

Muito obrigado.

N�o acha que Hedda est� bem?

Ela engordou na viagem.

Chega de falar de mim! Agrade�a ao juiz pelo trabalho que demos a ele!

Nada disso, foi um prazer.

Voc� � um verdadeiro amigo.

Ah, mas a Sra. Elvsted precisa partir.

N�o demorarei.

Com licen�a.

Ent�o...

e sua esposa, est� satisfeita?

Muito. Nem sabemos como agradecer por tudo que tem feito.

Hedda acha que teremos que fazer algumas mudan�as

Ainda precisamos de algumas coisas.

Isto �, pequenos detalhes que faltam providenciar. � mesmo?

Mas n�o se preocupe. Hedda disse que se encarregaria de tudo.

Sente-se. Obrigado, mas n�o demorarei.

Preciso falar com voc�, Tesman. � mesmo?

J� sei. Regalei-me, agora preciso acertar as contas.

Seu amigo Ejlert L�vborg est� na cidade.

J� soube.

Como?

A Srta. Elvsted nos contou.

Elvsted, claro.

L�vborg est� morando l� com eles.

Quem diria, ela disse que ele est� nos trilhos novamente.

� o que dizem. N�o � �timo?

E seu livro est� sendo muito bem falado.

Muito. N�o � uma boa not�cia?

Ejlert L�vborg com todo aquele talento.

Achei que tinha se perdido de vez.

� o que todos achavam.

Volte hoje � noite.

Voc� � muito am�vel, Hedda.

Obrigada.

Mas n�o sei o que ele vai fazer agora.

Como assim?

Vai viver de qu�?

Meu marido s� pensa nisso: do que as pessoas v�o viver.

Estamos falando do Ejlert, coitado.

Estavam? Qual � o problema dele?

Deve ter gastado todo o dinheiro que herdou. N�o d� para escrever um livro todo ano.

Da� eu me pergunto: do que ele vai viver?

Acho que posso responder. Pode?

Devemos lembrar que possui amigos influentes. Mas eles o renegaram.

Nunca se sabe. Afinal, ele n�o foi regenerado pelos Elvsted?

E seu livro foi publicado.

Espero que fa�am alguma coisa por ele.

Ah, Hedda, pedi na carta que ele viesse aqui hoje � noite.

Mas voc� n�o vai � reuni�o apenas para homens logo mais na minha casa?

Prometeu-me ontem que iria.

Esqueceu-se, n�o? Veja s�, esqueci mesmo.

N�o se preocupe. � improv�vel que L�vborg apare�a.

Por qu�? Caro Tesman... e voc� tamb�m, Sra. Tesman...

n�o seria justo esconder de voc�s certos desdobramentos...

Envolvendo Ejlert?

Envolvendo ele e voc�s dois.

Pode falar.

Existe a possibilidade de que a indica��o seja decidida mediante concorr�ncia.

Concorr�ncia?

Hedda! Ora, ora, ora.

Entre quem?

Certamente, n�o...

Entre voc� e Ejlert L�vborg.

Mas isso � imposs�vel, � impens�vel!

Mesmo assim. Mas escuta, Brack...

isso seria uma total falta de considera��o comigo.

Sou um homem casado. Hedda e eu nos casamos por causa das minhas perspectivas.

Estou at� o pesco�o com d�vidas.

A indica��o me foi prometida! Calma, calma, rapaz.

Estou certo que acabar� sendo indicado, s� que antes dever�o concorrer.

Parecer� at� um esporte.

Como pode falar desse jeito?

De que jeito? Mal posso esperar para ver quem vai ganhar.

Independentemente do desfecho, Sra. Tesman,

� importante que compreenda sua posi��o antes que comprar os tais detalhes que faltam.

N�o far� diferen�a alguma nos meus planos.

�timo. Ent�o n�o se fala mais nisso.

Adeus. Adeus, Sr. Brack, volte sempre.

Muito obrigado.

Adeus.

Adeus. Adeus, caro Brack.

Mas me desculpe, agora n�o sei mais o que vou fazer.

Voltarei � tarde para peg�-lo ap�s minha caminhada.

Pelo menos temos esta bela casa.

N�o se esque�a, Hedda, � a casa que nos fascinou.

Diria at� a casa dos nossos sonhos.

Sempre ficou claro que ter�amos uma casa onde pud�ssemos receber...

Sim, eu tamb�m sonhava com isso,

voc� como anfitri�, cercada de um grupo seleto de amigos...

Bem, por enquanto teremos que nos contentar apenas com n�s dois.

Podemos receber tia Julie de vez em quando...

Eu sei, n�o era para ser assim.

Por enquanto n�o poderei ter um mordomo tampouco.

Claro que n�o, n�o temos dinheiro para...

Um cavalo de ra�a ent�o, nem pensar... Um cavalo? Imposs�vel.

Bem, pelo menos uma coisa eu posso usar para passar o tempo.

Que bom, o que �? Minhas pistolas, George.

Pistolas? As do General Gabler.

Pelo amor de Deus, Hedda. N�o toque naquelas coisas.

Hedda!

Hedda, isso � perigoso.

Hedda.

Hedda, estou-lhe pedindo!

Ol�, novamente, Sr. Brack! Sra. Tesman!

Vou atirar em voc�.

N�o aponte isto para mim.

N�o! N�o! N�o!

N�o!

� o que merece por entrar pelos fundos.

Ficou louca?

Ora, eu n�o acertei em voc�, acertei?

Pare com isso.

Ent�o entre.

Minha nossa, ainda brinca com essas coisas?

Em que estava atirando?

Para o c�u.

Se me permite.

Ah, sim, eu me lembro desta.

Obrigado, pois hoje n�o vamos mais brincar com isso.

Ent�o o que hei de fazer para me distrair?

N�o tem recebido visitas? Vivalma.

Todos os nossos conhecidos ainda devem estar fora.

Tesman tamb�m n�o est�? N�o.

Assim que almo�ou, correu para visitar as tias.

Acho que n�o o esperava t�o cedo.

Por que n�o pensei nisso antes?

Tolice minha. Tolice por qu�?

Se soubesse teria vindo mais cedo ainda.

Se tivesse vindo mais cedo n�o teria encontrado ningu�m.

Depois do almo�o fiquei no meu quarto mudando de roupa.

N�o poder�amos nos comunicar nem pela fresta da porta?

Esqueceu-se de providenciar uma ao supervisionar as reformas.

Que tolice minha.

Teremos que esperar sentados. Ele ainda deve demorar.

Tentarei ser paciente.

Ent�o?

Ent�o? Eu perguntei primeiro.

Vamos nos engajar num agrad�vel t�te-�-t�te.

S� n�s dois, Madame Hedda.

Parece que n�o nos falamos h� s�culos.

Trocamos algumas palavras ontem � noite e hoje de manh�, mas isso n�o conta.

Diferentemente de agora.

Sozinhos, juntos.

"Intime", � isso que quer dizer?

Mais ou menos.

Todos os dias tediosos em que esteve fora como eu torci para que voltasse.

E todos os dias tediosos em que estive fora eu torci pela mesma coisa.

Madame Hedda!

Mas estava certo de que tinha adorado seu "grand tour".

Adorei!

� o que Tesman dizia em suas cartas.

Mas ele se divertiu muito. Vasculhar bibliotecas � sua ideia de divers�o.

Afinal, essa � sua voca��o. Em parte.

Sim, mas n�o � a minha.

N�o, meu caro juiz, eu estava absolutamente enfadada.

N�o diga!

Ponha-se no meu lugar.

Imagine passar seis meses sem encontrar ningu�m das suas rela��es.

Ningu�m com quem falar.

Sim, a experi�ncia deve ter deixado a desejar.

O que nos leva � pior parte.

Qual? Imagine ter que ficar eternamente com a mesma pessoa.

Ah, entendi.

Em todos os momentos imagin�veis, dia e noite.

Eu disse eternamente.

Sim, � verdade. Mas pensei que com nosso amigo Tesman...

N�o se esque�a, George Tesman � um estudioso.

E estudiosos nunca s�o os melhores companheiros de viagem.

Nem um estudioso por quem se esteja apaixonado?

N�o.

N�o me venha com essa tolice sentimental e rom�ntica.

O que foi, minha querida?

Experimente voc� mesmo.

Escutar uma pessoa horas a fio a falar sobre a hist�ria da civiliza��o

dia e noite, noite...

Eternamente.

Touch�.

E tem a quest�o da ind�stria algodoeira de Brabante na Idade M�dia,

a parte mais ma�ante de todas.

Diante do que est� dizendo, s� n�o entendo por que..

Por que... Por que resolvemos nos unir?

Em outras palavras, sim.

� t�o extraordin�rio assim? Sim.

E n�o, Madame Hedda.

Oh!

Diverti-me at� n�o poder mais. Quando vi, o tempo havia-se esgotado.

Mas n�o devo falar assim, muito menos pensar.

N�o tem raz�o alguma para pensar uma coisa dessas.

Ora, raz�o!

E temos que admitir, George Tesman � um bom homem.

Bom e equilibrado, sem d�vida.

Tamb�m n�o diria que � rid�culo, e voc�?

Rid�culo?

Rid�culo eu n�o diria.

E, sendo um pesquisador incans�vel, � prov�vel que acabe conseguindo alguma coisa.

Pensei que voc� fosse da opini�o de todos...

que ele acabaria se tornando um homem muito importante.

Pensei mesmo.

Mas quando ele insistiu de forma irredut�vel

que eu deveria dar-lhe a honra de me sustentar n�o tive como recusar.

Colocado dessa maneira, claro que n�o.

Ainda mais porque outros amigos n�o estavam dispostos a fazerem o mesmo... querido juiz.

N�o posso falar pelos outros,

mas voc� sabe que a institui��o do casamento sempre me causou um certo espanto.

Falando de forma abstrata, Madame Hedda.

Nunca alimentei esperan�as com voc�.

Tudo que desejo � um c�rculo de amigos �ntimos a quem eu possa atender...

de alguma forma...

sem contudo me fazerem abdicar da minha liberdade.

Ou seja, um amigo �ntimo.

Do marido.

De prefer�ncia da mulher, na verdade.

Mas do marido tamb�m, claro. Uma rela��o, digamos...

triangular...

pode satisfazer a todos os envolvidos.

Sim, com toda certeza.

Quantas vezes eu sonhei com uma terceira pessoa na lua de mel,

sempre sozinha com apenas uma outra pessoa nas cabines dos trens.

Mas felizmente sua viagem terminou.

N�o, ainda vai durar muito. Isto � apenas uma escala.

Nesse caso, voc� devia saltar e dar uma espairecida.

Eu nunca salto. Nunca?

N�o. Porque sempre haver� algu�m...

Esperando para espreitar suas pernas.

Como voc� disse.

Mesmo assim. N�o gosto disso.

Prefiro ficar onde estou.

Dentro da cabine, sozinha com a outra pessoa.

Muito bem.

E se entrasse uma terceira pessoa...

para juntar-se �s outras duas?

Isso seria bem diferente.

Um amigo solid�rio, �ntimo... Divertido e que falasse de assuntos variados?

De forma alguma um estudioso.

Que al�vio!

Berthe!

O tri�ngulo est� completo.

E o trem prossegue viagem.

Puxa, como est� pesado.

Brack, meu caro, n�o sabia que estava aqui.

Entrei pelos fundos.

Que livros s�o esses?

S�o novas publica��es. Trabalhos de estudiosos.

Trabalhos de estudiosos? Trabalhos de estudiosos, Sra. Tesman.

Ah, e tamb�m comprei o livro de Ejlert. Quer ver?

N�o, obrigada.

Bem, levarei tudo para o escrit�rio para me distrair cortando as p�ginas.

Depois vou me aprumar um pouco.

Ah, Hedda, preciso lhe dizer...

Tia Julie n�o poder� vir hoje � noite.

Por qu�, � a hist�ria do chap�u?

Claro que n�o.

Tia Irina est� muito doente. Mas ela sempre est�.

Sim, mas hoje muito mal.

Nada mais justo que uma delas fique com a outra.

Terei que dar um jeito.

Voc� nem imagina como tia Julie ficou contente que voc� tenha engordado na viagem.

As eternas tias... O qu�?

Nada.

Ah... muito bem.

Que hist�ria � essa de chap�u? Hm?

Ah, foi hoje de manh�.

A srta. Tesman largou o chap�u nessa cadeira e eu fingi pensar que era da empregada.

Ch�re, ch�re madame, como p�de fazer isso com uma senhorinha t�o simp�tica?

N�o consigo controlar esses meus impulsos.

N�o consigo refre�-los nem tampouco explic�-los.

Pois eu consigo.

Voc� n�o est� feliz.

Por que deveria estar feliz? V� raz�o para isso?

Para come�ar, conseguiu esta casa que sempre quis.

Acredita nesse conto de fadas?

N�o tem fundo de verdade? Algum.

Quanto? Tanto assim.

Ano passado eu usei George Tesman para me trazer de volta dos bailes.

Infelizmente eu estava indo em outra dire��o.

Verdade, ano passado voc� estava indo numa dire��o bastante diferente.

Que coisa feia, madame Hedda!

E a�, voc� e Tesman?

Passamos por aqui uma noite e...

o coitado estava t�o aflito por falta de assunto que comecei a sentir pena do nosso estudioso.

N�o me diga. Sim.

Muita pena.

Ent�o, para livr�-lo de seu sofrimento, eu disse: "Oh, eu sempre quis morar aqui nesta villa."...

como quem n�o quer nada.

S� disse isso? Naquela noite, sim.

E depois? Claro, minha insensatez tinha que ter suas consequ�ncias.

Infelizmente � o que costuma acontecer.

� muita gentileza sua dizer.

Ent�o agora j� sabe que minha paix�o inexistente pela villa de Lady Falk

levou a um entendimento m�tuo entre mim e George Tesman

que levou a um noivado, que levou a um casamento,

que levou a uma lua-de-mel, que levou a...

ora, ora...

Eu...

O qu�?

Ia dizer que fiz minha cama, agora tenho que deitar nela.

Que situa��o deliciosa!

Mas agora que est� aqui n�o acha razoavelmente confort�vel?

O que sinto � esse cheiro de lavanda e naftalina infestando toda a casa,

sem contar o cheiro que a tia Julie traz com ela.

� mais prov�vel que seja o cheiro deixado pela falecida Lady Falk.

Sim, tem raz�o, � um cheiro de morte.

Como um buqu� no dia seguinte de um baile.

N�o faz ideia do quanto vou entediar-me aqui.

Deve tentar encontrar algum objetivo na vida.

Nunca fez nada que exigisse tudo de si.

Quer dizer nada s�rio? Sim.

Imagine se tivesse que assumir uma grande miss�o como dizem...

a mais sagrada das responsabilidades, uma nova responsabilidade, petite madame...

Pare com isso. Nem morta.

Isso � o que veremos daqui a um ano.

N�o tenho talento para esse tipo de coisa.

Nada que exija muita responsabilidade de mim.

Mas devia, � a voca��o de toda mulher.

Chega, j� disse!

Na verdade, �s vezes acho que para uma coisa eu tenho talento.

Qual �, posso saber? Talento para me entediar, fique sabendo.

Hedda. Na hora certa, entra o professor!

Hedda! Cuidado, madame Hedda!

Chegou algum recado de L�vborg dizendo se vinha?

N�o.

Ent�o deve estar chegando.

Acha que ele vir�?

Acredito que sim. Aquilo que disse hoje de manh� n�o passa de um boato.

�? Sim.

Segundo tia Julie ele nunca haveria de amea�ar minha carreira novamente.

Nesse caso, n�o h� com que se preocupar.

Importa-se de esperar por L�vborg?

De jeito nenhum.

Na pior das hip�teses o Sr. L�vborg pode ficar aqui comigo.

Na pior das hip�teses?

Se ele declinar de acompanh�-los.

Mas isso n�o ficaria bem. Lembre-se que tia Julie n�o poder� vir hoje.

Mas eu pedi que a Sra. Elvsted viesse.

Ah, ent�o muito bem.

Acho que essa seria uma s�bia decis�o. Por qu�?

Ora, minha cara, voc� mesma sempre criticou minhas festinhas de solteiros.

N�o disse que s� eram apropriadas para homens de princ�pios r�gidos?

Esse pode n�o ser o perfil do Sr. L�vborg, mas ele � um pecador regenerado.

� ele com certeza. Imagine!

Um cavalheiro deseja falar com a senhora.

Mande-o entrar.

Meu caro Ejlert.

Enfim.

Obrigado pela carta, George.

Posso cumpriment�-la, Sra. Tesman?

Como vai, Sr. L�vborg?

Voc�s dois...? Sr. Brack? Claro que sim.

Faz alguns anos.

Vamos, fique � vontade, Ejlert.

N�o �, Hedda? Soube que est� pretendendo morar aqui novamente.

Sim, � verdade. E faz bem.

Acabei de comprar seu livro, mas ainda n�o tive tempo de l�-lo.

Ent�o nem se preocupe. Por qu�?

N�o tem muito o que ler.

Que coisa mais estranha de se dizer.

Soube que foi muito bem recebido.

� o que eu queria, por isso escrevi um livro com que todos concordassem.

Foi muito inteligente. Sim, mas Ejlert...

Entenda, estou tentando me soerguer.

Conseguir um emprego, recome�ar.

Entendo... n�o diga.

Mas quando este aqui for publicado, George Tesman, � este que dever� ler.

Este � meu primeiro livro de verdade. Que tipo de livro �?

� uma continua��o. Continua��o de qu�?

Daquele.

Mas o novo livro chega at� os dias atuais.

Sem d�vida. Mas este � sobre o futuro.

Mas n�s n�o sabemos nada sobre o futuro. Claro que n�o.

Mas sempre d� para falar alguma coisa.

Pensei em ler uns trechos esta noite.

� muita gentileza, mas infelizmente n�o ser� poss�vel.

Ah. Ent�o qualquer outra hora. N�o tem pressa.

Deixe-me explicar, L�vborg.

Farei uma reuni�o s� para homens em minha casa em homenagem ao Tesman.

N�o quero prend�-los. Mas seria um grande prazer se voc� viesse.

N�o, n�o posso. Ora, venha, por favor.

Ser� um grupo seleto e animado.

E asseguro-lhe que todos se divertir�o grandemente, como diria Madame Hedda...

Como diria a Sra. Tesman.

Sem d�vida.

Pode levar seu manuscrito e l�-lo para Tesman. H� bastante espa�o...

Que tal, Ejlert, pode ler para mim l�.

Obviamente o Sr. L�vborg n�o deseja ir, querido.

Com certeza prefere ficar aqui e jantar comigo.

Com voc�, Sra. Tesman? E a Sra. Elvsted.

Passei por ela hoje de manh�. � mesmo?

Pois ela vir� esta noite e voc� tem que ficar,

caso contr�rio ela n�o ter� que a leve para casa.

Obrigado, Sra. Tesman. Ent�o eu ficarei.

�timo. Direi � criada.

Vai fazer alguma palestra sobre essa sua hist�ria de futuro?

Sim.

Foi o que disseram na livraria. E que seria no outono.

Espero que n�o se aborre�a.

Claro que n�o. Imagino como tudo isso deve ser exasperante para voc�.

N�o posso esperar que adie por minha causa.

Esperarei at� que sua indica��o seja confirmada.

Como assim, esperar�? Voc� tamb�m n�o est� concorrendo?

N�o.

N�o estou interessado em emprego.

Meu Deus! Tia Julie tinha raz�o.

Hedda! Hedda, voc� ouviu?

Ejlert n�o vai concorrer.

N�o vai afetar nos nossos planos. Nossos? Deixe-me fora disso!

Estariam interessados num ponche gelado?

Seria um �timo aperitivo. Boa ideia.

N�o � maravilhoso? Sinto-me t�o aliviado... Voc� tamb�m, Sr. L�vborg?

N�o, obrigado.

Oh? Ora, ponche n�o � nenhum veneno.

Para todos, n�o.

Pois bem, eu cuidarei do Sr. L�vborg enquanto voc�s dois v�o beber.

Fa�a isso, Hedda, querida.

Ent�o, o que tem a dizer dos boatos agora? Com o sucesso do livro � at� compreens�vel.

Se gostar, posso mostrar-lhe umas fotografias.

Passamos pelo Tirol austr�aco na volta.

V� essas montanhas? Fazem parte da cadeia de Allg�u.

Meu marido escreveu em baixo. "Esta � a cadeia Allg�u."

Hedda Gabler... Shhh.

Hedda Gabler.

Casada... casada com George Tesman. Sim, essa � a situa��o.

Como p�de estragar sua vida assim? Pare! N�o admito que fale assim!

N�o admite o qu�?

E essa � uma vista do Vale de Ampezzo. Essas montanhas...

Oh... como se chamam essas montanhas estranhas, querido?

Deixe ver... oh, s�o as Dolomitas.

Claro, s�o as Dolomitas, Sr. L�vborg.

Hedda, n�o gostaria que trouxesse o ponche c� para dentro?

Pelo menos para voc�.

Sim, e tamb�m uns biscoitos.

Um cigarro? N�o obrigada.

Diga, Hedda, querida...

como p�de?

Se me chamar de querida mais uma vez, n�o falarei mais com voc�.

Nem sozinhos? N�o. Se quiser pense, mas n�o diga.

Entendo.

Sente-se ofendida porque est� apaixonada por George Tesman.

Paix�o? N�o � paix�o.

N�o serei infiel. Isso eu n�o admito.

Hedda, diga-me uma coisa...

Olha quanta coisa eu trouxe para voc�s.

O que est� fazendo com isso? Por que n�o mandou a Berthe trazer?

Por que adoro poder servi-la eu mesmo.

Ah!

Mas voc� trouxe dois copos e o Dr. L�vborg disse que n�o queria.

Mas a Sra. Elvsted j� deve estar chegando.

Mas � claro, a Sra. Elvsted! Esqueceu-se, hein?

Est�vamos t�o entretidos com essas fotografias.

Lembra-se desse vilarejo?

� aquela logo abaixo da Passagem de Brenner, onde passamos a noite...

E encontramos todos aqueles turistas simp�ticos.

Aqueles simp�ticos turistas.

Seria t�o bom se estivesse conosco, Ejlert.

Bem...

Hedda, diga-me uma coisa. O qu�?

O que voc� sentia por mim? Havia algum amor?

Nem algo que se aproximasse?

Ser�? Sempre achei que f�ssemos amigos, amigos �ntimos...

companheiros que podiam abrir-se um com o outro...

� o que voc� queria.

Pensando bem, o que sent�amos mesmo era excita��o.

Sim, porque era perigoso.

Pr�ximos como �ramos e sem deixar que ningu�m soubesse...

exigia coragem.

Exigia coragem, sim.

Aquelas tardes, quando eu vinha visitar o General,

ele sempre sentado � janela lendo os jornais, de costas para n�s...

Ele sempre se sentava no sof� do canto...

Fing�amos estar lendo alguma revista...

sempre a mesma revista.

Isso porque n�o disp�nhamos de um �lbum de fotos...

Eu costumava fazer confiss�es, Hedda...

contava-lhe coisas minhas que ningu�m sabia.

Confessava-lhe dos dias e noites que me arrastava por a�, b�bedo...

noites e dias, dias e noites...

O que havia em voc�, Hedda, que me for�ava a confessar aquelas coisas?

Que poder era esse? Acha que era um poder meu?

Que outra explica��o h�?

Lembro de todas aquelas perguntas que voc� fazia.

Sempre de forma indireta. Mas voc� sempre entendia perfeitamente.

Exatamente. Ent�o aquilo n�o era amor?

Quando se tornou minha confessora...

pretendendo purificar e absolver-me dos meus pecados,

N�o era? N�o exatamente.

Ent�o, por que fazia aquilo?

� t�o dif�cil assim de entender?

Uma jovem a quem � dada a oportunidade, sem ningu�m saber...

O que eu devo compreender?

...que essa jovem anseie por conhecer um pouco dessa vida que lhe � negada.

Ent�o foi isso. Isso tamb�m...

Unidos por nossa m�tua sede de viver.

Ent�o por que n�o continuamos? Culpa sua.

Foi voc� que acabou. Sim, quando voc� mudou o jogo e quis levar a s�rio.

Devia envergonhar-se, Ejlert L�vborg.

Tentou prevalecer-se de sua inocente companheira confi�vel.

Por que n�o levou adiante?

Disse que ia atirar em mim. O que a impediu?

Medo do esc�ndalo.

Hedda...

Voc� � uma covarde. Uma grande covarde.

Preciso confessar algo.

O qu�?

Na noite em que ameacei atirar e n�o me atrevi.

Continue.

Naquela noite fui covarde por outra raz�o.

Thea, querida, enfim! J� estava t�o ansiosa.

Acho que devia cumprimentar seu marido.

N�o precisa, eles j� est�o de sa�da mesmo.

V�o sair? Sim, v�o sair de cena.

Voc� n�o vai, vai? N�o.

N�o, o Sr. L�vborg ficar� aqui conosco.

� t�o bom estar aqui.

A�, n�o, Thea. Quero ficar entre voc�s dois. Venha sente-se aqui.

Muito bem, como quiser.

Ela n�o � linda?

S� de olhar para ela j� � bom.

S� de olhar?

Sim, pois n�s dois, eu e ela, somos companheiros mesmo.

Estou t�o feliz, Hedda. Sabe o que Ejlert diz?

Diz que eu o inspirei.

� mesmo? E ela n�o apenas fala daquilo em que acredita.

Mas tem a coragem de agir conforme.

Tome um ponche, querida. Oh, n�o obrigada. Nunca bebo.

Nesse caso, insisto que voc� tome um, Sr. L�vborg.

Eu tamb�m n�o. Sim, ele tamb�m nunca bebe.

E se eu quiser que tome?

N�o far� diferen�a.

Ent�o n�o tenho poder algum sobre voc�.

Em se tratando de ponche, n�o.

Firme como uma rocha.

Voc� � um homem de princ�pios r�gidos, como todo homem deve ser.

N�o foi o que eu lhe disse hoje de manh�, quando voc� chegou desesperada?

Hedda! N�o vejo por que ficar t�o aflita e temerosa por causa dele.

O que significa isso, Sra. Tesman? O que est� dizendo, Hedda? O que est� fazendo?

Shhh! Ent�o � isso que chama de confian�a absoluta!

Querido, deixe-me explicar!

� sua sa�de, Thea.

Hedda, era isso que queria que acontecesse?

N�o seja absurda. � sua sa�de, Sra. Tesman.

Obrigado pela verdade.

� verdade.

Chega. Lembre-se que vai a uma festa. N�o! N�o!

V�o ouvi-la.

Thea, diga-me a verdade. Sim!

Seu marido sabe que veio me procurar aqui?

Est� vendo, Hedda?

Voc�s dois decidiram ficar de olho em mim na grande cidade? Quem sabe seu marido a for�ou a isso?

J� sei.

Ele me quer de volta no escrit�rio. Ou talvez um parceiro para o bridge.

Ejlert! Ejlert!

Sim o Juiz Distrital Elvsted...

Chega. Lembre-se que vai ler seu livro para meu marido.

Desculpe-me, Thea.

Sou um tolo por reagir dessa forma.

Posso ter-me tornado um in�til, ter levado uma vida de dissipa��o

mas agora estou de p� novamente.

Gra�as a voc�, Thea.

Gra�as a Deus!

Bem, est� na hora. Sra. Tesman. Est�, sim.

Para mim tamb�m, Sr. Brack!

Ejlert, n�o! Eles v�o ouvi-la!

Ai!

Fez a gentileza de convidar-me.

Mudou de ideia? Sim.

Se n�o se importa.

O prazer � todo meu.

Antes de entreg�-lo, quero discutir algumas coisas com voc�, George.

�timo!

Mas, espere... Hedda, como vamos fazer para a Sra. Elvsted voltar?

Posso voltar para peg�-la �s 10:00. Est� bom para voc�, Sra. Tesman?

Muito bem.

Ent�o? Vamos nos divertir?

Boa noite, senhoras. Boa noite, senhoras. Boa noite.

At� as 10:00.

Hedda.

Hedda, o que vai acontecer?

�s 10:00 ele voltar�.

D� para v�-lo ali em p�...

com uma coroa de louros...

radiante... forte...

Sim, espero que sim.

Espero que sim.

E s� ent�o ele ser� novamente senhor de si.

Estar� livre para o resto da vida.

Espero que volte assim, exatamente como o v�.

Voltar�, sim, exatamente como vejo.

Duvide o quanto quiser. Eu acredito nele. Ver� quem tem raz�o.

Est� escondendo alguma coisa, Hedda.

Sim.

Uma vez na vida quero ter poder sobre o destino de algu�m.

J� n�o tem isso? N�o, nunca tive.

Mas e seu marido? Como se isso valesse alguma coisa.

N�o faz ideia de como sou pobre.

E voc� tem a chance de ser t�o rica.

Afinal, acho que porei mesmo fogo no seu cabelo.

Solte-me! Solte-me.

Voc� est� me assustando. Solte...

O ch� est� pronto na sala de jantar, senhora.

Sim, j� vamos. N�o! Prefiro ir para casa agora, sozinha.

N�o seja t�o bobinha.

Precisa tomar um chazinho.

A�, �s 10:00, Ejlert L�vborg retornar�.

Com louros na cabe�a.

Para o Dr. Tesman, de sua tia.

Mandou dizer que era urgente.

Aconteceu alguma coisa? N�o sei.

Quem era? Uma mo�a com esta carta.

Uma carta? Deixe ver! � para o Dr. Tesman, de sua tia.

Colocarei na mesa.

Meu Deus!

Meu Deus!

Que horas s�o?

Thea!

Sete e pouco.

Que horas meu marido voltou?

Ainda n�o voltou.

N�o voltou? Ningu�m voltou!

Ficamos acordadas at� as 4:00 � toa.

Conseguiu dormir?

Sim, muito bem. E voc�?

N�o preguei olho. N�o consegui, Hedda, foi imposs�vel.

N�o h� com que se preocupar.

Obviamente ainda est�o na casa do Brack.

Pode ser, mas mesmo assim!

Meu marido provavelmente n�o quis nos acordar com a campainha de madrugada.

Aonde mais ele pode ter ido?

Para a casa da tia. T�m um quarto sempre pronto para ele.

L� ele n�o pode estar. Sua tia acaba de lhe mandar uma carta.

Est� ali em cima da mesa. N�o diga.

Ent�o ainda devem estar na casa do Brack.

Ejlert L�vborg est� lendo para eles...

com a coroa de louros.

Hedda, voc� n�o est� falando s�rio.

Voc� � muito tola, Thea.

Deite-se na cama... Mas seu marido deve estar chegando. Preciso saber imediatamente...

Avisarei assim que ele chegar. Promete?

Prometo. Agora tente dormir um pouco.

Muito bem... eu tentarei.

Ah, acenda a lareira. Est� um gelo.

Nossa! Esquente algo para eu tomar.

Bom dia. Hedda!

O que est� fazendo acordada t�o cedo? Acordei cedo.

Estava certo de que ainda estaria a sono solto.

Shhh. A Sra. Elvsted est� tentando dormir no meu quarto.

Passou a noite aqui? Ningu�m veio busc�-la.

� verdade. Divertiu-se?

Estava preocupada comigo? N�o.

Por que haveria de me preocupar? Perguntei se voc� se divertiu.

Desta vez me diverti, sim.

Porque Ejlert me leu seu livro.

E o que voc� achou?

Devo confessar, Hedda...

quando ele acabou de ler

fiquei com inveja de L�vborg por ter escrito aquele livro.

Inveja, Hedda. Sim, eu ouvi o que disse!

� parte isso, � uma pena que ele n�o tenha o menor auto-controle.

Por qu�? O que aconteceu?

A melhor maneira de descrever seria uma orgia, um bacanal.

Ele estava com sua coroa de louros?

Coroa de louros? N�o.

Pelo menos eu n�o vi.

Fez um discurso intermin�vel sobre a mulher que o inspirara.

Foram esses seus termos.

Disse seu nome? N�o.

Na minha opini�o estava falando da Sra. Elvsted.

Cuidado.

Onde voc� o deixou? A caminho da cidade.

Sa�mos todos juntos.

N�s que t�nhamos ficado at� mais tarde sa�mos juntos.

Brack veio junto pois queria respirar um pouco de ar fresco.

Achamos melhor acompanhar Ejlert para casa...

pois tinha bebido mais do que devia.

� mesmo? Mas a� vem a parte mais incr�vel, Hedda.

Ou melhor, a parte mais triste. Vamos, fale!

Enquanto and�vamos, fui ficando para tr�s.

Sim, sim, continue.

Imagine o que eu encontrei jogado no caminho? Como vou saber?

Prometa que n�o contar� para ningu�m. Pelo bem de Ejlert.

Imagine s�.

Encontrei...

isto.

Seu manuscrito de valor inestim�vel.

Por que n�o o devolveu para ele?

No estado em que ele estava, n�o ousaria.

N�o disse aos outros que o havia encontrado?

N�o o fiz pelo seu pr�prio bem.

Quer dizer que est� com seus manuscritos e ningu�m sabe?

Sim, e � importante que ningu�m saiba jamais.

O que voc� lhe disse depois? N�o tive como dizer nada.

Ao nos aproximarmos da cidade perdemo-lo de vista -

ele e os outros que estavam com ele simplesmente desapareceram.

Devem t�-lo levado para casa. Imagino que sim... Brack tamb�m sumiu.

Ah, e um dos rapazes nos convidou para tomar caf� da manh� em sua casa.

Ou devo dizer caf� da noite...

Bem, preciso descansar um pouco e...

tenho que devolver este livro para ele.

N�o fa�a isso! Quero l�-lo antes.

Hedda, querida, n�o posso permitir isso. Por que n�o pode permitir?

Imagine o estado em que ficar� quando acordar e perceber...

que perdeu seu �nico manuscrito. N�o h� nenhuma c�pia, ele mesmo disse.

Sim, mas d� para se reescrever, n�o?

Isto �, escrita de novo.

N�o � assim que funciona. � tudo uma quest�o de...

inspira��o.

Sim, entendo.

A prop�sito, chegou uma carta. Uma carta?

Sim, chegou hoje de manh�.

� da tia Julie.

O que ser�?

Oh, Hedda...

Ela diz que tia Irina est� morrendo.

N�o � nenhuma surpresa.

Diz que eu devo ir r�pido se ainda quiser...

Correrei para l� imediatamente.

Vai correr?

Hedda, venha comigo, s� esta vez...

N�o me pe�a isso. N�o quero saber de doen�as e mortes.

N�o me pe�a! Recuso-me a me envolver nessas coisas repugnantes.

Espero que n�o seja tarde demais. Ent�o � melhor correr.

O Juiz Brack est� a� fora.

N�o posso v�-lo agora.

Eu posso. Mande-o entrar.

Ah, o manuscrito. D�-me ele.

N�o. Ficarei com ele at� voc� voltar.

Ora, acordou cedo.

N�o �? Voc� vai sair?

Sim, tenho que ver minha tia.

Acabo de saber que minha tia Irina, a inv�lida, est� morrendo, coitada.

Imagine s�. Meu Deus, n�o diga!

N�o quero prend�-lo numa hora dessas. Sim, tenho que correr.

Adeus.

Soube que foi muito divertido ontem em sua casa, Sr. Brack.

Tanto assim que ainda n�o tive tempo de mudar de roupa.

Nem voc�? �videmment.

O que Tesman lhe contou sobre nossas aventuras?

N�o muito. Foi para a casa de algu�m tomar caf�.

Disso eu sei.

Ejlert L�vborg n�o estava presente, imagino.

N�o, levaram-no para casa antes.

Tesman o levou?

N�o. Ele disse que os outros o levaram.

George Tesman � realmente uma crian�a inocente.

Isso � verdade. Est� querendo dizer alguma coisa?

Acredito que sim. Meu querido Juiz!

Ponha-se � vontade.

Tive minhas raz�es para seguir meus convidados at� a cidade ontem � noite...

alguns deles. Ejlert seria um desses?

For�a-me a confessar que sim. Minha curiosidade � insuport�vel!

Deseja saber onde alguns convidados, inclusive Ejlert L�vborg, passaram o resto da noite?

Se n�o for indecoroso, prossiga.

� por quest�es de decoro que deve saber.

Esticaram a noite numa soir�e deveras apimentada.

Divertida? Mais que divertida.

Conte-me! Eu j� sabia que L�vborg havia sido convidado...

mas, �quela altura, ele declinara o convite pois, como voc� sabe,

ele havia virado a p�gina e estava come�ando um cap�tulo novo em sua vida...

Sim, na casa dos Elvsted. Mas afinal ele foi a essa festa?

Entenda, ontem em minha casa Ejlert encontrava-se presa de uma inspira��o.

Est� me dizendo que a divers�o o afetou tamb�m?

Com viol�ncia. Portanto, s� posso crer que ele tenha mudado de ideia.

Infelizmente n�s homens n�o somos t�o firmes quanto dever�amos em nossos princ�pios.

Tenho certeza de que voc� � a exce��o que confirma a regra, Sr. Brack.

Mas e o L�vborg?

Resumindo, nosso her�i acabou se recolhendo para o quarto de uma tal de Mademoiselle Diana.

Mademoiselle Diana?

Quem dava a festa era ela,

para suas amigas �ntimas e admiradores.

Ruiva? Ruiva.

Cantora? � um dos seus talentos.

Mademoiselle Diana � uma tenaz ca�adora de homens, Hedda.

Com certeza a conhece...

por reputa��o.

Em seu auge, Ejlert L�vborg era um dos seus mais ardentes defensores.

Ent�o, como foi que terminaram? Longe de amigavelmente, ao que parece.

Soube que Mademoiselle Diana mudou de comportamento, passando das doces car�cias para a viol�ncia f�sica.

Ela agrediu L�vborg?

Sim, ele acusou-a, ou uma de suas amigas, de roubo.

Anunciou que sua carteira havia sido roubada.

O que aconteceu?

Um Deus-nos-acuda entre todos os presentes

at� a chegada da pol�cia.

A pol�cia? Com certeza.

E esta ser� uma aventura dispendiosa para o lun�tico do L�vborg.

N�o diga!

Armou uma tremenda briga, agrediu um policial, rasgou todo seu uniforme,

e naturalmente teve que ser encaminhado � delegacia junto com os outros.

Quem lhe contou tudo isso?

A pol�cia.

Ent�o foi isso que aconteceu.

N�o houve nenhuma coroa de louros.

Coroa de louros?

Hedda...

Afinal, por que perdeu seu tempo a seguir e espionar Ejlert L�vborg?

Porque algo me diz que tentar� us�-la como �libi.

Que ideia mais absurda!

N�o somos cegos, Hedda. Afinal, o que essa Sra. Elvsted est� fazendo aqui?

Pode at� ser que haja algo entre eles, mas sempre haver� outros lugares onde possam encontrar-se.

N�o em casas de fam�lia.

Doravante toda casa de respeito fechar� suas portas a L�vborg.

Est� sugerindo que a minha tamb�m deveria? Sim!

Se esse indiv�duo tornar-se um frequentador habitual

confesso que acharia muito inconveniente.

Extremamente inconveniente.

Se esse intruso absolutamente sup�rfluo vier a for�ar-se no...

Tri�ngulo. Exatamente.

Eu ficaria desamparado.

Voc� tem que ser o �nico galo no terreiro, � isso?

Sim. � isso que eu quero.

E lutarei por isso com todas as armas dispon�veis.

No fundo voc� � realmente um homem perigoso.

Acha mesmo?

S� agora percebo e acho �timo.

Contanto que nunca tenha poder sobre mim.

Nisso voc� tem raz�o, minha querida.

O dia que tivesse esse poder, s� Deus sabe do que eu seria capaz.

Juiz Brack, isso soou quase como uma amea�a.

De forma alguma.

A pr�pria ess�ncia do tri�ngulo � que ele seja criado e sustentado

pela livre e espont�nea vontade das partes envolvidas.

Concordo plenamente.

�timo.

Bem, j� disse o que precisava. Preciso ir.

Adeus, ch�re madame.

Vai sair pelo jardim?

� mais r�pido.

Mais importante ainda, � a sa�da dos fundos.

� verdade.

Nunca fiz obje��o a entrar pelos fundos.

�s vezes � mais interessante.

Mais "piquant".

Como quando � usado para praticar tiro ao alvo, por exemplo?

Ora, ningu�m atiraria no seu galo de estima��o.

Especialmente se fosse o �nico no terreiro.

Obrigado.

A Sra. Elvsted ainda est� aqui? Ainda est� muito cedo, senhor.

Ela est� aqui. Espere, senhor.

N�o! N�o pode entrar a�!

Ora, Sr. L�vborg!

N�o est� um pouco atrasado para pegar a Sra. Elvsted?

Mas cedo o suficiente para falar com voc�.

Pe�o desculpas.

Como sabe se ela ainda est� aqui?

Soube na hospedaria que ela passara a noite fora.

Tesman j� acordou? Acho que n�o.

A que horas ele chegou? Tarde.

Ele disse alguma coisa? Que se divertiram muito na casa do Sr. Brack.

Mais alguma coisa? Creio que n�o. Mal estava acordada.

Ejlert!

Enfim!

Sim, enfim.

E tarde demais.

Tarde demais para qu�? Agora � tarde demais.

Estou acabado. N�o! N�o!

N�o fale assim. Voc� dir� o mesmo quando ficar sabendo.

N�o quero ouvir.

Quer falar com ela a s�s? Posso sair se quiser.

N�o, por favor, fique. Quero que fique.

N�o quero ouvir!

N�o vou falar de ontem � noite! O que � ent�o?

Apenas isso. Thea...

Temos que nos separar.

Eu sabia...

N�o preciso mais de voc�.

O que farei da minha vida? Volte para casa.

Nem em um milh�o de anos.

Ficarei com voc� para estarmos juntos quando o livro for publicado.

Sim, o livro.

Thea, nosso livro nunca ser� publicado.

Oh...

Onde est� o manuscrito? Rasguei-o em peda�os.

N�o! N�o!

Sim, j� disse, rasguei-o em peda�os.

Mas isso n�o... N�o � verdade? � isso que voc� pensa?

N�o. Se � o que diz. Mas parece t�o incr�vel.

Tudo jogado em pedacinhos na �gua,

ao sabor das correntes e das mar�s at� come�arem a afundar cada vez mais.

Assim como eu, Thea!

Quero que saiba uma coisa, Ejlert L�vborg.

O que voc� fez com esse livro,

para o resto de minha vida, ter� sido como se tivesse matado um beb�.

Isso! Foi como matar um beb�!

Como p�de fazer isso?

Era meu beb� tamb�m.

Beb�!

Ent�o...

est� tudo acabado.

Muito bem ent�o...

Eu j� vou, Hedda.

N�o para sua casa...

N�o sei o que farei.

Tudo � minha frente est�...

sombrio.

N�o vai acompanh�-la para casa, Sr. L�vborg?

O Sr. L�vborg pelas ruas com a Sra. Elvsted?

Para que todos a vejam comigo?

N�o sei o que se passou ontem. � tudo t�o irremedi�vel?

N�o teria acabado ali.

Eu me conhe�o muito bem.

Mas essa n�o � a quest�o.

A quest�o � que n�o quero mais viver aquela vida.

Ela p�s fim � minha coragem.

Ela acabou com minha vontade de viver.

� inacredit�vel como aquela mulherzinha tola e superficial tem poder sobre o destino de um homem.

Mesmo assim, n�o precisava ser t�o rude.

N�o fui rude.

Destr�i tudo que nutriu sua alma, seu cora��o e sua mente todo esse tempo e n�o se acha rude?

Hedda, para voc� posso contar a verdade. A verdade?

D�-me sua palavra que Thea jamais saber� do que vou contar-lhe.

Prometo.

Muito bem.

O que falei h� pouco n�o � verdade.

E o manuscrito? N�o o rasguei.

Onde est� ent�o? Tanto faz, eu o destru�.

N�o estou entendendo.

Escute. Thea disse que, para ela, o que eu fiz era o mesmo que infantic�dio.

Foi o que ela disse. Matar o pr�prio filho n�o � o pior que um pai pode fazer.

N�o? Oh, n�o!

Existe algo muito pior.

N�o queria que Thea soubesse.

O que � ent�o?

Escute...

Imagine um homem...

um pai voltando para casa ao amanhecer.

Voltando para a m�e de seu filho ap�s uma noite de orgias...

e dissesse para ela: "Estive aqui, ali e acol�...

e levei junto nosso filho."

Levei nosso filho a todos esses lugares.

E eu o perdi.

Perdi-o n�o sei onde. Quem sabe quem o pegou?

Em que m�os estar� nosso filho?

Sim, mas afinal, trata-se apenas de um livro.

N�o! A vida e o sangue de Thea estavam naquele livro.

Sim, eu entendo.

Percebe ent�o por que n�o h� futuro para n�s.

O que vai fazer ent�o?

Nada.

Dar um fim a tudo!

Quanto antes melhor.

Ejlert L�vborg.

Agora me escute.

Assegure-se de consumar seu ato.

De consum�-lo da forma mais magn�fica.

Magn�fica?

Da forma como voc� dizia, com uma coroa de louros?

N�o, n�o acredito mais nisso. Mas que seja magn�ficamente, mesmo assim.

Pelo menos uma vez na vida!

Adeus, voc� precisa ir. N�o volte mais.

Adeus, Sra. Tesman.

Mande lembran�as para seu marido.

Espere um momento!

Precisa levar um suvenir.

Algo para se lembrar de mim.

Est� reconhecendo?

Uma vez o apontei para voc�.

Devia ter consumado o ato.

Pois consuma-o agora.

Obrigado. Da forma mais magn�fica, Ejlert L�vborg, prometa-me.

Adeus.

Hedda Gabler.

Estou queimando seu beb�, Thea.

Thea e seus lindos cabelos cacheados.

Estou queimando seu beb�.

Seu e de Ejlert L�vborg.

Estou queimando... queimando seu filho.

Aqui estou, Hedda, de luto.

O sofrimento da minha irm� finalmente chegou ao fim.

Sim, j� soube. Como v�, meu marido me deu a not�cia.

Ele disse que iria.

Mesmo assim, senti que precisava vir a esta casa, t�o cheia de vida

para trazer esta not�cia de falecimento.

Foi gentileza sua.

Que hora t�o ruim para Irina partir.

Isso n�o � hora para morte e luto em sua casa, querida.

Ela se foi tranquilamente, n�o foi, Srta. Tesman?

Ela se foi suavemente, em paz.

De uma forma t�o magn�fica.

N�o quer sentar-se?

Adoraria, Hedda querida, mas n�o tenho tempo.

Preciso voltar para prepar�-la da melhor forma poss�vel.

Tem que estar bonita para quando for enterrada.

Posso fazer alguma coisa? N�o.

Nem pense numa coisa dessas.

Isso n�o � tarefa para Hedda Tesman.

Nem devia passar pela sua cabe�a numa hora dessas.

Pensamentos n�o s�o f�ceis de controlar.

Que Deus nos aben�oe, mas...

como � a vida.

Hoje costuramos len��is para a pobre Irina

e amanh� estaremos costurando len��is para esta casa.

Mas por raz�es diferentes, louvado seja Deus.

Que bom que voltou enfim.

Conseguiu fazer tudo que disse? Acho que esqueci metade.

Estou muito tenso hoje.

George, querido, n�o deve ficar assim. Como deveria ficar?

Deus em Sua sabedoria sabe o que � melhor e...

quem sabe em breve n�o sobra alguma coisa para uma velha tia fazer aqui?

N�o se preocupe conosco.

Como seria agrad�vel n�s tr�s juntos se...

Se o qu�?

Nada.

Mas deve acabar dando tudo certo.

Bem, voc�s dois devem ter muito o que falar.

Quem sabe Hedda n�o tenha boas not�cias para lhe dar, George.

Adeus, querido. Preciso voltar para a Irina.

Acho que voc� est� mais abalado que ela.

N�o � s� com a morte de tia Irina mas tamb�m com Ejlert.

Por qu�? O que aconteceu?

Esperava v�-lo hoje � tarde, ent�o fui � sua casa

para dizer que o manuscrito estava guardado conosco.

Esteve com ele? N�o, ele n�o estava, mas...

depois encontrei a Sra. Elvsted que disse que ele estivera aqui hoje de manh�.

Sim logo depois que voc� saiu. Disse que ele havia rasgado o manuscrito e jogado fora.

Sim, foi o que ele disse.

Meu Deus, ele deve estar completamente louco.

Com ele nesse estado, imagino ent�o que voc� n�o lho devolveu.

Ele n�o o levou. Voc� disse que estava conosco?

N�o. Voc� disse � Sra. Elvsted que estava? N�o, n�o achei que seria correto.

Voc� devia ter contado para ele.

Ele vai ficar desesperado.

E se ele fizer algo desesperado?

D�-me o manuscrito.

Lev�-lo-ei para ele imediatamente.

Onde est�?

N�o est� mais aqui.

Como assim, n�o est� mais aqui. Eu o queimei... todo.

Queimou?

Queimou os manuscritos de Ejlert L�vborg?

N�o grite! Como p�de fazer uma coisa t�o feia, incr�vel?

Por que fez isso, Hedda?

Fiz para seu bem, George.

Para meu bem?

Hoje de manh�, quando disse que ele lhe havia lido o livro...

E da�? Voc� disse que sentira inveja.

Sim, mas, Deus meu, n�o literalmente

Mesmo assim, n�o suportei a ideia de ver algu�m colocando-o � sua sombra.

Hedda, isso � verdade?

Est� dizendo a verdade?

Sim, pois...

n�o sabia que me amava tanto assim.

N�o tanto assim...

Imagine.

Nesse caso...

� melhor que saiba que...

daqui a alguns meses...

N�o, pergunte � tia Julie, ela lhe contar� tudo.

Acho que estou entendendo, Hedda...

Meu Deus, eu n�o acredito!

N�o grite, a criada vai ouvir!

Voc� n�o existe. N�o � a criada, � Berthe.

Vou contar para Berthe.

Isso vai me matar! Isso tudo vai me matar!

O qu�? Isso!

Essa farsa grotesca, George.

Farsa?

Que me fez t�o feliz?

Talvez seja melhor n�o contar ainda para Berthe.

Por favor, n�o se impe�a.

N�o, n�o diremos ainda.

Mas preciso contar para tia Julie. Ela ficar� t�o contente.

Contente tamb�m porque est� me chamando de George.

Contente quando souber que queimei os manuscritos de Ejlert por sua causa.

Meu Deus, os manuscritos. Ningu�m pode ficar sabendo disso.

Mas sua paix�o avassaladora por mim, Hedda, querida...

Puxa...

Isso costuma acontecer com esposas jovens?

Isso � outra coisa que devia perguntar � sua tia.

Acho que vou mesmo.

Quem ser�?

Perd�o, mas tive que voltar.

Thea, o que aconteceu?

� sobre o Ejlert de novo? Sim.

Estou apavorada que possa ter acontecido um acidente.

Acha mesmo? Nossa, por qu�, Sra. Elsvted?

Ouvi pessoas falando dele na minha hospedaria...

mas pararam assim que me viram.

Fui at� seu quarto e perguntei por ele.

Ent�o tamb�m no o encontrou l�.

N�o... Com licen�a. Precisava falar-lhe com urg�ncia.

Soube da not�cia por tia Julie?

Ah, sim, recebi um bilhete.

Uma tristeza. Depende de como v�, Tesman.

Quer dizer que aconteceu alguma outra coisa? Sim, outra coisa.

M�s not�cias?

Eu repito, Sra. Tesman, depende de como v�.

Pelo amor de Deus, fale logo.

Lamento dizer que Ejlert L�vborg foi hospitalizado.

N�o esperam que sobreviva.

Meu Deus!

Meu Deus!

Est� morrendo?

T�o r�pido...

Tenho que ir. Preciso v�-lo vivo.

N�o adianta. N�o admitem visitas.

O que aconteceu com ele? O que foi?

N�o acredito que tenha tentado tirar a pr�pria... Tenho certeza que sim.

Infelizmente tem raz�o, Sra. Tesman.

Com um tiro.

Acertou de novo, Sra. Tesman.

Quando aconteceu, Sr. Brack?

Esta tarde, entre 3:00 e 4:00.

Que horror. Onde foi?

Onde?

N�o sei, talvez em seu quarto.

N�o pode ser. Estive l� entre 6:00 e 7:00.

Ent�o em outro lugar. S� sei que foi encontrado...

que deu um tiro no peito.

No peito? Isso.

N�o na t�mpora.

No peito, Sra. Tesman.

Sim... o peito tamb�m � um bom lugar.

O que foi que disse, Sra. Tesman?

Nada, nada.

Disse que o ferimento pode ser fatal?

Absolutamente fatal. A essas alturas j� deve at� ter morrido.

Morrido? Hedda...

Como soube de tudo isso? Da pol�cia. Precisei ir l�.

Enfim, uma atitude positiva!

Hedda, o que est� tentando dizer?

Digo que existe beleza neste ato.

Sra. Tesman, como pode?

Como pode ver beleza numa coisa dessas?

Ejlert L�vborg acertou suas contas consigo mesmo e com o mundo.

Teve a coragem de fazer o que tinha que ser feito.

N�o acredito que tenha acontecido assim. Acho que o fez num momento de loucura.

Ou desespero. N�o!

Tenho certeza que n�o.

Foi um acesso de loucura. A mesma que o levou a rasgar nosso livro.

O livro? Est� falando do manuscrito? Sim.

Ele o rasgou ontem � noite.

Hedda, isso vai nos atormentar para o resto da vida.

Teria dado at� para refazer tudo.

Faria qualquer coisa se fosse poss�vel.

E talvez seja, Dr. Tesman.

Como assim, Sra. Elvsted?

Guardei todas as anota��es e rascunhos que ele usou enquanto ditava para mim.

Guardou todas as anota��es, Sra. Tesman? Sim.

Tenho-as todas aqui. Juntei tudo antes de sair de casa.

Ainda est�o na bolsa. Deixe-me ver.

Est� tudo misturado, mas...

exatamente como as recolhi.

Imagine s�...

poder�amos coloc�-las na ordem se trabalharmos juntos. Sim.

Precisamos tentar... pelo menos tentar.

Faremos isso, porque � o que se imp�e.

Dedicarei minha vida a essa tarefa.

Sua vida?

Sim, todas as minhas horas dispon�veis. Meu projeto ter� que esperar.

Entenda, Hedda, � algo que tenho que fazer.

Devo � mem�ria de Ejlert L�vborg.

Talvez deva mesmo.

Temos que come�ar imediatamente.

Onde nos sentaremos?

Aqui.

N�o... tentemos l� dentro.

Com licen�a, Juiz Brack.

Meu Deus! Hedda, vai ser poss�vel!

Sabe, Juiz Brack...

O que Ejlert L�vborg fez d� uma estranha sensa��o de liberta��o.

Liberta��o, madame?

Para ele, com certeza, � uma liberta��o.

Falava de mim.

A mim d� uma sensa��o de liberdade

que uma atitude t�o positiva ainda � poss�vel no mundo em que vivemos.

Um ato consciente de coragem, sem concess�es...

magn�fica.

Ejlert L�vborg significava mais para voc� do que quer admitir...

at� para si mesma. Estaria enganado?

N�o � do meu feitio responder esse tipo de pergunta.

S� sei que Ejlert L�vborg teve a coragem de viver a vida � sua maneira

e atrav�s desse belo e magn�fico ato

provou ter a coragem de rejeitar tamb�m a vida...

cedo assim.

Pena ter que destruir uma fantasia t�o encantadora. Fantasia?

Mas estava fadada a ser destru�da mesmo. Que fantasia?

Ele n�o se matou de prop�sito.

A hist�ria n�o foi bem como contei.

Omitiu alguma coisa?

Por causa da pobre Sra. Elvsted minha vers�o foi um tanto eufemista.

O que aconteceu?

Em primeiro lugar ele j� est� morto. No hospital?

Sim, nunca recuperou a consci�ncia.

Em segundo lugar, n�o se deu em seu quarto.

Que diferen�a isso faz?

Voc� que me diga. Ele foi encontrado no quarto de Mademoiselle Diana.

Isso n�o � poss�vel. Ele n�o p�de ter voltado l� hoje.

Voltou, sim. Esta tarde.

Disse que lhe haviam roubado algo e que voltara para recuper�-lo.

Falava sobre um beb�, uma crian�a que se havia perdido.

Ent�o foi por isso... Primeiro pensei que se referia ao manuscrito...

mas fiquei sabendo agora que o rasgou.

Logo, devia ser sua carteira que estava procurando.

Sim, deve ter sido.

Quer dizer que foi encontrado l�.

Sim... l�.

Uma pistola foi encontrada em seu bolso. Havia sido disparada, ferindo-o fatalmente.

No peito.

N�o, no abd�men. Na base do abd�men.

At� isso...

tudo que toco se transforma numa s�rdida e grotesca farsa.

Falta uma �ltima coisa, Madame Hedda.

Algo que talvez tamb�m possa ser classificado como s�rdido.

O qu�?

A pistola encontrada em seu corpo.

E da�? Ele deve t�-la roubado.

Isso n�o � verdade.

N�o h� outra explica��o. S� podia t�-la roubado.

Desculpe, Hedda, mas � quase imposs�vel enxergar debaixo do abajur.

Est� entendendo, Hedda?

Sim, entendo.

Importa-se se usarmos a secret�ria. N�o vamos demorar.

N�o me importo. Deixe-me tirar essas coisas do seu caminho.

N�o precisa. N�o custa nada.

Pronto. Porei isso em cima do piano.

Ent�o, Thea, como vai o memorial de Ejlert L�vborg?

Vai ser dif�cil organizar tudo. Dif�cil mas n�o imposs�vel. Temos que faz�-lo.

Em todo caso, editar o trabalho dos outros � minha especialidade.

O que estava dizendo sobre a pistola?

Disse que ele deve t�-la roubado. Por que teria feito isso?

Porque n�o seria aconselh�vel admitir-se qualquer outra explica��o, Madame Hedda.

Com certeza. Com certeza.

Ejlert L�vborg esteve aqui esta manh�? Sim.

Esteve sozinha com ele. Sim, algum tempo.

Saiu da sala durante esse tempo? N�o. Tem certeza? Pense bem.

Sim, talvez at� o sal�o. Nessa hora onde estava o estojo com as pistolas?

Trancado na... Madame!

Estava ali sobre a secret�ria.

J� verificou se as duas pistolas ainda est�o l�?

Pois poupe-se do trabalho. Eu vi a pistola encontrada em seu corpo.

Reconheci-a imediatamente... de ontem e de outras vezes.

Est� com voc�? N�o, est� com a pol�cia.

E o que a pol�cia far� com ela? Tentar descobrir a quem pertence.

E v�o descobrir?

S� se eu contar...

Hedda Gabler.

E se descobrirem?

Sempre haver� a explica��o de que foi roubada.

Preferiria morrer.

Isso � o que todos dizem. Mas ningu�m faz esse tipo de coisa.

Supondo-se que n�o tenha sido roubada e supondo-se que a pol�cia descubra a quem pertence...

o que aconteceria ent�o?

O que aconteceria ent�o seria um esc�ndalo, Hedda.

Esc�ndalo... Sim, um esc�ndalo.

Exatamente o que voc� mais receia.

Seria levada aos tribunais.

Voc� e Mademoiselle Diana.

Ela teria que explicar como ocorreu o incidente.

Se foi acidental.

Se foi suic�dio ou assassinato.

Se a arma disparou enquanto ele a amea�ava.

Se ela tentou tirar a arma de sua m�o...

atirou e depois a colocou de volta em seu bolso.

Isso seria bem poss�vel, tratando-se de uma mulher t�o decidida como Mademoiselle Diana.

Mas eu n�o tenho nada a ver com isso.

N�o. Mas teria que explicar em ju�zo por que lhe deu a pistola.

Imagine que conclus�o tirar�o disso.

Isso � verdade.

N�o tinha pensado assim.

Felizmente voc� n�o tem nada a temer.

Porquanto meus l�bios se mantenham selados.

Ent�o, tem-me em seu poder, Sr. Brack.

Tem-me � sua merc�.

Querida Hedda, essa � uma posi��o da qual n�o me prevalecerei.

Mesmo assim em seu poder.

Sujeita � sua vontade, �s suas exig�ncias.

Livre n�o... De jeito nenhum.

Jamais me submeterei a isso, jamais.

Geralmente h� que se submeter ao inevit�vel.

Sim.

� poss�vel.

Ent�o, George, como est� se saindo?

S� Deus sabe. Em todo caso, � trabalho para meses.

Imagine s�! Puxa!

Como est� se sentindo, Thea,

sentada aqui com o Dr. Tesman como costumava fazer com Ejlert L�vborg?

Quisera eu poder inspirar seu marido tamb�m.

Ora, tenho certeza que conseguir�...

com o tempo.

Sabe, Hedda, acho at� que j� estou me sentindo inspirado.

Agora volte para o Juiz Brack.

N�o precisam de nada?

N�o. S� espero que o Juiz Brack possa fazer-lhe companhia o resto da noite.

O prazer ser� todo meu.

� muita gentileza sua, mas estou cansada e acho que vou deitar-me.

Fa�a isso, Hedda, querida.

O que � isso? Hedda!

Hedda, querida!

Hedda!

Pense em tia Irina, pense em Ejlert tamb�m.

Pense em tia Julie e pense em todos os outros.

Ficarei em sil�ncio no futuro.

Pensando bem, deve desagrad�vel para ela ver-nos �s voltas com tarefa t�o deprimente como esta.

Fa�a o seguinte, Sra. Elvsted. Mude-se para a casa de tia Julie.

Irei toda noite e poderemos trabalhar juntos.

Sim. Talvez seja melhor.

Estou ouvindo o que disse, Sr. Tesman.

E como � que eu ficarei aqui todo noite?

Com certeza o Juiz Brack far� a gentileza de aparecer de vez em quando.

Como todo prazer. Toda noite, Sra. Tesman.

Vamos nos divertir muito, s� nos dois.

� disso que gostaria mesmo, n�o �, Sr. Brack?

Ser o �nico galo no terreiro.

Est� brincando de novo com aquelas pistolas.

Ela se matou!

Ela se matou!

Na t�mpora!

Meu Deus!

Ningu�m faz esse tipo de coisa.

LEGENDAS: LU�S FILIPE BERNARDES

Can't find what you're looking for?
Get subtitles in any language from opensubtitles.com, and translate them here.