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África do Sul, 1976
Atenção pessoal!
Como podemos lutar pela liberdade
Quando nossos pais embriagam-se nos bares do governo?
Boicotem estes lugares!
A cerveja que bebem financia as balas que matam seus filhos!
Vamos, garotos!
Fiquem atentos
Vamos!
- Sim. - Vamos, Johan!
- Sim! - Tem um futuro promissor.
Bem feito!
Tal pai, tal filho.
- Sua família! - Nosso Diretor!
- Vem, Gordon? - Sim, Sr. Ben.
Jonathan vai me ajudar.
Como vai Jonathan? Ainda tem problema com álgebra?
Trabalhe duro, Ben. Não desperdice seu dinheiro.
- Emily e eu somos gratos a você. - Certo.
- Te vejo mais tarde, Gordon. - Muito bem Sr. Ben.
Vai para dentro
Venha com o vovô.
É como sua mãe.
Seja amável com vovô, Piet.
Não bata no vovô.
Cheire.
Estou quase pronto, Chris.
Não, vamos, não toque.
Johan, vamos, traga isto...
Da próxima vez vou usar o garfo.
Jonathan.
sinto muito Gordon, deve haver uma razão.
Conheço meu filho, Ben.
Se ele disse que não fez nada, acredite.
O juiz não acredita.
Ele tem um advogado?
Nosso advogado, Julio Ngakula, está na prisão.
- Por isso estou aqui Sr. Ben. - Ben?
Chegarei num minuto, querida. Traga o iodo, ok?
Meu Deus.
Johan.
Jonathan, já explicou ao juiz o que aconteceu?
O que ele sabe sobre o tribunal?
Tudo aconteceu antes que ele soubesse.
Precisamos de um bom advogado, Sr. Ben.
Tarde demais, Gordon. Não podemos fazer nada.
Você não entende, Sr. Ben. Não quero que tenha antecedentes criminais.
Isto o manchará por toda vida.
É um pequeno crime. Esqueça, Gordon.
Aqui. Coloque isso em suas costas.
Não são os ferimentos que me preocupam, eles se curam.
É o dano moral que me preocupa.
Não podemos fazer nada.
Os ferimentos são horríveis, papai.
Precisamos tomar providências.
- O que aconteceu com ele? - o juiz condenou-o a chibata.
Esses meninos estão loucos. Bando de selvagens.
A linguagem que entendem é a força.
A solução seria dar-lhes sua própria terra.
Deixar que eles vivam sem conflito. Todo mundo seria feliz.
Chega de conversa. Vamos comer.
Eu não ligo para o que os outros pais estão dizendo. Agora, escute-me.
Não demonstre preocupação. Amanhã você vai à escola.
Mas não haverá ninguém na escola, papai.
Então você e Robert estarão sozinhos.
O que devo dizer ao Ben?
"Obrigado pelo dinheiro, mas meu filho não quis aprender"
Que o Sr. Ben guarde seu dinheiro branco para a educação dos brancos.
Queremos aprender Inglês, não Africano.
Não entendo, papai.
Não teremos uma educação de verdade,
se eu estudo em Africano, não haverá futuro, papai.
Eles querem nos tornar mensageiros, e mineradores...
e jardineiros como eu.
Sim, papai.
Todos sabem que você é inteligente.
Todos vêm para lhe pedir conselhos. Te respeitam.
Você deveria ser um advogado, papai.
Mas o que quer?
É uma manifestação pacífica.
Sabemos que a polícia virá.
É preciso manter a calma, fiquem frios.
Não esqueçam que é uma marcha de protesto.
Nós não estamos aqui para lutar contra a polícia.
Vamos.
Educação Bantú!
NÃO QUERO EDUCAÇÃO AFRICANA.
Ouçam-me!
Este evento é ilegal. Dispersem imediatamente.
MAIS EDUCAÇÃO DE QUALIDADE.
INCLUSIVE EDUCAÇÃO PARA TODOS
Qualquer cor e crença!
Esta é a última advertência!
Dispersem imediatamente ou nós agiremos!
Gás lacrimogêneo!
Jogar!
Fogo!
Advertência!
Detenha-os!
Por aqui.
Eles estão atrás de você.
Jonathan!
Você matou minha irmã. Me mate também!
Pedi que me mate! Mate-me!
Repita isso.
Você estava lá quando tudo aconteceu?
Sim, papai.
- E disse que viu tudo? - Sim, senhor.
Está seguro que pegaram Jonathan?
Sim, Sr. Gordon. E também prenderam Wellington.
Parecia um inferno.
As ambulâncias passaram o dia todo trazendo meninos ao hospital.
Um menino morreu antes de chegar.
Deus sabe quantos foram mortos por estes monstros assassinos.
Estão fazendo a mesma coisa em Alexander, em Springs, em todas as cidades.
Stanley, prenderam Jonathan.
Ele não está na lista.
Certo, Baasie, mas esta é a lista completa, Baasie?
Eu já lhe disse, ele não está detido. Você está me chamando de mentiroso?
Não, Baasie.
Por que não procura no hospital ou no necrotério?
Irei, Baas. Onde é o quartel? Praça John Vorster?
- Chega! sai! O próximo. - OK. Obrigado, Baas.
Este é o terceiro desta manhã, papai.
Olá, Gordon.
Gordon, onde esteve nos últimos dias?
Espere campeão.
Gordon, falo com você.
Que se passa?
- Detiveram Jonathan. - Outra vez? Porque?
Há grandes problemas nos municípios. Eles matam nossos filhos.
Gordon...
Eu vi, Sr. Ben. Vários deles foram detidos.
Fui ao hospital, ao necrotério. Em todos os lugares.
A polícia não fala de Jonathan. Desapareceu.
Por que não me disse?
Estou lhe dizendo.
Deixe-me tentar encontrar.
Ian McKenzie, por favor.
Benjamin Du Toit.
Nos conhecemos em Peter Crozier.
Olá? Sim.
Ben, telefone.
Alô? Aqui.
Disseram de que forma ele morreu, Sr. Ben?
- Durante os distúrbios. - Durante os distúrbios?
A única coisa que sei é que foi enterrado porque ninguém reivindicou seu corpo.
- Onde está enterrado? - Não sei.
Não tem certeza?
Isso é tudo o que o Sr. McKenzie encontrou.
Então eu mesmo o encontrarei.
Deus é minha testemunha, Averiguarei o que realmente aconteceu
- E onde ele se encontra. - Por favor, Gordon.
O que ocorreu é horrível, porem não há nada que possamos fazer.
Você disse a mesma coisa quando foram açoitados.
Ele é meu filho.
Seu corpo pertence a Emily e eu.
Jonathan!
Da polícia de nossos filhos,
58 mortos, 700 feridos em um dia.
- Boa noite, papai. - Já vai dormir?
Vá para a cama, querido.
Vá dormir.
Está difícil.
Deus, eu não vejo isto há anos.
Jonathan fez isto, lembra?
Vamos para a cama.
Estou indo.
Valeu.
- Desculpe, senhor. - Sim?
Viu este menino aí dentro?
Não, não o vi.
Este é meu filho. Foi colocado aí.
Não, eu não o vi.
Você viu este menino aí dentro?
Este é meu filho. Está aí dentro.
Emily.
Julius Ngakula, nosso advogado.
Você trabalha como varredor na Praça John Vorster?
Sim, senhor.
- Há quanto tempo? - 20 anos, senhor.
Onde viu Jonathan?
O vi numa cela, senhor.
Conversou com ele?
Falei com ele e disse:
"Meu filho, o que fizeram com você?"
Mas ele não pode responder.
Aí chegou um policial.
- Sou eu, Wellington. - Wellington?
Entre.
Foi publicado esta tarde.
- Minha mãe disse que você queria me ver. - Sim.
O que eles fizeram com você?
O que acontece com os meninos em Soweto?
Duas vezes eles puseram uma sacola molhada em minha cabeça.
Não podia respirar.
Pensei que estava morrendo.
Não paravam.
Continuaram perguntando: "Quem são os líderes?"
O que eu poderia dizer?
Não sei nada.
Ouvi Jonathan na cela ao lado.
Ela gritou em Africano.
- Te imploro.
Logo veio o silêncio.
E o homem disse: "Vai, Ngubene".
"Levante-se".
"Pare de fingir".
Isso é tudo o que sei.
Mais tarde, alguém disse
que ele foi levado ao hospital.
Nunca mais o vi.
Leve este bastardo embora.
Tenente, eu disse que esse homem criaria problemas.
Venha nos ajudar!
Os africanos sofrem devido a legislação Britânica.
E decidem sair para o interior para ficar longe dos britânicos.
E nessa caminhada, tiveram que lutar contra as tribos indígenas.
Os Xhosa, os Zulus, os Tswana,
os Basotho e muitos outros.
Eles invadiram e formaram fazendas por toda a África do Sul.
Bem, meninos, este é o momento.
Obrigado, Swanepoel.
Queria me ver?
Sinto muito, Sr. Ben.
Meu nome é Emily.
Gordon é meu marido.
O que aconteceu?
Tenho uma audiência com o coronel Viljoen. Meu nome é Benjamin Du Toit.
Assine este formulário por favor.
- Sr. Du Toit. - Entre, senhor Du Toit.
- Coronel Viljoen. Capitão Stolz. - Prazer em recebê-lo.
Te vi jogar em Transvaal. Você era um grande ala.
Isso foi há muito tempo.
- Quero um autógrafo para meu filho. - Com prazer.
- Qual é seu nome? - Jaanie.
Meu filho estará encantado.
- Ele joga rugby? - Futebol.
Traidor.
- Obrigado e até mais tarde coronel. - Obrigado.
Sente-se.
Quer informação sobre um detento chamado Gordon Ngubene.
Sim.
Pensei que fosse um mal-entendido
- Que pudesse ser corrigido. - Um mal-entendido?
Conheci Gordon Ngubene por 15 anos, Coronel.
Se trata de um homem honesto e trabalhador.
Não posso imaginar porque está sendo detido.
Você ficaria surpreso com...
Quantos Bantus honestos e religiosos nos deparamos todos os dias.
Sr. Du Toit, nossa tarefa não é fácil.
A imprensa acusa de assassinatos, especialmente os ingleses,
Mas serão os primeiros a gritar se os comunistas assumirem o poder.
É o nosso trabalho, estou certo que me entende.
Sim, entendo coronel.
Sei que sua posição é complicada. É justamente o que estou dizendo
somos humanos e também cometemos erros.
Sim Sr. Du Toit, de fato cometem.
E creio que um erro foi cometido aqui.
Se importaria se fizesse algumas perguntas sobre Ngubene?
Pode fazer.
Ele tem discutido sobre a morte do filho com você?
Eu fui um dos que deu a notícia à ele.
Mas ele aceitou a verdade?
Bem, ficou alterado naturalmente.
Mas ele é um homem religioso, com o tempo vai se conformar com certeza.
Você disse que ele não aceitou?
Irritou-se? Rebelou-se?
Puxa vida, coronel.
Se alguém diz que seu filho está morto
e não diz como foi que aconteceu ou onde seu corpo foi enterrado,
também não se irritaria?
Se lhe dizem como seu filho morreu,
quando e onde está enterrado.
O que você esperaria?
- Você tem um filho, Sr. Du Toit? - Sim.
Ele queima e destrói tudo o que pode ter nas mãos?
Não. E nem o meu. É isso que não entendo.
Depois de tudo que o governo faz para eles, com tanta generosidade.
Pense bem.
Nós somos a favor de vocês, não contra.
Acredito, concordo, coronel.
Se Ngubene é homem um inocente como afirma, logo será liberado.
Lhe dou minha palavra.
Obrigado, coronel. Poço pedir um favor?
A esposa de Gordon está muito preocupada.
Pode levar roupa e alimentos para ele?
Claro. Sem problema. Obrigado por sua ajuda.
Obrigado.
Vamos, bastardo de sangue...
quem lhe disse estas baboseiras?
Porque você não responde, Kaffir
Quem lhe disse para coletar depoimentos?
Quero o corpo do meu filho.
Certo, Kaffir.
Vamos começar de novo.
Sepat, prepare os refrescos.
O que você quer?
Sinto muito, senhora. Queremos ver o Sr. Ben. Sou a esposa de Gordon.
Estes dentes estavam no bolso da camisa que foi trocada.
Sim. Um momento.
Um de seus colegas pode ver você imediatamente.
Sim.
Dick Peterson
22 Hilldown Road.
Obrigado.
Sinto incomodá-lo num sábado, Sr. McKenzie, mas...
Sim, Obrigado.
Obrigado, Sr. Ben.
Mantenha a esperança, Emily.
Esperança é uma palavra branca, lani E não é o que nós necessitamos.
Vamos, Emily.
Tudo será melhor amanhã.
Porque prender um homem inocente, Ben?
Nosso serviço especial festeja com terroristas e comunistas.
Tempos difíceis, Ben. Há subversivos em todos os lugares.
Anton, conhece Gordon. Ele é um jardineiro, graças a Deus.
Não sei nada sobre ele, Ben, e nem você.
Ele cuida de flores e apara gramados. É tudo o que sabemos.
Os negros tem duas vidas. Uma é vista e outra não.
Isto é o que eu gosto sobre eles.
Acredite, sorriem para você hoje e te apunhalam amanhã.
Gordon só queria encontrar o corpo do seu filho.
- Isto não é um crime. - Portanto não tem que se preocupar.
Exceto com seus dentes.
Como se sente hoje? Está pronto para falar ou para voar?
Capitão?
Nunca abra a porta sem bater!
Sim, senhor.
Acredita que estará pronto para o aniversário de Piet?
Stanley.
Gordon morreu.
Disseram que cometeu suicídio.
Se enforcou.
Meu Deus!
Porque se suicidou?
Eu disse que eles dizem que foi suicídio.
O que quer dizer?
O que você pensa de Timol quando dizem que ele saltou do 10º andar?
E sobre Ngudle? e Mosala?
De Joyi? De Malela? Eu posso citar mais 37.
Todos eles morreram na Praça Juan Vorster. Todos suicídio, é?
Onde está seu corpo? Em Soweto?
Quero ver.
Olhe, eu trago uma mensagem de Emily.
Não seja tolo, Ben.
Quero vê-lo, Susan.
Existem vários motins em Soweto. Não se envolva com problemas, homem
- Quero vê-lo. - Você está fora disto, continue fora.
Eu irei em seguida.
O que você vai fazer, lani, Comprar um mapa?
Funeral Moroka
Bem. Está terminado.
Bem-vindo à terra do amor e da glória. Venha.
Rápido.
Ele está comigo.
Olá, Stanley. Quem é?
Sr. Du Toit, sinto incomodá-lo.
Eu sou Mélanie Buwer. Repórter do The Rand Daily Mail.
Podemos conversar sobre Gordon Ngubene?
Eu sei que você o conhece há anos.
Não.
O que Emily vai fazer agora?
- Ela quer uma investigação. - Sério?
Bem. Vou pedir ao Ian McKenzie para ajudá-la.
Se isto te deixa feliz, lani
Você pode me levar ao funeral?
Você está louco?
Lá não é lugar para você.
Tome. Pegue este número.
Se precisar de mim e eu não estiver lá, diga lani telefonou. Certo?
O que lani quer dizer, então?
Isto é o bastante por hoje.
Obrigado.
Olá Ben!
- Por quê veio aqui? - O quê?
- Gordon foi assassinado. - Venha.
Vi seu corpo. Apenas reconheci seu rosto.
- Ele foi assassinado. - Olá, Susan.
E quanto à você, papai?
Indo ao Soweto poderia ser assassinado.
Sr. Du Toit, senhor.
Sr. Du Toit
- Como vai, Sr. McKenzie? - Tudo bem? Sente-se.
- Perdoe-me.
- Eu sinto muito mesmo. - Lamento que você não esteja bem.
Sinto que está tudo agitado.
Eu me apaixonei por estas flores há dez anos atras.
Desde então tenho cuidado muito bem delas.
Mas como as amantes ingratas,
me presentearam com uma alergia crônica.
Mas mesmo assim as amo perdidamente.
Especialmente esta maravilhosa, bela e inquietante.
Deve haver alguma coisa que você possa fazer.
Os médicos cruéis lhe dizem alguma coisa, e tomam seu dinheiro.
Eu tomo estes comprimidos.
Totalmente ineficiente, mas o sabor é bom.
Aprecio os de lavanda. Aceita um?
Não, obrigado.
Sinto muitíssimo. Aceita um chá?
Não, obrigado.
Estou aqui por questão de justiça.
Ah, justiça.
Acho que isto é muito mais fácil do que servir-lhe
uma xícara de chá.
Mas, de qualquer forma continue.
Gordon Ngubene.
Se lembra da história de Gordon Ngubene?
Sim, uma tragédia.
Quero fazer justiça, na medida que a lei permitir.
Veja, justiça e lei...
Sr. Du Toit, são às vezes apenas...
Suponho que eles possam ser considerados primos distantes.
E aqui na África do Sul, eles não falam a mesma linguagem.
Tomei conhecimento do seu dossiê.
E lhe aconselho a desistir.
- Renunciar? - Sim.
Porque não ha nada que possa ser feito.
Isto foi o que eu disse ao seu filho quando ele foi pego.
Agora seu filho está morto.
Isto é o que eu pensava sobre Gordon quando ele foi preso.
Agora ele também está morto devido minha negligência.
Conheci esta família por 15 anos, Sr. McKenzie.
Não posso deixar o caso.
Sim.
Ha uma diferença, é claro.
Deve haver alguma lei que penalize todos os que cometem assassinatos.
Sr. Du Toit, responda...
há quanto tempo vive conosco na África do Sul?
Sempre vivi aqui.
Temo que eu...
Eu não sou o advogado que está buscando. Sinto muito.
Não entendo, Sr. McKenzie.
Pensei que você tivesse pego vários casos e ganhado todos...
em favor dos direitos humanos.
Não, veja bem, o que você não sabe...
é que cada vez que ganho uma causa eles mudam a lei.
Portanto, eu aconselho você...
a simplesmente deixar isso à própria sorte.
Eu vou procurar outro advogado e provarei que está errado.
Boa tarde, Sr. McKenzie.
Sente-se, Sr. Du Toit. Vou pegar sua causa.
Aceitarei somente se for com total transparência.
Como a justiça da Africa do Sul é mal aplicada...
quando se trata de questão racial!
Emily, como vai você?
- Aqui está o Padre Masonwane. - Benjamin Du Toit.
- Minha amiga, Margaret Ledwaba. - Benjamin Du Toit.
Por favor.
Aqui, tome.
Emily, fui ver o Sr. McKenzie
Ele aceitou ser seu represente durante a investigação.
Obrigado, Sr. Ben.
Ele é o melhor que pudemos encontrar.
Suas intenções são boas, senhor, mas é melhor esquecer.
Se mantivermos a dor viva o ódio debilitará nossa fé.
Eles mataram meu filho, que era um bom menino.
Eles mataram meu marido porque fez o que um pai deve fazer.
O povo tem que saber a verdade.
Os vivos fecham os olhos dos mortos,
mas agora os mortos abrirão os olhos dos vivos.
Você não tem medo das consequências, irmã Emily?
Não.
Nós estamos morando no belo Soweto, matadouro de primeira classe.
Quem é você, Stanley?
Um pobre gato preto na noite, lani.
Aposto que é você.
- E Emily? - Ela é como uma irmã.
- Crescemos juntos. - Então se tornou um Zulu?
Zulu, Xhosa, Sotho, tanto faz. Sou africano, é isso que importa.
Eu também.
Meu pai tem uma fazenda.
Cresci como qualquer garoto africano no mato.
Comi mingau africano. Descalço, exceto aos domingos.
Sem direito a voto. Só andar com carteira de identidade,
Prisão de Robben Island. Cuidado lani.
Sim.
- Olá Dr. Herzog. - Olá.
Poderia me ajudar a identificar estes objetos?
Você o reconhece?
Tem aparência de dentes humanos.
Sim, são de um falecido.
Gordon Ngubene.
É possível.
O Capitão Stolz solicitou?
Sim.
Ngubene se queixou de uma dor de dente.
E sua aparência lhe chamou a atenção?
Não.
Veja, segundo o boletim policial,
"tem grandes lesões na cabeça e no corpo."
Isso não revive sua memória?
Não sei.
Não tem certeza?
Recordo haver arrancado um dente estragado de sua boca.
E você aplica algum anestésico...
antes de extrair os dentes
Não consigo recordar.
E quem deu a ordem de extrair seus dentes?
Não me lembro.
Dr. Herzog, que dia é hoje?
Sexta feira, dia 24.
Estou aliviado.
Pensei que havia perdido todas suas faculdades mentais.
Isto é tudo, Obrigado. Acabaram as perguntas.
O falecido foi preso em 27 de julho, não foi?
Sim.
E qual foi o motivo da prisão de Gordon Ngubene?
Estava portando documentos ilegais.
Tenho uma objeção.
Olá, Capitão Stolz.
Olá, Sr. McKenzie.
Não temos provas
que estes documentos eram incriminatórios, Excelentíssimo.
Pode nos dar um exemplo, Capitão Stolz?
Sim. Ele escreveu para um jornal chamado O Mundo Para Trabalhadores Negros.
Bem, eu escrevo para O Mundo para Trabalhadores Negros,
Vossa excelência supõe
Que estou correndo risco de detenção e reclusão?
Nada a acrescentar, excelência.
Protesto negado, continue com com suas teses, excelência.
Perdão, excelentíssimo. Negou meu protesto?
Sim, Neguei.
Agora Senhores, justifiquem esta morte.
Me chamaram às 6 horas.
Me disseram que o detento se enforcou com uma corda amarrada na barra da janela.
Sim. E daí?
Eu convoquei o Dr. Jansen para fazer uma autópsia.
Obrigado, Capitão Stolz.
Você está ciente, Capitão Stolz
Se foi feita a autópsia
em favor da família Ngubene?
Sim. Pelo Dr. Hassiem, cuja assinatura se encontra no documento.
E onde está o bom médico agora?
- Preso. - Qual o motivo?
Por motivo de segurança interna.
E esta assinatura é dele?
Sim, obrigado.
A assinatura é dele.
Tenho um grafologista que vai jurar...
Que não é.
Três grafologistas da polícia juram que é.
Só três?
Veja, o Dr. Hassiem,
constatou que as marcas no pescoço da vítima... Oh, sim.
"Não foram causadas por uma corda, mas por correntes".
Protesto! Onde está a prova desta afirmação, Excelentíssimo?
Dr. Hassiem é minha testemunha.
Você sabe que o Dr. Hassiem não está autorizado a se pronunciar.
Também sei que vossa excelência pode intimá-lo a comparecer neste tribunal.
E que será acompanhado por guardas armados,
e acorrentado dos pés a cabeça
em questão de minutos.
Temo não podermos passar por alto os atos de traição como queremos, Sr. McKenzie.
Sua Senhoria, teme que leve
explosivos ocultos em seu corpo,
com a intenção de fazer este tribunal em mil pedaços?
Sr. McKenzie, devo adverti-lo quanto às suas observações.
Lhe advirto, este tribunal não vai tolerar insultos.
Desculpe-me, senhor.
Excelência,
Chamarei outra testemunha para comprovar a condição física de Ngubene.
Chame Archibald Mabaso.
Vou ler uma declaração assinada por...
Archibald Mabaso.
Você entendeu?
Sim.
"Eu o vi sendo trazido no final da tarde."
Eu troquei algumas palavras com ele."
"Parecia muito bem."
"Não vi ninguém entrar em sua cela naquela manhã."
"Quando o encontraram morto."
"Era Ngubene?"
"Era Ngubene?"
- Não. - O quê?
Não, isto não é verdade.
Mas você assinou esta declaração.
- Você assinou a declaração. - Eu nunca vi Ngubene!
Assinei porque o Capitão Stolz me obrigou.
Isso é o que ele fez comigo.
Leve-o a cabo.
Leve-o! Silêncio!
Gostaria de lembrar o Capitão Stolz sobre a testemunha.
Meu Deus! Algum amigo teria que fazer isso por ele...
para criar uma imagem de propaganda nos jornais de amanhã.
E seu suicídio esta noite se transformara em propaganda
amanhã nos jornais?
Excelência, estamos aqui todos os dias de nossas vidas
para lutar contra os terroristas e os comunistas, e este homem
tenta manchar a reputação dos serviços especiais.
Serviços Especiais?
Sr. Peterson, as fotografias. Mostrarei à vocês o serviço especial.
eis aqui as fotografias
que o deixará orgulhoso de seus serviços especiais, senhor.
Ele tentou atirar-se contra as grades de sua janela. Tivemos que segurá-lo.
Com cacetadas e chibatadas?
Não, não usamos cacetadas ou chibatadas.
Como explicar os hematomas,
estes vergões entrelaçados ao longo de todo seu corpo?
Ele deve ter se batido contra a grade ao tentar pular a janela.
Ele se comportou como um animal selvagem.
Capitão Stolz, acha que este tribunal acreditaria
que este homem tentaria pular pela janela da frente...
e não conseguindo,
voltou
e, com uma força incrível, se lançou novamente contra janela?
Evidentemente.
Gostaria de demonstrar ante o tribunal?
Não.
Muito bem.
Agora, vejamos o bom trabalho do seu serviço especial.
A sétima costela direita quebrada.
O braço direito quebrado.
coágulos de sangue no cérebro.
hematomas por todo o corpo.
Está envergonhado de ver estas fotografias, senhor?
Aqui esta uma capaz de lhe agradar.
Sua mandíbula quebrada.
Seu nariz quebrado.
Seu maxilar esmagado.
Seu olho fora da órbita e pendendo sobre o osso molar esmagado.
E marcas e evidências...
de severas queimaduras nos órgãos genitais.
e tudo isso aconteceu
enquanto este homem tentava saltar pela janela?
Ponha-os para fora!
Ponha essas pessoas que causam perturbação para fora do tribunal!
E o restante faça silêncio ou terão o mesmo tratamento.
Agora Sr. McKenzie.
O que está tentando provar com esta estúpida narração?
O que...
tento em vão provar
com esta estúpida narração, senhor,
é que não foi Gordon Ngubene,
mas sim o capitão Stolz
que se comportou como um animal selvagem.
Portanto, apesar da exibição vergonhosa da acusação...
todas as evidências disponíveis de forma clara e incontestável prova...
que a morte de Gordon Ngubene não podem ser atribuídas...
às forças de segurança da Africa do Sul.
Audiência suspensa.
Não se preocupe, homem. Você está arriscando sua vida.
- Força. - Para o povo.
Justiça.
Entre.
Espere, Melanie, vou com você.
- Mas não o mataram? - Claro que sim.
- Mas não é possível. - O comando especial faz o que quer.
- Mas ele foi apenas a julgamento. - Sabia o que estava fazendo.
Mas todos viram quando ele descobriu suas costas.
Quero dizer, eles não arriscarão, não conseguirão.
Papai.
Sr. Du Toit, meu pai, o professor Bruwer.
- Benjamin Du Toit. - Prazer.
- Um drink? - Sim, obrigado.
Sr. Du Toit, acredita que não estou preocupada com o resultado da sentença.
Nós perdemos.
Fala sério? Sinto muito em ouvir isto.
Veja, é como uma dança.
Ora recua ora adianta.
Lentamente, lentamente, rapidamente...
Você deve continuar a dança.
Prazer em vê-lo Sr. Du Toit.
É tudo um jogo.
A lei e a justiça.
Quando o sistema se vê ameaçado, eles farão de tudo para defendê-lo.
Isso significa que esse detento negro...
- Qual é seu nome? - Mabaso.
Mabaso.
Quer dizer que ele...
deu sua vida...
por um jogo?
Todos sabemos, que, com excesso de vítimas...
eles poderão perder o jogo.
Então ele se ofereceu em sacrifício.
Meu Deus.
E você já viu isso antes, não é mesmo?
Para você isso é apenas mais uma história. Um homicídio a mais não é novidade.
Mas deixe-me dizer uma coisa. Isto é novidade para mim.
É melhor você controlar sua raiva, Benjamin Du Toit.
Esta é uma longa batalha. E você precisa se preparar.
- Acho que o cinismo faz parte do trabalho. - Não é cinismo e sim realidade.
- Isso não tem nada a ver com minha realidade. - Tem tudo a ver com sua realidade.
Só porque você não viu algo antes não quer dizer que nunca existiu.
O caso Stolz não aconteceu apenas ontem, isso não vai parar.
Mas se ele não existisse você não estaria aqui.
Sou demasiado velho.
Eu fui ingênuo demais por muito tempo.
Não diga isso. Você já deu o primeiro passo.
Bem vindo a África do Sul, Benjamin Du Toit.
Não somos nós que atendemos o telefone hoje?
Meu Deus, pai, como você pôde deixar isso ir tão longe?
Você e a mulher negra, você a olha como uma amante.
Suzette, onde está sua mãe?
Papai, você saiu na primeira página.
- Cale-se! - Não fale assim com seu irmão.
Onde está sua mãe?
Chris tem um novo contrato com Van Zyl e Roux.
Eles sabem quem você é. Você não parou de pensar nos outros, não é?
Suzette, eu estava apenas tentando... Porque eu estou dando desculpas?
- Susan? - Papai?
Você é um tolo.
Olá?
Quem?
Eu não conheço você, e eu não tenho nada a dizer.
Não, obrigado por seu conselho.
Dê uma olhada nisso.
Olá.
Você tem aula às 11:00h, não tem Sr. Du Toit?
Por que ela está aqui?
E porque você está aqui?
Para comer conosco.
Johan, tenho que falar com sua mãe um momento.
- Nós já terminamos. - Tudo bem. Posso fazer o resto sozinho.
Susan...
Susan, olhe aqui, não podemos ficar andando de um lugar para outro.
Eu não quero falar, Ben. Deixe-me ir.
Isto não é tão simples assim.
Estamos entrando com um processo civil contra a polícia.
Nós?
- Nós quem? - Emily e eu.
Porquê isto?
Por quê?
Não foi seu filho que morreu, Ben. Não foi sua filha.
Foi Gordon, o jardineiro.
Puxa vida Susan, isto não se trata só de Gordon.
Tem a ver com todos nós.
Não. Trata-se deles.
E eu vou ser culpada se deixá-los destruir minha família.
Eu não quero o fantasma de Gordon em minha casa.
Eu não quero que ninguém com óculos escuros,
qualquer um desses negros aqui nunca mais...
Eu só quero que tudo volte a ser como antes.
Se você tivesse vindo comigo.
Se você soubesse o que aconteceu naquele tribunal...
você sabe que as coisas nunca voltarão a ser como antes...
- Eu estava lá. - O quê?
Escute aqui, Ben.
Eu ouvi o que o policial fez, e não estou dizendo que ela agiu certo.
Mas você acha que os negros não fariam o mesmo conosco...
e até pior, se tivessem a menor possibilidade?
Você acha que eles nos deixarão viver agradável, tranqüila e pacificamente se ganharem?
Eles nos engolirão.
Este país é nosso, Ben. Construímos cada pedacinho dele.
Olhe para o resto da África. Está uma bagunça.
É como na guerra.
Você tem que escolher de que lado fica.
Você não é um deles, e eles não querem que você seja.
Talvez coisas terríveis possam acontecer.
Talvez.
Mas teremos que sobreviver.
E você tem que ficar do lado do seu povo.
Ou você não tem seu povo.
Você tem que escolher a verdade.
É tão simples assim?
- Hassiem saiu fora? - Não, ainda não.
Temos de encontrar alguém que tenha visto Gordon e Jonathan...
a partir do momento em que eles foram presos.
Nós sabemos de onde eles foram levados.
Alguém os colocou numa van.
Alguém os conduziu. Havia olhos e ouvidos por toda parte.
Você encontra as pessoas e eu vou preparar os depoimentos.
- Está bem. - Você tem um lugar para escondê-los?
Encontrarei um lugar.
Acho que deveria falar com o médico que testemunhou na corte.
O que faz você acreditar que ele vai falar com você?
Acredito que em particular ele falará.
Muito bem.
Quando tivermos tudo o que precisamos reabriremos o processo.
Sr. Du Toit.
Eu disse tudo que tinha a dizer Sexta-feira passada no tribunal.
Eu compreendo, doutor. Eu tinha a sensação de que...
você estava tão desconfortável com o testemunho quanto eu.
Não sei se entendi bem o que quis dizer.
Quero dizer que senti que você gostaria de dizer a verdade...
e que você poderia colocar a verdade em um depoimento.
A verdade? Eu disse a verdade.
Os dentes de Gordon Ngubene foram quebrados.
Você não os extraiu.
Diga, você é o único com experiência nesta área?
Você deveria fazer um juramento de médico.
Você tem medo deles, não é?
Por hora isto é o bastante, Sr. Du Toit.
Bom dia.
Alguma vez você realmente viu Gordon Ngubene?
Se disser que não, faz diferença?
Desejo-lhe boa sorte.
Você acha que o seu esconderijo é suficientemente seguro?
Nosso primeiro depoimento é de Júlio.
Não se preocupe. Eles nunca vão encontrá-lo
- Seria melhor que não. - Eu ligo para você, Stanley.
Então, Tokozile, diga-me o que aconteceu.
No dia do ocorrido, a polícia atirou em minha irmã.
Eu gritei: "Mate-me".
Mate-me!
Jonathan veio e me ajudou.
A polícia nos prendeu.
Eles nos levaram para a delegacia de polícia. Nunca mais vi Jonathan.
Jonathan estava meio inconsciente quando deu entrada no hospital.
O rosto do rapaz estava irreconhecível.
Só um médico da polícia é que poderia atendê-lo.
Dois dias depois estava morto.
Quando trouxeram o corpo de Ngubene para o necrotério,
suas roupas estavam todas ensangüentadas.
No dia da autopsia antes da chegada do médico,
Capitão Stolz me chamou.
Ele disse: "tire as roupas e queime".
Obrigado.
Alguma coisa me diz que você não vai assinar essa declaração.
Não, não posso.
Seria suicídio.
E você ainda trabalha na praça John Vorster?
Eu não tive escolha. Transferiram-me há quatro meses.
- Você assiste aos interrogatórios? - Não.
Eu sou apenas um mensageiro para a Divisão Especial.
Diga à ele o que você me disse.
Uma vez eu tive que entregar um documento para o Capitão Stolz.
Capitão.
Nunca abra a porta sem bater!
Ouvi dizer que ele morreu naquele dia.
Chamam de avião. Seu jogo favorito.
- Quem está aí? - Douma.
- Douma? - Sim, meu carro está com problemas, homem.
Ja é meia noite, homem.
POLICIAL LOCAL MORTO.
- Johnson Seroke? - Divisão Especial foi ocupada na noite passada.
Aqueles bastardos.
A melhor maneira de homenagear um mártir, é continuar sua luta.
Não tenho certeza se Stolz sabe o que temos em mãos, mas sei que suas chances são mínimas.
É melhor tomar cuidado.
Tudo que posso fazer é mantê-los precisando de mim, Lani.
Mas quando eles resolverem me pegar, eu serei pego.
Se quiserem me matar, serei morto.
Até então, eles estarão numa corrida dos infernos.
Pai, alguns homens estão aqui.
- O que está acontecendo? - Tenho um mandado.
Espero que você coopere.
Não entendo.
Por que você não vai para o quarto?
Eu prefiro que ela fique.
Talvez eu possa ajudá-lo a encontrar...
Não se preocupe, Sr. Du Toit.
Se existir alguma coisa de nosso interesse, encontraremos.
Temos todo o tempo do mundo.
Capitão?
- Posso ver sua carteira? - Sim. Está no escritório.
Por favor.
Eu não sabia que você era um escritor, Sr. Du Toit.
Diga-me o que você está procurando.
Não tenho nada a esconder.
Capitão.
Estas cartas são privativas, Capitão.
Provém de minha esposa,
Quando éramos muito jovens.
Não tem o direito de tomá-las.
Você não tem direito, Sr. Du Toit.
As minhas desculpas, senhora Du Toit.
Você tem muito bom gosto.
Sinto muito, querido. Que vergonha!
- O que aconteceu? - Deixe-o em paz.
Johan?
Um oficial entrou na escola e interrogou ele.
- O que ele queria? - Só perguntas.
- Que tipo de perguntas? - Sobre você.
Sobre as pessoas que vieram aqui em casa.
Se sabia seus nomes.
- Bem, e o que você disse? - Nada.
O que aconteceu com seu rosto?
Logo depois, alguns dos meninos...
começaram a chamar-lhe "mulherengo" e comunista.
Eu disse para eles pararem, mas eles não quiseram.
Sinto muito, filho.
Sinto muito.
Se quiser saber alguma coisa sobre mim, coronel, pergunte.
Não ao meu filho, a mim.
Bem, se você possui qualquer informação que possa ser útil para nós...
seria prudente discutir comigo.
- Não me ameace, coronel. - Não é uma ameaça.
Chame-o de conselho de amigo.
Eu não preciso do seu conselho. Basta deixar minha família em paz.
Está bem?
Estou bem, pai.
Pai, eu sei que a polícia matou Jonathan e Gordon.
Sabe porquê?
Não tenho certeza, mas eu sei que é errado.
- Sinto muito sobre o que aconteceu. - Não pare, Pai.
Por favor, não quero que você desista.
Emily Ngubene?
Isso aqui é um aviso de despejo.
Em quatro semanas, você será levado para Zululand.
Você é viúva agora. E não tem permissão para esta casa.
Entre em contato com Melanie.
Feliz Natal.
Hassiem foi liberado. Recebi a notícia.
Isso é fantástico. Eu vou vê-lo.
Você está bem vestida.
-É a festa de Natal. -Sim.
Tem que correr.
- Feliz Natal. - Obrigado, Melanie.
- Dr. Hassiem? - Sim?
Sou Benjamin Du Toit, um amigo de Gordon Ngubene.
O caso está encerrado Sr. Du Toit. E não quero mais tocar nesse assunto.
- Mas pensei que... - Você está perdendo seu tempo.
Estou cansado.
Fui pra casa ontem depois de três meses de confinamento solitário...
E agora estou em prisão domiciliar.
Nada mais posso fazer por você. Sinto muito.
Venha. A casa está grampeada.
Sim? Dr. Hassiem deu-me o relatório da autópsia.
- Grande. - Tenho um nome para você.
Wellington Setole.
Ele foi detido com Jonathan Ngubene. E viu tudo.
- Onde ele está agora? - Na Zâmbia.
Tenho que pegar o testemunho dele.
Você jamais entrará na Zâmbia com passaporte Sul Africano.
Eu sei. Conhece alguém?
Qualquer repórter?
Eu poderei ir na próxima semana com meu passaporte Britânico.
Com o testemunho de Wellington, colocaremos Stolz na parede.
Fogo!
Certo, limpem suas armas...
Eu deveria estar lhe desejando um Feliz Natal.
Em vez disso, sinto dizer-lhe que estamos dispensando seus serviços.
Porquê?
- Ben, eu avisei você como um irmão... - Qual a razão?
Bem, procure alguma coisa para você se distrair.
Você não é o professor que...
Quantas aulas você perdeu no mês passado?
Caramba, homem.
Nós dois sabemos que o problema não são as faltas.
Trata-se da Divisão Especial.
Ben, você é um africano, um professor de história.
Sua primeira obrigação é com seus alunos.
- Mas eu os ensinei. - É uma questão de lealdade.
- Para quem? - Para sua comunidade.
- Feliz Natal. - Mais uma coisa.
Seria melhor se o seu filho não voltasse também.
Não necessitamos de traidores aqui.
O que estamos esperando?
Que tipo de trabalho ele poderá começar agora?
Vou conseguir um emprego.
Vamos todos. Eu serei Papai Noel.
Aqui Johan. Abra isso.
Hey, Johan, eu aposto que é seu primeiro barbeador.
Feliz Natal à todos.
Paz na terra, e etc.
Quem é esse bêbado
- O que vocês estão fazendo aqui? - Quem é esse caipira chato?
Que disse?
Vou matá-lo.
Você é uma vergonha para seu povo.
Saiam da minha casa.
Desculpe, cara.
Eu estraguei o seu Natal.
Você está bêbado e fedorento.
Sim. É verdade.
Inútil. Coloque-se em seu lugar.
Filho da puta!
Pare com isto!
Você não pode falar assim, Stanley.
Emily está morta.
Eles vieram buscá-la para Zululand.
Ela se recusou a sair.
Eles levaram seus filhos num caminhão.
Ela correu atrás deles...
e lutou com eles para pegar seus filhos de volta.
Eles bateram nela.
Seu coração não resistiu.
Que cena linda!
Um "kaffir" bêbado e um africano traidor.
Vocês se merecem uns aos outros. Johan?
Eu não quero ir, mãe. Por favor, fique.
- Faça o que digo. - Deixe-o ficar, Susan.
Tudo bem.
"Eu escrevi isto em homenagem a Gordon..."
Emily e Jonathan Ngubene, que foram assassinados."
"Com eles eu aprendi o que sei agora, e se ao escrever isto..."
"Eu puder mudar um homem que seja tão cego para o mundo como eu fui..."
"então eu terei dado algum sentido à minha vida."
Eu não pude ajudar, Johan.
Mas você fez maravilhosamente bem.
- Vai ser um belo cavalo. - Obrigado, Pai.
Você é um jovem muito inteligente.
Você viu e ouviu tudo, não é mesmo?
Sim, papai.
E se algo viesse a acontecer, você saberia o que fazer, não é?
Sim, papai.
Eu anotei tudo. Então, temos os outros...
Stanley sabe onde os documentos estão guardados e o que deve fazer.
- Vou lhe dar seu número de telefone. - Sim, pai.
Sabe que estou muito orgulhoso de você?
Também estou orgulhoso de ti, papai.
Agora vou mostrar-lhe onde os papéis estão escondidos.
Estou sentado em cima deles.
Segure isto.
Pegue a chave de fenda.
Os papéis estão ali. Coloque aí dentro.
Olá, papai.
Olá, Suzette. Aqui.
Vamos lá, Johan. Eu pensei que você ia esperar no portão.
- Você chegou adiantada. - Vamos.
Mamãe está no carro.
Como ela está?
Está bem.
Tenho certeza que ela está esperando por você, pai.
Eu duvido, querida.
- Olá Susan, como vai? - Bem obrigada.
Olá, mamãe.
- Te busco mais tarde. - Sim.
Venha.
Bom menino. Você gosta disso, não é?
Sim, sim.
Esse é o único que chegou à escola, pai.
Deixe-nos a sós, Johan.
Boa tarde, Meneer Du Toit.
Eu trouxe de volta seus documentos.
Você pode assiná-los, por favor?
Olá Johan.
Obrigado.
Posso entrar?
O que você quer?
- Você não está muito hospitaleiro hoje. - O que você quer?
Eu quero falar sobre a sobrevivência.
Minha ou sua?
-Sobrevivência. -Sobrevivência.
Enterraram Emily Ngubene hoje...
e você quer falar sobre sobrevivência.
Sr. Du Toit,
há um limite que não devemos cruzar.
Queria convencê-lo disso.
Adeus, capitão.
Mas ele certamente não é seu nem meu. Certo, vovô?
Desça, Johan!
Oh, Deus. Você está bem?
- Melanie. - Ben.
Eu preciso do seu jornal para publicar os depoimentos.
- Não há tempo para uma ação judicial. - O que aconteceu?
- Será que eles...? - Sim. O que aconteceu?
Eles atiraram na minha casa hoje à noite. E quase mataram meu filho.
- Ele está bem? - Ele vai ficar bem.
Onde ele está agora?
- Eu tive que levá-lo para sua mãe. - E então?
E nada. Eu não posso voltar atrás.
- Você quer? - Não seja boba.
Eu não posso. Todos os meus conceitos mudaram.
Nada, nada mais é o mesmo.
- Eu sei. - Não, você não sabe.
Você não imagina. Eu fui cúmplice. Você nunca foi.
Eu fui conivente. Eu acreditava em suas mentiras.
Mas seu filho não vai ser assim.
Você me bate.
Johan, fique aí atrás!
Bastardos.
Pai, os papéis. Eu os enganei.
Eles não encontraram meu esconderijo.
Os escondi quando Suzette nos viu. Ela nos delatou, pai.
Não, Johan, não temos certeza.
Atenção, por favor.
passageiros chegando na Zâmbia Airways, vôo 91 de Lusaka...
vá para informações de bagagens setor B.
Srta. Bruwer? Venha comigo.
pegue o telefone mais próximo na sala de espera. Obrigado.
PORTA B
Desculpe-me.
- Você é Stanley? - Sim.
Olá?
- O que está acontecendo? - Stolz está na casa de Melanie.
Desça.
Olá.
Muito impressionante.
Onde está Melanie?
A caminho de Londres. Eles a deportaram.
Jesus.
Ela sabia o que estava fazendo.
O depoimento de Wellington.
- Então, você a viu? - Ela está bem.
Vamos vê-la novamente.
- Onde estão os outros documentos? - Salvos.
Isto é tudo que precisamos.
Nós vamos levá-los para nosso amigo do jornal.
Não você, cara.
Você sabe que Stolz será sua sombra a todo instante.
É isso que estou planejando. Eu vou ser a isca.
- Olá? - Suzette?
Olá, querido.
Não, eu estou bem.
Bem, nós tivemos um arrombamento.
- Na casa? - Não, só na garagem.
Levaram tudo?
Eles estavam procurando algo que estava escondido lá.
- Eles encontram? - Não, eles não encontraram nada, mas...
Preciso de um lugar seguro para eles.
- Posso cuidar deles? - Você faria isso?
Se você quiser.
Isso seria ótimo.
Eu irei pegá-los.
Não aqui.
Nós nos encontraremos no Palácio Pizza às 09:00.
Poderia fazer isto às 08:00?
Obrigado.
- Vejo você depois, querida. - Eu te amo.
Eu também.
Até logo.
Esses são os papéis.
Alguém virá até amanhã buscá-los.
- Dois cafés, por favor. - Pão?
- Sim. - Não.
Sinto muito aborrecer você com tudo isso.
Você está linda.
Obrigada pai.
Como estão as coisas em casa?
Tudo bem.
O cavalo de balanço não estará pronto para o aniversário do pequeno Piet.
Você sabe...
Eu ainda tenho o pequeno hipopótamo que você fez para mim.
- É mesmo? - Sim.
- Suzette. - Sim?
- Eu te amo. - Eu também.
- É melhor eu ir. - Não, não vá.
Devo ir.
Papai.
- Querida. - Tome cuidado.
Sim.
Você pediu dois cafés.
Eu sei.
Não se preocupe, Srta. Klopper. Por favor.
A porta, Srta. Klopper.
Aqui estão os papéis, Capitão.
Obrigado.
- Nosso país precisa de mais pessoas como você. - Queime-os.
Faça o que quiser com eles.
Eu só quero que tudo volte a normalidade.
Obrigado mais uma vez, Srta. Klopper.
NINGUÉM PODE SER LIVRE ATÉ QUE TODOS SEJAM LIVRES.
Johan, tenha cuidado. Adeus.
Eles tem os documentos.
Bem feito, pequeno Lani.
Brutalidade SERVIÇO ESPECIAL EXPOSTO
Sobre os testemunhos dos dois óbitos altos funcionários
O governo nega as acusações
O homem que testemunhou foi vítima de um motorista bêbado
1989. O governo Sul-Africano continua
banindo, prendendo, torturando e matando os
homens, mulheres e crianças que fazem oposição ao Apartheid.
Desde que o estado de emergência foi decretado
no país em 1986, 50.000 pessoas incluindo
crianças de onze anos
foram presos, sem ter cometido crime algum,
por cerca de 850 dias.
Este filme é dedicado as milhares de pessoas
que deram suas vidas
e aqueles que lutaram
para uma livre e democrática África do Sul.
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