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Daniel!
Daniel!
Deus, tenho que v�-lo.
Tenho de me encontrar com ele.
Raymond! Raymond...
Acorde!
Se me tocar, n�o vou.
Pele! � como pele.
Sou como um animal.
N�o... E mesmo que Raymond tivesse acordado,
de qualquer jeito, eu teria ido.
�s vezes voar � um instinto.
N�o vou me sentir culpada.
A� est�!
Est� dormindo de verdade, ou fica com medo ao me ver sair?
Bem, agora ir� me ouvir!
A que lugar me trouxe, Raymond?
S� cemit�rios e acampamentos militares.
Quase um milh�o morreram aqui.
Este lugar cheira a guerras antigas. Por que morreram?
Puseram nomes de soldados nas ruas. Pelo menos na Su�ssa s� h� uma,
de un general. Bem, n�o me lembro como se chama.
Outro cemit�rio, mas todos os mortos est�o enterrados.
>Por que n�o se rebelam? Pelo menos os jovens!
A revolta � a �nica coisa que lhe mant�m vivo.
Droga, n�o trouxe dinheiro e me esqueci do rel�gio.
Bom, isto ser� suficiente para um gole na Alemanha .
Cale a boca!
Encha o tanque, por favor! Super!
Tanque cheio?
- Vai viajar muito? - Bastante.
- Sabe quem sou, n�o?
Meu marido � professor, Raymond Nase.
Esqueci o dinheiro. Pe�a a meu marido, quando ele for para a escola, ele pagar�.
Vestida assim, parece mais um piloto de corridas.
Mas conhe�o esta moto. N�o h� duas iguais nesta parte do mundo.
� uma grande m�quina.
Seu marido deveria us�-la, chegaria mais cedo � escola.
e as crian�as n�o iriam mexer tanto com ele.
A moto � minha. Ningu�m mais a usar�, nunca.
Sim, Daniel, vou verificar a press�o dos pneus.
Calibre os pneus, por favor. 28 no de tr�s, 26 no da frente.
36 na frente.
38 atr�s.
Seu marido � um homem muito generoso.
Filho da puta sortudo!
Seu marido � um homem muito generoso.
Raymond usar minha moto, ele que se atreva.
Mas claro que n�o, n�o � dos que se atrevem. Nem me pediria, mesmo que tivesse de andar 150 km.
As crian�as n�o mexeriam tanto com ele.
Por que lhes permite? Senti vergonha s� em ouvir voc� me contar, Raymond.
E o Reno nasce, de fato, no lugar de onde eu venho.
Su��a.
Por que est� acenando, Phillipe? O que voc� quer?
Quero ir ao banheiro, senhor.
Muito bem, pode ir!
Sil�ncio!
Assim � demais!
- Onde est� esse r�dio? -Achamos que gostava de m�sica, senhor.
- Onde est�? - Por a�!
A�! A�!
Desliguem isso! J�!
- Achei que gostava de m�sica, senhor. - Essa porcaria n�o � m�sica!
Onde o esconderam?
Daniel tem raz�o, � claro. Sempre tem. A cidade est� morrendo nos sub�rbios.
Imagine viver em um casa como essa. Que aperto!
Uma morte lenta e confinada.
At� que eu morra. Estar casado � uma morte pequena.
Viver aqui. Jes�s! Falo como se estivesse casada h� anos.
E s�o s� dois meses.
� a sua maldita bondade que est� me matando!
Veja, Daniel, posso apag�-los como se fossem desenhos em um caderno.
Giro o punho do acelerador e posso apagar essa sujeira.
Rebecca! Em alta velocidade em uma estrada molhada
voc� deve antecipar-se com um km de dianteira.
Freie com cuidade e engrene a terceira antes de freiar. Agora lembre-se!
Lembrar? Tudo,
absolutamente tudo.
V�o para voc� como esses p�ssaros.
N�o, como um foguete na dire��o do sol.
Voc� vai me abrasar? Quero que me abrase.
Quero seja exatamente igual, igualzinho � �ltima vez.
Quando o rel�gio der 8 horas em Heideberg, estarei nos seus bra�os.
Oito. Ainda � muito cedo, caramba. Sobram outras quatro horas.
A que horas eu sa�, ent�o? N�o devo chegar muito cedo.
Quero que me espere na casa de ver�o.
Pressinto que ele sabe que vou pra l�. � o presente para sua presa.
Vou parar um pouco, deixar que voc� continue dormindo.
J� est� quente, mesmo cedo.
Como mil dedos.
Acho que s� fico viva quando ele me toca.
Sou um pouco como uma folha:
verde. N�o no sentido comum. Muito el�stica e jovem.
Flex�vel, apenas florescendo. Jovem e fabulosa.
A� acaba a semelhan�a! Daniel me colheu.
E no momento em que me colheu de novo, morri.
Demorou tanto, foi t�o chato, caramba!
Nunca imaginei que 12 dias demorassem tanto.
Ah, voc� n�o faz id�ia de como me aborreci! Me atrofiei.
Gosto dessa palavra, est� certo? Asfixiado. N�o. Atrofiado.
E a moto esperando. Quase mordendo o freio.
N�o, muito mais urso do que cavalo, e veloz, veloz.
Da primeira vez que passei por aqui fazia tanto calor que
que o guid�o me queimou as m�os, mesmo com as luvas. Estava a 190!
� uma mulher. Hoje em dia nunca se sabe.
Ah, �? Eu sei, sim.
Sabe que estou nua debaixo disto. Poderia baixar o z�per para ver se trago contrabando.
Passaporte!
Ouvi falar do jeito de revistarem. C�us, n�o fa�a isso, maldito idiota.
S� eu mesma a declarar.
Algo a declarar?
Ives, o que eu lhe disse!
Nada, senhor! Nada, fora eu mesma, como pode ver.
E � uma bonita mercadoria, tamb�m.
Nada?
Est� certa disso?
Me ensine.
O qu�?
Os documentos de sua moto.
Tudo certo
J� pode ir.
Volte outra hora e me d� uma volta em sua moto!
Prometo que vou me agarrar com for�a!
Agora saio do pa�s de Raymond e entro no pa�s de Daniel.
Que bonito o pa�s do meu amante. Que arquitetura!
Seu corpo � como um violino em uma estojo de veludo.
Daniel! Oh, Daniel...
Tire minha pele!
Vistam-se como homens! Tirem as flores do cabelo!
N�o lhes cai bem.
Pobres desgra�ados. Preticamente crian�as.
T�m tempo para o amor? Sabem amar?
Voc� foi soldado alguma vez, Daniel? N�o imagino voc� recebendo ordens de ningu�m.
N�o engolirias essa de agitar bandeiras.
Saia logo!
Queime!
- Como tem passado, Daniel? - Idiota!
N�o lhe disse que a embreagem vai durar 5 minutos, se trat�-la desse jeito?
S� est� presumindo, isso � tudo!
Ratos enlatados, presos em armadilhas.
Estou presa, corro dentro de minha jaulazinha.
Tenho que perguntar a Daniel por que as pontes sempre parecem ratoeiras.
Ele vai saber o motivo. Se n�o, vai inventar um.
E eu vou acreditar nele. Esse pequeno espa�o no final.
� a rota de fuga, por enquanto.
Imagine, uma vez acreditei que os trens andavam depressa.
O trenzinho vermelho engra�ado, distanciando-se e esfuma�ando.
Me sentia feliz por Jean e Catherine.
Tinha menos complica��es, a vida podia ser mais simples.
E eu desfrutava dela.
- Olhem o que est� lendo! - A Sinfon�a en si menor de Schubert!
- N�o seria mais apropriado um romance de suspense para um fim de semana de esqui?
- S�o muito complicadas para mim. Nunca consigo entend�-las.
- N�o tem algum gosto em comum com os outros? -V�rios.
- Isso me preocupa.
- Aqui estamos.
- Obrigado! Vamos, querida!
- Oh, veja, � bonito! - N�s estamos bem aqui.
- At� logo! - Nos vemos l� embaixo.
- Este � o meu.
- Um quarto vermelho! - Vermelho, de perigo.
- Obrigado.
- Oh, lindo.
- Meu quarto est� ao lado do seu. - E...?
- N�o tranque com chave hoje � noite.
- Vamos dar outra volta! - Venha!
- N�o, j� tive o bastante. - Est� bem, vou com voc�.
- Por que? N�o est� se divertindo? - Nem tanto assim.
- Mentiroso! Nunca faz o que quer. S� o que deveria fazer.
- Certo, chegaremos a um acordo. Daremos mais um volta!
- Bom. Agora pelo menos admite o que quer fazer. Mas sabe que deveria fazer.
- N�o! Deve mandar-me calar e fazer o que queres!
- Ok, querido, se n�o fosse sempre t�o razo�vel n�o me faria agir como uma puta!
- Devia procurar outra noiva, algu�m am�vel e que n�o fosse como eu!
Oh, Rebecca.
- Por que esse homem no bar est� lhe olhando? Voc� o conhece?
- Pode ser que o haja visto na livraria do meu pai.
- Est�pida! N�o pode por Oscar Wilde ao lado de Charlote Bronte.
- Isso causaria um esc�ndalo!
- Onde o ponho, ent�o?
- Com Bernard Shaw e Santo Agostinho, � claro.
- � curioso as companhias de um homem quando morre.
- Bom dia! - Bom dia!
- Ia passando e me perguntei se havia chegado esse exemplar de "African Genesis".
- N�o, n�o, temo que n�o. Esse editores s�o como os antigos.
- Ignoram os escritores e n�o t�m senso de urg�ncia.
- Mas encontrei uma coisa outro dia que acho que lhe interessa.
- Um exemplar da "Divindade" de Chardin.
- A edi��o de Marselha? - N�o.
- Conhece minha filha Rebecca, n�o? - N�o.
- Ok, querida, apresento-lhe o Sr. Daniel... - Colonier.
De Lausanne, d� aulas em Heidelberg.
E "O amor e a sabedoria divinos".
Oh, estava certo de que lhe vendi um exemplar desse na primavera passada.
- Ainda n�o o li. - Pena!
De qualquer jeito, o inverno � a esta��o para a sabedoria divina.
- Mas o amor divino � para todas as esta��es do ano.
E acho que Rebecca n�o o negaria.
- Bom, fico com a "Divindade".
- Aqui est�! - Estou ansioso para t�-lo.
- Em perfeito estado.
- Vou lev�-lo j�.
- Obrigado!
Um homem interessante, tipicamente su��o.
Despreza o pensamento alem�o, mas o explora.
- Voc� est� louco!
- D�-me a minha, venha! - A sua n�o vai lhe fazer falta. - Voc� acha?
- Voc� vai ficar bem, querida.
- Boa noite!
- Boa Noite, Raymond!
- Boa noite!
- Estou aqui.
N�o, este n�o.
- Branco! Branco para Raymond.
N�o, n�o posso.
Oh, n�o, o que h�? N�o posso continuar com isso.
Rebecca.
Rebecca.
Raymond! Deve estar b�bado.
Sabia que n�o era Raymond.
Nunca fui t�o feliz.
Nem olhou para tr�s.
Rebecca!
Rebecca?
Rebecca, sou eu!
Vamos, levante! N�o quer ir esquiar? S�o dez horas.
Est� dormindo h� horas.
- Como sabe que estava dormindo? - Entrei em seu quarto.
- Quando? - Logo depois de subirmos.
- Beijei voc� no nariz, mas n�o notou. - Deve ser o ar da montanha!
�, deve ser o ar da montanha!
Raymond, teremos que esperar tres meses para nos casarmos?
� a ideia do seu pai, que eu me forme e consiga esse emprego...
N�o tem problema. Eu o convencerei.
Vamos nos casar na semana que vem! Por favor, Raymond, estou com medo.
- Medo de qu�? - De perder voc�! Ou a mim mesma...
Ah, se voc� soubesse...
E que mais quisera eu saber com certeza...
E casaram-se e viveram felizes para sempre.
� uma piada cruel! Foi loucura nos casarmos �s pressas.
Eu acabara de sair da escola. Aquela gorda da Giselle.
N�o � um nome apropriado? Toda de branco, com as m�os...
que sa�am das mangas como patas de porco.
Por que fiz aquilo? Melhor a livraria de 9 �s 5?
24 horas sem parar, fechada nesses suburbios asquerosos da Su��a.
Sem futuro. Muitos beb�s e pouco dinheiro.
Empurrandoo carrinho pelos pequenos cemit�rios. Sem chance de fuga.
Ent�o por que me casei com o Raymond? Para deixar de tornar-me uma qualquer?
- Bom dia! - Bom dia!
O que tem sobre Swedenborg?
Foi ele, com certeza, o desconhecido.
E sabe mais sobre meu corpo que ningu�m no mundo.
Um momento. "A humanidade e a reden��o". Sei que est� em algum lugar.
- Vou procurar no escrit�rio. -Obrigado.
Sabia que era voc�.
�, bom, eu tenho o "abreg�" ingl�s, mas "A reden��o" eu devo ter em algum lugar.
- Pego-a para ele? - N�o, n�o, vou me acostumar a achar as coisas sozinho.
O problema com as filhas � que se casam. Essa vai casar-se em poucas semanas.
Em boa hora! Parece meio p�lida para uma noiva.
Nota-se que respira s� a poeira dos livros.
Se pode ficar sem ela por uma hora, eu a levo para um volta em minha moto.
Vai por-lhe um pouco de cor nas bochechas.
Sim, v�o! Por que n�o? Tavez se anime um pouco.
Veja, voc� n�o saiu desde que foi esquiar!
Quando voltar, seus livros estar�o prontos.
- Obrigado! - Venha, v�!
C� estamos.
Agarre-se bem! E levante os p�s!
N�o corra muito! Ela nunca andou de moto antes!
Segure-se bem!
Coloque seus bra�os brancos em volta de minha cintura!
Tudo bem?
- Aonde est� me levando? - A um lugar que eu conhe�o.
- J� estava achando que voc� n�o voltaria. - N�o tinha tempo.
Foram duas semanas. Achava que n�o queria mais me ver.
� o que eu tinha resolvido.
- O qu�? - N�o lhe ver mais.
- Por que veio? - Cale a boca!
Por que resolveu n�o me ver mais?
- Foi por que n�o gostava de mim, ou porque estava comprometida?
�!
Qual?
Faz dois quil�metros perguntei "qual", porque n�o gosta de mim ou porque vou me casar.
- Por que n�o gostava de voc�. - Por que n�o h� futuro nisso, que dizer?
Sim.
- E por que voc� voltou? - Por que h� um presente.
Oh! Droga!
N�o devo flertar com esse negro desta vez.
E � melhor que ele mantenha suas amig�veis m�ozinhas longe de mim, tamb�m.
Oh, ele n�o est� aqui. Pena. Este � horroroso.
Identidade e documentos da motocicleta!
Quanto dinheiro voc� tem?
50 marcos.
Com certeza � gay.
Sem bagagem. O que faz na Alemanha?
S� estou testando a motocicleta na autobahn.
Na Als�cia as estrada s�o muito estreitas. Muito tr�fego, nenhuma seguran�a.
Dupla de bastardos repugnantes! Por que me dei ao trabalho de mentir?
Nem que fosse da conta deles.
Da �ltima vez que vim, fazia um pouco de calor.
Gosto de um calorzinho.
Foi um vento frio que matou minha m�e. Talvez seja um press�gio esse vento frio.
Oh, sou est�pida!
Champanhe, para meu querido Daniel!
E �gua para Raymond! Pobrezinho do Raymond...
Devo atrair os professores: maridos e amantes.
Gosto da palavra "amante".
Raymond evidentemente sabe que tenho um amante e me permite.
Daniel n�o permite nada. Me trata como uma escrava.
Embora n�o me prenda, sabe que n�o sou livre.
O que voc� ensina, Daniel?
Filosofia?
Psicologia?
Antropologia?
J� sei, voc� � doutor em pornografia!
Deveria me sentir culpada. Sei que deveria sentir-me culpada.
Pobre Raymond. Fui uma noiva adolescente ad�ltera.
Me casei com ele porque eu era masoquista?
Daniel disse que sim. Ent�o sim. Daniel...
Que foi que o Daniel disse? "Dentro de 50 anos n�o haver� mais casamentos".
Nasci cedo demais. Oh, o amor livre...
"amor livre, campo livre. Amemos enquanto podemos."
Quem? A revista Playboy, senhor?
Provavelmente. Mas a cita��o � de Tennyson.
N�o sabia que pensavam em amor livre na �poca dele.
O que pensam disso? Em rela��o � alternativa: o casamento.
Voc� come o biscoito sem ter que comprar o pacote, n�o �, senhor?
O que entendem por amor livre?
Vmos, algum de voc�s!
� a gera��o de voc�s que vai acabar com a institui��o do casamento.
Bom, o amor livre � ser livre para amar algu�m.
... sem um compromisso permanente.
amor livre. Amor sem casamento. Amor sem amor.
Agora, em vez de amor, dizem "fazer amor". E?
Desejo sem amor.
- � poss�vel? - Claro, senhor!
Voc� pode gostar de uma garota sem que a ame.
Ent�o o que � o amor?
� a palavra mais mal interpretada do idioma e a mais usada incorretamente.
N�s a empregamos para cobrir todas as emo��es obscuras:
Desejo, lux�ria, uma necessidade de machucar,
de ser machucado.
Mas o amor n�o torna essas outras emo��es aceit�veis?
Se quer dizer respeit�veis, diga!
Se a virtude � sua propria recompensa, ent�o o pecado tamb�m �, n�o?
Suponho que sim, senhor.
Ent�o o amor n�o � s� uma palavra para fazer
respeit�vel o pecado para n�s, assim como para os demais?
E o casamento n�o � apenas uma maneira de nos protegermos
dos dedos apontados e das m�s l�nguas?
- Suponho que sim! - Oh, sim?
Ent�o v�, se apaixone, volte logo e conte-me qu�o livre voc� �.
Vai descobrir que continua havendo alguns problemas com o amor livre
Oh, o que h� de mal no amor livre, Daniel?
Pobrezinha! Quatro, j�, e um a caminho. Parece esgotada.
Mas n�o � de vitaminas que ela precisa.
Exatamente como me disse, Daniel. Os motoristas alem�es prererem viajar em fila, como soldados.
Que foi que disse? Como lemingues.
Todos n�s, como lemingues, vamos a caminho do cemit�rio. De um jeito ou de outro.
Me disseram que eu tinha identidade.
Minha m�e fez com que me destacasse na escola.
E meu erudito pai. Os professores gostavam disso.
Identificada por meus pais, mas sem identidade.
N�o tenho identidade!
Eu a perdi para sempre em voc�, Daniel. Sou uma cadela sempre no cio.
� o que voc� quer, �? N�o se importa, n�o?
Voc� � um s�dico, querido, um s�dico magn�fico!
� um corno!
Corno! Corno!
Como um maldito mausol�u.
Daniel! Me pergunto se � aqui que voc� esconde seus segredos obscuros.
Deus, tenho de beber!
Ainda tenho tempo.
Ainda s�o s� seis e meia.
E o jeito de beber que voc� me ensinou.
Um quarto e uma garrafa de kirsch!
� para j�, monsieur. O quarto 8 est� aberto.
Obrigado. Esteve aqui antes.
Entre!
Merci, monsieur!
Que est�pida!
Daniel, quero que me ensine a dirigir uma moto!
Sim, come�aremos amanh�.
Agora lembre, se trata a m�quina como se fosse humana,
ela responder�. S� as pessoas se deixam tratar como m�quinas. Certo?
Solte a embreagem com suavidade.
Agora, acelere um pouco!
Agora escute! Ponha a primeira!
Devagar, com suavidade. Aqui vamos!
�timo! Calma, calma!
Muito bem, acelere mais um pouco! N�o muito!
V� com calma! Acelere um pouco!
N�o muito! Calma!
Agora ponha a segunda!
Suavemente! Assim!
Genial.
- Consegui. - Cuidado, olhe!
- Cuidado! - N�o precisa gritar assim!
Tenho de gritar por causa do motor! Deixe de papo e mude a marcha de novo.
Certo! Na pr�xima vez, reduza a marcha!
N�o olhe para tr�s!
Perfeito! N�o, n�o se vire!
- Bom, como andei? - Nada mal.
Um pouco melhor. Sente-se na garupa!
Vou lhe ensinar a fazer as curvas.
Segure-se bem!
Mudo a marcha logo antes do come�o. A gente se inclina na curva.
N�o tenha medo. A velocidade me leva. Est� vendo?
Sim. Acho que sim.
Muito bem! Agora, voc� sozinha! N�o, n�o, n�o posso.
Voc� pode!
Uma motocicleta est� mais junto de voc� do que qualquer ser humano.
Um carro � alguma coisa externa a voc�.
Mas uma motocicleta se torna parte de voc�.
Voc� � as sensa��es dela. Ela est� entre as suas pernas.
- Esse � o �nico amor da sua vida? - Isso � uma estupidez.
Claro que n�o. E "amor" tamb�m � uma palavra est�pida.
- Sempre rastejando por labirintos de sentimento. - O amor � um sentimento.
A dor de dentes tamb�m!
- O que voc� faz com a dor de dentes?
- Se d�i muito, voc� o arranca. E est� morto, acabou o problema.
� o que voc� fez com ela?
Onde ela est� agora?
- Est� morta? - Se � o que voc� quer.
- Daniel, voc� se casaria comigo? - N�o.
- Por causa dela? -Voc� disse que ela estava morta.
- Ainda poderia ser o motivo.
Daniel, daqui a tr�s semanas vou me casar com Raymond.
Vou anotar em minha agenda. Vou lhe mandar um presente de casamento.
Venha ver! O presente de casamento mais rid�culo que j� vi na vida.
N�o � o que se espera!
- Firme, s'il vous pla�t. - Voc� n�o pode aceitar!
- O sujeito pode ter dinheiro, mas tudo tem limite!
Eu deveria, Raymond? � isso o que voc� quer que eu fa�a, Raymond?
- N�o se isso lhe faz infeliz. Fa�a o que quer fazer.
Bem, voc� teve a sua chance, Raymond, e a perdeu.
Eu sei quem vai ser infeliz.
Daniel, � hoje.
Vou voltar para a Fran�a de trem.
Pode ficar com sua maldita moto!
Estimado Raymond!
Querido Raymond! Oh, Deus!
O caso � o seguinte: deixei voc�.
Quero dizer, n�o vou voltar.
N�o posso evit�-lo.
Voc� nunca me d� identidade nenhuma.
Nunca me diz nem que sou bonita.
Meu diabo negro! Faz amor maravilhosamente!
Como meu diabo vermelho, Daniel!
Libere sua velocidade e acelere nas minhas m�os!
Me leve para ele, meu cafet�o negro!
Oh, Deus!
Sua doida! Voc� � uma covarde de dirigir assim.
Devia ter morrido! E voc� merece! - Voc� tem muita raz�o.
Fui uma puta idiota. Devo me controlar.
N�o se preocupe, amor! Vou manter meu corpo sem um arranh�o para voc�.
E sei que meu corpo � a �nica coisa que lhe preocupa.
Por que fa�o isso?
- Daniel, por que venho aqui? - Por que voc� quer!
Por que quero? �.
Por que lhe desejo.
Isso me torna uma ninf�mana? Meu bem, sou uma ninf�mana?
Um pouco, eu acho.
Que esperteza, me dar essa moto como presente de casamento.
Se n�o fosse por isso, como poderia ter chegado at� voc�?
Sabe, a �nica coisa que Raymond disse foi:
"Pensei que um dos amigos de seu pai poderia ter lhe dado um presente mais �til."
Pobre Raymond.
Muitas vezes eu tentei dizer a ele. Deus sabe quantas vezes eu tentei!
Mas parecia in�til.
Muito tarde.
E ent�o decidi ficar com a moto.
S� para lhe dar preju�zo pelo presente. E depois n�o lhe ver mais.
- Quanto tempo aguentei? - Um m�s.
15 dias! N�o que voc� notasse.
Sabe por que me casei com Raymond com tanta pressa?
Me casei com ele como prote��o contra voc�.
Tratei de faz�-lo feliz.
Tratei desesperadamente de lhe esquecer.
Sabe o que estive fazendo para me esquecer de voc�?
A cada noite, antes de me deitar, escuto em minha mente seus pensamentos.
Sua crueldade,
sua arrog�ncia, sua soberba,
sua despreocupa��o.
� f�cil n�o pensar nelas.
Depois me concentro em cada uma,
com a esperan�a de que, ao me levantar, de manh�, n�o vou estar pensando em voc�.
Mas � o que acontece.
E eu sei que voc� n�o me ama.
- Voc� mandava flores para ela? - Constantemene.
Para mim, nunca mandou.
Nunca amou ningu�m, fora ela, seja l� quem for!
Digamos que n�o vou amar ningu�m, nunca mais.
Vamos deixar assim.
N�o assopre as cinzas frias, menina!
Um beijo nos olhos.
No caminho para c� chamei voc� de corno s�dico, bem alto.
E falei s�rio.
� assim que me voc� me v�?
� assim que quer que eu seja?
N�o, n�o sei.
N�o sei.
Seus dedos dos p�s s�o como l�pides.
Obrigado!
Na verdade, voc� est� longe de ser irresist�vel.
- Por que pediu para eu vir? -Nunca pedi para voc� vir.
- Sim, voc� pediu, querido!
Me mandou essa motocicleta maravilhosa e a estou pagando em parcelas.
Mas agora j� est� toda paga. N�o virei aqui nunca mais. Nunca!
Lhe dou dez dias.
Mas voc� estava errado, querido. Foram s� doze dias.
Eu sei. Eu os contei.
T�pico! At� quando saem para o campo esses imbec�s ficam sentados em seus carros.
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