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Voc� mora aqui sozinha?
Sim.
N�o tem ningu�m aqui.
O que voc� quer?
Meu irm�o est� aqui.
Por que est� me olhando assim?
O que voc� quer?
Tem uma cafeteria ali na rua.
Solte-me! N�o, n�o, por favor!
WILLOW SPRINGS CALIF�RNIA, 1972
Sabem, eu n�o acredito em moral.
N�o tenho nada contra a viol�ncia desenfreada,
mas acho que a promiscuidade sexual
� a pior coisa na comunica��o humana.
Quer entrar?
Quer tomar alguma coisa?
Mas temos que nos livrar dele.
Christina! Christina!
Nunca amei ningu�m
a n�o ser a crian�a que morreu dentro de mim antes de nascer.
Desde ent�o, sei que a vida � como uma onda
com a qual voc� � levado
sempre tentando n�o se afogar,
s� para acabar morrendo depois de tudo.
E que minha �nica seguran�a est� dentro de mim.
Toda tentativa em encontrar algo fora,
ou ter expectativas com algu�m
terminou na dor de compreender.
Compreender
que as pessoas amam somente as reflex�es de si mesmas.
Toalhas manchadas de sangue,
mares de nuvens e l�mpadas me rodeiam aqui.
Prefiro entregar a Magdalena
a responsabilidade pela minha vida,
porque ela ama a dor.
E a beleza de seu rosto
� a beleza da dor.
Nos �ltimos cinco anos, desde que estou aqui,
n�o tenho mais lembran�as.
N�o tenho mais lembran�as.
Minha vida come�ou de novo desde que estou aqui.
Voc� fica a� parada sonhando,
vestindo as roupas de menina que j� n�o servem mais
e busca consolo nos animais que n�o entendem voc�.
H� quatro anos, quando veio at� n�s, eu disse a voc�
para queimar tudo o que faz voc� lembrar o passado.
Tire o vestido!
Ajude Christina a lavar o cabelo e fa�a sempre suas tarefas.
� para isso que voc� est� aqui.
Ila, volte agora mesmo!
Ila! Ila!
Eu te sa�do, estrela do norte.
Eu te sa�do, grito do chacal distante.
Eu te sa�do, nossa solid�o.
Oh, companheiras, preservem a pureza de suas m�os
que rejeitam a tenta��o lasciva.
Voc�s possuem a pureza daqueles que derramam o sangue dos outros.
O sangue de quem matamos � nossa prote��o.
Nunca mais voc�s ter�o medo.
Eu sou a for�a que trouxe voc�s at� aqui.
Eu ajudo voc�s. Amo-as mais que a mim mesma.
Acredito no poder da pol�cia que n�o v� o que fazemos.
Fecho seus olhos para n�o verem as montanhas e os oceanos ao redor.
Fecho seus ouvidos para n�o escutarem o latido dos cachorros
ou o canto dos p�ssaros.
Vivemos aqui.
Sempre viveremos aqui. Longe do medo e da esperan�a.
N�o quero que voc�s saibam onde est�o ou o que s�o.
Quero que pensem em suas a��es.
Eu sou a realiza��o. Sou a for�a que nos faz viver.
Ela � a for�a que nos faz viver.
Eu as amo mais que a mim mesma.
Ela nos ama mais que a si mesma.
Sou a for�a que nos faz respirar.
Ela � a for�a que nos faz respirar.
A �gua!
Ila, pode trazer a �gua para eu lavar o rosto?
N�o posso mais usar a �gua que restou de ontem.
Estou farta de fazer tudo que me pedem!
Voc� est� mais perto do po�o do que eu!
Pegue voc� mesma a �gua!
V� pegar a �gua ou n�o irei mais aturar voc� entre n�s!
Voc� deve me servir, � essa a sua tarefa.
Voc� fica ouvindo m�sica. Eu tenho que limpar e cozinhar!
E sua beleza n�o me importa.
Se eu for, quem ir� cuidar de voc�?
Pense! Voc� ficaria perdida aqui tendo que obedecer a Magdalena!
V� pegar a �gua!
Quero minha �gua!
Quero a �gua aqui em cima em meu quarto.
Voc� deixou o balde cair.
Voc� ter� que pegar de novo a �gua que eu preciso.
- Por favor, agora mesmo! - N�o!
Oh, Magdalena!
Foi apenas um acidente.
Terei mais cuidado.
Vou buscar a �gua.
N�o fique nervosa.
Do que voc� est� reclamando?
N�o � para voc� falar.
- E sim para trazer a �gua. - Magdalena acabou de chegar.
Christina, volte ao seu quarto! J� deveria estar pronta!
Esqueceu o que me prometeu?
V�, e s� des�a quando estiver como sempre est�.
Christina! Christina!
� a �ltima vez hoje que vou buscar �gua.
Sirva o caf�-da-manh�, lla.
Sim.
Sim.
Onde est� o meu caf�? Eu tamb�m quero caf�.
Vem, Christina. Pode beber o meu.
Tenho treze anos, quase quatorze,
e sempre tenho a sensa��o, de que h� s� um lugar para mim:
Hava�.
Agora tenho quatorze anos e continuo pensando o mesmo.
Hoje foi mesmo um grande dia.
Para come�ar
li uma p�gina de meu caderno de japon�s.
Depois, tomei caf�-da-manh�,
e depois fui jogar bola no sol.
Nosso diretor, sr. Herron, disse:
"A partir de agora, crian�as,
nada de bolinhas de gude na escola."
Portanto, n�o posso mais jogar bolinhas de gude na escola.
Ele s� pode ser um diabo para fazer uma coisa dessas.
N�o quer que a gente se divirta.
Comecei a discutir e acabamos brigando.
� claro que eu ganhei.
Se me incomodar de novo amanh�, mostrarei a ele quem sou eu.
Hoje nossa �rvore caiu,
aquele de sete metros.
Porque ventou muito.
Porque ventou muito.
Hoje encontrei um saco de bolinhas de gude.
Algu�m as deixou ali depois que as proibiram na escola.
A vida...
se trata de l�grimas e sorrisos.
Hoje...
mam�e saiu para um almo�o.
E voltou tarde para casa...
b�bada.
Hoje reergueram a �rvore
Hoje n�o foi um bom dia
porque n�o aconteceu nada de emocionante.
Nem mesmo na escola.
Mam�e � muito gentil por fazer tudo isso para n�s.
Ela planejou uma viagem para a floresta Red Wood
ou para San Diego.
E poder�amos ir ao famoso zool�gico.
Fomos � Laguna Beach, � uma praia muito bonita
mas n�o como a do Hava�.
Diverti-me muito,
e acho que os outros tamb�m.
"No Hava�, maio � o m�s das flores."
H� jardins e flores por todos os lados.
"Oh, no Hava�, maio � o m�s das flores."
Sim, hoje � um dia de maio no Hava�.
Mas aqui nem h� um teatro.
Eu s� precisava pensar no Hava� em um dia de maio.
Sinto muita falta dele...
muito mesmo.
Mam�e voltou a beber.
Mais do que nunca.
Esta manh� pedi que parasse de beber tanto.
Mas ela continua bebendo. N�o adianta de nada.
Ela se embebeda outra vez.
Espero que ela n�o se torne uma alco�latra.
Eu tento e continuarei tentando faz�-la parar.
Mam�e nunca deixa de nos fazer caf�-da-manh�.
� a melhor m�e do mundo.
Est� sempre querendo nos agradar
n�o importa como.
Fomos ao famoso zool�gico.
Adorei o zool�gico para crian�as. � o melhor.
Porque voc� pode acariciar todos os animais.
Hoje foi um dia horr�vel.
Vi televis�o
e minha cabe�a doeu o dia todo.
Tive um sonho estranho.
Eu estava na �poca da guerra.
Come�ava assim:
Meu melhor amigo...
e mais dois ou mais homens
estavam entrando em um submarino.
Ouv�amos os outros submarinos serem bombardeados...
e alguns gritos de socorro.
Decidimos emergir.
Ao chegarmos em terra, meu amigo come�ou a dar ordens.
Correu para a rua e nos disse para sair.
Algu�m gritou: "Cuidado!".
Ele sacou a arma
e disparou em meu amigo.
Peguei minha arma para salv�-lo
mas n�o cheguei a tempo.
Depois disso, escapei do tiroteio. E fiquei ali.
Hoje estava ventando tanto
que a �rvore voltou a cair.
Estou me sentindo mal
por n�o ter escrito em meu di�rio.
Quero preencher as p�ginas restantes,
e portanto farei.
Muito obrigado!
Ol�!
Ouvi falar deste lugar.
Deve ser uma das tr�s mulheres das quais falam na cidade.
A centenas de quil�metros daqui.
As pessoas falam de n�s?
N�o sabia.
Claro.
Posso entrar para tomar um caf� e descansar um pouco?
Sim.
Ol�!
Voc� � o primeiro estrangeiro h� semanas.
Vivemos aqui sozinhas e n�o nos importa a vida l� fora.
Quer conhecer a casa?
Olha, nossa casa � toda quebrada.
Nem a bomba funciona mais.
Voc� n�o conseguir� nenhuma gasolina.
Bom...
n�o foi por isso que eu vim aqui.
Por que n�o entramos?
Tudo bem.
N�o h� nada mais para te mostrar aqui.
Eu os deixarei a s�s por uns minutos.
Contarei a voc� coisas que nunca contei a ningu�m.
Nunca amei ningu�m, s� o beb� que morreu dentro de mim.
Desde ent�o, sei que a vida � como uma onda
com a qual voc� � levado sempre tentando n�o se afogar,
s� para acabar morrendo depois de tudo.
E que minha �nica seguran�a est� dentro de mim.
Toda tentativa em encontrar algo fora
ou ter expectativas com algu�m
terminou na dor de compreender.
A dor de compreender
que as pessoas amam somente as reflex�es de si mesmas.
Toalhas manchadas de sangue,
mares de nuvens e l�mpadas me rodeiam aqui.
Prefiro entregar a Magdalena
a responsabilidade pela minha vida,
porque ela ama a dor.
E a beleza de seu rosto � a beleza da dor.
Nos �ltimos cinco anos,
desde que meus pais morreram no inc�ndio,
n�o tenho mais lembran�as.
Minha vida come�ou de novo desde que estou aqui.
Sabe...
eu cresci no Hava�.
� um lugar muito bonito.
T�nhamos uma casa na praia.
E eu ia pescar todo dia com meu papagaio.
Mas ele escapou.
� um lugar muito bonito para crescer.
Quando fiquei mais velho, comecei a me mover por ai.
Tr�s anos aqui, dois ali...
Eu gosto da cidade, mas prefiro o campo.
Fui para o Oriente faz uns anos.
E para alguns pa�ses na Europa.
Foi muito bonito.
H� uma semana
decidi deixar a cidade e pegar carona por todo o pa�s.
Por isso estou aqui agora.
Ol�!
Ol�!
Voc� deve ter nascido no natal!
Magdalena disse que voc� vai ficar por um tempo.
Se voc� n�o se importar.
N�o. N�o me importo.
Mas por que quer ficar aqui?
O que voc� acha que somos?
Voc� quer dizer se eu sei o que voc�s fazem?
Ou � s� uma quest�o de coragem?
Ol�!
Como vai?
Tenho certeza que Christina j� falou bastante.
De qualquer forma, ela tem raz�o.
Ent�o, voc� vai ficar aqui com a gente por um tempo?
Eu o acho muito simp�tico.
Acho que iremos gostar dele.
Parece que n�o h� problemas.
Ir� agradar a n�s tr�s.
O r�dio desligou.
Ila...
voc� n�o quer ir para a cama?
Para c� e para l�.
Para c� e para l�.
Eu gosto da cidade mas prefiro o campo.
Querida, pode me servir um suco?
Estive dirigindo por muito tempo.
Claro.
Se estiver satisfeita com o que podemos oferecer.
Oh, claro!
Ila, prepare o caf� para a dama desconhecida.
Que dama desconhecida?
Caf�? Que dama desconhecida?
N�o fale, fa�a o que eu digo.
Sim.
Como � a vida na cidade grande?
Bastante normal.
�s vezes, � entediante.
Eu gosto de me afastar por um tempo.
Como � a moda? Do que as pessoas gostam?
Tenho tanta curiosidade.
N�o me importo com a moda nem com as pessoas.
Voc� n�o vai demorar, n�o �?
Elas est�o muito ocupadas. H� muito trabalho para fazer.
A vida no deserto � muito dura, sabe?
Ent�o.
Oh, claro!
Acho que � melhor eu ir agora.
Obrigada, de qualquer forma.
O c�u estrelado sobre mim e a lei moral dentro de mim
s�o provas suficientes para mim.
Joguem o dinheiro fora.
Vivemos uma vida aut�noma. N�o precisamos do dinheiro.
Olhem para mim.
Voc� devem me seguir e n�o se agarrarem em coisas vazias.
Quando voc�s morrerem, serei eu quem cuidar� de voc�s,
quem enterrar� seus corpos.
E sou eu quem determina o que voc�s devem temer e o que n�o.
Joguem tudo fora e sejam o que voc�s mesmas s�o.
Mas Magdalena, � preciso ter um motivo para matar algu�m.
Se voc� n�o entende o que eu digo, fique calado.
Pode nos deixar sozinhas por um momento?
Para que e por que voc� acha que estamos aqui?
Precisamos nos livrar dele.
Ele tem que ficar aqui.
Eu gosto dele, quero que ele fique.
Ele tem que ficar aqui!
Christina! Christina!
Voc� deve ter nascido na noite de natal.
Hava�.
Estamos cansados, sem for�as e esgotados.
Vamos de m�o de dadas de volta ao lugar
que tanto amamos.
Ouvi alguma coisa l� fora.
Vamos ver o que foi?
Sim, claro.
Ila, volte aqui agora.
Ila! Ila!
- O que as senhoras fazem aqui? - Oh...
Moramos aqui sozinhas. Gostamos daqui.
Quem � o propriet�rio?
Eu, a herdei de uma tia.
- N�o mora nenhum homem aqui? - N�o, senhor.
- Est�o sozinhas. - Sim.
H� quanto tempo moram aqui?
Deixa eu ver... H� uns cinco anos.
Tudo bem. Espero n�o ter que voltar aqui.
Bom dia!
Adeus, cavalheiros!
Esperem!
Quando morrerem, serei eu quem cuidar� de voc�s,
quem enterrar� seus corpos.
E sou eu quem determina o que voc�s devem temer ou n�o.
Joguem tudo fora e sejam o que voc�s mesmas s�o.
Mas Magdalena...
� preciso ter um motivo para matar algu�m.
Ila!
Oh, Magdalena!
Mas eu s� queria...
Mas eu s� queria...
Mas eu s� queria...
Magdalena, j� est� de p�?
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