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Seu patr�o lhe deu esta f�brica. O que acha do gesto dele?
O verdadeiro her�i desta hist�ria � seu patr�o?
Exato.
Ele n�o o priva da esperan�a de uma revolu��o futura?
Pode ser.
Foi um ato isolado ou � a tend�ncia do mundo moderno?
Uma tend�ncia geral.
Considerando-o como um s�mbolo da nova tend�ncia do poder...
poderia ser uma primeira contribui��o � transforma��o...
...de toda a humanidade em pequenos burgueses?
A burguesia nunca conseguir� transformar todos em burgueses.
Ent�o, a hip�tese seria esta:
um burgu�s, mesmo um dono de f�brica...
aja como agir, sempre erra?
N�o posso responder.
A burguesia est� mudando revolucionariamente.
Se a burguesia transformasse a humanidade em burguesia...
n�o conseguiria triunfar em uma luta de classes...
nem com o Ex�rcito, nem com a na��o, nem com a lgreja.
E, sem aliados naturais, perderia a luta.
Aqui h� uma nova pergunta...
Deve responder perguntas novas numa situa��o diferente...
-da burguesia? -Exatamente.
Voc� pode responder...?
Voc� pode responder...?
Revis�o e Sincronia: LincK
"E Deus conduziu seu povo pelo deserto..."
CHEGO AMANH�
Pietro, coloque uma m�sica.
Quem � este rapaz?
Um rapaz.
Est� se sentindo melhor?
N�o foi nada.
Pronto. Obrigada.
Queridos.
-Querida! -Chegaram bem? Como est�o?
Bom dia.
-Desculpe a falta de conforto. -Est� tudo bem.
Que invas�o!
Eu dormia aqui quando era menino.
Boa noite.
Boa noite.
Desculpe!
Desculpe.
"OBRAS" - RlMBAUD
Aqui! Aqui!
Aqui! Aqui!
Lucia!
-Lucia! -Estou aqui!
Vem! Vem!
Desculpe.
Desculpe.
Pietro! Pietro!
Seus amigos est�o chamando.
Voc� � um verdadeiro esportista.
Finalmente!
Estes s�o os meus amigos.
Oi!
Lucia!...Lucia!
Mas que horas s�o?
N�o sei.
Que diferen�a faz?
Mas s�o 6 horas!
"CONTOS E NOVELAS" - TOLST�I
Trata-se de um homem doente como eu.
"Mesmo naquele estado, lvan Ilitch encontrou conforto.
O encarregado da limpeza era Gu�rassime...
um jovem campon�s asseado, sadio..."
Obrigado.
O que est� lendo?
"Ela era toda a sua vida
O ciclo de bondade demoraria mais a se reproduzir que uma estrela
A Ador�vel, que eu n�o esperava
Tinha vindo, n�o voltou e n�o voltaria mais"
Gosto de dirigir r�pido.
Agora eu deixo voc� dirigir.
N�o creio, n�o tenho 20 anos.
Voc� n�o � Gu�rassime.
� dificil discutir com voc�.
S�o duas as raz�es que me obrigam a falar com voc�:
a primeira, � a minha moral...
depois, h� uma coisa confusa dentro de mim...
que talvez eu s� consiga resolver conversando.
Voc� me seduziu, Deus. E eu me deixei seduzir.
Voc� me violentou e ganhou.
Tornei-me objeto de esc�rnio.
Todos riem de mim.
Eu sentia a cal�nia de morte, o medo ao redor:
Denuncie-o, e n�s o denunciaremos
Todos os meus amigos observavam a minha queda.
Ele se deixar� seduzir, n�s venceremos...
...e nos vingaremos dele."
Angelino!
Angelino.
Como?
O que disse?
Voc� fala?
Estou feliz.
Tchau, Emilia.
Vou embora...
amanh�.
N�o me reconhe�o mais.
O que me tornava igual aos outros foi destru�do.
Eu era como os outros, talvez, com muitos defeitos...
os meus e os do meu mundo.
Voc� me tirou da ordem natural das coisas.
E, enquanto voc� estava perto, eu n�o tinha percebido.
Agora entendo que voc� vai embora.
E perder voc� me conscientizou da minha diferen�a.
O que ser� de mim?
O futuro ser� como viver perto de um outro "eu"...
que n�o tem nada a ver comigo.
Devo chegar ao fundo dessa diferen�a...
que voc� me revelou...
e que � a minha �ntima e angustiante natureza?
Mas, se n�o quero...
tudo isso n�o vai me colocar contra tudo e contra todos?
Agora percebo que nunca tive...
interesse real por nada.
N�o falo de grandes interesses...
mas, dos pequenos, como o do meu marido pela f�brica...
do meu filho pelos estudos, de Odetta pela fam�lia...
Eu? Nada.
N�o entendo como consegui viver nesse vazio.
Mas eu vivi.
Se havia alguma coisa...
um pouco de amor instintivo pela vida...
era est�ril, como um jardim onde ningu�m passa.
Na verdade, esse vazio continha valores falsos e mesquinhos...
de um ac�mulo horr�vel de id�ias erradas.
Agora eu percebo.
Voc� deu � minha vida um interesse total e real.
Tua partida n�o destr�i nada do que existia em mim...
fora uma reputa��o de burguesa casta. Que importa?
Mas, voc�, em troca...
me deu um amor no vazio da minha vida.
Deixando-me, vai destruir tudo.
Nosso encontro fez de mim uma garota normal.
Finalmente, encontrei uma solu��o para a minha vida.
Antes, eu n�o conhecia os homens.
Tinha medo deles. S� amava meu pai.
Mas agora, partindo, n�o s� me atira para frente...
mas me faz seguir adiante.
Era isso que queria? Agora a dor de perder voc�...
provocar� em mim uma nova queda...
mais perigosa que o mal que havia dentro de mim...
antes da minha breve cura devido � sua presen�a.
Eu nunca havia conhecido esse mal, mas agora sim.
Atrav�s do bem que voc� me fez, me conscientizei do meu mal.
Como poderei substituir voc�?
Talvez exista algu�m.
Acho que n�o poderei mais viver.
Voc� veio aqui para destruir.
Em mim, a destrui��o que causou � total.
Destruiu a id�ia que sempre fiz de mim.
N�o consigo ver nada...
que possa reintegrar-me � minha identidade.
O que voc� prop�e?
Um esc�ndalo equivalente a uma morte civil...
minha destrui��o total.
Como pode fazer isso um homem acostumado � id�ia da ordem...
do amanh� e, sobretudo, da posse?
- Deixe. Eu carrego.
- N�o, eu carrego.
Vamos carregar juntos, certo?
-Oi, Emilia. -Oi, Emilia.
Emilia!
-Tem uma trena?
Sim. Vou pegar, senhorita.
Senhorita, est� na mesa.
Senhorita!
Srta. Odetta!
N�o posso fazer nada. N�o � a minha �rea.
Lamento.
Srta. Odetta!
Srta. Odetta, vamos! Srta. Odetta, por favor!
Abra o punho.
Por favor, Srta. Odetta.
Abra o punho.
Srta. Odetta...
Senhorita...
Que horror!
Sou um idiota!
Parem aqui.
Emilia, a comida.
Est� com fome?
N�o, eu n�o como.
Coma. Est� bom. Precisa comer, vamos.
- N�o quero. - Como �?
N�o quer comer?
Est� gostoso. Por qu�?
Diga ao menos o que quer comer. Fale!
Emilia, vamos.
Venha, Eliana.
� preciso tentar inventar novas t�cnicas...
imposs�veis de reconhecer...
que n�o se pare�am com nenhuma t�cnica precedente...
para evitar a puerilidade do rid�culo...
para construir um mundo pr�prio...
sem confronta��o poss�vel...
para o qual n�o existam precedentes de julgamento...
que devem ser novos como a t�cnica.
Ningu�m deve saber que o autor n�o presta...
que � um ser anormal, inferior...
que, como um verme, ele se contorce para sobreviver.
Ningu�m deve apanh�-lo em um momento de ingenuidade.
Tudo deve apresentar-se perfeito...
baseado em regras desconhecidas...
e, portanto, indubit�veis...
como um louco. Sim, como um louco.
Vidro sobre vidro...
Porque n�o sou capaz de corrigir nada...
e ningu�m deve perceber.
Um sinal pintado num vidro...
corrigir sem sujar...
um sinal pintado antes num outro vidro.
Mas todos devem acreditar...
que n�o se trata do ato de um incapaz...
de um impotente.
Absolutamente. Mas que se trata de uma decis�o segura...
s�lida, elevada e quase prepotente.
Ningu�m deve saber que um sinal d� certo por acaso.
"Por acaso" � horr�vel.
E basta um sinal dar certo por milagre...
e � preciso imediatamente proteg�-lo, conserv�-lo...
...como uma tela.
Mas ningu�m deve perceber.
O autor � um pobre idiota...
um med�ocre...
vive no acaso e no risco...
desonrado como uma crian�a.
Reduziu sua vida � melancolia e ao rid�culo...
de um ser que sobrevive degradado, sob a impress�o...
de ter perdido alguma coisa para sempre.
ABAlXO OS ESTADOS
ABAlXO TODAS AS lGREJAS
VlVE AQUELE QUE PlNTA
O azul � seu retrato.
Mas o azul n�o basta.
O azul � s� uma parte.
Com que direito farei uma tal mutila��o?
Que ideologia poderia justific�-la?
N�o eram melhores as minhas tentativas de retratos?
Vejam...
como ela ficou de tanto comer urtigas.
Meu Deus! Que esc�ndalo!
Lamento, n�o fumo.
Qual � a estrada para Mil�o?
� esquerda, e depois � direita.
O que aconteceria comigo...
se decidisse me desfazer da f�brica e dos oper�rios?
Vamos.
N�o tenha medo.
N�o vim aqui para morrer, mas para chorar.
Minhas l�grimas n�o s�o de dor. N�o.
Elas formar�o uma fonte que n�o ser� uma fonte de dor.
V�. Agora pode ir.
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